Notas iniciais
Esse saiu rápido. Eu já estava com metade dele pronta, só precisava finalizar. Espero que gostem. Já dá para notar a diferença entre a história e o livro. Bjs...

"...O aperto no meu peito aumento e um pressentimento ruim se apoderou de mim. O que será que me aguarda na Forks High School?"

– Será que é agora que entramos na história? – Alice perguntou.

– Será mesmo que nós estudamos lá Alice? – indaguei confuso.

– Bom se esses diários são destinados a nós, imagino que sim. Acho que estudamos lá! – respondeu com entusiasmo.

– Agora isso começa a fazer sentido! – afirmou Emmett.

– Anda logo Alice, continua lendo – Rosalie disse impaciente. Alice rolou os olhos em resposta, mas continuou.

Charlie saiu primeiro para a delegacia, que era sua esposa e sua família. Depois que ele partiu, fiquei sentada à nova mesa quadrada de carvalho, era maior do que a outra, um pouco de exagero, já que moraríamos apenas nós dois, era uma cozinha simples, mas bastante moderna onde o mogno e o preto predominavam. Muito diferente de antes. Acima da pequena lareira na minúscula sala adjacente, havia uma fileira de fotos. Isso me surpreendeu.

– O que tem de surpreendente em encontrar fotos em casa? – disse Rosalie rudemente – isso é normal para os humanos, registrar o avançar do tempo, sempre mudando... – por mais que tentasse não demonstrar, no final da frase notou-se a tristeza que sentia, sempre foi mais difícil para ela a parte da mudança. Ficar parada no tempo nunca foi o sonho de Rose.

Primeiro, uma foto do casamento de Charlie e minha mãe em Las Vegas. Claro, como eu não lembrava onde eles tinham se casado? Pelo menos, se eu fosse uma rebelde sem causa e resolvesse fazer o mesmo Charlie e minha mãe não teriam moral alguma para me dar sermões. Como se você fosse querer fugir e casar em Las Vegas algum dia, provavelmente pelo Elvis. Zombou minha voz interior.

Rimos com o pensamento. As brigas internas entre a garota e ela mesma estavam começando a ficar cada vez mais engraçadas. Mas, eu não consegui sorrir dessa vez. A ideia por mais que fosse apenas um pensamento superficial da garota se casando, me deu um nó no estômago. Não entendi bem o porquê dessa reação. Jasper levantou a sobrancelha para mim. Parece que não fui o único a ser surpreendido. Apenas dei de ombros para ele sinalizando que também não fazia ideia porque isso me incomodou.

Depois, uma de nós três no hospital em que nasci, tirada por uma enfermeira prestativa, seguida pela procissão das minhas fotos de escola até o ano passado. Eu não tinha ideia como ele tinha essas fotos, mas não foi difícil imaginar — Renné — claro. Minha mãe nunca comentou comigo que mandava fotos constantes para Charlie, tinha foto desde meus primeiros passos, eu vestia um macacão laranja com blusa branca por dentro e um boné de lado laranja eu estava esticando os braços tentando alcançar alguma coisa, pelo meu sorriso eu estava conseguindo. A segunda eu estava com um sorriso de poucos dentes e usando um biquíni vermelho de bolinhas brancas e nas mãos eu segurava um conjunto de balde e pá, desde sempre eu amei praia, o meu sorriso não deixava margem a dúvidas. A outra eu tinha por volta de 4 anos usando uniforme indo para meu primeiro dia de aula, eu imaginei ser o primeiro dia apenas por meu rosto, sempre foi muito fácil saber as minhas emoções pelo meu rosto e olhos, eles sempre me entregavam, eu podia ver pelo meu breve sorriso um pouco de apreensão. Outra foto, com 6 anos na minha primeira visita a Charlie, pelas minhas bochechas, demonstravam o quanto eu estava tímida e constrangida, elas estavam bastante vermelhas. A próxima, por volta dos 12 anos, eu estava sentada em um belo piano preto de cauda, com os olhos fechados e um sorriso nos lábios, a foto me fez ofegar, senti um aperto no peito e tive que suprimir as lágrimas de caírem. A saudade fez meu coração parar uma batida, desviei o olhar rapidamente não deixando as imagens que teimavam em vir na minha cabeça. Outra minha com 14 anos, vestida em uma roupa de ballet, meu primeiro papel principal, eu podia ver a roupa que eu usei para o segundo ato em “O quebra-nozes”. As demais eram fotos aleatórias que mal lembrava onde foram tiradas, e duas dela tinham a minha mãe ao meu lado.

Os pensamentos de todos estavam muitos diferentes, mas ao mesmo tempo seguindo para o mesmo caminho. Rose e Esme estavam pensando em como seria ter um filho e acompanhar cada fase da vida, mas Rose ia além, ela se colocou no lugar de Bella, que poderia envelhecer e aproveitar cada momento, no futuro passar por essa mesma situação, porém com sua própria filha. Carlisle sentiu pena e simpatia por Charlie que não pode estar presente em nenhum desses momentos, mas conseguiu acompanhar a distância. Jasper, Emmett e eu nos perguntávamos o porquê da imagem ao piano causar tantos sentimentos conflitantes. E eu fiquei impressionado com a possibilidade de que ela tocasse alguma coisa, ainda mais um piano, devo confessar que fiquei agradavelmente surpreso, queria perguntar para ela que tipo de música ela tocava, se tínhamos os mesmo gostos musicais, quando ela aprendeu a tocar, se ela... o que eu estava pensando? Como assim perguntar para ela? Eu nunca falaria com ela. Fiquei confuso novamente, dessa vez Jasper não imaginou nada, achando que minha confusão mental era a mesma que a dele. Alice estranhamente estava gostando mais que o normal da humana, parecia muito concentrada nas palavras, parecia estar escondendo seus pensamentos de mim. Antes que eu pudesse falar algo, ela recomeçou a leitura.

Era impossível não perceber que Charlie jamais superou a perda da minha mãe ao ficar nesta casa e ainda guardar e deixar expostas essas fotos, principalmente do casamento. Isso me deixou pouco à vontade.

– Isso explica porque o chefe nunca casou – conclui Carlisle, respondendo sua própria indagação anterior.

Não queria chegar cedo demais na escola, mas não conseguia mais ficar ali. Vesti meu casaco – que era de couro – usava uma calça jeans justa ao corpo e uma bota de cano alto, com confortáveis saltos, por cima uma grossa blusa branca ¾ para tentar diminuir o frio.

– Até que não é tão ruim o gosto dela para moda — Alice disse sentindo um pouco de felicidade ao notar que alguém mais se arrumava para ir para escola. Ela sempre criticou as roupas de todos, nunca houve uma aprovação sequer. Rose bufou com o comentário.

Ainda estava chuviscando, não o suficiente para me ensopar enquanto peguei a chave da casa, sempre escondida debaixo do beiral, e tranquei a porta. Dei uma corridinha até o carro, mas lógico como minha perna não colabora com a minha pessoa dei um pequeno, quase imperceptível tropeção. Pequeno? Se você acha que tropeçar em nada e dá três passos para frente para poder se equilibrar e quase bater com a cabeça na porta do carro, se você chama isso de pequeno, tudo bem, iluda você mesmo! Zombou de mim minha própria voz interna.

Todos gargalharam com isso, Emmett quase se engasgou com a própria risada. Céus que garota desastrada!

Bufei dentro do carro. Às vezes minha consciência não gostava muito de mim, por isso preferia chama-la de vadia interior, era como ela parecia.

– Ela batizou a consciência dela? Cara eu já disse que gostei dessa garota? – Emmett arrancou sorrisos de todos e um rolar de olhos de Rose, mas pelos seus pensamentos ela tinha gostado do comentário da Bella. Quando foi que eu comecei a tratar a garota pelo nome?

Sentei e respirei fundo, deixando o cheiro de couro inundar minhas narinas. Olhei para o banco, o couro marrom nos bancos sempre passava um sentimento de nostalgia. Liguei o carro, o som silencioso, lembro-me do trabalho que deu mudar todo o motor do carro. Foram anos dedicados a mudar sempre um pouco do carro, parecia que não queríamos que ficasse pronto. Era uma coisa nossa, passar os domingos arrumando aquele carro. Ninguém nunca colocou fé que iriamos fazê-lo andar. Quando ficou pronto lembro que minha mãe ficou um minuto de boca aberta. Um sorriso involuntário apareceu em meus lábios, estava ficando mais fácil lembrar.

– Não entendi nada – Emmett comentou confuso, tanto quanto nós. O que aconteceu no passado de Bella?

O rádio antigo funcionava, aí está uma coisa que não queríamos trocar, ele ficava a cara dele no painel, não era moderno, mas não deixava de ser um clássico.

Não foi difícil encontrar a escola, embora eu nunca tivesse ido lá. Como a maioria das outras coisas, ficava perto da rodovia. Não parecia uma escola – o que me fez parar foi a placa, que dizia ser a Forks High School. Era um conjunto de casas iguais, construídas com tijolos marrons.

– Isso me lembra... Será que nós realmente já estamos lá? – Emmett questionou agora em dúvida.

Havia tantas árvores e arbustos que no início não consegui calcular seu tamanho. Onde estava o espírito da instituição? Perguntei-me com nostalgia. Onde estavam as cercas de tela, os detectores de metal?

– Ah, como se isso fosse necessário em Forks – acrescentou Emmett como sempre interrompendo a história.

Estacionei na frente do primeiro prédio, que tinha uma plaquinha acima da porta dizendo SECRETARIA. Ninguém mais havia estacionado ali, então eu certamente estava em local proibido, mas decidi me informar lá dentro em vez de ficar dando voltas na chuva, feito uma idiota.

Saí sem vontade nenhuma de enfrentar a chuva. Respirei fundo antes de abrir a porta. Sentindo que ia começar minha odisseia de primeiro dia de aula, com um agravante, só seria o primeiro para mim.

Lá dentro o ambiente era bem iluminado e mais quente do que eu imaginava. O escritório era pequeno; uma salinha de espera com cadeiras dobráveis acolchoadas, carpete laranja manchado, recados e prêmios atravancando as paredes, um relógio grande tiquetaqueando alto.

– Realmente aquela secretária é horrível – Alice disse fazendo uma careta ao lembrar-se do local que só pisou uma vez.

Havia plantas em toda parte em vasos grandes de plástico, como se não houvesse verde suficiente do lado de fora.

– Definitivamente, verde não é a cor favorita dela – Emmett brincou.

– Será que dá para você deixar a Alice continuar a leitura Em? – Pedi

– Agora quem está atrapalhando é você – me respondeu com um sorriso. Só balancei a cabeça, Em sempre levava tudo na brincadeira, não importava o assunto.

A sala era dividida ao meio por um balcão comprido, abarrotado de cestos de arame cheios de papéis e folhetos de cores vivas colados na frente. Havia três mesas atrás do balcão, uma delas ocupada por uma ruiva grandalhona de óculos. Ela vestia uma camiseta roxa. Céus uma berinjela com pernas!

– Ela é hilária! – Emmett gargalhou, fazendo todos acompanharem.

– Isso foi rude Emmett, não se deve comparar as pessoas a comida. – Esme o repreendeu. Todos olharam para Esme, que ficou um pouco constrangida com o que falou. – Não no sentindo de nós vampiros, eu estou falando em comparar na aparência, porque... Ah! Vocês entenderam! Ande logo Alice, continue. – todos riram, mas Alice voltou a ler.

A berinjela, digo, a ruiva olhou para mim.

– Posso ajudá-la?

– Meu nome é Isabella Swan – informei-lhe, e logo vi a atenção iluminar seus olhos. Eu era esperada, um assunto de fofoca, sem dúvida. A filha da ex-mulher leviana do chefe de polícia finalmente voltara para casa. Tentei respirar fundo e não deixar os comentários maldosos fixarem em minha cabeça.

– É claro – disse ela. E cavoucou uma pilha instável de documentos na mesa até encontrar o que procurava. – Seu horário está bem aqui, e há um mapa da escola. – Ela trouxe várias folhas ao balcão para me mostrar.

Ela indicou minhas salas de aula, destacando a melhor rota para cada uma delas no mapa, e me deu uma caderneta que cada professor teria que assinar e que eu traria de volta no final do dia. Ela sorriu para mim e me desejou, como Charlie, que eu gostasse daqui de Forks. Sorri também, da maneira mais convincente que pude.

– Você está bem? – me perguntou preocupada.

Yeah, nota mental: treinar meu sorriso convincente no espelho mais vezes!

– Sério ela realmente mente mal! Mas não conseguir nem sorrindo? Ela é um caso perdido, preciso dá umas dicas urgentes – Emmett disse e rimos.

Quando voltei ao carro, outros alunos começavam a chegar. Dirigi pela escola, seguindo o trânsito. Vi que os carros, em sua maioria, eram mais velhos que o meu, nada chamativo, porém o meu era restaurado tinha uma pintura brilhante, esperava não chamar muita atenção no primeiro dia.

O carro mais legal e mais novo aqui era um Volvo reluzente, e este se destacava.

– Acho que isso responde a pergunta de todos – eu disse um pouco surpreso – Nós estamos na escola. – Por mais que eu esperasse que nós iriamos aparecer, ainda sim fiquei surpreso de que logo leríamos sobre nós mesmo.

– E o que será que essa garota tem a ver com a gente? – Rosalie externou a confusão de todos.

– Se vocês pararem de querer interromper em cada parágrafo talvez tivéssemos uma ideia! – Alice disse começando a se irritar.

– Mas eu não interrompo nada, apenas compartilho meus incríveis pensamentos com todos. – Quem disse isso? Óbvio que foi o palhaço de Emmett!

– Fique quieto Em! Continue Alice, por favor – disse tentando voltar a prestar atenção no texto.

Olhei o mapa, tentando agora memorizá-lo; esperava não ter que andar com ele diante do nariz o dia todo. Enfiei tudo na bolsa, passei a alça no ombro e respirei bem fundo. Eu vou conseguir, menti para mim mesma debilmente. Ninguém ia me morder.

Todos ficaram um pouco tenso com o comentário. Principalmente Jasper, ele lutava constantemente com essa nova dieta.

Tentávamos ser discretos, mas trocamos um olhar em sua direção. Ele percebeu e tentou não demonstrar o quanto aquilo o magoou e o assustou.

Por fim soltei o ar e saí do meu cadillac.

Andei pela calçada, apinhada de adolescentes, o mais natural que eu consegui, se eu fosse direto para sala talvez não me reconhecessem como a aluna nova. Isso iluda você mesmo! Olhei disfarçadamente ao redor, notando com espanto que todo o corpo estudantil estava me olhando, e pelo visto desde que eu saí do carro. Sabe, se você quer continuar olhando disfarçadamente, ficar parada de olhos arregalados e a boca um pouco aberta e olhando freneticamente para todos os lados não está lhe ajudando, pegue a dica! Sim, odeio quando minha vadia interior tem razão, continuei a caminhada como se nada tivesse acontecido.

– Sério Alice, você realmente quer que eu não fale nada? – Emmett sentia dificuldade para parar de rir. Confesso que eu também, essa Bella conseguiu com seus pensamentos quebrar o clima tenso que tinha se instaurado. – Quem consegue discutir com você mesmo? Isso é normal Ed?

– Sinceramente Emmett, eu nunca tinha ouvido um pensamento assim, acho que vou me divertir com os pensamentos da Be... dessa garota. – disse tentando disfarçar que eu já a chamava de Bella.

Depois de chegar ao refeitório, foi fácil localizar o prédio três. Um grande "3" estava pintado em preto num quadrado branco no canto leste. Uau! Que bom que você aprendeu os números quando tinha 3 anos certo? Quem diria que seria de grande ajuda! Ignorei minha voz que zombava de mim. Senti aos poucos que começava a ofegar à medida que me aproximava da entrada. Nota mental: voltar a praticar atividade física urgentemente! Tentei pensar que era por cansaço não por nervosismo. E aí fazendo um bom trabalho? Ok, se eu não conseguia mentir para mim mesmo, como posso conseguir mentir para os outros?

– Eu juro que vou fazer um guia “Como mentir melhor” e entregar para ela, talvez a ajude – Emmett disse, fazendo todos acompanharem na risada.

A sala de aula era pequena. As pessoas na minha frente pararam junto à porta para pendurar os casacos em uma longa fileira de ganchos. Imitei-as. Havia duas meninas, uma loura com a pele cor de porcelana, a outra igualmente pálida, com cabelo castanho-claro. Pelo menos minha pele não se destacaria aqui.

–Não com a gente para comparar. – disse Rosalie frustrada.

– Quando será que a pessoa mais incrível aparece? – Todos olharam para o Emmett – Eu é claro – disse sorrindo. Nos limitamos a revirar os olhos para ele.

Entreguei a caderneta ao professor, um careca alto cuja mesa tinha uma placa identificando-o pelo nome, "Sr. Mason". Ele me encarou surpreso quando viu meu nome – não foi uma reação que me encorajasse – e é claro que fiquei vermelha como um tomate. Você podia parar de corar feito uma garotinha! Pelo amor de Deus! Você tem 16 anos, já está na hora de parar com isso! Falar é fácil idiota! Você sabe que está se xingando não sabe? Voltei a prestar atenção aonde o professor me mandou sentar numa carteira vazia no fundo da sala, sem me apresentar à turma. Era mais difícil para meus novos colegas me encarar lá atrás, mas de algum jeito eles conseguiram. Mantive os olhos baixos na bibliografia que o professor me dera. Era bem básica: Brontë, Shakespeare, Chaucer, Faulkner. Eu já lera tudo. Isso era reconfortante… e entediante.

– É verdade, isso é entediante – Jasper disse. – Mas é raro encontrar uma adolescente que já leu todos. – isso é verdade, sempre que o professor passava uma leitura eu ouvia os pensamentos pesarosos dos alunos.

Fiquei feliz que resolvi trazer comigo minha pasta com os trabalhos antigos, seria trapaça se eu o usasse de novo? Depois pensaria no assunto.

Quando tocou o sinal, uma buzina anasalada, um garoto magricela com problemas de pele e cabelo preto feito uma mancha de óleo se inclinou para falar comigo.

– Você é Isabella Swan, não é? – Ele parecia direitinho o tipo prestativo de clube de xadrez. Boa sorte com isso!

– Bella – corrigi. Todo mundo num raio de três carteiras se virou para me olhar. Que vontade de dá um gato para cada um que estava me olhando!

– Porque ela ia querer dá um gato para eles? Ela não faz sentido algum! – Emmett se intrometeu novamente.

– Emmett como vamos saber se você não para quieto! – Alice reclamou. – Mas tenho que concordar o que o gato tem a ver com isso?

Assim eles tinham 7 vidas para cuidar e deixavam a minha em paz!

Ninguém aguentou, todos riram muito com isso. Até Alice teve um pouco de dificuldade em retomar a leitura.

– Qual é a sua próxima aula? – perguntou ele. Tive que olhar na minha bolsa.

– Hmmm, educação cívica, com Jefferson, no prédio seis. Para onde quer que eu me virasse, encontrava olhos curiosos.

– Vou para o prédio quatro, posso mostrar o caminho… – Sem dúvida, super prestativo. – Meu nome é Eric – acrescentou ele.

Eu sorri, insegura.

– Obrigada.

Pegamos nossos casacos e fomos para a chuva, que tinha aumentado. Eu podia jurar que várias pessoas atrás de nós se aproximavam o bastante para ouvir o que dizíamos. Esperava não estar ficando paranoica.

– Provavelmente não, os humanos, principalmente de cidade pequena estavam atentos a qualquer informação em busca de fofoca – eu falei. – Eu lembro desse tal de Eric. – disse apenas para acrescentar, vi pela cabeça de todos que eles sabiam com quem a Bella falava. Eu não gostei do garoto puxar conversa com ela. Estranhei isso.

– E aí, isto é bem diferente de Phoenix, não é? – perguntou ele.

– Muito.

– Não chove muito lá, não é?

– Três ou quatro vezes por ano.

– Puxa, como deve ser isso? – maravilhou-se ele.

– Ensolarado – eu lhe disse. Uau! Parabéns Srta. Óbvio, tenho certeza que o Sr. Nerd do Clube de Xadrez poderia chegar a essa conclusão sozinho!

– Eu realmente gosto da vadia interior dela! – Emmett riu da resposta da vadia interior, digo da voz da consciência dela. Mas todos os outros eu podia notar que lutavam contra um sorriso, mas era difícil, sua mente era muito engraçada.

– Você não é muito bronzeada. – Quem é o óbvio agora? Retruquei para minha voz interior. Toma essa!

– Minha mãe é meio albina. — Faça um favor para você mesmo! Melhore suas piadas!

Apreensivo, ele examinou meu rosto, e eu suspirei. Parecia que nuvens e senso de humor não se misturavam. Ou suas piadas são realmente ruins, pegue a dica.

– Emmett descobrir o seu problema – Alice disse – você precisa de uma vadia interior! – todos gargalharam com isso. Emmett deu com a língua para ela. O que só fez com que aumentassem os risos. Até ele tentou não sorrir.

Alguns meses disso e eu me esqueceria de como usar o sarcasmo.

Voltamos pelo refeitório até os prédios do sul, perto do ginásio. Eric me levou à porta, embora tivesse uma placa bem evidente.

– Então, boa sorte – disse ele enquanto eu pegava a maçaneta. – Talvez a gente tenha mais alguma aula juntos. – Ele parecia ter esperanças.

– Idiota – murmurei para mim mesmo, mas parece que um pouco alto, pois todos me olharam estranho, ignorei isso.

Sorri vagamente para ele e entrei.

O resto da manhã se passou do mesmo jeito. Meu professor de trigonometria, o Sr. Varner, que eu detestei, não por causa da matéria que ensinava, foi o único que me fez parar diante da turma para me apresentar. Eu gaguejei, corei e tropecei em minhas próprias botas ao seguir para a minha carteira.

– Eu adoraria ter visto essa cena – Emmett disse. – eu aposto como até o final do dia ela vai cair.

– Ela parece ser realmente um pouco desastrada – Esme disse complacente. Começava a sentir uma grande simpatia por ela.

– Um pouco? Ela é o verdadeiro desastre sobre as pernas! – Emmett disse e Rose concordou com a cabeça.

Depois de duas aulas, comecei a reconhecer vários rostos em cada turma. Sempre havia alguém mais corajoso do que os outros, que se apresentava e me perguntava se eu estava gostando de Forks.

Tentei ser diplomática, mas na maioria das vezes apenas menti. Pelo menos não precisei do mapa. Muito bem Bella, continue sorrindo e acenando, você já pensou na carreira política? Minha voz riu da minha situação, vadia!

– Parece que ela já conquistou seu eleitorado – Alice riu e me olhou estranhamente.

Uma menina se sentou ao meu lado nas aulas de trigonometria e espanhol e me acompanhou até o refeitório na hora do almoço. Era baixinha, vários centímetros menor do que meu metro e sessenta e cinco, mas o cabelo escuro, rebelde e cacheado compensava grande parte da diferença entre nossas alturas. Não conseguia me lembrar do nome dela, então eu sorria e assentia enquanto ela tagarelava sobre professores e aulas. Não tentei acompanhá-la. Era uma conversa praticamente unilateral. Acenava, sorria e murmurava uma concordância. Sentamos à ponta de uma mesa cheia de vários de seus amigos, que ela me apresentou. Esqueci o nome de todos assim que ela os pronunciou.

– Sinto solidariedade com ela, realmente os pensamentos de Forks High School são bem chatos – comentei. Estava simpatizando bastante com sua situação.

– Ela podia ser mais atenciosa – Rosalie disse.

Eles pareceram impressionados com sua coragem de falar comigo. Qual o problema deles? O menino da aula de inglês, Eric, acenou para mim do outro lado do salão.

Alice segurou a respiração por um momento e em seguida leu.

Foi ali, sentada no refeitório, tentando conversar com sete estranhos curiosos, que eu os vi pela primeira vez.

– Nós? – perguntamos Rose, Emmett, Jasper e eu.

Estavam sentados no canto do refeitório, à maior distância possível de onde eu me encontrava no salão comprido. Eram cinco.

– Definitivamente – disse.

Não estavam conversando e não comiam, embora cada um deles tivesse uma bandeja cheia e intocada diante de si. Não me encaravam, ao contrário da maioria dos outros alunos, por isso era seguro observá-los sem temer encontrar um par de olhos excessivamente interessados. Mas não foi nada disso que atraiu e prendeu minha atenção.

Eles não eram nada parecidos. Dos três meninos, um era grandalhão – musculoso como um halterofilista inveterado, com cabelo escuro e crespo.

– Eu, o mais incrível, o mais belo, o mais tudo – Emmett levantou do seu lugar e fez uma reverência.

Outro era mais alto, mais magro, mas ainda assim musculoso, e tinha cabelo louro cor de mel.

– Meu Jazz – Alice disse, dando uma piscadela para ele.

O último era esguio, menos forte, com um cabelo desalinhado cor de bronze. Era mais juvenil do que os outros, que pareciam poder estar na faculdade ou até ser professores daqui, em vez de alunos.

– Ed – falaram.

As meninas eram o contrário. A alta era escultural. Linda, do tipo que se via na capa da edição de trajes de banho da Sports lllustrated, do tipo que fazia toda garota perto dela sentir um golpe na autoestima só por estar no mesmo ambiente. O cabelo era dourado, caindo delicadamente em ondas até o meio das costas.

– Muito obrigada – Rose disse com um sorriso no rosto. Claro quando se trata da beleza dela sempre aceita elogios. A menina acabou de marcar pontos com ela sem saber.

A menina baixa parecia uma fada, extremamente magra, com feições miúdas. O cabelo era de um preto intenso, curto, picotado e desfiado para todas as direções.

– Eu. – Alice levantou rapidamente.

E, no entanto, todos eram de alguma forma parecidos. Cada um deles era pálido como giz, os alunos mais brancos que viviam nesta cidade sem sol. Mais brancos do que eu, a meia-albina.

Todos tinham olhos muito escuros, apesar da variação de cor dos cabelos.

– Como ela conseguiu reparar em tudo isso tão rápido? – Carlisle ergueu as sobrancelhas surpreso. – Os humanos geralmente não prestam atenção nesses detalhes. – disse começando a nos deixar preocupados.

Também tinham olheiras arroxeadas, em tons de hematoma. Como se tivessem passado uma noite insone, ou estivessem se recuperando de um nariz quebrado. Mas os narizes, todos os seus traços, eram retos, perfeitos, angulosos. Mas não era por nada disso que eu não conseguia desgrudar os olhos deles.

Fiquei olhando porque seus rostos, tão diferentes, tão parecidos, eram completa, arrasadora e inumanamente lindos.

A palavra utilizada por ela fez com que todos prendessem o fôlego. Inumanamente. Se ela soubesse como estava certa, não é melhor ela nunca saber.

Eram rostos que não se esperava ver a não ser talvez nas páginas reluzentes de uma revista de moda. Ou pintados por um antigo mestre como a face de um anjo. Era difícil decidir quem era o mais bonito – talvez a loura perfeita, ou o garoto de cabelo cor de bronze.

– O quê? – Emmett indagou incrédulo. – Eu disse que ela era meio louca, a metade sã dela acertou na Rose e a metade louca é a única explicação de achar o Ed mais bonito que eu – Rosalie sorriu sempre quando o assunto era beleza ela ficava assim, ainda mais com os outros a achando a mais bela de todas, tentei não sorrir paro o Emmett, confesso que meu ego ficou um pouco mais alto por Bella me achar bonito. Não resistir e deu um sorriso vitorioso para o Emmett, talvez eu tivesse um vadio interior em mim também. Jasper ergueu uma sobrancelha para mim, surpreso pelos meus sentimentos.

Todos pareciam distantes – distantes de cada um ali, distantes dos outros alunos, distantes de qualquer coisa em particular, pelo que eu podia notar.

Enquanto eu observava, a garota baixinha se levantou com a bandeja – o refrigerante fechado, a maçã sem uma dentada – e se afastou com passos longos, rápidos e graciosos apropriados para uma passarela.

Alice sorriu para a sua descrição no diário.

Fiquei olhando, surpresa com seus passos de dança, até que ela largou a bandeja no lixo e seguiu para a porta dos fundos, mais rápido do que eu teria pensado ser possível.

O sorriso morreu ali. – Me desculpem, acho que me descuidei um pouco – Alice disse cabisbaixa.

– Não foi culpa sua Alice, essa humana é realmente observadora — Carlisle disse. – só não entendi para onde você foi sozinha.

Meus olhos dispararam de volta aos outros, que ficaram sentados, impassíveis.

– Quem são eles? – perguntei à garota da minha turma de espanhol, cujo nome eu esquecera.

Enquanto ela olhava para ver do que eu estava falando – embora já soubesse, provavelmente, pelo meu tom de voz –, de repente ele olhou para ela, o mais magro, o rapaz juvenil, o mais novo, talvez.

Ele olhou para minha vizinha só por uma fração de segundo, e depois seus olhos escuros fulguraram para mim.

Ele desviou os olhos rapidamente, mais rápido do que eu, embora, em um jorro de constrangimento, eu tenha baixado o olhar de imediato.

Emmett me lançou um olhar cheio de segundas intenções. – Constrangendo a humana Ed? – nem me dei ao trabalho de lhe responder.

Naquele breve olhar, seu rosto não transmitiu nenhum interesse – era como se ela tivesse chamado o nome dele, e ele a olhasse numa reação involuntária, já tendo decidido não responder.

– MUITO observadora – disse totalmente surpreso, um pouco impressionado com os pensamentos da garota. Como ela conseguiu ver tudo isso apenas com um olhar? O pior é que provavelmente ela estava certa.

Minha vizinha riu sem graça, olhando a mesa como eu.

– São Edward e Emmett Cullen, e Rosalie e Jasper Hale. A que saiu é Alice Cullen. Todos moram com o Dr. Cullen e a esposa. – Ela disse isso à meia-voz.

Todos reviraram os olhos já imaginando o que vinha pela frente.

Olhei de lado para o rapaz bonito, que agora fitava a própria bandeja, desfazendo um pãozinho em pedaços com os dedos pálidos e longos. Sua boca se movia muito rapidamente, os lábios perfeitos mal se abrindo. Os outros três ainda pareciam distantes e, no entanto, eu sentia que ele estava falando em voz baixa com eles.

Nomes estranhos e incomuns, pensei. O tipo de nome que têm os avós.

– Ela está certa de novo. – disse ficando a cada hora mais surpreso.

Mas talvez seja moda por aqui – nomes de cidades pequenas? Finalmente me lembrei de que minha vizinha se chamava Jessica, um nome perfeitamente comum.

Todos fizeram uma careta, mas a minha foi acompanhada de um gemido. Jessica Stanley tinha sido um tormento logo que nos mudando me colocando em várias fantasias em sua cabeça, as vezes tinha vontade de lhe mostrar o que aconteceria se a mais inocente de sua fantasia se tornasse realidade. Fiquei feliz quando ela mudou o foco principal de seus sonhos.

Havia duas meninas que se chamavam Jessica na minha turma de história, na minha cidade.

– Eles são… muito bonitos. – Lutei com a patente atenuação da verdade.

– É – concordou Jessica com outra risada. – Mas todos estão juntos… Emmett e Rosalie, e Jasper e Alice, quero dizer. E eles moram juntos. – Sua voz trazia toda a condenação e o choque da cidade pequena, pensei criticamente. Mas, para ser sincera, tenho que admitir que até em Phoenix isso provocaria fofocas.

– Concordamos que essa história chamaria a atenção. Mas foi a mais viável – Carlisle comentou casualmente. Queríamos morar todos juntos e foi a melhor solução encontrada.

– Quem são os Cullen? – perguntei. – Eles não parecem parentes…

– Ah, e não são. O Dr. Cullen é bem novo, tem uns vinte e tantos ou trinta e poucos anos. Todos foram adotados. Os Hale são mesmo irmãos, gêmeos… os louros… e são filhos adotivos.

– Parecem meio velhos para filhos adotivos.

– Agora são, Jasper e Rosalie têm 18 anos, mas estão com a Sra. Cullen desde que tinham 8 anos. Ela é tia deles ou coisa assim.

– Isso é bem legal… Eles cuidarem de todas essas crianças, quando eram tão pequenos e tudo isso.

– Acho que sim – admitiu Jessica com relutância, e tive a impressão de que por algum motivo ela não gostava do médico e da esposa. Com os olhares que ela atirava aos filhos adotivos, eu imaginava que o motivo era inveja. – Mas acho que a Sra. Cullen não pode ter filhos – acrescentou ela, como se isso diminuísse sua bondade.

– Isso foi rude. – Comentei com raiva. O comentário feriu Esme mais do que deixou transparecer para os outros, até mesmo Rosalie não falou nada. Carlisle viu o estado de Esme e segurou a mão dela, queria ter palavras para tirar a dor dos olhos de sua companheira, mas não conseguia forma frase nenhuma. Eu também queria falar algo, mas nada me vinha a mente, Jéssica estava certa, Esme não podia ter filhos. O clima ficou triste e Jasper sentiu na hora a mudança, ele até pensou em mandar uma onda de calma, porém preferiu não se intrometer no assunto.

O comentário da garota me atingiu em cheio, uma onda súbita de raiva pelo comentário grosseiro me fez não conseguir segurar meu temperamento.

Ficamos surpresos pela sua mudança de atitude e acabamos prestando bastante atenção no que viria a seguir.

– Está enganada Jéssica. – disse tentando controlar toda a raiva que senti. Ela levantou as sobrancelhas como se me perguntasse como eu tinha certeza disso, se a própria Srta. Rainha da Fofoca não tinha certeza – Ela pode sim ter filhos,

Esme balançou a cabeça lentamente, como se para dizer para a Bella que estava enganada.

... Tanto pode como teve 5! Por mais que não tenham sido gerados dela, não significa que ela não teve. Ser mãe não é poder gerar filhos Jéssica, é poder criar, apoiar, dar carinho, amor e se uma mulher tão jovem adotou 5 crianças significa que ela é mais do que capaz de ter filhos, só demostra a bondade e generosidade que ela tem. Mas não apenas isso significa que ela tem um coração de mãe. – finalizei um pouco alto e notei que algumas cabeças giraram na minha direção. Inclusive a mesa dos Cullens. Ótima maneira de passar despercebida Bella!

Esme ficou emocionada com as palavras de Bella. Confesso que eu também, ela me surpreendeu de maneira agradável. Bella com essas palavras tirou toda a tristeza de Esme, nos pensamentos dela ela queria conhecer Bella para abraça-la e lhe agradecer por lhe defender.

– Uma grande menina! Defender um desconhecido é muito raro – Carlisle tinha um sorriso no rosto, por ver Esme feliz.

Desvie meus olhos constrangida, meus olhos voltaram para a mesa onde se acomodava a estranha família. Eles desviaram o olhar e continuaram a olhar para as paredes e não comiam. Menos o menino de cabelo cobre ele parecia lutar entre um sorriso e uma carranca. Estranhei.

– Eles sempre moraram em Forks? – perguntei para reiniciar a conversa.

– Não – disse ela rudemente. – Só se mudaram há dois anos, vindos de algum lugar do Alasca. – Bom trabalho, conseguir arrumar briga com a maior fofoqueira da escola, você merece um prêmio! Gemi internamente. Odiava quando minha voz interna estava certa.

– Arrumar Jéssica como inimiga realmente é um problema – disse Jasper. – ela pode inventar alguma coisa degradante – continuou um pouco preocupado. Ele também já estava simpatizando com a garota. Fiquei um pouco aflito, não queria que ela se metesse em problemas por nossa causa.

Desviei desse rumo de pensamento e voltei ao que Jéssica tinha me contado. Senti uma onda de pena, e também alívio. Pena porque, apesar de lindos, eles eram de fora, e claramente não eram aceitos. Alívio por eu não ser a única recém-chegada por aqui.

Enquanto eu os examinava, o mais novo, um dos Cullen, virou-se e encontrou meu olhar, desta vez com uma expressão de evidente curiosidade.

– Alguém se interessou pela humana — Emmett disse cantarolando

– Provavelmente devo estar ouvindo os pensamentos dela Emmett.

Quando desviei os olhos rapidamente, me pareceu que o olhar dele trazia uma espécie de expectativa frustrada.

Franzi o cenho não entendendo.

– Porque você estaria frustrado? Os pensamentos dela não tem nada demais — Rosalie perguntou.

– Sei tanto quanto você Rose, continue por favor, Alie – Pedi para desviar a atenção de mim.

– Quem é o garoto de cabelo ruivo? – perguntei. Eu o espiei pelo canto do olho e ele ainda estava me encarando, mas não aparvalhado como os outros alunos. Tinha uma expressão meio frustrada. Olhei para baixo novamente.

– É o Edward. Ele é lindo, é claro, mas não perca seu tempo. Ele não namora. Ao que parece, nenhuma das meninas daqui é bonita o bastante para ele. – Ela fungou, um caso claro de dor-de-cotovelo. Eu me perguntei quando é que ele a tinha rejeitado. Obviamente, não comentei nada. Ela já não gostava de mim o suficiente.

– Que feio Ed-Boy arrasando pobres corações de adolescentes apaixonadas – Emmett disse piscando os olhos exageradamente para mim. Bufei com isso.

Mordi o lábio para esconder meu sorriso. Depois olhei para ele de novo. Seu rosto estava virado para o outro lado, mas achei que sua bochecha parecia erguida, como se ele também estivesse sorrindo.

Depois de mais alguns minutos, os quatro saíram da mesa juntos. Todos eram muito elegantes – até o grandalhão de cabelo castanho.

Emmett sorriu isso. – Ela ainda irá notar que eu sou o mais bonito. – Apenas revirei os olhos.

Fiquei sentada à mesa com Jessica e os amigos dela por mais tempo do que teria ficado se eu estivesse sozinha. Estava ansiosa para não me atrasar para as aulas no meu primeiro dia.

Uma das minhas novas conhecidas, que me lembrava repetidamente que seu nome era Ângela, tinha biologia II comigo no próximo tempo. Seguimos juntas em silêncio para a sala. Ela também era tímida.

Quando entramos na sala, Ângela foi se sentar em uma carteira de tampo preto exatamente como aquelas que eu costumava usar. Ela já tinha uma vizinha. Gostaria de ser vizinha da Ângela eu gostei dela. Na verdade, notei que todas as carteiras estavam ocupadas, exceto uma.

Ao lado do corredor central, reconheci Edward Cullen por seu cabelo incomum, sentado ao lado daquele lugar vago.

Fiquei subitamente tenso com isso. Ninguém sentava ao meu lado na aula. Vi que alguns membros da minha família deram um sorriso. Preferi ignorar.

Enquanto eu andava pelo corredor para me apresentar ao professor e conseguir que assinasse minha caderneta, eu o observava furtivamente. Assim que passei, ele de repente ficou rígido em seu lugar.

Fiquei mais tenso ainda.

Me encarou novamente, encontrando meus olhos com a expressão mais estranha do mundo – era hostil, furiosa.

Todos seguram o fôlego, olhando de maneira confusa para mim. Nem eu entendia a minha reação. O que tinha acontecido comigo? Com um sinal de mãos pedi para Alice continuar, querendo saber o que estava acontecendo. Fiquei apreensivo, algo me dizia que eu não iria gostar.

Desviei os olhos rapidamente, chocada, ruborizando de novo. Tropecei em um livro no caminho e tive que me apoiar na beira de uma mesa.

Nem mesmo o desastre da garota, mudou o clima tenso da sala.

A menina sentada ali riu. Percebi que os olhos dele eram pretos – pretos como carvão.

O Sr. Banner assinou minha caderneta e me passou um livro, sem nenhum dos absurdos das apresentações. Eu podia dizer que íamos nos dar bem. É claro que ele não teve alternativa a não ser me mandar para o lugar vago no meio da sala.

Mantive os olhos baixos enquanto fui me sentar ao lado dele, desconcertada pelo olhar hostil que ele me lançava.

– Fique calmo Edward! – Jasper me disse, tentando me acalmar com seu dom, só aí percebi que estava com os punhos fechados.

Não olhei para cima ao colocar os livros na carteira e tomar meu lugar, mas, pelo canto do olho, vi sua postura mudar. Ele estava inclinado para longe de mim, sentado na ponta da cadeira, e desviava o rosto como se sentisse algum fedor.

A tensão estava de volta. Vi que Carlisle queria falar alguma coisa, apenas balancei a cabeça, não queria ouvir nada.

Imperceptivelmente, cheirei meu cabelo. Tinha cheiro de morango, o aroma do meu xampu preferido. Parecia um odor bem inocente. O que estava acontecendo com ele?

Infelizmente a aula era sobre anatomia celular, uma coisa que eu já estudara. De qualquer modo, tomei notas cuidadosamente, sempre olhando para baixo.

A aula parecia se arrastar mais do que as outras. Eu esperava que o punho dele relaxasse a qualquer momento. Não aconteceu: ele continuou sentado tão imóvel que nem parecia respirar. Qual era o problema dele? Será que este era seu comportamento normal? Questionei a avaliação que fiz da amargura de Jessica no almoço de hoje.

Talvez ela não fosse tão ressentida quanto eu pensava. Isso não podia ter nada a ver comigo. Até hoje ele nem me conhecia.

Eu o espiei mais uma vez e me arrependi disso. Ele agora me encarava de cima, os olhos pretos cheios de repugnância. Enquanto eu me afastava, encolhendo-me na cadeira, de repente passou por minha cabeça a expressão “como se pudesse matar”.

Todos ficaram surpresos com isso. Ninguém tinha nada a falar e tudo ao mesmo tempo. O que deu em mim para agir desse jeito?

Naquele momento, um medo súbito tomou todo o meu corpo, medo dele simplesmente pular em cima de me e me atacar, fazendo-me pular, e Edward Cullen recuar um pouco com isso, com passos estranhos até mesmo para mim, peguei meu material e falei com o Sr. Banner.

– Sr. Banner, n-não estou me sentindo b-bem – minha voz tremeu, acho que junto com o meu corpo – posso ir para enfermaria? — Algo em meu rosto fez ele acreditar na minha mentira. Acho que deveria estar mais pálida que o normal mas não tinha como evitar. A passos trôpegos fui meio andando meio correndo meio tropeçando, céus eu era um caos. Nem me importei de encontrar a enfermaria. Simplesmente sentei em baixo de uma escada e me escondi como um maldito cachorro medroso. Meu corpo todo tremia. O que diabos aconteceu? Quem era aquele garoto? Por que me olhava daquele jeito. Inúmeros pensamentos passavam em minha cabeça, mas não tinha forças para me mexer. Isso não tem nada a ver com o fato que você ache que ele vá lhe perseguir até a enfermaria para lhe matar? Estremeci com isso. Respirei fundo e disse para mim e para minha voz inferior: Eu não estou com medo, foi bobagem da minha cabeça. Mas, logo em seguida tocou aquela maldita campainha anasalada me fazendo pular e soltar um gritinho. Sério, para te tentar de mentir para si mesmo, é simplesmente triste. Maldita! Precisava zombar até nessa hora? Levantei de forma estranha e fui para me encaminhar para próxima aula.

Ninguém se atreveu a comentar. Mas, eu podia ler os pensamentos deles. Eu iria atacar a Bella? Não queria acreditar nisso, porém a reação dela não deixava dúvidas, eu era um monstro. Como eu podia ameaçar uma vida de uma pessoa como ela? Saber que eu deixei naquele estado me fez sentir um mistura de sentimentos voltados a mim, raiva, ódio, repulsa, como pude fazê-la correr da sala de aula assim? Jasper sentindo todo meu desprezo tentou me acalmar.

– Calma Edward, deve ter uma explicação para tudo isso – disse tentando me manter mais calmo.

– Me desculpem, eu realmente não sei o que aconteceu comigo – pedi para os outros, mas estava mais interessado em pedir desculpas para Bella, o fato de ouvir o que ela relatou que sentiu me fez sentir um desconforto imenso como nunca senti antes.

Não era justo. Quem ele pensava que era para me olhar daquele jeito? Eu não fiz nada! Comecei a pegar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva que se espalhava em mim, com medo de que meus olhos se enchessem de lágrimas. Por algum motivo, minha ira era canalizada para meus dutos lacrimais. Normalmente, eu chorava quando estava com raiva, uma tendência humilhante.

O remorso que senti apenas aumentou, não queria a fazer chorar, queria ter mudado minha atitude com ela, não era justo ela sofrer por não ter feito nada.

– Você não é Isabella Swan? – perguntou uma voz de homem.

Dei um pulo com isso, já estava no corredor indo para próxima aula. Olhei para cima e vi um rapaz bonitinho com cara de bebê, o cabelo louro-claro cuidadosamente penteado com gel em pontas arrumadinhas, sorrindo para mim de maneira simpática. Ele obviamente não achava que eu cheirava mal.

– Bella – eu o corrigi, com um sorriso.

– Meu nome é Mike. Você está bem?

– Newton — resmunguei. – Esse garoto é um idiota – falei com uma súbita raiva. Jasper levantou a sobrancelha para mim e vi que Emmett e Alice tentavam esconder seus sorrisos. Olhei em dúvida para eles.

– Oi, Mike. – Não estava querendo mentir para ele. Então nem me dei ao trabalho de responder sua pergunta.

– Precisa de ajuda para encontrar sua próxima aula?

– Vou para a educação física. Acho que posso encontrar o caminho.

– É minha próxima aula também. – Ele parecia impressionado, mas não era uma coincidência assim tão grande numa escola tão pequena.

Fomos para a aula juntos. Ele era um grande tagarela – alimentou a maior parte da conversa, o que facilitou minha vida. Não queria entrar em detalhes.

Por acaso também era meu colega na aula de inglês. Ele foi a pessoa mais legal que eu conheci hoje.

Esse comentário me incomodou. – Precisa conhecer mais pessoas – murmurei para mim mesmo e vi que Esme se juntou ao grupo dos que tentavam me esconder o sorriso. Rose bufou com isso.

Mas enquanto entrávamos no ginásio, ele perguntou:

– E aí, você furou o Edward Cullen com um lápis ou o quê? Nunca o vi agir daquele jeito.

Fechei minhas mãos em punhos. Não gostei do comentário dele. Queria saber o que deu em mim para agir daquela maneira. Pelos pensamentos dos outros não fui o único.

Eu me encolhi. Então não fora a única a perceber. E ao que parecia aquele não era o comportamento habitual de Edward Cullen. Decidi me fazer de burra. E ignorar que eu também sentia.

– Era o garoto do meu lado na aula de biologia? – perguntei naturalmente.

– Era – disse ele. – Parecia estar sentindo alguma dor ou coisa assim.

– Não sei – respondi. – Nunca falei com ele.

– Ele é um cara estranho. – Mike se demorou ao meu lado em vez de ir para ao vestiário. – Se eu tivesse a sorte de me sentar do seu lado, conversaria com você.

– Parece que alguém achou um pretendente – Emmett brincou querendo descontrair o clima.

Eu sorri para ele antes de ir para a porta do vestiário feminino. Ele era simpático e estava na cara que gostava de mim. Mas não foi o suficiente para atenuar minha irritação.

O professor de educação física, treinador Clapp, encontrou um uniforme para mim, mas não me fez vesti-lo para a aula de hoje.

Fiquei assistindo a quatro partidas de vôlei que aconteciam simultaneamente. Usando a mesma desculpa anterior que não estava me sentindo muito bem.

O último sinal finalmente tocou. Andei devagar para a secretaria para entregar minha caderneta. A chuva tinha ido embora, mas o vento era forte e mais frio. Eu me abracei.

Ao entrar no escritório aquecido, quase me virei e voltei para fora. Edward Cullen estava parado junto à mesa na minha frente.

– Isso nunca termina. – gemi internamente. Não gostaria de saber o que iria acontecer. Quase pedi para Alice parar de ler. Quase.

Reconheci de novo aquele cabelo bronze desgrenhado. Ele não pareceu ter ouvido a minha entrada.

Fiquei encostada na parede de trás, torcendo para que a recepcionista ficasse livre.

Ele estava discutindo com ela numa voz baixa e cativante. Rapidamente peguei a essência da discussão. Ele tentava trocar o horário de biologia por qualquer outro horário – qualquer outro.

Todos olharam estranhamente para mim, com uma pergunta muda do porquê da minha atitude. Dei de ombros, realmente frustrado. Queria bater no meu “eu” do diário.

Não consegui acreditar que fosse por minha causa. Tinha de ser outra coisa, algo que acontecera antes de eu entrar na sala de aula. A expressão dele devia ter sido por outro aborrecimento totalmente diferente.

Era impossível que este estranho pudesse ter uma repulsa tão súbita e intensa por mim.

Torci internamente para que ela estivesse certa, mas eu estava virando um mentiroso tão ruim quanto a Bella.

A porta abriu de novo e de repente uma rajada de vento frio entrou pela sala, espalhando os papéis na mesa, jogando meu cabelo na cara. A menina que entrava limitou-se a ir até a mesa, colocou um bilhete na cesta de arame e saiu novamente. Mas Edward Cullen se enrijeceu de novo e se virou lentamente para olhar para mim – o rosto era absurdamente lindo – com os olhos penetrantes e cheios de ódio. O arrepio de puro medo voltou, que eriçou os pelos de meus braços. O olhar só durou um segundo, mas me gelou mais do que o vento frio. Ele voltou a se virar para a recepcionista.

– Então deixa para lá – disse asperamente numa voz de veludo. – Estou vendo que é impossível. Muito obrigado por sua ajuda. – Virou-se sem olhar para mim, desaparecendo porta afora.

– Parece que o cheiro dela lhe afeta – Carlisle se manifestou. – É a única alternativa que vejo. – Fiquei calado. Talvez ele estivesse certo.

Fui humildemente até a mesa, minha cara branca de imediato ficando vermelha, e entreguei a caderneta assinada.

– Como foi seu primeiro dia, querida? – perguntou a recepcionista em tom maternal.

– Bom – menti, a voz fraca. Ela não pareceu se convencer.

– Claro como a boa mentirosa que é, é lógico que não convenceu. – Emmett comentou.

Quando fui para o meu carro, vi que era quase o ultimo no estacionamento. Parecia um abrigo, a coisa mais próxima de uma casa que eu tinha neste buraco verde e úmido. Fiquei sentada lá dentro por um tempo, só olhando, sem enxergar pelo para-brisa. Mas logo estava frio o suficiente para precisar do aquecedor, virei a chave e voltei para a casa de Charlie, lutando contra as lágrimas por todo o caminho até lá.

Comecei a andar de um lado para o outro para não quebrar alguma coisa. Principalmente a minha cara. Como pude ser tão rude com um ser tão delicado? Um monstro, deveria ficar longe de um anjo.

– Não fique assim querido – me disse Esme, vendo a minha aflição.

– Como você quer que eu fique? Você viu o estado em que eu a deixei! E eu fiquei o quê? Poucos minutos ao lado dela, antes dela sair correndo cheia de desespero! – responde com raiva.

– Calma Edward, a garota saiu viva. Vamos esperar e ver o que acontece. – Jasper me disse.

– Sim, para de ser tão dramático, não sei quem é pior, a garota ou você, os dois juntos devem ficar pior que drama de novela mexicana – Rose resmungou. – Me dê isso aqui, que eu continuo lendo. – Rosalie pegou o diário da Alice e continuou de onde ela tinha parado.

Notas finais
E aí gostaram? Espero que sim. O que acharam da vadia interior de Bella? Vou usar ela em itálico para diferenciar dos pensamentos normais da Bella. Espero que tenha ficado claro. queria agradecer novamente a Edward_Cullen pelo comentário. Também a LittleDoll e a nova leitora Letty695. Qualquer dúvidas e sugestões me avisem. Espero reviews para saber se estou atingindo a expectativa na história. Beijos a todos...