Notas iniciais
Nota: O capítulo 62 e 63 eram para ser um e viraram dois. Postei esse por ansiedade e vou revisar o outro para lançar aqui. ;) Boa leitura s2

"Achei a Torre Eiffel !!!"

Amy se sobressaltou, olhando para a janela do lado oposto, onde estava Audrey. Ambas estavam loucas para encontrar esse ponto turístico...

"Nem nos meus melhores sonhos pensei que viria a Paris! Rosie, muito obrigada por ser francesa!"Audrey exclamou, me fazendo rir.

" Ah, para. A gente iria vir de qualquer jeito pelo cronograma da viagem!"

" Mas chegamos antes e vamos passar mais tempo!"

" É, concordo."

As famosas casas de arquitetura padronizada foram ficando cada vez mais nítidas conforme o avião diminuiu a altitude. Passamos por cima de pontes sobre o rio Sena até finalmente alcançar a pista de aterrissagem.

Estávamos em um avião de pequeno porte.Foi uma viagem rápida, em torno de uma hora, diferente da que Osten e a Elite fariam para Moscou.

Eles deviam estar saindo de Londres naquele horário...

Não conseguia parar de pensar nas possíveis reações de Osten ao ler a carta que deixei junto com o relatório em sua mesa.

Surpresa? Ressentimento? Tédio? Alívio?

Balancei a cabeça. Se eu quisesse saber isso logo, deveria ter conversado com ele.

Mas não adiantava. O certo é que, se já estávamos distantes, isso se iria intensificar com o passar dos dias...

Infelizmente, minha preocupação no momento deveria ser como lidar da melhor forma possível com os Artois.

Marie Artois Beaufoy,segundo a carta da tia Madeline, nunca me quis como filha por odiar o meu pai Brian. Mas Marie manteve a gestação até o final e pensou em um destino ruim para mim logo após meu nascimento, motivo pelo qual Madeline e outros empregados me mandaram para Illea com o colar, para que assim meu pai biológico Brian me identificasse.

Pela carta de Brian, Marie descobriu e mandou que o perseguissem em Illea, conseguindo me tirar dele e envolvê-lo em um acidente que custou sua memória. Eu ainda não fazia ideia do que aconteceu comigo depois disso e como fui abandonada em frente a casa de meus pais adotivos.

Allan Beaufoy era um diplomata francês atuante em Roma e teoricamente meu pai de consideração. Ele me passou a impressão de que me queria como filha, ao menos, e pela carta de Madeline tinha ficado empolgado com a gravidez de Marie. Ainda me era uma incógnita se ele sabia ou não sobre a traição da esposa e como reagiria a isso.

Marcel Artois, avô materno, dono da empresa Artois Cosmétiques. Eu sabia que tínhamos um gosto em comum: música. Foi ele que me deu um arco de violino na minha festa de aniversário na Itália.

Tia Margot, mãe de meus primos Danielle Artois, de cinco anos, e Isaac Artois, de treze. Ela tinha uma personalidade energética e pelo fato dela e Dani acompanharem a Seleção de Illea, fui mais facilmente identificada pela família.

Tia Madeline que, apesar de ter me ajudado a me esconder de Marie, nunca demonstrava muito afeto. Seu papel na empresa Artois Cosmétiques era administrar a filial de Paris.

Oliver Artois Beaufoy, meu irmão biológico, desprezível, estava com o comando da filial em Roma.

"Pisca um pouco." atendi ao pedido de Audrey, que barrou meu caminho até a porta do avião, assim que pousamos, a fim de checar minha maquiagem. Ela e Amy já tinham refeito o trabalho duas vezes durante o voo sem qualquer comentário. "Acho melhor você continuar com os óculos, só para o caso de..."

"Sim, tem razão."

A última coisa que eu precisava era de mais manchetes.

"Foi um imenso prazer para nós, senhoritas. Esperamos que tenham uma boa estadia!"

Acenamos de volta para o piloto e copiloto, seguindo os guardas até as escadas.

Lá em baixo, um grupo de pessoas nos aguardava com câmeras e microfones.

Respirei fundo.

Foi possível evitá-los no aeroporto de Londres, pois nos levaram direto para uma ala isolada e em seguida às pressas para a sala de embarque. Mas uma hora ou outra iriam me abordar.

Era melhor dar logo o que queriam e me livrar.

"Rosie, pode nos falar sobre sua saída da Seleção?"

"Você e o príncipe brigaram?"

"Por que o príncipe Osten a dispensou?"

"Não saí da Seleção. Estou em viagem também, só me dispersei do grupo por um tempo."

"Pretende voltar a Columbia ou vai morar com sua família biológica?"

"Estou aqui para ver minha família biológica, apenas."

Pelo visto, estavam obcecados com uma possível reportagem de eliminação na Seleção.

"O que Osten disse sobre sua saída?"

"Ele concordou."

"Rosie, tem algo a dizer sobre deixar a viagem com a Elite?"

"Bom, eu..." Reconheci um grupo de pessoas em particular vindo até nós: minha família biológica." Eu tenho meus próprios objetivos aqui, e eles os deles por lá... Espero que dê tudo certo, com licença, bom dia."

Encurtei a distância até Allan, Marie e Oliver.

"Como foi a viagem, filha?"

Sorri para Allan.

"Tranquila, obrigada."

"Finalmente em casa."Marie segurou uma de minhas mãos com uma expressão tão radiante que, se eu não tivesse sido antes avisada sobre seu real caráter, teria caído facilmente no fingimento." Você vai se apaixonar por sua terra natal em um piscar de olhos, vai ser como se nunca tivesse saído..."

Assenti apenas, observando Oliver se afastar de nós e pedir aos seguranças para que os repórteres fossem expulsos dali.

"Abutres," ouvi-o murmurar. Não me surpreendia,afinal, ele agora era o ex e traidor de Delfina, não mais um futuro membro da realeza italiana.

Observamos o pessoal sair indignado.Agradeci-o mentalmente por isso.

Sua face se tornou neutra ao olhar para mim."Saudades, irmã. Bem vinda de volta."

Digamos que ele foi até 'simpático' ao me abraçar, o que era justificado pelos olhares restantes sobre nós.

"Então, vamos?"perguntou Allan. Assenti.

Tentei desviar o olhar conforme nos reconheciam caminhando pelo aeroporto. Por sorte, as pessoas foram impedidas de se aproximarem para mais perguntas.

Me informaram que no início da minha estadia na França, iríamos para Chambery, uma cidade situada a cerca de 4h de carro de distância de Paris. Era onde estava a residência de meu avô Marcel.

Decidiram que os guardas fariam uma escolta com os dois carros extras providenciados.

"Vamos com eles" Amy e Audrey entraram num daqueles carros.

Entrei no banco de trás do carro de Allan, como pediram. A porta do outro lado foi aberta por Oliver, que se acomodou colocando o cinto em silêncio.

Me enganei pensando que ele ficaria assim.

"Estamos saindo a quatro pela primeira vez, não é emocionante?" apontou para os fotógrafos do lado de fora. Eles com certeza iriam nos seguir para cima e para baixo.

"Qual a sua?" Encarei-o."Não é novidade nenhuma para mim o que está acontecendo aqui."

Oliver aumentou o sorriso coringa.

"É bom que lembre que está aqui pelo marketing da empresa. Não sabemos bem como fazer isso por enquanto, já que... engraçado dizer,mas você me superou na impopularidade." riu baixo." Mas, sinta-se no dever de não aumentar o abismo da sua má reputação."

Precisei me controlar.

Saber que era apenas uma peça para eles era mais do que revoltante, mas eu jamais me perdoaria se amanhecesse com notícias e especulações sobre meus pais adotivos terem algo a ver com o meu sumiço quando recém nascida. Estar na companhia dos Artois era um preço doloroso a pagar.

A porta de carona foi aberta por Allan que ajudou Marie a se sentar. Esperamos até que ele guardasse a cadeira de rodas no porta-malas.

"Muito bem." Allan sorriu pelo retrovisor."Estamos com pressa para pegar a estrada, então vamos ficar te devendo um passeio mais detalhado por Paris, tudo bem só ficamos no carro dessa vez?"

"Tudo bem, sem problemas" sorri de volta.

O nosso percurso começou do jeito como eu esperava: o mais puro silêncio, constrangedor. De vez em quando Allan quebrava o gelo apontando algum ponto turístico, como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a Champs-Élysées e a Catedral de Notre Dame.

Paris era mais ou menos o que tinham me descrito: prédios antigos com cores claras e fachadas de ferro; cafés ao ar livre e as esquinas iguais, nas quais eu facilmente me perderia.

"A cidade é dividida em 20 regiões, os chamados arrondissements. Sua tia Margot, por exemplo, mora no décimo sexto arrondissement."

"Quase compramos uma casa nele." disse Marie.

"Isso foi antes de você nascer.Tínhamos uma casa em Chambéry. Mas acabamos idealizando tanto nossa família aqui, que quando perdemos essa chance não vimos muita graça. Não pensamos duas vezes em ir para Itália quando recebi a proposta de ir para a embaixada de lá..."

"Mas agora as coisas são diferentes." ela continuou."É possível que voltemos para França, tudo vai depender da negociação de seu pai."

" Ah, olha" Allan apontou" Essa é a Académie des Arts Sonores."

O prédio rosa claro tinha uma entrada esculpida em notas e instrumentos, tomava um quarteirão.

"Foi aqui que estudei há alguns anos." disse Marie."A escola tem o ensino médio normal, com aulas de música também," disse Marie. "Mas pra entrar aqui, é bem complicado. A prova de admissão é puxada, então só passa quem realmente se prepara. Mas, uma vez dentro, os alunos podem continuar e fazer faculdade de música aqui mesmo, se quiserem."

"Mais a frente em duas quadras vamos encontrar a Embaixada de Illea."Ele parou em frente a uma casa de cor branca e cinza, com varandas de vidros escuros. "Já tive algumas reuniões aqui com o príncipe Osten e outros representantes diplomáticos."

"É um prédio bem bonito, confesso. Mas carece de mais vida."comentou Marie."Um jardim mais atrativo ou uma estátua, algo do tipo. " ela olhou para trás, com a atenção em mim, que estava em sua direção diagonal." Esse pode até ser o lugar onde você e Osten passem a morar. Se isso acontecer, convença ele de fazer algumas reformas..."

"...Certo, " só resolvi concordar no momento. Ela continuou com o assunto. "O príncipe, inclusive, já te disse onde pretende morar?"

"Ele me disse uma vez que a chefia dele estava para decidir."falou Allan.

"Nós dois ainda não... não conversamos sobre isso."

Ela me encarou séria por um instante. Por fim, assentiu.

"Entendo. Aliás, Oliver tirou uns dias da empresa em Roma para ficarmos todos juntos. Ficou decidido que o comando de nossa empresa em Roma vai passar para seu irmão, mas você ainda pode ser uma das sócias. Sendo uma princesa, vai ajudar muito, porque pode fazer ações sociais em conjunto com a Artois."

"Isso se conseguirmos restaurar a imagem dela."

"Mas o que é isso, Oliver?" a voz de Marie endureceu."É claro que vamos."

Ele limpou a garganta.

"Eu quis dizer que teremos um longo trabalho. Não há como negar."

"Sim, e é por isso que precisamos de sua dedicação, Rosie." me encarou.Percebi que ela não me chamou de Lyssa, pela primeira vez."Sua vinda foi no momento certo:vai ajudar a superar esse escândalo. Senti que você não estava tendo o devido destaque na mídia durante essa viagem com as outras jovens da Elite. E aqui, conosco, vai aparecer com uma participação maior em eventos de caridade e da empresa. Depois disso, planejamos um reencontro seu e do príncipe bem emocionante, para que todos saibam que ele sempre quis se casar com você e não com as outras selecionadas."

A forma como ela falava... me dava repulsa.

"Mas é claro que Rosie é a mais notável, isso tudo contra ela é inveja das modelos" comentou Allan, tentando aliviar a tensão. Sua defesa, embora bem intencionada, só tornava a situação mais constrangedora.

"Ah, não de novo essas músicas." Ouvi Oliver bufar quando, depois de um tempo, Marie se inclinou para colocar Clair de Lune, de Claude Debussy."Que duração tem isso aí? Quatro horas?"

"Essa é uma peça curta, Oliver, só dura uns 5 minutos." respondi.

"Ah, é?"me encarou de volta.

Uma risada de Allan.

"Gosta de música clássica, como sua mãe?"

"Gosto bastante..."sorri de volta para ele.

"Ela tem bom gosto, como eu" disse Marie" E o próximo repertório vai ser a sinfonia nº 5 de Ludwig van Beethoven. Quarenta minutos."

Em resposta à palavra autoritária da mãe, Oliver bufou em tom baixo, visivelmente frustrado. Era a primeira vez que eu o via se curvar aos mandos de alguém...

"Cherrie, não seria melhor explorar um pouco de Jazz ou bandas de rock enquanto estivermos na estrada? Estamos empatados e devemos colocar metade do tempo de cada. Todos de acordo?"

"Seria ótimo." Oliver deu de ombros. Eu apenas assenti, e Marie acabou por ceder.

Após Clair de Lune, me concentrei no som do Jazz escolhido por Allan. Esse ritmo era conhecido por seu improviso e o uso típico de piano e do saxofone. Os solos eram espontâneos e poderiam muito bem encaixar em uma trilha sonora de um filme de época.

Com o passar do tempo, a cidade-luz foi ficando para trás. O caminho era preenchido pelo som das sinfonias. Oliver e Marie dormiram durante boa parte do tempo. Allan continuou interagindo comigo, com uma animação genuína que me lembrava certo alguém...

...

Entrei na estufa, sentindo o calor e a umidade costumeiras. Era o meu dia de limpar os vidros.

Uma mesa no centro estava com vasos de cactos, samambaias, avencas, e bromélias com folhas vermelhas e amarelas que me lembravam o formato de uma pena.

À esquerda, uma coleção de orquídeas exóticas coloridas.

No canto direito da estufa, dois pés de rosas brancas, outro de vermelhas. Eles dividiam espaço com algumas espécies de nome complicado que mereceriam uma boa consulta em atlas de botânicas.

Mais adiante,um exemplar de Strelitzias, uma planta similar a um pássaro em voo, com flores laranja e azul escuro.

"Isso é Mozart?" Meu pai apontou para o rádio portátil que deixei ligado no canto tocando música clássica.

"Tchaikovsky".

"Ah, sim, mas são todos iguais, não?" ergueu as sobrancelhas.

"É claro que não." respondi tentando espiar o que havia dentro da caixa que ele trazia. "O que é isso? Ah, não, pai! Outra orquídea?" Ri.

"Mas essa é especial..."

"Todas as orquídeas são para você." Pontuei.

"Tem razão..."aumentou o sorriso.

Orquídeas eram de longe as suas plantas favoritas. A cada viagem, ele trazia uma nova, e cada uma delas sempre carregava uma história...

Ele havia trazido essa particularmente da província de Clermont, estavam cuidando dela na universidade,até que a cederam para sua coleção. A orquídea tinha pétalas avermelhadas, em um tom entre vinho e vermelho.

"Ela é linda." falei."Parece até produzida em laboratório, mas eu acredito em você se disser que achou por aí...E onde vamos colocá-la?"

Enquanto eu terminava minha tarefa, ele se encarregou de levar alguns cactos para o jardim, para que sobrasse espaço. Puxei uma cadeira, quando acabei, para ouvir sua narrativa, ao passo que ele molhava as plantas.

"E como vai a apresentação?" ele perguntou, desviando o assunto.

"Bom...a professora que está coordenando a peça de teatro cancelou a participação do coral de música, porque o roteiro ficou um menos melancólico. Ela foi na onda da garota que vai ser a atriz principal e que pediu essas mudanças. Simplesmente vão colocar um som pronto..."

"Poxa, que pena. Você estava treinando muito..."

"...pois é." Sorri fraco, dando de ombros."Mas, relaxa. Eu e os dois garotos violinistas não treinamos por tanto tempo assim... Nem chegamos a ensaiar as músicas juntos..."Respirei fundo."Eu estou um pouco preocupada, na verdade, em como isso iria me ajudar, e não vai mais, para entrevista de Columbia..."

Era o último ano da escola, e os alunos estavam estudando para o exame de entrada em várias universidades do país. Meu objetivo era entrar na Universidade de Columbia, onde meus pais eram professores dos cursos de Biologia e Matemática.

"Acho que sua participação em atividades extracurriculares é ótima. Esses anos no roteiro e decoração do teatro, a ajuda no clube de literatura, desenho, e no grupo de visitas a asilos e orfanatos pela escola: tudo isso é mais que suficiente, a meu ver.Você só precisa de uma boa nota nesse exame. Se dedique e estará dentro."Piscou."Já decidiu qual vai ser o seu curso?"

Fiz que não com a cabeça.

Eu tinha uma dúvida crucial entre literatura, artes ou música.Para música, por exemplo, além da prova teórica, havia entrevista e audição com o instrumento de preferência. Isso exigia um bom tempo de preparo que eu não teria se demorasse a escolher.

"E o Tyler? O que vai fazer?Gastronomia?"

" Isso mesmo."

"Que falta de criatividade,vocês. Nem para arriscarem com algo novo como botânica." Fez uma falsa cara de decepção.

Meneei a cabeça e ri, seguida por ele.

"E o Tyler, hein, por onde ele anda?"

"Ele está no treino de beisebol hoje."

"E você não foi torcer para ele?"

"Não, era só um treino, pai, não um jogo."

"Ah, é verdade..." Assentiu.

Meneei a cabeça, vendo como ele, distraído, deixava a cabeça no automático (já estava virando o jarro sem água nas plantas).

"Deixa que eu encho pra você..."

"Obrigado. Vou à cozinha buscar um lanche pra gente."

"Ok!!"

...

"Estamos chegando," Allan anunciou." Olha lá a placa de boas vindas! Bem vinda, a Chambéry, Rosie!"

Allan me explicou que aquela cidade tinha uma influência cultural suíça, devido ao seu passado histórico. Por isso, por exemplo, que várias casas tinham uma arquitetura diferente da de Paris, com detalhes em madeira formando formas geométricas nas paredes.

Talvez fosse o fato de eu saber que aquela era minha cidade natal ou a impressão de romantismo arcaico que aquelas ruas transmitiam. Mas havia algo intrigante em estar ali pela primeira vez, ou melhor, de volta.

Passamos inclusive em frente ao hospital onde nasci. Quis sorrir ironicamente quando Allan e Marie trocaram um olhar triste, mas me segurei, pois se viraram em minha direção para me encarar de um modo emotivo.

A mansão de Marcel ficava em uma área com bosques e colinas. Na entrada da casa, um muro de pedras beges e um jardim com pinheiros artificiais, além de rosas, íris, crisântemos e margaridas.

Meu avô foi chamado pelos empregados enquanto esperávamos na sala de estar.

"Como vai, querida?" ele me abraçou com uma forçada simpatia."Vou te mostrar cada canto dessa casa. Tentei deixar tudo o mais preservado possível, cada móvel e decoração foram escolhidos por sua saudosa avó..."

Marie, Allan e Oliver foram para seus quartos, enquanto Amy, Audrey e eu fizemos uma caminhada pelos cômodos da casa com Marcel.

O ambiente exalava sobriedade. A maioria dos móveis, o chão e as paredes eram de madeira escura. Pelos corredores haviam muitas homenagens em fotos a minha avó materna.Vi também os diplomas de Marie e minhas tias, e homenagens a Marcel em orquestras.

"Já fui um professor de violino mais ativo."disse ele, observando uma foto com sua turma." Mas a idade exige um pouco mais de conforto. Hoje dou uma aula ou outra na academia. Toco com alguns amigos em cafés parisienses e vou a leilões que arrecadam para doações de instrumentos."

"Legal..."

Ele voltou-se para mim.

"Fico feliz que tenhamos a mesma paixão pela música. Qualquer ajuda que precisar, estou à disposição."

"Obrigada." Assenti.

"Vamos receber alguns convidados essa noite. Às 19h." ele disse antes de se despedir." Vocês podem ficar à vontade e descansar enquanto isso."

...

"Esse lugar é uma graça. Lindo, escondido, calmo..." disse Amy, abrindo a cortina mostrando uma vista do bosque e de outras casas em uma colina próxima."Parece que os paparazzi nos deixaram finalmente."

"Devem voltar amanhã" rolei os olhos." Já têm material suficiente para um dia."

"Você nasceu em um verdadeiro berço de ouro, mocinha." Audrey meneou a cabeça."Uma pena que eles..." Ela travou com um sorriso sem graça.

"Eles não prestam, pode completar sem a menor preocupação."Eu ri, sem humor."Se eu soubesse que estaria por aqui por causa daquele colar, jamais teria usado ele no Jornal Oficial de Illea. Poderiam ter me reconhecido de qualquer forma, é claro,mas acho que isso foi a peça-chave pra tudo se encaixar."

"Sinto muito, Rosie."

Assenti.

"Seria menor abaixarmos o tom" Amy sentou ao nosso lado apontando para as paredes"Não sabemos o quão finas elas são."

" Sim, tem razão..."

Acabei optando por dormir enquanto as duas disseram que iriam explorar mais as redondezas. Porém, quando acordei, ambas estavam apagadas ao meu lado.

Faltava uma hora para nos arrumarmos.

O dia estava ficando nublado, talvez fosse chover. Ou nevar, pelo frio cortante.

Andei pelo terreno aberto entre as casas.Entrando no inverno, a maioria das folhas das árvores já estavam no chão e eram secas, poucas tinham a coloração marrom-alaranjada do outono.

Parei ao lado de um pequeno parquinho infantil, provavelmente compartilhado entre as crianças da região. Do alto daquela colina, eu podia ver o resto do bosque e várias residências.

Me sentei por alguns minutos no balanço e notei a assinatura de Oliver em um dos apoios– um traço simples, marcado na madeira, com certeza feito em sua infância. Sob outras condições, talvez eu também tivesse deixado uma marca ali, naquela mesma época.

Dizem que às vezes a vida dá o seu famoso plot twist. E eu me admirava pela frequência com que aquilo acontecia na minha.

De uma garota normal em Columbia para uma selecionada em Angeles, depois herdeira de uma família francesa.

Eu me perguntava se as surpresas haviam acabado...

...

"Vocês vão fazer um comercial amanhã, para empresa." Ouvi Marie dizer" Madeline?"

" Está tudo certo."

" Ótimo." Marie fez uma expressão satisfeita com a resposta da irmã.

Peguei a conversa que tinham na sala de estar pela metade.

Me sentei de frente para meu avô Marcel. Ele me lançou um sorriso gentil e explicou que estávamos à espera dos convidados.

"Venha aqui, Rosie." Me aproximei de Marie e ela me encarou quando parei ao seu lado."Qual o seu nível de francês?"

"Dado que ela não conseguia entender uma só palavra que Danielle disse naquela festa de aniversário, acho que não muito."

Respirei fundo.

"Não é muito bom, como Oliver disse.Mas estudei o básico na escola e também vi um pouco no palácio de Illea com uma professora."

"Hum, sim... Estou pensando em pagar um instrutor temporário para você. Mas vou avaliar."

Por um instante, quase respondi que não ficaria muito tempo por ali e por isso não havia necessidade.

Mas me ocorreu que, qualquer que fosse minha resposta, Marie faria o que quisesse.

Umas três famílias chegaram de uma vez, e pelos comentários haviam ainda mais para chegar.

Amy e Audrey desapareceram de minha vista, consegui vê-las saindo junto com alguns dos empregados para os fundos da casa.

Pela porta entraram alguns fotógrafos, que logo se tornaram insuportáveis. Para cada movimento que eu fazia era uma foto que os Artois tiravam.

"Rosie,"Marcel me chamou. Fui até ele que conversava com um casal de idosos." Esse é um grande amigo, meu velho parceiro, Claude Blanchet e sua esposa Sara."

O senhor estendeu a mão.

"Prazer, Rosie.Você é a cara da Marie."

"Rosie, prazer, Sr., Sra;"

" Você tem que conhecer nossa neta, Laura. Ela tem a sua idade praticamente!" Disse Sara, ao que apenas concordei por educação.

"Eu e seu avô éramos moleques que atormentavam a vizinhança."

Claude e Marcel riram, por certo lembrando de seus momentos de infância e adolescência.

"Ah, Madeline, quanto tempo!"disse Sara." Por onde tem andado?"

Olhei para trás vendo minha tia, que até então não tinha dirigido uma palavra a mim, nem a ela. Ela me deu um abraço de lado com um sorriso educado.

"Muito serviço, sabe como é. Agora que assumi a administração da filial de Paris, parece que quase não tenho tempo livre, nem em finais de semana."

Descobri pelas perguntas de Claude e Sara que a tia Madeline não era casada, apenas tinha um namorado à distância: da Holanda.

"Amanhã cedo já estarei de volta a Paris."

"Como trabalha..."

Ela deu de ombros. Mais algumas perguntas e o casal foi para outra roda de conversa.

" Eles são pais da melhor amiga de sua mãe, Celine."disse Madeline." Ela morreu há alguns anos dando à luz."

"Ah, entendi. Tadinha..."

"Ela era uma boa pessoa." seu olhar foi desviado sem um foco específico."Você leu o que escrevi, certo?" me olhou inquisitivamente.Assenti. "Que bom, não saia da linha com a minha irmã."

Ela sorriu de longe em simpatia a uma família que conversava com Allan e Marie.

"Se você quis de alguma forma me proteger, poderia me explicar como eu fui para Illea e..."

"Agora não." me encarou, com um suspiro."Eu sei que está curiosa, mas calma. Aqueles são jovens da sua idade. Vai até lá. Socialize." me deu um leve empurrão adiante, saindo para falar com meu avô.

Os dois jovens olharam para mim bem na hora. O primeiro, que eu supunha ser de uma família imigrante pelo perfil afrodescendente, se aproximou com um sorriso de orelha a orelha.

" Oi, Rosie. Prazer, Jules Levefre." Estendeu a mão que prontamente segurei.

"Prazer!"

"E esse é o Bernard."

"Bernard Fontaine"

"Oi..."sorri fraco cumprimentando o jovem moreno que corrigiu o nome. Ele tinha um olhar sério, como se estivesse me julgando ou algo assim.

" Me tira uma dúvida. Você foi eliminada da Seleção?"

"... Ah, na verdade, não. Só estou a passeio primeiro por Paris, quer dizer, pela França."

O olhar avaliativo se manteve, e eu me odiei por bancar a nervosa.

"Não liga pra ele, Rosie. Seu mal educado. Sai daqui." Jules deu um empurrão no amigo que quase se desequilibrou de verdade e resmungou em voz baixa, mas não saiu." Sem querer parecer inconveniente com o assunto da Elite"Jules continuou." Sou estudante de relações internacionais. Acho sensacional a ideia do príncipe Osten de deixar as selecionadas aprenderem com a viagem!"

"Ah, certo." assenti sem saber o que dizer por um instante." Eu acabei aprendendo um pouco de italiano e francês durante esses meses. Foi... produtivo."

"Gostei de ver sua evolução, inclusive! Você sempre foi um pouco mais quieta do que as outras, mas fala bem em público. Seu discurso na Nova Ásia estava ótimo! "

"Ah, você achou?"Franzi a testa.

"Sim, claro!" Quis rir.Ele estava forçando a barra pra parecer educado."Então, quanto tempo vai ficar na França?"

Abri a boca para responder. No entanto, me desconectei assim que ouvi a frase dita por perto do mordomo para Marie.

"Un appel à votre fille, madame." (Uma ligação para sua filha, senhora)

"Appel ? De mon futur gendre, je présume!" (Ligação? Do meu futuro genro,suponho!)

Ele assentiu quando ela o respondeu numa altura ainda maior. A atenção de todos obviamente recaiu sobre mim.

"Você pode ir atender, Rosie" Olhei para Allan que sorria" Todos sabem a saudade que você e o príncipe de Illea estão um do outro."

Quem sabia meu idioma riu com isso,principalmente Jules ao meu lado.

"... Com licença"

Andei ainda ouvindo algumas risadas abafadas.

...

Havia um telefone em cada quarto da casa. Fechei a porta do meu, e encarei o aparelho por alguns instantes antes de atender.

"Oi."

"Rosie, oi! Desculpe só ligar agora. Você melhorou do resfriado? E como foi a viagem? Hoje de manhã foi uma correria e você saiu tão apressada..."

Franzi a testa com a velocidade de suas palavras.

"Desculpe, estava atrasada... Estou bem melhor hoje, obrigada."

"Que bom..." Ele respirou fundo" Estamos hospedados na embaixada de Illea aqui de Moscou. Tivemos uma reunião com o presidente assim que chegamos, e depois nos mostraram o parlamento. Cheguei às três da tarde, mas só consegui ficar livre agora à noite..."

"Sem problemas..."suspirei" Eu não parei um segundo também por aqui. Vim para Chambéry, minha cidade natal, na casa do meu avô..."

"Eles estão sendo bons pra você?"

"A medida do possível. Me tratam bem. É claro que precisam de mim, pra você sabe, mídia."

"Sim... Se quiser sair daí por qualquer motivo, me avise."

"Pode deixar... obrigada."

Esperei.

"E Paris? O que achou da cidade?"

Mas, pelo modo como ele perguntava, conclui: ou não leu a carta, ou não quis mencioná-la, ainda como se tudo estivesse normal. Pela sua calma, eu não conseguia saber se era autocontrole e uma tentativa de adiar o assunto, ou realmente não saber.

Me esforcei para manter a sanidade.

Talvez ele tenha perdido a carta ou guardado ela sem ver.

Osten, no mínimo, tinha colocado meu relatório, a carta e outros papeis da pilha em sua mesa, tudo às pressas em sua pasta e não revistado os documentos ao chegar em Moscou.

"Está tudo bem mesmo?"Acordei de meu lapso mental ao ouvir sua voz."Aconteceu algo que... "

"Está, estou segura. Ainda mais com toda essa guarda...Paris é bonita, uma pena que não vi muito até agora, só rodamos em alguns pontos turísticos: a torre..."

"Rosie."

"Hã?"

"Quando quiser me dizer o que está realmente acontecendo é só falar. E me desculpe. Eu fui um egoísta nesses últimos dias. Só foquei em meus problemas, não te apoiei como devia. E..."

"Você já pediu desculpas."rolei os olhos."Não estou com raiva de você. É que..."Respirei fundo."Minha mãe me avisou que seria assim, Osten. A imprensa deixou ela desconfortável por muito tempo depois da Seleção. Todos ainda a tratavam como uma ex selecionada, e ela só queria viver a própria vida... Cresci sem vontade nenhuma de conhecer a família real. Eu tinha uma aversão a me inscrever por causa dela. Era uma traição, na minha cabeça, me envolver com a realeza. E só me inscrevi, porque ela mesma me disse que eu poderia me arrepender no futuro se não tivesse ao menos me inscrito."

Ele permaneceu quieto, então finalizei meu raciocínio.

" Eu sempre me incomodei com qualquer opinião alheia sobre mim. Sobre o que falariam no dia em que eu saísse e em como seria recebida em Columbia pelas pessoas. E agora, a minha imagem está manchada, falam de mim muito mais do que falavam da minha mãe... Não estou fugindo de você, só precisava de um tempo... disso tudo."

"Certo...Você fez bem em sair. Precisava de um tempo para você. Descanse e tente aproveitar um pouco mais da sua cidade... E também Paris, que inclusive é uma das minhas cidades preferidas."

" É sério? Nunca imaginaria."

" Sim..." ele deu um riso" Já estive aí por causa de reuniões e para visitar Ahren. Acho que essa cidade é muito mais do que cinematográfica. Tem uma beleza única, cheia de lugares incríveis para visitar. Então, se divirta, por favor."

"Ok, vou tentar..."

"O que está fazendo agora?"

"Passando o tempo com os Artois e alguns conhecidos da família, e..."meneei a cabeça."É estranho como minha família biológica possa ter gostos tão parecidos com os meus... todos eles praticamente tem alguma ligação com música. Marie estudou numa academia específica disso em Paris, meu avô Marcel é professor de violino, ..."

"Bom, acho que você poderia aproveitar esse fator em comum para tornar sua estadia na França mais suportável. Se eles têm esse gosto, sem dúvida você vai acabar indo a vários locais do seu interesse com eles..."

"...Você está certo."

"E por falar nisso, nunca te perguntei... Como foi que todo esse seu amor por música começou?"

Sorri fraco, embora ele não pudesse me ver.

"Tudo começou com um evento em que fui com meus avós, na universidade de Columbia. Eu tinha nove anos. Era uma feira de profissões que estava com lanches e algumas atrações divertidas até para uma crianças.Eu vi uma violinista tocando, fiquei com a maior cara de idiota olhando..." Ele riu."Acho que foi o início de tudo."

"Mas você começou a tocar desde essa idade?"

Uma batida à porta. Amy abriu como se pedisse desculpas com o olhar." Estão me chamando para o jantar, Osten. Desculpe. Tenho que ir."

"Ah, sim, não quero atrapalhar. Amanhã te ligo de novo, então, e podemos conversar com mais calma."

"Sim...Boa noite, Osten."

"Boa noite, Rosie."

...

O jantar acabou sendo agradável pelo fato de eu me sentar próxima a Jules e Bernard.Apesar das idades similares, percebi que Oliver não falava muito com eles, e isso, por si só, já me foi um bom sinal.

Descobri que a família de Jules migrou da África (especificamente da África do Sul) há 3 gerações. Fiz uma troca de informações com ele: falei sobre a Elite, enquanto ele me contou tudo o que sabia sobre a academia de música que Marie e Marcel haviam mencionado para mim mais cedo.

"Bernard, eu e Laura estudamos juntos desde pequenos aqui em Chambéry, mas fomos para uma escola integral em Paris desde o ensino médio: a Académie des Arts Sonores. Aprendi saxofone e flauta transversal até decidir sair, há um ano, para uma escola com matérias normais. Agora temos folga nos finais de semana para nos encontrarmos. Laura ficou este final de semana para continuar o treinamento da apresentação dela.Bernard toca violino e violoncelo. Laura toca violino, piano, flauta, violão, bateria... é um verdadeiro prodígio."

Eu estava ao lado de Jules, que alternava o olhar entre mim e Bernard em meio ao seu monólogo.

"Ele não cala a boca se você não disser nada," pontuou Bernard, inclinando-se sobre a mesa para fazer contato visual. Ri da indignação de Jules com o comentário.

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Me deitei naquela noite, me lembrando dos detalhes que gostaria de ter contado a Osten, antes de sermos interrompidos.

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"É a sua vez!"

Minha mãe me olhou enigmática, fazendo um suspense com os olhos de qual carta escolheria.

"KRISS"

Levantei-me no ímpeto e corri até a entrada da casa. Me lancei primeiro nos braços de meu avô, que se adiantou com os braços abertos. Ele me abraçou com a mesma intensidade. Em seguida, minha avó Annie com certos ciúmes.

"Como está a minha neta predileta?"
"Vovô, eu sou sua única neta!"

"E é a melhor que eu poderia querer!"

Logo rebateu apertando uma de minhas bochechas com carinho.

"Pai, mãe!"

"Que surpresa boa" Meu pai também apareceu para recebê-los.

"Viemos para almoçar e levar Rosie para passear."

Eu amei aquela ideia. Meus avós gostavam de mimar. Sempre que eles chegavam para nos visitar era um sinônimo de uma doce, um presente ou um passeio.

"Onde vamos hoje, vovô?"

Ele sorriu.

"Hoje vamos num evento da universidade."

"Josh, ela pode acabar entediada."

"Não escute sua avó." Ele piscou para mim." Vai ser muito legal, eu garanto!"

Entramos em um ônibus específico que nos levaria para o centro da cidade.

Ele costumava me colocar sobre os ombros apenas para fazer graça e cantar canções aleatórias. Era extremamente divertido, e fazíamos isso só para irritar minha avó Annie. Ela revirava os olhos, mas, no fundo, sorria.

Saímos em direção à feira de profissões da universidade, onde meu avô trabalhava como professor de matemática.

Ali havia desde jovens a crianças que se divertiam com experimentos de física, peças de marionete do clube de artes, etc.

Minha avó foi em direção à turma de literatura para achar livros clássicos. Eu acompanhei meu avô por quase todas barracas, curiosa sobre os cursos que ele me apresentava.

"Josh, camarada..." ouvi alguém dizer ao longe. Era um ex-colega aposentado de meu avô. Logo eles estavam envolvidos em uma recordação de suas carreiras.

Encontrei Tyler a alguns metros dali. Ele estava ocupado (com o rosto coberto de farinha) ajudando seus pais, que trabalhavam na cozinha da universidade, em uma barraca com estudantes de culinária e gastronomia. Mas, por um momento, minha atenção foi desviada.

Uma melodia suave e encantadora. Segui o som até a barraca de música e parei junto às outras pessoas para assistir à apresentação.

"Devo comprar um violino para você?" meu avô parou ao meu lado me encarando curioso.

"Eu... eu quero." voltei meus olhos para a violinista que estava tocando.

Foi assim que eu me apaixonei pelo instrumento. Eu queria aprendê-lo e poder tocar inúmeras melodias como aquela...