Uma Viagem Muito Louca
1 A Viagem.
Notas iniciais
Duas amigas, Selena e Betty, totalmente opostas, Selena Barros era uma roqueira muito orgulhosa, não gostava de levar desaforos para casa, ao mesmo tempo quer era reservada e ficava na sua. Elizabeth Wilson, uma garota romântica que não se importava em pedir desculpas e estava sempre preocupada com a opinião das outras pessoas, ela nunca gostou que a chamassem de Elizabeth, por isso pedia para que a chamassem apenas de Betty.
Essas duas se conheciam desde os seis anos de idade, completariam agora seus dez anos de amizade e fariam algo para comemorar isso. A morena teve uma ideia, levaria a amiga para um acampamento, somente as duas em uma montanha que havia na fazenda de seu falecido pai.
– Você enlouqueceu?
– Não, vamos... vai ser legal!
– Sel... da ultima vez que me disse isso eu acabei caindo dentro do lago com um vestido branco na festa de Ano Novo.
– Mas aquilo não foi culpa minha.
– Se você não tivesse respondido a ofensa da Paula, eu não teria caído dentro da água!
– Desculpe, mas eu prometo que ficaremos longe de água!
– Você tem certeza? E isso é seguro?
– Me diz... alguma vez eu já menti pra você? Ou já te coloquei em perigo?
– Não... e não.
– Vamos lá! Esse ano tem que marcar amiga!
– Tá... eu vou falar com meus pais.
– Eles já deixaram.
– Como assim?
– Eu já falei com eles.
– Você já pediu pra eles mesmo sem saber se eu ia mesmo?!
– Eu sabia que você iria... ora essa.
– Isso é jogo sujo!
– Não é não. Agora vai lá pegar suas coisas, te encontro aqui as três.
– Rhunf! – a loira bufou zangada
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Como tinha prometido, Selena apareceu as três em seu jipe, a garota tinha um, e tinha licença para dirigi-lo apenas para fora da cidade. Duas horas dirigindo as amigas chegaram ao seu destino.
– Ainda bem que eu trouxe o repelente... – Betty disse
– Para de frescura e vamos logo montar nossa barraca.
– Não é frescura! É precaução!
– Umhum... tá! Vem, vamos.
A morena pegou sua mochila e barraca que ainda estava ensacada. A loira pegou sua bolsa com coisas básicas e uma caixa com comida, para não ficarem sós ali, a tia de Selena, Marta, havia ido para lá com o marido Vitor, só que ambos ficaram na casa que havia ali.
As jovens andaram até um ponto onde consideraram bom e montaram a barraca. Quando terminaram o sol já se deitava no horizonte.
– Isso é tão lindo.
– E você não queria vir...
– Ah! Fica quieta...
– Já vai escurecer... acho melhor entramos e fecharmos a barraca.
– Sim, sim.
A loira entrou primeiro, antes de a morena entrar, achou ter visto uma luz lilás no céu.
– Para com isso Selena... – disse para si mesma e entrou na barraca
– E então viu o filme que passou ontem?
– Qual?
– Aquele que você queria ver...
– Mentira! Não vi!
– Nem eu... não tive coragem, muito sangrento.
– Fala sério!
– Tô falando.
– Hum... quando vai se declarar para o Brian?
– Quando você vai deixar de gostar de preto?
– Nunca.
– Aí está a resposta da sua pergunta.
– Por que tem medo hein?
– Ele iria me dar um fora.
– Se ele fizesse isso ele iria morrer.
– Por quê?
– Ele te rejeitaria, você ficaria triste, eu ficaria brava e ele iria morrer.
– Eu não sei o que seria sem você minha amiga.
– Eu sei.
– E o que é?
– Menos louca.
– Boba.
– Boboca.
– Besta.
– Retardada.
– Para com isso!
– Para você!
– Não!
– Nem... – a fala da garota foi interrompida por um tremor, como reflexo a loira abraçou a amiga gritando
– Nós vamos morrer!
– Para de ser boba!
– Vamos morrer! – a loira gritava histérica quando de repente tudo parou.
– Pronto, me solta. Vou lá fora ver o que houve.
– Pode ser perigoso.
– Sem essa!
– Fica por favor!
– Não, vou lá pera aí!
– Não precisa pedir de novo!
– Boba. – a mais nova abriu o zíper da barraca e saiu de repente, a loira ouviu um grito – Betty!
– Sel! – a garota saiu correndo para fora da barraca – Sel o que...? – ao olhar para o lado viu a amiga rindo
– Relaxa.
– Quer me matar de susto sua égua?!
– Calma vaquinha...
– Calma o caramba!
– Tipo... temos um problema bem maior.
– E qual é?
– Olha bem pra esse lugar.
– Oh... meu... Deus... – ao olhar para os lados a garota viu plantas estranhas, o céu estava roxo, completamente roxo, não haviam estrelas apenas borrões coloridos que pareciam rabiscos – Você disse que iríamos ficar longe de encrenca!
– Errado! Eu disse que ficaríamos longe de água.
– Como viemos parar aqui?!
– E eu que sei? Estava lá dentro com você.
– Quando disse que dessa vez seria inesquecível, achei que era porque seria maravilhoso!
– E era pra ser! Você acha que fui eu que nos trouxe para cá?!
– Vocês bem que podiam falar mais baixo... – uma voz masculina fez as duas calarem.
– Quem está aí? – Selena perguntou
– Eu. – o tronco de uma árvore se abriu no meio e de lá saiu um rapaz de aparentemente dezessete anos, pele branca, cabelo liso, olhos verdes e uma roupa de couro.
– Quem é você? – a morena insistiu
– Eu sou... não importa. Quem são vocês?
– Não respondeu minha pergunta, não tem por que eu te responder.
– Se quer mesmo saber... Me chamo Stive.
– Prazer. Eu sou Selena e essa é minha amiga... – ao se voltar para a amiga notou que esta ainda estava de boca aberta olhando o jovem e lhe deu uma cotovelada nada discreta – Betty.
– Ai! Ops... O-oi.
– Olá. Diga-me, de onde você é?
– Los Angeles.
– O que? Como vieram parar aqui?!
– Não sabemos. – disseram as amigas em coro
– Venham comigo, estarão seguras em minha casa... – o tronco da árvore voltou a se abrir
– E caberemos nós três aí? – Betty perguntou
– Só entre.
Sem delongas as amigas entraram no tronco, o chão que estava debaixo de seus pés sumiu e caíram por um tobogã. No subsolo, onde aparentemente estavam, havia uma casa ou melhor, uma mansão bem arrumada.
– Bem-vindas a minha humilde residência.
– Humilde? – a roqueira deixou a fala escapar fazendo o rapaz rir
– Venham comigo, lhes mostrarei seus quartos.
– “Seus”? Nananinanão! Eu vou ficar no mesmo quarto que a Sel!
– Tudo bem, por aqui... – antes de saírem do lugar apareceu um jovem na sala, olhos mais verdes que os de Stive, os dele pareciam realmente duas esmeraldas, era pálido e tinha cabelos loiros.
– Stive... você viu minha...? – ao notar as duas garotas ali o outro jovem corou, estava apenas com uma bermuda
– Leo, essas aqui são Betty e Selena.
– O-oi. E-eu v-vou a-ali. – rapidamente Leonardo desapareceu pelos corredores
– Me diz uma coisa... os meninos aqui são todos lindos? – a mais nova perguntou
– Vou aceitar isso como um elogio.
– Tem mais alguém que more aqui?
– Sim, tem mais dois colegas nossos... só avisando, eles são gays.
– Como é? – as duas ficaram espantadas
– O que foi? Vocês tem preconceito?
– Eu não. – a morena prontamente respondeu
– Nem eu... – a loira falou hesitante.
– Mas e o Leo, ele é gay? – Selena perguntou
– Não, por quê?
– Curiosidade.
Betty olhou para a amiga com um discreto sorriso nos lábios. “Será possível que a tão fria e indiferente Selena Barros está interessada por um garoto?”
– Bom... fiquem a vontade, troquem-se, depois apareçam para jantar ok?
– Sim. – Responderam as duas em coro, a porta do quarto então se fechou
Continua...
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