Uma Viagem Perfeita
20 Capítulo 17 - Pôr- do-sol em Veneza.
Notas iniciais
E isto aqui está quase virando uma songfic. A música de hoje é "Innocent - Taylor Swift" (Ninguem notou que eu só a uso lálálá)
Apolo suspirou atrás de Artemis, os braços a cada lado de seu corpo, também a escorar-se na abertura a sua frente que dava vista aos Alpes ao longe, imponentes e maravilhosos, aqueles que mais lhe chamavam atenção, igual a uma moldura que cercava a cidade das águas. Lá de cima do Campanile di San Marco, onde todos podiam ir, Apolo admirou a forma como o sol despencava ao fundo daquela pintura magnífica. E estar com ela, tornara aquilo ainda mais... Inesquecível. Era exatamente assim que aquele dia seria em sua mente: inesquecível. Nunca havia se divertido tanto em todos os seus milhares de anos como deus.
Seus devaneios ficaram de lado no instante que a deusa descansou a cabeça contra seu peito, as mãos geladas e delicadas a escorregar pela extensão de suas costas, o apertando de leve.
- Isso é o mais irreal possível — sussurrou ela rindo baixo. — Por que eu to me divertindo mais com você do que com o George?
Ele riu, muito suavemente devolvendo seu abraço delicado.
- Porque alem de mais lindo, eu sou muito mais engraçado. Admita!
A sua risada contra seu peito arrepiou-o.
- E com um ego muito maior que de qualquer outro cara que eu já havia conhecido.
- Vou levar isso com um elogio.
Inesperadamente, a mão dela lhe deu um tapa fraco em seu ombro.
Sorriu.
- Aproveitador.
- Sempre fui — deu ombros ao sentir seu corpo pequeno tremer com a gargalhada dela — E você sempre soube disso.
- Agora, olhando o por do sol... — ela elevou os olhos — Recordei quando você conseguiu que Atena o ajudasse e ainda fez Poseidon beijá-la com aquela brincadeira boba que você e a Afrodite manipulavam. Ah, aquilo foi engraçado.
Ele riu, recordando bem que depois Atena quase o matara por ter feito aquilo consigo, mas custou-lhe admitir que havia gostado. E Poseidon... Aquele ali era tão igual a si mesmo que só rira e disse "Ela me odeia", como se fosse a coisa mais comum do mundo. As suas historias de "cupido por algumas semanas" sempre foram as melhores. Até hoje Ares o burlava com o dia em que recebera a missão de tentar juntar Hermes a alguma mulher e que tivera de se desdobrar como Garçom para tal fato. De fato, aquela fora divertida até por demais.
- Atena é osso duro de roer — o timbre embarcado em recordações — Se lembra daquele em dia em que eu, você e Afrodite tivemos de se esconder no guarda-roupa do pai porque Hera havia chegado mais cedo que tínhamos previsto?
Agora, ela riu com vontade.
- Que até jogamos pedra papel tesoura para escolher quem iria inventar a mentira quando Hera nos encontrou? — adicionou ela — E mesmo assim tivemos de arrumar toda a bagunça que fizemos no closet!
- E eu que acabei me ferrando e enrolando a Hera por horas e horas com mentira! — fez uma careta e depois riu com a deusa, sem acreditar que recordavam tanto de tempos tão estranhos e antigos que pareciam-lhe mais um filme do que a vida real. Havia separado-se a muito, e outra vez se arrependeram por isso. Poderiam ter curtido muito, mais do que já haviam curtido quando mais novos.
Com aquelas recordações quase esquecidas em um baú ao fundo de sua mente, Apolo encarou calado a deusa. Ela havia mudado muito. Tornara-se em uma garota fria, sem qualquer alegria de antes e pouco mostrava afeto. Jamais ele pensara que uma viagem pudesse retornar a aquela menininha extravagante e inquieta com muitos planos para os três aprontarem com os deuses, que ia a todas as festas juntos, que planejava banquetes com Afrodite ou que tocava piano com ele. Naquele dia, aquele em que Afrodite contara suas idéias para ele, a primeira coisa que passaram entre seus pensamentos fora: será impossível fazer isto. E aqui estava, com uma mulher que caso não a conhece inteiramente, juraria ser outra deusa, jamais Artemis, a deusa da caça pragmática e decidida, sem objeções ou homens.
Aquela sim, era a sua Artemis.
Sensacional e única.
- Se lembra daquele dia em que eu roubei um beijo quando sol estava se pondo? — perguntou ele, baixinho já a sentir a brisa fria vinda dos últimos feixes solares, suaves e quase sem potencia. O sol e a lua, em um mesmo local.
Inocentemente, ela negou, enquanto o deus escorregava um de seus quentes dedos pela sua face.
- Não, não recordo. Quando foi isso?
- Agora.
Com o por do sol ao lado deles, Apolo escorregou sua boca pela dela. E teve a chance de sentir sua língua adentrar com carinho entre seus dentes, trançando-se calmamente, deliciosamente em choques térmicos. Como todas as outras vezes, seu coração deu um tranco, feliz. Os braços a trazendo para mais perto, quase sem espaço de respirar, os peitos tocando-se com força. Aquela louca vontade de dar tudo o que tinha para ela sem pestanejar. Muito devagar, ele sentiu aquelas mãos delicadas subirem para seus ombros e por fim, esconderem-se entre seus cabelos loiros, as unhas escorregando com provocação, enquanto o empurrava mais contra si. Ele ofereceu um aperto maior, mostrando-se tão perdidamente entregue aos seus toques. Bastaria aquele modo como sua boca pressionava contra sua e ela teria o que desejasse dele. Tudo. Até mesmo... Seu coração. Um estalo ligou todos os pontos, e assim, beijando-a que entendeu tudo. Desde o ciúme até o porquê de querê-la tanto. Estava... Apaixonado. Pela sua irmã. Quase sorriu com isso. E ao invés, realmente a beijou. Não só somente no físico, quanto no emocional.
Artemis notou a mudança dos lábios dele que amaciavam os seus quando seu aperto aumentou. Mais suave, mais delicioso, mais... Apolo. Mas, não era aquele Apolo babaca que pegava todas as garotas de uma festa. Este, aquele que a beijava com muito mais do que só o físico, era um Apolo novo. Um Apolo que sorria, ficava com ciúmes e se estressava a pequena menção a George. Aquele que dera ursinho e a consolara na noite. Era aquele Apolo que ela... Estava perdidamente apaixonada. Apaixonada pelo seu jeito esnobe de vez em quando ou pela suas brincadeiras ou pelas suas ações mal pensadas. Aquele Apolo ali que a beijava com o coração. Seu coração galopou com mais força ao evidenciar aquela diferença súbita nele. Seria ele também estar... Apaixonado por si?
Dando uma leve mordida em um de seus lábios macios com gosto de que só pode descrever como "Sol", ela escutou um suspiro de prazer por parte dele. Aquele simples som a aqueceu, esquentando toda aquela sua pele gelada, em todos os lugares. E o só o que pode fazer foi beijá-lo com tudo o que tinha.
E para ele, fora o suficiente. A luxuria nada era mais que um gatinho pequeno ao lado do furacão de sentimentos em seu peito sobre a deusa.
Segurando sua boca em um selinho demorado, Apolo afundou as mãos nas costas dela e aos poucos descolou suas bocas, um sorriso serpenteando, ainda de olhos fechados.
- Agora, você vai recordar do beijo roubado — avisou aos sorrisos, muito vagarosamente abrindo os olhos para fitar as orbes prateadas a sua frente, tão liquidas a agitadas quanto seu interior. — E eu também.
- Apolo...
Seu nome chamado de maneira doce o fez se sentir o melhor cara do mundo.
- Artemis... Eu... Eu.
Ela sorriu de maneira compreensiva apos das um suave e rápido beijo em sua boca.
- Não precisa dizer.
E então o abraçou, o rosto escondida no côncavo de seu pescoço, os corações colados. Como ela mesma havia pedido, ele nada disse e só a agarrou contra si, esperando que dessa forma expressasse uma palavra que nem mesmo sabia que diria um dia, que sempre zombava e que sempre temera. E pela primeira vez, agradeceu com todas as suas forças Afrodita, por disponibilizar sentir tal coisa. Pensou até ter escutado um "de nada" em sua mente, mas estava entretido demais com o rosto nos cabelos ônix para ter certeza. Só o que sabia era que muitas coisas haviam mudado em tão pouco tempo. Dentre estas, a principal era: seus sentimentos por Artemis.
Pela sua Artemis.
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