Notas iniciais
Olá leitoras, primeiramente desculpem a demora. Aqui está mais um capítulo. Gostaria de agradecer as palavras que recebi das leitoras: The midnight Sun Thais Arqueira de Ártemis Erica Waters Isabella Luna Whitlock AmayaCullen Muito obrigada, agradeço ainda por recomendarem minha histórias. Espero que gostem do capítulo Beijos

“Finalmente as coisas pareciam ter dado certo no final.”

“Não tinha ideia o quanto estava enganado.”

E foi com essa frase sombria que a carta que meu eu/futuro terminou.

Meu peito se apertou com um sentimento de mau presságio. A única coisa que minha mente conseguia formular era que Bella tinha acordado para a realidade e entendido o perigo que estar comigo representava, que não valia a pena tanto esforço.

Ela iria me abandonar. Podia sentir o peso da separação quebrando meu coração pouco a pouco.

– Edward. – pediu Jasper com uma careta de dor, enviando ondas de tranquilidade e serenidade em minha direção.

– Eu vou continuar. – pediu Alice delicadamente tirando o diário de minhas mãos. Não tinha condições de continuar a leitura.

– Vai dar tudo certo, você vai ver. – falou com uma voz suave.

– Esqueceu que seu dom não está funcionando Alice? Como pode saber? Como consegue ter tanta certeza?

– Chame de intuição. – ela me deu um pequeno sorriso e continuou a leitura do diário, antes de termos lido a carta que o Edward/futuro escreveu.

Eu parei impressionada na varanda. Lá, atrás do meu carro, havia um Jeep monstro.

– Ei. O que você está fazendo com meu carro? – perguntou Emmett.

– Não seja idiota Emmett. – falou Alice. – Seu carro é o que pode chegar mais próximo onde jogamos. Dessa forma Bella não irá se molhar.

– Portando que ele... – apontou em minha direção. – Lembre-se disso na hora em que pedir seu carro emprestado...

Estremeci imaginando Emmett em meu carro. Isso não iria acontecer.

Os pneus dele eram mais altos que a minha cintura. Havia grades de metal sobre os faróis e os faróis de milha, e quatro grandes holofotes sobre as barras de proteção. O capô era de um vermelho brilhante.

Charlie assobiou baixinho.

– Usem seus cintos de segurança – ele se engasgou. Provavelmente perplexo com o tamanho do carro.

– Sim baby, muito melhor que um Volvo reluzente. – zombou Emmett me fazendo bufar.

– Até pode ser, mas não barra meu outro carro. – disse em referência ao meu lindo carro estacionado na garagem.

– Nenhum carro é melhor que meu Jeep. – falou resoluto.

Rosalie estreitou os olhos em sua direção. – O que você disse?

Minha irmã era a maior fã de automóveis, ela levava isso mais sério do que eu.

– Eu? Nada. Absolutamente nada. Alguém ouviu alguma coisa? Alice, porque você não está lendo? – perguntou com um pingo de desespero. Ele não queria a ira de sua esposa.

Sorrimos de sua aflição. Era bom ver Emmett se contorcer.

Edward seguiu para o meu lado e abriu a porta para mim. Eu olhei em direção ao banco e ao chão. Calculando mentalmente como eu ia conseguir sentar lá em cima, tendo que sair daqui de baixo. Resolvi imitar um atleta olímpico e tomei uma pequena distância do banco e me preparando para me jogar dentro do carro. Concentrei-me profundamente e quando ia preparar para correr Edward me parou.

– O que você está fazendo? – perguntou exasperado.

– Subindo no banco. – respondi o óbvio.

– Não, você está tentando se matar ou quebrar alguma coisa, provavelmente você.

Fiquei tremendamente ofendida com sua declaração. Não era como se eu não podia subir sozinha. Meu plano para conseguir esse feito era excelente. Não havia uma opção melhor.

Ele suspirou e me levantou com uma mão facilmente.

Ok. Talvez essa fosse a melhor opção, porém não era necessário ele olhar tão presunçoso.

Ri baixinho ao ouvir seus pensamentos. Como eu poderia ficar ao seu lado sem saber tudo que estava passando em sua mente? Perdia uma parte importante de sua característica.

Comecei a sentir saudades de ter acesso aos seus pensamentos. Mesmo assim, não via a hora de poder encontra-la pessoalmente.

Enquanto ele ia para o lado do motorista com um passo normal, humano, eu tentei colocar o meu cinto de segurança, mas havia muitos engates.

Olhei para aqueles engates como se fosse um quebra-cabeça do mal. Estava me saindo muito bem quando ele abriu a porta.

– O que está fazendo?

– Colocando o cinto. – ele estava fazendo as perguntas mais óbvias possíveis.

– Não, você está dando um nó. Isso é um cinto não uma corda. – Ele suspirou e veio me ajudar. – Aqui.

Eu estava contente que a chuva estava forte o suficiente para que Charlie não pudesse ver nada da varanda. Isso significava que ele não pôde ver como as mãos de Edward passeavam pelo meu pescoço e acariciaram meu colo até que ouvi o clique do cinto ter sido devidamente colocado. Ele me deu um rápido beijo antes de virar a chave na ignição e ligar o motor.

Recebi sorrisos maliciosos de todos os homens da família. Tentei esconder meu próprio sorriso com a forma que me aproveitei ao colocar o cinto de Bella. Estava começando a gostar do carro de Emmett.

– Esse Jipe não combina muito com você. – apontei. Claramente o carro sofreu modificações. Em seu painel tinham tantos botões como em um avião.

Ele franziu seu rosto em uma pequena careta. – É de Emmett.

– Oh. – Podia ver como o carro combinava com seu dono. Se fosse apostar de quem seria o proprietário no carro ganharia a aposta sem dúvidas. – E porque você não veio com o seu?

– Eu não achei que você ia querer correr o caminho inteiro. – seu rosto ainda estava franzido.

– O que foi?

– Porque você disse que esse carro não combina comigo?

– O volvo é mais sua cara. – falei levianamente.

– O que isso significa? – sua voz estava curiosa.

– Velho e antiquado.

– O quê? – grunhi em meio aos risos dos meus familiares. – Meu carro não é de velho.

– Vamos Edward. Quantos jovens, você viu usando um carro desses? Só os pais deles que usariam. – comentou Rosalie naturalmente.

– Não acredito que você nunca tinha percebido. – Disse Emmett ainda rindo.

– E vocês nunca mencionaram isso... – esperei que eles me dessem um bom motivo.

– Porque combina com você. – falou Alice.

– Ou seja, velho e antiquado. – pontuou Jasper.

– Olha quem fala. – bufei.

– Não nesse sentido. Você tem um espírito mais velho. O Volvo combina com você.

– Você está me chamando de velho? – sua voz estava incrédula e um pouco magoada.

– Vamos Edward. Você tem que convir comigo que você não pensa muito como um adolescente.

Você não deve jogar a verdade assim na cara das pessoas. Repreendeu-me minha Vadia Interior. Não tinha culpa. Como ele não tinha percebido que nenhuma pessoa que não estivesse na casa do “enta” usaria um carro desses.

– Casa dos “enta”? – perguntei confuso.

Emmett esclareceu. – Cinquenta, sessenta, setenta...

Estremeci ao pensar que ela me compara a alguém da idade de seu pai.

Será que ela quer um namorado mais jovem? Era assim que nosso namoro iria acabar?

– Bom se você quer um namorado mais novo, não entendo porque está comigo. Tenho certeza que tem uma fila de adolescentes que querem minha posição. – disse irritado.

Revirei meus olhos mentalmente para seu show de exageros.

Não estava exagerando. Bella que afirmou achar que sou velho. O que ela quer. Um adolescente comum? Será que ela cansou de minha companhia tão facilmente? Apenas um dia de relacionamento tinha se passado.

– Eu não falei nada disso. Apenas apontei algumas características suas. E eu não trocaria meu adolescente idoso por nenhum outro. – disse beijando sua bochecha. Vi que ele lutava com um sorriso.

Ele olhou em minha direção antes de um sorriso diabólico surgir em seu rosto.

Eu não sei como foi que ele conseguiu encontrar o caminho com a névoa e a chuva torrencial, mas de alguma forma ele achou um lado da estrada que era menos uma estrada e mais uma trilha de montanha.

Agradeci aos céus quem inventou o cinto de segurança e lhe enviei um abraço mental. Pois estava pulando para cima e para baixo. Balançando desconfortavelmente com o caminho que Edward escolheu. Ele pareceu achar o passeio divertido.

Eu não via a hora de parar.

Isso que dá falar mal do motorista. Ele sempre se vinga do passageiro. Apontou sabiamente minha Vadia Interior.

– Você é mal. – apontou Emmett sorrindo.

Sorri ao pensar nesse passeio. Tinha a forte sensação que escolhi um caminho mais pedregoso apenas para se tornar mais divertido. Quem era o velho agora?

E então, nós chegamos ao fim da estrada; as árvores formavam enormes paredes verdes em três lados do jipe. A chuva agora era um mero chuvisco, diminuindo a cada segundo, o céu estava cada vez mais claro por trás das nuvens.

– Desculpe amor, teremos que ir a pé daqui.

– O quê? – perguntei agora lembrando sua frase no começo da conversa, ele disse para não andar todo o caminho, não significava que não iríamos fazer uma parte dele assim, ou pior, da forma como Edward corre. – Sabe de uma coisa? Eu vou esperar você aqui.

– O que aconteceu com a sua coragem?

– Esqueci em casa. – respondi rapidamente.

– Bella, você foi extraordinária essa manhã. Por que está tão relutante?

– Não tenho lembranças muito agradáveis da última vez que você resolveu voar mais rápido que o Papa-léguas fugindo do Coiote. – provoquei.

Bella era realmente inacreditável. Como ela lida bem como uma casa cheia de vampiros e fica em pânico em uma curta caminhada na floresta?

Ele estava no meu lado do carro em um piscar de olhos. Ele começou a tirar o meu cinto.

– Quer saber. Acho melhor eu esperar você aqui. Vai jogar com sua família. – não queria confessar que estava com um mau pressentimento. Algo me dizia para ficar onde estava.

Franzi a testa confuso. Será que isso tudo se deve ao seu medo de minha forma de correr?

– Hmmm – murmurou enquanto rapidamente terminava. – Parece que vou ter que convencê-la.

Antes que eu pudesse reagir, ele me tirou do jipe e colocou meus pés no chão.

– Como assim? – perguntei nervosamente. Ele tinha um brilho malicioso em seus olhos.

– Algo como isso. – Ele colocou suas mãos no jipe dos dois lados da minha cabeça e se inclinou para frente, me forçando a encostar-se à porta. Ele se inclinou ainda mais perto, seu rosto a apenas alguns centímetros do meu. Eu não tinha espaço pra escapar.

– Bella – ele sussurrou, e só o cheiro dele já atrapalhou o meu pensamento. – Venha comigo. – pediu e me vi incapaz de negar qualquer coisa.

– Claro. – disse um pouco tonta. Apenas percebi o que tinha falado ao ver seu sorriso triunfante. – Você me enganou! – acusei.

– Não tenho culpa se sou irresistível. – respondeu com uma piscadela.

Compartilhamos a incredulidade do momento. Nunca me imaginei ser do tipo brincalhão, sempre taxado de o mais sério da família. Era estranho acreditar que a pessoa no diário era eu. Não conseguia me imaginar flertando desse jeito.

Olhei com raiva em sua direção, antes que uma ideia me ocorreu. Dois podem jogar esse jogo.

– Você está tão ferrado. – falou Emmett alegremente.

– Emmett! Olha a língua. – repreendeu Esme.

– Desculpe. – falou sem nenhuma sinceridade.

Cortei a distância entre nós ao me aproximar dele e dar um suave beijo em sua mandíbula e colocar meus braços ao redor do seu pescoço.

Pude vê-lo engolir em seco.

– Bella? – perguntou um pouco tenso. Antes de responder, dei um pequeno salto e coloquei as pernas ao redor de sua cintura, automaticamente suas mãos me seguraram. – O que você está fazendo? – sua voz saiu estranha.

– Ora, você não disse que íamos para uma corrida? Pensei em uma posição em que não tenha que encarar as árvores indo de encontro ao meu rosto.

Engoli em seco nervosamente pensando na posição íntima que estava com Bella. Tentei difícil tirar essa imagem da minha cabeça mais não consegui. Suas pernas ao redor da minha cintura, seus braços em tornos do meu pescoço. Era o mais íntimo tipo de abraço, compartilhado apenas por amantes... Minha mente não devia ir nessa direção, principalmente não na frente da minha família.

Jasper tentou esconder seu sorriso ao sentir onde meus sentimentos tinham se dirigido.

– Se você realmente não quer que batamos em algumas árvores você vai mudar de posição.

Tracei meus lábios em seu pescoço. – Posso saber por quê?

– Você está me distraindo.

Soltei uma perna de cada vez até encostar ao chão. Quando olhei eu seu rosto, seus olhos estavam escuros como breu. Antes que pudesse perguntar o motivo dessa mudança, senti seus lábios no meu. Esse beijo era diferente dos outros, mais faminto, mais urgente. Sua língua era possessiva, dominando o beijo.

Ele me tirou o fôlego.

Suas mãos me pressionaram firmemente em sua direção. Puxei com um pouco de força seu cabelo, o fazendo gemer.

Seu gemido foi o suficiente para que ele se afastasse abruptamente.

– Droga Bella! Você vai me matar. Juro que vai! – sua respiração era tão rápida quanto a minha. Quando abrir os olhos ele tinha se afastado cerca de vinte metros.

– Você começou.

Ele balançou a cabeça antes de murmurar. – Ela vai ser a minha morte. – olhando para cima. – Vamos, antes que eu perca o controle.

Agradeci que minha família não fez nenhum comentário, mesmo Emmett querendo fazer alguma brincadeira. Estava envergonhado o suficiente, não gostava de nossa privacidade exposta dessa forma, mas tendo em vista os anos em que compartilhei seus pensamentos, eles retribuíram minha discrição mantendo o silêncio.

Ouvi-lo suspirar antes de se aproximar. Delicadamente ele segurou meu braço me ajudando a montar em suas costas. Ele ainda parecia irritado.

Puxei um pouco seu cabelo. – Upa, upa cavalinho. – brinquei tentando diminuir sua tensão. Não o gostava de ver sua raiva dirigida a mim.

Ele sorriu um pouco. – Comporte-se. Sou mais rápido que um carro de duzentos cavalos.

Estava impressionado com a maneira fácil que Bella lidava com meus humores. Ela sabia a forma de lidar com cada um deles. Apenas não entendia o motivo real da minha frustração.

Tenho certeza que minha raiva era toda direcionada a mim. Jamais a Bella.

Odiava que ela pensasse desse jeito. Ela era tudo para mim. Nada me faria ter raiva dela.

– Feche os olhos. – avisou.

Cumpri seu pedido rapidamente. Não queria uma repetição da vez passada. Mal podia dizer que estávamos nos movendo. Eu podia sentir ele se mexendo embaixo de mim, mas ele podia estar andando numa calçada, o movimento seria exatamente o mesmo. Eu estava tentada a dar uma espiadinha, para ver se estávamos voando pela floresta como antes, mas eu resisti. Não valia a pena do enjoo. Eu me contentei em ouvir a respiração dele entrando e saindo uniformemente. Encostei minha cabeça em seu ombro e dei um pequeno beijo em seu pescoço. Ele deu um pequeno aperto em minhas mãos mostrando seu apreço.

Eu não tinha certeza de que tínhamos parado, até que ele ergueu a mão e tocou meu cabelo.

– Acabou, Bella.

Eu abrir meus olhos e não havia dúvidas, estávamos parados. Não notei o quanto minhas pernas estavam apertando sua cintura usando uma força que machucaria qualquer ser humano. Eu me soltei dele, mas quando fiz isso, percebi a dormência de meus membros e escorreguei para o chão, caindo de costas.

– Aí! – gemi quando bati no chão molhado.

Ele olhou pra mim sem acreditar. Minha expressão desnorteada acabou o descontrolando, e ele começou a dar uma gargalhada que mais parecia um rugido.

– Isso foi rude. – Esme repreendeu.

Ri baixinho imaginando como desastrada minha namorada era. Teria que ter um cuidado redobrado com ela.

Eu me levantei sozinha, ignorando ele enquanto limpava a sujeira e o capim da minha saia.

Isso só o fez rir ainda mais alto. Chateada, eu me virei e comecei a andar em direção a floresta.

– Uh oh... – gritou Emmett. – Você irritou sua namorada. Más notícias para você. – falou com conhecimento de causa. Lembrei suas brigas com Rosalie, mas Bella não era nada parecida com ela. Certo?

– Novidades para você querido irmão. Não irrite uma mulher. – todas as mulheres acenaram com a cabeça. Li o pensamento de seus maridos e eles concordavam com essa afirmação.

Fiquei um pouco inseguro com sua reação.

Quem ele pensa que é! Só porque ele é um vampiro que anda perfeitamente em linha reta acha que as demais pessoas são iguais?

“É.” Concordou minha V.I. “só porque ele não caiu no último século”.

Era até estranho pensar nisso. Como alguém consegue não cair em um século? Eu não consigo essa proeza em uma semana.

Uma semana? Você mal passa um dia sem cair.

Isso sem contar tropeços. Pois se contar, não passo um dia inteiro sem esbarrar em alguma coisa. E o que seu namorado faz? É compreensivo que você não tem noção de espaço e não consegue andar em linha reta?

Não! Ele ri na sua cara.

Quem está sendo dramática agora?

Eu senti o seu braço em minha cintura.

– Para onde você está indo, Bella?

– Assistir um jogo de baseball. Você não parece estar mais interessado em jogar, mas eu tenho certeza que os outros vão se divertir sem você. – disse tirando sua mão da minha cintura.

– Você está indo para o lado errado.

Eu me virei sem olhar para ele, e comecei a caminhar na direção contrária.

Ele me pegou de novo.

– Não fique com raiva, eu não consegui evitar. Você devia ter visto sua cara. – Ele começou a rir antes que pudesse evitar.

– Oh, desculpe se não acho minha queda engraçada, mas fique a vontade de se divertir a minha custa. – disse de forma sarcástica. – Não é todo mundo que tem a graça de um vampiro.

– Desculpe. Não precisa ficar com raiva. – pediu, o que me fez mais irritada.

– A raiva é minha. Eu decido se preciso ou não ficar com ela. Não você. Agora solta o meu braço.

– Não entendo o porquê de você está irritada. – falou em um tom frustrado.

– Engraçado. Também não entendi o motivo de você está irritado comigo anteriormente.

– Eu não estava com raiva de você. – falou incrédulo.

– ‘Bella, você vai me matar’ – eu citei.

– Isso foi só a constatação de um fato.

Revirei os olhos. Como se ele não fosse indestrutível. Eu tentei me separar dele de novo, mas ele me segurou depressa.

– Você estava com raiva – insisti.

– Sim. – afirmou. O que me deixou zangada. Ele poderia ficar com raiva, mas eu não? Onde está a justiça nesse mundo?

– Você tem que se decidir Edward! Você acabou de dizer que...

– Que eu não estava com raiva de você. Será que você não vê Bella? – De repente ele estava intenso, todos os traços de zombaria desapareceram. – Será que você não entende?

– Vê o que? — perguntei confusa pela mudança do tom das suas palavras.

– Eu nunca tenho raiva de você, como eu poderia? Tão brava, tão confiante, tão linda... Tão cálida como você.

– Então por quê? – suspirei, lembrando o mau humor que surgia sem motivos. Imaginei como frustração pelas minhas fraquezas, minha lentidão, minhas reações humanas desregradas... Sendo um vampiro por tanto tempo, pensei que se sentia frustrado em ter que andar com uma simples humana como eu. Ter que diminuir seu ritmo de caminhar para acompanhar o meu, ter que assistir me alimentar de comida humana que uma vez me disse ser tão repulsivo para sua espécie.

Estava em choque com os pensamentos de Bella. Como ela pode pensar que meu mau humor tem alguma relação com ela ser humana? Eu não tinha ideia que ela pensou esse tipo de coisa, precisava corrigir isso imediatamente. Ela estava absolutamente errada.

Se ela soubesse o quanto a invejo por ser humana. O quanto eu queria ser igual para ela, não o monstro que sou. Poder leva-la para jantar, sem tem que ser um mero expectador, apenas assistindo saborear diferentes pratos. Não ter que ser tão cuidadoso com cada movimento meu.

Ainda tinha que controlar minha sede de sangue. Bella não tem noção de como deve ser tentador ficar ao seu lado. Infelizmente eu teria que explicar quando nosso relacionamento começar de verdade, sem ser por um diário.

Não queria que ela tivesse qualquer dúvida à quão perfeita ela era. Meu eu/passado não deve imaginar que ela tenha esses tipos de pensamentos.

Ele colocou suas duas mãos cuidadosamente dos dois lados do meu rosto. – Eu fiquei furioso comigo mesmo – ele disse gentilmente. – Por não parecer ser capaz de te manter longe do perigo. Só a minha existência põe você em risco. Às vezes eu realmente me odeio. Eu devia ser mais forte, eu devia ser capaz de...

Eu coloquei a minha mão na boca dele.

Eu era egoísta demais para deixar isso acontecer. Nunca seria capaz de deixar Bella ir. Mesmo tendo essa oportunidade agora. Eu podia ir embora antes que ela chegasse a Forks. Mas, sabia que não ia acontecer. Eu precisava conhecê-la. Ter a experiência em primeira mão do que através de uma simples leitura.

– Não.

Ele pegou minha mão, tirando ela da sua boca, mas colocando ela no seu rosto.

– Eu te amo – ele disse. – Essa é uma desculpa pobre para o que eu estou fazendo, mas é verdade.

Ele se abaixou e quando seus lábios estavam quase se encostando aos meus, eu me afastei.

Ele me olhou incrédulo. – O que foi?

– Isso é por rir de mim. – soltei sua mão e fui em direção onde sua família estava.

Estava confuso com seu comportamento. Tinha acabado de me declarar mais uma vez e ela se afasta de mim?

– Mas... mas o que significa isso? – perguntou confuso me seguindo.

– Isso significa que você está de castigo.

Seus olhos se arregalaram. – Você não vai me beijar enquanto eu estiver de castigo? – acenei a cabeça feliz que ele tinha entendido. – Mas isso é injusto!

Rosalie tinha um largo sorriso em minha direção. Eu sabia que ela tinha deixado Emmett de castigo várias vezes por seu comportamento. Nunca me imaginei ter que ficar na mesma situação.

“Eu sei como se sente.” Emmett pensou com solidariedade. Achei estranho ele não ter tirado nenhuma gracinha. “Isso é só o começo. Imagine quando ela começar a fazer greve de sexo.”

Balancei minha cabeça. A última coisa que precisava era pensar em Bella dessa forma.

– Assim você pensa duas vezes antes de rir da sua namorada.

– Até quando eu vou ficar de castigo? – perguntou fazendo bico. Tive vontade de acabar naquele momento com sua punição, mas tinha que ser forte.

– Não sei. Indefinidamente.

– Indefinidamente? Bella você não pode fazer isso! – falou frustrado.

– Quem disse que não posso?

– Você ri sempre de mim! – acusou. – E eu nunca te deixei de castigo. – falou em tom zombador a última palavra.

– Nada te impede de fazer isso. – apontei.

– Porque eu iria querer me punir? Você sabe que eu amo te beijar.

– Essa meu caro, é a diferença entre homem e mulher, não importa ser vampiro ou humano. – sorri seguindo meu caminho para o jogo com um Edward amuado logo atrás.

– Estou confuso. – admiti relutantemente. Sabia pelos seus pensamentos que Bella apreciava meus beijos. Qual o motivo de se privar disso?

– Edward, não tente entender as mulheres. – falou Emmett sério.

– Aprenda apenas que você deve obedecer e você não terá muitos problemas. – aconselhou Jasper.

– Como faço as pazes? – pedi ajuda.

– Seja um bom garoto. – disse Rosalie com um sorriso predatório.

Franzi o cenho frustrado. – Eu não sou um cachorro.

– Então é bom a aprender a se comportar como um.

Alice riu da minha situação, antes de voltar a ler.

Edward seguiu ao meu lado fazendo beicinho. Seu bico só aumento quando não quis segurar sua mão. Ele me guiou pelas avencas altas e molhadas e pelos musgos pingando, ao redor de uma árvore gigantesca de cicuta, e lá estávamos nós, na beira de um enorme campo aberto às margens dos penhascos do Olímpico. Era duas vezes maior do que qualquer campo de baseball.

Eu podia ver todos os outros lá; Esme, Emmett e Rosalie, sentados numa espécie de banco de pedra eram os mais próximos de nós, cerca de cem metros de distância. Muito mais distante podia ver Alice e Jasper, que estavam pelo menos duzentos e cinquenta metros de nós, aparentemente jogando alguma coisa para trás e para frente, mas eu nunca vi nenhuma bola.

Parecia que Carlisle estava marcando as bases, muito afastadas do que o jogo normal.

Quando nós aparecemos, os três que estavam na rocha se levantaram.

Esme começou a vir na nossa direção. Rosalie havia se levantado graciosamente e foi andando para o campo depois de um aceno rápido. Emmett tinha um sorriso largo em seu rosto.

– Cunhadinha. – gritou feliz, antes de me abraçar apertado.

– Foi você que nós ouvimos Edward? — Esme perguntou enquanto se aproximava.

– Parecia um urso gargalhando – Emmett esclareceu. Colocando seu grande braço ao redor dos meus ombros.

Eu sorri hesitantemente para Esme. – Foi ele.

– Bella foi não intencionalmente engraçada – Edward explicou, me fazendo corar.

– Acho que você era a distração que eu estava procurando. – olhei de forma questionadora para direção de Emmett. – Edward não vai ser capaz de se concentrar no jogo com você vestida assim. – olhou em direção das minhas pernas, aprofundando a vermelhidão do meu rosto.

Por um momento tinha esquecido que Bella estava vestida de líder de torcida. Não podia negar que Emmett estava certo, Bella não devia ter percebido os olhares que meu eu/futuro estava lhe dando. Pelo menos estava sendo discreto, mas não para um vampiro.

Onde está a vantagem de ser um vampiro se você tem um irmão para lhe dedurar?

Alice havia deixado sua posição e vinha correndo, ou dançando, na nossa direção. Ela parou fluidamente perto de nós. – Bella você está ótima. – disse em referência a minha roupa. Será que eu ia parar de corar em algum momento? – Temos mais chance de vencer! – gritou feliz. – Chegou a hora – anunciou ela.

Assim que ela terminou de falar, um trovão profundo se fez ouvir fazendo a floresta tremer e então ele foi em direção da cidade.

– Sinistro, não é? – Emmett disse com uma familiaridade tranquila, piscando para mim.

– Vamos lá – Alice agarrou a mão de Emmett e eles seguiram em direção ao campo gigante; ela corria como uma gazela. Ele era igualmente gracioso e rápido, mas com seu tamanho parecia uma gazela em esteroides.

– O que? – gritou Emmett indignado ao ser comparado a uma gazela.

– Na realidade, acho que posso ver a semelhança. – Jasper comentou.

– Uma gazela bastante robusta. – completou Alice.

– Rose, me defende! – pediu Emmett fazendo beicinho.

– Seria uma gazela muito máscula, baby. – falou Rosalie nos fazendo rir.

– Você está pronta para ver um jogo? –perguntou Edward, os olhos ansiosos, brilhantes. Estava óbvio o quanto ele gostava de jogar. Ele parecia um menino na manhã de natal.

Não tinha como não sorrir. – Acabe com eles. – fiquei na ponta dos pés. Edward era mais alto que eu. Ele terminou a distância me dando um beijo casto.

– Isso significa que acabou meu castigo? – sussurrou no meu ouvido.

– Ganhe este jogo e acabará.

– Droga Bella! – Alice gritou do outro lado do campo nos fazendo rir. Parece que suas chances de ganhar diminuíram.

– Isso é injusto! – bufou Alice.

Sorri feliz com a forma que Bella me ajudou. Para não ficar distraído com o tipo de roupa que estava usando, ela me incentivou a jogar o meu melhor. A última coisa que queria era ficar privado de seus beijos por mais tempo.

Ele riu silenciosamente e, depois de outro pequeno beijo, saiu correndo atrás dos outros dois.

– Não abuse. – afinal ele ainda não tinha saído completamente do castigo. Edward ainda precisava vencer.

– Era para dar sorte. – se defendeu.

Sua corrida foi mais agressiva, um leopardo, e não uma gazela, e ele rapidamente os ultrapassou. A graça e a força tiraram o fôlego.

Dei um sorriso presunçoso em direção ao Emmett. Ele bufou irritado.

– Ela é sua namorada. Claro que não ia lhe comparar a uma gazela.

– Não ouvi sua esposa lhe defendendo.

– Não vou perder meu tempo discutindo com você. – falou irritado me fazendo sorrir.

– Vamos? – Esme me perguntou com sua voz suave e melodiosa. Esme manteve alguma distância entre nós e eu me perguntei se ela ainda estava tendo cuidado para não me assustar. Esme combinou seus passos com os meus sem parecer se incomodar com a velocidade.

– Você não joga com eles? – perguntei timidamente. Era a primeira vez que conversava sozinha com a mãe do meu namorado. Perguntei se ele estava escutando a conversa ou nos dando privacidade. Pelo que o conhecia imagina que era a primeira opção.

Tinha vergonha de admitir que Bella provavelmente estivesse correta. Sem acesso aos seus pensamentos aproveitaria cada oportunidade para melhor entende-la. Porém, não era o único curioso da família. Sabia que todos os outros estariam ouvindo atentamente.

Às vezes era difícil conviver em uma família com poderes sobrenaturais.

– Não, prefiro ser a juíza, eu gosto de mantê-los honestos – ela explicou.

– Então eles gostam de roubar? – esse era um fato interessante.

– Oh sim! Você devia ouvir os argumentos que eles inventam! Na verdade, eu preferia que você não ouvisse, não quero que você pense que eles foram criados por um bando de lobos.

– Você fala como a minha mãe – eu ri. Não sabia que a frase “mãe é tudo igual só muda de endereço” também se aplicava ao mundo sobrenatural.

Esme sorriu com carinho. Ela sempre pensou em nós como seus filhos. Gostava de ouvir outra pessoa apontar este fato. Fazia parecer mais real.

Ela sorriu também. – Bom, eu penso neles como meus filhos de certa forma. Eu nunca superei meus instintos maternos, Edward te contou que eu perdi um filho?

– Não. – murmurei atordoada, lutando para entender a vida da qual ela estava tentando lembrar. Não sabia se esse assunto era delicado e não tinha certeza de como proceder. – Posso perguntar o que aconteceu?

– Sim, querida. Foi há muito tempo. Veja você, na época em que vivi, as regras da sociedade eram mais rígidas que as de hoje. Era comum que os pais escolhessem o marido de suas filhas e o meu caso não foi diferente. – Ouvir em primeira mão a história de alguém que passou por isso era uma experiência única. Aqueles tempos em que as mulheres não tinham vez. Obedeciam as regras e mais regras. Não passavam de um ser submisso e sem opinião. – O homem que casei não era o melhor dos maridos. – ela parou. E demorou um segundo para entender seu significado oculto. Seu marido era um homem abusivo. O que era comum naquele tempo. – Quando descobrir que estava grávida foi o momento mais feliz da minha vida. Ele me deu esperança. Meu primeiro e único filho. Ele morreu apenas alguns dias depois do seu nascimento, o pobrezinho – ela suspirou, – Isso partiu meu coração – foi por isso que eu pulei do abismo, sabe. – Ela disse como se estivesse atestando um fato.

Esme abaixou a cabeça. Um pouco envergonhada e triste ao relembrar de sua vida como humana.

A tentativa de suicídio não era um ato que era fácil de lembrar, muito menos a perda de um filho.

– Edward disse que você c-caiu — eu gaguejei. Por mais que Edward omitiu informações sobre a vida Esme, podia entender seus motivos, não era sua história para contar. Porém, era difícil olhar para Esme e imaginar o quanto ela sofreu. Ela parecia ser uma pessoa tão bondosa que não merecia nada menos do que a felicidade em sua vida.

Esme sorriu com carinho ouvindo os pensamentos de Bella.

Eu sabia o quanto minha namorada tinha uma alma pura, e seus pensamentos só confirmavam a cada momento.

– Sempre um cavalheiro. – Ela sorriu. Nada surpresa que ele teria omitido informações. – Edward foi o primeiro dos meus novos filhos. Eu sempre pensei nele dessa forma, apesar dele ser mais velho que eu, de certa forma pelo menos. – Ela sorriu calorosamente pra mim. Era uma imagem engraçada, não conseguia imaginar que meu namorado era mais velho que sua mãe. – É por isso que eu estou tão feliz que ele tenha encontrado você, querida. – A palavra saiu muito natural nos lábios dela. – Ele foi um homem solitário por muito tempo; e me machuca vê-lo tão só.

Sabia o quanto a incomodava minha solidão e isolamento. Se Esme estava em êxtase apenas lendo os diários, não posso imaginar como seria seus pensamentos vendo minha mudança na vida real.

– Então você não se incomoda? –perguntei hesitante de novo. – Que eu seja... a pessoa errada pra ele? – perguntei um pouco preocupado do que ela ia pensar de sermos de espécie diferente.

Essa era para ser minha linha de questionado, não de Bella. Eu que deveria ficar preocupado em ser errado para sua vida. Ela era perfeita para a minha.

Não queria esse tipo de questionamento tornar uma angústia em sua vida.

– Não – ela estava pensativa. – É você que ele quer. Vai dar certo, de alguma maneira – ela disse, mas a testa dela se enrugou de preocupação. Gostaria de saber onde estavam indo seus pensamentos.

Outro estrondo do trovão começou a ser ouvido.

Esme parou então; aparentemente nós havíamos alcançado a borda do campo. Parecia que eles tinham formado times. Edward, Carlisle e Rosalie contra Emmett, Jasper e Alice.

– Vamos acabar com eles! – Emmett vibrou, como se o jogo estava acontecendo. Rosalie levantou uma sobrancelha em sua direção questionadora.

Ele se contorceu um pouco ao perceber que sua mulher estava no time adversário.

Emmett estava balançando um bastão de alumínio, ele assobiava quase sem rastro no ar. Eu esperei que ele se aproximasse da área do batedor, mas eu percebi, quando ele começou a entrar em posição, que ele já estava lá. Tão longe da área de arremesso que eu nem julgava possível.

– Tudo bem – Esme chamou numa voz clara, que eu sabia que mesmo Edward ouviria, mesmo estando tão longe. – Podem começar.

Tentei ao máximo não piscar, pois sempre que fazia parecia que perdia um movimento. Meus olhos não eram capaz de captar toda a velocidade do jogo.

A bola parecia um simples borrão. Identificava onde ela estava apenas pelo barulho. Entendi o motivo dos trovões.

Emmett consegui acertar a bola, a velocidade e a distância que alcançou era surpreendente. Não sabia se Edward seria capaz de alcança-la. Por isso comecei a gritar e torcer por ele.

– Corre amor! Você consegue! – gritava e batia palmas, incentivando para ele conseguir.

Um sorriso surgiu em meu rosto ao imaginar essa cena. Nunca tivemos qualquer tipo de torcida antes. Era apenas um jogo. Bella era uma lufada de ar fresco. Não imaginava que sentiria tanta felicidade com um gesto que para ela sem dúvidas era natural e casual.

Ter minha própria líder de torcida estava me deixando eufórico.

Ele voltou com a bola nas mãos e um sorriso vitorioso. Ele levantou a bola em minha direção.

– Você está quase perdoado. – pisquei em sua direção, referindo-se ao castigo.

Em um instante ele estava ao meu lado.

– Não mereço nem um prêmio? – perguntou com os olhos brilhando.

Fiquei na ponta dos pés e aproximei meus lábios dos seus, ele se abaixou para que eu tivesse melhor acesso assim que estava perto de seus lábios, desviei e beijei seu rosto. – Você ainda não ganhou o jogo.

Ele amuou e eu ri.

– Vamos logo vocês dois. – reclamou Emmett.

Continuei torcendo para o time de Edward, era a vez de Carlisle.

Para minha surpresa Esme juntou-se aos meus gritos, torcendo e vibrando com seu marido. Rimos como se fossemos duas colegiais. Tinha certeza que Carlisle estaria corando se fosse humano.

Olhamos para Esme surpresos. Ela sempre foi calma e serena, era uma atitude estrangeira imagina-la dessa forma. Acho que a influência de Bella era maior do que pensava.

Os outros acabaram no mesmo ritmo que nós. Alice vibrava e pulava cada vez que Jasper estava em qualquer jogada.

Alice não via a hora de ter outro jogo para poder torcer para Jasper. Era apenas a desculpa que ela precisava para seu estado hiperativa.

Não demorou muito para Emmett larga o bastão.

– Isso é injusto! – gritou. – Rose, porque você não está torcendo por mim? – perguntou carrancudo.

– Hey! – gritou Emmett indignado olhando para Rose. Ela apenas revirou os olhos por seu marido ser tão obtuso.

Ela revirou os olhos. – Emmett não seja estúpido. Você está no time adversário.

– Mas é injusto. Só eu que não tenho torcida!

– Eu torço por você Em. – gritei.

Ele sorriu feliz e voltou a posição original. Assim que ele se preparou para rebater comecei a gritar. – Uh vai errar! Uh vai errar!

Pego de surpresa ele acabou se desconcentrando e perdendo a bola.

– Sua namorada é uma trapaceira! – disse irritado.

Sorri em sua direção. – Minha namorada torce para mim! – deixei implícito que sua esposa não torcia por ele.

– Você mentiu! – me acusou.

– Eu não. – me defendi de sua ira. – Disse que ia torcer... só não mencionei que era para que perdesse. – sorri para sua frustração.

Carlisle ia rebater, Edward ia pegar, quando Alice ficou ofegante. Meus olhos estavam em Edward, como sempre, e eu vi quando a cabeça dele levantou num estalo pra olhar pra ela. Seus olhos se encontraram e alguma coisa passou entre eles num instante. Ele estava ao meu lado antes que os outros pudessem perguntar o que havia de errado.

O clima descontraído acabou naquele instante. Sabíamos o que significava. Alice teve uma visão e pela minha reação não era bom.

– Alice? – a voz de Esme estava tensa.

– Eu não vi, eu não sabia – ela sussurrou.

A essa hora os outros já estavam todos juntos.

– Como não sabia Alice? – perguntei frustrado. O que estava acontecendo? Não estava com um bom pressentimento. Lembrei que era assim que Bella descreveu o que estava sentindo. Ela não queria sair do carro. Seria mais do que um simples medo de um passeio na minha velocidade?

– O que foi, Alice? – Carlisle perguntou com uma voz calma de autoridade.

– Eles estavam viajando muito mais rápido do que eu imaginava. Agora eu sei que estava errada antes – ela murmurou.

Jasper se inclinou sobre ela, sua postura era protetora. – O que mudou? – ele perguntou.

– Eles nos ouviram jogar e resolveram mudar de caminho – ela disse, penitente, como se estivesse se julgando culpada por o que quer que estivesse assustando ela.

Sete pares de olhos olharam para o meu rosto e desviaram.

– Quanto tempo? – Carlisle perguntou, olhando na direção de Edward.

Seu rosto ficou com uma expressão de profunda concentração.

– Menos de cinco minutos. Eles estão correndo, eles querem jogar. – Ele fez uma cara zangada.

– Você consegue? – Carlisle perguntou, seus olhos vindo na minha direção de novo.

– Não, não carregando – ele cortou. – Além do mais, a última coisa que precisamos é que eles sintam o cheiro e comecem a caçar.

– Quantos? – Emmett perguntou á Alice.

– Três – ela respondeu resumidamente.

– Não! – gritei em pânico entendo a dimensão do que estava acontecendo. Eram os nômades. Estavam indo em direção a minha Bella! Como isso foi acontecer? Como pude a colocar em perigo dessa forma.

– Desculpe. – pediu Alice miserável.

– Você disse que não teria problema. – acusei. Como ela deu a ideia de irmos jogar! Se não fosse por ela Bella não estaria em perigo dessa forma.

– Eles mudaram de decisão. – defendeu Jasper, mas eu via sua apreensão. Ele sabia o risco que Bella estava correndo.

– Podemos acabar com eles. São três contra sete! – afirmou Emmett resoluto. Ele iria lutar. Em sua cabeça Bella era sua irmã.

– Três! – ele zombou. – Deixe eles virem. – As faixas de músculo se flexionaram nos braços enormes dele. – Nada vai passar por mim! – prometeu.

Por uma fração de segundo que pareceu muito maior do que era, Carlisle pensou.

– Vamos continuar o jogo – Carlisle finalmente decidiu. Sua voz estava calma e nivelada. – Alice disse que eles estão apenas curiosos.

– Ela já errou antes Carlisle. É melhor não arriscar. – falei. Não podia assumir riscos. Bella era minha prioridade.

– Eu disse que eles mudaram de decisão. – tentou se defender.

– Leia querida. Podemos mudar o que quer que aconteça. – Tranquilizou Jasper.

Tudo isso foi dito tão rápido que as palavras duraram menos de segundos. Eu escutei atenciosamente e entendi a maior parte, contudo eu não consegui perguntar o que Esme perguntou a Edward com uma rápida vibração de lábios. Eu só vi ele balançar a cabeça levemente e o olhar de alívio dela.

– Você pega, Esme – ele disse. – Agora eu vou ser o juiz. – Ele se plantou na minha frente.

Os outros voltaram para o campo, cautelosamente observando a floresta com seus olhos rápidos. Alice e Esme pareciam se orientar pelo lugar onde eu estava.

– Solte o seu cabelo – Edward disse com uma voz baixa, uniforme.

– Como se isso fizesse alguma diferença. – zombou Rosalie me deixando mais nervoso. Estava apavorado com o que iria acontecer sem os seus comentários.

Eu obedientemente deslizei o prendedor do meu cabelo e soltei ele ao redor do meu rosto.

Eu declarei o óbvio, mas precisando de confirmação. – Os outros estão vindo.

– Sim, fique bem parada, não fale nada, e não saia do meu lado, por favor. – Ele escondeu bem o estresse na voz dele, mas eu consegui ouvir. Ele puxou meu longo cabelo para a frente, colocando ele ao redor do meu rosto.

– Isso não vai ajudar – Alice disse suavemente. – Eu senti o cheiro dela do outro lado do campo.

– Eu sei – um tom de frustração apareceu na voz dele.

– Droga. Isso não pode estar acontecendo. – estava andando de uma lado para outro na sala. Jasper tentou enviar uma onda de calma, mas o repreendi. – Não se atreva! – rosnei.

Carlisle foi para a área de arremesso, e os outros se juntaram ao jogo sem vontade.

– O que Esme te perguntou? – eu sussurrei.

Ele hesitou por um momento antes de responder. – Se eles estavam com sede – ele murmurou sem vontade.

Pelo menos minha resposta foi negativa. Talvez pudesse sair dessa sem maiores consequências.

Os segundos se passaram; o jogo agora estava apático. Ninguém ousava dar uma rebatida mais forte, e Emmett, Rosalie e Jasper se arrastavam pelo campo.

Edward não estava prestando o mínimo de atenção ao jogo, seus olhos e mente estavam na floresta.

– Me desculpe, Bella – ele murmurou impetuosamente. – Foi estúpido, irresponsável, ter te exposto dessa maneira. Me desculpe.

Não existia desculpa para o que eu fiz. Como pude colocar minha confiança nas palavras de Alice? Teria que ter precaução extra quando se tratava de minha amada. Será esse o erro do passado? Esse era o motivo dos diários?

Eu ouvi a respiração dele parar e seus olhos se viraram para a floresta. Ele deu meio passo se colocando entre mim e o que estava vindo.

Carlisle, Emmett e os outros se viraram na mesma direção, ouvindo sons de passos que eram baixos demais para os meus ouvidos.

Notas finais
O que acharam do capítulo?