Uma Tragédia Grega — Com Mortos-Vivos
5 A Velha e o Mentiroso
Notas iniciais
O riso ecoou por um bom tempo.
Enquanto ria, sua pele se desfazia como pó. Rasgos apareciam em seu rosto, e duas grandes asas acinzentadas saíram de suas costas. Sua pele humana dava lugar a uma pele cinzenta, pútrida — aparentemente não era pele, e sim carne.
Ficamos todos estáticos, mas uma pequena ideia começou a surgir em minha cabeça. Ela ia tomando forma, enquanto a velha a minha frente se transformava, arrancava a pele de seu corpo com garras enormes — que a alguns minutos foram unhas — e continuamente ria, cada vez de maneira mais maniaca — menos humana.
Olhei para a arma a minha frente e me agachei para pega-la, mas não consegui me levantar.
Uma especie de tontura subiu até minha cabeça, e eu fiquei ali, ajoelhado.
Olhei ao meu redor para ver meus dois companheiros na mesma situação, ajoelhados e aparentemente desnorteados.
Oque, em nome de Zeus, estava acontecendo aqui?
Yas sacou uma seringa de sua bolsa, e a injetou em seu braço, retomando sua consciencia.
Ela se levantou, apontou sua arma para ela e disse:
– Para trás, Furia, Hades não irá querer isso.
Nesse momento fui atingido com uma rajada de compreensão. Uma Furia, é claro. Isso significa que estamos mais ferrados do que nos piores cantos da minha imaginação.
– Pouco me importa o que ele quer! Os velhos estão fracos, doces meio sangues, agora é a hora onde as bestas são soltas para fazer a festa.
Ela completou a frase com um sorriso, seus dentes afiados com navalhas, e continuou:
– Alias, me encanta ver que você consegue ficar de pé depois de ter sido atingida pela seringa venenosa do meu amigo Luke. Quanto tempo vai levar até você se juntar ao estado de seus companheiros?
O sorriso dela sumiu ao ver a resposta. Yasmin recarregou sua pistola, que havia feito um buraco no ombro da Furia.
Ao levar a mão ao local atingido e constatar que estava ferida, ela sussurrou algo como “Você pagará…”, possivelmente em grego antigo.
Com um movimento rápido de asas, a Furia avançava — arranhando o ar violentamente — na direção de Yas, que estava descarregando sua arma na barriga da besta.
Carreguei minha arma e tentei atirar nela, falhando varias vezes seguidas, até que fiquei sem balas.
Gui parecia estar tentando mirar, mas a tontura tornou essa tarefa impossivel.
Yasmin tentava desviar dos golpes da Furia, mas era uma tarefa impossivel. Logo, suas roupas estavam rasgadas e encharcadas de sangue, e seus cabelos escuros cheios de mechas vermelhas.
Seus olhos negros se encheram de terror pela primeira vez em muito tempo, e eu soube que esta seria a ultima vez que eu veria minha irmã com vida.
Me levantei, e taquei minha propria arma na direção da furia, em um movimento desesperado para atrair a atenção dela.
A atitude foi tão ridicula, que acredito que ela tenha parado não pela dor — a arma a acertou na perna — mas para rir de mim.
Pelo bem de minha auto-estima, sua cabeça foi estourada pela unica — e certeira — bala disparada pela magnum de Gui.
O corpo da Furia atingiu o solo, juntamente com o de minha irmã.
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