Uma Tarde De Sol
4 A vagabun... digo, minha mãe, voltou.
Notas iniciais
No dia do show, eu estava na multidão. Caralho! A melhor sensação da minha vida. “Bater cabeça” era arte naquela merda! Eu já estava completamente suado de tanto me mexer. E eu já estava também sem voz. Até que chegou a hora para chamar um fã para o palco. Chamaram-me... Sim, chamaram-me! Não acreditei na hora. Mas não pensei duas vezes, se me chamaram, eu irei. E subi no palco. Cantei a música “Requiem”, uma das minhas favoritas do álbum novo. Cantei porra! Acabei com aquele lugar, abracei os caras. Usei meu inglês horrível, mas eles entenderam que ali tinha um fã de verdade. Depois da música, me chamaram para os bastidores.
Depois do show, conheci melhor os caras. Tiramos fotos juntos, os abracei e pedi autógrafos. Aquela cena estava meio gay, mas eu não estava nem aí. Os caras eram simpáticos e atenciosos com os fãs. Gostei muito daquele dia...
Sai de lá, já caindo de sono... Não havia ninguém na rua. Fui direto para casa. Quando cheguei, abri a porta e percebi que a luz da cozinha estava ligada. Caminhei devagar, olhei e estavam todos sentados na mesa. Meu tio, minha avó e meu avô. Só uma mulher que estava de costas e não tinha idéia de quem poderia ser.
- Enzo, como foi o show? – perguntou minha avó.
— Foi bom, melhor do que eu pensava até. – fui em direção a mesa, larguei minha mochila na cadeira e pude enxergar a mulher “misteriosa”. Perguntei quem era para minha avó. Minha avó olhou para a mulher e fez um sinal de positivo com a cabeça. A mulher começou a falar:
- Enzo é seu nome, não é?
- Sim senhora. Quem é você? – perguntei muita curiosidade. Quando ela ia falar, meu tio Marcos interrompe:
- Essa é sua mãe, Enzo.
Olhei para minha avó e perguntei se era verdade. Ela concordou com a cabeça. Com isso, eu respirei fundo e tentei manter a calma naquela hora. Virei o rosto para aquela mulher e a olhei com um jeito sério.
— Você chega aqui em casa, falam que você é minha mãe. Uma mãe que nem lembro o nome, uma mãe que não estava nem aí se eu iria morrer de fome ou não. Vai-me dizer que virou evangélica agora? Que se redimiu? Quero que você vá pra puta que pariu. Vagabunda do caralho. Que eu não seja mais obrigado a olhar a sua cara de bunda mais. – bati forte na mesa.
Com isso, meu avô tentou amenizar.
- Ela é sua mãe. Mesmo que não aceite, ela é. E pare de tentar dar uma de macho aqui dentro dessa casa, porque está bem longe disso – olhando sério para mim, na hora eu abaixei a cabeça.
Realmente, eu estava exaltado. Eu tirei minha mochila da cadeira e sentei-me.
— Primeiramente, qual é o seu nome? Esqueci. – dei um sorriso forçado. Ela gaguejando, olha para baixo e fala:
— Meu nome é Joseane. – ela olha pra mim com uma cara de arrependimento. Em seguida, continua:
— Eu sei que um pedido de desculpas não vai mudar nada entre nós. O que fiz foi criancice, eu quero que pelo menos você me aceite como sua mãe biológica. – ela me olha séria.
— Tudo bem, Joseane. Eu te aceito como mãe biológica. Mas mãe é quem cria. E você está bem longe disso. – nisso me levantei, peguei minha mochila e fui para meu quarto. Atirei-me na cama e me perguntava por que ela apareceu agora. Agora que não precisava mais dela. Tudo tem seus motivos. Prometi a mim mesmo que eu iria perguntar quando as coisas ficassem mais calmas.
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