Notas iniciais
Olá leitoras,
mais um capítulo postado. Espero que apreciem um pouco mais do casal.
Gostaria de agradecer a rapha_cris pela sua recomendação. Fiquei muito feliz em saber que você leu várias vezes essa história. E também a Filipa Cullen por todos seus elogios. Adorei a recomendação das duas.
Por favor. Leiam a nota no final na parte do pedido.

Parei minha leitura por um momento. Era estranha a forma como Bella me tratava tão... Normal.



Logo após ver mais um lado da minha natureza – minha velocidade absurda – ela estava me ameaçando como faria com qualquer humano. Ser tratado como uma pessoa comum era... Libertador.



Um dos inúmeros motivos de ficar receoso em manter um relacionamento era como Bella lidaria com meu lado vampírico.



Vendo nossa interação provou que não devia ter me preocupado tanto, afinal essa era Bella — A garota que me surpreendia a cada momento e mais importante, ela me via somente como Edward. Não como um Cullen, não como um vampiro, nem como alguém morto, apenas Eu. Fiquei ainda mais aborrecido com meu “eu” do diário com as acusações que fizeram contra ela. Sei que foi em um momento de raiva, mesmo assim jamais poderia deixar meu temperamento lhe causar mágoa. Isso seria corrigido. Teria que disciplinar meu temperamento próximo a ela, minha raiva não podia nublar o bom senso de sempre a manter segura, feliz e protegida.



Se antes de ler esse diário alguém me perguntasse qual seria a mulher perfeita para mim, provavelmente eu não saberia responder, ou a resposta seria incompleta, mas de qualquer forma jamais chegaria aos pés da mulher que Bella era. Sim, mulher, não menina, apesar de sua idade. Sua maturidade para lidar com as adversidades da vida demonstraram isso. Apesar da tenra idade ela estava muito acima das outras pessoas da mesma faixa etária.



Resolvi voltar à leitura e parar com minhas divagações, não sabia quanto espaço minha família iria me dar. Afinal, sabia que eles estavam tão curiosos como eu, todos já tinham um carinho especial por ela e queriam saber o que estava acontecendo. Privacidade não era algo comum em minha família, com meu dom e o de Alice, ainda a influência de Jasper, era raro haver um segredo. Ainda mais manter segredo de uma figura materna como Esme e alguém tão complacente como Carlisle.



Era difícil dar o braço a torcer, mas ele dirigia muito bem, quando a velocidade estava razoável, é claro. Não entendi seus motivos, mas Edward estava mantendo uma velocidade regular. Talvez para não me assustar, nunca o tinha visto dirigir tão “lento” propositalmente, que para seu padrão significava seguir o limite de velocidade.



Rir mentalmente com isso. Como ela não percebeu que meus motivos são prolongar o momento? Odeio dirigir devagar, mas se isso me daria mais alguns minutos ao seu lado, valia a pena esse pequeno inconveniente.



Depois de sua explicação de todos seus sentidos apurados e memória fotográfica. Edward falou que podia dirigir tranquilamente até minha casa sem olhar para estrada, mas mesmo assim, depois de vários argumentos e falar que ficaria muito zangada se ele tirasse por muito tempo os olhos da estrada ele me obedeceu.



Não estava nem um pouco empolgada para testar sua memória. Isso não o impediu de dirigir com uma mão só, segurando com a outra a minha mão no banco do carro. Seu argumento era que se ele não podia olhar em meus olhos para acreditar que tudo que tinha acontecido era real, então ele queria me segurar, uma prova sólida que não era uma invenção de sua cabeça. Claro que seu argumento fez meu coração bandido entregar o quanto suas palavras me afetaram. Foi impossível encontrar algum argumento contra.



Sorrir largamente ao saber que minhas palavras a afetavam quase tanto quando as dela. Esse era um fato importante para usar futuramente para fazer Bella ceder. Pelo que vi de nossos debates sempre saia perdendo sem nenhuma concessão. Agora, poderia usar meus sentimentos e transforma-los em palavras. Muitas mulheres gostam de palavras bonitas, sei que isso não afetaria Bella se ela não tivesse percebido que são completamente sinceras.



Ele ligou o rádio numa estação de músicas antigas e cantou uma canção que eu nunca tinha nem ouvido. Ele conhecia cada frase.



– Nunca tinha ouvida essa música antes. – não queria interromper seu cantarolar, sua voz era bastante suave e agradável, mas minha curiosidade falou mais alto.


– Isso é fácil de supor. Você nem era nascida quando tocava essa música, provavelmente nem seu pai. – zombou.


Fiz uma pequena careta. – De quando é essa música? Ela parece ser antiga, mas não tenho noção de quando é... – fiz uma pequena careta. – Não sabia que gostava desse estilo. – na realidade, não sabia muito de seus gostos musicais. Fiz uma nota mental em voltar nesse tema e saber mais detalhes.



Sorri em saber que Bella gostaria de me conhecer melhor. Também fiz uma nota mental em aprender todos seus gostos assim que nos conhecermos.



– É dos anos cinquenta, no geral eram músicas boas. Muito melhor do que as dos anos sessenta e setenta, ugh! – ele tremeu. – As dos anos oitenta eram suportáveis.



– Você parece ser bastante inteirado sobre música antiga. Isso me faz lembrar que você não compartilhou sua idade, o que é completamente injusto já que você sabe a minha. – tentei manter o assunto leve. Não sabendo o quanto ele se importava com esse tema.


– Isso importa muito? – ele sorriu.


– Acho que não, mas provavelmente vou ficar perguntando até você me dizer. Sou uma pessoa curiosa e fico pensando quantos anos você deve ter.


– E posso saber quantos anos a senhorita acha que tenho? – perguntou com uma pontada de dúvida na voz.


– Bom, pela forma de falar, sua postura... Não sei com certeza, mas tenho a impressão de que você é do início do século XX.



Droga. Ela acertou em cheio. Não queria entrar nesse assunto, ser tão velho me incomodava. Claro que para um vampiro sou considerado até novo, mas para um ser humano não passo de um velho no fim da vida.



Ele pareceu incomodado. Sua postura era tensa. Tentei pensar no motivo para seu humor ter mudado tão bruscamente. Será que ele achava que sua idade ia me incomodar tanto assim?



– Fique despreocupado, não vou pensar em você como um velho pedófilo. – tentei brincar, mas isso não amenizou suas dúvidas.



Fiquei tenso com suas palavras. Era esse um medo profundo. Não sabendo a minha idade ela poderia apenas supor, agora tendo o fato de minha real idade ela pensaria nela, não em sair com o Edward com aparência de 18 anos e sim com um velho centenário.



Apesar disso, não posso negar a pequena pontada de felicidade ao ver como consegue entender meus receios rapidamente. Acho que Bella no fundo pode ler minha mente. Não pode ter outra explicação para ela sempre saber onde minha mente está indo.



– Ei Edward. – apertei firmemente sua mão que ainda segurava a minha. – Estou falando sério, não importa sua idade. Talvez, dependendo da sua idade eu lhe implore por detalhes de alguns fatos históricos, mas só isso. – ele sorriu suavemente. – Por favor, me diz como eram os dinossauros? Eu sempre quis ver um. – minha brincadeira deu certo, ele riu verdadeiramente.



Gargalhei com isso. Só ela para fazer sumir todas minha preocupações.



Depois que paramos de rir ele suspirou, e olhou pra os meus olhos, ignorando a estrada completamente por um tempo. O que quer que ele tenha visto lá deve ter encorajado ele.



– Eu nasci em Chicago, em 1900. – Ele parou e olhou para mim pelo canto dos olhos.


Sorrir largamente ao perceber que quase acertei sua idade.



Só isso? Sem gritaria, nem apontando que sou um velho pervertido? Apenas feliz por ter acertado? Se soubesse disso teria dito antes e poupado muita preocupação que tenho certeza que passei ao negar falar sobre esse tema.



Será que ele conhecia meu Avô? Se duvidar ele poderia até ser da época do meu bisavô se for pensar bem, Charlie não é muito velho. Yeh, mas tenho certeza que ele é o homem centenário mais bonito da história. Edward era lindo.



Impressionante que todos os elogios que já recebi em minha existência sobre minha aparência nunca me tocaram tanto como as palavras de Bella.



Era bom saber que a pessoa que você amava gostava de você em todos os sentidos. Claro que se ela fosse apenas reparar em minha aparência ficaria desapontado. Para minha sorte, minha garota era diferente das outras. Ela primeiro me conheceu para depois reparar em minha aparência.


Hum... Pensando nisso, será que eu iria a afetar tanto quanto ela me afeta? Sua atração por mim ficou maior?



Não podia esperar para saber.



– Carlisle me encontrou em um hospital em 1918, tinha completado dezoito anos e estava morrendo com a gripe Espanhola.



Foi uma época negra na minha cidade. Chicago estava devastada pela gripe. Tudo cheirava a morte. Minhas lembranças são bastantes vagas desse tempo. Às vezes preferia se ele tivesse deixado à vida seguir seu curso. Era para eu ter morrido junto com meus pais. Agora sabendo que Bella estaria em meu futuro, estava mais do que grato pela escolha de Carlisle.



Puta merda. Quantos anos será que tem Carlisle? Caramba. E pensar que queria conhecer algum irmão dele. Não duvido em encontrar seu irmão em algum museu.



Segurei a raiva. Ela pensava isso quando ainda não tinha sentimentos por mim. Tinha que tentar controlar melhor meus ciúmes.



– Eu não lembro muito bem, foi há muito tempo e as memórias humanas desaparecem. – Ele ficou perdido em pensamentos por um breve período de tempo e então continuou. – Eu me lembro de como senti, quando Carlisle me salvou. Não é uma coisa fácil, algo que você esquece.



Nem um pouco. A dor da transformação é uma coisa que todos os vampiros têm nítido em suas memórias. Estremeci levemente ao lembrar da dor da queimação.



– Não se lembra? – não entendi seu comentário. Ele tinha avisado que sua memória era perfeita, então como iria esquecer?



– Quando somos transformados nossas memórias humanas vão desaparecendo. É como acordar de um sonho, você sabe que sonhou, mas não lembra os detalhes e se você não se esforçar você acaba esquecendo com o que sonhou. Foi o que aconteceu comigo. Acordei tão perdido e ainda tendo que dominar meu dom que minhas lembranças foram desaparecendo sem eu nem perceber. Tendo uma jorrada de pensamentos que não eram meus deixava tudo muito confuso.



Carlisle teve que me levar para um local isolado. Mesmo assim tinha que lidar com seus pensamentos. Um vampiro pode pensar em várias coisas ao mesmo tempo, tendo que lidar com minha confusão e a culpa de Carlisle não foi difícil. Principalmente que ele demorou um tempo para perceber. Tudo que pensava era em acabar com a sede que estava sentindo.



Imaginei como devia ter sido difícil para ele ter que lidar com tanta coisa. Ele era humano e provavelmente estava pensando que estava morrendo e só para depois descobrir que tinha se tornado um vampiro. – Você sabe o que aconteceu com seus pais? – pensei se eles pensariam que seu filho não teria resistido à doença e o quanto eles sofreriam ao saber que perderam seu filho.



Não devia ter me surpreendido que Bella pensaria em meus pais. Com seu coração ela iria se preocupar com todos.



– Eles já tinham morrido com a doença. Eu estava sozinho. Foi por isso que ele me escolheu. Com todo aquele caos da epidemia, ninguém se deu conta de que eu tinha desaparecido.



Isso significava que ele não tinha irmãos e provavelmente nenhum parente próximo. Imagino o que impulsionou Carlisle a ter a decisão final em transformar Edward. Provavelmente não era o único nessa situação.



Perspicaz. Bella notou aquilo que demorei décadas para saber e tenho a impressão que não sei tudo. Vi na mente de Carlisle que ele sentiu certa obrigação comigo. Algo o impulsionava a querer me salvar. Precisava perguntar em algum momento o que foi. Bella notou isso primeiro do que eu.



Sua voz suave interrompeu meus pensamentos. – Ele agiu por causa da solidão. Geralmente essa é a razão por trás da escolha. – tinha certeza que esse não era o único motivo. – Eu fui o primeiro da família de Carlisle, apesar dele ter achado Esme logo depois. Ela... caiu de um abismo. – notei que ele hesitou por um segundo, se não o conhecesse não teria notado.



Ela não vai deixar nada passar? Não poderia contar a história de Esme, não era minha vida para falar. Gostaria de ter dito a verdade, mas tinha certeza que Esme não esconderia de Bella.



– Eles a levaram direto para o necrotério do hospital, apesar de alguma forma, o coração dela ainda estar batendo.



– Você precisa estar morrendo, então, pra se tornar um... – eu nunca havia pronunciado a palavra, e não consegui falá-la agora. Tudo que pensei sobre a transformação foi algo relacionado a morder e pronto. Tinha certeza que tinha mais coisas, por algum motivo sabia que ainda não era o momento de falarmos a esse respeito.



Não era um assunto que queria tratar. Os detalhes da transformação na eram agradáveis. Três dias e três noites queimando em dor extrema para acordar com sede de sangue. Franzi o cenho com a memória. Sem dúvidas um assunto que pode esperar.



– Não, isso é só com Carlisle. Ele nunca faria isso com alguém que tem outra escolha. – O respeito na voz dele era sempre muito profundo quando ele falava na sua figura de pai. – Contudo, ele diz que é mais fácil — ele continuou. – Se o sangue estiver mais fraco – ele olhou para a estrada agora escura, e eu pude sentir que ele estava fechando o assunto de novo. Por todas nossas conversas começava a conhecê-lo melhor. Algo o incomodava e ele não iria me dizer. Por isso resolvi não empurra-lo e mudar o tema.



– E Emmett e Rosalie?


– Carlisle trouxe Rosalie para a nossa família logo depois. Foi apenas dois anos depois que ela encontrou Emmett. Ela estava caçando, estávamos em Appalachia nessa época, e encontrou um urso a ponto de acabar com ele. Ela o carregou até Carlisle, andando por mais de cem quilômetros, com medo de não conseguir fazer sozinha. Só agora eu começo a imaginar como aquela jornada foi difícil pra ela. – Ele deu uma olhada pra mim e levantou nossas mãos, ainda juntas, e acariciou a minha bochecha com as costas da mão dele.



Rosalie nunca vacilou em sua dieta e jamais provou sangue humano. Suas memórias de sua luta para combater seu primeiro contato com sangue humano e não cair em tentação era forte. Ela estava apavorada de não conseguir, mas o rosto de Emmett a fez forte.



– Mas ela conseguiu – encorajei. Fiquei tocada com a história deles. Não podia saber exatamente como era lutar contra a sede, pelos relatos de Edward era uma luta constante. Fiquei feliz em ver que deu certo e estão juntos até hoje.



– E eles estão juntos desde então. Mas quanto mais jovens fingimos ser, por mais tempo podemos ficar em um só lugar. Forks parecia ser perfeito, então todos nós entramos na escola. – Ele riu. – Eu acho que teremos que ir ao casamento deles daqui a alguns anos, de novo.


Isso explicaria porque eles estavam no ensino médio.


Franzi o cenho. – O que está pensando? – tive vontade de rir com sua pergunta. Era claro que Edward detestava não saber meus pensamentos.


– Deve ser entediante fazer o ensino médio novamente. Na minha escola anterior estava até um pouco adiantada me senti frustrada de estudar algumas partes novamente imagine você que reviu inúmeras vezes e tem essa memória perfeita.


– Confesso que vivia em constante tédio. Até certa garota de uma cidade ensolarada aparecer em minha vida. Confesso que as coisas ficaram mais animadas. – piscou em minha direção me fazendo corar.



Principalmente agora que estou começando a aprender a lidar com seu cheiro, minha espera por Bella me causava grande ansiedade. Precisava ter em mente que a Alice estava certa, primeiro precisava ler esses diários. Lembrar meus dias antes de encontra-los mostrava o quanto vivia no absoluto tédio.



– Alice e Jasper? – perguntei para me distrair e parar de corar.



– Alice e Jasper são duas criaturas muito raras. Eles dois adquiriram a consciência, por assim dizer, sem nenhum tipo de ajuda. Jasper pertenceu à outra... família, um tipo de família muito diferente. – imagino que família não era a palavra que ele tinha em mente. – Ele ficou muito deprimido, e então resolveu vagar sozinho. Alice o encontrou. Assim como eu, eles têm certos dons fora do comum para a nossa espécie. – deixei a curiosidade sobre o passado de seu irmão, imaginei que era outro tema desconfortável e foquei na curiosidade sobre outros dons.


– Mesmo? – interrompi. – Que tipo de dons? Eles funcionam de verdade ou são danificados como o seu? – brinquei. Não pude resistir ao meu querido telepata paraguaio.



Pelo menos Emmett não estava agora. Ele não deixaria essa passar. Fiquei curioso como os dons dos meus irmãos funcionavam na Bella.



Ele fez uma carranca adorável. – Para sua informação acho que o problema é com você. – levantei uma sobrancelha para ele.



– A culpa é minha que vocês vieram com defeito? Isso é um absurdo, posso lhe processar por isso.


Rimos com o absurdo de nossa conversa. – Alice vê coisas, coisas que podem acontecer, coisas que estão por vir. Mas é muito subjetivo. O futuro não está cravado em uma pedra. As coisas podem mudar.


Ele comprimiu a mandíbula quando disse isso, e seus olhos olharam para os meus e se viraram rapidamente. Fiquei surpresa com sua mudança de humor.



O que Alice previu que me deixou tão nervoso?



– E onde está o defeito? Acho que o problema é exclusivo seu. – tentei amenizar sua tensão.



– Nas visões de Alice você não é muito clara. Ela precisa se concentrar verdadeiramente para lhe ver. É mais fácil quando você está acompanhada, quando você está sozinha você não passa de um borrão.



Alice não a via com clareza? Como isso é possível? Bella era uma caixinha de surpresas. Precisava discutir com Carlisle isso. Primeiro não posso ler sua mente e agora as visões de Alice só funcionam se tiver outra pessoa. Interessante.



Uau. Fiquei impressionada com isso. Comecei a pensar se o defeito não estava comigo. Talvez ele estivesse certo.



– E o que Jasper pode fazer?


– Ele é um empata. Ele pode sentir e controlar as emoções ao seu redor. – quando estava prestes a perguntar ele respondeu. – Não sabemos se seu dom funciona com você. Vocês nunca estiveram próximos o suficiente para isso, o refeitório é sempre lotado e ele recebe uma enxurrada de emoções para identificar a sua.



Nossa família era bastante talentosa. Muito difícil encontrar um clã com tantos poderes. Muitos tinham inveja de nós. Por isso sempre ficamos mais escondidos entre os humanos. Era perfeito para manter o disfarce e aparência de inofensivos.



Pensei nisso por um momento. Não sabia quem era pior, Edward por ler a mente das pessoas ou Jasper para sentir suas emoções ou Alice para ver o futuro.



Pior? Como ela pode pensar isso? Tantos querendo podendo ler mentes ou ver o futuro e ter o poder de controlar as emoções dos outros e Bella despreza tudo isso.



– Acho que eu ficaria louca se eu tivesse os dons de vocês.



Ele me olhou claramente espantado. – Geralmente as pessoas teriam inveja. – disse incrédulo.


– Inveja? De quê? De ouvir coisas que não quero de pessoas que não conheço e sentir emoções que não são minhas e prever coisas que não quero saber?



Encontrava em uma perda de palavras. Bella não podia ser normal. Sem dúvidas gastaria cada centavo que tinha apenas para ouvir por um minuto seus pensamentos.



Edward tentou falar e depois parou. Ele balançou a cabeça e só murmurou algo como “Quando você vai parar de me surpreender”.



Estávamos parados na frente de casa agora, e ele desligou o carro. Estava tudo muito quieto e escuro; não havia lua. A luz da varanda estava desligada, então eu sabia que meu pai ainda não estava em casa.


– E Alice vem de outra família, como Jasper?


– Não, isso é um mistério. Alice não se lembra de absolutamente nada da sua vida humana. E ela não sabe quem a transformou. Ela acordou sozinha. Quem quer que seja que a transformou, fugiu, nenhum de nós entende como, ou porque ele fez isso. Se ela não tivesse essa outra sensibilidade, se não tivesse encontrado Jasper e Carlisle e visto que poderia se tornar uma de nós, ela podia ter se transformado numa selvagem.



Era um grande mistério. Ninguém sabia sua origem e era raro e incomum algum vampiro deixar sua criação desprotegida. As consequências são graves.



Para a minha grande vergonha, meu estômago roncou. Eu estava tão intrigada, que nem reparei que estava com fome. Agora eu via que era uma fome voraz.



– Me desculpe, eu estou atrapalhando o seu jantar.


– Tudo bem. Não vi a hora passar. Agora que percebi o quanto estou faminta.


– Eu nunca passei tanto tempo perto de uma pessoa que come comida. Eu esqueci. – parecia bastante envergonhado com esse fato.


– Então somos dois. — brinquei.


– Eu posso entrar? – perguntou hesitante.


– Claro. Só acho que não tenho nenhum urso no congelador para lhe oferecer. – rir com sua careta.



Conte com a Bella para fazer piada com minha dieta. Não consigo imagina-la com Emmett. Sério o caos.



– Muito engraçado. – sorriu um pouco. – Posso conseguir meu próprio alimento. E qual seria a emoção de uma comida congelada? – piscou.



– Yeh, bom ponto. Acho que por isso inventaram os aparelhos micro-ondas.


Edward saiu do carro e antes mesmo da porta fechar ele já estava ao meu lado.


– Obrigada. – agradeci quando me ofereceu sua mão.


Ele caminhou ao meu lado na noite, tentei prestar atenção em seus passos e não ouvia nada. Era como se estivesse caminhando sozinha. Mesmo assim ainda conseguia sentir sua presença ao meu lado.


Ele alcançou a porta antes e abriu ela pra mim. Eu parei a meio caminho da entrada.


– A porta estava aberta?


– Não, eu usei a chave que tem embaixo do tapete.


Eu entrei, acendi a luz da varanda, e me virei pra olhá-lo com as sobrancelhas erguidas. Eu tinha certeza que nunca havia usado aquela chave na frente dele. Olhei de forma indagativa para ele.


– O que posso dizer? Eu estava curioso sobre você.


– Você me espionou? – falei chocada.



Isso fazia sentido. Não podendo ler sua mente e ter que conviver com seu cheiro, fora Alice não tendo uma visão clara de Bella. Deveria ter imaginado que iria a sua casa quando estava lhe vendo para dormir.



Ele não parecia arrependido, apenas um pouco culpado. – Acho que tenho mais uma explicação para dar. – paramos na sala e fiquei o encarando firmemente. O que diabos isso significava?



Droga. Claro que não iria me arrepender de ficar ao seu lado. Agora sua reação era outra coisa. Será que ficaria muito zangada em ter sua intimidade violada dessa forma? Espero que ela me perdoe, não podia suportar sua raiva dirigida a mim. Deixei minha curiosidade acima do bem estar de Bella. Precisava fazer uma lista de meus erros. Parecia que não parava de crescer.



Ele começou a andar e a passar as mãos pelos cabelos.



– Vamos, Edward. Não pode ser tão ruim. Fala logo. – Eu disse começando a sentir-me preocupada. Sua postura se tornou mais tensa, o que me deixou em alerta. – Você está começando a me assustar. – ele ainda ficou calado, fiquei inquietada com sua clara relutância. – Depois de tudo que você me falou hoje achei que não tinha mais segredo entre nós. – Ok, golpe baixo. Mas não via motivo em sua relutância, depois de tantas revelações essa parecia ser menos importante.


– Certo. – disse em meio a um suspiro. – Bem, você se lembra do dia em que o sar... Mike e os outros lhe convidaram para ir ao baile.


– Sim. – ainda não entendia o ponto, mas respondi sua pergunta. – O dia que você voltou a "falar" comigo novamente. – fiz aspas, aquele dia ainda me deixava irritada. Detestava lembrar o quanto ele me esnobou depois do acidente com a van.


– Eu vim aqui para lhe ver.


Minha expressão era em branco. Não conseguia entender para onde essa conversa estava chegando. Estava prestes a responder que ele não veio me ver, pois ele só foi falar comigo no dia seguinte quando uma ideia começou a se formar.



A sensação de que ela iria deduzir tudo me fez ficar ainda mais ansioso com sua reação.



– Quando você diz que você veio me ver, não significa que eu o vi? – sondei. Ele balançou a cabeça. – Você ficou comigo quando eu não sabia que você estava aqui? – estava parecendo estúpida, essa ideia não fazia sentido.



– Sim, é isso que eu quero dizer. – Ele disse, voltando a andar. – Eu juro que eu só queria saber se você estava bem, que nada tinha acontecido... Mas então, meio que... acabou se tornando um hábito. – terminou essa frase rapidamente e em voz baixa.


– Hábito? O que se tornou um hábito? – Perguntei ainda não querendo acreditar na hipótese que se formou em minha cabeça.


– Eu comecei a vir aqui para saber como você estava. – Ele murmurou.


– Você fala como se você viesse aqui todas as noites para me ver dormir? – começo a rir do absurdo desse pensamento. Espero que ele me acompanhe na risada, mas ele não o fez. Ele fica tenso e não olha em minha direção. Foi a sua postura que me fez perceber que minhas palavras eram verdadeiras. Meu rosto começou a ficar extremamente quente, tinha certeza que estava corando absurdamente. – Edward! Você quer dizer que você vem aqui e fica me observado dormir? O que diabos isso significa? Você é uma espécie de stalker* ou o quê? – gritei.


* perseguidor.



Isso não é bom. Gritar não é nada bom. Estava em apuros. Tinha visto que Bella tem um temperamento forte o que admirava. Agora quando esse temperamento é voltado para mim não é tão agradável quanto parecia.



Ele se encolheu visivelmente e por mais absurdo que possa parecer ele aparentava estar um pouco assustado pela minha reação. – Bella me desculpe, jamais quis lhe deixar chateada. Eu sei que pode parecer um pouco... perturbador, mas juro que nunca quis causar nenhum mal e me sinto extremamente culpado por isso.



– Culpado? Você deveria se sentir no mínimo péssimo. — disse chateada. – Como você acha que me sinto sabendo que você ficava espionando? Você também me via trocar de roupa feito um pervertido? – agora essa ideia me deixou assustada sempre trocava de roupa em meu quarto. E se ele ficava me observando?



Oh, por favor! Que eu não tenha feito uma coisa dessas. Seria tão errado! Por mais tentadora que a ideia fosse preferia acreditar que mantive a compostura e não violei sua intimidade a esse nível.



– Não Bella! Não é nada disso! – falou freneticamente. Parecendo horrorizado que eu fosse pensar nele dessa forma. Mas o que ele queria? Ele acaba de falar que fica me espionando. – Não, eu juro que nunca... Jamais faria... – ele respirou fundo parecendo querer ordenar seus pensamentos. – Bella a primeira vez que vim aqui foi apenas para saber se estava bem. Fiquei repetindo na minha mente para sair, que era errado, mas você me atraia como um imã, cada passo que eu queria me afastar eu dava dois passos para mais perto de você. Então quando a vi dormindo você estava tão linda e inocente e pura... Então, cada dia encontrava um novo motivo para voltar, falava para mim mesmo para me acostumar com seu cheiro, para verificar sua segurança, mas... – ele olhou profundamente nos meus olhos. – a realidade é que eu voltava apenas para ficar mais próximo a você, mesmo que você não soubesse.



– Ok. – foi tudo que conseguir falar. Ele é tão malditamente bonito que suas palavras me deixaram desnorteada. Minha raiva desapareceu e tudo que pensava era beijar o bico que se formou em seu rosto.



Faria outra lista para formas de lidar com a fúria de Bella. Era bom saber que tinha um efeito nela também.



– Você me perdoa Bella? — falou com sua voz aveludada. Será que ele sabe o efeito que tem sobre mim?



Apenas balancei a cabeça concordando. Não consegui falar por um minuto inteiro antes de recuperar a voz. – Mas você tem que me prometer que não fará novamente. – ele estava prestes a protestar, então acrescentei. – Sem eu saber.


Ele acenou solenemente. – Temos um acordo.


Eu deixei essa passar no momento e fui caminhando no corredor até a cozinha. Ele sentou na cadeira próxima ao balcão. Eu me concentrei em preparar o jantar. Resolvi fazer uma macarronada pela pressa que estava. Enquanto preparava tudo e cortava os temperos peguei uma barra de chocolate para ir beliscando enquanto cozinhava.


– Achei que o doce ficava para sobremesa?


– Edward aprenda uma coisa. Não existe hora para comer chocolate. Feliz, triste, com raiva ou alegre. Manhã, tarde ou noite. Antes, durante ou depois das refeições. Sempre é hora de comer chocolate. – falei alegremente. Meu discurso sobre o chocolate o fez rir.


– Quem sou eu para discutir.



Chocolate. Anotado. Uma opção para mimá-la. Tenho que pesquisar onde vende os melhores chocolates do país, ou melhor, do mundo.



Enquanto cozinhava pensei o quanto esse dia foi diferente de tudo que já tinha passado. Nem podia acreditar em quantas revelações e descobertas. A maior delas o quanto era bom beijar Edward. Ainda queria o ter beijado na sala.



– Porque você está corando? – droga! Ele pode não poder ler minha mente, mas as reações do meu corpo me delatavam.


– Só estava pensando. – ele ficou calado esperando eu continuar. – Foram muitas revelações para um só dia.


– É verdade. – ele se aproximou e colocou as mãos em minha cintura enquanto mexia o molho. – E quais das revelações lhe fizeram corar? – sussurrou no meu ouvido. Um arrepio subiu em meu corpo.


Virei para lhe encarar. – O quanto eu gosto de lhe beijar. – sussurrei de forma sedutora. Não precisei falar mais nada antes que nossos lábios colassem outra vez. Sentir seus lábios nos meus estava virando um vício que não fazia questão de curar.


Nós dois ouvimos os barulhos dos pneus na calçada de tijolos, fazendo estourar nossa bolha. Vimos os faróis brilharem pela janela da frente, no corredor perto de nós.


– Acho melhor você se sentar. – apontei para a cadeira. Tinha certeza que meu pai não gostaria nem um pouco da nossa posição.



Acho que deve ser um dom natural dos sogros aparecerem quando estamos juntos de suas filhas. Sogro. Essa palavra nunca me pareceu tão agradável antes, significa que tenho um compromisso com Bella.



– É melhor você mexer a panela ou o molho irá queimar.



– Droga. – abaixei o fogo e voltei a mexer a panela. Quando estava em seus braços esquecia tudo ao meu redor.


Meu pai virou a chave na porta.


– Bella? – ele chamou.


– Estou aqui pai.


– De quem é o carro aí fora? – perguntou com um tom de voz que não reconheci. Edward levantou da cadeira com uma postura séria.


Charlie entrou na cozinha e encarou Edward com o rosto desconfiado.


– Pai, esse é Edward Cullen. Edward esse é meu pai Charlie Swan. – Fiz as devidas apresentações.


Charlie fez uma carranca. – Então Edwin o que você faz aqui?


Estava prestes a brigar com meu pai por ser tão rude. Depois lembrei que Edward ficava me espionando sem eu saber e resolvi não interferir. Como punição ele enfrentaria meu pai sozinho.



Gênio Edward. Deixar a Bella irritada justamente na hora que você ia conhecer seu pai. Como um vampiro centenário pode ser tão estúpido?



Queria que o Chefe Swan gostasse de mim. Tinha que fazer uma boa impressão.



– Eu vim trazer Bella em casa Chefe Swan. Fiquei lhe fazendo companhia até o senhor chegar para que ela não ficasse só. – falou formalmente.



– Certo. Agora que eu cheguei posso fazer companhia para ela e você pode ir embora. Feche a porta quando sair. – Quem diria que Charlie era ciumento?


Edward ficou desconcertado por um momento antes de se despedir. – Boa noite Chefe. Boa noite Bella.


Assim que ouvi a porta fechar comecei a rir.


– Você é terrível pai.


– O que eu fiz? – Ele apenas deu de ombros sem um pingo de arrependimento. Senti até um pouco de pena dele. Bem pouca.



Claro que ela não se importaria. Fui eu que enfrentei o chefe. Lá estou eu um vampiro quase indestrutível sendo enxotado como um cachorro por um humano. Agradeci novamente Emmett não estar aqui.



– Isso cheira bem.



– Sente-se. Está pronto. – comecei a preparar um prato para mim e outro para ele. Charlie já estava com o garfo na mão quando o parei. – Espere. – ralei um pouco de queijo parmesão em seu prato e no meu. – Agora sim. Bom apetite.


– Obrigado – sorri para ele antes de começarmos a comer. – Isso está ótimo Bells.


Aumentei meu sorriso. Era bom cozinhar e ter sua comida elogiada e apreciada. – Como foi seu dia?


– Bom, os peixes estavam mordendo a isca... e o seu? Não sabia que teria companhia.


– Você não vai acreditar. Edward foi fantasiado de Fera, ele substituiu o rapaz que faria o papel que tinha se machucado. Peguei carona com ele de volta para casa.


– Hum... – podia ver os pensamentos se formando na cabeça de meu pai.


– Eu pensei que você e Mike Newton estavam se tornando próximos.



Rosnei com isso. Como ele pode preferia Mike Newton a mim? Se o chefe pudesse ler a mente daquele garoto ele mudaria de ideia rapidamente. Não gostei da ideia de Bella associada a esse sarnento.



– Ele é só um amigo.



– E você não pensou em convidar ele para o baile ou esse tal de Edwin? Ainda dá tempo.



Nem lembrava que esse era o dia do baile. Será que Bella iria comigo se a convidasse?



– Estou cansada pai. – vi uma oportunidade que não podia deixar passar. – Mas eu pensei em ter a minha dança com um cara mais velho sabe, mas bem apresentado.



Será que ela estava falando de mim?



– O quanto mais velho?



– Bem mais velho...



Sim. Só podia ser eu.



Levantei e liguei o rádio. Estendi a mão para Charlie. – Me daria à honra dessa dança?



Grunhi. Não era eu. Pelo menos era seu pai, melhor do que qualquer outra pessoa. Meu nível de ciúme estava controlado. Do seu pai era mais inveja de que ele a tinha em seus braços e eu não.



Vê o distinto chefe de polícia corando era impagável. – Eu não sei danças Bells.



– Você não pode dizer não para sua filha favorita.


– Você é minha única filha.


– Bem, sorte a minha. Vamos pai, só estamos nos dois aqui. – olhei em seus olhos e fiz minha melhor cara de cachorro que caiu da mudança. – Por favor.


– Depois não reclame se pisar no seu pé. – resmungou.


Não era precisamente uma dança. Estava mais para balançar de um lado para outro. No decorrer da música senti Charlie ir relaxando. Quando a música acabou ele deu um pequeno beijo na minha cabeça.


– Fico feliz que você veio morar comigo.


– Eu também pai. – dei um beijo em sua bochecha antes de subir para meu quarto quase saltitando.



Era admirável o quanto a relação entre pai e filha cresceu. Quando Bella chegou não passavam de dois desconhecidos e agora o amor entre eles era palpável.



Não podia acreditar em quanto minha relação com meu pai cresceu. No fundo sempre tive certo ressentimento por ele. Achava que ele não me queria, afinal ele deixou a minha mãe me levar e nunca foi me visitar. Pensava nele como um completo estranho que esqueceu que tinha filha no mundo. Porém, o tempo que passei aqui provou o contrário. Charlie me amava. Não entendi o que o levou a concordar com a situação de Renné me levar dessa forma. Um dia teríamos que falar sobre isso, por mais que quisesse deixar o passado para trás.



Nunca tinha captado esse ressentimento de Bella. O quando meu “eu” do diário não a conhecia? Afinal, a maioria do que descobrir foi através do diário do que pelas conversas que li.



Entrei no meu quarto com tantos pensamentos que tive que segurar o grito prestes a sair da minha garganta ao ver Edward deitado na minha cama, com um enorme sorriso no rosto, as mãos atrás da cabeça, parecendo muito confortável.



Sorri com seu susto. Como ela podia pensar que iria embora sem me despedir? Por mais que seu pai praticamente me expulso, não sairia sem meu beijo de boa noite.



– Edward. Você assustou a merda fora de mim. – reclamei.



– Me desculpe. – Ele apertou os lábios, tentando esconder que estava se divertindo. – Achei que você tinha dado permissão para vir ao seu quarto desde que você soubesse. – ele me deu um pequeno sorriso.


– Certo. Só me dê um segundo para acalmar meu coração.


– Porque você não senta comigo? – sugeriu, colocando a mão fria na minha. – Como está o coração?


– Me diga você, com certeza você consegue ouvir melhor do que eu. – respondi um pouco mal criada. O que só aumentou seu sorriso.


Eu senti a sua risada quieta balançar a cama.


Nós ficamos sentados por um momento em silêncio, os dois escutando as batidas do meu coração se acalmarem. Dei um abraço rápido em Edward antes de me afastar.


– Me dê alguns minutos. Vou tomar banho e volto logo.



– Vou esperar aqui.


Eu me levantei, pegando o primeiro pijama que encontrei no guarda-roupa e uma roupa íntima qualquer.


Tomar banho sempre me deixava mais relaxada. Os jatos do chuveiro eram reconfortantes. Não esperava que Edward fosse voltar, mas não posso negar a alegria que sentir ao ver na minha cama. Tentei não colocar muitos pensamentos nesse fato, mas minha mente não estava colaborando com minha vontade.



Fiquei nervoso com seus pensamentos. O que será que ela esperava de mim? Nunca tive um relacionamento antes, não sabia como agir. Será que ela iria se decepcionar?



Assim que terminei meu banho, sequei brevemente meu cabelo com o secador. Não quis dormir com eles molhados, porém estava com pressa de voltar aos seus braços. Vesti o pijama rapidamente para o quarto.



Edward não tinha se movido uma fração de centímetro de onde eu o havia deixado.


Seus olhos me examinaram, parando no meu cabelo selvagem e passaram devagar por meu pijama e demoraram em minhas pernas. Limpei minha garganta para ele voltar à atenção para meu rosto. Ele pareceu um pouco envergonhado antes de falar. – Você está linda.



Acho que fui pego em flagrante.



– Obrigada. – fui buscar uma escova para pentear meus cabelos e virando de costas para ele no processo. Ouvi um gemido atrás de mim e olhei interrogativamente para ele.



– Bella, você quer me matar?


Olhei no espelho que tinha no meu quarto para entender do que ele estava falando. Meu pijama era um par com blusa de alcinhas e short. Ele era cheio de bocas espelhadas e atrás estrava escrito “Me morda”. Tive que rir com a consciência da situação.



Como ela me provoca dessa forma? Será que ela não sabe o quão tentador ela é para mim?



– Está achando graça de mim? – Edward me abraçou. Tinha certeza que ele estava na cama e em um piscar de olhos estava ao meu lado, lógico que com sua velocidade isso era um mero detalhe.



– Admita. Era engraçado. – falei colocando as mãos em seu pescoço. Como se não pesasse nada ele colocou as mãos em minha cintura e me levantou até a cama.


– Engraçado para você, que tem que lutar contra seus instintos.


– Ainda é difícil? – falei seriamente para ele. Depois de todo esse tempo junto esqueci completamente do fato que meu sangue o atrai.


– Sim, mas está mais fácil agora que passei o dia todo com você. Ficar ao seu lado me deixa mais a vontade com seu cheiro. Vai ser mais difícil amanhã. Eu fiquei com o seu cheiro na minha cabeça o dia inteiro, e acabei perdendo a sensibilidade. Se eu me afastar de você por qualquer período de tempo, eu vou ter que começar tudo de novo. Não exatamente do início, eu acho.



Acho que acabei de encontrar mais um pretexto para não sair do seu lado. Tinha que lembrar todas as formas em conviver com seu cheiro tentador.



– Então pensando no bem maior acho que você deve ficar aqui. Agora que tenho consciência da sua presença eu não me importo. – cutuquei.



– Isso seria bom pra mim. – ele respondeu, seu rosto se transformou num sorriso gentil. – Se é bem maior eu digo que fico.


Ele sorriu com o seu sorriso baixo, musical. Ele sorriu mais hoje do que em todo o tempo desde que nos conhecemos.



Lógico que estava mais alegre. Como não poderia em sua companhia. Bella ainda não tem a dimensão do que significa para mim. Não estava exagerando ao pensar nela como meu mundo. Minha felicidade estava associada em estar ao seu lado.



– Você parece mais... otimista do que o normal. – eu observei. – Eu nunca te vi assim antes, tão alegre.



– Não é assim que deve ser? – ele sorriu. – A glória do primeiro amor, e isso tudo. Não é incrível, a diferença entre ler sobre uma coisa, ver em fotos, e experimentá-la?


– Muito diferente – concordei. Como uma leitora voraz, li várias descrições sobre o sentimento do amor, mas senti é bem diferente e difícil de explicar.


– Por exemplo – suas palavras fluíam rapidamente agora, e eu tive que me concentrar para entender todas – o sentimento de ciúmes. Eu já li sobre isso milhares de vezes, já vi atores interpretando em milhares peças e filmes diferentes. Eu achei que compreendia esse sentimento muito bem. Mas ele me chocou... quando o senti pela primeira vez. – ele fez uma careta. – Sabe o dia que Mike te convidou para o baile?



Se somente lendo minha fúria era sem limites, não posso imaginar o que passei vendo tanta gente em cima de Bella. Gostaria de matar cada moleque que se aproximou. Será que não viam que ela era minha?



Eu afirmei com a cabeça. Parecia que tudo tinha mudado nesse dia.



– Eu me surpreendi com a pontada de ressentimento, quase de fúria, que eu senti, naquele momento eu não reconheci. Eu estava mais nervoso que o normal e não conseguia saber o que você estava pensando, porque você havia recusado o convite. Era simplesmente para preservar a amizade? Era alguma outra coisa? Eu sabia que de qualquer jeito eu não tinha o direito de me importar. Eu tentei não me importar. E então a fila começou a se formar – ele gargalhou. Eu olhei zangada para a escuridão. – Esperei razoavelmente ansioso para ver o que você diria para eles, pra ver as suas expressões. Eu não conseguia negar o alivio que estava sentindo, vendo a fúria no seu rosto. Mas eu não podia ter certeza. Esse foi o impulso final para ter decidido vir aqui. Eu lutei a noite inteira, enquanto via você dormindo, com a brecha entre o que eu sabia que era certo, moral, ético, e o que eu queria. Eu sabia que se eu te ignorasse como devia, ou se fosse embora por alguns anos, até que você fosse embora, você algum dia diria sim a Mike, ou alguém como ele. Isso me deixou com raiva. E então – ele sussurrou. – Você falou meu nome enquanto dormia. Você falou tão claramente, que no início eu pensei que você tivesse acordado. Mas você virou para o lado e murmurou meu nome mais uma vez, e suspirou. O sentimento que passou no meu corpo nessa hora me deixou enervado, vacilante. E eu sabia que não podia mais te ignorar.



Ela falou meu nome? Bella falou meu nome enquanto dormir?



Tudo se encaixa. Eu iria esperar todas as noites para ouvir meu nome saindo de seus lábios. Não via hora de viver isso.



Não sabia se o escuro do meu quarto faria alguma coisa para esconder o meu rubor. Sempre falei enquanto dormia. Fiquei constrangida em ser pega falando seu nome.



– Não fique constrangida. Você falar meu nome é a melhor parte de minha noite.



– Você fala isso porque não é você falando dormindo.


– Se eu pudesse sonhar você tem alguma dúvida que todos meus sonhos seriam com você?


Ele é bom nisso. Meu aborrecimento foi embora.



Tenho certeza que meu “eu” do diário não tem a exata dimensão do efeito que tem sobre ela. Usaria sabiamente ao meu favor.



– Mas ciúme... é um sentimento estranho. Muito mais poderoso do que eu tinha imaginado. E irracional! Agora mesmo, quando Charlie te perguntou sobre Mike Newton... — ele balançou a cabeça com raiva.



– Você estava escutando? Achei que tivesse levado seu carro para sua casa. – mesmo com sua velocidade era impossível ele ter levado o carro e voltado e escutado a conversa.


– E não saber a reação do seu pai? Eu deixei meu carro em uma estrada aqui perto. Ninguém irá vê-lo.


– Você ficou nos espionando? – apenas revirei os olhos quando notei que ele não se importou com isso. – Então o que meu pai estava pensando de você?


Ele franziu seus lábios por um momento. – Não tenho certeza.



Como? Não acredito que também não posso ler a mente de seu pai. Estava tão ferrado.



Olhei espantada. – Existe alguma revisional de vampiros? Você precisa ir para o check up rapidamente.



– Engraçadinha. – dei um pequeno beijo em minha cabeça. – A cabeça de seu pai não é completamente fechada para mim, mas eu só consigo pegar a essência de seus pensamentos. Consigo ler o quando ele está preocupado, feliz, triste... mas, não consigo o ler claramente.



Hum... Interessante. Às vezes que me encontrei com o Chefe achei que ele era um homem lento. Seus pensamentos eram tranquilos e não encontrei nada importante. Precisava verificar novamente.



– É como se você tivesse o dom de Jasper? – ele me olhou interrogativamente. – Você sabe, só conseguir captar as emoções de seus pensamentos.



Agora foi a vez de ele me olhar espantado. – É uma boa forma de explicar.



Minha Bella era tão inteligente. Ainda não tinha pensado dessa forma, mas fazia sentido.



Antes que pudéssemos falar sua postura ficou tensa e desapareceu do meu lado.



– Deite-se – ele assobiou. Eu não podia dizer de que lugar da escuridão ele estava falando. – E finja que está dormindo.


Eu rolei pra baixo do meu edredom automaticamente, me virando de lado, do jeito que eu costumo dormir. Eu ouvi a porta se abrir, enquanto colocou a cabeça para dentro pra ver se eu estava lá como deveria estar. Levou menos de 10 segundo para me perguntar “Porque diabos estava fazendo isso?”. Podia muito bem dificultar o esconderijo de Edward, afinal ele não é um vampiro e toda aquela história de velocidade?



Gemi internamente. Comecei a imaginar que iria ficar em apuros.



– Ei pai. – cumprimentei. – Pode entrar. – segurei a vontade de sorrir. – Se quiser acender a luz fique a vontade. – Por um segundo imaginei onde ele estaria escondido. Segurei o sorriso com a imagem mental dele dentro do guarda-roupa.



– Só quis saber se estava dormindo. – ele entrou no quarto, sem acender as luzes e me deu um beijo na testa. – Sonhe com os anjos. – sinto muito pai, mas provavelmente sonharia com um lindo vampiro.


– Durma bem pai. – assim que ouvi o clique que a porta estava fechada senti braços gelados ao meu redor.



Agradeci a qualquer entidade que o fez entrar no escuro. Se me conheço me esconderia atrás da porta pensando que Bella iria colaborar. Lógico que jamais faria isso.



– O que você estava pretendendo? Queria que seu pai me pegasse no seu quarto?



Rir baixinho. – Claro que não. Estaria de castigo por um ano se isso acontecesse, só queria vê você se escondendo. Mas me diga uma coisa, o guarda-roupa era confortável?


Ele rosnou baixinho. – Acho que aqui é bem mais confortável. – falou cheirando meu pescoço.



Que inveja do meu “eu” do diário em estar partilhando esses momentos com ela.



Ele sussurrou uma melodia que eu não conhecia; parecia uma canção de ninar.



Uma canção? Será que eu compus? Bella merecia uma música. Faria uma linda canção para ela. Tinha até algumas ideias em minha cabeça.



Ele parou. – Será que eu devo cantar pra você dormir?



Rir um pouco. – Por mais agradável que seja o convite preferia um beijo. – seu beijo era bastante suave e delicado. Ficamos abraçados por um tempo apenas curtindo um ao outro. Era tão tranquilo está em seus braços.


Beijei seu templo e sentia a respiração gelada dele no meu pescoço, podia senti o nariz dele percorrendo minha mandíbula, inalando meu cheiro.


– Eu pensei que você estivesse sem sensibilidade.


– Só porque eu estou resistindo ao vinho, não significa que eu não posso apreciar sua fragrância – ele suspirou. – Você tem um aroma muito floral, de lavanda... ou frésia – ele notou. – É de dar água na boca.



Parece ser um cheiro bem agradável. Podia imaginar o motivo de seu sangue ser tão atraente.



– É praticamente um feriado quando não tem alguém me dizendo o quanto eu sou apetitosa.



Ele gargalhou.


– Estou falando sério. Principalmente que você é a única humana que conheci que não usa perfume.


– Isso é um problema? – perguntei um pouco preocupada. Nunca fui muito fã de perfume. Geralmente tomo banho e uso hidratante corporal.


– Ao contrário. Seu cheiro fica mais natura. Com nosso olfato sensível perfume parece apenas um desagradável produto químico.



Isso era uma surpresa agradável. O cheiro de perfume incomodava. A melhor palavra para descrever o cheiro era “excessivamente”. Quando um perfume é doce para um humano para nós é excessivamente doce que chega a enjoar. Tudo é concentrado. O que incomoda bastante.



– Posso te fazer uma pergunta?



– Você pode me perguntar qualquer coisa.


– Porque você faz isso? – disse. – Eu fico feliz que você e sua família reneguem sua sede por sangue humano, mas... O que lhe motiva a fazer isso?


Ele hesitou antes de responder. – Essa é uma boa pergunta, e você não é primeira a fazê-la. Os outros, a maioria da nossa espécie, está contente do jeito que as coisas são pra eles, eles também se perguntam como nós vivemos. Mas, veja, só porque nós estamos... mortos de certa forma... isso não significa que nós não possamos escolher ser melhores, tentar cruzar as barreiras do destino que nós não escolhemos. Podemos tentar reter o pouco de humanidade que ainda existe dentro de nós.



Pensei em sua resposta. Fiquei impressionada com sua família por lutar contra sua sede. E fiquei ainda mais orgulhosa de Edward ele era um homem incrível.



Suspirei. Como ela reagiria ao saber do meu passado? Toda essa admiração iria embora.



– Porque você consegue ler mentes? Quando não está com defeito é claro. – brinquei. – E Alice ver futuro? Como isso acontece?



Eu o senti levantar os ombros na escuridão. – Nós realmente não sabemos. Carlisle tem uma teoria... ele acredita que todos nó temos alguma coisa em nossa vida humana que era muito forte, e que quando trazemos essa coisa para a nossa outra vida, ela é intensificada, como nossas mentes e os nossos sentidos. Ele acha que eu já devia ser sensível aos pensamentos das pessoas ao meu redor. E Alice tinha previsões, onde quer que ela estivesse.


– O que ele trouxe para a próxima vida? E os outros?


– Carlisle trouxe sua compaixão. Esme trouxe a sua capacidade de amar apaixonadamente. Emmett trouxe sua força, Rosalie a sua... tenacidade. Ou será que eu devo chamar de cabeça dura? — Ele gargalhou.


Eu considerei as possibilidades que ele estava me dando, tentando aceitar tudo aquilo. Ele esperou pacientemente enquanto eu pensava. A teoria de Carlisle era bastante interessante e fazia sentido.



Também acreditava nisso. Carlisle gastou um bom tempo pensando e pesquisando esse assunto.



– Então como isso tudo começou? Quer dizer, Carlisle tem alguma ideia da origem de vocês?



– Bem, de onde você veio? Evolução? Criação? Será que nós não podemos ter nos desenvolvido da mesma forma que as outras espécies, predador e presa? Ou, se você não acredita que esse mundo inteiro surgiu do nada, como eu mesmo acho difícil de acreditar, será que não dá para você acreditar que a mesma força maior que criou o peixe-anjo e o tubarão, o golfinho e a baleia assassina, tenha também criado também nossas duas espécies?


– Me deixe entender isso direito, você está me comparando ao golfinho, não é?



– É. – Ele sorriu e beijou meus cabelos.



Ela estava aceitando tudo tão bem. Era bom poder conversar sobre essas coisas com outra pessoa sem ser algum membro de minha família.



– Você vai ficar aqui? Ou vou acordar sozinha? – perguntei torcendo para que ele permanecesse ao meu lado.



– Eu não vou te deixar – havia um tom de promessa na sua voz.



Como se fosse possível me separar dela.



– Isso é bom. – me aproximei ainda mais e beijei delicadamente sua mandíbula e distribui beijos em seu pescoço voltando a sua bochecha.



– Bella... – sua voz parecia um gemido. Ele me afastou delicadamente.


– Espere. – ele respirou fundo tentando parecendo querer clarear as ideias. – Tem algo que você precisa entender. Bella, você viu a força que tenho hoje na clareira e isso não é nem 1% da minha força. Você precisa entender que é perigoso ficarmos assim tão próximos. Você é tão delicada, tão frágil. Eu tenho que comandar todas as minhas ações quando estou perto de você para não te machucar. Eu poderia te matar tão facilmente, Bella, simplesmente por um acidente. – Sua voz havia se transformado num leve murmúrio. Ele mexeu sua palma gelada para colocá-la na minha bochecha. – Se eu estivesse muito ansioso... se por um segundo eu não estivesse prestando atenção o suficiente, eu poderia avançar, querendo tocar seu rosto, e amassar o seu crânio por engano. Você não se dá conta do quanto é quebrável. Eu não posso me dar ao luxo de perder o controle quando estou perto de você. Quando você me beija fica difícil formar um pensamento coerente.



Repudiei mais uma vez minha natureza. Como pude esquecer que não sou humano? Tenho certeza que arrisquei demais ficando tão próximo como estávamos.



Será que ela irá me mandar embora depois de saber isso?



Ele esperou que eu respondesse, e ficou ansioso quando eu não respondi. – Você está com medo? – ele perguntou.



Pergunta estúpida. Lógico que ela deve ter ficado apavorada. Quem não estaria?



Eu esperei um momento antes de responder. – Não, eu estou bem. – sabia que ele podia sentir a verdade em minha declaração.



Como? Ela deveria estar com medo. Bem... Essa é a Bella. Sempre agindo o contrário do que espero.



– Só vamos ter que testar ao pouco seu autocontrole.



– Eu já disse hoje que você vai ser minha morte?


– Provavelmente uma dúzia de vezes.



Ela realmente não tem noção do perigo.



Eu bocejei involuntariamente.


– Você está com sono. Deveria ir dormir – falou.


– Só se você cantar para mim. Eu gosto de sua voz. – falei baixinho.


Ele sorriu e então recomeçou a sussurrar aquela mesma canção de ninar desconhecida; a voz suave e macia no meu ouvido.


Depois de um dia cheio de emoções e reviravoltas me aconcheguei em seus braços antes de cair no sono.


Notas finais
Então o que acharam? Comentários são bem-vindos e recomendações deixam a autora feliz.
Como já tinha falado antes precisava escrever um momento do casal. Achava importante essa aproximação dos dois sem ninguém para atrapalhar. Assim todo o sentimento entre eles iria crescer.
Próximo capítulo a volta dos Cullens e para quem estava com saudades da Vadia Interior.
PEDIDO:
Queridas leitoras, meu tempo anda cada vez mais curto. Meu trabalho está uma loucura. Sou absolutamente favorável da licença maternidade, mas caramba meu trabalho aumentou sem uma funcionária de licença e outro de férias.
Voltando a fanfic. Consegui fazer um roteiro dos próximos capítulos até o final de lua nova como quero que a história decorra, mas vou precisar de alguém para escrever comigo para os capítulos saírem mais rápido.
Com 17 capítulo e mais o prologo sei que vocês já tem ideia da forma que escreve. Por isso pergunto:
Alguém interessado em escrever a história comigo?
Como falei. A história já tem seu roteiro pronto. Então quero ajuda apenas para terminar cada capítulo, o que vai acontecer em cada um já tenho em mente.
Quem estiver interessado pode manter uma Mensagem.
Até o próximo capítulo.
Beijos