Uma Questão De Sorte E Destino
6 Esclarecendo as coisas
Notas iniciais
Camille Pov On
- O seu choose é o Koba.
Eu não falei nada, apenas sorri. Não tinha como eu negar.
- Tá vendo só? Eu disse que eu ia acertar. – Pedro Lucas disse todo presunçoso.
- Pe me faz um favor? Não fala nada pro Lucas, pelo menos até eu ir embora?
- Por que?
- Por que eu ia ficar com vergonha e não ia nem conseguir me despedir direito dele.
- Sério mesmo? Nem parecia que você estava nervosa perto dele.
- Acredita em mim, por fora eu parecia estar calma, já por dentro... É porque você não viu a minha reação quando ele entrou naquela sala. Nem o meu nome eu consegui falar direito, eu até gaguejei.
- Você gosta mesmo dele né?
- Gosto muito, mas é complicado.
- Complicado? Como assim? – Ele pareceu estar interessado na resposta, eu só não sabia como explicar direito.
- É complicado porque primeiro eu comecei a gostar do Koba, o guitarrista da Restart. Só que o tempo foi passando, eu conheci melhor a banda e então eu passei a gostar do Lucas Henrique, aquela pessoa que existe fora dos palcos. Mas mesmo assim eu tenho que viver no mundo real, onde eu sei que ele é famoso e tem muitas fãs que também dizem gostar muito dele, só que...
- Só que... Continua, vai? Agora eu quero entender. – Ele insistiu.
- Só que chega uma hora em que você não pode fazer mais nada para impedir o que está acontecendo. Você sabe que o que você sente já passou de um simples sentimento de fã há muito tempo, e você também sabe que encontrar com ele, assim como eu consegui, é um verdadeiro milagre. Pois tudo o que você mais quer é que ele pelo menos saiba que você existe. – Nossa, nem acredito que eu disse tudo isso pro Pe Lu.
Por que eu acabei falando? Ele ficou meio sem reação, acho que eu assustei ele. Um minuto depois ele sorriu para mim e depois olhou para algum lugar do outro lado da sala, automaticamente eu olhei na mesma direção e vi que o Lucas olhava para a gente.
- Sabe Camille, ele ia gostar de ouvir isso.
- Garanto que ele já deve ter ouvido algo parecido, e não deve ter sido uma vez só. – Respondi a ele.
- Pode até ser, mas ninguém deve ter falado de um jeito tão sincero como você me disse. E com você é diferente...
- Não entendi, diferente? – Aquele jeito esquisito deles falarem como se estivessem escondendo alguma coisa já estava me deixando impaciente.
- Te contar isso já não é da minha conta, se você quiser saber é melhor perguntar direto pro Koba, mas acredita em mim, ele ia gostar de saber o que você sente.
- Não sei não, Pe.
- Então pelo menos vai lá falar com ele. Ele não para de olhar para nós.
Me virei mais uma vez e vi que ele ainda continuava olhando para nós, como se estivesse tentando adivinhar o que estávamos conversando.
- Vai sim. Daqui a pouco você vai ter que ir embora, não perde a chance de falar com ele. – Pe Lu disse como se conseguisse enxergar o conflito interno que eu estava passando por conta da minha indecisão e dos meus medos.
- Eu vou. Pe... obrigada por me ajudar hoje, e por me escutar também.
- Não foi nada, eu disse que com você é diferente. Eu não faria o que eu fiz para qualquer pessoa. – Ele me deu um abraço e foi conversar com as garotas que antes estavam falando com o Lucas.
Eu sabia que eu não tinha nada a perder indo conversar com o Lucas, mas só de pensar nisso o meu coração já disparava. Por outro lado eu estava pensando no que o Pe Lu disse. Como assim só o Koba poderia me contar alguma coisa? E que coisa era essa? A minha curiosidade me venceu. Resolvi ir falar com ele mas no momento em que eu me virei acabei dando de cara com alguém.
- Foi mal, Camille. Você tá legal?
- Tá tudo bem, Thomas.
- Aonde você tava indo com toda essa pressa? – Ele me perguntou.
- Eu tava indo falar com o Lucas, ele estava ali há um minuto, mas agora não está mais. – Eu nem tinha visto que ele não estava mais lá, que estranho. – Você sabe aonde ele foi, Tho?
- Sabe aquela sala que vocês deixaram as bolsas?
- Sei.
- Então, ele foi pra lá.
- Eu vou lá pra falar com ele.
- Você quer que eu vá com você? Sei lá... você lembra onde fica?
- Não precisa não, Tho. Eu lembro onde é.
- Hum, então tá.
Eu deixei o Thomas lá e segui em direção a sala para encontrar o Lucas. Cheguei lá sem dificuldade. Abri a porta e o encontrei.
- Nossa, que susto! Ah, Camille, é você.
- Desculpa ter te assustado. – Eu fiquei meio sem jeito.
- Tá tudo bem. E então... gostou de hoje? – Ele me perguntou.
- É claro que eu gostei. Fazia tanto tempo que eu queria conhecer você... é... vocês, a banda. – Ai Camille, presta atenção no que você está falando, eu sei que ele te distrai mas tenta pelo menos parecer normal. Acho que ele achou engraçado eu ter me atrapalhado, porque ele estava sorrindo.
- Lucas, posso te perguntar uma coisa?
- Eu acho que eu já sei o que é, mas pode perguntar.
- Eu percebi que os meninos ficaram estranhos quando me viram e vocês ficavam falando que ter me encontrado era uma coincidência, depois eu perguntei o por que pro Pe Lu, mas ele disse que quem tinha que me contar o que estava acontecendo era você. Me explica o que está acontecendo, Lucas?
Ele deu alguns passos para frente, se aproximando de mim. Estendeu sua mão e colocou uma mecha do meu cabelo que havia caído em meu rosto atrás da minha orelha. Eu fiquei completamente paralisada com ele ali tão perto de mim, meu coração batia tão rápido que eu fiquei com medo de que ele pudesse escutá-lo.
- É que eu nunca pensei que eu iria te ver outra vez. – Eu olhei para ele confusa.
- Eu já tinha te visto uma vez. Naquele último Happy Rock Sunday. Eu vi você naquele show, e no meio de tanta gente eu só consegui reparar em você. Eu ainda não entendi como isso aconteceu. Eu ficava olhando você lá em cima, na frisa. Você cantava, gritava, e tirava fotos. E eu fiquei te observando o show inteiro. Em um dos intervalos das músicas eu comentei sobre você com o Pedro Lucas, foi por isso que quando vocês se encontraram no café ele te reconheceu. É por isso que tudo é coincidência de mais. Eu te vejo em um show, você é sorteada para a Pizza Party, no caminho daqui você se perde, entra em um café e encontra o Pe Lu. É demais para qualquer pessoa acreditar em um coisa assim.
Eu não acredito. Era verdade mesmo, naquele dia do show ele estava olhando para mim. Aquela foto, eu não estava imaginando coisas. Por que tudo isso está acontecendo? Eu acho que eu não estou me sentindo bem. A sala em minha volta, parecia estar girando, e eu não conseguia ver o Lucas direito, ele parecia um borrão. Eu senti que estava me desequilibrando, mas senti que alguém havia me segurado para que eu não caísse.
- Camille! O que aconteceu? – Eu não conseguia responder, apenas ouvir. Eu só sabia que era a voz do Lucas.
Senti que ele foi me levando até um sofá, onde eu me sentei, abaixei a cabeça e aos poucos as coisas voltaram ao lugar. Ao levantar a cabeça outra vez vi a imagem de um Lucas com uma expressão preocupada em seu rosto.
- Eu to bem, foi só uma tontura. – Disse tentando tranquilizá-lo. Ele me olhou de uma maneira que parecia que ele não estava acreditando.
- Eu vou buscar um copo de água pra você, eu já volto. – Ele disse e saiu da sala. No momento em que o Lucas saiu o Pe Lanza chegou na sala.
- Você tá bem? – Ele perguntou.
- Tá tudo bem, Pedro. Eu só tive uma tontura.
- Você veio pra cá dirigindo e vai voltar pra casa assim? – Lucas disse. Ele tinha voltado para a sala e me entregou um copo com água.
- Vou. É sério eu estou bem, eu não sairia por aí dirigindo se eu não tivesse certeza de que está tudo bem, acreditem em mim.
Os dois olharam para mim e depois olharam um para o outro como se quisessem confirmar se eles concordavam com o que eu dizia.
- Por falar em dirigir, já passou da minha hora de ir embora. Tchau, Pedro. – Dei um abraço nele e quando eu ia me despedir do Lucas ele disse que me acompanharia até o estacionamento do estúdio.
Andamos devagar até onde estava o meu carro, eu desejava que o caminho fosse bem mais longo só para ter a oportunidade de ficar mais tempo com o Lucas. Só que o caminho era curto, então chegamos rápido até lá.
- Promete uma coisa? Vai dirigindo devagar e com cuidado. – Ele pediu.
- Tudo bem eu prometo tomar cuidado. Eu tenho que ir, tchau Lucas. – A verdade é que se fosse por mim eu não sairia dali nunca mais.
Ele me deu um abraço demorado, e depois me surpreendeu me dando um beijo na testa. Eu só conseguia sorrir. Olhei para ele uma última vez e entrei no carro.
Não demorei muito para chegar em casa. Já era tarde, naquele horário já não havia mais trânsito. Entrei no apartamento, tomei uma ducha e quando estava pronta para dormir vi o meu celular piscar em cima da mesa. Não acreditei no que eu estava vendo, tive que ler a mensagem várias vezes para acreditar que era mesmo verdade.
Só queria saber se estava tudo bem e se você já tinha chegado em casa. Boa noite pra você.
Lucas
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