Uma Semana Com Dois Caçadores E Um Anjo
7 The stranger known
Notas iniciais
Encarei a tela no computador e o fechei.
- Vamos pegar a estrada. – Eu disse me virando em direção à cozinha. Não obtive respostas então me virei novamente e eles estavam me encarando. – Qual é.. árvore dos milagres, tem tudo a ver.
- Nós só vamos sair daqui, quando você nos contar como sabia. – Disse Dean dando o gole em sua cerveja.
- Sorte de principiante... Agora vamos.
Eles se entreolharam e Sam levantou a sobrancelha direita. Engoli em seco e segui em frente. Castiel estava descendo as escadas quando caiu faltando três degraus para o chão. Antes que ele pudesse se levantar sozinho, eu e Dean já estamos nos servindo de apoio, levamos ele até o sofá, e ele se apoiou em sua mão mantendo sua cabeça baixa. Passei a mão direita pelo seu ombro e disse:
- Cass ?
Sam estava atrás de nós e Bobby um pouco mais distante, Castiel levantou os olhos vagarosamente olhando para o teto e suas pupilas delataram e voltaram ao normal em menos de cinco segundos, levantei a cabeça olhando para Dean, e ele fez o mesmo, arqueei as sobrancelhas como quem diz “mas o que foi isso ?”, Castiel começou a tossir e acabou cuspiu sangue por toda parte.
Dean deitou Castiel no sofá e eu corri buscar um copo de água na cozinha, cheguei perto dele e estiquei o braço lhe estregando o copo, Castiel foi até minha mão e segurou meu pulso com força, tentei me libertar, mas ele olhou dentro dos meus olhos e, franco, soltou meu pulso e desmaiou, deixando sua cabeça tombada pra esquerda.
- O que houve Dean ? — Perguntei desejando que ele soubesse.
- Não faço a mínima ideia. – Entrei o copo para Bobby, coloquei as mãos na cintura e soltei o ar. Comecei a andar de um lado para o outro tentando pensar.
- Ele deve ter tido um colapso – Sam arriscou um palpite, tentando nos acalmar.
- Quando será que ele acorda ? — Perguntei aflita.
- Espero que seja logo, temos uma árvore para encontrar.. vamos – Dean estava grosso de novo.
- Não vamos sem ele. – Contestei
- Vamos Sam. – Dean estava procurando a chave do Impala.
- Escute aqui Dean Winchester, eu poderia ter me virado muito bem sozinha, sem essa sua arrogância toda, Castiel é o maior interessado nessa tal árvore, e é da Graça dele que estamos falando, agora para de ser orgulhoso, e começa a pensar... Ah e sem contar que sem a minha ajuda, você nunca teria encontrado tão rápido. – Dean tomou folego, ia gritar comigo, mas Sam o parou.
- Vamos esperar mais um pouco. Se Cass não acordar, nós vamos sem ele. – Sam estava me dando um tempo. Dean saiu batendo a porta. – Desculpe por isso Grace.
- Deixa pra lá, ele não vai mudar, não é?! – Sam concordou com a cabeça.
Minutos depois que Dean saiu, ouvimos a campainha tocar, Bobby e Sam estavam sentados na sala e como eu estava mais perto da porta eu disse:
- Eu atendo.
Corri até a porta, segurei a maçaneta gelada e a virei, um homem médio de cabelos castanhos e sardas por todo o rosto estava parado a minha frente, ele vestia um casaco marrom claro com pequenos botons coloridos e havia também um bolso surrado. Ele segurava um pacote suficientemente grande, segurou um papel branco bem perto de seu rosto e forçou os olhos para poder enxergar.
- Entrega para Grace.
- Oh sim. – Ele tirou de dentro do bolso uma caneta azul, e me entregou, assinei o comprovante de entrega e ele se foi.
Fechei a porta e corri lá pra cima, graças aos céus eu iria finalmente tirar aquela roupa repugnante. Abri o pacote em cima da cama, tirei de lá as minhas duas malas, fui tomar um banho frio e depois peguei uma blusa básica e um casaco preto, vesti a minha calça predileta e o coturno surrado. Eu estava terminando de me arrumar quando ouvi:
- GRACE, VENHA LOGO. – Sam gritou.
Larguei tudo que estava fazendo e desci correndo as escadas, vi Sam e Bobby olhando atentamente para sala, parei de súbito observando suas expressões e logo me virei para ver o que eles olhavam com tanta atenção, Castiel estava em pé, e ele estava estranho, mas um estranho conhecido. Aproximei-me vagarosamente, colocando um pé na frente do outro, sem muitos movimentos.
- Cass ?
- O que está acontecendo ? . – Olhei para Sam e ele se aproximou.
- Você não se lembra ? — Disse Sam tentando entende-lo.
- Me lembro de.. – Castiel olhou para baixo franzindo a testa. Fixamos nossos olhares curiosos, esperando ansiosamente suas próximas palavras. – Estar caindo, caindo... Dai eu acordei aqui, neste sofá, de frente aos meus amigos mais confusos do que eu.
- Caindo de onde ? — Indaguei.
- Acho que era do céu. – Castiel piscou duas vezes com muita força. Nos olhamos com um ar um tanto quanto feliz, talvez ele tivesse lembrado de sua verdadeira identidade. – Me lembro de coisas nada normais.
- Que tipo de “coisas nada normais” — Estava prestes a explodir com aquele mistério todo que Castiel fazia.
- Não vão acreditar se eu contar.
- Acreditamos Castiel, podemos te ajudar. – Disse Sam.
- Eu vi coisas.. coisas terríveis, algo do tipo, que realmente não faz sentido algum... Lá estava eu, fritando a cabeça de pessoas com olhos negros, salvando você daquele que te procura freneticamente – Ele apontou para mim. Toda atenção estava girando em torno de suas palavras. – Agora.. podem me dizer o que esta acontecendo ? – Castiel estava muito confuso, não sabia se aquilo que ele tinha visto era verdade, e não tínhamos tempo de explicar, talvez uma outra hora.
– Cadê o Dean ? Precisamos ir pra Saint Could, AGORA. – Eu disse para Sam. Ignorando a pergunta de Castiel, eu estava muito nervosa.
- Já liguei mil vezes, ele não entende. – Disse Sam pegando o celular para fazer mais uma tentativa.
Senti uma dor cabeça terrível e fiquei meio tonta, quase cai então me apoiei em Castiel, fechei os olhos com força e vi algumas ferramentas e um galpão. Recompus-me rapidamente e fui em direção a porta.
- Onde você vai ? — Sam questionou tirando o celular da orelha para poder me ouvir.
- Já sei onde ele esta.
Estava pisando firme na terra que cobria todo o ferro velho, passei por um tanque branco todo detonado, havia alguns sapatos dentro dele, e a torneira estava enferrujada, havia pedaços de ferro espalhados por toda parte e pneus empilhados, consegui enxergar de longe o galpão com as ferramentas, Dean estava sentado em um banco largo de madeira.
- Nós temos que ir. – Ele simplesmente levantou e saiu. Eu estava preparada para a terceira guerra mundial, mas ela não aconteceu, achei que ele iria gritar comigo, agora que estávamos sozinhos, mas não.
Tudo foi muito quieto, Dean entrou, arrumamos nossas coisas, nos despedimos do Bobby, levamos Castiel até o Impala e estávamos pegando a estrada. Depois de algumas horas aquela viagem foi se tornando tediosa, mas antes que eu pudesse reclamar, pude ver pela janela, um trilho, e logo a diante uma placa. Estávamos na cidade, íamos finalmente recuperar a Graça.
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