Notas iniciais
Um mês depois, venho eu postar ASHASUUSHU Enfim, me desculpem, de verdade, estou sem internet =s
De qualquer forma, não vou demorar muito aqui, já fico triste de postar esse capítulo :(
Bem, voalá!

Era um dia frio aquele, o escolhido para tal ocasião. Pequenos e delicados flocos de neve caiam, suaves, deslizando pelo ar, pousando como penas sobre os montes enregelados que criavam todo aquele cenário inusitado a volta de uma única parte limpa, magicamente polida com gelo, fazendo daquele espaço uma obra de arte digna de museus. E, entre todo o branco, cadeiras de madeira enfileiradas e decoradas com flores de diversas cores destacavam-se defronte a um altar com o mais complexo e intricado enfeite de orquídeas, as preferidas da noiva, das quais uma cúpula se abrigava. Parecia um pouco estranho para um evento de aqueles ocorrer em tal tempo, mas era digno aos seus donos nada usuais.

E era exatamente isto que Apolo pensava enquanto olhava lá para baixo, da janela superior da casa que por ali se solidificava, a dois quartos de onde Artemis se vestia.

Para ele parecia irreal, como um sonho inalcançável, daqueles em que jamais queremos acordar e que se o fizermos, sentiremos tanta saudade quanto se estivéssemos lá. E suas mãos nunca haviam suado como agora, dentro de seus bolsos. Seu estomago nunca se revirava de ansiedade como agora, fazendo-o se preocupar se seria ele quem desmaiaria ao invés da noiva. E seu coração jamais esteve tão ciente do que quando escutava cada mínimo som vindo dos demais cômodos. Não importava se era um bater de porta, um som de salto ou uma risada, tudo isto fazia seu corpo reagir de modo estranho e de um jeito que ele nunca reagiu.

Devagar, respirou fundo a procura de acalmar todos os seus nervos e fechou os olhos.

Não poderia pagar nenhum mico. Havia chegado muito longe, batalhado demais para ter a chance de estragar tudo.

Só lembrar-se de Artemis. Você vai estar lá por ela. Por ela. Afinal, por que eu estou assim? É só mais um casamento que eu vou. Bem... Er... Dessa vez é o meu casamento. E é com Artemis. Nada demais. Só pensar assim que vou relaxar. Só mais um casamento, Apolo, nada demais. Relaxe. Não é como se você fosse ter que morrer para estar tão sem controle. É quase, mas ainda não é a morte. Relaxe. Relaxe. Relaxe.

O deus estava tão concentrado em sua meditação não muito útil, uma vez que seu corpo continuava tão tenso quanto se estivesse lutando contra os Titãs, que quando a porta de seu quarto se fechou com um estalo, quase deu um pulo pelo susto.

Um pouco atordoado, virou-se para ver quem foi que o interrompera naquele momento essencial de seus dez últimos minutos de solteiro do quais estava louco para que finalizassem. E se surpreendeu ao reconhecer os olhos. Mal teve tempo de associar o que ela estava fazendo ali no instante em que a dita cuja correu para seus braços e o puxou para mais perto, afundando o rosto em seu peito a procura de proteção. O deus demorou alguns segundos para compreender o que ocorria até devolver o abraço, suspirando, a trazê-la para perto de seu calor e abaixar seu rosto ao nível do suave ombro da deusa.

- O que você está fazendo aqui, Artemis? – sussurrou ele, sob a depressão da orelha da dama, do qual delicadamente deslizava o nariz, aspirando aquela composição impar de brisa noturna, flores selvagens e madeira. – Você deveria estar com Afrodite, terminando de se arrumar.

Com força, ela o apertou e o deus escutou-a respirar muito profundamente, o rosto contra a curva de seu pescoço, de modo a criar arrepios pela diferença de temperatura que tinham.

- Eu... Eu precisava te ver – murmurou, com um tom de riso na voz melódica – Eu estava muito... Inquieta. Afrodite fez de tudo para me acalmar, desde chocolate até comer salada. Mas, nada estava funcionando. – um suspiro. – Eu precisava de você para me acalmar – dessa vez, falou ainda mais baixo, tímida e ele riu, tão aliviado por tê-la visto quanto à própria estava. Apolo também reconhecia que ela era a única pessoa pela qual o faria relaxar. Meditação de nada funcionaria. Mas, com ela ali, encostada em seu corpo, dizendo aquilo, todos seus músculos relaxaram com o máximo cuidado para jamais machucá-la com sua força que ele havia descoberto ter aumentado com tanta ansiedade.

Ele suspirou, devagar deslizando os dedos pelas costas dela, e pode então fechar os olhos, deixando seu coração acalmar-se. Ela estava ali, com ele.

- Eu também – sim, ele sabia que tinha de admitir aquilo. – Acho que estou virando dependente de você.

- Isso foi bem romântico. – o deus soube que ela sorria — Você está bem, Apolo?

Ante tais palavras, ele riu e afastou-se um pouco para vê-la melhor. Levava os cabelos negros soltos em pequenos cachos, o que o inferiu a concluir que Afrodite já imaginava que ela iria vê-lo e ainda fariam o penteado. Mas, a maquiagem já se encontrava quase concluída. Os olhos prateados estavam envoltos por longos cílios ônix. A pele branca ganhava um tom quase pêssego com a luz suave do sol que brilhava no céu extremamente azul. E a delicada boca da deusa reluzia um tom rosado que a deixava tão perfeita que o fez perder o ar.

Ela estava mais linda do que algum dia já havia visto. E, para ele, Artemis era linda todos os dias, todas as horas e segundos. Mas, dessa vez, havia algo diferente.

Talvez seja porque eu estou delirando com esse casamento.

Ele sorriu de seu próprio pensamento e, com cuidado, descansou a mão contra a pele gelada do rosto da deusa, o polegar de leve a afagar o tom rosado que se apropriou das maças do rosto da mulher a sua frente. A mulher mais linda do mundo.

- Estou ansioso – ouviu-se sussurrando enquanto fitava os olhos mestiços, como os seus, que pareciam mesclado entre um azul claro ate o cinza-prateado. – Estou me sentindo estranho, mas acho que dá pra controlar.

Timidamente, Artemis sorriu e riu ao ouvir a voz alta de Afrodite que provavelmente descia a escada atrás dela, gritando ordens e mandando todos acharem a “Noiva Perdida”. Apolo seguiu sua risada e tão igual ignorou a deusa do amor. Com graciosidade, ele assistiu-a tocar o seu rosto, a deslizar os dedos femininos devagar pelo seu maxilar. Tremeu.

- Eu também estou ansiosa – sussurrou ela, o encarando com alegria. – Mas, se quiser, podemos deixar tudo isso daqui pra trás e fugirmos, só nós dois, para alguma casa de campo ou para qualquer lugar. Só precisamos estar juntos.

O sorriso dele se ampliou ante tal proposta.

- Você aprendeu a fugir assim comigo?

Ela riu, trazendo o rosto dele para mais perto enquanto assentia.

- Essa frase foi bem a sua cara. Acho que peguei algumas manias suas, como as de fugir, por exemplo. – então ela o olhou mais seria, mas com o sorriso estampado. – E... Eu estou falando sério. Se você quiser, sabe, você parece meio nervoso demais. Sabe que podemos evitar tudo isso, fazer uma cerimônia só para nós dois e Hera, claro. Assim, poderíamos esquecer aquele pessoal. Eles vão falar...

E antes que ela terminasse de falar, o que estava fazendo-o rir da ansiedade dela, Apolo descansou seus lábios sobre os de uma deusa perplexa. Ele sorriu enquanto a puxava para mais perto e aprofundava o beijo, adorando o modo como ela ficava sem saber como agir ao ser pega de surpresa e suspirou ao sentir os dedos dela adentrarem nos cabelos de sua nuca, sua boca já a corresponder o beijo roubado. Assim como ele, Artemis suspirou e Apolo notou que os músculos dela relaxavam periodicamente contra seus dedos encaixados nas costas da mesma. E aquilo o deixou feliz. Vê-la tão dependente dele, como ele era dela, o fez ter as idéias antes enevoadas, agora limpas. Sim, estava fazendo o certo ao se casar com ela. Não que tivesse pensado em desistir, mas tinha medo de tê-la forçado a se casar com ele só para que não fosse exilada. Parecia algo bobo, mas que o atormentara até a alma, acarretando em uma péssima noite de sono antes do casamento.

Mas ali, agora, enquanto se beijavam, ele via como fora idiota. Ela o amava, assim como ele a amava. Talvez mais, talvez menos, só sabia que se amavam. E ao se separar dela, sem ar, só pode sorrir para aqueles amáveis olhos prateados. E, como um selo, colou seus lábios por poucos segundos aos dela, deliciando-se com aquele clima de espera do quais instantes antes odiava.

Apolo a fitou, colocando um fio de cabelo da deusa atrás da orelha.

- Eu queria muito fugir – ele sorriu, retribuindo ao repuxar de lábios da mesma. – Esquecer todos que estão aqui. Mas, dessa vez, não posso. Preciso mostrar a todos que agüento qualquer coisa pela mulher que eu amo. Então, podemos fazer assim. Agora, nos vamos lá, nos casamos e depois do bolo, porque eu preciso de uma foto com aquele bolo maravilhoso, eu e você fugimos, para qualquer lugar do mundo.

Artemis riu, anuindo antes de beijá-lo uma ultima vez. Logo que se soltaram, ela o abraçou demoradamente e devagar deixou os braços caírem, mas ainda a sorrir, com uma das mãos presa entre os dedos dele.

- Estarei te esperando para fugir depois do nosso casamento.

Apolo sorriu.

- Prometo não te perder de vista. Se alguém te puxar do nada, não grite, será eu te seqüestrando. — Apesar de rir, ela revirou os olhos no clássico movimento que ele costumava fazer. Apolo riu daquela imitação e soltou os dedos do dela. — Agora, é melhor você ir antes que Afrodite me bata, me acusando de te ter sequestrado antes da hora.

Ela assentiu, roubou mais um rápido beijo dele e saiu correndo, só fechando a porta vagarosamente para que ninguém naquela casa ouvisse. Logo que esteve sozinho, voltou o olhar para a janela, de onde via mais e mais deuses se sentarem nas cadeiras, conversando um com os outros e rindo. O clima de felicidade do casal parecia contagiar a todos e, depois de ver Artemis, Apolo percebeu que, afinal, aquela seria a sua maior e mais emocionante loucura que já havia feito. Com o coração a mil, o deus vestiu o smoking, arrumou a gravata, virou um copo de whisky para relaxar um pouco mais, jogou uma balinha de menta para ficar com ar refrescante e respirou fundo, pronto para o que ia fazer e enfrentar. Assim pensando que saiu do quarto para a sua melhor historia de vida.

Artemis viu pela janela de parede inteira Apolo conversando com alguns convidados e sorriu. Ele estava lindo. Parecia mais saudável do que já esteve algum dia, inclusive sua áurea era tão feliz que atingia até onde estava e a certeza de que fazia o certo a acertara em cheio. Era ele quem ela amava. Seu irmão. Estranho, mas curiosamente emocionante pensar assim.

Com um repuxar do espartilho, Artemis deixou a cortina cair e olhou com raiva para uma Afrodite risonha que exigia a máxima perfeição do vestido custe o que custasse. A deusa do amor riu ante tal olhada.

- Vamos, Artemis, só falta mais uma e... – mais uma puxada que deixou a deusa da caça sem ar – Pronto. Vem, vire-se para mim. Assim. Acho que arrumar essa borda aqui e... Meus deuses, Artemis, você está maravilhosa. Você é a noiva mais linda que eu já arrumei.

Artemis suspirou, a segurar-se no espalmo de uma cadeira.

- E ficar sem respirar também faz parte disso?

Afrodite fez uma careta. Perséfone, em seu vestido tomara – que — caia de um suave preto de modo a combinar com seu marido, riu baixinho enquanto terminava de arrumar as pequenas ultimas flores para colocar no cabelo de Artemis e Atena, que agora só vestia cores combinando com Poseidon como o verde-água do seu vestido costas nuas, sorriu compreensivamente para Artemis depois de colocar as luvas na mesma.

- Isso é para Apolo – rebateu a deusa do amor, puxando um pouco para cima o vestido da noiva (que outra vez ficou sem ar) – Só pensar assim e você agüenta a festa inteira. Se bem se ele quiser tirar antes, acho que tem um quarto que...

- Tá bom, eu já entendi, Afrodite – Artemis corou ao mesmo tempo em que as deusas riam. – Você falar isto não está me ajudando em nada, sabia? E esta lingerie que você me mandou vestir está me deixando ainda mais sem graça.

Atena levantou uma sobrancelha.

- Ela também te vez usar cinta-liga?

Assentindo, Artemis segurou a borda do enorme vestido e o puxou para cima, até aonde se encontrava tal acessório. Este era vermelho-escarlate e cheio de rendas mescladas entre branco e rosa, de forma a ficar sexy e delicada. Algo que para Artemis, ficou mais para pervertida.

Atena riu. Afrodite deu de ombros.

- Apolo vai me agradecer por isto, escreva o que eu falo.

- Odeio admitir – começou Artemis, corando ainda mais. – Mas ele vai mesmo.

Uma piscadela de Afrodite.

- Eu conheço meu irmãozinho. Ah, Persé, acho que chegou a sua vez. Eu quero que você coloque uma aqui, aqui...

E Artemis se desligou da conversa. Dentre tudo que havia pensado, a única que não passara em sua mente fora a noite de núpcias. E, imaginando isto agora, sentiu-se outra vez sem saber o que fazer. Deveria ser ousada ou deixar que ele a guiasse? Mas, não seria um tanto pervertido da sua parte tomar as rédeas? Ou ele acharia isso sexy? E o que ele falaria ao vê-la naquele lingerie? O que ela deveria fazer?

Ok, ok, relaxe, Artemis. Deixe isso para a hora... Se bem que, onde vamos ficar? Ele já deve ter pensado em algo, Artemis, apenas relaxe. Mas, será que ele pensou como vai ser? Meus deuses, ele... Ok, ok, respire fundo e tudo vai dar certo, Artemis. Ele é o homem da sua vida e sempre te respeitou. Apenas, relaxe.

- Artemis, ei, Artemis. – dedos estalando a frente de seus olhos. – Olimpo para Artemis, tá ai?

- Hã? Que?

A deusa balançou a cabeça e fitou Afrodite a sua frente, que sorria, a segurar suas mãos.

- Você está pronta – sussurrou a deusa do amor, virando-a para o espelho. – Então o que acha? Não ficou magnífico? – e bate palmas. – Você está perfeita. E, olha, deu um trabalho arrumar esse vestido para você, mas nada que meus filhos não consigam. E então, o que você achou? Fale algo, Artemis!

Debruado de pedaços prateados, como que pegos do próprio brilho da lua, o vestido tomara que caia escorregava em cascatas, uma cachoeira de branco e prateado que uma vez ou outro encontrava pedras no caminho e montes pequenos apareciam, franzindo vagamente a saia rodada e cheia pelas anáguas. Um ou dois pontos brilhavam mais, onde pequenos detalhes semelhantes à runas em tom dourado, aludindo ao sol, foram bordados à mão em fios de ouro. O bojo, liso, acentuava e dava uma graciosidade em que ao mesmo tempo era inocente, e noutro provocativo, destacando sua pele branca no curioso decote em V. Seus cabelos, mesclados de flores e minúsculas pedrinhas preciosas advindas das mesmas pétalas, escorregavam por seus ombros, preso aqui e acolá, formando uma rede de tranças negras e cachos comportados. E bem, quando virou, fitando suas costas nuas, surpreendeu-se com os arabescos dourados que prendiam o vestido no local, em fitas finas que se enroscavam em um intricado símbolo solar e luar. Era o vestido mais lindo que Artemis já havia visto. E era seu!

A deusa da caça riu segundo depois de abraçar forte Afrodite.

- Apesar de eu te achar insuportável às vezes e jamais pensar que eu diria isto – afastou-se para olhar a deusa do amor chorando de felicidade – Muito obrigada mesmo, Dite, por tudo.

E com mais uma risada, Afrodite abraçou com força a irmã mais nova.

- Agora – disse ao soltá-la, a retocar a maquiagem – Vamos. Você já se atrasou quinze minutos. Chegou a hora de Apolo te ver assim.

Associando estes fatos, Artemis respirou fundo e assentiu, pegando a mão esticada de Afrodite e de Atena. Seu estomago se encheu de borboleta. Seu coração disparou. E, com a ajuda das suas irmãs, Artemis desceu, para sua nova vida.

Todos estavam lá, olhando-os, fotografando-os e filmando-os. Mas eles não estavam lá. Perdidos um no olhar do outro, mal escutavam o que Hera dizia, muito mais interessados em guardar aquele momento, aquela expressão e aquela felicidade do que escutar o discurso rotineiro que a deusa do casamento fazia em grego antigo a fim de dar felicidades ao casal. Suavemente, Apolo apertou a mão de Artemis para certificar-se que era real e a deusa da caça sorriu, os lábios avermelhados esticando-se e deixando-a mais linda, se possível. Tudo parecia um conto de fadas para os dois: o local, as roupas, os convidados e a alegria. Era quase surreal que aquilo acontecesse na vida real.

Quando um pouco de neve atingiu de leve o deus, Apolo passou a prestar mais atenção ao que Hera falava e quase agradeceu a quem quer fosse que o avisou que a sua parte estava para chegar. Prevendo isto, Apolo respirou fundo.

- Então, juntos, farão a diferença por toda a eternidade – falou a deusa do casamento maternalmente, olhando-os com amor. – E eu sei que faço o certo ao ter aceitado a proposta de Apolo. Agora, vamos aos votos. Bem, comecemos pelo noivo. Apolo.

Engolindo a seco, o deus assentiu e fitou Artemis, um pouco deslocado, daquele jeito que só ela conseguia fazê-lo sentir-se antes de pigarrear enquanto apanhava as mãos da deusa.

- Eu vou ter que improvisar – disse Apolo, com um sorriso de lado fazendo todos rirem. – Eu tinha tudo escrito, treinei de frente ao espelho e até Poseidon disse que estava bom, melhor que o dele até. Mas, eu esqueci. Então... – deu de ombros enquanto Artemis ria – Vou me atrapalhar todo. Ok, vamos lá. – suspirou – Eu me lembro do dia em que te vi no Aeroporto com uma cara de brava, segurando uma bolsa de couro e eu me perguntava o que eu estava pensando quando havia aceitado ao pedido de Afrodite para arrumar um homem para você. No começo, eu pensei que seria inútil. Você, a pessoa mais fria que eu conhecia, encontrar alguém e com a minha ajuda?! Seria o mesmo que impossível. Mas eu não havia visto o que Afrodite já havia notado. Desde o principio, acredito eu, que ela já sabia que era uma forma para que eu compreendesse porque aceitar outros homens para você era tão difícil. Fui bem lerdo, no entanto, passei a perceber que eu notava como seus olhos ficavam quando você estava triste ou feliz, os seus sorrisos distintos, as roupas e já havia até decorado quando você iria revirar os olhos. – Apolo balançou a cabeça rindo com Artemis que tinha algumas lágrimas escorrendo pelo rosto. – Devagar, fui percebendo que a queria para mim. Fui me tornando uma pessoa nova que pensava mais em você do que em mim, que adorava o seu simples “Apolo, temos que ir a um médico, você tem que ver o porquê de sua cabeça estar doendo” – ele imitou a voz de Artemis – que preferia ficar em casa com você a ir a festas e que não se importava em só ficar abraçado, sem falar nada. E, em Veneza, no ultimo dia, compreendi tudo. Eu te amava, só que parecia tão remoto acontecer algo semelhante a mim que fiquei sem saber como agir. E ainda parece. Ok, isso foi seriamente meloso e estou com algum problema de noivo. – disse com um tom divertido que fez todos rirem.

- E um grande estraga clima – brincou Artemis, amorosamente, deixando-o secar algumas lágrimas de seu rosto. – Você só está romântico.

Apolo riu.

- Sempre fui estraga clima – sua expressão ficou mais séria, mas não menos divertida. – E, apesar de tudo que já fiz a você, eu percebi que só você era capaz de me deixar idiota como agora. Que eu precisava de você. Então, naqueles dois meses, eu prometi a mim mesmo que jamais vou deixá-la ir embora, nem que eu te seqüestre como nosso tio Hades – Artemis sorriu – ou que eu tenha de comprar todas as roupas mais perfeitas para que Afrodite faça “a” porção do amor. Você é a pessoa mais importante do mundo para mim e vou fazer esse amor durar por toda a eternidade se você quiser que isso ocorra. Porque, eu te amo, Artemis e pretendo passar cada dia da minha eternidade com você. E claro, fazer muitos filhos.

Rindo e corada, Artemis deu um tapa no braço do deus enquanto todos a sua volta riam da ultima frase. Suave, Apolo beijou o topo da cabeça da deusa logo após entregar o lençinho de seu smoking e a ajudou a secar lágrimas que escorriam pelo rosto da mesma com o polegar.

- Agora que eu já morri de chorar – disse Artemis, sorrindo, a segurar uma das mãos de Apolo contra seu rosto. – Acho que posso dizer os meus votos, dos quais eu não esqueci – o deus sorriu – Sabe aquele dia em que você veio até mim e me chamou para viajar? Eu jamais pensei que um dia aceitaria. Sinceramente, se não fosse por Thalia, talvez não estivéssemos aqui. E devo dizer que, desde o começo, eu sabia que no estranho convite para ir a Paris havia algo meio “Planos de Afrodite” na ideia. E mesmo assim, eu fui. Eu tinha raiva de como você parecia sempre feliz, sorridente e sem qualquer problema com o seu trabalho, ou como você me fazia rir enquanto assistíamos algum filme de terror, ou como você era safado. – Apolo riu junto com os convidados. – Para mim, você parecia alguém que não fazia nada além de se divertir e esquecer as responsabilidades. Mas, eu estava enganada. Nesta viagem, eu via quando você discretamente ia para varanda e ficava resolvendo os problemas pelo celular ou quando às vezes, de madrugada, você mexia no computador. Diferente de mim, você só escolhia os horários certos para fazer as coisas e se divertia comigo. Aos poucos, o seu sorriso me fazia sorrir, suas brincadeiras eram mais divertidas e até seus abraços não me incomodavam mais. Tudo foi mudando e quando notei, eu estava apaixonada pelo deus mais irresponsável do Olimpo. – Artemis riu baixinho – E eu não queria aceitar isso. Era demais para mim, uma pessoa fria. Mas, no fim, foi tudo em vão. Eu passei a confiar a você e o seu modo de cuidar de mim era estranho e engraçado, mas fazia-me sentir segura. E isto misturado ao fato que eu odiava quando você ficava com outras mulheres, que percebi que te amava. Vê-lo lutando para que isso desse certo me fez aceitá-lo. E, por fim, descobri que, sim, eu amo o cara mais narcisista, safado, idiota e feliz do mundo. E que vou dar uma caixa de roupas lindas para Afrodite, agradecendo por isso. – Artemis fitou os olhos dourados do deus – Eu te amo, Apolo e você também é a pessoa mais importante do mundo pra mim agora.

Sem poder conter, Apolo sorriu como nunca havia sorrido antes. Aquela sensação deliciosa de ser querido o preencheu por completo e viu-se a abraçando com força.

Hera sorriu.

- Então, eu os declaro marido e mulher... — Antes que a deusa tivesse a chance de terminar, Apolo, ansioso demais para esperar, ergueu Artemis um pouco do chão e a beijou, levando todos a rirem. – Agora é tarde, já beijou mesmo a noiva.

E com aquelas palavras, aos risos dos outros, ela o encarou, chorando de tanta felicidade em seu coração e sorriu. Finalmente, estava juntos.

[MÚSICA DE ACOMPANHAMENTOhttp://www.youtube.com/watch?v=s7sFW8CWJJY ]

A festa há muitos já estava em seu ápice, os noivos valsaram elegantes pelo grande gramado brincando com os convidados, trocaram pares, riram ao cortarem o bolo e até mesmo se molharam ao tomarem as clássicas taças de champagne com os braços entre cruzados que acabou com um beijo dele roubado por ela, levando os poucos fotógrafos a loucura. Agora, sob uma música lenta, com acordes calmos tocados pelas musas de “I Dont Know Why”, com a lua a pino de um prateado magnífico a sombrear com seus feixes todo o gramado coberto de rosas, Artemis dançava com Apolo, o ouvido sobre o coração dele a pular calmamente, um de seus fortes braços ao redor de seu corpo, as mãos espaçadas em suas costas e deliberadamente acarinhando-a enquanto davam passos de um lado a outro, naquela tão reconfortante maestria que detinham. Ela suspirou, com o peito explodindo de satisfação por se encontrar ali e escutou uma baixa risada sobre seu ouvido, a pouca baforada quente dele com cheiro de sol a arrepiando.

- Parece que Afrodite já achou seu próximo alvo – sussurrou seu marido, o que ainda era estranho a ela chamá-lo assim, com uma voz divertida. Louca para ver sobre quem ele dizia, virou um pouco sua cabeça e achou, dentre os convidados, uma linda mulher em um de seus clássicos vestidos rosa conversando animadamente com Hermes, Ares e Héstia. Ela sorriu antes de virar para fitar os olhos azulados do deus. Este riu. – Mas, Hermes e Héstia?

Apolo deu de ombros e voltou a abraçá-la com mais força, aumentando a velocidade dos passos para acompanhar a música.

- Sabe que a Afro sempre gostou de casais impossíveis – murmurou o deus, escondendo o rosto na curva da deusa da caça, provocativo. – Atena e Poseidon. Eu e Você. Quem melhor do que Hestia, a deusa que nos une e nos mantém em harmonia, para aquele que mal fica em casa?

Artemis riu, a tremer de leve por um arrepio causado pelos lábios quentes dele.

- E ela nunca erra.

Sorrindo, Apolo ergueu a cabeça para fitá-la, com aquele agora tão conhecido amor bordado entre o dourado que se aqueciam de um tipo de desejo que ela ainda não descobrira qual era, mas que a fez vibrar de prazer.

- Nunca – colou sua boca a dela por poucos segundos – Nunca mesmo.

Já tinham dançado umas quatro músicas quando Apolo, com seu violão, sentou-se sobre um alto banco, daqueles prateados que encontramos em bares, e arrumou o microfone a fim de ficar a sua altura. Assim que esteve, ele dedilhou as cordas para ver se se encontravam afinadas e sorriu, a aproximar-se mais do suporte.

- Boa Noite a todos – falou ele, com uma voz relaxada. Um coro de “boa noite” o saudou. – Agradeço a todos que estão aqui por dividirem comigo algo tão especial, por compreenderem que não estou louco ainda por casar e nem que fui forçado a isso – Apolo deu uma risadinha acompanhada do resto do pessoal enquanto fitava Artemis, sentada de fronte ao palco, na mesa em que sua família se encontrava, o fitando com uma fingida cara de resignada, mas que sorria amável para ele. – Como alguns sabem, eu nunca fui muito normal e este dia está no primeiro lugar de loucura, mas, também, no primeiro lugar de “Melhores Dias da Minha Eternidade”. Então, para finalizar essa festa que está longe de acabar se depender de todos, mas que para mim e minha esposa está para terminar, pois, sim, vamos fugir para nossa lua de mel que, não, não vou contar a ninguém... – risos — Vim aqui cantar uma música feita para Artemis, minha esposa que terá de me aturar muitos e muitos anos a paparicá-la, brigar com ela e me culpar quando estiver de TPM – Artemis sorriu, os olhos prateados transbordando as lágrimas de alegria, e a fitando começou a dedilhar a música. – Está é para você, querida.

[MÚSICA DE ACOMPANHAMENTOhttp://www.youtube.com/watch?v=-hE31nKCayw ]

Elevator buttons and morning air.[ Botões de elevador e ar da manhã]

Stranger silence makes me wanna take the stairs.[ O estranho silêncio me faz querer ir de escada]

If you were here we'd laugh about their vacant stares, [Se você estivesse aqui, nós iríamos rir sobre seus olhares vagos]

But right now, my time is theirs.[ Mas agora, meu tempo é deles]

Artemis aumentou o sorriso, relembrando do que ele dizia, como riam dos casais apaixonados em Paris, de como for a estranho ficar longe dele ao estar com George, e seus olhos se encheram de lágrimas, embaçando a visão antes de voltar ao normal, e vê-lo sorrir para ela, como que compartilhando as mesmas idéias.

Seems like there's always someone who disapproves. [Parece que há sempre alguém que desaprova]

They'll judge it like they know about me and you. [Eles vão julgar como se eles soubessem algo sobre eu e você]

And the verdict comes from those with nothing else to do. [E o veredicto vem daqueles que não tem mais nada o que fazer]

The jury is out, but my choice is you. [O júri está fora, mas a minha escolha é você]

Ao seu lado, Afrodite deu um tapinha na mão de Zeus que, antes bravo e irritado com toda essa movimentação, riu igual aos demais da mesa. E Apolo, ao microfone, piscou para pai.

So don't you worry your pretty little mind, [Então não preocupe sua pequena mente bonita]

People throw rocks at things that shine, [As pessoas jogam pedras em coisas que brilham]

And life makes love look hard. [E a vida faz o amor parecer duro.]

The stakes are high, [As apostas são altas]

The water is rough, [A água esta agitada]

But this love is ours. [Mas esse amor é nosso]

Lembranças de todas às vezes em que Artemis precisou ser reconfortada por aqueles quentes abraços e doces palavras para ela vieram à tona em sua mente. Seu coração, antes louco, agora disparava, fazendo-a chorar mais e mais.

You never know what people have up their sleeves. [Você nunca sabe o que as pessoas acima de suas luvas]

The ghosts from your past are gonna jump out at me. [Os fantasmas de seu passado vão saltar para fora de mim.]

Lurking in the shadows with their lip gloss smiles. [À espreita nas sombras com seus sorrisos com gloss.]

But I don't care, 'cause right now you're mine. [Mas eu não me importo, porque agora você é meu]

And you'll say... [E você vai dizer ...]

Apolo cantou suave, as recordações do passado dela que dividiu consigo o inundando, redobrando aquela confiança que tinham um com outro e mostrando que tudo aquilo era passado, graças ao trabalho em grupo.

So don't you worry your pretty little mind, [Então não preocupe sua pequena mente bonita]

People throw rocks at things that shine, [As pessoas jogam pedras em coisas que brilham]

And life makes love look hard. [E a vida faz o amor parecer duro.]

The stakes are high, [As apostas são altas]

The water is rough, [A água esta agitada]

But this love is ours. [Mas esse amor é nosso]

Apolo chamou a deusa para seu lado. Um pouco relutante, mas quase carregada por Afrodite, postou-se ao lado dele que a trouxe para mais perto com uma dar pernas, levando todos a rirem enquanto ele cantava. Artemis sorriu, quase de frente a frente com ele.

And it's not theirs to speculate if it's wrong and, [E eles não tem que especular se isto está errado e,]

Your hands are tough, but they are aware, my belonging. [Suas mãos são fortes, mas eles estão cientes, do lugar que eu pertenço.]

I'll fight their doubt and give you faith, [Eu vou lutar com as dúvidas deles e te dar fé]

With this song for you. [Com essa música para você]

Ele a encarou, com toda a força que seus olhos dourados podiam ter e sussurrou, quase como se só ela estivesse ali, uma declaração que valeu muito mais para ele do qualquer outra coisa que havia dito através dos acordes, a alma de sua divindade.

'Cause I love the gap between your teeth, [Porque eu amo o espaço entre os seus dentes,]

And I love the riddles that you speak. [E eu amo os enigmas que você fala.]

And any snide remarks from my father about your tattoos [E e quaisquer comentários maliciosos de meu pai sobre suas tatuagens]

Will be ignored, cause my heart is yours. [Serão ignorados, porque meu coração é seu]

Artemis piscou várias vezes, a escutar todos rindo ao associar que ela de fato tinha uma tatuagem de lua no tornozelo e sentindo as palavras dele que iam ao fundo de seu ser que sorrindo, pegou um dos microfones e junto dele, após decorar um pouco o refrão, cantou. Seus vozes como sempre, se entrelaçando.

So don't you worry your pretty little mind, [Então não preocupe sua pequena mente bonita]

People throw rocks at things that shine, [As pessoas jogam pedras em coisas que brilham]

And life makes love look hard. [E a vida faz o amor parecer duro.]

And so don't you worry your pretty little mind, [Então não preocupe sua pequena mente bonita]

People throw rocks at things that shine, [As pessoas jogam pedras em coisas que brilham]

And life makes love look hard. [E a vida faz o amor parecer duro.]

The stakes are high, [As apostas são altas]

The water is rough, [A água esta agitada]

But this love is ours. [Mas esse amor é nosso]

Ao final, Apolo soltou o violão do lado e a puxou para mais perto. E a beijou, um beijo um pouco longo e cheio de sentimentos, ainda com as notas sussurrando em seu ouvido. Quando se viram sem ar, ele ergueu-se, com o microfone, um braço pelos ombros esguios da deusa corada.

- Bem, é aqui que nos despedimos. – disse ele sorrindo, de leve apertando sua esposa contra si. – Foi um prazer estar com vocês, agradeço muito a todos que compareceram e que fizeram este meu sonho se tornar possível. A partir daqui, quem manda é a Afrodite, por que eu... – surpreendendo a deusa da caça que Apolo a pegou no colo sem problema algum, sua força divina o ajudando, e escutou a risada de Artemis, ao segurar-se mais contra si. – Eu vou para minha lua de mel.

- COM MUITO SEXO – e era claro que a dita cuja quem disse isso foi Afrodite. Todos riram, principalmente Apolo, após constatar que Artemis ria, mas corava muito. E assim, entre risadas e aplausos, ele correu com ela, a chuva de arroz os enchendo de grãos, até o carro. O Maserati, cheio de fitas rosa, abrigou-os por alguns segundos e logo, após gritarem adeus, aceleravam pela autoestrada. Uma vez sozinhos e a lutarem para tirarem os grãos de arroz de suas roupas e cabelos, suas gargalhadas enchendo o local de alegria, Artemis virou-se de lado, segurando uma das grandes mãos quentes entre seus dedos, e o fitou, com um sorriso só dele em seus lábios rosados.

- Para onde vamos, marido?

Em jubilo com aquele seu novo “apelido”, ele girou a cabeça um pouco para olhá-la e apertou de leve os dedos gelados dela, uma descarga elétrica para seu coração.

- Veneza – murmurou o deus da música, a encarando com amor. – Nós vamos para onde tudo isto aqui, de fato, começou.

FIM.

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