Uma Questão De Sorte E Destino
4 Mantenha a calma
Notas iniciais
Pov Koba On
Hoje era dia de pizza party. A banda estava aqui no estúdio há algum tempo esperando dar o horário das fãs chegarem. Nós estávamos no maior tédio, já tínhamos andado em todo o estúdio e trocado de sala várias vezes. O Pedro Lucas tinha saído, o Thomas e o Pedrinho estavam jogando videogame e eu estava sentado em uma poltrona dedilhando um violão.
- O Pedro Lucas foi até o café e não voltou até agora? – Eu disse.
- Nem sinal dele. – O Pedrinho respondeu.
- Ah véi, eu to com fome. – Disse o Thomas.
- Quando é que você não tá com fome? – Eu respondi.
- E quando é que você não tá de mal humor? – Ele retrucou.
- Eu vou ver se acho o Pedro por aí. – Achei melhor não responder, eu andava muito estúpido ultimamente, meio sem paciência, sabe? E por causa disso eu vivia dando patada em todo mundo, mesmo eles não tendo culpa.
Saí daquela sala e fiquei andando por ali meio sem rumo. Hoje era o último dia de pizza party e eu me esforçava ao máximo para parecer estar interessado em qualquer coisa que tivesse ligação com a banda. Nesses últimos dias eu não tenho estado no meu estado normal. Tinha alguma coisa diferente, e no fundo eu sabia o motivo de tudo aquilo. Era ela, aquela fã. Eu não consegui esquecer.
Eu tenho certeza que tem alguma coisa errada comigo. Como pode? Se eu fosse parar pra pensar, eu quase nem vi aquela garota direito, ela estava tão longe. E tinha tanta gente naquele lugar, por que justo ela? Eu sei que eu sou romântico, mas a hipótese de amor à primeira vista naquela situação parece loucura. Eu preciso esquecer. Só que agora a única coisa que eu posso fazer é esperar o tempo passar. Quem sabe me dedicando mais a banda ou fazendo qualquer coisa para me distrair, eu esqueça um pouquinho a cada dia e assim tudo pode voltar a ser como era antes daquele show.
Estava andando pelo estúdio e no caminho entrei em um corredor, mas acabei dando um encontrão em alguém e caí.
- Koba, você tá legal cara? – Era o Pedro Lucas.
- Nossa de onde você veio que eu nem vi? – Respondi ainda meio tonto, enquanto eu levantava.
- Eu tava aqui no corredor, aí eu te vi, mas você tava em outro planeta e continuou andando até dar de cara comigo, nem deu tempo de eu desviar.
- Tava pensando em umas coisas aí. Mas por que você demorou tanto?
- Ih, é uma longa história, depois eu explico. Cadê o Pe e Thomas?
- Estão lá na outra sala jogando videogame.
- Estava procurando vocês, cheguei lá no camarim e não tinha ninguém lá. Eu vou lá buscar aqueles dois porque daqui a pouco as fãs estão chegando aí.
- Eu vou com você então.
- Não! É... vai indo pra lá que eu já vou. E não sai de lá Koba, eu já cansei, e não vou ficar procurando mais ninguém.
- Tá bom Pedro, mas você tá estranho, hein? E depois vai me explicar direito essa história de ter demorado tanto pra voltar.
- Eu explico depois. Vai logo, Koba. Eu já volto. – Ele deu as costas pra mim e saiu apressado.
Continuei andando naquele corredor até chegar na sala que era usada como um camarim. Entrei na sala, mas já tinha alguém lá. Eu quase não acreditei. Era ela mesmo, ou aquilo era uma prova de que realmente tinha ficado louco? Fiquei ali parado, olhando para ela por uns instantes.
- Oi. – Ela falou. Se ela falou era verdade, era ela. Era aquela fã que eu não conseguia parar de pensar.
Koba Pov Off
Camille Pov On
Já fazia uns dez minutos que o Pe Lu tinha me deixado ali. E a cada minuto que passava eu ficava mais ansiosa. No intuito de me acalmar eu já tinha praticamente decorado tudo o que havia naquela sala e também tinha começado a contar os quadradinhos que recobriam o piso. Minha conta já estava na metade da sala quando escutei um barulho vindo da porta que estava se abrindo. Meu coração começou a bater de uma maneira descontrolada quando a porta se abriu inteiramente e a imagem dele apareceu na minha frente. Finalmente eu o vi, era o Lucas.
Eu não conseguia acreditar que era mesmo ele. Eu não podia descrever o que eu estava sentindo, só sei que o sentimento que mais se sobressaía no meio de toda aquela confusão, era felicidade. Naquele momento eu soube que tudo o que eu já havia passado tinha valido a pena apenas para ter tido a chance de agora estar ali olhando para ele. Eu estava me controlando para não ter uma crise de choro ou então correr até ele, o abraçar e nunca mais soltá-lo. Mas ele não disse nada, apenas ficou parado naquela porta me olhando. Vai Camille, fala você alguma coisa! Ele deve estar pensando que você é uma fã maluca que conseguiu invadir o estúdio e só veio fazer escândalo.
- Oi. – Nossa que ideia brilhante! Tudo o que você conseguiu dizer foi um oi? É, foi isso.
E mesmo assim nem sei como eu consegui falar, acho que eu não estou conseguindo pensar direito. Mas se eu estava me sentindo estranha, também havia algo errado com o Lucas porque ele continuava ali parado do mesmo jeito.
- Lucas? Lucas? LUCAS? – Agora sim ele finalmente tinha saído daquele estado de hipnose e tinha entrado na sala ainda olhando para mim. Acho até que eu estava ficando vermelha por causa disso.
- Ah...Oi. – Enfim ele tinha falado.
Mas aquela voz... acho que agora quem não vai mais conseguir falar sou eu. Acho até que eu me esqueci de como fazer para falar alguma coisa. E agora foi a minha vez de ficar parada no meio daquela sala assistindo ele passar por mim e se sentar no sofá do lado oposto de onde eu estava.
- E então, como você se chama? – Ele perguntou.
- Ca-camille. – Que idiota. Eu tinha mesmo que ter gaguejado?
- Camille... e você está aqui porque...
Eu precisava me acalmar. Eu tinha esperado tanto por aquele momento e agora eu não conseguia nem falar. Era só pensar que eu estava falando com qualquer outra pessoa, menos com ele. É, se eu conseguir fazer isso as coisas vão dar certo. Andei até um outro sofá que estava na frente dele e me sentei lá.
- Eu fui sorteada para a pizza party, mas no caminho eu acabei me perdendo. Aí eu parei em um café para pedir informação, por acaso encontrei o Pe Lu e ele acabou me ajudando, me trazendo até aqui.
Quando acabei de falar fiquei aliviada por estar mais tranquila e pude reparar na reação que ele teve. Era como se ele finalmente tivesse entendido algo que eu não sabia o que era.
Fale com o autor