Notas iniciais
Sinopse: Edward está decidido a começar a quebrar algumas barreiras, o que aumenta a cada momento sua proximidade com Bella.
Quando tudo parece estar favorecendo o casal, outras pessoas poderão abalar essa alegria.
Quero agradecer a todas as leitoras que tem comentando nos capítulos, fico muito feliz e tento responder todas as dúvidas, elogios e sugestões.
Agradeço especialmente a jeomedrato que é uma leitora nova e recomentou a fic. E, também a Debbie Cullen por sua recomendação. Muito obrigada.

Muitos nos olharam enquanto estávamos andando para nossa mesa no laboratório. A quem você quer enganar! TODOS estão olhando para vocês! Gritou minha Vadia Interior também surpresa com esse fato. Bando de desocupados, porque não arranjam um gato! Concordava com minha V.I.

- Comprem um gato. – falei em um sussurro que ninguém ouviria.

- Gato? – maldita audição vampírica. Acho que era capaz de ouvir um alfinete caindo do outro lado da cidade. Ainda bem que ele não precisa dormir. Como alguém pode dormir com um ouvido sensível assim? Iria acordar a cada instante.

Rimos um pouco com isso, apesar de ter ficado preocupado com a repercussão de andarmos juntos, Bella me distraia facilmente com suas ideias. Nunca tinha pensando sob essa ótica e vi mais uma vez como Bella estava certa. Como conseguiríamos dormir quando o menor ruído era facilmente escutado por nos?

- É você sabe aquela superstição de gato ter sete ou nove vidas dependendo em que parte do mundo você more. Se eles tivessem um gato eles teriam sete vidas, ou melhor, nove vidas para cuidar e poderiam deixar nossas vidas em paz. – expliquei meu raciocínio lógico para ele o que o fez rir.

Naqueles poucos minutos que conversamos tinha conseguindo esquecer como nos tornamos o novo alvo de fofoca da escola, não que acontecesse muita coisa por aqui. Deve ser por isso que qualquer ato mais insignificante fosse motivo para tanto alvoroço. O garoto isolado e garota novata. Sim, isso pode ser considerado um prato cheio.

- Já imaginou se soubesse que é a garota novata com o garoto vampiro? Isso sim seria motivo de fofoca!

Alguém se importaria que eu arrancasse a cabeça do Emm? Acho que não.

E quanto achei que as surpresas estavam acabando, notei que Edward havia sentado um tanto perto de mim. Nossos braços quase se tocando. Acho que ele estava derrubando pouco a pouco as barreiras que ele impôs, já que anteriormente ele só faltava cair da cadeira de tão longe que sentava de mim.

Será que toda vez que mudava minimamente de atitude minha família iria me olhar assim? Isso era irritante, toda vez me laçavam olhares de surpresa e perspectiva. Como se eu não estivesse nervoso o suficiente. Não consigo imaginar o quanto o cheiro de Bella me afeta. Tinha que ser parecido como meus anos de recém-criado ou quando bebia sangue humano, lembrar o monstro que me tornei não ajudava muito meu autocontrole. Ainda mais ao imaginar nossa proximidade.

Sr. Barner voltou para dentro da classe empurrando um suporte alto de metal sobre rodas que sustentava uma antiga TV e um VHS. Tentei não deixar meu queixo cair no chão. Consegui com alguma dificuldade e grande esforço. VHS. Uau, isso era incrível. Quem ainda usa VHS? Nem sei o que diabos isso significa. Acho que quando ele terminar o filme ele terá que “rebobinar”. Será que essa palavra já foi abolida do dicionário? Deveria. Acho que vou apresentar o DVD para o S. Barner.

Por mais que ele seja arcaico poderia usar coisas um pouco menos velhas. Aposto que ele ainda usa um mimeografo no lugar de usar máquina de tirar cópias. Acho que ele usa uma máquina de datilografia para fazer suas provas. Falando em coisa velha, olhei curiosamente em direção ao Cullen, perguntando mentalmente quantos anos ele deveria ter. Acho que no tempo dele não devia nem existir TV. Fiz uma nota mental de perguntar novamente em que século ele nasceu, por mais que já previa uma negativa em me responder, então perguntaria quantos irmãos ele tem ou teve. Alguém sem TV provavelmente teria dúzia de filhos.

Incialmente conseguir rir ao ouvir seus comentários, mas depois fiquei incomodado com o rumo que seus pensamentos tomaram. Não gostaria de falar minha idade para Bella, se ela já achava o VHS antigo, imagine quando soubesse que no meu tempo o rádio era uma opção para poucos. Mesmo assim, queria gritar para ela que era filho único mesmo não havendo TV no meu tempo, que meus pais faziam outra coisa além de reproduzir, mas esse tema me deixava constrangido. Fiquei feliz que ninguém da minha família se manifestou.

- Nossa mano, com TV ou sem TV você continua virgem! Não vejo a hora de você falar isso para ela. – claro que Emmett jamais deixaria isso passar, minha paciência estava por um fio.

- Por favor, Emmett. – pediu exasperado Jasper. – Edward já esta quase me dando dor de cabeça com suas mudanças de humor, você ainda fica o provocando. – depois pensou. – Tenho realmente pena da Bella, espero que ela venha a amar muito o Edward, por que só muito amor para atura-lo com essas mudanças bruscas de humor. – lancei o que Bella chama do meu Olhar-do-Mal para Jasper. – Desculpe. – deu de ombros por não controlar seu pensamento.

Mr. Barner empurrou a fita para dentro do relutante VHS, olhei um pouco fascinada, não lembrava a ultima vez que tinha visto um. Finalmente ele andou até o outro lado da sala para desligar as luzes.

E então, quando a sala ficou escura, estava impressionada com a inesperada eletricidade que passou por mim. Não sei se o efeito da sala na penumbra, onde ninguém podia nos ver nos deixou mais próximo.

- No escurinho do cinema... – ficou cantarolando Emmett.

Para sorte do Emmett, estava envolvido demais com minha proximidade e da Bella para revidar.

Os créditos de abertura começaram, iluminando a sala com um pouco de luz. Olhei em sua direção preparada para fazer algum comentário irônico quando percebi sua postura, mãos cerradas sobre seus braços, por debaixo de seus olhos, espreitando de lado para mim. Ele sorriu a me ver lhe olhando.

Pelo visto, estava sendo otimista por achar que Edward derrubaria todas suas barreiras de uma ora para outra. Ainda havia receio ao ficar próximo de mim, como se não soubesse ao certo como agir. Se eu queria que ele mudasse, precisava tomar algumas atitudes.

- Acalme-se homem. Estou quase pirando aqui. – resmungou Jasper.

Como ele queria que me acalma-se? Bella queria mudar de atitude comigo. Será que ela não gostava da minha companhia? Logo agora que achava que estávamos nos dando tão bem.

- Será que vocês poderiam colaborar com minha leitura? – reclamou uma Alice, extremamente insatisfeita com as constantes interrupções.

Delicadamente aproximei minha mão da sua, que estava cada vez mais apertada próxima a seu corpo. Lentamente coloquei minha sobre a sua. Não estava preparada para o que senti em seguida.

Repulsa?

Medo?

Horror?

Céus. Será que Alice poderia parar de fazer essas pausar interminável de quase um segundo. Eu estava quase enlouquecendo.

Sua pele permanecia tão gelada como sempre, mas isso não foi uma surpresa e sim a corrente elétrica que passou por meu corpo parecia mais potente do que a primeira vez que nos tocamos. Notei que Edward prendeu a respiração e me olhava mais surpreso do que eu. Tentando ignorar todas as sensações, puxei sua mão para a mesa, claro que com sua ajuda. Se ele não quisesse acho que nem um guindaste me ajudaria a movê-la. Entrelacei nossas mãos e passamos o resto da aula de mãos dadas assistindo o vídeo sem prestar a menor atenção ao que passava.

Parecia que uma bola de felicidade estava se instalando no meu peito ao imaginar esta cena. Fechei os olhos tentando captar essas sensações, em ter alguém ao meu lado apenas para segurar minha mão. Há quanto tempo não tenho esse contato? Eu malmente tenho algum contato físico com os membros da minha família, raramente um abraço de Esme, isso porque ela insiste e eu jamais recusaria. E creio que as lutas com Emmett ou Jasper não contem.

Ter uma relação assim com outra pessoa fora da minha família estava me deixando eufórico. Desta vez, Jasper não reclamou. Afinal, ele nunca reclama quando o sentimento que temos é positivo.

Quando o Sr. Banner acendeu novamente as luzes no fim da aula, não sabia quem estava mais relutante em soltar as mãos. Edward ou eu. Dei um aperto de leve antes de desenlaçar nossos dedos. Arrumei meus cabelos com os dedos para disfarçar. Edward riu ao meu lado.

- Bem, aquilo foi interessante – murmurou timidamente. – Obrigado. – se não estivesse tão próxima não teria escutado duas últimas palavras.

— Pelo o quê? – não tinha entendido o motivo do seu agradecimento.

- Apenas por ser você.

Como Bella não sabia o motivo do meu agradecimento? Por ser fantástica a cada minuto. Por me aceitar como eu sou. Por saber me acalmar apenas com um toque. Por entender minhas necessidades. Por me fazer sorrir. E principalmente, por me fazer feliz.

Não entendi suas palavras e achei melhor ir para a próxima aula. Resolvi que seria melhor perguntar depois.

Eu quase gemi. Hora do ginásio. Forks estava me tornando uma preguiçosa de primeira. Não tinha vontade alguma de fazer qualquer tipo de exercício. É melhor você começar a fazer alguma atividade física, comendo como leão, se exercitando como uma preguiça irá se tornar gorda como uma baleia. Pensando bem, minha V.I. colocou uma imagem mental, ou animal, nada promissora. Era melhor me mexer um pouco. Sim, nada do que um bom incentivo para acabar com o sedentarismo.

- Pelo menos um lado bom em se tornar vampiro é nunca ter essa preocupação novamente. – Rosalie comentou casualmente. Se existia uma coisa que ela é, vaidosa seria a palavra ideal. Algumas memórias humanas mostravam o quanto ela se preocupava com sua imagem e alimentação, até mesmo naquela época.

Ele me acompanhou para minha próxima aula em silêncio e parou na porta, virei para dizer tchau. O rosto dele me encarou — sua expressão estava despedaçada, quase dolorida. Queria consola-lo e tirar o que tivesse causando tanto dor de sua expressão. Parecia estar num conflito interno tão grande que me deixou sem voz.

Como sempre todos os olhos se voltaram para mim. Como explicar tudo o que passava pela minha mente? Todas minhas dúvidas e incertezas. Sabia que esses diários tinham algum motivo de ter aparecido em nossas vidas, um pouco de sinceridade seria necessária. Falar um pouco de minhas aflições.

- Não precisa ter o dom de Jasper para saber que eu amo a Bella.

Ouvi alguns ofegos. Todos já sabiam disso, mesmo assim quando as palavras saiam da minha boca sentia a vibração da minha família. Esme estava tão feliz, que contagiou até mesmo Rosalie, que por algum motivo não aprova meu relacionamento com Bella.

- Apesar disso, não acho justo Bella passar por isso por causa do meu egoísmo.

- Do que diabo está falando Edward? – indagou uma furiosa Alice.

- Vocês não veem o que estou fazendo? – todos negaram, exceto Rosalie que confirmava a cabeça. – Estou privando Bella de ter uma vida saudável e normal. O que eu posso oferecer para ela? A possibilidade de colocar sua vida em risco a cada segundo que passe ao meu lado? Isso é injusto. Bella merece alguém melhor do que eu, e como um bom egoísta como sou não consigo me afastar dela.

- Não fale isso Edward. Bella tem uma escolha, ela pode se afastar a qualquer momento, – senti uma dor tão forte só em pensar que Bella iria me querer longe dela – mas tenho certeza que não fará, ela gosta de você meu filho. Não se desespere antes da hora. – As palavras de Carlisle me confortaram um pouco, não o suficiente para a angústia que sentia passar, mas o necessário para conseguir aparentar calma para ouvir o que Alice lia.

Ele levantou sua mão, hesitante, uma luta enfurecendo-se em seus olhos, parecia que brigava entre o que ele queria e o que achava que era certo, senti quando rapidamente roçou um pedaço da minha bochecha com a ponta de seus dedos. Queria perguntar por que tanto tormento, mas ele se virou sem uma palavra e caminhou rapidamente para longe de mim.

Eu andei para dentro do ginásio, confusa e hesitante.

O treinador Clapp ordenou que nos formássemos times. Imediatamente Mike veio pra o meu lado.

- Você quer entrar no meu time?

- Obrigada Mike. – dei um sorriso leve.

- Não se preocupe. Eu gosto de jogar com você. Nosso time nunca perde. – Ele sorriu e piscou antes de sair. Não posso negar que era ótimo jogar com ele. Mike era muito bom jogador e eu era péssima perdedora.

Será que o sarnento do Newton não vai deixa-la em paz? Será que ele ainda não percebeu que ela está comigo? Certo, não como eu gostaria, mas estávamos andando juntos. Tenho que me lembrar de ter uma conversinha particular com ele. Quero vê se ele não se manterá longe de Bella depois disso. Porque o elogio que Bella fez para o Newton me deixou tão enfurecido?

Não foi surpresa quando ganhamos.

- Bom jogo. – sorri assentindo. Sem dúvidas, a cara de Lauren estava impagável. Tudo bem que queria distância dela, mas não posso negar a satisfação de vê-la irritada por perder para mim. – Então – disse enquanto nós andávamos para fora da quadra.

- Então o que? – nem percebi que ele estava falando. Estava tão distraída com o último ponto que marquei em cima de Lauren que esqueci estar em uma conversa. Sem querer aceitei a bola na cabeça dela. Que culpa tenho se ela não soube defender? Tudo bem que com toda aquela cabeça foi sua melhor defesa do que com a raquete

- Você e Cullen, hm? — ele perguntou, seu tom era rebelde, o que me tirou de vez das minhas lembranças.

Exatamente. Bella e o Cullen. Ponha isso na cabeça retardado!

- Qual o problema Mike? – lógico que andar com Edward iria gerar perguntas. – Somos amigos.

Somos mais que amigos. Será que Bella não enxerga isso?

- Eu não gosto disso – ele murmurou.

- Você não tem que gostar – agora fiquei com raiva. – Quem anda com ele sou eu, quem tem que gostar sou eu, não você!

- Ele olha pra você como... Como se você fosse algo pra comer – ele continuou, me ignorando.

Prendi a respiração com isso. Desde quando esse babaca presta atenção nas coisas? Não gostei do modo como ele se referiu a mim. Podia deixar Bella preocupada ou com medo de mim. Afinal, nossa espécie se alimenta dos humanos.

- Não seja absurdo Mike. – respondi antes de me virar para o vestiário. Pensando em que momento Mike ficou tão perceptivo. Espero que Edward não me enxergue como uma bolsa de sangue ambulante. Definitivamente isso seria estranho.

Absurda era ela! Como ela pode pensar uma coisa dessas? Será que ela não sabe do risco que corre ao andar do meu lado? Ainda por cima, fica fazendo piadas a esse respeito. Céus, acho que ela se parece com Emmett.

Eu me troquei rapidamente. Eu estava pensando se Edward estaria me esperando, ou se eu deveria encontrá-lo no carro dele.

Assim que sai do vestiário, notei que era a primeira opção. Edward estava me esperando, apoiado casualmente contra a parede do ginásio, seu rosto agora tranquilo. Enquanto eu andava para o lado dele, eu senti um peculiar sentimento de alívio. Feliz por sua angústia anterior ter sumido de sua expressão.

A preocupação de Bella com meus sentimentos era reconfortante. Saber que as palavras do idiota do Newton não a afetarem me deixou aliviado. Estava começando a temer que alguém conseguisse nos separar ou fazer que Bella me temesse.

- Oi – cumprimentei sorrindo.

- Olá – seu sorriso de resposta foi brilhante. – Como foi sua aula?

- Boa, meu time ganhou.

- Mesmo? – sua expressão ficou um pouco azeda. Seus olhos viraram rapidamente me olhando por cima do ombro e se estreitaram. Eu olhei pra trás e vi Mike de costas enquanto ele ia embora.

- O que foi?

Os olhos dele reencontraram os meus ainda estreitos. – Newton está começando a me irritar.

- Você estava ouvindo de novo? – achei que ele estivesse aprendido!

- Foi um bom jogo. O último ponto que você marcou foi realmente impressionante. – comentou inocentemente.

- Nossa Edward você não marca uma dentro!

- Emmett tem razão. Como você vacila dessa forma. Ainda não conhece a Bella? – Jasper me olhava exasperado.

Notei que todas as mulheres da família me olhavam furiosas.

- O que eu fiz? – não entendi o que aconteceu. Alice olhou na minha direção e recomeçou a leitura um pouco mais alta.

- Você é inacreditável! – me virei furiosa, caminhando a passos largos na direção do estacionamento.

Droga! Esqueci como a Bella não gosta que eu fique bisbilhotando.

Ele me acompanhou facilmente.

- Eu nunca havia te visto na aula de Educação física, eu fiquei curioso. – Ele não parecia estar arrependido, então eu o ignorei.

Nós caminhamos em silêncio, um silêncio furioso da minha parte, para o carro dele. Mas eu tive que parar alguns passos de distância, uma multidão de pessoas, ou melhor, de garotos, estavam cercando ele.

Então eu percebi que eles não estavam cercando o Volvo, na verdade eles estavam cercando o conversível vermelho de Rosalie, cheios de luxúria nos olhos. Com o carro da Rosalie o de Edward parece insignificante, ninguém dignou um olhar para o Volvo.

Rosalie sorria largamente ao saber da atenção que seu carro recebia. Estava decidido no dia que Rosalie usasse seu carro eu usaria meu Aston Martini! Quero vê qual chama mais atenção. Tenho certeza que será o meu, aí Bella não terá o que falar.

Ele suspirou. — Você vai me perdoar se eu pedir desculpa?

- Não enquanto não estiver arrependido. O que acho pouco provável, já que parece que você adora bisbilhotar a vida alheia como uma velha fuxiqueira.

Emburrei ainda mais, principalmente com a risada da minha família. Parece que eles adoravam quando Bella me colocava no lugar.

Seus olhos viraram em minha direção como se eu tivesse proferido uma grande ofensa antes de tornarem astutos. – E se eu estiver arrependido? – Balancei minha cabeça negando.

- Você tem que estar arrependido e prometer parar de ficar vasculhando a mente dos outros propositalmente para saber o que eu faço, aí eu lhe desculpo.

Eu estava arrependido de ter deixada irritada, agora quando parar de ouvir suas conversas, isso era praticamente impossível. Eu já não ouvia sua mente, não ouvir o que falava para os outros era demais para um vampiro curioso como eu.

Ficou pensativo por um momento. – Que tal eu deixar você dirigir no sábado?

Bufei com isso. Lógico que ele não iria se controlar. Estava tentando me distrair. Ah, mas ele iria pagar por isso. Precisa falar urgentemente com Emmett. Teríamos que criar um bom plano. Isso iria requerer tempo e planejamento. Precisaria ser longe dos ouvidos curiosos do vampiro ao meu lado. Como eu falaria com Emmett sem Edward por perto?

- Yes Baby! É disso que estou falando. Vai ser a vingança de todos os tempos! – comemorou Emmett para meu total desespero e risada da minha família. Todos começavam a imaginar o que os dois aprontariam.

Se não conseguisse a ajuda de Emmett teria que agir sozinha. Isso daria mais trabalho ainda.

Droga. Estava pensando justamente em não deixar os dois sozinhos, claro que Bella também pensaria nessa hipótese.

- Você vai dirigir no sábado. – afirmei.

- Posso saber por quê? Achei que você gostava de dirigir seu carro.

- O evento de Seattle é de manhã. Tenho que estar lá 9 h, ou seja, até chegarmos lá teremos que sair cedo. – recebi um olhar completamente confuso. Quase rolei os olhos com isso. – Caso você tenha esquecido, diferente de você, eu preciso dormir. – apontei o óbvio. – Você vai dirigir que provavelmente eu estarei com muito sono para prestar atenção na estrada.

Esqueci mais uma vez das suas necessidades humanas. Tinha que ficar mais atento a isso. Se ela demoraria em média três horas de Forks para Seattle ela teria que acordar por volta das 5 h para se arrumar. Para os humanos isso era cedo, para mim não fazia a menor diferença.

- E se eu não tivesse me oferecido para ir com você, o que faria? Iria dirigindo mesmo assim? – dei de ombros com isso. Lógico que teria dirigido, provavelmente iria para Port Angeles e iria com o carro da empresa. – Você não pode estar falando sério. E se você sofresse um acidente? Sabe quantos acidentes acontecem quanto não prestam atenção na estrada? Tem noção do que poderia lhe acontecer? – Edward estava completamente irritado.

Lógico que estava irritado. Bella tinha noção do que aconteceria comigo se algo acontecesse com ela?

- Sim para todas as suas perguntas. – meu tom saiu mais amargo do que queria.

- Você a magoou! – me acusou Alice. Recebi olhares repreensivos da minha família, que já consideravam Bella da família.

Apenas assenti brevemente. Não queria a magoar, mas só em pensar que ela corria algum risco, um instinto protetor aflorava em mim. Precisa ter mais controle na frente dela.

Não trocamos mais nenhuma palavra durante todo o caminho. Ele parou na frente da casa de Charlie e ficamos em um silêncio desconfortável. Quando ia saindo do carro sem falar uma palavra sua voz me fez parar.

- Bella, — sua voz mostrava seu arrependimento – eu sinto muito por ter te aborrecido – Seus olhos arderam de sinceridade. – Só fiquei preocupado com você, desculpe se exagerei, mas a simples ideia de você em perigo me deixou transtornado.

Antes que pudesse responder, nossos olhares ficaram presos e o silêncio se aprofundou – e mudou. As ondas de eletricidade que senti naquela tarde começaram a reaparecer e carregar a atmosfera enquanto ele fitava insistentemente meus olhos. Parecia que um imã nos atraia para perto um do outro. Ele foi o primeiro a quebrar nossa troca de olhares.

- Bella, eu acho que você devia entrar. – Sua voz estava áspera, seus olhos nas nuvens de novo.

- Ahhhh... – exclamaram em uníssono minha família.

- Achei que vocês iriam se beijar. – comentou Alice num muxoxo que fez com que uma sensação próxima do arrepio passasse pelo meu corpo. Alice não poderia falar sério. Como a beijaria se meus dentes continham veneno? Isso seria perigoso, a menor distração Bella poderia se machucar de forma irreversível.

Eu abri a porta, a brisa gelada que entrou no carro ajudou a clarear minha cabeça. Eu saí cuidadosamente do carro e fechei a porta sem olhar pra trás. Precisa perguntar para ele se vampiro dava choque, mas já tinha entrando em contado com Carlisle antes e não senti nada quando ele examinou. Exceto que ele absurdamente lindo.

Carlisle iria ficar mais egocêntrico do que Rosalie se continuasse assim. Quando ela ia parar de elogiar Carlisle?

O ruído da janela automática se abrindo fez eu me virar.

- Oh, Bella? — ele chamou com a voz mais uniforme. Ele se inclinou na direção da janela aberta com um fraco sorriso nos lábios.

- Sim?

- Amanhã é minha vez.

- Sua vez de que?

Seu sorriso aumentou, fazendo os dentes brilharem. – Fazer as perguntas.

E então ele foi embora, o carro correndo rua abaixo e virando na esquina antes que eu pudesse dar um passo.

Passando mentalmente nossas conversas, percebi que sabia muito pouco sobre ela. Minha curiosidade sendo ativada novamente. Tudo que descobrir foi através de minhas observações, estava na hora de saber suas repostas, já que ela vivia me fazendo perguntas. Sorri largamente com isso. Bella me devia muitas respostas e fiquei feliz em saber que iria cobra-las.

Naquela noite, tive a certeza de que sonhei com Edward. Acho que o clima de eletricidade afetou meu inconsciente. Eu estava sentindo a sua presença como se ele estivesse ao meu lado, o que fez que eu acordasse várias vezes durante a noite.

Agora era definitivo. Bella sonhava comigo. Acho que eu não iria parar de sorrir tão cedo. Gostaria de poder dormir, não para sair do tédio como antes, agora para poder ter Bella em meus sonhos.

Foi só nas primeiras horas da manhã que eu caí num sono exausto, sem sonhos.

Quando eu acordei ainda estava cansada. Eu coloquei uma blusa de mangas compridas com uma jaqueta preta por cima, enquanto escolhia que calça jeans vestir, suspirei sonhando com blusas de alcinhas e shorts.

Hum... Essa era uma visão que eu gostaria de ter. Tentei afastar esses pensamentos rapidamente. Não era seguro ter esse tipo de ideia.

Tomei café com Charlie, não estava falante no dia de hoje. Acho que o sono afetou meus neurônios. Meu pai era um homem sensato e sabia o quanto mal-humorada ficava quando estava com sono e resolveu me dar tempo para eu acordar e, só assim começar uma conversa.

- Sobre esse Sábado... — ele começou, andando pela cozinha e ligando a torneira.

Fiquei apreensivo com a reação de Charlie. Será que Bella contaria que iria comigo em Seattle?

- O que tem?

- Você tem certeza que não dá tempo de ir ao baile depois de voltar de Seattle? – perguntou.

- Eu não vou ter paciência de ir ao baile, pai. Depois de enfrentar aquele mini batalhão no aniversário vou estar exausta para pensar em baile. – esclareci.

- Hum... Ninguém te convidou? – ele perguntou, tentando esconder a sua preocupação com o prato.

Bufei com a lembrança. Recebeu mais convites do que gostaria.

- Acho que recebi minha cota de convites por um ano.

- Oh – ele meditou enquanto secava o prato, notei o quanto ele ficou nervoso com minha afirmativa. Realmente eu preciso aprender a mentir melhor. Esqueci que ele era pai, saber que sua única filha recebeu inúmeros convites para o baile não devia ser muito reconfortante para o coração de um pai.

- Boa sorte com o sogrão. – Emmett piscou em minha direção.

- O Chefe Swan parece ser um homem ciumento com sua filhinha. – falou Jasper me deixando mais receoso.

- Fiquei bastante surpresa com isso. Achei que sendo filha de um chefe de polícia os meninos ficariam intimidados. – sorri com sua risada. Era bom tirar preocupações desnecessárias da cabeça de meu pai. Afinal, depois de tanto tempo longe, ter sua filha adolescente em casa, deveria ser assustador imaginar um marmanjo levando sua menininha para o baile.

- Não se preocupe, acho que ficaram bem intimidados quando mostrar minha arma. – rimos juntos com isso. Imaginar a cara de Mike Newton ao ver o Chefe Swan armado seria imperdível.

Sim, frouxo do jeito que era. Bem provável de desistir e sair correndo.

- Ainda bem que você é a prova de balas. – falou Alice alegremente. Realmente isso era algo ao meu favor, fora que eu poderia ler a mente do Chefe e saber o que falar. Pensar nisso estava me dando um ânimo renovado. Quem sabe o Sr. Swan gostasse de mim.

Charlie foi embora nessa hora, com um aceno de adeus, e eu subi pra escovar meus dentes e pegar meus livros. Quando sai, um pouco depois de Charlie, o carro prateado já estava lá, esperando no espaço de Charlie na entrada. Rir levemente com aquilo. Se o chefe soubesse que outra pessoa estava na sua vaga não ficaria muito feliz.

Talvez ele não gostasse tanto de mim assim.

- Você terá um logo caminho a percorrer para ser aprovado pelo seu futuro sogro. – Carlisle tentou conter seu sorriso. Ele estava achando graça da situação.

- Você não terá com o que se preocupar meu filho, você é o genro que todo o pai sonha em ter para sua filha. – as palavras de Esme me deram um pouco de tranquilidade.

- Se ele não souber que você é um vampiro, que o seu sangue tem grande atração em você, que você é um leitor de mentes e que você tem a idade do avô dele, acho que posso concordar um pouco com Esme. – e as palavras de Emmett tiraram toda a tranquilidade adquirida.

Ele esperou dentro do carro desta vez. Caminhei devagar até seu carro, estava sorrindo e relaxado, quando entrei.

- Bom dia – sua voz estava aveludada. – Como você está hoje? – Seus olhos examinaram meu rosto, como se a pergunta fosse algo mais que um simples gesto de educação. Como se já soubesse a reposta.

- Bem, obrigada.

Seus olhos se demoraram nos círculos embaixo dos meus olhos. – Você parece cansada.

- Eu não consegui dormir – confessei. Lembrei da noite passada, como senti dificuldade de dormir.

- Eu também não. – Brincou enquanto ligava o motor.

Eu sorri. – Acho que dormi um pouco mais que você.

- Eu aposto que sim.

- Então, o que você fez na sua noite insone? – perguntei. Afinal Edward não dormia. O que ele fazia no lugar de dormir?

Ele deu uma gargalhada. – Sem chance. Hoje é meu dia de fazer as perguntas.

- Então hoje você faz todas as perguntas e eu não? – ele balançou a cabeça. – Então faça suas perguntas, hoje é seu dia de perguntar tudo que quiser.

- Exato! – sorriu largamente. – Qual é a sua cor favorita? – ele perguntou, agora o seu rosto estava sério. – Fiquei calada. – Então? – permaneci calada. – Bella?

- Você disse que faria as perguntas em nenhum momento me comprometi a respondê-las.

Claro que na minha imaginação Bella tiraria todas minhas perguntas e sanaria minha curiosidade. Como pude ser tão inocente? Ela jamais facilitaria as coisas assim.

- Mas isso é injusto. – reclamou ao notar que não afirmei que as responderia.

- Injusto é você querer o monopólio das perguntas. Fora que você é mais velho que eu, tenho o direito de ter mais perguntas do que você! – falei minha linha de raciocínio.

- Então eu faço uma pergunta e você outra. – propôs.

- Eu faço três e você faz uma. – fiz minha contraproposta.

- E você achando que eu era difícil de lidar. – comentou Rosalie com um sorriso. – Não tenho pena de você. Fico feliz de vê alguém que te enfrente a altura.

Rosalie estava se divertindo as minhas custas. Ela sempre me achou prepotente, principalmente com meu dom e adorava a forma que Bella me tratava.

- Isso é mais injusto ainda! – sua voz subiu uma oitava.

- Certo, então faça a proporção de quantos anos eu vivi equivalente aos seus aí chegue num número justo.

Bufou claramente contrariado. – Ok, você faz duas perguntas para cada uma minha e é a minha proposta final. – sorri com sua sugestão, provavelmente eu aceitaria a sua primeira proposta, só fiz isso para irrita-lo. Edward fica muito fofo irritado.

Só fez isso para me irritar? Sinto que não seria a primeira vez que faria isso.

- Para você não reclamar e dizer que sou má, vou deixar você começar.

- Já fiz a minha pergunta.

Eu revirei os olhos. Qual era mesmo a pergunta? Ah, sobre a cor favorita. – Muda toda hora.

- Qual é a sua cor favorita agora? – Ele ainda estava solene.

- Isso é outra pergunta. – a verdade é que poderia lhe responder, mas estava gostando de lhe provocar.

Não falei? Ela adorava me irritar.

- Não vale você se esquivar da resposta. Assim não quero mais. – falou fazendo bico e ficando emburrado igual uma criança que foi negado sobremesa. Gargalhei com isso.

- Eu falei a verdade Edward, não tenho uma cor favorita. Muda de acordo com meu humor, o momento, o local, enfim tudo. Agora, por exemplo, acho que minha cor favorita é o marrom.

- Marrom? – Alice fez uma careta incrédula. – Quem no mundo escolhe marrom como cor preferida? – concordava com Alice, juraria que ela optaria pelo azul.

Ele deu um sopro, a expressão séria desapareceu. – Marrom? – ele perguntou cético.

- Claro. Marrom é quente. Eu sinto falta do marrom. Tudo que era pra ser marrom, troncos de árvore, pedras, terra, está coberto de verde aqui – reclamei olhando para paisagem ao nosso redor.

Estava encantado com seu discurso. Tudo nela era impressionante. Até uma simples escolha de cor.

Ele pareceu fascinado com o meu pequeno discurso. Ele pensou por um momento.

- Você está certa. Marrom é quente. – Ele se aproximou rapidamente, mas de certa forma ainda hesitante, pra colocar o meu cabelo de volta atrás do ombro. Tinha vontade de sorrir com seus gestos hesitantes.

Não era somente hesitação, era cuidado com preocupação. Bella não tinha ideia como era frágil, qualquer deslize meu poderia causar seu fim e consequentemente o meu.

Estávamos na frente da escola quanto ele se virou pra mim enquanto colocava o carro na vaga do estacionamento.

- Sua vez. – apontou sua mão em minha direção.

- Você tem ou teve irmãos quando humano? – ele franziu o cenho confuso com minha pergunta.

- Eu era filho único. – esperava que ele me respondesse que tinha uns dez irmãos.

Revirei os olhos com sua teoria de falta de televisão como consequência faziam muitos filhos.

Nós continuamos assim o dia inteiro. Enquanto ele me acompanhava para a aula de Inglês, quando ele foi me buscar na aula de Espanhol, durante todo o almoço, nos questionávamos incessantemente sobre cada detalhe da nossa existência. Às vezes, Edward roubava, fazendo duas ou três perguntas seguidas e quando eu percebia já tinha respondido. Não consegui ficar brava com ele e até esqueci a regra de duas perguntas para cada uma dele. Conversávamos com genuína curiosidade sobre a vida um do outro. Nunca imaginava conhecer o Edward dessa forma, suas respostas me surpreendiam e agradavam. Ele era mais especial do que imaginava.

Um discreto sorriso surgiu em meu rosto. Fiquei um pouco constrangido com seu elogio, mas extremamente feliz, vendo o vínculo entre nos aumentar. Era bom saber que estávamos nos entendendo. Não via a hora de ter essa conversa pessoalmente e não por relatos de um diário.

Conversamos sobre um pouco de tudo que gostávamos e detestávamos. Tínhamos muito em comum, mas o que tínhamos de diferente era o suficiente para travarmos nossas brigas particulares. Era muito bom provocar e ser provocada por Edward.

- Você não pode estar falando sério. – falava cada vez mais indignado.

- Edward você tem que admitir que esse filme seja um clássico. – apontei pelo que parecia ser a milésima vez.

- Eu aposto que Bella ganhou a briga. – Emmett tinha aquela cara que sempre fazia quando tinha certeza que ganharia uma aposta.

- Emmett qual a graça de fazer uma aposta quanto todos já sabem o resultado. – a voz de Rosalie sugeria que isso era óbvio, o que me irritou profundamente.

- Porque acham que eu não vou ganhar? Tenho mais conhecimento de filmes do que uma adolescente de dezesseis anos.

- Ótimo achei alguém para apostar. – Emmett comemorou.

- Me recuso a aceitar que um filme protagonizado pelo o meu alimento de caçar favorito seja o protagonista.

Fiquei levemente boquiaberta. – Espero que você não se alimente de filhotes de leão. Isso seria maldade. – quando ele ia retrucar acrescentei para provoca-lo. – Aceite que um filme sobre leões fez mais sucesso do que sobre vampiros.

- Existem milhares de filmes, livros e sites relacionados a vampiros. Diferente desse filmezinho de quinta que você chama de clássico.

Olhei claramente ofendida em sua direção. – O Rei Leão é um clássico, que faz sucesso até os dias de hoje. Toda criança que se preze já o assistiu, diferente de Entrevista com Vampiro que mesmo com aquelas beldades muita gente o acha idiota e tedioso.

Rosnei com raiva da forma que ela se dirigia aqueles cinquentões do Tom Cruise e Brad Pitt. Eles não tinham nada demais.

Ele abriu a boca para retrucar e pareceu mudar de ideia. – O que quer dizer com “beldade”? – perguntou com raiva contida da voz.

Ops... Pensei alto. – Não mude de assunto. Assuma que O Rei Leão é um ótimo filme.

- É um filme de criança. – Céus, como encontrei alguém tão teimoso quanto eu?

- Estamos falando do filme que até hoje é a décima quarta maior bilheteria da história, é considerada a maior de um filme de animação tradicional. Em 1994 você sabe como era mais difícil o acesso aos cinemas, se ele fosse estreado nos tempos atuas tenho certeza que seria a maior bilheteria. Você fala que é infantil ou para “criança” – citei suas palavras – mas o filme foi inspirado na peça teatral Hamlet, de Shakespeare e até nas histórias de José e Moisés, da Bíblia. Fora que demorou três anos só para terminar a trilha sonora, por isso tantos prêmios que ganhou só nessa parte.

Ele me olhava perplexo pelo meu discurso longo. – Ok, pode ser um filme razoável. Talvez eu assista despois dessa sua defesa.

- E temos um vencedor. – comemorou Emmett, para meu completo constrangimento.

Definitivamente ele me irritou. – Você quer dizer que nunca o viu? Como pode julgar se você sequer o assistiu? – olhei dramaticamente para cima. – Forças ocultas do céu, dei-me paciência, porque lugar para testa-las já me deste de sobra. – olhei em direção do Edward. Caímos na risada depois de alguns segundos.

Ri com isso, nunca parei para assistir filmes infantis, afinal quando surgiram eu já tinha idade para ser avô.

Algumas perguntas eu não respondia para o completo desespero de Edward.

- Que tipo de flor você prefere? – perguntou entre algum dos intervalos de aulas.

- Boa sorte em descobrir. Até hoje apenas uma pessoa acertou. – pisquei para ele e fui para minha próxima aula.

Qual seria sua flor preferida? Esperava ter a resposta nesse diário e poder surpreendê-la.

Biologia foi uma complicação de novo. Edward e eu continuámos com o questionário até o Sr. Banner entrar na sala, trazendo o equipamento áudio visual com ele. Enquanto o professor se aproximava do interruptor de luz, eu percebi Edward aproximar a cadeira dele da minha. Assim que a sala estava escura, houve a mesma fagulha de eletricidade. Dessa vez foi ele que aproximou sua mão da minha e como se segurasse uma peça de porcelana tomou minha mão entre a sua. Desta vez a frieza de sua pele não me surpreendeu, já estava acostumada e até gostava da sua temperatura peculiar.

Sorri em sua direção quando soltávamos nossas mãos e o Sr. Banner ligou as luzes. Ele se levantou em silêncio e ficou em pé, esperando por mim. Nós andamos para a minha aula de Educação física em silêncio, como ontem. Sabia que seu silêncio significava que estava em algum dilema interno. Resolvi lhe dar tempo para pensar. Como ontem, ele tocou o meu rosto sem dizer nada, dessa vez com as costas da sua mão fria, alisando o espaço da minha têmpora até a minha mandíbula, antes de se virar e ir embora. Acho que seus pensamentos estavam relacionados com nossa proximidade.

Bella não percebia o risco que corria com nossa proximidade. Entendia meu dilema, toca-la deve ser divino ao mesmo tempo, que meu tormento, jamais estive contanto com humanos sem ser para me alimentar. Como agir ao redor dela sem machuca-la era meu objetivo principal.

A aula de Educação física passou rapidamente, enquanto Mike e eu demos um show no Badminton. Conversamos rapidamente ao fim do jogo, Mike parecia um pouco chateado comigo. Acho que ele não gostou de saber da minha proximidade com Edward.

Isso Newton. Proximidade comigo, não com você! Se soubesse que ele se afastaria, já teria feito isso antes.

Edward me esperava na saída e rapidamente fomos para minha casa conversando com uma familiaridade assustadora. Nós ficamos sentados na frente da casa de Charlie por horas, enquanto o céu escurecia e a chuva se transformava num dilúvio de repente.

Ficamos conversando por tanto tempo que nem vi as horas passando.

Horas? Estava ansioso para esse dia chegar.

- Você já acabou? – perguntei quando ele ficou calado. Minha curiosidade estava longe de ser saciada.

- Nem perto, mas o seu pai vai chegar logo em casa.

- Charlie! – colocar preocupações na cabeça do meu pai era a última coisa que queria no momento e estar dentro de um carro desconhecido sem dúvidas o faria ganhar alguns cabelos brancos. – Que horas são? – perguntei em voz alta enquanto olhava para o relógio. Eu me surpreendi com a hora, Charlie deveria estar chagando em casa agora.

- É o crepúsculo – Edward murmurou, olhando para o horizonte obscurecido pelas nuvens.

Conversamos por muito tempo mesmo. A minha ansiedade aumento. Parecia que se esse dia não chegasse logo eu iria explodir. Ouvi o suspiro frustrado de Jasper e não liguei.

Sua voz estava pensativa, como se sua mente estivesse em um lugar distante. Eu olhei pra ele enquanto ele olhava pelo para brisa sem estar enxergando nada.

Eu ainda estava olhando quando ele de repente virou seu olhar para mim.

- É a hora mais segura do dia pra nós – ele disse, respondendo uma pergunta que eu não fiz, mas que estava nos meus olhos. – A hora mais fácil. Mas, também mais difícil, de certa forma... O fim de outro dia, o retorno da noite. A escuridão é tão imprevisível, você não acha? – ele perguntou, sorrindo tristemente.

- Eu gosto da noite. É misteriosa e silenciosa. Apesar da sensação de medo por não saber o que se esconde na penumbra, o que nossos olhos não enxergam. Acho que por isso existem as estrelas, para não sentirmos medo da escuridão e sim admirar seu brilho. – depois fiz uma careta. – Não que elas apareçam muito por aqui. Talvez tenha a escuridão para valorizarmos o dia, um completa o outro.

Dia e noite. Bella e eu. Sim, completávamos um ao outro.

Ele sorriu parecendo um pouco fascinado, o humor abruptamente mais leve. Ele se inclinou na minha frente para abrir a porta pra mim, e essa proximidade repentina fez meu coração palpitar mais rápido.

Fiquei atento a essas palavras, agradavelmente surpreso do efeito que causei.

Mas a mão dele congelou na maçaneta.

- Nada bom – murmurou ele.

Realmente não é bom. É ótimo.

- Que foi? – sua mandíbula estava apertada, os olhos perturbados.

Ele olhou para mim por um breve segundo.

- Outra complicação – disse ele mal-humorado.

Mais? Já não tínhamos complicações suficientes? O que poderia ter acontecido agora?

Ele abriu a porta com um movimento rápido e depois se afastou de mim, quase encolhido.

Estranhei meu comportamento. O que mais queria era qualquer pretexto para toca-la, porque estava me esquivando agora?

O lampejo de faróis da chuva atraiu minha atenção à medida que um carro escuro encostava no meio-fio a pouca distância, de frente para nós.

- Charlie está chegando – alertou ele, encarando o outro veículo pelo aguaceiro.

- Achei que era seu sogro que tinha pegado vocês no flagra. Agora fiquei confuso. – a confusão de Emmett era partilhada por todos.

Saltei para fora rapidamente, apesar de minha confusão e curiosidade.

Tentei distinguir as formas no banco da frente do outro carro, mas estava escuro demais. Pude ver Edward iluminado pelo brilho dos faróis do outro carro; ainda olhava à frente, seu olhar preso em alguma coisa ou alguém que eu não podia ver. Sua expressão era um estranho misto de frustração e desafio.

Levantei uma sobrancelha ao final de sua frase. Desafio?

Depois ele acelerou o motor e os pneus cantaram no asfalto molhado. O Volvo ficou fora de vista em segundos.

- Ei, Bella! – gritou uma voz conhecida e rouca do lado do motorista no carro preto.

- Jacob? – perguntei, semicerrando os olhos com a chuva. Neste exato momento a radiopatrulha de Charlie virou a esquina, os faróis iluminando os ocupantes do carro diante de mim.

Explicado. Aquele moleque que deu encima de Bella e o pior contou o meu segredo quebrando o tratado. Incrível como minha raiva por ele ter quebrado ao tratado era ínfima perto do que me causava só por ele ficar perto dela.

Jacob já estava saindo, o sorriso largo visível apesar da escuridão. No banco do carona havia um homem muito mais velho, um sujeito atarracado com um rosto memorável – um rosto que transbordava, as bochechas descansando nos ombros, com rugas que percorriam a pele curtida como uma velha jaqueta de couro. E os olhos surpreendentemente familiares, olhos pretos que pareciam ao mesmo tempo jovens demais e antigos demais para a cara larga em que se acomodavam. O pai de Jacob, Billy Black. Eu o reconheci de imediato, embora, no mais de cinco anos em que não o via, tivesse esquecido seu nome quando Charlie falou dele em meu primeiro dia aqui. Ele me encarava, analisando meu rosto, então eu sorri. Seus olhos estavam arregalados, de choque ou medo, as narinas estavam infladas. Meu sorriso esmaeceu. O que aconteceu?

- Ele não poderia ter sentido meu cheiro, poderia? – perguntei quase em pânico para Carlisle, como medo de que ele poderia de algum jeito conseguir me afastar da Bella.

- Talvez, os genes de lobo morreram com o pai de Billy, mas talvez ele tenha transmitido algo ao seu descendente.

Gemi frustrado. Quando as coisas estavam se encaminhando bem aparecia alguém para estragar.

- Não a motivo para tanto drama, Edward. Afinal o que ele poderia fazer? – indagou Emmett confuso com meu desespero.

- Ele só é o melhor amigo do pai da garota que amo. O que ele poderia fazer ao saber que a filha do seu melhor amigo esta andando com um vampiro? Não sei, que tal tentar abrir os olhos do Charlie para me manter afastado? – falei com raiva.

Emmett ponderou por alguns segundos. – Tem razão. Acho que você deve se preocupar. – coloquei as duas mãos na cabeça frustrado.

Outra complicação, dissera Edward.

Billy ainda me fitava com olhos intensos e angustiados. Eu gemi por dentro. Será que Billy reconheceu Edward tão facilmente? Ele realmente poderia acreditar nas lendas impossíveis que o filho ridicularizava?

A resposta estava clara nos olhos de Billy. Sim. Sim, ele acreditava.

Notas finais
Olá leitora, então o que acharam? Por favor, comentem e se gostarem da história deixem sua recomendação, fico muito feliz quando recebo. =)
Como estão vendo, muito foco para o casal principal.
Comentários sobre o próximo capítulo: Bella perceberá o que sente pelo Edward.
Edward acompanhará Bella em seu trabalho a levando para Seattle. Algumas emoções a caminho.
Até o próximo capítulo.
Beijos