Uma Realidade Mágica!
28 Compromisso do dia
Notas iniciais
Remy fez uma promessa à Regina, será que ela irá cumprir? E como reagirá a nossa Rainha?
Boa leitura!
Corri de volta ao meu quarto e tratei de me arrumar. Não sabia exatamente o que vestir, mas tentei me inspirar pelo que as duas usavam, com um pequeno problema, eu não tinha nada do tipo. Por trás dos inúmeros terninhos e casacos, encontrei uma jaqueta de couro preta que cairia bem. Achei que também seria a ocasião para usar um chapéu, nada country, mas que talvez fosse minha única chance de usá-lo. Eu nem lembrava mais de onde eu o tinha tirado. Henry apareceu pela porta quinze minutos depois, quando eu, enfim, calçava os sapatos. Ele me olhou e abriu um imenso sorriso.— Mãe, está tão linda! Até que enfim está usando o chapéu que te dei. Ah tá, então foi dali que aquele chapéu surgiu, um presente de Henry, provavelmente de quando estava no auge de seus sete anos, tinha que ser. Ri sozinha.— Vamos, anda, elas estão esperando! Descemos. Tanto Treze como, principalmente, Emma, arregalaram os olhos pelo meu visual. Sorri de canto, um pouco sem jeito diante delas.— Finalmente. Achei que não viessem mais.— Minha mãe estava dormindo. – Ele fez uma caretinha engraçada, tirando sarro de mim.— Esqueceu do compromisso, Regina? – A loira caçoou.— Eu só, não achei que seria um compromisso.— Precisa acreditar mais nas pessoas, Majestade. – Ela riu, Emma conseguia me irritar sempre que me chamava de Majestade, eu sabia que era o momento que ela tinha para debochar sutilmente.— Talvez, xerife, talvez.— Está muito bonita. – Treze me deu um sorriso gentil.— Sim, está. Bem diferente. Fica bem como uma pessoa normal. Pra variar. – Emma riu novamente, mas senti que estava sendo sincera por trás do ar debochado.— Obrigada. – Eu notei os olhos brilhantes de Henry nos olhando.— Agora vamos logo, parece que pegaremos chuva no caminho. – A loira nos apressou.— Vamos no meu carro. – Emma torceu o nariz, mas concordou assim que Treze havia dito que não havia problemas. – Então andem, todos a bordo. Cameron’s POV: Pegamos chuva no caminho exatamente como eu havia previsto. Regina e eu estávamos lado a lado nos bancos da frente, enquanto Remy e Henry iam conversando e brincando no banco de trás. Após uma hora de estrada, chegamos à cidade vizinha onde acontecia a feira. O sol já começava a brilhar forte, prometia ser um dia lindo. Desde a entrada da cidade, víamos cartazes espalhados por inúmeras ruas apontando a feira agropecuária de exposição e leilão de animais. O evento acontecia numa espécie de fazenda, era um enorme espaço aberto, dividido entre setores, com barracas armadas exibindo os mais variados tipos de coisas a venda. Regina deixou o carro no estacionamento e fomos entrando a pé na feira. O lugar ia lotando conforme as horas passavam. Henry segurava a minha mão e a de Regina, do meu outro lado vinha Remy, com o braço sobre meu ombro. Tenho que admitir, eu estava adorando aquele momento, meu filho de um lado, Treze aconchegada a mim, me abraçando, do outro. Só Regina não fazia parte da minha cena perfeita, mas ela também não estragava, de fato, o momento. Agora era oficial, eu estava começando a me acostumar com a presença de Regina e, pelo modo como ela agia, parecia também estar disposta a me tolerar. Henry vez ou outra nos puxava para uma barraca ou para algum cara que vendia brinquedos, balões e coisas do tipo. Pouco a pouco, com as coisas que íamos comprando para ele, o menino estava com os braços cheios de cacarecos em diversas sacolas. Remy nos direcionou para a ala onde ficavam as baias dos cavalos, o lado oposto ao qual estávamos indo, já que nenhuma de nós tinha muito interesse em ver vacas e bois. Assim que chegamos lá, Henry tornou a soltar nossas mãos e correu diante da primeira baia.— Olha mãe! – Ele chamava a nós duas e dessa vez não ligamos de ambas atenderem ao chamado dele ao mesmo tempo, isso já havia se tornado uma rotina.— Lindo ele, Henry. – Sorri, me aproximando da baia.— É ela. Diz aqui que o nome dela é Red. Tanto Remy como Regina riram e não entendi o motivo. Demorei alguns segundos pra ligar a égua de pelo castanho avermelhados com a moça atrás do balcão do Granny’s e acabei rindo também, dando um tapinha no braço de Treze, que deu de ombros.
— Filho, deixo você escolher o meu cavalo, certo? Escolha qualquer um, o que quiser. – Regina pediu. Acho que nunca havia visto os olhos de Henry tão brilhantes com uma notícia. Ele rapidamente tomou Remy dos meus braços, puxando-a pela manga da jaqueta, em direção às demais baias. Enquanto os dois iam na frente, Regina e eu íamos a passos mais lentos atrás.— Hoje está sendo um dia muito especial para o garoto.— Sim. Obrigada pelo convite. – Ela me agradeceu e senti que, apesar de tudo, Regina estava sendo sincera.— Eu agradeço por estar colaborando. A morena deu de ombros, como se aquilo não fosse mais uma tortura para ela. Pela primeira vez, uma conversa nossa a sós não terminou em uma briga feia. Fomos interrompidas pelo grito empolgado de Henry nos chamando.— Aqui! Mãe! Venham ver. – Ele apontava para a baia atrás de si e eu podia ver Remy debruçada sobre o baixo portão com os braços para o lado de dentro. Assim que nos aproximamos, vi que a castanha estava com as mãos no focinho do animal, lhe dando carinho. O garoto apontou para o belo cavalo ali dentro com um enorme sorriso no rosto. Ele se pendurou no portãozinho em que Treze estava debruçada e a moça o segurou pela cintura, evitando uma possível queda. Eu juro, se já não amasse tanto essa mulher, teria me apaixonado perdidamente no momento em que a vi protegendo-o.— Ele é perfeito. É o melhor cavalo daqui! – O garoto disse empolgado. – Diz aqui que será o último animal do leilão. O nome dele é Rocinante. O menino sorriu, mas o que ele disse pareceu pegar Regina de surpresa. A morena tinha os olhos brilhantes por lágrimas que juntavam por ali, aproximou-se da baia com relutância e então abriu um belo sorriso emocionado, como se reencontrasse algo a muito perdido. Não entendi nada exatamente. Porém, quando vi Remy com o mesmo olhar bobo que Regina, fiquei incomodada. A morena havia se aproximado dos dois, estava ombro a ombro com a castanha e também tocava o focinho do animal, assim como Henry fazia agora. O sorriso dos três eram fáceis, sinceros e despreocupados. É claro que morri de ciúmes. As mãos de Remy e Regina se encontravam no corpo do garoto, ambas segurando-o pelas vestes para evitar que ele caísse cada vez que jogava seu corpo ainda mais para dentro ao querer mais contato com o animal.— Como é possível? – Regina sorriu e afagou a face do animal.— Destino, Majestade. Talvez mereça ser feliz, afinal. – Ela deu um largo sorriso. Não gostei do que vi com a resposta de Remy. Regina soltou a mão que agarrava a blusa de Henry e se jogou em um abraço caloroso com Treze. Não sou de ferro, é claro que meu sangue subiu na hora. A castanha estava tão surpresa quanto eu com o contato, mas não o negou em um só momento, pelo contrário, correspondeu, até a morena soltá-la de fato. Anunciaram as apresentações e os horários que começariam, Henry deu um pulo de onde estava pendurado, sem parecer notar o que havia acontecido às suas costas, ou mesma minha cara fechada para as duas mulheres diante de mim.— Tem uma apresentação em meia hora. Vamooos, eu quero ver os cavalos que dançam. – Ele nos apressava. – Estou com fome. Vamos comprar um lanche e ir pegar bons lugares, acho que lá vai ficar bem cheio. Regina foi com Henry comprar as guloseimas que o garoto queria para comer enquanto Remy e eu ficamos encarregadas de encontrar e guardar os lugares bem na frente como ele queria. A castanha notou que eu estava com uma cara de poucos amigos e não correspondia seus abraços e beijos como antes.— O que está acontecendo? – Treze me olhou com uma carinha confusa.— Eu que deveria perguntar. O que foi aquilo?— Está falando de Regina, não é? – Ela logo percebeu.— É óbvio! – Eu bufei enquanto nos sentávamos em um lugar vago na primeira fila e Treze deixou todas as sacolas de Henry ao nosso lado guardando os lugares.— Eu te contei o meu encontro com Regina no estábulo. Ela me contou algumas coisas do seu passado, antes de ser a Rainha Má que todos a declaram. Ela me disse que seu corcel mais amado tinha justamente o nome do animal que Henry coincidentemente escolheu hoje para ela. Por isso ela se emocionou e eu acabei ficando tocada também. Fiquei calada, talvez tivesse sido injusta, dominada pelo ciúme e por algum resquício de rivalidade com Regina. Remy me puxou para si e lhe dei um selinho de desculpas. Regina e Henry chegaram em seguida, sentando-se ao nosso lado. O garoto, como sempre, acomodou-se entre Regina e eu. As apresentações foram lindas, muito divertidas e interessantes, deixando o garoto completamente empolgado. Ao término, foi anunciado que o leilão de animais começaria, indicando o local dos equinos e bovinos. Enquanto ocorria o leilão, houve uma espécie de palestra, logo ao lado, falando sobre a recuperação de jovens cavalos de corrida que haviam se machucado e descartados da competição. Eles permitiam que as pessoas montassem os animais para um breve passeio e poderiam adotá-los se assim desejassem. Remy foi até lá, levando o menino com ela, pois lances sobre animais não o estavam entretendo de verdade. Fiquei novamente sozinha com Regina ali, ela também estava impaciente, seu cavalo seria o último a ser leiloado, pois diziam ser o melhor animal dali. Depois de quase uma hora sentadas sem nos darmos ao trabalho de fingir interesse, o famoso cavalo foi trazido para ser exibido. A morena tinha uma tática, ali eu notei o poder de manipulação de Regina de verdade. Ela deu o lance inicial no cavalo, mostrando seu interesse por ele. Cada um que dava um lance maior, era encarado com tamanha fúria que se retraía de modo a não dar mais nenhum lance e ela cobria o valor da pessoa anterior. Depois de uns cinco lances, ninguém mais se arriscava a contrariá-la e ela levou o cavalo até por um preço bem abaixo que o pretendido pelos organizadores.— Uau, Regina. Esses caras tiveram sorte de não haver magia aqui ou eles teriam sido fulminados. (Regina) – Obrigada, Emma! – Ela soltou uma gargalhada, demonstrando que realmente seria isso que iria acontecer se ali fosse um lugar mágico. Henry chegou empolgado, pulando sobre nós duas nas cadeiras e quase derrubando ambas.— Mãe, Remy adotou uma égua que era de corrida. Ela quebrou a perna e o dono queria sacrificá-la, mas aí aquele pessoal a adotou e cuidou dela, curando-a. Foi tão legal. Adivinha o nome da égua. – Ele não nos deu tempo para chutar. – Ela se chama Sunshine. É igualzinha ao Rocinante. – Só então o menino se deu conta do fim do leilão. – Mãe, você conseguiu comprá-lo né?— É claro, você o escolheu, ele tinha que ser meu. – Regina riu.— Sua mãe tinha uma vontade... assustadora. – Pisquei para Regina e acabamos ambas caindo no riso enquanto os dois nos olhavam sem entender. Algumas semanas atrás o clima entre nós seria tenso e quando eles voltassem, se arriscassem nos deixar sozinhas, poderiam nos encontrar uma no pescoço da outra. Aquilo era um avanço. Um grande avanço.— Ok, gente. Hora de irmos embora. Alguém aqui tem noção da hora? Pegaremos uma hora de estrada ainda, chegaremos em StoryBrooke à noite se sairmos agora. E com aquelas palavras de Remy todos nos dirigimos ao carro para voltarmos para casa.
Notas finais
Espero que tenham gostado de mais esse capítulo. Comentários são sempre bem-vindos. Obrigada a todos que estão acompanhando. Sem vocês essa fic não existiria. Beijão!
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