Uma Tempestade Inesperada

1 Capítulo - O início do tormento


Olá, sou Wein Akster Black, um nome bem atípico não é mesmo?! Bom, irei contar a vocês uma história, pode ser que seja verdadeira, ou talvez apenas possua rastros da verdade. Nasci em uma família de classe média-alta, tanto meu pai quanto minha mãe passavam a maior parte do tempo viajando, ele entregando encomendas ou cargas entre as cidades e ela buscando fornecedores com baixos preços para sua loja de roupa, a qual era cuidada por minha tia. Com a ausência de meus pais, eu era obrigado a me virar com alguns afazeres de casa, além de ir e voltar da escola sozinho, mas ao menos nos finais de semana eu podia ficar com eles. A vida em casa sempre foi assim, e até então jamais teve algum problema que pudesse influenciar em sua mudança, mas em uma sexta-feira, alguns dias após meu aniversário de quinze anos, algo anômalo aconteceu, e é aí que começa a minha história.

Como de costume acordei bem cedo, usei o banheiro e fui de imediato à cozinha, liguei a televisão para ouvir notícia ou com alguma sorte achar algum desenho animado para assistir. Enquanto preparava meu pão com manteiga e leite com chocolate, ouvi a apresentadora de um canal de notícias regional falando algo sobre pancadas de chuva e grande perigo na cidade, será que choverá granizos ?! ou cairá muitos raios?! Eu adoro raios! Transmitem uma sensação de poder, além de um brilho capaz de iluminar toda escuridão causada pelas nuvens ou pelo céu noturno.

Bom, apesar de não ser feito de açúcar, acabei por faltar à aula, assim evitei de me molhar e fiquei livre para admirar e aproveitar o tempo de chuva, jogando, assistindo um filme, ou até mesmo dormindo. Ahhh! Que maravilha! Liguei o vídeo game e comecei a jogar à espera da chuva, que não tardou muito para começar, mas com ela veio algo que realmente odeio e me assusta, vento, muito vento! Causando barulho por todos os lados, como se destruísse tudo o que tocava, além de fortes estrondos provavelmente de algum objeto arrastado, a ventania se tornava cada vez mais forte e forçava as janelas e portas, como se fosse destruí-las.

Com o pânico tomando conta da minha mente, corri por todos os cômodos trancando todas as portas, para que, mesmo se o vento entrasse na casa não afetasse os outros cômodos, os quais a sala dava acesso, e com isso me tranquei em meu quarto deitando na cama e cobrindo todo meu corpo, desde os pés até a cabeça, como se me escondesse de um fantasma. Quando de repente ouvi um novo e poderoso estrondo proveniente da direção da sala, tudo o que eu mais queria naquele momento era dormir, para que o sonho me resgatasse daquele pesadelo, mas de nada adiantara, era impossível dormir sob tais circunstâncias.

Foi então que escutei mais um estrondo, dessa vez próximo, era a porta do meu quarto que acabara de ser estourada, afinal era a primeira porta que a sala dava acesso, com isso uma forte rajada de vento entrou no quarto possibilitando que eu sentisse seu frescor através do cobertor, tendo como evento consecutivo um forte impacto na minha cabeça que permitiu minha tão desejada fuga da realidade. Afinal fora fugir daquele pesadelo, meu maior desejo seria estar protegido pelos meus pais, mas eles nem mesmo na cidade se encontravam ...

Após um sonho muito estranho e no qual lembro-me somente de um líquido vermelho escorrendo no chão aparentemente sangue e uma multidão formada em volta de mim, gritando por socorro, acordei com uma imensa dor na perna esquerda, havia um vergalhão que aparentemente fora lançado da parede parcialmente destruída, fincado em minha perna esquerda. Desesperadamente tentei removê-lo, mas não tinha força suficiente, afinal além do peso do aço, ainda havia um grande pedaço de concreto preso na outra ponta do vergalhão se equilibrando na parte intacta da parede e junto com a gravidade exercendo pressão sob a parte fincada na minha perna.

Sem conseguir me mover e com muita dor na perna lancei um grito por ajuda, logo após, por um instante uma forte luz vermelha ofuscou minha visão, sendo possível ver em seguida meu cachorro sorvete parado aonde deveria ser a porta do quarto, me encarando como se quisesse me ajudar, mas tivesse medo de levar bronca por entrar no quarto. Foi então que falei "sorvete, como estou feliz em vê-lo", e ele entrou todo alegre levantando uma nuvem de poeira com seu rabo que balançava em uma velocidade incrível. Foi então que resolvi tentar novamente remover o vergalhão, mas outra ausência de êxito me aguardava, se não fosse por sorvete que me ajudou, dando uma mordida firme e exercendo uma força que surpreendera até a mim. Afinal, era um cachorro de pequeno porte, e apesar de ser vira-lata, parecia um West Highland White Terrier bem delicado.

Enfim livre, mas com um tremendo buraco na perna, resolvi colocar em prática todos anos de filmes e jogos vivenciados por mim, e então, em meio às partes destruídas do armário de roupas peguei uma camisa vermelha e rasguei, usando o pano resultante para fazer uma bandagem no ferimento, nem tanto para evitar sangramento, pois, por mais estranho que fosse, já não doia mais e muito menos sangrava, mas sim para evitar que ficasse visível, uma vez que me causava grande aflição.

Conseguindo movimentar a perna machucada como se nada houvesse ocorrido, junto ao sorvete, sai para aonde deveria ser a rua, mas tudo que foi possível ver eram entulhos espalhados por todos os lados, todas as casas do bairro haviam sido completamente destruídas, a minha fora a única que sofreu danos parciais. Com o pânico ao ver tanto rastro de destruição, resolvi subir no que seria os restos de uma casa, e olhando o horizonte foi possível ver um tempo nublado com um tornado em seu centro que se distanciava carregando árvores, entulhos e destruindo todo cenário à sua volta, não seria ali que eu encontraria ajuda ... Olhando para os outros lados em meio a tantos escombros, um sinal de esperança apareceu, aonde deveria ser o centro da cidade bem distante havia uns quatros prédios aparentemente inteiros.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.