Uma Segunda Chance Para O Amor
4 04. Reencontro
Notas iniciais
O dia estava quente apesar de ainda ser de manhã, mas isso não abalava a rotina dos cidadãos da Aldeia da Folha, que se movimentavam freneticamente de um lado para o outro enquanto cumpriam com suas obrigações do dia. A rua principal do distrito comercial já estava agitada, e atravessando a rua calmamente rumo ao fim estava Sakura, que caminhava a passos lentos, um a um, enquanto acenava e respondia as pessoas que a cumprimentavam durante o seu percurso.
Sakura andava tranquilamente pela rua, um semblante sereno dominava seu rosto, e seus pés tinham um único destino: o grande portão de entrada da Aldeia da Folha. Sakura continuou andando de forma tranquila, mas, então, ela se surpreendeu com o som de uma voz gritando por seu nome.
— Hey, Sakura! — gritou uma voz estridente de um jovem na puberdade.
Ao ouvir o seu nome, Sakura percebeu que o som da voz do jovem vinha de trás dela e se virou calmamente para vê-lo, pois apesar da surpresa momentânea, a voz que ouviu era de alguém já conhecido por ela. Quando os olhos de Sakura captaram a imagem do garoto que gritou por ela, um leve sorriso tomou forma em seus lábios. Isso porque o garoto que a chamou a lembrava vagamente do amigo querido e companheiro de equipe que, em pouco tempo, estaria de volta à Aldeia. Ela levantou as mãos e acenou para o jovem, que corria até ela acompanhado de mais outros dois jovens.
— E aí, pessoal! Konohamaru, Moegi, Udon! — gritou Sakura enquanto acenava em cumprimento para eles, olhando-os com ternura e com uma expressão simpática.
Konohamaru e seus amigos eram todos garotos de trezes, genins recém-formados e membros de uma equipe liderada por Ebisu-sensei. Eufóricos como estavam, não demoraram muito em alcançar Sakura, que permaneceu parada em seu lugar, aguardando pelos garotos com paciência.
— Para onde você está indo? — perguntou Konohamaru, eufórico e curioso.
— Estou indo até o Portão da Aldeia, para buscar os relatórios de vistoria da entrada da Aldeia para a Hokage.
— Isso parece ser bem chato — comentou Moegi ao fazer uma careta.
— Ah, não. Aliás, foi a própria Hokage que me pediu — respondeu a jovem de cabelos rosados.
— Podemos acompanhá-la? — pediu Udon gentilmente.
— Claro. Por que não?
Então, Sakura se pôs a caminhar novamente de volta ao seu objetivo, agora acompanhada dos três recém genins que preencheram sua caminhada com conversas e risadas pelo restante do percurso.
O grande portão de entrada da Aldeia da Folha era uma gigantesca porta de madeira que permanecia sempre aberta e era a única entrada da Aldeia, uma vez que toda a área da vila era protegida por enormes muros erguidos em torno de toda a sua extensão, além de uma extensa parede rochosa que a cobria ao norte, onde os rostos dos Hokage eram esculpidos.
Do lado direito do portão, do lado de dentro da Aldeia, havia uma tenda de madeira montada que era guardada por shinobis da vila, cuja única função era vigiar atentamente a Aldeia, certificando-se da movimentação das pessoas que entravam e saiam dela para garantir que nenhum inimigo entraria de surpresa na Aldeia para provocar outro ataque a população. E dentro da tenda, fazendo a cobertura da manhã, havia dois ninjas de elite realizando a ronda daquele turno.
Um deles, o mais jovem, estava com a cabeça repousando sobre a mão apoiada sobre a mesa, mas o tédio que sentia era tão grande que ao tomar conta dele, o jovem shinobi se debruçou sobre a mesa, se entregando ao sentimento que o dominava. Já o outro ninja ao seu lado, mais velho e mais maduro, apenas esticava a cadeira contra a parede atrás dele, apoiando os pés sobre a mesa enquanto segurava uma prancheta em uma mão, batendo nela com batidas ritmadas com um lápis na outra mão.
— Aí, odeio esse trabalho! — exclamou o ninja mais jovem debruçado sobre a mesa. — Por que temos que vigiar esse portão toda hora?
— Temos que identificar a movimentação que ocorre na Aldeia. Não queremos outro ataque — respondeu o mais velho, com paciência no olhar e na voz.
De repente, algo captou a atenção do ninja mais velho, o que o fez se levantar de sua cadeira em uma reação de surpresa. O mais jovem, ao notar a atitude estranha do colega, acompanhou o seu olhar e pôde ver ao longe, atravessando o grande portão, a silhueta de duas pessoas que começavam a adentrar na Aldeia da Folha. Mesmo a uma certa distância, eles não tinham dúvidas: aquelas duas pessoas eram figuras conhecidas e eles não puderam conter a reação de espanto e alívio quando constataram a identidade das duas figuras misteriosas que cruzaram seus olhares.
— Aqueles são...?! — perguntou o mais novo.
— Com certeza. — Confirmou o mais velho com um aceno de cabeça.
Ainda acompanhada de Konohamaru e seus amigos, Sakura continuava sua caminhada até o portão principal, mas desta vez, já estava próxima dos limites finais da Aldeia, se aproximando da grande rua de entrada. Enquanto caminhava, ela ouvia os três genins relatarem suas últimas missões que haviam realizado, se queixando das frustrações de terem que fazer tarefas simples ao invés de realizarem grandes feitos.
— Então, quer dizer que vocês também tiveram um trabalhão para pegar aquele gato? — comentou Sakura, que segurava uma imensa vontade de rir das queixas dos pequenos ninjas.
— Ah, fala sério. Aquilo nem se pode chamar de missão — rebateu Konohamaru, demonstrando sua insatisfação pelo semblante revoltado em seu rosto.
— Pelo menos pagam a gente para isso — respondeu Udon, ajeitando os óculos no rosto.
— É. Eu penso que nenhuma missão é atoa se a gente ganhar algo em troca — comentou Moegi logo em seguida.
— Mas pegar um gato não nos torna mais fortes — continuou Konohamaru com suas queixas.
— Eu também já tive que ir atrás do gato uma vez com o Naruto e o Sasuke — disse Sakura rapidamente, chamando a atenção de todos.
— Sério? — questionou Konohamaru. — O que aconteceu?
— Naruto pulou em cima do gato e se arranhou todo — respondeu a jovem de cabelos rosados, mas desta vez ela não pôde conter as risadas ao se lembrar do dia ao qual se referia. — Foi muito hilário! — A alegria de Sakura ao relembrar as memórias acabou contagiando os três genins.
— Parece mesmo coisa do chefe — riu Konohamaru ao constatar os pensamentos de Sakura.
Após mais alguns minutos de caminhadas e conversas, Sakura e os meninos haviam finalmente chegado ao grande portão de entrada da Aldeia da Folha e já foram direto à tenda de vigia de madeira. Dentro dela, os dois ninjas que faziam a guarda da manhã já estavam preparando a papelada do relatório quando notaram a presença da garota de cabelos rosados se aproximando na companhia dos três pequenos ninjas.
— Ei, Sakura! Veio pegar os relatórios? — perguntou o mais jovem dos ninjas na tenda.
— Sim. A Senhora Tsunade mandou — respondeu ela.
— Temos uma novidade para você — falou o ninja mais velho.
— Qual? — questionou Sakura em dúvida.
— Acabaram de chegar à Aldeia duas pessoas — respondeu o shinobi mais novo. — Advinha quem?
— Aí, eu detesto esses joguinhos de adivinhação — comentou Konohamaru, exasperado.
Então, como se uma voz sussurrasse para ela, Sakura levantou as mãos e as repousou sobre os seios no rumo do coração, como se quisesse segurá-lo. Um pequeno aperto tomou seu coração, uma sensação estranha, mas, ao mesmo tempo, uma coisa boa. Enquanto apertava as mãos junto ao peito, Sakura se virou na direção da Aldeia e a encarou com um semblante espantado. Por mais que não havia sido dito explicitamente, ela sabia perfeitamente sobre quem os dois ninjas se referiam.
— Só pode ser... É. É ele — sussurrou ela para si mesma.
E num ímpeto inexplicável, Sakura saiu correndo em direção ao interior da Aldeia, o que espantou a todos os presentes que estavam próximas a ela.
— Sakura, aonde você vai? — gritou Konohamaru, mas Sakura já havia se distanciado o bastante para não o ouvir chamar por ela e, então, ele e seus parceiros genins correram atrás dela.
A euforia que sentia a impulsionava a correr mesmo chegando ao limite do corpo. Sakura corria o mais rápido que podia pelas ruas agitadas da Aldeia, gritando para que as pessoas saíssem do seu caminho, o que provocava a fúria de alguns e o espanto de outros, enquanto ainda era seguida por Konohamaru, Udon e Moegi, que se esforçavam ao máximo para acompanhar o ritmo e velocidade dela.
Contudo, ao longe, Sakura pode reconhecer a silhueta de Jiraya, outro dos lendários Sanin e que fora parceiro de sua mestra no passado. Assim que Sakura alcançou Jiraya, ela reduziu os passos e parou bruscamente, recuperando o fôlego, gesto esse que foi imitado pelos pequenos ninjas que a seguiam.
Jiraya, um homem alto e forte já no auge dos seus cinquenta anos de idade, havia percebido a presença de Sakura e dos pequenos genins quando eles se aproximaram. Ele se virou para eles, estranhando inicialmente a postura e atitude dos quatro, contudo, assim que seus olhos se concentraram na imagem de Sakura, ele conseguiu reconhecer a jovem de imediato.
— Hey, você não é a... Sakura? — perguntou o lendário Sanin.
— Mestre Jiraya! — cumprimentou ela.
— Pode me chamar só de Jiraya.
— E onde está o Naruto? — perguntou ela eufórica.
E com um largo sorriso se formando em seus lábios, Jiraya encarou Sakura com uma feição alegre, enquanto se virava para um poste, erguendo a cabeça para o alto enquanto olhava para o topo dele e ainda apontava com o dedo. Sakura entendeu o gesto dele e acompanhou a direção do seu olhar, virando o rosto para o alto do poste e, com uma enorme satisfação tomando conta dela, ela se alegrou ao ver que no alto dele estava seu tão querido amigo, que admirava as imagens nos paredões rochosos ao norte da Aldeia.
Naruto Uzumaki já estava com seus dezesseis anos, seu cabelo loiro estava um pouco maior do que era de costume, mas seus olhos azuis ainda emanavam a mesma aura alegre e simpática que era característica dele desde que era um simples genin de treze anos. A única diferença agora era que ele havia crescido um pouco e seu corpo já estava mais definido e avolumado. Além disso, suas vestes negras que trajava naquele instante já estavam velhas e gastas. Naruto estava no alto do poste e encarava os rostos esculpidos nas rochas dos Hokage, pensativo, mas o seu sorriso habitual e sua feição alegre que exibia ainda eram os mesmos trejeitos de sempre, como Sakura se lembrava.
— Hey, Naruto! — gritou Sakura, colocando as mãos entre a boca para amplificar o volume da voz.
Ao ouvir o grito de Sakura, Naruto olhou para baixo e se alegrou ainda mais ao notar que era sua antiga companheira chamando por ele.
— Hey, Sakura! Há quanto tempo? — respondeu ele ao encará-la com um grande sorriso.
Com um salto ágil e rápido, Naruto pulou do poste e pouso bem em frente à Sakura, tão perto que os rostos deles ficaram próximos o suficiente para que seus lábios quase se tocassem em um beijo. Ao perceber a presença de Naruto tão perto de si, Sakura não conseguiu evitar a expressão envergonhada que a tomou. Apesar de ter sido rápido, ela não deixou de notar as mudanças físicas que Naruto sofreu com o tempo, ganhando um corpo mais maduro, e por mais que não conseguisse processar, ela não podia negar que ele estava mais bonito e atraente do que quando era mais novo.
Naruto também não escapou da vergonha momentânea que sentiu quando percebeu o que havia feito. A vermelhidão em seu rosto era mais evidente que em Sakura. Além do constrangimento que sentia por ter quase a beijado, Naruto também não pôde negar a atração que sentiu ao notar, também, as mudanças físicas em Sakura que o tempo havia provocado. Ela estava mais madura, mais bonita e atraente do que já fora antes, e ele não conseguia esconder isso devido ao rubor claro em sua face. Envergonhado com tudo isso, Naruto se afastou de Sakura rapidamente, buscando se recompor da vergonha que sentia.
— Desculpe! — disse ele sem jeito, ainda tentando se recompor.
— Não... Não tem problema. — respondeu ela atrapalhada, também afetada pelo constrangimento.
— Hey, Naruto! — gritou Konohamaru, chamando a atenção do rapaz loiro.
Naruto se virou para o pequeno Sarutobi quando ele o chamou, notando sua presença e de seus amigos. Ele se aproximou um pouco perto deles, para vê-los melhor e poder cumprimentá-los.
— Konohamaru, Udon, Moegi! Como é bom ver vocês, pessoal! Como vão?
— Como você cresceu, chefe! — comentou Konohamaru admirado.
— E como está mais... Bonito — disse Moegi timidamente, claramente envergonhada diante do Uzumaki.
— Naruto, fico feliz em te ver de novo — falou Udon. — Nós estávamos com muitas saudades de você.
— Eu também fiquei com saudades de todos vocês.
E em um gesto rápido e inesperado, Naruto pegou Sakura pelo braço, puxando para perto dele e das crianças, fazendo-a ficar bem ao seu lado, colocando o seu braço direito em torno dos ombros dela, em um abraço amigável e caloroso.
— Principalmente de você, Sakura!
— Obrigada, Naruto! — respondeu ela sem graça. — E então, Naruto...
Calmamente, Sakura se afastou do abraço de Naruto um pouco para posar diante dele, colocando a mão esquerda atrás das costas enquanto apoiava o indicador da mão direita sobre o queixo bem próximo aos lábios rosados, enquanto o encarava com uma expressão meiga e serena.
— O que você acha? Acha que eu fiquei mais bonita?
— Tá brincando?! Você continua igualzinha da última vez que eu te vi. Não mudou nada, só parece que cresceu um pouco.
Ao ouvir isso, Sakura não conseguiu evitar o ímpeto de fúria que a tomou e, sem perceber, já havia erguido a mão direita e desferido um tapa bem dado no rosto de Naruto, fazendo o cambalear para trás. O tapa que ela deu foi tão rápido e forte que o som estrondoso que o gesto provocou assustou as três crianças e ao próprio Jiraya.
— Por que você fez isso? — questionou Naruto massageando a bochecha, ainda sentindo a ardência na pele provocada pela mão dela.
— Você ainda pergunta? — respondeu Sakura bravejando, virando o corpo de costas para Naruto, enquanto cruzava os braços junto ao peito.
Após a surpresa momentânea provocada pelo gesto de Sakura, Konohomaru e seus amigos começaram a cair na gargalhada, enquanto Jiraya apenas balançava a cabeça em negação enquanto cruzava os braços também.
— O Naruto ainda é o mesmo — falou Konohamaru aos berros enquanto ria.
— Eles parecem um casal brigando — comentou Moegi.
— Com certeza, são namorados — disse Udon enquanto ajeitava os óculos.
“Esse Naruto... Ainda não entende nada sobre as mulheres.”, pensou Jiraya consigo mesmo.
— Ai, me desculpa, Naruto! — gritou Sakura ao se dar conta do que havia feito.
— Ah, está tudo bem — respondeu ele com um sorriso. — Também estava com saudade dessa sua raiva.
E com essas palavras, Sakura deu uma leve risada enquanto um sorriso preenchia seus lábios. Ela ia se aproximar de Naruto para afanar seu rosto na área que em que o atingiu, contudo, todos se assustaram com uma reação exagerada de Konohamaru, que havia gritado ao se lembrar de algo.
— Hey, Sakura, acabei de me tocar... Você esqueceu de pegar o relatório que deveria ter pegado lá na tenda de vigia.
— Nossa, eu até tinha me esquecido.
— A gente o pega e leva para você — respondeu o garoto. — Nós temos que ir agora. Vamos pessoal! Até mais, Sakura! Tchau, chefe!
— Tchau, Sakura! Tchau, Naruto! — disse Udon.
— Até mais, pessoal! — falou Moegi acenando.
— Tchau, pessoal! — respondeu Naruto acenando de volta para os três.
— Tchau, galera! Nós vemos vocês outra hora. E muito obrigada pela ajuda! — Sakura acenava para eles enquanto falava, mas logo se virou para Jiraya e Naruto. — Mestre Jiraya, Naruto, precisamos ir até a Senhora Tsunade. Ela queria ver vocês assim que chegassem.
— É, eu sei. Também tenho uns assuntos particulares a tratar com ela — falou o lendário Sanin.
— Então, vamos logo! — disse Naruto entusiasmado.
Sentada à mesa, Tsunade cruzava os braços junto ao peito enquanto bufava de raiva ao ver Shizune trazendo uma nova pilha de papéis para ela assinar. Felizmente, para a sua sorte, a pilha de papéis que ela trazia era muito menor do que as pilhas dos papéis já assinados que estavam acumuladas no canto da parede ao lado da sua mesa, devido à falta de espaço e armários na sala da Hokage.
Shizune largou a pilha sobre a mesa e Tsunade encarou a montanha de papel com um ódio mortal, o que acabou por fazer sua discipula cair na gargalhada contra a sua vontade.
— De novo isso?
— É como eu disse, foi a senhora quem deixou tudo isso acumular. Mas não se preocupe, são os últimos.
— Até que enfim! Depois disso, minhas mãos vão precisar de um creme e uma massagem.
— Depois do trabalho, eu mesma cuidarei das suas mãos. Agora, vamos começar o seu trabalho?
— Aí, que saco! Por que eu fui aceitar esse cargo de Hokage? — E com isso, Shizune não se aguentou de rir ao ver a expressão frustrada de sua mestra.
De repente, uma batida na porta foi ouvida e isso chamou a atenção das duas imediatamente, que acabaram por se recompor antes de encarar a porta.
— Pode entrar! — ordenou Tsunade.
E, então, a maçaneta vibrou ao gesto de ser tocada e a porta se abriu, revelando Sakura, que entrava na sala acompanhada de Jiraya e Naruto, dando passagem para que os dois entrassem, enquanto esperava eles passarem para fechar a porta em seguida. Os três caminharam até se aproximarem da mesa de Tsunade e ficaram de pé de frente para ela e Shizune, que se colocou ao lado de sua mestra. Tsunade olhou para Jiraya e Naruto sem esconder a expressão de felicidade que a tomou ao revê-los.
— Jiraya, Naruto, como é bom vê-los de novo! — Ela sorriu para eles. — E vocês não me parecem nada mal.
— E aí, Vovó Tsunade! — cumprimentou Naruto com seu jeito brincalhão de sempre.
— Nós estamos bem sim. Obrigado por perguntar! — respondeu o Sanin.
— Como foi a viagem de volta? Espero que tenha dado tudo certo.
— Não se preocupe, Tsunade. A viagem foi bem tranquila — disse Jiraya.
— E quanto ao resultado do treinamento? Tivemos um ótimo progresso?
— Mas é claro! Está duvidando da minha capacidade de treinar alguém, Tsunade?
— Calma, Jiraya. É só para ter certeza.
— Pode apostar que eu estou muito mais forte do que antes — respondeu Naruto com animação, cerrando o punho a frente do corpo com determinação.
— Eu mal vejo a hora para ter certeza disso. Eu farei com que você lute com alguém para avaliarmos o...
— Hey, calma aí, Tsunade! — repreendeu Jiraya. — Antes disso, deixe o Naruto descansar alguns dias. A viagem até aqui foi longa e bem cansativa.
— Está certo, você tem razão. Desculpe a empolgação. Bem, Sakura?!
— Sim, Senhora Tsunade!
— Amanhã cedo, eu quero que você leve o Naruto ao hospital e o acompanhe durante uma avaliação médica de rotina. Só para termos certeza de que ele está com a saúde em dia.
— Sim, Senhora!
— Eu tenho mesmo que fazer isso? — disse Naruto a contragosto, já sentindo o desgosto de ter que lidar com seringas e injeções.
— Claro, Naruto! É para o seu bem — respondeu a jovem de cabelos rosados.
— Tá legal — bufou o loirinho, cruzando os braços junto ao corpo.
— Muito bem. Já que estamos de acordo, daqui a três dias nós faremos um treinamento com você Naruto. E com você também, Sakura. — Continuou Tsunade.
— Comigo também?
— Claro. Afinal, você também passou esses três anos treinando comigo. Eu preciso ter certeza de que você progrediu também.
— Está bem. — Acenou a jovem em concordância.
— Bem, agora que já acertamos esses detalhes, será que vocês podem me deixar à sós com a Tsunade? — falou Jiraya. — Tenho alguns assuntos particulares para tratar com ela.
— Claro — respondeu Sakura.
— O que você está aprontando, hein, seu Sábio Tarado? — questionou Naruto desconfiado.
— Naruto, mais respeito com o seu Mestre! — Jiraya o repreendeu.
— Ah, qualquer um sabe que quando o assunto é mulher, você não presta — continuou o loiro.
— Naruto! — gritou o Sanin.
— Muito bem, já chega! — ordenou Tsunade. — Sakura, Naruto, Shizune, me deixem à sós com o Jiraya. O assunto que ele tem para tratar comigo é mesmo importante. Hey, Sakura, por que não leva o Naruto para a casa dele?
Ao dizer isso, Tsunade se abaixou para abrir a gaveta do meio à direita da mesa, pegando as chaves da casa de Naruto e as entregando para ele.
— Você tem aquele assunto das roupas para resolver — continuou ela.
— Roupas? — questionou o jovem.
— É verdade, Naruto — respondeu Sakura. — Eu limpei a sua casa esses dias para a sua chegada, e arrumei umas roupas novas para você quando percebi que seu guarda-roupa quase não tinha nada. Eu preciso que você experimente as roupas para eu ver se ficaram boas.
— Puxa, Sakura, você fez isso por mim? — perguntou ele emocionado.
— Claro, é o mínimo que eu podia fazer por você depois de tudo o que já fez por mim.
— Ah, então, vamos logo! Eu estou louco por um banho! — comentou ele animado.
— É mesmo. Você está fedendo um pouco — brincou Sakura, enquanto sacolejava uma mão à frente do rosto como se estivesse abanando para afastar algum fedor, enquanto apontava para as roupas velhas e gastas que o jovem usava.
Jiraya, Tsunade e Shizune caíram na gargalhada quando Naruto, sentindo-se constrangido com a fala de Sakura, passou a cheirar suas axilas e percebeu que elas não estavam tão agradáveis quanto pensava.
— Ah, qual é, vão me zoar por causa disso? Eu não tenho culpa se a viagem até aqui é longa e eu não pude tomar um banho descente.
— Relaxa! Vamos para sua casa. Até mais, Senhora Tsunade! Até, Shizune! Até, Mestre Jiraya! — falou Sakura enquanto acenava para todos.
— Tchau para vocês! Eu tô com muita pressa por um banho para me despedir — disse Naruto apressadamente.
— Até, jovens! Senhora Tsunade, Mestre Jiraya, também vou indo — disse Shizune, se curvando para os Sannins em um gesto de respeito. — Mais tarde eu volto para nós terminarmos com os papéis.
— Até mais, meus caros! — respondeu Tsunade.
— Tchau para vocês, crianças! — falou o Sanin.
Com isso, Sakura, Naruto e Shizune deixaram a sala de Tsunade, fechando a porta assim que passaram para deixar os dois Sanins à sós.
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