Uma Segunda Chance Para O Amor
6 06. Jantar
Notas iniciais
A noite estava amena e o céu deslumbrante com milhares de estrelas que cintilavam ao lado de uma lua cheia brilhante. Sakura caminhava tranquilamente pelas ruas da Aldeia da Folha e trajava um elegante vestido juvenil de um tom vermelho rosado, além de uma pequena bolsa que carregava em mãos. Seu cabelo estava escovado e elegante, com uma mecha na frente e preso atrás por uma fina fita vermelha combinando com o vestido. E apesar da maquiagem e sapatos simples que completava seu visual, ela estava belíssima, o que chamava a atenção das pessoas por quem passava na rua.
Não demorou muito para que Sakura avistasse ao longe o seu destino: a velha, porém, ainda charmosa barraca do restaurante de Lámen Ichiraku. E como de costume, Naruto estava lá na porta, apenas aguardando-a.
Ao notar melhor seu velho companheiro, Sakura percebeu que ele também havia caprichado ao se arrumar. Seus cabelos dourados estavam penteados e ele se vestia com as melhores roupas que ela havia comprado para ele, uma calça preta combinada com uma camiseta branca, mas o que mais agradou Sakura foi perceber, ao chegar mais perto, que ele se agasalhava com o casaco laranja com detalhes pretos que ela mesma havia feito para ele.
Assim que ela o alcançou, Naruto estendeu a mão direita para Sakura, que ofereceu sua mão em resposta, a qual ele levou gentilmente para perto do rosto para beijá-la em um pequeno gesto cortês. Um sorriso radiante tomou a face de Naruto após beijar as costas da mão dela e Sakura se alegrou ao ver a expressão contente do amigo, no entanto, ela não deixou de notar as pequenas manchas rosadas que preenchiam os dois lados do rosto dele.
— Puxa, Sakura, você... Você está tão linda! — comentou o jovem meio sem jeito.
— Obrigada, Naruto! Você está muito bonito também — ela respondeu com um sorriso gentil.
— Obrigado!
— Então, está com fome? — perguntou ela em um leve tom debochado.
— Estou. E estou morrendo de vontade de comer um lámen do Ichiraku. — O tom animado de Naruto arrancou uma singela gargalhada dela.
— Então, vamos nessa?
— Claro! — Acenou a cabeça em concordância.
Sakura se pôs ao lado de Naruto e levantou o braço direito para colocá-lo em volta do braço esquerdo dele, como uma dama ao se pôr ao lado de seu cavalheiro. Apesar da cortesia do gesto, o jovem loiro não conseguiu conter o misto de vergonha e nervosismo que sentiu ao ver a garota se colocar ao seu lado. Os dois entraram no restaurante e, ao erguerem a pequena tenda que cobria a parte de cima do restaurante, se surpreenderam ao ver que o local estava vazio.
Ao entrarem, eles chamaram a atenção do velho senhor que era o dono e trabalhava ali, Teuchi, um homem que apesar de estar na casa dos cinquenta anos e já demonstrar as rugas e marcas da idade, ainda permanecia jovem e espirituoso em seu coração.
— Boa noite! Sejam bem-vin...
Teuchi encarou os dois jovens com ternura e sorriu para ambos ao entrarem. Esboçou um enorme sorriso simpático e se aproximou mais perto deles, apesar do balcão e da mesa que separava a área de refeição da área de serviço, contudo, quando ele se deu conta, entrou em choque ao reconhecer os dois jovens a sua frente.
— Na-Naruto?
— E aí, velhinho! Como vai? — respondeu o garoto em um tom brincalhão.
— Naruto! Como você cresceu! — Teuchi não podia conter sua empolgação ao rever Naruto. Suas bochechas rechonchudas se espremiam no canto de seu rosto pelo largo sorriso que tomava sua face.
— É, eu sei — respondeu o jovem sem jeito.
— Ayame! — gritou o homem, se dirigindo a uma outra tenda que cobria a entrada para a cozinha.
De repente, uma bela e adorável moça de longos cabelos castanhos, que trajava um uniforme branco com avental, surgiu da cozinha e se aproximou do pai ansiosa.
— O que foi, papai?
— Olha quem está aqui. — Teuchi ergueu o braço para apontar para Naruto.
Ayame se virou para os dois jovens e, como o pai, também não conseguiu conter sua animação ao reconhecer os dois adolescentes no restaurante. Como seu pai, suas feições redondas se contraíram à medida que sua boca esbanjava um adorável sorriso.
— Naruto! Há quanto tempo?
— E aí, Ayame! Faz tempo mesmo.
— Quando você voltou, Naruto? — perguntou Teuchi.
— Hoje de manhã.
— E não perdeu tempo e já veio para cá, não é? — brincou Ayame.
— É claro. Eu não podia deixar de comer o melhor lámen do mundo.
— Eu fico agradecido com o seu comentário e feliz por saber que você nunca esqueceu do meu lámen, mesmo depois de todo esse tempo. — O homem se curvou respeitosamente para ele ao responder.
— Bem, eu prometi ao Naruto que hoje o jantar seria por minha conta e sabia que ele não ia resistir a vir para cá — comentou Sakura, que permaneceu em silêncio até aquele momento em respeito ao reencontro de todos.
— Hey, Sakura, como vai? — disse Teuchi sem jeito. — Desculpa, me empolguei com a volta do Naruto que me esqueci de você.
— Sakura, boa noite! — falou Ayame se curvando em respeito.
— Ah, não tem problema. Eu fiquei assim também quando vi o Naruto hoje cedo.
— Vocês me fazem me sentir como se eu fosse muito importante. — Naruto coçava a parte de trás da cabeça, ligeiramente envergonhado. Estava encabulado pelo tratamento tão amável que recebeu.
— Mas você é uma pessoa importante para todos nós, Naruto — respondeu Sakura rapidamente.
— Mais do que um cliente, você é uma ótima pessoa. Era sempre um prazer ter você aqui com a gente — completou Teuchi.
— Bem, Naruto, como prometido, você pode comer o quanto você quiser que hoje eu pago.
— Ah, obrigado, Sakura!
— Não há de quê! É o meu presente de boas-vindas para você!
— Nada disso, Sakura — falou Teuchi, surpreendendo a ambos. — Será o nosso presente. — Ele apontou para si e para sua filha ao lado. — Hoje, vocês vão comer por conta da casa. E podem comer o quanto quiserem.
— Aí, sim! Eu gostei. Eu estou louco para encher a barriga. — O comentário de Naruto foi tão espontâneo que arrancou uma risada genuína de todos ali presentes.
— Você continua o mesmo, Naruto. — Sakura fazia esforço para parar de rir.
— Então, vamos, Ayame! Temos que caprichar no lámen para os nossos convidados de honra.
— Claro, pai. Vamos preparar agora mesmo. Enquanto isso, fiquem à vontade. Sentem-se!
— Claro. Obrigada, Ayame! — respondeu a jovem.
— A gente vai se sentar aqui enquanto aguardamos — falou o rapaz.
Enquanto Teuchi e Ayame voltaram para a cozinha para prepararem o lámen, Sakura e Naruto se sentaram nos banquinhos de frente a bancada.
— E aí, Naruto, quer conversar um pouco até a comida ficar pronta? — A jovem de cabelos rosados o encarou ao perguntar.
— Ah, pode ser.
— E sobre o que gostaria de conversar?
— Ah, eu não sei.
Em um breve instante, o senhor reapareceu vindo da cozinha, e deixou sobre a bancada uma tigela com alguns pequenos pastéis de feijão para os dois.
— Aqui. Um aperitivo para vocês degustarem até a comida ficar pronta.
— Obrigado! — responderam ambos em uníssono, enquanto Teuchi se voltava para a cozinha.
Naruto e Sakura voltaram a se encarar enquanto comiam os pastéis calmamente, um a um. Apesar de estarem a sós, as maçãs dos rostos avermelhadas de ambos deixavam claro o quanto estavam se sentindo um pouco envergonhados um com o outro.
— Eu estou meio que sem assunto para começar uma conversa. Desculpe! — comentou brevemente o rapaz loiro.
— Ah, sem problema. Eu também estou meio sem assunto.
— Bem, como anda o Kakashi-Sensei?
— Ah, o Kakashi-Sensei está ótimo. Como a Senhora Tsunade desfez o Time 7, ele se juntou a outra equipe de Jonins para executar missões mais perigosas. Mas de vez em quando a gente se vê e ele me ajudou muito com o treinamento de Genjutsus.
— Então... O Time 7 deixou de existir mesmo? — Havia um leve tom entristecido na voz de Naruto ao falar.
— É... Eu acho que podemos dizer que sim. — Sakura juntou as mãos sobre os joelhos e as encarou. O assunto também a desconfortou.
— Desculpa... Eu não queria ter...
— Tá tudo bem. — Apesar da tristeza, a jovem tentou disfarçar sua reação, embora seu gesto não passou despercebido pelo garoto.
— Sakura, tudo bem?
— Está sim, por quê? — Ela tentou soar despreocupada.
— Suas mãos... Você está as apertando sobre os joelhos. — Ele a respondeu olhando para as mãos delas.
Sakura encarou suas mãos também e logo percebeu que era verdade. Ela estava as apertando com força sobre os próprios joelhos. Sem intenção, seus olhos começaram a lacrimejar e Naruto percebeu isso, apesar de manter um semblante calmo enquanto a observa. Com ternura, ele pôs sua mão sobre as mãos dela em um gesto de conforto e, apesar da surpresa do toque, ela sentiu um leve calor confortável emanar da mão dele, algo que foi ajudando-a a se controlar.
— Des... Desculpa! — disse ela.
— Tudo bem. — Havia uma enorme compaixão no tom de voz dele.
— É que... Depois que o Sasuke deixou a Aldeia e você... E você também saiu com o Jiraya para treinar... As coisas mudaram tanto... Eu me sentia tão só, tão deixada de lado que... Que acabei me deixando me afastar de todos. Eu não me sentia bem comigo mesmo, me sentia sem chão... Sem você, ele, o Kakashi-Sensei, eu... Foram três anos difíceis.
Naruto apertou as mãos delas com um pouco mais de força e ela se permitiu sentir o gesto dele.
— Sinto muito, Sakura. Eu... Eu não consigo imaginar o que você passou ao longo desses anos, mas sei que não deve ter sido fácil. Eu sinto muito. Queria que as coisas tivessem sido diferentes.
— Eu também.
— Eu tenho certa culpa nisso. Se eu tivesse sido...
— Você não tem culpa, Naruto.
— Tenho sim. Se eu fosse mais maduro, mais sensato, tivesse percebido as coisas...
— Isso não ia mudar nada. A escolha de sair em busca de vingança foi... Dele. Ele escolheu isso.
— Mesmo assim, eu sinto muito.
Em resposta ao gesto de Naruto, Sakura virou sua mão para segurar a dele e entrelaçou seus dedos com os dedos dele.
— Tudo bem. Você está aqui agora. Eu fico feliz que você esteja do meu lado outra vez.
— Eu voltei para não sair mais.
— Isso me deixa feliz.
— Sakura... Eu prometo a você que não vou mais sair do seu lado. Prometo que não vou mais te deixar. Eu também vou me esforçar para cumprir aquela outra promessa que fiz a você. Eu juro. Eu te dou a minha palavra. E você sabe que eu nunca volto atrás com a minha palavra.
— Eu sei, mas... — Ela lançou um sorriso tímido para ele ao falar.
— Mas?!...
— Eu não ligo mais quanto aquela outra promessa, desde que cumpra somente essa que está me fazendo agora. A de nunca mais me deixar.
— Você tem certeza disso? — perguntou ele um tanto inseguro.
— Tenho.
— Então, está bem. De agora em diante, minha promessa a você é essa, eu nunca mais vou te deixar.
— Obrigada, Naruto!
E ao respondê-lo, Sakura se inclinou sobre seu banquinho e se aproximou de Naruto para alcançar seu rosto e lhe dar um beijo na bochecha. O toque suave dos lábios dela foi um gesto inesperado para ele, que não deixou de sentir-se envergonhando e ficar com as bochechas rosadas.
— Ah, não há de que! Você me conhece — respondeu ele um tanto encabulado.
E, num instante, Teuchi e Ayame apareceram novamente vindos da cozinha, mas, agora, cada um carregava uma enorme tigela de lámen bem decorada com ovos, carne e outros aperitivos, e colocaram as tigelas sobre a bancada de frente para cada um dos jovens.
— Desculpem a demora, mas aqui está! — comentou o senhor.
— Nossa, isso aqui está com uma cara ótima. E o cheiro... Hum, divino! — Naruto se alegrou com a bela tigela a sua frente.
— Então, aproveitem! — Ayame sorriu ao falar.
— Concordo com o Naruto. Isso está mesmo parecendo apetitoso. Um bom apetite para você, Naruto.
— Para você também, Sakura. Agora chega de conversa, vamos comer!
Sakura riu do comentário de Naruto ao vê-lo se animar com a porção a sua frente e, então, os dois pegaram os hashis sobre a mesa e começaram a comer os deliciosos lámen do Ichiraku.
Após o jantar no restaurante Ichiraku, que se seguiu calmo e acolhedor, as horas haviam passado e o início da noite agora já era madrugada. A hora não era conhecida, mas a lua cheia já estava no alto do céu.
Sakura e Naruto caminhavam calmamente pelas ruas da Aldeia, agora já desertas. Apenas suas sombras provocadas pela iluminação dos postes pela vastidão das ruas eram suas únicas companhias. Sakura permanecia com seu braço direito envolta do braço esquerdo de Naruto enquanto caminhavam, o que lhes fazia parecer um casal a caminhar pelo luar. Eles davam cada passo devagar, com calma, e andavam rindo sem parar.
Apesar das risadas provocadas pelas conversas, ainda era óbvio a vergonha que Naruto sentia por ter Sakura ao seu lado, que caminhava apoiando a cabeça sobre seus ombros, repousando-a sobre ele. Isso fazia Naruto se sentir contente e nervoso, seu rosto estava completamente ruborizado e sua mão direita dentro do bolso da calça se apertava com força conforme suas emoções cresciam em seu íntimo.
— Tem certeza mesmo de que quer me acompanhar até em casa? — perguntou Sakura descontraída.
— Tenho. Não me custa nada — respondeu ele, tranquilo.
— Sabe, Naruto, esse casaco que você está usando foi a única peça de roupa que eu fiz com as minhas próprias mãos para você.
— Sério? Bem que eu desconfiei que tinha algo especial nele quando eu o experimentei. Ele é tão macio e confortável.
— Fico feliz que você tenha gostado.
Eles continuavam a andar, contudo, Naruto começava a coçar a parte de trás do pescoço, a levantar e abaixar a mão e tropeçar de vez em quando ao caminhar. Era evidente que ele estava se sentindo um pouco desconfortável com alguma coisa e isso não passou despercebido por Sakura. Percebendo melhor o rubor da face dele, os olhos desviando para os lados e o balançar do gogó dele, como se ele quisesse dizer algo, ela resolveu parar de andar e se desvencilhou dele, se virando para ficar de frente para ele e o encarar.
— O que foi? — Ele perguntou preocupado.
— Naruto, você está bem? Você parece um tanto... perturbado.
— Não. Não é nada. — Ele tentou disfarçar ao responder, mas era claro o quão nervoso ele se sentia.
— Tem certeza disso? — questionou ela ao encará-lo com uma expressão um pouco mais intimidante.
— É que... — Ele hesitava ao falar. Sua expressão deixava claro o quão em dúvida ele estava, mas Sakura mantinha-se calma enquanto o aguardava estar preparado para falar.
— Você quer me falar alguma coisa? — continuou ela.
— É que eu... Eu queria muito te dizer...
— Não tenha pressa ou medo, Naruto. Fale quando se sentir pronto para falar.
— É que eu não aguento mais esperar por isso. Eu esperei muito para te falar o que eu sinto.
E ao dizer isso, Naruto criou coragem e ergueu os braços para segurar Sakura pelos ombros, enquanto respirava fundo para se manter firme. Ele parecia controlar suas emoções para se manter calmo, mas ao contrário dele, o gesto inesperado do rapaz fez com que Sakura paralisasse e o rubor se espalhou pelo seu rosto, enquanto ela olhava para ele com o olhar arregalado.
— Sakura, você se lembra quando me perguntou como eu fiz para aguentar o treinamento do Sábio Tara... Do Jiraya-Sensei?
Embora estivesse sem reação, ela conseguiu acenar a cabeça em concordância.
— Eu disse a você que foi a promessa que eu te fiz que me manteve de pé para continuar em frente, mas não foi só isso. Era algo mais.
— Co-como assim, Naruto?
— Sakura, durante todo esse tempo, tudo o que me fez aguentar a pressão do treinamento, a saudade de casa e dos amigos foi... Foi você. Eu... Eu sempre gostei de você, Sakura, mas você nunca notou isso ou sequer me deu moral.
— Na-Naruto, eu...
— Tudo o que eu queria era ficar mais forte para trazer o Sasuke de volta porque... Porque... Porque mesmo sabendo que você não gostava de mim, se ter o Sasuke aqui de volta fosse te deixar feliz, mesmo que isso me deixasse triste, eu iria me alegrar por saber que você ficaria feliz...
Sakura permanecia paralisada e sem reação enquanto Naruto falava.
— Mas acontece que, mesmo depois de todo esse tempo, eu não consegui te esquecer Sakura, eu continuei gostando de você com todo o meu coração e, depois de tudo o que aconteceu... Quando ele foi embora, eu até achei que eu poderia ter uma chance com você, mas você ficou tão deprimida que eu só queria te ver feliz outra vez...
— Na-Naruto, eu...
— Só que não dá mais para segurar, Sakura. Eu gosto demais de você. E eu preciso saber, Sakura, se você gosta de mim, nem que seja só um pouco, porque se você disser que sim, se admitir que eu tenho uma chance mesmo que pequena de te merecer, eu quero lutar por você, Sakura, porque eu te amo.
A vermelhidão no rosto dela se tornou ainda mais evidente, mas Sakura permaneceu calada, e sua atitude quieta apenas fez com que Naruto começasse a se sentir desconfortável outra vez.
— Você não vai falar nada?
— Naruto, eu... Eu não sei o que dizer.
— Por favor, Sakura, só me diz: você gosta de mim? Nem que seja um pouco.
— Eu... Eu gosto de você, Naruto, só que...
— Só que?
— Gostar de você, como você gosta de mim, eu não sei... Eu...
E então, num súbito ataque de coragem, Naruto puxou Sakura pelos ombros para perto de si e foi se inclinando para aproximar seus rostos. Seus lábios foram chegando cada vez mais perto da boca de Sakura, e isso a deixou completamente assustada e surpresa, pois ela percebeu a intenção dele. Ele queria roubar um beijo seu. No entanto, quando os lábios de Naruto quase a tocaram, os olhos de Sakura estremeceram e sua mente vagou rapidamente para suas memórias mais profundas.
Sakura retornou àquela triste lembrança de quando Sasuke havia deixado a Aldeia. Os dois já haviam discutido e ele deixava claro que a deserção seria a sua escolha final.
— Não faça isso, Sasuke! Não vá por esse caminho. Eu te imploro! Você não precisa mais ficar sozinho. Você me disse uma vez que a solidão pode ser dolorosa. Agora eu consigo entender essa dor. Eu tenho amigos, família, mas... Se você me deixar, Sasuke, para mim, será o mesmo que estar sozinha.
— Esse é um novo começo para todos nós. Cada um de nós tem um novo caminho para seguir.
— Sasuke, eu te amo! Eu te amo tanto que não consigo nem suportar. Se você ficar comigo, eu prometo que não vai se arrepender disso. Eu posso fazer você feliz. Eu posso fazer os seus dias valerem a pena. Se você ficar comigo, eu até te ajudo com a sua vingança. Eu farei tudo o que for possível para que ela aconteça, mas, por favor, Sasuke... Por favor, fique comigo!
— Você não mudou nada. Continua a mesma garota irritante de sempre — respondeu ele ao se virar para ela com um sorriso cínico, antes de voltar a andar rumo a saída da Aldeia.
— Sasuke, não me deixe! Se você for embora, eu vou gritar!
E, rapidamente, Sasuke se moveu com tamanha velocidade e se colocou atrás dela, a surpreendendo.
— Sakura... Obrigado por tudo!
E a atingindo com um soco, ele a fez desmaiar em seus braços enquanto ela tombava e perdia a consciência.
“Sasuke!”, o último pensamento de Sakura antes de perder a consciência.
E agora, de volta ao presente, com os lábios de Naruto já se aproximando dos seus, Sakura se deixou levar pelas emoções que a revisita a sua memória lhe trouxe e, de forma inconsciente, empurrou Naruto com todas as suas forças, o afastando um pouco de perto dela, um gesto inesperado que acabou por pegá-lo desprevenido e o deixando perplexo.
— Sakura, o que foi?
— Eu não posso fazer isso. Me desculpa, Naruto.
— Eu entendo — respondeu ele, a tristeza finalmente o domando. — Você ainda gosta dele, não é?
— Não, não é isso. Eu... — Tentou ela se defender.
— Tá tudo bem, Sakura — disse ele se afastando alguns passos. — Você nunca vai gostar de mim como gostou dele.
— Naruto, eu não quis dizer...
Naruto deu mais um passo para trás.
— Não precisa dizer mais nada. As coisas sempre estiveram claras. Eu é que não quis enxergar. — Enquanto falava, Naruto soluçava ao se render ao choro que começou a tomá-lo. — Até mais, Sakura!
Com isso, Naruto se virou e saiu correndo rumo a sua casa, deixando Sakura a sós, que agora, também tomada pela tristeza, se ajoelhou no chão sob a luz do poste da rua, enquanto um choro desenfreado dominou seu rosto.
— Por que eu fiz isso? Por quê? Por que eu sou assim? Por que eu sempre acabo afastando as pessoas desse jeito?
E fazendo o máximo de esforço, Sakura tentou se erguer e se colocou a andar rumo a sua casa.
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