Uma Tragédia Grega — Com Mortos-Vivos
4 Olhares, Tiros e Sangue
Notas iniciais
Gui estava caído de joelhos, com as mãos para cima, a poucos metros de mim.
Eu pulei para de trás de um carro. Se algo poderia fazer com que um lutador como ele caisse de joelhos em rendição em tao pouco tempo, não queria saber oque poderia fazer com um aleijado como eu.
Comecei a espiar, com medo de ser detectado.
Eu estava vendo, mas não estava enxergando.
Meus olhos procuravam por algum tipo de monstro — estava imaginando que seria rápido e pequeno, para atacar e se esconder nessa velocidade. Ele também poderia ter poderes psíquicos, e teria rendido o Gui com a mente.
Esses pensamenttos passavam pela minha cabeça, quando percebi uma aproximação silenciosa proxima a mim.
Maldita seja, minha irmã já havia me alcançado quando percebi sua aproximação.
Ela olhou pra mim, e antes que eu pudesse a impedir, ela se levantou e começou a correr na direção de meu amigo ajoelhado.
Ele se levantou, olhando para o chão e levantou a mão, pedindo para ela parar.
Ele levantou a cabeça, e eles trocaram olhares. Ele parecia determinado, mas ela não desistia facil.
Ele olhou para mim, e apesar de eu me surpreender com o fato de ele descobrir minha localização, me surpreendi ainda mais com o olhar. Um olhar de dor, de desespero, um olhar que suplicava: “FUJA, AGORA”.
Então ouvi um som familiar, um tiro.
O chão que separava Gui e Yasmin foi atingido com um barulho enorme, e fazendo um buraco com o dobro do diametro de uma moeda. Entendi finalmente qual era o problema. Um rifle de precisão, no quarto andar do predio a nossa frente.
Vi então a luz verde da mira a laser saindo do predio. Um breve calculo mental, e cheguei a obvia conclusão de que estava agora mirando na cabeça de Gui.
Joguei minha arma ao chão, e me levantei com as mãos na cabeça — minha irmã fez o mesmo.
Começamos a encarar o predio, e alguns segundos depois ouvimos passos apressados.
Um casal apareceu no patio. Um homem de terno, sorrindo, e uma mulher seria, trajando roupas de laboratorio rasgadas. O homem era alto e loiro, tinha uns 30, parecia ter acabado de contar uma otima piada e carregava uma maleta — a qual ele estava continuamente mostrando para a mulher e rindo.
A mulher parecia cansada, e extremamente entediada. Zangada, usava oculos de grau e tinha cabelos negros. Aparentava ter 60 anos, mas não parecia ter perdido algo para a velhice alem da beleza.
–Então, vamos direto ao ponto. Sabem oque é um meio sangue?
A pergunta me deixou enjoado. Como assim sei oque é um meio sangue? Eu sou um. Se você não é, como sabe oque é um meio sangue?
–Alguem metade índio e metade americano? — Minha irmã disse. Melhor previnir do que remediar, talvez?
O homem suspirou, e puxou um revolver.
–Esse é o ultimo palpite de vocês? — Enquanto dizia isso, ele apontou a arma para a cabeça de Yasmin.
–Meio sangue é um filho de um deus com um mortal. — Eu me apressei. — Mas não os culpe por não saber. Sou o único meio sangue aqui.
Gui e Yas me metralharam com o olhar. Ele percebeu, e atirou no chão perto dela.
–O unico? Estava seguindo o rastro de três… Onde estão seus amigos?
Gui suspirou, e disse, cansado:
–Tudo bem. Somos todos semideuses! Olha que maravilha! Agora, oque infernos você quer conosco?
A mulher não havia dito nada, mas estava olhando para nós com cada vez mais entusiasmo.
–Vão nos deixar coletar um pouco do sangue de vocês. — Ele disse enquanto abria a caixa, revelando seringas — E depois, não irei mais encher o saco de vocês. O sangue de vocês é um excelente remédio, sabiam? Nem todos os sobreviventes tem permissão de beber ambrosia para se salvar.
Nós três nos olhamos, e decidimos que doar um pouco não faria mal algum.
Ele se aproximou de nós e encheu três potes pequenos com o nosso sangue, antes de fechar a maleta e se afastar.
–Um prazer fazer negocios com vocês! Vejo vocês por ai… — Disse isso e começou a subir o predio novamente.
Quando passou pela mulher, sussurrou alguma coisa e foi embora.
Ela ficou ali, parada, olhando para nós, ansiosa.
–Porque está olhando para nós? — Perguntei
–Fazem… Meses que não vejo um meio sangue… Mal posso esperar para cumprir a ordem que Luke acabou de me dar…
–E qual seria?
Ela respondeu com uma voz de animal.
–Devorar vocês.
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