Notas iniciais
Olá leitoras. Mais um capítulo novo que conta uma parte do passado da Bella. Espero que vocês gostem.
Queria agradecer as recomendações de Mila Chrispino e isabella_maries. Muito obrigada!
Continuem comentando e se gostarem da história espero que recomendem. Obrigada a todas que estão acompanhando. No final vou responder algumas perguntas sobre o adamento da história.

“- Acho que você tem um encontro. – Alice disse sorrindo.”

– Finalmente você tomou alguma atitude! Pensei que você fosse perder a Bellinha a qualquer momento. – revirei os olhos para Emmett. – Estou falando sério. Você iria envergonhar o nome da família se perdesse para o cachorro do Newton. – Rosnei ao pensar nisso.

Eu estava momentaneamente surpreso com minha mudança de atitude. Não sabia o que tinha me levado a agir dessa forma, mas algo me dizia que saber a quantidade de admiradores que a Bella tinha, me impulsionou a fazer alguma coisa.

– Eu aposto que eu escolhi sua roupa para o encontro. Tenho certeza que a Bella vai adorar! – disse Alice saltitando de felicidade. Esme estava radiante. Jasper sentindo a felicidade de todos estava em êxtase. Quer dizer todos, menos Rosalie. Ela estava preocupada com a Bella, ela achava que ela merecia ter uma vida humana plena e feliz, que o lugar dela não era ao meu lado. Tinha que concordar, Rosalie estava certa, eu não era merecedor de uma pessoa como a Bella. Mas porque a simples ideia de não tê-la ao meu lado me fazia sentir uma dor tão grande em meu peito?

Fui para a aula de inglês, um pouco confusa. Um pouco confusa? Você está brincando comigo. Pouco confuso é física quântica, se pegar um dicionário ilustrativo e procurar a palavra confusão vai estar à cara que você está fazendo agora. Ok, a vadia interior está completamente certa, eu era a imagem da confusão. Não sabia o motivo que me levou a aceitar o convite de Edward, tentava me convencer que era por ele ter salvado a minha vida, mas algo me dizia que tinha mais. Sua expressão e atitudes sempre eram conflitantes, como se travasse uma batalha entre ele e isso de alguma forma me fazia querer ajuda-lo. Não fisicamente falando, ele já provou não precisar desse tipo de ajuda. Era como se ele precisasse que alguém acreditasse nele.

Esme me olhou de forma maternal, como se quisesse me abraçar e cada vez sua admiração por Bella crescia, achava que Bella era a pessoa certa para mim. Carlisle me olhava de forma significativa, ele era o que mais me compreendia, sabia o quanto eu repudiava o que eu era, acima disso eu me repudiava. Bella jamais ia querer me ajudar ao saber o meu passado, saber que eu era um assassino. Será que essa dor no peito não irá passar?

Quando a aula terminou que percebi que quase não tinha prestado atenção em nada, tentando encontrar um motivo por trás das atitudes do Edward. Mike e Eric me encontraram na porta. Mike estava entusiasmado com a viagem à praia que ele planejava e falava sobre isso sem parar. Ele e a Jessica devem entrar em uma disputa ferrenha para vê quem fala mais.

Praia. Eu sentia falta de praia, eu sempre adorei a combinação sol e mar. Por algum motivo, praia em Forks não parecia uma visão muito animadora. Quem sabe essa chuva incessante seja um indicativo?
O resto da manhã passou normalmente, depois que consegui me concentrar devidamente nas aulas. As matérias pareciam absurdamente mais fácies depois de tentar entender Edward Cullen. Claro, estudar até a matéria mais difícil se tornava um simples aprender o alfabeto e somar 1 + 1, perto de tentar desvendar o Edward.

– Você podia ser um pouco mais esclarecedor. – disse Jasper.

– Como você quer que eu seja esclarecedor se eu não posso falar o que eu sou? – respondi irritado.

Jessica e eu entramos no refeitório, peguei apenas uma garrafinha de limonada enquanto ouvia o tagarelar sem parar sobre os planos para o baile. Eu disse para você aproveitar enquanto ela ficava calada. Depois que o Mike aceitou seu convite estava difícil aturar Jessica, antes que minha cabeça começasse a girar e meu cérebro desse um bug. Retirei-me o mais rápido que consegui.

– Estou indo – disse a Jessica, me dirigindo a minha mesa isolada do canto. E para minha completa surpresa estava com um ocupante.

– Oh, quem será? – Emmett zombou. – Vai investir pesado agora Ed? Espero que seja mais claro dessa vez.

– Cala boca Emmett. – rugi. Se meu coração batesse tenho certeza que ele estaria acelerado agora. Não conseguia acreditar que eu seria tão ousado em sentar a mesa de Bella. E se ela me rejeitasse?

Fiquei momentaneamente sem saber o que fazer. Edward sorriu torto ao ver minha cara de confusão, ele levantou a mão e gesticulou com o indicador para que eu me juntasse a ele e deu uma piscadela.

– Você está flertando? – disse Jasper incrédulo. Eu nunca me senti tão constrangido e algo me dizia que isso só iria aumentar. Era difícil ouvir ao meu respeito dessa forma.

– Será que o Ed vai finalmente desencalhar? – perguntou Emmett animado. Me segurei para não soca-lo.

Quando cheguei à mesa de Edward, me sentei automaticamente, observando-o com cautela. Ele ainda sorria. Ele parecia estar esperando que eu dissesse alguma coisa como sempre. Gostaria de saber se ele nunca seria o primeiro a falar.

– Então... algum motivo especial para eu ter minha mesa invadida? – perguntei com um pequeno sorriso.

– Bom… – Ele parou, e depois o resto das palavras saíram num jato. – Eu concluí que, já que vou para o inferno, posso muito bem fazer o serviço completo.

Ouvi o gemido de Emmett. – O que eu faço com você?

– Edward isso não é coisa que se diga. Você não vai para o inferno. – Esme falou indignada. Claro que não, pensei. Eu não podia nem morrer.

Esperei que ele dissesse alguma coisa que fizesse sentido. Os segundos se passaram. Um minuto que vou fazer uma pesquisa no Google para vê se encontro algum sentido para essas palavras, já volto. Tive que concordar com minha vadia. Depois diziam que mulheres eram confusas, perto de Edward era como comparar um jogo de xadrez com um jogo da velha.

– As comparações de Bella ao seu jeito estão me matando Edward. – disse Emmett rindo.

– Sabe que não faço ideia do que você quer dizer – ressaltei por fim. Incrível como falávamos o mesmo idioma e eu não conseguia entender metade das frases proferidas por ele.

– Eu sei. – Ele sorriu. Parecia que ele estava tentando soar casual.

– Edward não é só a Bella que está confusa, você pode nos dar uma luz? – Emmett me perguntou.

– Eu não sei... eu acho que eu quero ficar próximo a Bella, mas eu não posso Emm como eu vou ficar ao lado dela? É um risco muito grande. Acho que a Bella tem razão como sempre, eu devo estar dividido entre o que eu quero e o que é certo.

– E eu posso saber por que não é certo ficar ao lado dela? – Alice meu perguntou com frustração.

– Como você não sabe Alie? Tudo indica que Bella cheira bem demais para mim, fora que eu sou o que sou! É um risco muito grande para Bella. Imagina como ela vai reagir ao saber o que eu sou? Ela vai no mínimo gritar e sair correndo. – disse com um estremecimento. Eu já estava dependente da companhia da Bella e não era só o meu “eu” do diário. Eu ficava cada vez mais ansioso para conhecer a Bella de verdade e não apenas por seus diários.

– Então, posso saber qual é o motivo disso tudo? – perguntei tentando obter alguma resposta esclarecedora.

– Eu lhe disse… Fiquei cansado de tentar ficar longe de você. Então estou desistindo. – Ele ainda sorria, mas os olhos ocres eram sérios.

– Desistindo de quê? – perguntei quase sem esperança de entender alguma coisa.

– Sim… Desistindo de tentar ser bom. Agora só vou fazer o que eu quiser e deixar os dados rolarem. – O sorriso dele diminuiu à medida que ele explicava e um tom sério esgueirou-se por sua voz.

– Oh, Edward não diga isso! Você é uma boa pessoa. – Esme me olhou com carinho.

– Nem sei se posso me considerar uma “pessoa”. – resmunguei.

– Você é dramático demais Edward. – Rosalie falou. – Ou você se aproxima ou se afasta. Tome uma decisão e a siga não precisa fazer tanto drama. Em minha opinião, você devia ficar com a segunda.

– Rosalie! – Esme ralhou. Ela apenas deu de ombros.

– É a minha opinião, quem sabe a Bella concorde comigo. Ela merece alguém melhor que o Edward. Mas, se por algum milagre ela vier à aceita-lo tenho certeza que ele vai penar nas mãos dela. – Rosalie disse com um pequeno sorriso.

– O que você quer dizer Rose? – indagou Jasper confuso. Confesso que eu também estava. Bella era uma ótima pessoa, eu seria abençoado se ela me aceitasse ao seu lado.

– Vocês não entenderam o que minha Rose quis dizer? – perguntou Emmett surpreso. Continuamos os encarando confusos. – O nosso Ed vai penar nas mãozinhas da humana. Ele não tem acesso aos pensamentos dela... e ela não aceita as vontades do Edward, que sabe o ponto fraco de todos lendo a mente, tenho certeza que ele fará tudo que ela quiser. Você será pior do Charlie mano. – completou com uma risada. Queria falar que ele estava errado, mas tinha a impressão que o Emmett tinha razão. Isso vai ser constrangedor.

– Você só está conseguindo me deixar mais confusa. Você poderia falar uma frase que seja da minha compreensão? – que tal você falar em latim? Quem sabe seja mais fácil eu entender alguma coisa.

O sorriso torto reapareceu.

– Desculpe, eu sempre falo demais quando converso com você… Este é um dos problemas.

– Eu não me importo se você falar demais ou não, só gostaria de entender alguma coisa – eu disse. – Você quer dizer que vamos ser amigos agora?

– Amigos… – refletiu ele, indeciso. Depois sorriu. – Bom, acho que podemos tentar. Mas estou avisando desde já que não sou um bom amigo para você. – Por trás do sorriso, o alerta parecia ser real.

Tudo isso para dizer que vamos tentar ser amigos? Sério que eu gastei metade da minha massa cefálica para entender isso? Puta merda! Esse cara deveria ser amigo de alguém como o Einstein, até eu cansei minha beleza para tentar fazer algum sentindo nas palavras dele. Olha lá até o cabelo dos dois é parecido, ele é a versão mais nova do Einstein sem bigode. Pior, parece que os dois brigam diariamente com o pente e são gênios. Vai vê ele é altista. Essa é uma boa teoria. Vai vê é por isso que não entendo nada do que ele fala, a mente dele está bem acima da minha. Deve ser mesmo altista.


* http://www.google.com.br/imgres?q=albert+einstein&hl=pt-BR&sa=X&biw=1366&bih=611&tbm=isch&prmd=imvnso&tbnid=jWIelBQ6WTnf9M:&imgrefurl=http://www.tocadacotia.com/famosos/albert-einstein&docid=Ur0VQG5Ke3dTwM&imgurl=http://www.tocadacotia.com/wp-content/uploads/2011/03/albert-einstein.jpg&w=407&h=497&ei=b4gUT5i4JYfzggfy1cgn&zoom=1

– Sério Edward até nos conhecermos a Bellinha de verdade, vou ter seu manual pronto. Você não leva o melhor jeito com as mulheres mano. Ela te chamou de altista! – Emmett dizia rindo. Todos estavam parecendo se divertir com minha clara tentativa frustrada de ter algum diálogo decente com a Bella.

– Acho que você precisa de um corte de cabelo Edward, ser comparado com o cabelo do Einstein é sinal que você precisa mudar. – disse Jasper sendo acompanhado pelos outros rindo. Segurei um rosnado que queria sair, eu estava ficando constrangido a cada minuto.

– Você já disse isso muitas vezes – observei, ele queria ser meu amigo ou queria que eu ficasse longe? Pede para ele tirar par ou ímpar ou decidir na pedra, papel e tesoura, mas, por favor, decidi alguma coisa. Eu concordava com a V.I. ele podia se decidir de uma vez.

– Sim, porque você não está ouvindo. Ainda estou esperando que acredite nisso. Se for inteligente, vai me evitar.

Emmett gemeu. – Qual o seu problema mano? Agora eu sei por que você nunca teve uma namorada!

– O que eu fiz? – perguntei perplexo.

– Eu estou começando a ter pena da Bella. – murmurou.

– Isso é uma maneira indireta de dizer que não sou inteligente ou uma maneira polida de me chamar de burra? – Meus olhos se estreitaram.

– Ah, não foi a minha intenção. – murmurei baixinho. Se eu pudesse corar sem dúvidas estaria vermelho. Eu a ofendi e nem percebi, Emmett estava certo, eu não tinha o menor jeito, eu queria saber se eu ia parar de me humilhar em algum momento.

Imediatamente seu sorriso sumiu, seus olhos pareciam arrependidos. – Não quis dizer dessa forma, mas não seria prudente ser minha amiga.

– E aí, como estou sendo… nada inteligente vamos tentar ser amigos? – perguntei de uma vez. Afinal era a única coisa que eu tinha quase entendido. Uau, durante a conversa toda você “quase” entendeu alguma coisa? Agora entendo por que ele lhe chamou de burra. Ele não me chamou de burra disse que eu não era inteligente! Disse me defendendo para minha vadia. Hurrum, em algumas culturas ser chamada de “não inteligente” é considerado sinônimo de burra. Fica a dica. Suspirei frustrada. Ser amigo de um altista estava começando a me deixar frustrada.

– Isso parece bom. – coitado do Tico e Teco, eles estavam exaustos eu acabei com eles tentando formular uma simples resposta. Comecei a me lembrar de tudo o que aconteceu desde que conheci o Edward-altista-Einstein.

– No que está pensando? – perguntou ele, curioso.

– E isso esclarece nossas dúvidas de vez... Você não pode ler a mente dela Edward. – disse Jasper.

– Isso já foi esclarecido há muito tempo. – falou Emmett. Todos olhamos para ele. – Vocês acham que ele seria um completo idiota por querer? Lógico que ele não tinha a mente dela como guia, ele não faria um papel de louco altista de propósito.

– Muito obrigado Emmett. – disse com raiva.

– Disponha. – me respondeu com um sorriso.

Virei-me para seus olhos dourados e disse a verdade. – Estou tentando entender quem é você.

Seu com algum queixo se apertou, mas ele manteve o sorriso no rosto com um esforço. Claramente não era um sorriso verdadeiro.

– Está tendo sorte? – perguntou ele num tom meio rude.

– Não muita – admiti.

Ele riu.

– Quais são suas teorias?

Eu corei. Como eu poderia falar para ele: “olha para sua mudança de humor eu acho que você sofre de TPM, para suas frases confusas eu suponho que você seja altista. Ah, só por curiosidade você é fã do Einstein para manter seu cabelo desse jeito ou você gastou todo o seu dinheiro comprando um Volvo e não sobrou uns trocados para um pente?”.

Suspirei ao ouvir a gargalhada da minha família. Agora eu começava a entender o que Rosalie e Emmett falaram. Eu não tinha poder nenhum sobre a Bella.

– Não vai me dizer? – perguntou ele, inclinando a cabeça de lado com um sorriso tremendamente tentador. Tenho certeza que ele conseguiria qualquer coisa com esse sorriso. Não iria facilitar a vida dele, afinal eu me esforcei muito para entender uma única frase dele.

Sacudi a cabeça.

– Nem pensar.

– Isso é muito frustrante, sabia? – queixou-se ele. Estreitei meus olhos para ele.

– Não, nem consigo imaginar como seria frustrante para você não saber o que eu estou pensando. Deve ser muito difícil, certo? Porque sou eu que ajo como uma maluca no primeiro dia de aula e sumo por uma semana inteira e depois apareço falando normalmente como se nada tivesse acontecido… Ora, por que isso seria frustrante?

– Ela vai acabar com você Edward. – Alice disse com um sorriso no rosto.

– Sem dúvidas, por isso fico cada vez mais fã da Bellinha.

Ele deu um sorriso duro.

– Ou melhor – continuei, a irritação contida agora fluía livremente –, digamos que eu tenha tido uma série de atitudes estranhas… Como por exemplo de um dia salvar sua vida sob circunstâncias impossíveis, depois tentar fazer que duvide de sua sanidade mental instantes depois e no dia seguinte, tratar como uma pária e nunca explicar nada disso, nem mesmo depois de ter prometido. Isso também não seria nada frustrante.

– Você tem um gênio e tanto, não é? – murmurou por fim.

– Não gosto de dois pesos e duas medidas. Muito menos de pessoas que quebram sua palavra. Não se deve prometer aquilo que não vai cumprir.

Me senti um menino sendo repreendido severamente pela mãe. Fiquei envergonhado com suas palavras, ela estava completamente certa.

– Eu gosto dela – disse Rosalie, surpreendendo todos. – O quê? Qualquer pessoa que ponha o Edward Sabe-Tudo no seu lugar merece meu respeito.

Ficamos nos encarando, sem sorrir.

Ele olhou por sobre meu ombro e depois, inesperadamente, deu uma risadinha.

– Que foi?

– Parece que seu namorado acha que estou sendo desagradável com você… Está se perguntando se vem ou não interromper nossa briga. – Ele riu novamente.

– Alguém está com ciúmes? – Alice comentou com um sorriso.

Imaginei se ele não estava falando isso apenar para mudar de assunto ou se estava tentando me provocar. Resolvi tirar essa dúvida.

– Devo ficar preocupada se meu namorado aparecer aqui? – Seu sorriso sumiu.

– Você tem um namorado? – me perguntou completamente sério.

– Sem dúvidas é ciúme. – falou Alice.

Que história era essa de namorado? Não gostei nenhum pouco disso.

– Foi você quem falou, não eu, apenas perguntei se deveria ficar preocupada, talvez você devesse até me apresentar a ele, sem dúvidas eu não o conheço.

– Então quer dizer que você não tem... – ele interrompeu sua frase e balançou a cabeça exasperado. – Você fez isso só para me provocar não?

– Foi você quem começou, eu apenas entrei na sua brincadeira. E como você sabe que querem apartar nossa suposta briga?

– Viu como é ruim não poder ler a mente das pessoas? – Emmett me perguntou. Eu podia ver como eu penaria ao lado da Bella. Não saber seus pensamentos deveria me deixar completamente frustrado.

–Eu lhe disse, é fácil interpretar a maioria das pessoas.

– Correção, é fácil interpretar as pessoas quando se pode ler a mente dela. – Emmett disse com ar de sabe tudo.

– A não ser a mim, é claro.

– Sim. A não ser você. – Seu humor mudou de repente, os olhos ficaram injetados. – Fico me perguntando o porquê disso.

– Você faz alguma ideia? – perguntei para Carlisle. Ele era o único que poderia ter alguma resposta.

– Não, isso nunca aconteceu antes. Nunca ouvir falar de um humano que conseguia bloquear algum dos nossos dons. Creio que saberemos em algum momento dos relatos da menina no diário.

A intensidade dessa declaração me obrigou a desviar os olhos. Concentrei-me em abrir a tapa da minha limonada usando como distração e tomei um gole.

– Não está com fome? – perguntou ele, distraído.

– Não. E você? – Olhei para a mesa vazia diante dele.

– Não, não tenho fome. – Não entendi a expressão dele; parecia curtir uma piada particular. Depois lembrei que nunca tinha visto nem ele nem sua família comerem. Analisaria com mais cuidado depois.

– Claro que ela vai analisar. – murmurou Jasper. Tinha que concordar que nada passava pela Bella.

– Pode me fazer um favor? – perguntei depois de um segundo de hesitação.

O que será que a Bella iria querer de mim? Fiquei curioso e um pouco apreensivo. E se ela quisesse que eu me afastasse?

Ele de repente ficou cauteloso.

– Depende do que você quer.

– Não é grande coisa – garanti a ele.

Ele esperou, em guarda, mas curioso.

– Eu só gostaria de lhe pedir para não mentir mais para mim. Eu odeio mentiras e se você quiser ter a minha amizade espero que você compreenda que confiança e mentira não combinam. Se você não puder ou não quiser me falar algo, eu entendo, ou melhor, eu aceito. Todos têm seus segredos e você não é obrigado a compartilhar comigo, se quiser me contar eu estarei ouvindo, mas se não quiser não precisa me contar nada. Só não minta mais.

– Parece justo. – Ele estava sério

– Ela é uma pessoa admirável. – disse Carlisle fascinado. Ele não era o único. Não podia acreditar que ela não fez nenhuma cobrança. Cada vez mais eu entendia o meu “eu” do diário. Era fácil vê porque não me afastei quando tive oportunidade, Bella era tudo que eu sempre sonhei em ter em minha vida. Cada minuto eu sentia estar me apaixonando mais por essa simples humana. Suspirei. Sim, eu estava me apaixonado por relatos em um diário. Quando será que eu irei conhecê-la de verdade?

– Obrigada.

– Então posso ter uma resposta em troca? – perguntou ele.

– Talvez.

– Me dê uma teoria.

– Não.

– Só uma teoria… Eu não vou rir.

– Aprenda a ouvir um não.

– Ele não ouve um não ele simplesmente lê a mente dos outros. – disse Emmett e todos concordaram. – Põem moral nele Bellinha!

– Eu não faço de propósito. – me defendi.

Ele olhou para baixo e depois para mim através dos cílios longos e escuros, os olhos cor de cobre, abrasadores.

– Por favor? – sussurrou ele, inclinando-se para mim. Eu queria rir. Tenho certeza que essa era seu olhar mais persuasivo. Pena que eu também tinha esse olhar. Estava prestes a falar não novamente, mas pensei sobre nosso acordo anterior. Quem sabe ele não esclareceria uma dúvida.

– Hmmm, bom, já que você mora numa cidade alienígena você não é um E.T.?

Todos gargalhamos com isso. Só a Bella para pensar que eu seria um extraterrestre.

– Uma cidade o quê? – perguntou ele divertido.

– Você não reparou nessa cidade? Ela é toda verde, parece uma cidade alienígena – eu disse com falsa surpresa. – Pensei que como era uma cidade alienígena você poderia ser um E.T.

– Nem chegou perto – zombou ele.

– Tem certeza? Afinal você tem dedos longos iguais do E.T.*, não quero me surpreender em ver você apontar para o céu e falar “Minha casa”. Preciso comprar uma bicicleta?** – falei sorrindo. – Sinceramente acho que você não cabe no cestinho.

* http://www.google.com.br/imgres?q=e.t.&hl=pt-BR&biw=1366&bih=611&tbm=isch&tbnid=tbmD_OVXFL7GrM:&imgrefurl=http://cienciasaqui.blogspot.com/2011/04/cadaver-de-um-et-e-encontrado-na.html&docid=Af2JnlRHGW_ESM&imgurl=http://1.bp.blogspot.com/-xaQ6cnlzKKU/TbAb6SSpmdI/AAAAAAAABko/bIfJFJft_PA/s400/et.jpg&w=400&h=300&ei=Ko8UT5z4FcWvgwfKgJHKAw&zoom=1

** http://www.google.com.br/imgres?q=e.t.&hl=pt-BR&biw=1366&bih=611&tbm=isch&tbnid=h0Pi_eCWNl2ydM:&imgrefurl=http://entretenimento.r7.com/blogs/giuseppe-oristanio/2011/01/22/et-go-home/&docid=fYPPuPg5w66IrM&imgurl=http://entretenimento.r7.com/blogs/giuseppe-oristanio/files/2011/01/ET.jpg&w=550&h=306&ei=Ko8UT5z4FcWvgwfKgJHKAw&zoom=1

Ele gargalhou alto. – Tenho certeza. Você não precisará de nenhuma bicicleta. – ele ainda estava rindo.

Eu não conseguia parar de rir junto com os demais. De onde ela tirou essa ideia? Eu nunca o vi rindo dessa maneira, a Bella é muito especial para ele, pensou Esme. Estava prestes a corrigir, quando tentei lembrar um dia em minha vida que eu tenha gargalhado dessa maneira, Esme estava certa, eu nunca me senti tão leve como agora.

– Droga. Eu já estava me imaginando voando em cima de uma bicicleta em uma noite de lua cheia. – acabei rindo também.

– Desculpe frustrar suas expectativas.

– Espero que você seja algo mais legal do que isso – suspirei.

– Você acharia legal se eu fosse um extraterrestre? – perguntou incrédulo.

– Só se você pudesse voar.

Ele riu de novo e eu o acompanhei.

– Foi a única coisa que me veio a cabeça. Na verdade eu pensei em Roswell*. – ele me olhou confuso. – aquela série que tinha três extraterrestres. – continuou confuso. – Você nunca viu essa série? Tudo bem que ela é antiga, mas não é para tanto, você não é nenhum jovenzinho. É uma série onde três extraterrestres convivem com os humanos tentando não chamar a atenção até que ouve um tiroteio e o Max que é um E.T. salva a Lix que é humana.


* http://pt.wikipedia.org/wiki/Roswell_%28s%C3%A9rie%29

– Série de televisão não é muito criativo. – zombou novamente.

– Vou tentar melhor da próxima vez... você sabe que um dia eu vou descobrir – eu o alertei.

– Gostaria que não tentasse. – Ele estava sério de novo.

– Porque…

– E se eu não for o mocinho? E se eu for o vilão? – Ele sorriu brincalhão, mas seus olhos eram impenetráveis. Tinha um aviso ali.

– Ah – eu disse, enquanto várias coisas que ele sugeriu se encaixavam de repente. – Entendi. – finalmente. Aleluia... Aleluia! Aleluia, aleluia... gritava minha vadia interior. Demorou hein.

Segurei minha respiração. O que eu falei? Ela iria embora agora? Me deixaria sem eu falar qual a sua importância na minha vida? O quanto esses pequenos momentos me fizeram feliz? Fechei as mãos em punhos esperando ansiosamente a resposta.

– Entendeu? – Subitamente seu rosto ficou sério, como se ele tivesse medo de ter falado demais sem querer.

– Você é perigoso. – afirmei o que eu percebia, por intuição e não conseguia colocar em palavras. Agora a minha corrida desenfreada daquele primeiro dia de aula tinha sentido. Ele era mesmo perigoso. Que bom, eu sinceramente achei que você estava louca. Não que agora eu lhe ache mais normal por ter se escondido debaixo da escada. Será que você poderia me elogiar nem que seja uma vez? Disse frustrada, sempre era um meio elogio. Não reclame, eu ainda acho que você tem um parafuso a menos por falar com você mesma. Quer me deixar pensar direito? Ok, agora que você descobriu que ele era o lobo mal e você a chapeuzinho vermelho eu fico calada. Suspirei. Era isso que ele estava tentando me dizer o tempo todo com sua conversa confusa, por isso ele queria me afastar.

Ele só olhou para mim, os olhos com alguma emoção. Não consegui compreender. Parecia querer falar algo.

– Você é perigoso – falei com mais certeza. Ele abaixou a cabeça, escondendo seus olhos de mim. – Mas não é mau. Não, não acredito que você seja o vilão.

– Viu meu filho, ela acredita em você. – disse Esme emocionada por a Bella ter me aceitado.

– Ela vai mudar de ideia assim que saber o que eu sou. – afirmei tristemente. Ela descobriu que sou perigoso, mas não sabe a extensão do perigo. Se soubesse iria embora. Se eu não fosse mau eu a deixaria em paz.

– Está enganada. – A voz dele era quase inaudível. Ele continuou olhando para baixo, roubando minha tampa de garrafa e girando-a de lado entre os dedos.

O silêncio durou até que percebi que o refeitório estava quase vazio. Com um salto fiquei de pé.

Será que a Bella ficou com medo de ficar a sós comigo? Não queria a assustar.

– Vamos chegar atrasados.

Suspirei aliviado.

– Eu não vou à aula hoje – disse ele, girando a tampa com tanta rapidez que ela se tornou apenas só mancha.

– Você podia ser mais discreto. – falou Rosalie.

– Porque vai matar aula Edward? – perguntou Esme com uma censura na voz. Dei de ombros. Também não imaginava o motivo.

– E por que não? – indaguei confusa. Tirando a semana que nos conhecemos nunca o vi matar uma aula.

– É saudável matar aula de vez em quando. – Ele sorriu para mim, mas seus olhos ainda estavam perturbados.

– Bom, eu vou – disse a ele. Eu era covarde demais para me arriscar a ser apanhada. Sério? Você é a garota que se escondeu embaixo de uma escada, covardia é quase um sinônimo para sua atitude. Será que minha vadia interior nunca deixaria que eu esquecesse essa história? Não, só deixaria você esquecer se você tivesse cinco anos de idade, aí você teria algum argumento.

– A gente se vê depois, então.

– Tchau. – murmurei por fim, enquanto eu quase corria para a aula, minha cabeça girava mais rápido do que a tampinha da garrafa.

Tão poucas perguntas foram respondidas em comparação com a quantidade de perguntas novas que surgiram.

Tive sorte; o Sr. Banner ainda não estava na sala quando cheguei. E então o Sr. Banner entrou na sala, cumprimentando a turma. Fazia malabarismos com umas caixinhas de papelão nos braços. Se fosse você segurando todas já teriam ido ao chão. Ele baixou-as na mesa de Mike, dizendo-lhe para começar a passá-las pela turma.

– Muito bem, pessoal, quero que todos tirem um objeto de cada caixa – disse ele enquanto pegava um par de luvas de látex do bolso do casaco e as vestia.

– O primeiro deve ser um cartão indicador – prosseguiu ele, pegando um cartão branco com quatro quadrados e exibindo-o. – O segundo é um aplicador de quatro dentes… – Ele ergueu uma coisa que parecia um prendedor de cabelos sem dentes – e o terceiro é um micro bisturi estéril. – Ele levantou um pedacinho de plástico azul e o abriu em dois.

– Tipo sanguíneo. Por isso você matou aula, eu devo ter previsto isso e lhe avisado. – afirmou Alice. Estremeci ao pensar em ter o sangue de Bella tão próximo a mim. Era melhor eu não estar nessa aula.

Sr. Banner continuou a explicar, mas eu não conseguia me concentrar. Ele pegou a mão de Mike e deu uma estocada com a lâmina na ponta do dedo médio dele.

– Coloquem uma pequena gota de sangue em cada um dos dentes.

Ele demonstrou, espremendo o dedo de Mike até que o sangue fluiu. Engoli em seco convulsivamente, meu coração palpitando cada vez mais rápido. Senti minhas mãos começarem a tremer. Minha respiração começava a falhar, o ar estava começando a faltar. Eu sabia o que isso significava, eu teria um ataque de pânico a qualquer momento.

– Oh não! – Carlisle falou e olhamos para ele preocupados. – Eu achei que o episódio com a ambulância fosse uma exceção. Acho que me enganei, pelo visto o sangue também a faz ter um ataque de pânico.

– O que você quer dizer? – indagou Alice confusa.

– Depois de um acidente traumático é comum algumas pessoas desenvolverem alguma síndrome ou fobia. No caso da Bella algumas coisas relacionadas ao acidente de carro que sofreu parecem a fazer ter um ataque de pânico.

– O que significa? – perguntou Esme preocupada. Também estava começando a me preocupar. Eu sabia que existia algum estresse pós-traumático, mas nunca me preocupei em estudar profundamente sobre o assunto.

– Determinadas coisas fazem acionar como se fosse um gatilho. Pela descrição das palavras dela o sangue no menino Newton a fez lembrar o acidente. Geralmente são taquicardia, palpitação, tremores, náuseas e vários outros sintomas variando de pessoa para pessoa. O principal é a perda do controle sobre as suas emoções, ela tem que ter algum antidepressivo ISRS (N/A: significa Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina), não sei o que pode acontecer se ela não tiver nenhum. – terminou deixando que ficássemos preocupados.

Ele continuou pela sala com as gotas de água. Encostei o rosto no tampo de mesa frio e preto e tentei me manter consciente. Estava perdendo o controle das minhas emoções. Tinha deixado meus remédios para emergências em meu quarto, estava começando a me desesperar, meu corpo estava começando a tremer.

Fechei o punho fortemente, queria está ao lado da Bella para ajuda-la. Mais uma vez repudiei o fato de ser um monstro. Se eu fosse normal poderia ficar em sala de aula para lhe ajudar. Não teria que ficar correndo por uma simples gota de sangue.

– Bella, está tudo bem? – perguntou o Sr. Banner. A voz dele estava perto da minha cabeça e parecia alarmada.

– Eu preciso sair. Agora. – disse com dificuldade. Parecia que o ar faltava em meus pulmões. Tinha certeza que estava ficando mais pálida a cada segundo. Não estava conseguindo respirar direito.

– Acha que vai desmaiar?

– Sim, senhor – murmurei.

– Alguém pode levar Bella à enfermaria, por favor? – gritou ele.

Não precisei olhar para cima para saber que Mike seria o voluntário.

Rosnei com isso. Mike poderia ajudar a Bella, enquanto eu estava escondido em algum lugar. Bella precisava de mim. Por mais forte que ela parecesse ela me parecia muito frágil. Steve estava certo, Bella era como uma frágil e delicada boneca de porcelana. Se eu tivesse um coração ele estaria acelerado agora, eu podia sentir que já estava mais apaixonando ainda por ela, tinha uma grande preocupação em perdê-la, ela é tão frágil. Eu estaria perdido assim que colocasse meus olhos sobre ela.

– Pode andar? – perguntou o Sr. Banner. Acenei brevemente com a cabeça, estava tentando poupar o ar dos meus pulmões.

Mike parecia ansioso ao passar o braço por minha cintura e puxar meu braço para o ombro dele. Eu me apoiei nele pesadamente ao sair da sala de aula. Tinha uma leve impressão que Mike estava se aproveitando disso.

Senti uma súbita vontade de arrancar os braços do Newton. Para o bem da minha sanidade e da vida desse verme era bom eu não encontra-lo tão cedo.

Mike me rebocou devagar pelo campus. Quando estávamos perto do refeitório, fora de vista do prédio quatro, para o caso do Sr. Banner estar olhando, eu parei.

– Deixe eu me sentar um minuto, está bem? – pedi.

Ele me ajudou a sentar na beira da calçada.

– E o que quer que você faça, não tire a mão do bolso – alertei. Eu ainda sentia as palpitações no meu coração. Depois do acidente, algumas coisas me faziam ter ataque de pânico, sangue era uma delas. Geralmente coisas relacionadas ao acidente. Eu estava bem melhor se comparado aos primeiros meses, ainda assim era difícil, parecia uma batalha diária.

Tombei de lado, colocando o rosto no cimento enregelante e molhado da calçada, fechando os olhos. Isso pareceu ajudar um pouco. Tentei respirar profundamente para recuperar o controle, lembranças vieram rapidamente a minha mente de algumas semanas depois do acidente...

...
– Bom dia bela Bella. – dizia uma voz animada. Era o meu fisioterapeuta que nem me dei ao trabalho de saber o nome e nem tinha vontade em reparar sua aparência. Eu estava naquela cama de hospital por tanto tempo que já tinha perdido as contas. Eu nunca tinha falado uma palavra depois que o médico me deu aquela notícia. Eu só ficava inerte naquela cama. – Então vamos começar com a fisioterapia?

Ele continuou mexendo em minha perna na tentativa de fazer alguns exercícios, eu ignorava completamente à dor que isso me causava, assim como sua presença e de qualquer outra pessoa.

– Sabe se você me ajudar não ficará boa logo. – continue inerte. Ouvi um suspiro. – Você já poderia conseguir ficar em pé com auxilio de um andador se levasse a sério seus exercícios. – queria dizer que ele não estava conseguindo me convencer a cooperar ou simplesmente pedir para ele calar a boca. Preferir me manter calada e fechar os olhos e vê se ele pegava a dica. Como todos os dias ele continuava falando sem parar. Respirei fundo até cair no sono.

...
Eu sabia que estava sonhando, porque eu nunca tinha visto um jardim tão bonito na minha vida. Eu queria olhar para sempre para algo tão belo. Tinha flores coloridas espalhadas por ele, tudo era muito claro e me trazia uma imensa paz. Olhei ao redor e para meu espanto eu vi uma pessoa. Não era qualquer pessoa. Era ELE.

– Steve. – gritei e sai correndo em sua direção.

– Minha bonequinha! – gritou ele me segurando quando pulei em seu colo e enlacei minhas pernas em sua cintura.

– Eu senti tanta sua falta. – falei entre lágrimas.

– Eu também bonequinha, eu também. – ficamos abraçadas por um longo tempo, eu não conseguia solta-lo. Eu estava abraçando meu Steve!

– Precisamos conversar minha bonequinha. – olhei para ele confusa. Ele me colocou no chão e segurou minhas mãos e me puxou para uma caminhada. – Você lembra a promessa que me fez? – perguntou. Abaixei a cabeça envergonhada.

– Eu não consigo Steve, não com você longe. – falei baixinho. Para minha surpresa ele riu.

– É claro que você consegue! Você é a pessoa mais forte que eu conheço e você ainda têm muitos desafios pela frente.

– O que você quer dizer? – perguntei um pouco assustada.

– Minha bonequinha eu não tenho muito tempo então quero que me ouça com atenção.

– Não Steve, fica comigo, por favor! – implorei.

– Ouça com atenção. Eu sempre estou com você, jamais vou lhe abandonar. Só me separei de você em corpo, mas sempre estarei dentro do seu coração. Não chore pelo que não aconteceu, sorria pelo que vivemos juntos. Tivemos momentos tão bons um com o outro. Se agarre nessas memórias boas e crie novas melhores.

– Eu não sei se consigo. – murmurei.

– É claro que sim. Você tem ao seu redor muitas pessoas que te amam, e outras que você tem que dá a oportunidade de amar. Você é jovem e tem muito que viver. Eu já vivi plenamente a minha vida e em grande parte graças a você tive uma vida feliz. Agora é sua vez de continuar vivendo. Muitas coisas ainda acontecerão e ouça sempre a voz do seu coração. Você tem um coração puro e bom, não deixe que nada a faça mudar. Eu amo você e sempre irei amar!

– Eu também te amo Steve.
...

– Puxa, você está verde, Bella – disse Mike, nervoso, me tirando dos meus pensamentos.

– Ela sonhou com Steve? – perguntou Jasper.

– Isso aparece mais que um sonho. – murmurou Carlisle encantado. – Parece um aviso.

– Sinto falta de sonhar. – suspirou Rosalie.

– Bella? – Uma voz diferente chamava a distância.

– Qual é o problema… Ela se machucou? – Agora a voz estava mais perto e ele parecia perturbado.

– O quem será que veio a defender? – falou Emmett com uma voz feminina.

Mike pareceu estressado.

Sorri largo com isso. Eu que iria ajudar a Bella. Não o sarnento do Newton.

– Acho que está desmaiando. Não sei o que aconteceu, ela nem furou o dedo.

– Bella. – A voz de Edward estava bem do meu lado, agora aliviada.

– Claro, pois se tivesse furado o dedo o Edward sairia correndo. – falou Emmett. Meu sorriso sumiu. Emmett sabia me deixar para baixo.

– Pode me ouvir? – Não, fiquei surda momentaneamente. É claro que eu posso ouvi-lo gritando desse jeito.

– Vá embora. – não se pode nem passar mal em paz. Meus parabéns, quando sua vida está quase voltando ao normal você tem que passar mal na aula. Qual o seu problema? Gemi quando minha V.I. disse isso, de volta as fofocas.

Ele riu.

– Estava levando ela à enfermaria – explicou Mike num tom defensivo –, mas ela não conseguiu ir tão longe.

– Vou cuidar dela – disse Edward. Pude ouvir o sorriso ainda na voz dele. – Pode voltar para a aula.

Ri com isso. Daria tudo para vê a cara do palerma do Newton.

– Não – protestou Mike. – Eu é que devo fazer isso.

– Isso vai ser bom. – falou Alice. Aumentei o sorriso.

De repente a calçada desapareceu debaixo de mim. Meus olhos se abriram de choque. Edward me levantara nos braços com tanta facilidade que eu parecia pesar cinco quilos, em vez de cinquenta.

– Exibido. – murmurou Rosalie.

– Você é casado com o Emmett Rosalie, não esqueça disse. – retruquei.

– Ei, qual o problema disso? – falou Emmett indignado. Apenas revirei os olhos. Sem dúvidas meu irmão era o mais exibido da família.

– Me coloque no chão! – pedi me segurando no casaco dele, a última coisa que eu queria era me estatelar no chão. Parece que sentindo a minha insegurança Edward aproximou mais meu corpo do seu. Enquanto continuava a andar.

– É isso aí Ed! Até que enfim pegou a Bellinha de jeito! – gritou Emmett dando um soco no ar. Balancei a minha cabeça não querendo imaginar ter o corpo de Bella tão próximo ao meu.

– Ei! – gritou Mike, já a dez passos de nós.

Edward o ignorou.

– Você está horrível – disse-me ele, sorrindo maliciosamente.

– E eu achando que você tinha melhorado. – murmurou Emmett. – Como você diz isso seu cabeçudo?

– Isso foi rude meu filho. – disse Esme.

– Então feche seus olhos. Antes me ponha no chão para eu não correr nenhum risco de cair pelo caminho. – falei com raiva.

– Então você desmaia quando vê sangue? – perguntou ele ignorando o que eu falei. Isto parecia diverti-lo.

– Não acredito que você está achando isso engraçado. – Esme me repreendeu.

– Não é irônico ela ter aversão a sangue? – perguntei.

Não respondi. Fechei os olhos de novo. Meu ataque de pânico já estava quase sobre controle. Ainda estava com o coração acelerado.

Não sei como ele abriu a porta enquanto me carregava, mas de repente ficou quente, então eu sabia que estava dentro de algum lugar.

– Ah, meu Deus – ouvi uma voz de mulher arfar.

– Ela desmaiou na aula de biologia – explicou Edward.

Abri os olhos. Estava na secretaria e Edward passava pelo balcão da frente, indo para a enfermaria. A Srta. Cope, a ruiva da recepção, correu à frente dele para manter a porta aberta. Ela estava vestida TODA de verde. Meu pai! Uma melancia com pernas. Ela não poderia escolher outras cores de roupa não? A enfermeira com cara de vovó desviou os olhos de um romance, pasma, acho que a enfermaria estava mais interessante que seu livro, preciso indicar uns livros novos para ela. Enquanto Edward me carregava pela sala e me colocava delicadamente no papel que estalava e revestia o colchão de vinil marrom da única maca.

Ele me segurou um momento a mais que o necessário. Depois ele se afastou relutantemente e foi se encostar na parede do outro lado da sala estreita. Seus olhos estavam brilhantes e excitados.

– É isso aí Ed, tirando uma casquinha. Depois você fica com raiva do Newton. – arrulhou Emmett. Não sabia que ficava com raiva do Emmett, constrangido com o comentário ou excitado com a hipótese de ficar tão próximo a Bella.

– Ela só teve uma pequena vertigem – garantiu ele à enfermeira sobressaltada. – Estão fazendo tipagem sanguínea na biologia.

A enfermeira assentiu, compreensiva.

– Sempre acontece com alguém.

Claro que esse alguém seria justamente ela, pensei.

Ele sufocou um riso de escárnio.

– Você não devia rir Edward. – falou Alice.

– Só fique deitada um minuto, querida; vai passar.

– Eu sei – suspirei. Eu já estava mais calma, tudo que aconteceu serviu de distração.

– Isso acontece muito? – perguntou ela.

– Às vezes – admiti. Edward tossiu para ocultar outro riso.

– Edward! – falou Esme mais alto. – Você não deveria rir desse jeito. – apenas dei de ombros.

– Pode voltar para a aula agora – disse-lhe ela. Queria lhe falar que ele não poderia voltar, por estar matando aula, eu queria vê se ele continuaria achando graça.

– Acho que vou ficar com ela. – Ele disse isso com tal autoridade que a enfermeira, embora franzisse os lábios, não discutiu. Agora sei o por quê dele não está acostumado a receber um não.

– Vou pegar um pouco de gelo para colocar na sua testa, querida – disse-me ela, e depois irrompeu porta afora. Suspirei, eu já estava melhor, os ataques estavam aparecendo com menos frequência. Eu não posso negar certo orgulho que senti de mim mesma. Eu estava ficando melhor. Acabei voltando às lembranças do tempo em que fiquei no hospital.

...

– Bom dia bela Bella – cumprimentou como sempre meu fisioterapeuta com um sorriso no rosto.

– Bom dia. – lhe respondi com um pouco de esforço, há algum tempo não ouvia o som da minha própria voz. Ele arregalou os olhos e ficou de boca aberta. Sua cara de choque me fez sorrir. Se possível sua boca abriu ainda mais.

– Vo-você... fa-falou... – gaguejou ele incrédulo.

– Sim, que eu saiba minha língua não foi afetada no acidente. – respondi com um pequeno sorriso. Ele franziu o cenho.

– Não sabia que você era tão sarcástica, estou começando a sentir falta quando você ficava muda.

– E eu estou começando a sentir falta quando você era mais simpático. – nos olhamos por um momento antes de começarmos a rir. Ele pareceu fascinado.

– Você tem um riso lindo. – corei um pouco.

– Obrigada. – murmurei corando. Ficamos nos encarando por um tempo. Meu fisioterapeuta aparentava ter por volta dos seus 25 ou 30 anos. Tinha cabelos negros curtos e olhos castanhos bem claros. Tinha um furinho no seu queixo liso que o dividia, ele era bonito, mas eu não podia deixar essa passar. – Você tem queixo de bundinha-de-bebê. – falei sério para ele. Ele fechou a cara.

– Quando você vai voltar a ficar calada? Sinto saudade da paz e tranquilidade. – falou corando. Imaginei que ele tinha esse apelido na infância. Coitado dele! – Vou lhe chamar assim de agora em diante, Doutor-queixo-de-bundinha-de-bebê o que você acha? – perguntei com um sorriso.

– Que você não deveria fazer isso, não esqueça que sou eu que passo seus exercícios. – falou com uma leve ameaça.

– Eu achei esse legal, eu podia lhe chamar de queixo-de-bunda, mas seria depreciativo, esse apelido é mais bonitinho, quase carinhoso. – disse com um leve sorriso.

– Eu não vou ter pena de você nos seus exercícios. Vamos ver quem tem queixo de bunda.

– Isso é fácil, é só você pegar um espelho e a gente descobri. – disse rindo.


– Muito engraçadinha você, quero vê-la pedir misericórdia.


– Então podemos começar logo ou hoje você resolveu me enrolar?

– O quê? E perder essa oportunidade? Jamais. Vou me aproveitar, prepare-se. – e assim foi o começo de um longo tempo de fisioterapia.

...

– Por um momento, você me assustou lá fora – admitiu ele depois de uma pausa. Abrir os olhos saindo de memórias passadas e olhei em sua direção. Seu tom de voz dava a impressão de que ele confessava uma fraqueza humilhante. – Pensei que Newton estivesse arrastando seu corpo para enterrar no bosque.

– Rá rá. Estou gargalhando por dentro, só não estou extravasando essa emoção por estar cansada. – Como ele era engraçado. Será que ele dormiu com um palhaço?

– Não ele está convivendo com o Emmett. – disse Jasper com um falso suspiro.

– Ei, minhas piadas são ótimas, diferentes das do Edward. – se defendeu.

– Sinceramente… Já vi cadáveres com uma cor melhor. Fiquei preocupado se teria que vingar seu assassinato.

– Coitado do Mike. Aposto que ele ficou irritado.

– Ele realmente me odeia – disse Edward de um jeito animado.

Estranhamente também me senti animado ao saber disso. Infernizar Mike Newton seria meu projeto na escola.

– Você não pode saber – argumentei, mas depois me perguntei se, de repente, ele podia.

– Eu vi a cara dele… Sei que me odeia.

– Como foi que você me viu? Pensei que estava matando aula. – Eu já estava bem, só um pouco cansada. Sempre me sentia assim após um ataque, esse foi sem dúvidas o mais breve. Tinha certeza que eu já estava retomando a minha vida a normalidade. Eu estava enfrentando meus medos gradativamente. Só queria deitar em uma cama e dormir um pouco, depois estaria me sentindo perfeita.

– É normal sentir cansaço. – Falou Carlisle em seu tom de voz profissional. – É devido seu sistema trabalhar em uma velocidade maior, como seu coração que estava batendo a uma velocidade anormal do acostumado. Ela sente os efeitos de como se tivesse corrido uma maratona. – finalizou.


Ouvi a porta, abri os olhos e vi a enfermeira com uma compressa fria na mão.

– Lá vamos nós, querida. – Interreompeu a enfermeira colocando a compressa na minha testa. – Parece melhor – acrescentou.

– Estou bem – eu disse, sentando-me. Só com uma pequena dor de cabeça, mas nada fora do normal.

Pude ver que ela estava prestes a me fazer deitar de novo, já iria protestar, mas a porta se abriu exatamente naquele momento e a Srta. Cope colocou a cabeça para dentro.

– Temos mais um – alertou ela. Oba, não serei a única fofoca de amanhã. Você não devia ficar feliz com isso, repreendi minha V.I., não é legal passar mal. Não estou feliz que ele passou mal, só que você não é a única a ser notícia de passar mal. Só estou vendo o lado positivo da coisa.

Desci da maca rapidamente e devolvi a compressa à enfermeira. E depois Mike cambaleou pela porta, agora apoiando Lee Stephens, que estava pálido, outro menino de nossa turma de biologia. Edward e eu nos encostamos na parede para deixar que passassem.

– Ah, não – murmurou Edward. – Vá para a secretaria, Bella.

Olhei para ele, desnorteada.

– Confie em mim… Vá.

Girei o corpo e peguei a porta antes que ela se fechasse, disparando para fora da enfermaria.

– Viram. Ela me obedeceu. – falei principalmente para Emmett e Rosalie. Fiquei com minha cara séria, escondendo o quanto eu fiquei pasmo com isso.

– Desta vez você me deu ouvidos. – Ele estava pasmo.

– Não exatamente, eu senti o cheiro de sangue e achei melhor sair de lá antes que corresse o risco de passar mal de novo. – eu disse, torcendo o nariz. Lee não estava enjoado de ver outras pessoas, como eu. Ele tinha furado seu dedo.

– O que você estava dizendo Edward? – perguntou Rosalie com um sorriso presunçoso nos lábios.

– Você ainda tem alguma dúvida Ed? Sinto estourar sua bolha, mas a Bellinha vai fazer você penar. – disse Emmett rindo. Franzi os lábios frustrados de que a Bella nunca faria o que eu queria.

– As pessoas não conseguem sentir cheiro de sangue – contestou ele.

– Bom, eu consigo… É isso que me faz passar mal. Tem cheiro de ferrugem… e sal. – senti um arrepio passar meu corpo. Eu sempre lembraria o cheiro de sangue. Quando os ataques de pânico começaram eu estava no hospital, por isso eu desistir de ser médica, eu não poderia lidar com sangue diariamente.

– Oh, isso explica por que desistiu da medicina. É uma pena, Bella parece bastante estudiosa e esforçada, tenho certeza que seria uma excelente médica. Gostaria de ajuda-la a superar esse trauma. Seria bom alguém conhecido para trocarmos experiência. – Carlisle falou com um olhar contemplativo. Ele se sentia ansioso para ajudar Bella a superar qualquer trauma. Mais que isso, Carlisle gostaria de ensinar medicina para Bella, como um professor particular.

Ele me olhava com uma expressão insondável.

– Que foi? – perguntei. Nasceu uma segunda cabeça em cima do meu pescoço e eu não notei?

– Nada. – Harrãm... vou fingir que acredito.

Mike depois saiu pela porta, olhando de mim para Edward. Seu olhar para Edward confirmou aquilo que Edward disse sobre o ódio que ele sentia. Me segurei para não rir, Mike precisava aprender melhor a ter o Olhar-do-Mal, ele teria que pedir para o Edward dá umas aulinha particulares para ele. Quase sorrir com o pensamento dos dois juntos.

– Você parece mesmo melhor – acusou ele.

– Sim, por isso vim para enfermaria, para me sentir melhor. Se fosse para piorar continuaria na sala. – Idiota. Tentei me acalmar para não discutir com o Mike, mas me lembrei de uma coisa. – Não tire a mão do bolso – não estava afim de correr o risco de passar mal novamente.

– Não está mais sangrando – murmurou ele. – Vai voltar à aula?

– Claro, adoraria voltar para a enfermaria. – falei sério para ele. Ele abaixou o rosto. Me senti mal de ser tão rude e tentei melhorar meu argumento. – Acho melhor não correr esse risco. Vou ficar por aqui.

– É, acho que seria melhor… Então, vai nesse fim de semana? À praia? – Enquanto falava, ele disparou outro olhar para Edward, que estava encostado no balcão atravancado, imóvel como uma escultura, fitando o vazio, mas parecendo atento a conversa. Tentei parecer o mais simpática possível.

– Claro, eu disse que iria.

– Vamos nos reunir na loja do meu pai, às dez. – Os olhos dele dispararam para Edward de novo, perguntando-se se devia deixar escapar muita informação. Sua linguagem corporal deixava claro que não era um convite aberto. Ele parecia querer berrar que o Edward não estava convidado e para ele não se atrever a aparecer.

– Acho que você ganhou um inimigo. – falou Jasper com um sorriso igual ao meu e de Emmett. A vida do Newton não seria fácil. Rir mentalmente ao pensar em diversas formas de atormenta-lo.

– Estarei lá – prometi.

– A gente se vê no ginásio, então – disse ele, andando inseguro para a porta.

– Até – respondi. Ele olhou para mim mais uma vez, a cara redonda num beicinho, e depois, ao passar lentamente pela porta, seus ombros arriaram.

– Ginásio – suspirei. Não estava com nenhuma disposição de fazer qualquer exercício além de levantamento de Forks (N/A: garfos em inglês).

Rimos com isso. – Viu a Bella é engraçada. Diferente de outra pessoa. – disse Emmett apontando diretamente para mim. Revirei os olhos.

– Posso cuidar disso. – Eu não tinha percebido que Edward viera para o meu lado, mas agora ele falava no meu ouvido. – Sente-se e pareça pálida – murmurou ele.

Não era nenhum desafio; eu era sempre pálida. Ele podia ter dito apenas “sente-se”. Sentei em uma das cadeiras dobráveis que rangiam e encostei a cabeça na parede, com os olhos fechados. Ouvi Edward falar suavemente no balcão.

– Srta. Cope?

– Sim?

– Bella tem educação física no próximo tempo e não acho que ela esteja se sentindo muito bem. – eu já estava bem, só estava sem vontade de fazer qualquer esforço. No meu dicionário isso quer dizer preguiça. – Na verdade, eu estava pensando que devia levá-la para casa agora. – Hã? – Acha que pode dispensá-la da aula? – A voz dele era derretida como mel. Eu podia imaginar como seus olhos estavam mais dominadores. Me segurei para não rir. Coitada da Sra. Cope, devia está tendo um treco. Gostaria que ela falasse não, seria hilário a cara que Edward faria. Infelizmente eu já tinha certeza de qual seria sua resposta.

– Claro, vai precisar de uma dispensa também, Edward? – disse irrequieta a Sra. Cope. Claro que não, ele mata aula facilmente, uma a mais não fará diferença.

– Não, tenho a Sra. Goff, ela não vai se importar.

– Muito bem, está tudo resolvido. Melhoras, Bella – disse ela a mim. Acenei com a cabeça levemente.

– Consegue andar, ou quer que eu carregue você novamente? – De costas para a recepcionista, a expressão dele tornou-se sarcástica.

– Parece que você ainda tem o seu charme Edward. – me disse Alice. Eu sei como conseguir o que quero. Eu queria falar para Bella observar como os humanos reagem normalmente a nossa presença. Quem sabe ela poderia agir como qualquer pessoa normal pelo menos uma vez.

– Acho que já aprendi a andar. – disse sarcástica. – Mas, obrigada pela ajuda.

Saí para o chuvisco frio e fino que começara a cair. Inclinei minha cabeça levemente para cima e desfrutei daquele momento. As pequenas gotas de água me dava uma sensação de frescor que era muito boa.

– Disponha. – Ele estava olhando para a frente, semicerrando os olhos na chuva.

– Você vai à praia ao sábado? – Eu esperava que ele fosse, por mais improvável que fosse.

Uma onda de felicidade me atingiu. Bella queria que eu fosse.

Eu gostaria de vê a expressão do Mike, seria cômica, tenho certeza que tornaria o passei bem mais divertido.

Uma onda de decepção me atingiu. Bella só queria que eu fosse para se divertir as minhas custas.

– Aonde vocês vão exatamente? – Ele ainda olhava para frente, sem expressão.

– La Push, à primeira praia. – Analisei seu rosto, tentando interpretá-lo. Seus olhos pareceram se estreitar minimamente.

– Será que ela não deixa nada passar? – murmurei.

– Ah sim, o tratado. – falou Jasper. Tivemos que contar para ele e Alice sobre o tratado que fizemos com os quileutes há algumas décadas.

Ele olhou para mim pelo canto do olho, sorrindo torto.

– Acho que não fui convidado.

– Eu estou convidando agora, quer que eu faça um convite escrito?

– É melhor você e eu não pressionarmos ainda mais o coitado do Mike esta semana. Não vamos querer que ele desmorone. – Os olhos dele dançavam; ele estava gostando da ideia mais do que devia.

Eu gostaria de ver o Newton desmoronar.

Agora estávamos perto do estacionamento. Virei para a esquerda, para o meu carro. Algo pegou meu casaco, puxando-me para trás.

– Aonde você pensa que vai? – perguntou ele, furioso. Agarrava um pedaço de meu casaco.

Todos olharam para mim esperando uma explicação. – Eu não sei. – falei dando de ombros. Na realidade tudo que eu sabia era que não queria me afastar nunca da Bella.

– Vou para a casa. – disse bem devagar para o caso dele ter se esquecido desse pequeno detalhe.

– Não me ouviu prometer que levaria você para a casa com segurança? Acha que vou deixar você dirigir nas suas condições? – A voz dele ainda era indignada.

– Que condições? E meu Cadillac? – reclamei. Ele era louco por achar que eu deixaria meu carro.

– Vou pedir a Alice para levar depois da aula. – Ele agora me rebocava para o carro dele, puxando-me pelo casaco. Era o que eu podia fazer para não cair de costas. Ele provavelmente me arrastaria de qualquer maneira, seu caísse.

– É isso aí Ed. Mostra quem manda nessa relação. – disse Emmett gargalhando.

– Você não deve a tratar dessa forma filho. É rude. – falou Esme. Confesso que estava um pouco impressionado com minha atitude.

– Solta! – insisti. Ele me ignorou. Cambaleei de lado pela calçada molhada até que chegamos ao Volvo. Depois ele finalmente me libertou – e eu tropecei para a porta do carona. – Ninguém toca no meu carro! Se você está pensando que vou deixar sua irmã ou qualquer pessoa chegar perto do banco do motorista do meu carro está completamente enganado.

– Não seja absurda Bella. Alice levará seu carro em segurança.

– Ninguém. Dirige. O. Meu. Carro. – falei as palavras pausadamente tentando fazer que ele entendesse.

– Você não está em condições de dirigir. Entre no carro.

– Você é tão mandão! – eu rosnei.

– Está aberta – foi só o que ele respondeu. Aproveitei quando ele assumiu a direção para sair correndo em direção ao meu carro.

– É isso aí Bella mostra quem manda nessa relação! – gritaram Rosalie, Alice e para minha completa surpresa Esme.

– Você está tão ferrado. – falou Jasper, entendendo o que fui alertado tantas vezes pelo Emmett e não dei ouvidos.

– Você achou que seria fácil? – Emmett me perguntou ironicamente.

Consegui andar por poucos segundos antes de Edward me segurar pela cintura. – O que pensa que está fazendo? – me indagou furioso.

– Indo para o meu carro. Eu não vou deixar outra pessoa dirigir ele Edward.

– Você é tão teimosa.

– E você não sabe o que é “não”. – Ele suspirou frustrado.

– Eu vou leva-la para casa nem que seja amarrada. – resmungou por fim.

– Então vá pegar as malditas cordas que de outra forma eu não vou. – disse o desafiando. A chuva já estava ficando mais grossa o que estava nos molhando.

– Você vai ficar doente Bella, por favor, seja razoável.

– Ok. – ele pereceu ficar aliviado. – Vamos em meu carro. – agora sua expressão era de espanto.

– Não entendi.

– Você é lento hein. Depois a burra sou eu. – disse só para provoca-lo. – Vamos no meu carro. Você vai ao meu lado assim saberá que eu cheguei bem, mande uma mensagem para seus irmãos e peça que lhe busquem em minha casa. – disse simplesmente. Ele estava ainda chocado.

– Porque não podemos ir com meu carro? – falou por fim. Suspirei, ele era tão difícil. Depois tem coragem de falar que a teimosa sou eu.

– Primeiro, ninguém dirige meu carro além de mim. Segundo, você teria que me deixar em casa, voltar para buscar seus irmãos, depois ir para minha casa de novo para buscar sua irmã que iria deixar meu carro em casa, do meu jeito fica bem mais fácil. E terceiro e não menos importante, ou eu vou sozinha ou você vem comigo a escolha e sua. Agora me solte que eu já estou molhada. – ele me encarava novamente com a expressão de que tivesse nascido duas cabeças em meu pescoço. Sorri e entrei no meu Cadillac, estava ficando frio e aumentei o aquecedor, abrir o vidro. – Você vem ou não? – ele murmurou alguma coisa que eu não ouvi e entrou no carro.

– Você é muito mandona. – não resistir e acabei rindo. Como ele podia me acusar disso?

– Minha solidariedade Ed. – falou Emmett vindo me abraçar. Fazendo com que todos caíssem em risadas.

– Eu amo a Bella. – disse Alice saltitando. – Seremos melhores amigas tenho certeza. – ao ouvir isso Emmett voltou para o meu lado vindo me abraçar novamente.

– Minha solidariedade e toda a sorte do mundo mano, você vai precisar.

Seguimos o caminho em silêncio, estava me concentrado na estrada devido a chuva que ficou mais forte.

– Como é a sua mãe? – perguntou-me ele de repente.

Olhei para ele e o vi me analisando com olhos curiosos.

– Ela é um pouco parecida comigo, só que mais bonita – eu disse. Ele ergueu as sobrancelhas como se duvidasse de minhas palavras. – Tenho muita coisa do Charlie, agora que eu notei isso para ser sincera. Ela é mais atirada do que eu, e mais corajosa. Acho que isso nos equilibra, somos em geral dois opostos que se dão bem juntos. Ela é irresponsável e meio excêntrica, e nunca a deixe sozinha em uma cozinha, coisas inesperadas tendem a acontecer. Sempre fomos nós duas contra o mundo, sabe? — depois de um tempo tivemos Steve como suporte, mas a maioria do tempo era nós duas. — Apesar de você morar a pouco tempo na cidade, tenho certeza que já sabe da história. – Eu parei. Falar dela estava me deixando triste. Eu sentia saudades de minha mãe.

– Acho que ouvi alguns comentários. – olhei ceticamente para ele. – Tudo bem, eu ouvi muitas coisas. – ele suspirou. – Ela saiu de casa quando você ainda era um bebê? – perguntou baixinho, como se temesse minha reação.

– Sim, minha mãe sempre teve um espírito livre. Ficar numa cidade do interior com um clima depressivo e se tornar uma dona de casa nunca foi o sonho de vida de Renné. Ela engravidou por acidente, e mesmo assim não pensou em interromper a gravidez nenhuma vez. Ao contrário de muitas pessoas que tenho certeza fariam isso. – suspirei. – Eu nunca recriminei minha mãe por sair de casa. Sei que muitos aqui ainda fazem isso, mas eu duvido que muitos desses fofoqueiros teriam a coragem que minha mãe teve de encarar tudo e todos para seguir atrás de sua felicidade.

Fiquei impressionado com o discurso de Bella. Podia vê claramente o seu amor, respeito e carinho pela mãe. Eu estava cada minuto mais fascinado.

– Quantos anos você tem, Bella? – A voz dele parecia frustrada por algum motivo que não consegui imaginar.

– Tenho 16 anos – respondi, meio confusa.

– Não parece ter 16 anos.

Havia uma censura em seu tom de voz; isso me fez rir, quando estacionava na porta da minha casa.

– Que foi? – perguntou ele, curioso novamente.

– Minha mãe sempre diz que eu nasci com a maturidade de uma pessoa idosa. – Eu ri e depois suspirei. – Bom, alguém tem que ser o adulto. – pensei em quantos problemas Renné podia se meter sozinha. – Olha quem fala, você parece mais velho que eu. – observei.

Ele fez uma careta e mudou de assunto.

– Então por que sua mãe se casou com o Phil?

Fiquei surpresa de ele se lembrar do nome; eu só falei nele uma vez; quase dois meses atrás.

– Minha mãe… é muito jovem para a idade dela. Acho que trocamos de idade em algum momento de sua gravidez. Phil é uma boa pessoa, bastante divertido, gosta de sair, viajar. Eles têm muitas coisas em comum, isso a faz se sentir ainda mais nova. De qualquer forma, ela é louca por ele. – Sorri ao lembrar dos dois juntos.

– Você aprova?

– E isso importa? – contra-ataquei. – Quero que ela seja feliz… Enquanto ele a fizer feliz ele terá todo o meu apoio. E se ele pisar na bola com minha mãe, bem eu posso pedir para o Charlie me ensinar a atirar. – respondi sorrindo, no fundo achei uma boa ideia pegar umas dicas com Charlie, faria minha ameaça mais convincente.

– Isso é muito generoso… eu acho.

– O quê? – atirar em uma pessoa?

– Acha que ela teria a mesma consideração com você? Independentemente de quem você escolhesse? – De repente ele estava atento, os olhos procurando os meus.

– Acho que alguém quer a aprovação da sogrinha. – disse Emmett com um sorrisinho no rosto. Abaixei minha cabeça. Eu era louco em pensar que alguém aceitaria deixar sua única e preciosa filha com alguém como eu.

– Acho que sim – falei. – Mas afinal de contas, ela é mãe. É meio diferente. Quer dizer, tem que fazer o papel dela. Pensando bem, acho que meu pai será pior.

– Porque diz isso? – indagou interessado.

– Ele é o chefe de polícia, você sabe ele tem uma arma, tenho certeza que ele não hesitaria em fazer qualquer ameaça com ela. – disse sorrindo. – Além do mais, sou sua única filha e passei muito tempo longe, acho que ele não sentiria bem em me dividir com ninguém. – comentei rindo. Seria engraçado vê a cara do Charlie se eu falasse que tinha um namorado.

– Ninguém assustador demais, então – zombou ele.

– O que quer dizer com assustador? Piercings na cara toda e tatuagens enormes? Tenho certeza que Charlie enfartaria se eu aparecesse com um desse.

– Acho que posso imaginar a cara do chefe Swan ao ver uma pessoa assim. – disse sério. – Acha que eu posso ser assustador? – Ele ergueu uma sobrancelha e o leve vestígio de sorriso iluminou seu rosto.

–Acho que você podia ser se quisesse. – eu lembrava o quanto ele me assustou no primeiro dia de aula.

– Está com medo de mim agora? – O sorriso desapareceu e seu rosto celestial de repente ficou sério.

– Nesse momento não. – O sorriso voltou. – Então, agora vai me falar de sua família? – perguntei para distraí-lo. – Deve ser uma história muito mais interessante do que a minha. Ele ficou cauteloso imediatamente.

– O que quer saber?

– Lembre-se o que você quiser ou puder me contar. Os Cullen adotaram você? – conferi.

– Sim.

Hesitei por um momento.

– O que aconteceu com os seus pais?

– Eles morreram há muitos anos. – Seu tom era categórico.

– Eu sinto muito – murmurei. Eu já tinha perdido uma pessoa querida, não queria faze-lo lembrar de nada que o magoasse.

– Eu não me lembro deles com muita clareza. Carlisle e Esme têm sido meus pais há bastante tempo.

– E você os ama. – Não foi uma pergunta. Ficou óbvio pelo modo como ele falou deles o quanto os amava.

– Sim. – Ele sorriu. – Não consigo pensar em duas pessoas melhores.

Esme e Carlisle sorriram para mim emocionados. Sorri de volta. Ambos eram pessoas maravilhosas.

– Você tem muita sorte. – falei. Sério viver com o Dr. Delícia deve ser um sonho. Ri internamente da minha vadia. O quê? Não se pode negar que ele é lindo. Sim, isso não se podia negar.

Rosnei com isso. Ela ainda não esqueceu Carlisle?

Carlisle parecia um pouco constrangido. — Bom fico feliz em saber que a Bella não mente. Ela me acha um piteu.


– Piteu Carlisle? De onde você tirou essa? — perguntou Jasper incrédulo.


– Sei que tenho.

– Divirta-se na praia… Espero que o clima esteja bom para um banho de sol. – Ele olhou a cortina de chuva.

– Vai matar aula de novo amanhã? Devia ficar com vergonha. – falei brincando.

– Emmett e eu vamos sair mais cedo para o fim de semana.

– Caçar? – perguntou Emmett levantando as sobrancelhas.


– Vão viajar?

– Vamos escalar a Great Rocks Wilderness, ao sul de Rainier.

– Yeah, ursos baby. – comemorou Emmett.

Lembrei que Charlie dissera que os Cullen acampavam com frequência.

– Divirtam-se. – disse sorrindo, escalada não estava em minha lista de hobby preferido. Ouvi uma leve buzina. Olhei pelo retrovisor e avistei um Volvo prata estacionado atrás do meu carro.

– Faz uma coisa por mim nesse fim de semana? – Ele se virou para me olhar no rosto, utilizando todo o poder de seus olhos dourados. – Não se ofenda, mas você parece ser uma daquelas pessoas que atrai acidentes feito um imã. Então… Procure não cair no mar, nem se afogar, nem nada disso, está bem? – Ele deu um sorriso torto.

– Ó que bonitinha sua preocupação Ed. – murmurou Emmett com um biquinho gay. Quis socar ele mais uma vez.

– Tchau Edward! – respondi. Ele me lançou um sorriso torto. – Vai logo, anda! – falei ainda com raiva.

– Você está me expulsando? – falou com falso ultraje.

– Sim, essa é a hora que você vai embora. – dei língua para ele. – Sabe entre cair no mar e cair de uma escalada o seu dano é maior. – falei por fim.

– Não se preocupe eu não vou cair. Sou mais gracioso que você. – respondeu com um sorriso.

– Certo Gracinha-da-mamãe, está na hora de ir, seus irmãos estão esperando. – ele fechou a cara com o apelido. Se ele soubesse da metade dos apelidos que eu lhe dou, não gostaria de vê com que cara ele iria ficar.

– Tchau Bella. Se cuide. – falou por fim. Relutantemente ele abriu a porta do carro e foi ao carro com seus irmãos. Acompanhei pelo retrovisor o Volvo se afastar até sumir pela estrada.


Confesso que eu também não queria que ele fosse. Apesar de tudo, eu estava começando a gostar da companhia de Edward Cullen.

Notas finais
Então o que acharam do capítulo?? Gostaria de ouvir a opinião de todos vocês.
Se gostarem da história continuem recomendando.
Resposta de alguns pontos da história:
- A Bella não aparecerá agora. Primeiro tenho que desenvolver a história com o diário. Vocês viram que estou mudando a história aos poucos, para terem uma noção maior de como é a Bella, ainda tem mais pontos do passado dela que vou mostrar.
- Algumas me perguntaram do Steve. Sim, o Steve irá aparecer no decorrer da história, tanto como cenas do passado como em alguns sonhos lá na frente.
- O tempo da história é um pouco antes da Bella de verdade aparecer. Esses diários vieram do futuro para o passado. Como isso aconteceu, vocês só saberam no final. Mas não será no último capítulo, vou dá algumas dicas quando chegar ao momento. Mas isso não é o foco principal agora.
Pronto. Vou tentar responder todos os comentários de vocês e qualquer dúvida podem me perguntar. Estou em uma viagem no interior e a internet daqui é muito lenta e vive caindo. Não sei quando sairá o próximo capítulo mais farei o possível para não demorar.
beijos a todas.