Notas iniciais
Sinopse: A família Black aparece para um visita, resultando em uma aproximação maior entre Charlie e sua filha.
Bella está disposta a confiar em Edward, mas o que fará quando Emmett sem querer fazer uma revelação?
Olá queridas, capítulo mais rápido como prometido.
Quero agradecer a duas leitoras tantos pelos comentários, que vem acompanhando a fic há algum tempo como pela recomendação: Marina Neves Pereira e Silmara F, muito obrigada.
Quero agradecer também a Bruna que fez essa capa da fic, e a VJ que fez uma outra capa que também adorei, assim que tiver o arquivo posto aqui. Sem delongas vamos ao capítulo.

– Billy! – gritou Charlie assim que saiu do carro. A alegria estava explicita em sua voz. Lembrava que os dois eram grandes amigos há muito tempo, afinal quando eu era criança eles se conheciam há anos.



– Nada bom. – murmurei lembrando os ancestrais da família Black. E se Billy resolve interferir no meu relacionamento com a Bella? Diferente do filho, eu tenho certeza que ele acredita fielmente nas lendas. E para piorar ainda mais, Bella tinha uma versão humana demais em relação ao tempo. Para nós o tempo tinha uma conotação bem maior. Não consideramos uma década muito tempo.



Eu virei para a casa, acenando para Jacob enquanto corria para a varanda tentando fugir da chuva. Ouvi Charlie cumprimenta-los ruidosamente atrás de mim.


– Vou fingir que não o vi ao volante, Jake – disse ele num tom de censura. Segurei a risada, lembrando que ele ainda não podia dirigir. Era bom ser amigo do chefe de polícia. Assim se livrava de uma multa.



– Não acredito que nosso segredo foi revelado por um moleque, que nem tem idade para dirigir. – extravasei um pouco minha raiva.


– Ele não fez por mal. Você sabe que ele não acredita nas lendas. – defendeu-o Esme.


– Temos que ter cuidados com os mais novos, claro que eles ignorariam a crença dos antigos. – Jasper concluiu e todos concordaram. Alice afirmou que precisaríamos rever nossos erros e esse sem dúvidas era um deles.



– Conseguimos a carteira mais cedo na reserva – disse Jacob enquanto eu destrancava acendia a luz da varanda.


– Sei, claro que sim – Charlie riu.


– Eu tenho que me locomover de algum jeito. – Reconheci com facilidade a voz ressoante de Billy, apesar dos anos. Seu som fez com que eu me sentisse mais nova de repente, uma criança. Parecia que tinha anos de experiência.



Algo na presença de Billy Black definitivamente me incomodava. Acho que o fato dele carregar a linhagem sanguínea dos Black que era o Alpha da tribo.



Entrei, deixando a porta aberta e acendendo as luzes. Depois fiquei parada à porta, olhando curiosamente enquanto Jacob e Charlie ajudavam Billy a sair do carro e a sentar na sua cadeira de rodas. A interação entre os três era incrível, pareciam se comunicar apenas com o olhar. Talvez o tempo e a convivência seja a explicação para a forma harmoniosa de seus movimentos.


Saí do caminho quando os três entraram às pressas, sacudindo a água da chuva.


– Que surpresa – dizia Charlie.


– Faz muito tempo – respondeu Billy. – Espero que não seja má hora. – Seus olhos escuros lampejaram para mim de novo, a expressão indecifrável.



Frustrado, levantei e fiquei andando pela sala. Estava com vontade de quebrar os objetos ao meu redor.


– Porque tanta raiva? – perguntou Jasper de forma curiosa.


– Vocês não veem o que pode acontecer? Billy pode jogar Bella contra mim. – apontei o óbvio. – E não irei permitir isso. Posso ter deixado de lado o deslize que o filho dele cometeu, mas não o perdoarei se ele tentar estragar a melhor coisa que aconteceu na minha vida. – explodi tudo de uma vez.


A sala ficou silenciosa, ninguém esperando meu descontrole. Ainda não tinham noção de como qualquer risco de perder tudo que construí com a Bella me deixava à beira do desespero. Meus sentimentos por ela já estavam a um nível alarmante, já a amava e nem a conhecia. Se meu “eu” do diário sentisse metade do que sinto, e tenho a certeza que sente até mais coisas, pois estou vivendo tudo indiretamente, meu “eu” está presenciando cada coisa, e pior, não tinha noção dos pensamentos da Bella, deveria estar enlouquecendo.


– Você tem que lembrar que nada disso ainda aconteceu. Podemos mudar tudo Edward. Lembre-se disso e vamos corrigir um a um. – dei um olhar agradecido a Alice por me trazer de volta ao controle.


– Depois reclamam de mim. – bradou Emmett. – Me dê logo esse diário. – puxou o diário das mãos de Alice. – Eu leio, enquanto você consola o Emo aqui. – Ia lançar uma resposta bem torta para ele, parecendo prever isso Emmett começou a ler me fazendo calar.



– Não, está tudo ótimo. Espero que possa ficar para o jogo.


Jacob sorriu.


– A ideia é essa... Nossa TV quebrou na semana passada.



– Interesseiro. – murmurei. Não fui com a cara de nenhum dos Black. – Só por causa de um jogo.


– Acho que o interesse dele não é por uma TV. – provocou Emmett. Como para comprovar seu ponto ele voltou a ler.



Billy fez uma cara feia para o filho. Tenho certeza que não gostou nenhum um pouco dele partilhar essa informação.


– E é claro que Jacob estava ansioso pra ver Bella novamente – acrescentou ele.



Corrigindo, não só não gostei como os odiei. Maldita família Black. Porque Billy tinha que fazer uma visita logo agora?



Jacob deu-lhe um olhar zangado e baixou a cabeça, agora acho que foi ele que não gostou nenhum pouco do que o pai falou. Sorri com isso, era engraçado ver pai e filho agindo dessa forma, resolvi provoca-lo um pouco.


– Que tal eu preparar algo para o jantar, garanto que cozinho muito melhor que Charlie, assim o Jacob encontra outra desculpa para me ver sem usar os pretextos do pai dele. – gracejei com seu constrangimento, fazendo seu pai rir ao seu lado.



Porque ela tem que ser tão receptiva a todos? Podia ser menos agradável, ser péssima anfitriã não faria mal.



– Veja só, — apontou para o rosto do filho – acho que nunca tinha visto Jacob corar antes. – não tinha notado que ele estava vermelho, seu corar era menos visível que o meu, mas podia notar suas bochechas ganhando uma coloração avermelhada.


– Então, vão ficar para o jantar? – perguntei apenas para desviar a atenção, com pena da vergonha de Jacob, sei como é horrível ter a pele avermelhada delatando o que você está sentindo. Fui em direção da cozinha para verificar o que poderia fazer para o jantar.


– Claro – respondeu meu pai por eles, sua voz vinha da entrada e estava se dirigindo a sala de TV. Eu podia ouvir a cadeira de Billy acompanhando.


Resolvi preparar alguns tira-gostos, para aguardarem e comerem durante o jogo. Comecei cortando em quadradinhos o queijo prato, branco e presunto. Depois peguei azeitonas e salame, já que o jantar demoraria um pouco para ficar pronto. Estava na geladeira pegando alguns ingredientes, quando senti alguém atrás de mim.


– E aí, como vão as coisas? – perguntou Jacob.



Claro que ele jamais perderia tempo, na primeira oportunidade já foi atrás da minha Bella.



– Muito bem. – respondi. – E você? Terminou o seu carro?


– Não. – Ele franziu a testa. – Ainda preciso de peças. Pegamos esse emprestado. – Ele apontou com o polegar na direção do jardim.


– Lamento. Não vi nenhum cilindro mestre andando pro aí. – ele sorriu.


– Você lembrou. – apontou como se fosse grande coisa eu ter lembrado este detalhe.



Droga, Jacob prestava atenção em cada detalhe. O fato de ela ter lembrado uma conversa antiga mostrava que ela prestou atenção, mas que isso, interesse. Humanos não guardavam tanta informação como nós.



– Claro. — rolei os olhos. Estava pegando a mania de Edward – Eu entendo um pouco de carros, – o lembrei – se quiser posso ajuda-lo quando você conseguir as peças.



Se esse diário existe para corrigir os erros, um deles é jamais deixar Bella sozinha com Jacob.



– Sério? – perguntou empolgado. – E você precisa de ajuda com seu carro? – fiquei um pouco confusa com sua pergunta, então acrescentou. – Ah, eu estranhei você não estar dirigindo.



Minha cara frustrada deu lugar a um sorriso ao lembrar o motivo de não estar usando seu carro.



Comecei a separar os ingredientes e fiquei feliz de encontrar alguns camarões no congelador, ia fazer um penne ao molho com camarões. Inventaria algum molho com o que tinha pela geladeira.


– Eu peguei uma carona com um amigo. – esclareci sua dúvida.


– Bela carona. — Jacob estava admirado. – Contudo, eu não reconheci o motorista. Eu achei que conhecia a maioria das pessoas daqui.



Ela estava comigo otário, quis gritar para esse infeliz.



Peguei algumas cerejas o que atiçou a curiosidade de Jacob.


– Isso é para sobremesa? – indagou ao apontar para o pote cheio.


– Não, para o tira-gosto. – respondi como se fosse óbvio.


Ele me encarou incrédulo por alguns segundos, o que me fez rir. Imaginei que ele não estava acostumado a misturar doce e salgado.


– Fica bom. – ele fez uma careta com minha afirmativa. – Prova.


– Nem pensar. – sua cara de nojo me fez rir mais. Peguei um palito e espetei o queijo, presunto, azeitona e salame. – Abre a boca. – pedi e ele atendeu prontamente. Dei em sua boca o tira-gosto.



– Edward você vai me deixar louco. – reclamou Jasper.


Estava sentindo uma fúria assassina me dominar. Odiando essa camaradagem entre eles. Porque estavam tão próximos? Estava em um dilema de emoções. Adorava o jeito de Bella, mas odiava quando ela compartilhava com os outros sua gentileza, seus sorrisos. Chamem-me de egoísta, mas não me importo de querer tudo dela só para mim. Ainda por cima, saber que não teria esses momentos com ela, jamais Bella me daria comida na boca. Para mim tinha um gosto repulsivo.



– Bom. – murmurou ainda terminando de mastigar, o que me fez rir mais.


Espetei novamente cada um dos itens e pedi. – Abra a boca e fecha os olhos. – esse pedido ele demorou mais para atender me olhando desconfiado. Quando ele fechou os olhos, acrescentei a cereja e dei para ele. Jacob ficou um tempo mastigando até engolir. Experimentando com cautela.


– Muito bom. – respondeu sorrindo.



– Edward, isso é normal entre os humanos, você já viu isso acontecendo milhares de vezes e sabe disso. Não dê tanta importância. – Esme estava tentando me manter calmo, Jasper já tinha desistido de usar sempre seus dons em mim. Ele sabia que eu precisava sentir isso até me acalmar por conta própria.


– Claro que isso aconteceu milhares de vezes entre amigos e também namorados, se fosse você não ficava tão calmo. – pronto! Emmett colocou de volta toda a insegurança que eu sentia.


– Emmett! – minha família gritou.


– O quê? Vocês sabem que é verdade. – levou uma cotovelada de Rosalie que o fez gemer. – Vou voltar a ler que é melhor. – essa era uma das raras ocasiões em que concordava com ele.



– Eu disse. Agora seja um bom menino e leve isso para os dois jovens na sala.


– Jovens? Que jovens? – olhou na sala e voltou. – Só vejo dois velhos reclamadores amantes de futebol. – falou nos fazendo rir.


– Deixa de ser mal, leve logo para eles antes que Charlie comece a reclamar que está com fome. – dessa vez ele me obedeceu e foi alimentar nossos pais.


Aproveitei e comecei a preparar o jantar. Refoguei o camarão, coloquei o penne na água para ferver e comecei a preparar o molho, quando Jacob voltou.


– Nossa, está cheirando lá na sala. Como fez tudo isso tão rápido?


– Você demorou quase meia hora para voltar. – levantei uma sobrancelha questionadora.


Ele corou um pouco. – Nossos pais estavam me enchendo de pergunta.


– Posso saber sobre o quê? – dessa vez, seu corar ficou mais forte. – Deixa para lá. – acho que não queria saber o motivo do seu constrangimento. Fiquei feliz que foi ele a enfrentar as perguntas dos nossos pais no meu lugar.



Era lógico que iam fazer perguntas, com tanta interação entre eles. Charlie certamente aprovaria Jacob com sua filha, afinal se conhecem desde pequenos e é melhor amigo do seu pai. Só em pensar nessas possibilidades senti um aperto no peito, já tinha imaginado Bella encontrando outra pessoa, mas ter uma figura real era maldade com meu coração. Faria Charlie me aprovar com sua filha. Provaria que era um homem digno, melhor que esse moleque.



– Então, quem deu carona para você? – achei que ele já tinha esquecido esse assunto, pelo visto, estava enganada.


– Meu parceiro de biologia. – ele continuou esperando uma complementação. – Edward Cullen. – Acrescentei, o que fez rir.



Daria um belo soco para vê se ele conseguiria rir ao ouvir meu nome.



Eu olhei pra cima. Ele pareceu um pouco envergonhado.


– Eu acho que isso explica, então – ele disse. – Eu estava imaginando porque meu pai estava agindo tão estranho.


– É mesmo. Tinha esquecido, acho que ele não gosta dos Cullen.


– Velho supersticioso — ele cochichou por baixo do fôlego.


Rir, mas depois de suas palavras, pensei melhor e me preocupei com o que ele poderia contar para meu pai. – Você acha que ele vai tentar assustar Charlie igual seu filho fez comigo? – usei a voz mais leve que consegui, tentando esconder meu real incomodo.



Pelo visto minhas preocupações não eram exagero da minha parte. Bella tinha as mesmas dúvidas que eu.



Jacob me encarou por um momento, e eu não consegui entender a expressão nos seus olhos escuros. – Eu duvido – ele finalmente respondeu. – Eu acho que Charlie já deu uma bela lição nele da última vez. Eles não se falaram muito desde então, hoje é uma espécie de reunião para fazerem as pazes. Eu não acho que ele vai falar nisso de novo.



– Acho que ele está imaginando que tipo de relacionamento vocês tem. – ouvi a voz de Rosalie depois de algum tempo.


– Como assim? – fiquei confuso com suas palavras.


Ela rolou os olhos. – Sério Edward, nem parece que você lê mentes. Se você vê alguém dando carona para outra pessoa, sendo que ela tem um carro e pode perfeitamente dirigir, o quê você vai pensar? – vendo por esse lado, mostra interesse em estar junto com essa pessoa, mas podia ter várias possibilidades diferentes dessa. – E para aumentar suas suspeitas ela se preocupa com a opinião do pai. – sim, isso daria várias dúvidas ao cachorro. Fiquei mais aliviado ao pensar nisso.


– O que vocês acham que Billy falou para deixar o Charlie tão nervoso? – questionou Esme preocupada.


– Acho que ele não falou nada demais. Apenas que éramos perigosos ou que deveria se manter longe. – afirmou Carlisle. – Diferente do filho, tenho certeza que ele respeita o acordo.


– Espero que esteja certo. – falei rudemente, se ele estragasse a relação com meu futuro sogro, Billy Black pagaria caro. Notei a linha dos meus pensamentos e fiquei constrangido. Já imaginava que teria um relacionamento com Bella, desde quanto fiquei tão otimista? Nem sei se ela sente algo por mim, sem ser amizade.



– Oh – eu disse, tentando parecer indiferente. – Acho que Billy precisa aprender a contar histórias melhor. – pisquei para ele para acabar com o pequeno desconforto em que estávamos. Funcionou, pois ele sorriu.


– Acho que você nunca viu meu pai contar histórias. Ele é o melhor. –Sorri de volta e recomecei a preparar o jantar. – Quer ajuda? – ofereceu.


– Porque não arruma a mesa? Os pratos estão lá em cima. – apontei para o armário. Trabalhamos com conversas superficiais, Jacob era divertido mais ficava me atrapalhando. Tive que parar em vários momentos para bater na mão dele que roubava alguns camarões quando achava que eu não estava vendo. Por sorte tinha bastante e consegui terminar o jantar e chamamos nossos pais.


– Nossa Bella por isso Charlie está engordando, você cozinha muito bem. – elogiou Billy me fazendo corar.



Soltei um suspiro. Isso eu nunca poderia comprovar, adoraria experimentar a comida de Bella se fosse humano, hoje ela só me causaria repulsa, não queria magoar os sentimentos de Bella não aprovando sua comida.



– Não é para tanto Billy, Charlie não cozinha tão mal as... – parei a frase antes de ser concluída, lembrando que realmente meu pai não tinha habilidade nenhuma no fogão. – Você tem razão. – acrescentei o que fez com que todos rissem.


– Jacob também não levar o menor jeito. – seu filho ficou claramente envergonhado com seu comentário.


– Olha quem fala, cozinho melhor que você pai. – se defendeu.


– Ainda bem que pedi apenas para ele arrumar a mesa, já pensaram se eu fosse deixar o Jacob ou meu pai me ajudarem a preparar o jantar? – rimos e ficamos nessa provocação por um bom tempo até o jogo começar.


Jacob me ajudou a lavar a louça, falando que isso ele sabia fazer. Ele lavava e eu secava, ficamos em um silêncio confortável, era fácil conviver com ele. Depois assistimos ao jogo que já estava quase no fim. Quando terminou, Billy falou que estava tarde e tinham que ir embora. Fomos acompanhando eles para a saída quando ouvi sua pergunta.


– Você e seus amigos vão voltar lá na praia logo? – Jacob perguntou enquanto carregava o seu pai pelo limiar da porta, quando estava indo embora.


– Eu não tenho certeza. Forks não é um lugar muito propício a frequentar praia. — fiz careta ao imaginar como deve ser frio um banho de mar em La Push.


– Foi divertido, Charlie — Billy disse.


– Volte para o próximo jogo – Charlie encorajou.


– Claro – Billy disse. – Estaremos aqui. Tenham uma boa noite.


Seus olhos encontraram os meus. – Se cuide, Bella – ele acrescentou seriamente. Parecia um aviso real para que eu tomasse cuidada.


– Claro. – murmurei, desviando o olhar.



– Ele não tem esse direito! – gritei novamente furioso.


– E lá vamos nós. – murmurou Jasper.


– Ele poderia ter falado isso para qualquer pessoa. – tentou amenizar Alice.


– Poderia. Mas, você sabe que ele falou isso pensando em mim. – ninguém questionou minha opinião dessa vez.



Charlie e eu acenávamos para eles na porta. Vi as luzes dos faróis sumirem de vista e resolvi ir para meu quarto.


– Espera Bella. – Charlie chamou quando eu estava subindo as escadas.


Charlie estava relaxado, ainda sorrindo pela visita inesperada. Não notei o quanto ele sentia falta do seu amigo, na realidade, mal sabia que eles tinham brigado. Não posso negar que fiquei preocupada que a motivação da briga fosse a família Cullen. Lembrei que Charlie os defendia desde o dia em que comentei sobre eles assim que cheguei da escola, ao que parece Billy não tinha a mesma opinião, sem dúvidas acreditava fervorosamente em cada lenda de sua tribo.



Pelo menos Charlie não deu valor às palavras de Billy. Isso era um pequeno alívio.



– Não tive a chance de falar com você esta noite. Como foi seu dia?


– Foi bom. – resolvi ficar de fora desse assunto e falar sobre um tema em que sabia que ele iria gostar. – Meu time de Badminton ganhou todas às quatro partidas hoje.


– Uau, eu não sabia que você jogava Badminton.


– Bem, pode-se dizer que não passo vergonha, mas o meu parceiro é muito bom – admiti. Afinal, tinha que admitir que tive ajuda.


– Quem é? — ele perguntou interessado.


–Mike Newton


– Ah, é, você já tinha dito que era amiga dele. – lembrou. – Boa família. Pena que você estará tão cansada. Caso contrário, você poderia ter ido com ele ao baile.


Fiz uma careta. – Não mesmo. Além disso, acho que ele e Jessica Stanley estão namorando.



Gostei da forma como ela descartou Newton tão rápido. Era menos um rival no caminho.



– Ah, sim. – murmurou ele. – Então acho que é bom que esteja fora no sábado... Marquei de pescar com os rapazes da delegacia. O clima deve estar bem quente. Mas se chegar cedo e quiser companhia, eu fico em casa. Sei que deixo você muito sozinha aqui.


– Pai, você está fazendo um ótimo trabalho. E você passa tempo comigo sempre que pode, no café da manhã e no jantar. Poderíamos voltar a correr, mas aviso logo que você terá que suportar meu mau-humor. – fiz um gracejo, mas verdadeiro.


– Acho que posso suportar. – ele deu um sorriso que fez seus olhos enrugarem. Dei um beijo em suas bochechas que logo ganharam uma pequena coloração avermelhada e subi para o meu quarto, lhe desejando uma boa noite. Ainda deu tempo de escutar sua voz baixinha falar para que eu dormisse bem. Sorri ao perceber como era fácil lidar com meu pai.



– Vocês conseguem imaginar o nosso destemido chefe de polícia completamente nas mãos de uma adolescente? – gracejou Emmett nos fazendo rir. Se antes o Chefe Swan estava nas mãos de Bella, agora seu poder apenas aumentou, como se isso fosse possível. Era visível o quanto ficou apegado à filha tão rápido. Claro que era quase impraticável acontecer o contrário, para meu azar não era o único que fui cativado por seu jeito. Se meu concorrente fosse somente meu sogro a vida seria bem mais fácil.



Eu dormi melhor essa noite, cansada demais pelo dia. Praticamente desmaiei na cama. Fui tirada dos braços de Morfeu, com uma voz que parecia vim do além.


– Bella. – ouvi muito, muito longe. – Acorde Bella. – Céus, quem é o ser que ousa interromper meu sono, murmurou minha vadia com voz arrastada pelo sono. – Vamos, não era você que disse que precisávamos voltar a correr? – reconheci a voz de meu pai. Coloquei o travesseiro em cima da minha cabeça como forma de proteção, o que o fez rir. – Levanta preguiçosa. – Odeio quem acorda bem humorado e feliz pela manhã, tenho vontade de chutar todo o bom humor para longe, concordo plenamente com minha vadia. Odeio ser acordada, ainda mais por alguém feliz.



– Acho que encontramos a Kryptonita da Bella. Ela tinha que ter um ponto fraco. – comentou Emmett.


Sinceramente não conseguia imaginar Bella mal-humorada. Parecia que nada a abalava. Pelo visto, subestimei as necessidades básicas do ser humano.



– Ok! – gritei quando ele começou a fazer cocegas, já estou levantando, — ele continuou o ataque – já levantei – pulei da cama. – Estou de pé. – disse vencida. – Desço em dez minutos. – sorriu vitorioso e meu deu um leve beijo na testa.


– Bom dia filha.


– Bom dia? Você quer dizer boa madrugada. – murmurei e fui me aprontar. Ainda estava caindo de sono, mas como prometido fiz tudo em dez minutos e estava quase completamente acordada.


– Pronta?


– Vamos lá velhinho. – provoquei.



Não gostei da brincadeira. Quer dizer, o que ela falaria ao saber que sou mais velho que seu pai? Confesso que o fator idade estava me deixando apreensivo.



Fizemos uma corrida silenciosa, Charlie não era uma pessoa que sentia necessidade de preencher o silêncio com conversas superficiais, o que eu apreciava. Tivemos que diminuir o ritmo várias vezes para um simples caminhar. Afinal, o preparo físico dele não era dos melhores. Não me importava com isso, estava descobrindo pela primeira vez meu pai. E estava agradecida por essa oportunidade.



– Isso é maravilhoso. – emocionou-se Esme.


– Sim. Estou feliz em saber que o chefe Swan finalmente teve a oportunidade de estar junto com a filha.


Será que o chefe se importaria de dividi-la comigo?



Em alguns momentos me mostrava casas de alguns conhecidos e contava algumas histórias como chefe de polícia. Rir em vários momentos, pelo visto Forks não era tão pacato como imaginava. Felizmente no quesito violência eram quase nulos os chamados, mas no quesito barraco. Ah, aí a coisa mudava de figura. Demorei a acreditar que um senhor ligou informando que estava correndo sério risco de morte e estava sofrendo ameaças contra sua integridade física e ao chegar ao local, meu pai constatou que a origem das ameaças era sua esposa e o objeto do crime de sua “futura” morte era uma frigideira.



Rimos com isso. Charlie deveria ter muita história para contar.



Nosso caminhar diminuiu para andar e se tornou um passeio. Quando faltavam cinquenta metros para chegarmos a casa resolvi fazer uma aposta.


– Que tal apostar quem chega primeiro? – Charlie acenou positivamente. – No três, hein. – alertei. – Um... Três – gritei e sai correndo ouvindo seus resmungos.


– Você está roubando, posso lhe prender por isso! – ameaçou, mas sua voz continha divertimento.


– Acrescente desacato na lista. Velhinho. – provoquei.



Fechei os olhos tentando imaginar a cena, mas era surreal demais. O chefe Swan era um dos homens mais sérios que conheço e idealizar essa situação tão descontraída era quase inconcebível.



Estava rindo tanto, que dificultava a corrida. Com alguma dificuldade consegui chegar ainda com vantagem e gritei. – Ganhei. – fiz uma pequena dancinha da vitória que fez Charlie gargalhar.


– Sua pequena trapaceira. – reclamou, porém ganhei um abraço em troca.


– Confesse que sou a melhor. – retribui seu gesto. – Como perdedor você deve carregar à vitoriosa. – pulei em suas costas. – Vamos cavalinho.


– Ei, você pesa! – resmungou entrando na casa.


Desci de suas costas dentro de casa. – Você está me chamando de gorda? – perguntei indignada.


– Gorda não. – defendeu-se. – Pesada. – acrescentou.


Empurrei seus ombros. – Chato! – subi as escadas, teria ainda que tomar um banho e comer alguma coisa antes de ir para a escola. Se não me apressasse estaria atrasada.


– Bella. – chamou Charlie quando estava no último degrau. Ele podia ter me chamado antes, quando eu estava digamos, no PRIMEIRO degrau. Porque os pais tem mania de só nos chamar quando estamos longe? Renée era assim também. Estava ao lado dele por um minuto ou uma hora, não importava, era só me afastar que ela se lembrava de alguma coisa para me falar e lá eu tinha que voltar. Desci para falar com ele, que estava calado desde que me chamou.


– O que foi pai? – ele parecia lutar com as palavras.


Soltou um longo suspiro e disse em voz baixa. – Eu amo você.


Demorei alguns segundos para deixar sua frase percorrer meu corpo. Um sorriso largo foi surgindo lentamente em meu rosto. Charlie sempre teve dificuldade em expressar seus sentimentos, sabia que o que ele tinha falado tinha sido muito difícil.


– Também amo você. – o abracei. Ficamos um nos braços dos outros por alguns minutos, antes da realidade nos atingir. Estávamos atrasados.



– Fico tão feliz em ouvir essas palavras. – sabia que essas palavras de Esme tinha um significado maior. Podia ver em seus pensamentos como ela gostaria de ouvir essas palavras de seu filho, que não sobreviveu. Não posso negar que os pensamentos de Rosalie também me atingiram, ela gostaria de ter uma filha como Bella. Isso me intrigou um pouco, sempre pensei que ela não gostasse do meu relacionamento com ela.


O que não posso negar é a inveja que senti de Charlie, queria estar no lugar dele e ouvir essas palavras sendo ditas para mim, com outro significado. Claro que não tinha muitas esperanças de ter meu amor correspondido, mas ter algo perto desse sentimento me deixaria satisfeito.



Eu me apressei para estar pronta para ir para a escola e não chegar atrasada. Ouvi a voz de Charlie anunciando que estava indo embora. Desci as escadas correndo, uma pessoa descendo as escadas não é um bom cenário. Uma pessoa desastrada descendo as escadas é um cenário pior. Agora uma pessoa desastrada descendo as escadas com pressa é acidente na certa. Não devia ter ficado surpresa quando cai faltando poucos degraus para chegar ao chão.



Na hora fiquei apreensivo e preocupado. Será que Bella se machucou? Minha família compartilhava meus sentimentos, não conseguimos achar graça. Bella era importante para a família, e era frágil, podia quebrar uma perna com um simples acidente.



Por sorte não me machuquei, provavelmente mais um hematoma para coleção.



Fiquei aliviado dela não ter se machucado, mas ela ser desastrada me deixava nervoso. Não gostava da ideia dela minimizar sua dor por estar acostumada.



Quando sai de casa, Edward estava esperando no seu carro, com os vidros abaixados e o motor desligado.


Ele mostrou seu sorriso torto pra mim e um pouco de preocupação passou por seus olhos.


– Como você dormiu? – perguntou depois de me analisar minuciosamente, como se procurasse alguma coisa.



Imaginei que não encontrei nenhum machucado na Bella. Fiquei mais aliviado com essa constatação.



– Como uma pedra. – sorri. Estava exausta e dormir rapidamente. – Como foi a sua noite?


– Prazerosa – Seu sorriso estava divertido; eu me senti como se estivesse perdendo alguma piada.


– É mesmo? Posso saber o que você fez? – perguntei curiosamente.


– Boa sorte em descobrir. – devolveu minhas palavras de outro dia.



– Hum... O que será que você anda aprontando a noite? – o tom de voz de Emmett me incomodou. O que ele estaria insinuando?



Hoje ele praticamente dominou as perguntas, pois ele emendava uma atrás da outra e como queria saber mais sobre Renée, fiquei nostálgica e me desatei a falar, seus passatempos, o que nós fazíamos no nosso tempo livre. Ele demorou a acreditar em metade das coisas que Renée fazia. O que posso falar minha mãe é uma pessoa pouco... Convencional. Sim, ela é uma pessoa extremamente difícil de definir.


– Não consigo acreditar. – murmurou. – Por que ela faria esse tipo de aula? – rir com a incredulidade de sua voz. Tinha que concordar que era estranho alguém fazer um curso para cegos sem ser cego.



O que? Bella estava mesmo dizendo que Renée fez um curso para cegos? O que levaria uma pessoa a fazer esse tipo de curso? Não tinha sentido nenhum.


– Encontramos a origem da anormalidade da Bella. – falou Jasper.


– O que leva alguém que enxerga fazer um curso de alguém que não enxerga? Acho que ela não bate bem das ideias. – Rosalie disse em um tom de confusão.


– Ela deve ter seus motivos. – defendeu Esme.


– Cite um. – perguntou Emmett tão confuso como nós.


Esme tentou pensar em alguma coisa, mas nada veio em sua cabeça. Confesso que eu também. Gostaria de conhecer Renée para ter uma noção de seus pensamentos. Talvez eu passasse a entender melhor a filha dela.



– Digamos que minha mãe é um pouco... Acho que podem chama-la de “Excêntrica”. – Edward começou a me olhar atentamente, ainda tentando entender o que se passava na cabeça da minha mãe. Admito que só falei metade das coisas que ela fez, se ele soubesse tudo que já passamos ele iria achar que eu tinha inventado. – Bom, respondendo sua pergunta, – como explicar uma pessoa tão diferente para os padrões de normalidade? – minha mãe, age ou se expressa de sua própria maneira, fugindo dos padrões pré-estabelecidos da sociedade de "normal". – fiz aspas com os dedos – Talvez ela não consiga adaptar-se ao que os outros querem ou esperam que ela faça ou fale. – Confesso que sinto imenso orgulho da minha mãe. Ela não deixava que os outros ditassem o que ela deveria fazer, conseguiu enfrentar de frente, todas as adversidades que apareceram em sua vida, independente de acertar ou errar, o importante é que sempre buscou sua felicidade. – Minha mãe pode ser taxada de excêntrica ou outros adjetivos por muitos, mas ela tem seu próprio modo de pensar, agir e se expressar. Ela não se importa com padrões ou preconceitos. Ela simplesmente faz aquilo que sente. Se sente alguma curiosidade e ela quiser fazer ela vai em frente, não pensa no que os outros acharão ou no julgamento que vão fazer. Não deixa que comentários alheios impeçam que a faça o que sente vontade.



Ficamos boquiabertos com seu discurso. E confesso, que um pouco envergonhados. Estávamos fazendo justamente aquilo. Julgando. Renée era livre para fazer o que quiser o fato dela não se importar com outros era muito admirável. Estava me encantando cada vez mais com a história da Bella. A influência que recebeu de sua mãe reflete na mulher surpreendente que se tornou.


Assim como a filha, Renée era única. Sua concepção da vida era algo que fazia mudar meus conceitos. Na época em que nasci sempre tínhamos que tomar cuidado com nossos atos e palavras. Representar um papel que a sociedade impunha.



Depois desse meu discurso, notei que Edward ficou pensativo. Achei melhor deixa-lo pensar um pouco. Bem pouco, porque a curiosidade falou mais alto e comecei a lhe perguntar sobre seus amigos. Foi com grande surpresa que recebi sua resposta.


– Não tenho amigos além da minha família. Conhecemos outros que tem a mesma dieta que a nossa e os consideramos parte da família, mas fora isso... – deixou no ar as palavras. Como alguém fica sozinho tanto tempo? Não consigo imaginar como deve ser difícil para ele viver entre casais. Deve ser solitário.



Os pensamentos da minha família me incomodaram um pouco. Parecia que eles começavam a entender minha solidão, como era difícil conviver entre casais apaixonados e tendo meu poder de ler mente piorava meu isolamento. Nunca poderia ficar sempre com eles sem invadir sua privacidade. Assim, ficava separado em vários momentos para não invadir o espaço deles.



Ele me perguntou também sobre os garotos que eu havia namorado. Demorei mais tempo do que deveria o que o fez ficar incomodado.


– Está tendo dificuldade para contar? – perguntou com um tom de voz que não entendi. Era meio irritado e um pouco constrangido.


– Não é isso. É que nunca tive um namorado.


Ele me olhou surpreso por alguns momentos. – Porque então a demora em responder?


Suspirei antes de lhe responder. – Quando eu sofri o acidente, me fechei no meu mundo e afastei todas as pessoas ao meu redor. Estava pensando o que teria acontecido se eu tivesse agido diferente.


Ele ponderou minhas palavras e começou a falar cuidadosamente. – Você tinha alguém antes de afasta-lo? – notei que ele usou o termo no masculino. Entendi onde queria chegar.


Sorri levemente antes de explicar. – Não necessariamente. Tinha um grande amigo que estávamos começando a nos envolver. – fiz uma pequena careta. – Não acho que teríamos nada sério, mas eu o afastei de mim e fiquei triste em perder um amigo.


Edward fez uma carranca e ficou calado um pouco emburrado. Decidi jogar à pergunta para ele e sua resposta me surpreendeu novamente.


– Nunca tive nenhuma namorada. – foi categórico.



Por mais que soubesse da resposta de Bella não posso negar que me incomodou ouvi-la falar de outro. Certo que o que tiveram foi meio inocente, porém isso fazia embrulhar meu estomago ao pensar nela com outro. Isso deveria ser proibido.

Emmett estava se segurando para não fazer piadinhas sobre a reação de Bella ao saber que eu era virgem, mas ele sabia que Esme iria brigar com ele e não as verbalizou.



Nessa hora nós estávamos na cafeteria. Ficava na dúvida se perguntava, respondia ou comia. Na dúvida preferia comer.


– Eu devia ter deixado você vir sozinha hoje – ele disse, sem motivo algum, enquanto eu mastigava.


– Por quê? – quis saber.


– Eu vou embora com Alice depois do almoço.


– Oh – pisquei um pouco desapontada. Gostava da companhia dele. Fiquei um pouco triste de perder esse tempo ao seu lado. Minha volta para casa não seria a mesma coisa. – Está tudo bem. Não é uma caminhada muito longa daqui até em casa. – só torcia para não chover.



Um misto de felicidade e raiva tomou meu peito. Felicidade por ela gostar e querer minha companhia, quase tanto quando eu não queria me separar dela. E, raiva em ela imaginar que eu a faria andar para casa dela. Que espécie de pessoa ela acha que sou? Meu instinto jamais permitiria deixar uma dama se expor desse modo.



Ele fez uma careta impaciente pra mim. – Eu não vou fazer você andar até sua casa. Nós vamos pegar o seu carro e deixá-lo aqui pra você.


– Primeiro, “nós” quem cara pálida? E, em segundo lugar você acha mesmo que eu permitiria que alguém dirigisse meu Cadillac? – dei ênfase à palavra. Ninguém jamais dirigiu meu carro a não ser Steve, jamais deixaria outra pessoa toca-lo. – Fora que eu jamais deixaria alguém com suas habilidades no volante dirigir meu carro.


Ele me olhou incrédulo. – Bella, posso lhe garantir que seu carro vai voltar sem nenhum arranhão. – balançou a cabeça como se a possibilidade de isso acontecer fosse impossível.


– De qualquer forma, — ignorei sua afirmativa. – Você não tem as chaves. – apontei com ar vitorioso.


– Posso pega-las na sua casa.


Quase rir alto com isso. – Você não vai acha-la.



Rir com isso. Bella não conhecia as habilidades da minha espécie.



– Aposto que consigo. – disse muito seguro de si.


Ah, Edward Cullen! Vamos vê se você a encontra. – Certo, o que quer apostar? – seus olhos abriram em surpresa. – Eu aposto o que quiser que você não a encontrará lá em casa.


– Feito. – sorriu largamente. – Você vai se arrepender.


– Veremos Cullen. – pisquei em sua direção. Gostaria de saber como ele encontraria a chave em casa sendo que ela estava dentro da minha bolsa. Sem dúvidas ele jamais iria imaginar que eu carregava a chave do meu lindo carrinho para onde eu andava.



E, pelo visto eu não conhecia suas habilidades. Lógico que Bella não faria uma aposta a esmo. Tinha que ter pensando nisso antes de estar tão seguro. Mas, como iria imaginar que ela estava com a chave de seu carro?



– Então pra onde vocês vão? – perguntei curiosa.


– Caçar – ele respondeu severamente. Todo seu bom humor tinha evaporado como um passe de mágica. – Se eu vou estar sozinho com você amanhã, eu vou tomar todas as precauções que puder. – Seu rosto ficou sombrio... e declarador.


Eu olhei pra baixo, com medo do poder persuasivo dos seus olhos. Eu me recusava a ser convencida a sentir medo dele, não importava quão perigoso pudesse ser. Tinha decido a confiar nele e a confiança em minha concepção exigia 100%. Edward já tinha deixado claro que era arriscado para mim, que corria riscos estando ao seu lado. Quando aceitei sua condição, aceitei também os perigos envolvidos, confie que ele conseguiria me proteger e não iria voltar atrás agora.



Louca. Era a única palavra que me passou na cabeça. Lógico que ela teria algum problema, não é possível que ela agisse assim normalmente. Abraçar o perigo dessa forma, confiar plenamente em mim quando não mereço. Não havia outra explicação para isso.



Eu mudei de assunto para mudar o clima estranho que ficou na mesa. – Então, que horas eu te vejo amanhã? Acho que você não se importa de sair cedo.


– Isso depende. Que horas você tem que está no... Seu trabalho? – ele perguntou. Percebi, somente agora, que ele não fazia a menor ideia em que eu trabalhava. Respondi antes que ele me perguntasse a respeito.


– Tenho que estar lá 9 h. Como são aproximadamente três horas daqui para Seattle acho que temos que sair umas 6 h. – Ele prendeu o riso. – Não, nem se atreva a dirigir na sua velocidade “vamos causar um infarto na Bella ao quebrar todas as leis de trânsito”. – agora ele não controlou o riso.


– Certo. Às 6 h em ponto, estarei em frente a sua casa. – prometeu. – Charlie vai estar em casa?


– Não, ele vai pescar amanhã – por incrível que parece a pescaria de Charlie era ainda mais cedo. Nunca entenderia o que motivava a uma pessoa levantar da cama com o dia ainda escuro por vontade própria.



Franzi o cenho ao pensar a respeito. Não queria que Bella corresse nenhum risco ao ficar ao meu lado. Precisava de várias desculpas para trazê-la em segurança. Charlie saber que ela estava comigo era um ótimo pretexto para que eu tomasse cuidado. Para meu azar, e absoluto espanto, Bella confiava plenamente em mim. Aquele que poderia causar maior dano a sua integridade. Por mais que fosse errado, não pude deixar de sentir um extremo deleite ao saber que minha amada confiava plenamente em mim.



Acho que um vampiro pode se tele transportar, pois Alice apareceu do além, e estava repentinamente atrás dele. Sua leve figura era esbelta, graciosa mesmo estando absolutamente parada.



– Obrigada. – o sorriso de Alice era enorme. Primeiro, por finalmente conhecer Bella e depois por ser elogiada.



Ele a cumprimentou sem desviar os olhos de mim. – Alice.


– Edward. – cantarolou.


– Alice, Bella... Bella, Alice – ele nos apresentou, fazendo gestos com a mão casualmente, um sorriso torto nos lábios.



– Edward, isso é maneira de me apresentar? Parecia que nem queria que eu a conhecesse. – reclamou.


– Não parecia Alice. Sem dúvida eu não queria. – me olhou magoada. – Alice, você sabe que não consegue segurar sua empolgação. Devo ter ficado receoso, mas como sempre você consegue tudo que quer. – terminei sorrindo levemente.


– É claro que sei me controlar. – cruzou os braços.



– Olá, Bella – seus olhos pareciam brilhar de felicidade, mas seu sorriso era amigável. — É bom finalmente te conhecer.


Edward deu um olhar sombrio pra ela.



– O que você estava dizendo? – indaguei raivoso. Como ela conseguiu se descuidar em apenas alguns segundos?


– Ops... – me olhou culpada. Apenas revirei os olhos. Alice sempre seria Alice.



– Oi, Alice – disse timidamente, porém com um sorriso. Ela parecia tão feliz.


– Você está pronto? – ela perguntou pra ele.


A voz dele estava indiferente. – Quase. Eu te encontro no carro.



– Você não pode ter ficado bravo. Foi só um pequeno deslize. – Alice suspirou. Não respondi. Bella era perceptiva demais, tínhamos que ser muito cautelosos.



Eles trocaram um olhar e ela foi embora com um pequeno aceno. Seu caminhar era tão fluido, tão suntuoso que eu senti uma leve pontada de inveja.



– Eu realmente gosto dela. Seremos grandes amigas. – disse pulando no sofá.



– Eu devo dizer 'divirta-se' ou seria o sentimento errado? – eu perguntei, virando pra ele de novo. Fiquei com a impressão de que eles tiveram alguma conversa silenciosa. Afinal, ele é um telepata.



– Sabia que ela iria perceber. – falei mais para mim mesmo do que para os outros.



– Não. 'divirta-se' funciona tão bem quanto qualquer outra palavra – ele sorriu.


– Divirta-se, então. – pensei um momento e depois acrescentei. – E, tente de machucar nenhum urso panda no meio do caminho.



Rir alto, como sempre Bella me surpreende. Sem dúvidas esse foi o melhor comentário antes de caçar.



– Eu vou tentar – disse rindo. – Afinal, não tem há nenhum panda por essa área.


– E nada de filhotes de leão. – lembrei.


– Sim senhora. – gracejou. – Só vou caçar alguns cervos por perto. Acho que não afetará seu instinto de proteção baseado em algum filme infantil qualquer. – desdenhou me fazendo rir.


– Bom... Eu assistir Bambi. E se você não sabia o Bambi é um...


– Chega! – pediu rindo. – O que deu nas pessoas para fazerem tantos desenhos com animais? Se continuar assim vou poder caçar somente coelhos! – reprovou com um sorriso. Sabia que estava brincando.


– Ei, e quem vai entrar meus ovos na páscoa se você caçar coelhos? – fiz minha melhor cara de indignação. Fazendo com que ele risse alto e chamasse a atenção para nossa mesa.



Gargalhei junto com minha família.



– Desisto. Vou tentar o meu melhor para não ofender algum desenho animado. Se algum bicho pensar ou falar eu juro que o mantenho vivo. – dei língua para ele como uma criança. – E, em troca, você tente se manter em segurança, por favor.


– Ficar segura em Forks, que desafio.


– Pra você isso é um desafio. – Sua mandíbula ficou apertada. – Prometa.


– Eu prometo tentar ficar em segurança – recitei com a mão direita para cima, como se estivesse em um tribunal.


Então, ele se levantou e eu me levantei também.


– Te vejo amanhã. – por incrível que parece estava começando a sentir a sua falta. Isso era estranho.


– Eu estarei lá pela manhã – prometeu, dando seu sorriso torto. Ele se inclinou sobre a mesa para tocar meu rosto, alisando a maçã do meu rosto de novo. Então ele se virou e foi embora. Eu fiquei olhando para ele até que ele foi embora. Quando chegou à porta ele olhou em minha direção e me lançou um sorriso que me pareceu triste e depois partiu.



Suspirei. Seria errado falar que estava sentindo esse meu afastamento de Bella? Para meu consolo poderia continuar acompanhando pela leitura. Senti um pouco de pena do meu “eu” do diário que não tinha essa opção. Enlouqueceria sem saber como Bella estava.



Eu fui para a aula, e honestamente o tempo pareceu se arrastar. Pela primeira vez consegui prestar um pouco de atenção no vídeo, mas minha mente sempre viajava para outra direção. Em Educação Física foi a mesma coisa, Mike como sempre foi meu parceiro e tentou mais uma vez me chamar para ir ao baile. Torcia mentalmente para Jessica não saber disso.



Será que não posso a deixar só um minuto sem me preocupar? Esses insolentes não perdem tempo. Preciso deixar uma mensagem clara para se afastarem.



Quando o dia de aula finalmente terminou, eu caminhei para o estacionamento preparada para minha caminhada. Tentei colocar na cabeça que era um bom exercício, mas confesso que minhas pernas não aceitaram muito bem.


Meus instintos provaram estar certos. Meu Cadillac não se encontrava no estacionamento, a única grande diferença, e ponha grande nisso era na vaga em que ele tinha estacionado o Volvo esta manhã encontrava-se uma figura de quase dois metros de altura com um sorriso de convinhas no rosto parado ao lado do carro.



– EU! – gritou Emmett. – O lindo, gostoso e absoluto Emmett Cullen.


– O que você estava fazendo lá? – perguntou Rosalie.


– Pelo visto o vampiro danificado não achou as chaves. – falou risonho.


– Vou lhe mostrar quem é o danificado. – rosnei.


– Vamos Emmett, continua a ler. – falou Alice ansiosa.



Eu balancei a cabeça, incrédula, enquanto ele vinha na minha direção.


– Olá Bellinha. – retribui seu sorriso por reflexo, era impossível não sorrir olhando para ele.



– Claro, com alguém tão carismático como eu, não tem como não conseguir sorrir. – gracejou.



– Oi Emmett, o que faz aqui? – coloquei minha dúvida para fora, achava que o Edward e Alice estariam com o Volvo para caçar.


– Meu irmão não achou a chave do seu carro. – sorriu mais largamente como se lembrasse da cena. – Devo confessar que foi hilário, principalmente que Alice ficava cantando o hino da Tailândia e se recusava a ajuda-lo.



Minha família achou isso engraçado, eu não. Lancei um olhar raivoso para a baixinha que apenas desviou o olhar escondendo o sorriso.



Rir junto com ele. Sempre me perguntava como era para sua família ter sua mente invadida pelo Edward, pelo visto eles já aprenderam algumas técnicas para mantê-lo no escuro.


– Acho que acabo de ganhar uma aposta. Agora devo ir, não quero chegar tarde em casa. – disse e fui em direção a saída, quer dizer, tentei, já que mão enormes seguraram meu braço.



Rosnei com isso. Odiei a ideia de alguém a tocando.


– Relaxa maninho, foi com boa intenção.



– Onde pensa que vai? – o encarei confusa, o que gerou um rolar de olhos em minha direção. Qual o problema dos Cullens que ficam girando os olhos para mim. Ora, parece que alguma vez na vida eu falei algo absurdo. – O que você acha que estou fazendo aqui? Vou lhe levar para casa. – mal terminou sua frase e já estava me levando em direção ao banco do carona.


– Caso ainda não tenha percebido, eu sei andar! – falei e quando percebi já estava sentada e ele fechava a porta entrando do outro lado. – Como vocês fazem isso? – ainda não tinha me acostumado com essa rapidez.


– Temos que aproveitar quando não tem ninguém olhando. – piscou para mim.


– Obrigada pela parte que me toca. – agora foi sua vez de me olhar confuso. – “Ninguém”. – citei sua fala. Afinal eu sou alguém, obrigada. Isso o fez gargalhar alto e quase tive um ataque cardíaco ao ouvir sua risada, parecia que as janelas iriam quebrar a qualquer momento.



– Você tem que se controlar Emmett. Você a assuntou. – avisou Esme.


– Mas eu tenho um riso tão angelical. – defendeu-se. Não dava para ficar com raiva de Emmett por muito tempo.



– Não quis ofender. Quis dizer no sentindo de alguém que não saiba de nós. – depois mudou de assunto. – Então pode falar como consegue isso? – olhei para ele confusa. – Enganar o Edward desse jeito. – Esclareceu.


– Tenho a vantagem dele não conseguir ler minha mente, não sei se conseguiria surpreende-lo se ele tivesse acesso aos meus pensamentos.



– Consegue sim. – falou fazendo coro minha família. Tive que concordar que mesmo tendo acesso aos seus pensamentos, Bella sempre me surpreendia.



– Aposto que sim. – sorriu e depois pareceu lembrar algo realmente engraçado. Fiz cara feia para ele. Odiava quando ficava de fora da piada. Percebendo isso, resolveu me explicar. – Estava na sala quando ouvir a voz dele me chamando, — Ok, essa audição deles é meio assustador – dei uma desculpa qualquer e sai da sala, Edward estava completamente frustrado, raivoso e incrédulo de não conseguir achar a chave. Temos nossos sentidos apurados, podemos sentir o cheiro de objetos de longe. Tenho certeza que teimoso como ele é deve ter procurado chave por chave para garantir que não achava, para completar Alice o mantinha fora de sua mente, se recusando a ajuda-lo.



– Obrigado Alice. – o sarcasmo predominava minha voz.


– Disponha. – sorriu.



– Tadinho. – fiquei imaginando o desespero que ele ficou ao não achar.


– Tadinho nada. Bem feito! Você não sabe como ele é prepotente por poder ler a mente dos outros. É bom para ele não ficar se achando. – deu uma piscadela para mim o que fez rir.



– Ops... – Emmett olhou em minha direção. – Não era para você saber. – depois deu de ombros. – Você já deve ter lido isso na minha mente mesmo.



– Então. O que devemos fazer para baixar a bola dele? – perguntei entusiasmada.



– Oh não! – gemi.


– Oh sim! – comemorou Emmett.



– Não sei. A mente maligna aqui é sua cunhadinha. – falou sorrindo largamente e me fazendo entrar em choque.



– EMMETT – gritei. – Como você pôde? – perguntei raivoso.


– Ops...



– Co-como m-me cha-chamou? – gaguejei feito uma idiota, depois que paramos em frente de casa.


– Nada. – respondeu rápido demais.


– Preciso ir. – pulei do carro e corri em direção a minha casa.


– Bella. – gritou. – Espere! – pediu novamente quando fechei a porta.



– Corra! – mandei. Comecei a correr atrás dele ao redor da sala, porém Jasper e Carlisle me seguravam.


– Não fiz por mal Edward. – defendeu-se. – Fora que todo mundo sabe que você está de quatro por ela. Só sendo muito tapada para não notar.


– Vou arrancar sua língua! – ameacei. Nem os dons de Jasper adiantavam. Se eu perdesse a amizade de Bella eu mataria Emmett. Tive que concentrar em minha raiva para não entrar em desespero com a possibilidade de perdê-la.


– Isso é um diário mano, podemos mudar isso. – tentou me trazer a razão. – O segurem enquanto continuou lendo. – pediu.



Meu coração batia acelerado no meu peito. Precisei de longas respirações profundas para o ar voltar a circular em meus pulmões. A palavra que Emmett me chamou dando voltas sem fim em minha cabeça. Cunhadinha. Ele estava brincando. Tinha que estar. Mas uma vozinha em minha cabeça não acreditava nisso. É claro que não acredito, e você também não, falou minha Vadia Interior. Sabia que essa vozinha só poderia ser dela.



Lógico que ela iria perceber. Meus sentimentos por ela eram óbvios.



Resolvi ocupar minha mente e tentar deixar esse assunto para quando estivesse mais calma. Não adiantou por muito tempo. Depois que fiz o jantar e coloquei a roupa na máquina fiquei com a mente livre. Vamos, não seja covarde. Ok, minha V.I tinha razão. Afinal, sou um homem ou um rato? Acho que nenhum dos dois. Você realmente não está me ajudando!


Você quer ajuda? Então tudo bem vamos aos fatos. Pense comigo. Fiquei atenta a suas palavras.



Também fiquei muito atento.



1 — Você gosta da companhia dele.


Sim, não havia dúvida na minha cabeça. Edward era uma companhia extremamente agradável. Até senti certa tristeza quando ele não me acompanhou de volta para casa, pois ia perder um tempo ao seu lado.



Minha raiva evaporou. Bella gostava de ficar ao meu lado.



2 — Você está interessada no que ele fala.


Lógico, sua conversa me fascinava. Prestava atenção em cada gesto. O modo como ele franzia as sobrancelhas quando estava frustrado com alguma resposta, como ele olhava atentamente em meus olhos como se quisesse desvendar o que passava em minha cabeça, não, era mais, o que se passava em minha alma.



Sorri largamente com isso. Ninguém nunca observou minhas expressões, todas só admiravam a beleza da minha espécie, nunca viram nada, além disso.



3 – Você gosta de ouvir sua risada.


Como não gostar? A risada dele era como uma linda melodia, assim que o conheci mal ganhava um sorriso seu. E, agora ele ria cada vez mais a vontade na minha presença, o que me deixava feliz.



Porque sorrir se vivia na escuridão? Bella foi a luz que iluminou meu caminha. Tirando-me das trevas em que vivia. Era impossível não sorrir em sua presença.



4 – Você fica feliz quando está com ele.


Não foi o que acabei de dizer? Somente de ouvir sua risada já me deixava feliz, sua companhia simplesmente me completava.



Entendia esse sentimento. Bella completava minha vida, era um pedaço de mim.



5 – Você aceitou ele ser um vampiro.


Sim, pode ser a maior loucura da minha vida, mas não me importo do que ele é. Deveria sentir um medo insidioso que envolvia essa minha escolha. Porém, me lembrava a cada momento que ele me queria a salvo. Eu tinha fé de que, no final, esse desejo estaria acima dos outros. Acima de sua natureza, seus instintos. Edward era um homem bom. Eu via em seus olhos.



Meu peito se encheu de alegria. Jasper se deleitou com isso. Nunca senti uma felicidade tão grande como nesse momento. Faria de tudo para ser digno de tanta confiança. Bella colocou sua vida em minhas mãos e faria de tudo para mantê-la salva e feliz.



Agora que pensou nisso me diga. O que sente por ele?


A pergunta de minha Vadia me pegou de surpresa. O que eu sentia por ele? Amizade?


Você acha mesmo que é só amizade? Pense mais um pouco. O que a levaria à aceita-lo completamente?


Pensei tanto que chegou a me dar certa dor de cabeça, deitei em minha cama passando todos nossos momentos juntos. Eu estava estressada demais pra dormir, sabia que não conseguiria dormir enquanto não resolvesse esse mistério.


Afinal, o que leva você a aceitar uma pessoa completamente? Colocar sua vida em suas mãos, confiar cegamente, adorar a companhia, prestar atenção a cada gesto, decifrar seus olhos, se importar com seus sentimentos, admirar suas risadas, conhecer seus sorrisos... Oh, não! Não pode ser! A resposta me fez pular da cama. Clara como um cristal e límpida como a mais pura água.



Eu estava irremediavelmente apaixonada por Edward Cullen!


Notas finais
Finalmente...
Sim, Bella acaba de perceber seus sentimentos. Por incrível que parece, graças a Emmett.
Então o que acharam?
Aguardo comentários e se gostarem da fic mandem suas recomendações.
Leitoras fantasma aparecem... =)
Beijos e até o próximo capítulo.