Uma Segunda Chance
4 Mudanças E Um Compromisso
Notas iniciais
Ao chegar em casa, Armando foi surpreendido ao encontrar Marcela deitada em sua cama, usando apenas lingerie.
Tomado de irritação e desconforto, ele pegou suas roupas do chão e as jogou para ela, ordenando que se vestisse imediatamente e fosse embora.
Marcela tentou lhe seduzir, mas fazia tempo demais que nem ela e nem mulher alguma lhe causava nenhuma reação. Apenas sua Betty era capaz de lhe despertar com um simples olhar.
— Eu já disse que entre nós não há mais nada, Marcela. Pelo amor de Deus! – Armando bradava, tentando controlar seu temperamento ruim.
— Eu te conheço, Armando Mendoza. Sei do que gosta, sei como lhe agradar. – Ela dizia sedutora, passando as mãos pelo corpo dele.
— Você está enganada, Marcela. Você está muito longe de me conhecer de verdade. – Armando falou. – Você não me provoca nada. E eu me recuso a seguir discutindo contigo. Já disse que está tudo definitivamente terminado e é minha última palavra. Portanto, faça o favor de se retirar da minha casa e não voltar mais.
Marcela se vestiu contrariada e saiu do apartamento de Armando cuspindo insultos e cheia de indignação com o ex noivo.
Armando, assim que ela foi embora, ligou para um chaveiro vinte e quatro horas, para solicitar a mudança da fechadura para que ela não pudesse mais entrar em seu apartamento.
Ele teve ainda o trabalho de descer até a portaria para solicitar que ninguém mais deixasse que Marcela subisse direto ou estacionasse no prédio. Explicou que eles não eram mais noivos e que ele estava, inclusive, mudando a fechadura da porta e que todos os porteiros fossem avisados de que ela não poderia mais entrar sem ser anunciada.
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Ao se deitar Armando ficou pensando no beijo que deu em sua Betty. Ele não foi capaz de resistir e acabou se precipitando. Mas, ela não o rejeitou como sempre fazia ou como ele e só ele recordava de que fazia em outros tempos. Ao contrário, quando ele lhe pediu um outro beijo, ela o beijou. E foi tão maravilhoso e emocionante como sempre foi. Beijá-la sempre seria mágico.
Sentiu tanto a falta de seus lábios durante todo aquele tempo separados. A última vez foi na noite do lançamento, antes dela o entregar na reunião de diretoria e partir para Cartagena.
Pensar em Cartagena, causava angústia em Armando. Foi para lá que ela correu para fugir dele, enquanto ele padecia no inferno, sofrendo com sua ausência. Foi lá que ela conheceu o maldito francês.
No entanto, ele sabia que o lugar havia sido importante para ela e se pegou refletindo sobre algumas possibilidades.
Agora que tinha a oportunidade de escrever uma nova história ao lado dela, ele poderia perfeitamente levá-la para conhecer Cartagena, a fim de que pudessem compartilhar de novas e bonitas recordações. Sorriu com o pensamento de que dessa vez seria ele a acompanhá-la a passeios românticos pela cidade e caminhar de mãos dadas pela praia.
Armando terminou adormecendo, ainda com a sensação prazerosa do gosto doce dos lábios de Beatriz.
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No dia seguinte, acordou animado, tomou um banho, colocou o perfume e colônia que sabia que Betty sempre gostou e vestiu um terno.
Antes de ir até a casa dela, passou em uma mercearia chique e comprou o mais nobre whisky para seu Hermes e uma cesta cheia de doces, além do mais nobre café colombiano para que dona Júlia pudesse fazer quando quisesse.
Ao chegar a casa, às oito horas em ponto, Betty correu até a porta.
Seu Hermes e Dona Júlia foram recebê-lo felizes, então Armando deu o whisky, a cesta e o café.
Os pais de Betty estavam encantados com aquele homem tão amável e Betty suspirava por ele, que lhe deu um grande sorriso e um beijo na testa ao cumprimentá-la.
Nicolas, como sempre, já estava à mesa aguardando o café da manhã.
Armando estava se sentindo bem acolhido e feliz passando aqueles momentos íntimos com aquela família.
Durante o café da manhã, seu Hermes falava sobre comprar um carro novo, pois o antigo havia morrido de vez e Armando, lembrando do “carro novo” que ele havia adquirido, resolveu oferecer de levá-lo para comprarem um modelo novo.
Seu Hermes não queria aceitar, por vergonha, mas Armando insistira tanto, que acabou concordando.
Combinaram que após o almoço iriam ao centro rapidamente para resolver essa questão do carro e Armando anunciou que aproveitaria a ida deles ao centro e compraria um celular para Beatriz, pois precisava estar sempre em contato com seu braço direito.
Betty tentou recusar e argumentar que não precisava. Custou a ceder, até que Armando lhe garantiu que fazia parte dos benefícios do cargo.
Terminaram saindo os cinco, após o almoço.
Armando ajudou Seu Hermes na compra de um bom carro popular novo. Depois, foram até uma loja e ele comprou um celular tanto para Betty quanto para Nicolas.
Ele havia decidido oferecer a Nicolas um emprego com exportação internacional e franquias. Precisaria do melhor time com ele.
Já havia resolvido que se a diretoria aceitasse seu novo projeto e confiasse a presidência a ele novamente, mesmo apresentando nova proposta, nomearia Betty a Vice-presidente Financeira e Nicolas como gerente de franquias e exportação.
Acabaram retornando para casa dos Pinzón e trabalhando até tarde na proposta.
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Novamente Armando foi convidado a jantar e assim seguiu durante a semana toda. Ele chegava cedo, tomava café da manhã, almoçava e jantava lá.
Não havia mais beijado Beatriz e sentia com todas as fibras de seu corpo a necessidade de fazê-lo, mas, tinha que agir com cautela. Queria lhe demonstrar seu afeto. Dessa forma, ele se limitava a lançar a ela olhares apaixonados durante o dia e a segurar suas mãos e lhe acariciar o rosto, quando ela o levava até o seu carro, antes que ele fosse embora.
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Na sexta-feira, após terminarem finalmente o plano, lá pelas onze da manhã, ele decidiu dar uma passada na Ecomoda e levou Beatriz, com a desculpa de que precisava que ela assinasse o contrato de trabalho e resolvessem coisas da empresa também.
Ele já havia sido avisado pela arquiteta que eles conseguiram, trabalhando dia e noite, finalizar tudo na noite anterior e que a sala já estava pronta.
Armando havia pedido para que providenciasse flores para adornar a sala. Pediu margaridas, pois achava que combinavam com sua Betty. Lindas, simples, delicadas e puras.
Quando chegaram a empresa, Armando entrou na presidência e constatou que a mudança da sala já havia sido concluída e foi até a salinha de Betty.
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Estava encantadora a sala. Realmente digna de uma princesa e havia uma janela grande, que ocupava quase que metade da parede. Tinha uma linda persiana branca com vasos de plantas adornando.
Na escrivaninha branca, havia um vaso de flores com as margaridas que ele havia pedido.
Betty entrou na sala, pedindo licença, e ficou encantada com o lugar. Na verdade, a salinha era pequena, mas aconchegante, bem iluminada e muito bonita. Muito bem decorada e o computador era moderno. Havia até um pequeno sofá branco no estilo vintage no canto da parede e uma estante embutida cheia de livros e espaço para ela arquivar documentos.
Quando olhou para a mesa, viu as margaridas e ficou sem palavras, pois eram suas flores preferidas.
Armando se deliciava com a expressão de felicidade de Beatriz.
— Betty, eu espero que você goste e que seja muito feliz aqui. – Disse cheio de ternura. – Espero que goste das margaridas também, eu escolhi e pedi que colocassem como presente de boas vindas.
Betty tomada pela emoção e felicidade o abraçou muito emocionada.
— Oh, Armando! São tão lindas! Na verdade, são minhas flores favoritas e a sala... Meu Deus, nem tenho palavras... É tudo tão perfeito! – Ela disse o olhando com amor, enquanto ainda mantinham o abraço.
Beatriz fez menção de se afastar dele, mas ele a agarrou e a abraçou mais forte, a colando ainda mais ao seu corpo.
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Nesse momento, Mário Calderón adentrou a presidência e encontrou o amigo abraçado a feia moça.
Eles se afastaram e Armando os apresentou e disse a Mário que havia passado a semana fora para que as mudanças na presidência e na sala de Betty fossem concluídas e que haviam trabalhado em uma nova proposta, pois a outra era impossível de cumprir.
Os três passaram a presidência e começaram a discutir a nova proposta e inteirar Mário sobre tudo que foi mudado e acrescentado, como as franquias e a proposta de atingir mais mulheres, com assessores nos pontos de venda.
Mário ficou admirado com tudo e teve certeza que essa nova proposta iria agradar até mesmo Roberto.
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Após a reunião com Calderón, Armando convidou Beatriz para irem almoçar juntos.
Ele a levou a uma cantina italiana muito bonita e com ótima comida. Sabia que era um lugar agradável, embora mais simples, com um clima aconchegante e até um pouco romântico, e lá seria mais difícil de serem abordados por alguém inconveniente.
Betty apreciava tudo e Armando tomava nota mental de tudo que ela dizia gostar.
Durante o almoço uma ex amante de Armando apareceu e o abordou, deixando Beatriz muito constrangida. A modelo a tratou mal, por ser feia e chegou a tirar sarro, deixando Armando enfurecido.
Armando despachou a modelo, dizendo que Betty era linda e acabou, sem querer, dizendo que ela era sua namorada e que a amava.
Betty estava em choque com o que Armando havia dito e em como ele a defendeu.
Armando foi até Betty, e ajoelhou-se ao lado dela e lhe pediu perdão pelo ocorrido. Ele, então, garantiu que tudo o que disse a modelo era verdade.
Betty duvidou, pois ela sabia que era feia, além disso, não podia acontecer nada entre eles. Seria um escândalo.
— Armando, você não pode estar falando sério. Eu não tenho nada a lhe oferecer... Sou de família humilde, não tenho classe ou elegância, além de tudo não sou nada parecida com as belas mulheres que o cercam. Sou feia. – Ela dizia com tristeza, abaixando a cabeça.
— Beatriz, eu estou perdidamente apaixonado por você. Por favor, acredite em mim. Eu a amo e gostaria muito que fosse minha namorada. – Afirmou, enquanto segurava seu rosto com carinho.
— Armando, você não está pensando direito. Seria um escândalo se me apresentasse como sua namorada. Você é um homem lindo e refinado... Tem berço. Eu sou uma pobre moça muito feia. – Disse com pesar.
Armando pegou seu rosto com as mãos e lhe beijou, chocando algumas pessoas que o reconheceram e prestavam atenção naquele casal tão peculiar.
Terminou se afastando dela e dizendo:
— Beatriz, pelo mais sagrado, aceite ser minha namorada. Estou desesperado de amor por você. – Vendo seu olhar em dúvida, acrescentou. – E acredite quando digo que você é bela. Sei do que falo. Se permitir, eu posso te mostrar, te provar que é belíssima.
Betty não conseguia mais raciocinar, apenas acenou para ele, o abraçando forte em seguida.
Armando ficou tão incrivelmente feliz como jamais esteve em toda sua vida. Finalmente ela seria sua.
Pagou a conta e ligou para a Ecomoda avisando que não voltaria mais naquele dia.
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Ele levou Beatriz no melhor salão da cidade e lá insistiu para que Beatriz confiasse nele e o deixasse provar que ela era muito bonita.
Betty, sem conseguir lhe negar nada, se deixou guiar por ele e confiou.
Armando conversou com o dono do salão e pediu um corte simples, apenas as pontas, uma hidratação, escova e um penteado simples e bonito, sem franja. Também pediu uma depilação facial e uma maquiagem leve para ela.
Ele, inclusive, foi conversar pessoalmente com o maquiador, e explicou que queria algo leve para ela e que fosse fácil para que ele a ensinasse a fazer sozinha em casa.
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Enquanto deixou Betty nas mãos dos profissionais do salão, pegou os óculos dela e foi até uma ótica, pedindo que fizessem novos óculos para ela com nova armação. Escolheu uma delicada e discreta, mais moderna, parecida com a que ele se lembrava que ela usava depois que retornou para a Ecomoda.
Enquanto aguardava que os óculos ficassem prontos, ligou para um consultório de dentista e marcou uma consulta para daqui a duas horas. E, assim que os novos óculos ficaram prontos, Armando pagou por eles e foi para o salão esperar por Betty.
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Quando chegou lá, o dono disse que ele cairia para trás com a surpresa e que ela estava quase pronta, apenas finalizando a maquiagem.
Armando pagou logo pelos serviços, enquanto aguardava. Entregou os óculos para o dono do salão e pediu que entregasse a ela, para que os colocasse.
Quando Betty saiu, ele ficou deslumbrado, mas não surpreso, já sabia que ela era maravilhosa.
Estava belíssima com os cabelos escovados e meio presos e uma maquiagem leve que realçava seus olhos e boca, além dos óculos que agora lhe valorizavam o rosto.
O belo rosto e penteado simples e elegante contrastavam com as roupas largas demais e fora de moda.
Armando a beijou e era só elogios a bela mulher que ele tinha certeza que ela era.
Betty estava que não podia crer que ela, afinal, era mesmo bonita, como insistiu tanto Armando. Se via bela pela primeira vez na vida e não podia acreditar que fosse verdade.
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Armando a tomou pelas mãos e a levou até o consultório dentário. Chegando lá, o dentista, especialista em sorrisos, avaliou que o aparelho já não era mais necessário e retirou, fazendo também uma limpeza e aplicação de flúor.
Armando ficou besta quando viu o lindo sorriso de Beatriz. Embora nunca a tivesse visto sem o aparelho, imaginava ser ainda mais bonita sem eles e estava certo afinal.
Por fim, convenceu Betty que a única coisa que faltava era comprar roupas novas, sapatos, acessórios e maquiagem, para que pudesse se arrumar em casa.
Ela estava constrangida por ele estar gastando tanto com ela, mas Armando com muita insistência, a convenceu que para ele era uma satisfação fazer aquilo pela mulher que ama e que para ele aquelas coisas não eram nada. Ela acabou cedendo frente as palavras doces e sinceras daquele homem que amou desde o primeiro instante.
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Foram então a uma butique, que Armando sabia ter coisas muito bonitas para uma moça jovem como Beatriz, bem como sapatos e acessórios.
Chegando lá, deu instruções para que ela fosse tratada com uma princesa e que a orientassem para experimentar e escolher peças bonitas, modernas e elegantes para uma jovem executiva.
A deixou sob os cuidados de uma personal shopper e foi até uma loja de cosméticos refinados. Lá, pediu ajuda e montou uma pequena maleta de maquiagem, com itens básicos para o dia a dia, além de ter lhe comprado um perfume cuja fragrância ele julgou combinar com Beatriz e o agradou muitíssimo.
Depois das compras, foi até a butique verificar como iam as coisas por lá e para pagar pelas peças.
Chegando na loja a vendedora lhe disse que ela havia separado alguns vestidos que ficaram absolutamente perfeitos nela, bem como conjuntos de roupas para trabalho, calças, saias, cardigãs, blusas, e alguns pares de sapatos. Além disso tudo, havia separado peças íntimas e camisolas.
Ele viu as peças e a achou todas lindas e perguntou se o caimento havia ficado bom e recebeu a garantia de que haviam ficado perfeitas nela.
Armando pediu para que separassem tudo, inclusive peças íntimas e camisolas para levarem.
Perguntou sobre acessórios como bolsas, carteiras e bijuterias e a vendedora informou que havia separado várias opções que ela achava que combinavam com Betty e as peças escolhidas. Armando viu tudo e concordou com as escolhas e mandou que também embrulhassem com o resto das roupas.
Enquanto aguardava Beatriz, que experimentava mais um vestido que a vendedora havia visto e achado a cara dela, Armando via a loja e se encantou com um conjunto de saia preta e blusa branca de algodão de manga comprida, com botões.
Pediu que a vendedora levasse o conjunto para que Betty experimentasse e saísse para mostrá-lo.
Assim que Betty saiu para mostrar a ele, ficou fascinado. O conjunto havia ficado perfeito nela. Era bonito, elegante, discreto e simples. Estava absolutamente encantadora e de tirar o fôlego.
Disse que levariam e que queria que ela já saísse da loja usando o conjunto e os sapatos que havia posto. Ele entregou um conjunto de brincos, colar e relógio, que a vendedora havia separado, para que ela colocasse.
Armando pagou por tudo e a vendedora guardou as peças antigas de Beatriz e lhe deu, assim como várias sacolas com roupas e mais roupas, além dos sapatos, bolsas e acessórios. Foi preciso duas funcionárias para ajudá-los a levar todas as sacolas para o carro.
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No caminho, Armando admirava sua Betty ao seu lado e ela não parava de se olhar no retrovisor, o que fazia Armando sorrir. Estava emocionado e feliz por poder viver isso ao lado dela.
Já passava das sete e meia da noite e ele dirigia para a casa dela. Ele interrompeu o silêncio colocando uma música para tocar e falando.
— Beatriz, meu amor, eu gostaria de pedir formalmente ao seu pai autorização para namorá-la. Tudo bem? – Perguntou ansioso pela resposta.
Betty lhe deu um lindo e grande sorriso e acenou a cabeça positivamente.
Armando devolveu o sorriso e já pensava em como contaria aos pais dela e como falaria com o Seu Hermes.
Sabia que tinha que dizer as palavras certas para amaciá-lo e convencê-lo. Mas, desde que o velho senhor havia praticamente sugerido que faria gosto na relação, ele estava mais tranquilo com relação a esse momento. Só tinha que pensar nas palavras certas para tocar seu coração e já pensava e ensaiava mentalmente o discurso.
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Quando pararam em frente a casa, Armando esperou um pouco, antes de sair do carro e disse a Betty:
— Betty, antes de entrarmos, eu tenho algo para você.
Ele tirou um chaveiro, com a letra A gravada e o entregou a ela que olhou curiosa para o objeto delicado e refinado.
— Mas e a chave é de onde, Armando? – Estava sorrindo e parecia curiosa.
— Bom, meu amor, é a chave da minha casa. Quero que a tenha e possa ir até lá quando desejar.
Betty pegou o objeto e o guardou na bolsa. Deu um beijo curto e doce nos lábios de Armando, agradecendo o gesto.
Assim, transbordando de felicidade, eles saíram do carro e pegaram as sacolas. Armando ia pegando as demais sacolas e ia colocando todas ao lado da porta de entrada da casa de Betty, para facilitar.
Entraram e os pais e Nicolas ficaram espantados com novo visual de Betty. Na verdade, custava muito acreditar que aquela fosse a Betty que eles conheciam.
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Após o susto inicial de todos e passarem pelo interrogatório do pai de Beatriz, Armando foi ajudar Nicolas e seu Hermes a levarem as sacolas para cima, no quarto de Betty.
Armando aproveitou para observar rapidamente o quarto de Beatriz e sentiu ternura ao ver sua cama, com o boneco em cima. Parecia o quarto de uma menina. Então, sorrindo, saiu e desceu até a sala.
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Quando sentaram, antes do jantar, Armando se pôs de pé e pediu a atenção de todos e se dirigiu a Seu Hermes confessando seus sentimentos por Beatriz e pedindo sua permissão para namorar sua filha.
— Bem, seu Hermes, o senhor me disse outro dia que o homem que ficasse com sua filha, seria muito sortudo e eu concordo com o senhor e quero essa sorte e honra para mim. Com a sua permissão e a de Dona Júlia, gostaria de namorar a Beatriz, como mandam os bons costumes. – Acrescentou a frase que achava que agradaria o futuro sogro. – Gostaria que o senhor me aceitasse em sua casa e que aceitasse que nós dois nos amamos e queremos ter uma relação séria.
Seu Hermes fez um discurso sobre a moral e os bons costumes dos Pinzón e Armando concordou com tudo. Queria agradar o sogro de todo o jeito e conseguiu.
Seu Hermes estava tão encantado por Armando que nem precisou de muito para concordar. Fazia gosto que a filha se acertasse com um homem direito, de boa família e trabalhador. Além de tudo, era um bom homem, gentil com eles e com a sua filha.
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Armando acabou ficando até tarde, conversando com Seu Hermes, Nicolas, Dona Júlia e Beatriz, enquanto tomava um pouco de whisky com o sogro e dava as mãos a sua Betty, que sentava ao seu lado.
Recebeu o convite para acompanhá-los a igreja no domingo e depois a casa das tias Pinzón. Aceitou feliz o convite e solicitou permissão a Seu Hermes para visitar Betty no sábado e para levá-la ao cinema.
Seu Hermes aceitou, pois Armando sempre se portara muito bem com eles e com sua filha.
Armando se despediu de Betty perto de seu carro com um beijo doce e combinou que passaria para buscá-la às cinco da tarde e, depois do filme, a levaria para jantar e ouvir um pouco de jazz no Lenoir.
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