Notas iniciais
"quando as coisas pareciam fazer sentido, quando o tempo estava a nosso favor, quando o quebra cabeça estava quase todo pronto..." Quando tudo estava bem.

Fiquei por minutos imóvel, esperando que ele fosse voltar, ou seja lá o que pensei, ou como pensei, eu simplesmente não consegui me mover, meu corpo todo ficou gelado, até que pisquei e dei conta de que Castiel realmente não estava mais ali. Corri até a porta, deixando-a entre aberta, e fui o mais depressa possível chamar Dean e Sam. O quarto estava logo ali, espalmei a mão e dei quatro batidas desesperadas. Dean atendeu a porta e eu fui logo entrando, passando por baixo de seu braço esquerdo que se apoiava no batente. Parei no meio do quarto, um tanto quanto ofegante, um pouco gelada, olhei para Sam que estava com as mãos na cintura e olhei para Dean que já havia fechado a porta e estava com os braços cruzados.

- Castiel... ele sumiu.

- O QUE ? MAS COMO ? Eu disse Sam.. – Não era de se surpreender com a atitude explosiva de Dean.

- Dean ! – Sam lhe chamou a atenção.

- “Eu disse” ? O que você disse Dean ? — Estava confusa tentando descobrir alguma expressão no olhar de cada um.

- Que você não era dona de uma responsabilidade perfeita para cuidar do nosso anjo. – Ele conseguiu ultrapassar o limite de grosseria, e saiu do quarto, indo diretamente para o meu. Fechei o punho e estava pronta para lhe seguir quando Sam segurou meu ombro. Respirei fundo e me contive. Fomos atrás dele. Quando entramos no quarto, Dean procurava por algum vestígio, em baixo das camas, dentro do banheiro, atrás da porta, ele estava histérico.

- Nada. Mas que droga garota, como pode deixar isso acontecer ? — Ele nem conseguia me olhar, estava preocupado em verificar todos os cantos, até nos lugares onde ela já havia procurado.

- Ele estava ali, e estranho, seus olhos..

- Ele sempre é assim – Sam balançou a cabeça.

- Aquele parecia um abraço de despedida, não sei bem...

- Ele te abraçou ? Ele estava sozinho ? — Dean não parava, aquilo parecia um interrogatório.

- Eu... eu não vi direito, eu acho que sim, eu ouvi um barulho, um bater de asas. – De repente, Dean parou, olhou para Sam, e os dois ao mesmo tempo me fuzilaram.

- Ele não estava sozinho. – Dean esmurrou a mesa de centro e saiu batendo a porta. Sam me olhou melancólico, e seguiu seu irmão.

Dean Winchester P.O.V:

Mas que droga, quando as coisas pareciam fazer sentido, quando o tempo estava a nosso favor, quando o quebra cabeça estava quase todo pronto... não gosto nem de pensar que pude confiar em Grace para vigiar a nossa peça mais importante. E eu ainda estava sentindo pena dela.

- Dean você tem que relevar. Ela esta fazendo o máximo.

- Fazendo o máximo Sam ? O máximo ? — Não queria discutir com ele.

- Ei, ela nunca se relacionou com um anjo antes, e lembre-se que foi ela quem nos ajudou a achar a cidade, foi ela que ligou, se fosse outra, largaria Castiel internado naquele hospital e iria embora.

- Ela não fez mais do que a obrigação.

- Não fez mais do que a obrigação Dean ? Você lembra da nossa primeira caçada com Grace ? O quanto você só preocupou com sigo mesmo ? Ela te salvou a vida e é assim que agradece ?

- Liga pro Bobby – Lhe joguei o celular – Vou tomar um banho.

Pude ver como Sam ficou decepcionado pelo modo de como mudei de assunto, um assunto que realmente era importante, mas nada, nada me faria esquecer que antes dela salvar a minha vida, Grace havia sumido com a Colt. Seja lá seus motivos, nós também precisávamos dela, como ela foi egoísta em nos deixar na mão, Grace deve ter fracassado e voltado correndo com remorso para me salvar. Isto Sam releva, mas não consigo engolir o modo como ela fez tudo tão rápido, como se aquilo já estivesse planejado.

Sai do banho ainda tentando achar um solução para tal acontecimento, Sam estava sentando em frente ao seu computador como sempre fazia quando tínhamos trabalho, peguei uma cerveja na geladeira e fui me sentar a sua frente.

- Você sabe que ele não estava sozinho, não sabe ?

- Nada mais obvio.

- Se Cass lembrava de tudo, por que é que foi se levar pela conversinha dos anjos ? Por que é que ele se entregou tão fácil ?

- É isso que precisamos saber, e rápido.

Grace P.O.V:

Caminhei até a cama da direita, exatamente onde Castiel estava, sentei desolada e sozinha, relaxei os ombros e coloquei as mãos em torno do meu rosto. Deitei com as costas na cama, deixando minhas pernas para fora, fiquei olhando para o teto e cruzei os dedos sobre a barriga, acabei dormindo por volta de uns vinte minutos, acordei procurando por ele, mas não o tinha para chamar de meu, meu anjo. Naquela altura da noite, me senti no ápice da culpa, me perguntei se algo mudaria e é claro, tudo seria diferente, eu poderia muito bem acordar e olhar para a cama ao meu lado e vê-lo sentado com aquele olhar, aquele que só ele sabe fazer. Senti que não podia ficar lá, como eu sempre fazia quando brigava com Bobby, ou tinha alguma problema em casa, eu teria que espairecer ou fugir dos problemas.

Olhei no relógio que antes não havia reparado, mas agora ele parecia grudar-se em meus olhos, a hora não queria passar, onze e meia e nada. Levantei esfregando minhas mãos por conta do frio, fui até a porta e sai. O baque entre o vento e minha pele fez meu rosto corar, cruzei os braços e fechei a porta, passei pelo quarto dos meninos, tudo estava quieto. E lá estava eu, mais uma vez caminhando pelo corredor escuro, mas agora, completamente sozinha. Desci as escadas do final do corredor e fui até o estacionamento, que era á céu aberto, Bobby sempre me dizia que as estrelas nos mostravam o caminho, e naquele momento, eu necessariamente precisava de um.

Vi uma pessoa encostada no Impala, me aproximei tentando não fazer barulho, mas era difícil com todas aquelas pedras. Ele então me ouviu e me encarou, eu já estava perto o bastante para poder ver seu rosto, era Sam. Fui até ele e me encostei do seu lado, ele também olhava as estrelas.

- Será que ela esta longe ? — Mesmo que meus olhos estavam pregados as estrelas, pude ver sua figura me encarando tentando me compreender e mesmo sem perguntar, sabendo sua duvida, eu respondi. – A Graça.

- Será que ele esta longe ? — Eu já fazia ideia de quem ele estava falando. E eu me perguntava o mesmo, eram duvidas difíceis de serem respondidas. Até mesmo pelas estrelas.

- Será que fracassamos ? Será um fim ? — Lamentei.

O vento soprou ainda mais frio, apertei meus braços. Então, Sam daquele seu jeito carinhoso de ser, me deu seu casaco, balancei a cabeça negando o favor, mas ele teimou e o jogou sobre meus ombros, me senti agradecida por isso. Ainda olhávamos para o céu, ainda o silencio prevalecia, nem uma das perguntas foram respondidas. Uma estrela cadente cruzou o céu deixando um brilho peculiar por onde passou. Lembrei que a Graça poderia ser vista desta forma, Sam também sabia disso, e ao mesmo tempo nos entreolhamos.

- Esta é a nossa resposta. Não podemos desistir, por mais difícil que seja. – Sam me tranquilizou, ele estava certo.

Voltamos cada um para seu quarto, agradeci pelo casaco, em partes minha preocupação havia cessado. Mas é como Jô sempre me dizia, se as coisas estão fáceis, estão erradas, talvez tivéssemos muita sorte, talvez nosso quebra cabeça estava quase se formando, pelo anjo, pelo homem de Saint Could, as peças se perderam, tínhamos que começar do zero. Eu precisava de energia, então dormi, contra minha vontade.

***

Já estávamos no carro, eu havia acordado mais cedo do que o esperado, acho que foi o medo de Dean me deixar naquele lugar imundo por conta de sua raiva, sobre a minha “irresponsabilidade”. Não houve se quer uma troca de olhares, estávamos indo para Saint Could, desta vez, não havia anjo para me encarar deixando-me envergonhada, e eu sentia falta disso.

A cidade estava completamente destruída, telhados arrancados, arvores sem folhas, carros com vidros quebrados, pessoas tentavam reverter o estrago, levariam anos, Dean estacionou o Impala no mesmo lugar do dia anterior, passamos pela lanchonete do hambúrguer triplo, e ela estava completamente em pedaços, ele balançou a cabeça inconformado tentando não olhar muito, Sam nos guiou até o lanchonete onde ele havia visto o homem pela primeira vez, não era muito distante dali.

Fiquei surpresa pela quantidade de pessoas que ainda restavam lá, varrendo as calçadas, tentando recuperar suas lojas, ou o que restou delas. Desejei que a peça do quebra cabeça não estivesse se perdido com a tempestade, ou pior. Sam apontou para um homem que estava sentado no banco todo chamuscado dentro da lanchonete, havia uma mulher lhe atendendo e arrumando o balcão, no meio de escombros, no meio de tanto caos, como aquele homem ainda podia ter paciência de tomar um café da manhã.

Sam segurou seu ombro e ele se virou, era um senhor de idade, cabelos brancos e usava um óculos escuro.

- Agora acredita ? — Ele havia se lembrado de Sam, tirando seus óculos para que pudéssemos conversar melhor, o homem nos levou para andar pelo que restou do parque da cidade.

- Como sabia ? — Sam perguntou perplexo.

- Não é difícil de adivinhar, a anos isso não acontece, e quando acontece, estragos, destruições tendem a piorar. – Olhei para Dean e ele torceu os lábios.

- “isso” ? — Dean perguntou.

- Sim, sobre a Graça, não é isso que estão procurando ? Você e aquele homem de sobretudo ? — Ele apontou para Sam e procurou por Castiel. Dean tirou sua faca do bolso e prensou o senhor contra a parede. Segurei o braço de Dean e ele me olhou furioso.

- Pergunte antes, mate depois. – Tentei lembra-lo. Ele se acalmou, mas não guardou a faca.

- Você é caçador ? — Deduzi, ainda com um pouco de duvida. Nos tempos de hoje, qualquer um pode ser qualquer coisa.

- Não meu doce, sou um anjo.

Notas finais
Fiquei com medo de decepcionar vocês com este capítulo, já que o outro foi tão fraco e confuso =( tentei esclarecer muita coisa, até porque Dean não gosta muito de Grace, espero que tenham gostado, e obrigada por acompanharem ♥ ~estou salvando uma vida, certo ?~ entendedores, entenderam.