Uma Prova de Amor
1 Chaper One - Love Story
Notas iniciais
20 DE NOVEMBRO DE 2012 – CASAMENTO DA ABBY E DANNY
ABBY NARRANDO
Amor
Uma palavra pequena, que carrega um significado sentimental tão imenso que chega ser sufocante. Talvez para cada pessoa o significado dessa palavra seja diferente.
O dicionário diz que amor significa “afeição viva por alguém ou por alguma coisa. ”, ele não deixa de estar certo, só que para mim, o amor é muito mais que apenas afeição.
Pode parecer piegas, mas antes de conhece o Dan minha vida era um completo vazio. Passei minha adolescência toda a procura da perfeição e então o Danny apareceu e me mostrou que o que me fazia ser perfeita eram as minhas imperfeições.
Lembro-me quando disse que amava ele pela primeira vez. Foi uma decisão fácil e difícil. Fácil pois eu tive tempo suficiente para descobrir que o meu sentimento por ele era realmente amor e difícil por que, por causa da minha insegurança, achava que ele entraria em pânico e fugiria de mim assim que disse “Danny eu te amo. ”.
Tantas coisas passaram na minha cabeça naquele momento que quase não tive coragem de pronunciar as tais três palavras. Nunca fui do tipo que diz “eu te amo” para várias pessoas, muito pelo contrário, para mim era extremamente, como posso dizer... assustador. Acho que sou daquela época que confessar o amor era uma grande revelação.
Hoje estou aqui com meu vestido de noiva, pronta para me tornar oficialmente casada, e lembrando daquele dia.
Faltava apenas uma semana para o nosso aniversário de 2 anos de namoro. Danny tinha planejado uma viagem para comemorarmos essa data e em dois dias iriamos embarcar para o Hawaii.
Desde que nos conhecemos eu falava para ele que o meu sonho era conhecer o estado mais isolado dos Estados Unidos. Queria visitar aquelas praias paradisíacas e até, quem sabe, me arriscar a dançar hula-hula. Ele se divertia só de imaginar eu balançando o quadril de um lado para o outro e fazendo movimento de ondinha com as mãos.
Já havia preparado tudo para o grande dia da viagem, só faltava terminar de guardar algumas coisas na minha mala e levar o Bob, que é o meu cachorro, para a casa dos meus pais. Iria ser a primeira vez que íamos nos separar por tanto tempo desde quando o adotei, e isso estava partindo o meu coração. Mas, infelizmente, eu não poderia leva-lo comigo.
Espantei a tristeza para longe, procurei a minha nécessaire dentro do meu guarda-roupa e fui para o banheiro pegar meus produtos de higiene bucal, desodorante e minha chapinha. Como ainda ia utilizar o último item e não possuía nenhuma outra reserva, deixei-a em cima da pia e voltei para o quarto para separar algumas maquiagens para levar.
Por volta das 7 horas da noite, a campainha do meu apartamento toca e Bob, que estava dormindo em cima da cama ao lado da minha mala, acorda e começa a latir indo em direção a porta.
− Já vai! – grito do quarto, fecho minha mala e vou em direção a porta de entrada. – Quieto, Bob. – ralho com ele enquanto me aproximo para observar quem é através do olho mágico.
Parado do lado de fora está Danny, segurando dois sacos do meu restaurante tailandês favorito na altura da cabeça para que eu pudesse ver e com um sorriso de canto a canto no rosto.
− Trouxe o jantar. – disse ele assim que abri a porta. Ele me deu um beijo rápido e continuou – Espero que esteja com fome.
− E quando é que não estou? – sorri e sai do caminho para que ele entrasse, fechando a porta logo em seguida.
− É verdade. – ele riu – O que aconteceu com seu cabelo? Esqueceu de passar a chapinha ou levou um choque elétrico?
Olhei para ele chocada com o que acabara de ouvir. Ele riu, meu deu um selinho e foi em direção a cozinha. – Estou brincando Abby, você está linda como sempre.
Ao ouvi isso sorri e fui atrás dele.
− Pena que não posso dizer o mesmo de você. – mostrei a língua para ele.
− Ok, essa brincadeira já perdeu a graça. – falou tentando soar sério.
Abracei-o por trás enquanto ele tirava as caixas de comida das sacolas e beijei a parte posterior do seu pescoço.
− Ansioso para a viagem? – perguntei.
− Não. Eu estou ansioso mesmo é para ver você dançando hula-hula.
− Seu bobo. O que você trouxe aí?
− Macarrão tailandês, espetinho de camarão e bananas fritas.
− Uhmmm banana frita...
Peguei os copos, pratos e talheres, Danny pegou o refrigerante na geladeira e as caixas com a comida, e fomos para a sala.
Nos sentamos no sofá e comemos enquanto assistíamos a um programa qualquer na televisão. Antes de namorar o Danny, eu costumava me sentir muito desconfortável ao ficar sentada ao lado de um cara sem dizer uma palavra, mesmo com a TV ligada. Talvez seja por que todos meus antigos namorados não conseguiam assistir a um filme comigo sem ficarem focados nas minhas pernas e nos meus seios ou por que eu me sentia mal por não ter o que falar com eles. O fato é que com Danny isso nunca aconteceu, nem no início da nossa relação. O silêncio sempre foi confortável entre nós.
− Esqueci de te contar. – ele falou de repente – A Ashley descobriu que está grávida.
− Nossa que máximo Danny. Ela deve estar radiante. – Ashley é a esposa do irmão mais velho dele, Bryan, ela vem tentando engravidar durante 5 anos. – Depois vou ligar para parabeniza-la.
− Estão todos muito alegres com a notícia. Minha mãe parece até que ganhou na loteria. Vai ser o primeiro neto dela.
− Imagino como ela deve estar, toda mãe sonha em ganhar um neto. Minha mãe faz questão de me lembrar disso sempre. – percebo o que acabo de fazer e tento imediatamente consertar – Quer dizer, ela fala que quer um neto, mas não para agora agora.
− É uma pena então, por que eu já ia começar a tirar a roupa.
Coloquei meu prato em cima da mesinha de centro e fiz o mesmo com o prato do Danny, fiquei de joelhos no sofá, passei a perna por cima das pernas dele e sentei em seu colo colocando meus braços em volta do seu pescoço.
− Talvez a gente possa ir treinando. – sorri.
− Acho que essa é a melhor ideia que você já teve na sua vida. – e então ele me beijou.
Seu beijo era como o pôr do sol em um dia de primavera. O contato das suas mãos pelo meu corpo deslizava como se fosse veludo.
Quando estamos juntos é como se o universo parasse de rodar e só existisse nós dois no mundo.
Seu toque cada vez mais firme e todo o meu ser implorava por mais e mais. Eu estava em um maravilhoso estado de êxtase. Seus lábios deixaram os meus e foram em direção ao meu pescoço onde começou a deixar uma trilha de beijos em toda sua extensão.
Tudo estava indo muito bem, até que o som agudo do latido do Bob rasgou o silêncio da noite e me arrancou a força do meu estado de espírito. Eu estava tão entregue a tudo aquilo, que se o Danny não estivesse me segurando eu teria caído para trás.
Pode parecer bobeira, mas me senti como se tivesse sido pega no flagra pelos meus pais e rapidamente tentei me recompor.
− Bob! Volta agora para o quarto. – Ordenei.
− Deixa ele – disse Danny – é só um cachorro. – e me puxou novamente para me beijar.
Tentei recuperar o momento anterior, mas o peso dos olhos do meu cachorro sobre o que estávamos fazendo não me permitiu.
− Eu não consigo. – falei e sai de cima do colo do Danny.
− Ah qual foi Abby, é só um cachorro. Ele não entende o que está acontecendo é só prender ele no quarto.
– Me desculpa.
− É oficial, eu odeio o seu cachorro. Bob mal. – falou e fez cara feia para o cachorro.
− Não, você não o odeia. – ri de sua cara de frustação e o beijei – Quer passar a noite aqui? Quem sabe eu não esqueça o Bob do lado de fora do quarto e te recompensa?
Bob, que agora estava deitado no tapete da sala, ergueu a cabeça como se tivesse entendido o que eu acabara de dizer.
− É acho que foi ter que fazer esse sacrifício. Sabe como Nova York é perigosa durante a noite, não quero ter que correr nenhum risco indo embora tão tarde.
Ali naquele momento eu tive a certeza que eu o amava. Seus olhos me transmitiam uma paz que nunca havia sentido antes. Ele é mais que meu namorado, ele é meu melhor amigo e eu o amo.
− Tenho que te contar uma coisa. – falei encarando o seu olhar.
− Pode falar.
− Acho que eu amo você.
− Fico feliz em saber disso. – ele sorriu.
Meu coração quase parou quando ele não falou que me amava de volta, mil coisas passaram pela minha cabeça. Homens as vezes piram ao ouvir que uma mulher o ama, é como se tivessem sido pedidos em casamento.
− Fica é? – perguntei tentando soar naturalmente.
− Fico, por que é bom saber quando um sentimento é correspondido. − Ele me beija e quando nossos lábios se separam diz – Eu também acho que amo você.
É estranho saber que agora nós finalmente vamos oficializar nossa união.
Faltam poucos minutos para a cerimônia começar, estou dentro de uma limusine esperando meu pai vir me buscar para entrarmos na igreja. Ao meu lado está Claire, minha dama de honra filha do Brian irmão do Danny. Ela está parecendo uma princesinha, é o xodó de toda a família, vai completar 6 anos daqui a três meses.
Infelizmente, Ashley perdeu o bebê quatro meses após descobrir sua primeira gravidez. Ela ficou totalmente devastada, todos ficamos na verdade. Depois de um ano de sua perda, ela voltou a tentar engravidar e dois anos depois engravidou da Claire. Não foi uma gravidez fácil, mas no fim tudo acabou bem e recebemos esse anjinho em nossas vidas.
− Você está nervosa tia Abby? – ela perguntou.
− Não – Sim.
− Eu também não. – respondeu orgulhosa mostrando sua autoconfiança.
− Você se lembra do que tem que fazer? – questionei-a.
− Sim. Eu vou entrar na sua frente, andar devagar na direção da mamãe, que vai estar do lado do tio Danny, e jogar essas flores pelo caminho né tia?
− Isso mesmo querida.
− E você lembra do que tem que fazer? – perguntou me olhando séria.
− Sim, eu me lembro. – disse sorrindo para ela.
Era bom tê-la ali naquele momento de nervosismo, ela conseguia me fazer rir e me deixar mais à vontade com toda aquela atenção voltada para mim.
Ficamos conversando por alguns minutos, ela me contou que o pai tinha comprado uma casa de boneca enorme para ela e que não via a hora de me mostrar para brincarmos juntas.
Nosso papo foi interrompido por uma delicada batida na janela do carro, era o meu pai.
− Está na hora filha. Preparada? – quis saber.
− Estou. – sorri.
Ele e a minha mãe me ajudaram a sair do carro e a arrumar o meu vestido, que a propósito era magnífico.
Ele é estilo princesa, na parte superior ele é tomara que caia, porém o tecido rendado sobre ele cria as alças necessárias para que nada corra o risco de cair. A saia é coberta pelo tecido organza que é um tecido leve e possui um brilho característico simplesmente lindo e também possui alguns bordados que vem desde a parte superior do vestido e terminam na metade da saia.
Também estou usando um véu feito de filó francês bordado nas pontas que possui três metros de cumprimento, o que achei ser um exagero, mas minha mãe falou que era indispensável.
Meus cabelos negros estão presos em um coque sofisticado no alto da minha cabeça e também estou usando uma linda tiara que deu o toque final ao meu look.
− Você está tão linda. – disse minha mãe emocionada por ver sua única filha subir ao altar. – Ela não está magnifica Antony?
− Está esplendida. – respondeu meu pai sorrindo – Agora vamos, o Danny já deve estar pensando que você desistiu.
Mamãe me entregou o buque e papai ajudou Claire a sair do carro com seu vestido de princesa.
− Eu vou na frente para mandar iniciarem a marcha nupcial. – falou minha mãe.
Ela me deu um abraço e me desejou boa sorte, deu um beijo na Claire e entrou na igreja por uma portinha lateral era mais reservada.
Meu pai já estava de braço dado comigo e a Claire na nossa frente segurando a cestinha com pétalas de rosas.
Minhas mãos começaram a suar e meu coração parecia estar no ritmo de alguma escola de samba brasileira.
Não demorou muito e a música que indicava a minha entrada começou a tocar e em seguida as portas da igreja foram abertas. Dei uma olha rápida em todos os convidados, que assim que me viram ficaram de pé, e por fim encontrei o olhar radiante do meu futuro marido parado no altar.
A igreja estava linda, flores brancas e azuis ornamentavam o caminho de bancos pelo qual eu iria passar, um tapete vermelho estava esticado no chão e a luz do sol que entrava pelas vidraças fazia tudo parecer estar brilhando.
Dan estava deslumbrante em seu fraque preto, com uma blusa branca por baixo, uma gravata prata e um lenço no bolso esquerdo do fraque da mesma cor que a gravata. Quando ele me viu soltou um suspiro de alivio e começou a sorrir. Acho que meu pai estava certo, ele devia estar pensando que eu havia fugido.
Respirei fundo e dei o primeiro passo para a minha vida de casada. Todos me encaravam sorrindo, uns até choravam ao me ver passar.
Quando nos aproximamos do altar, Danny veio ao meu encontro para que meu pai me entregasse a ele.
− Cuide bem da minha garotinha. – disse meu pai enquanto abraçava Danny. Ele tentou parecer sério, mas as lágrimas em seus olhos o impediram de passar tal seriedade.
− Pode deixar que sempre vou cuidar bem dela.
Precisei reunir todas as minhas forças para não começar a chorar naquele momento. Finalmente o grande dia havia chegado e estava acontecendo.
Danny entrelaçou seu braço ao meu e andamos o caminho restante até diante do padre.
− Estamos aqui hoje reunidos para celebrar a união desse belo casal, Abby Stuart e Dan Smith. – disse o padre ao começar a cerimônia.
Depois dele terminar com seus votos de benção a nossa união, chegou a hora de nós dois fazermos os nossos votos um para o outro.
Danny foi o primeiro a falar. Ficamos um de frente para o outro, o padre entregou o microfone para ele e então ele começou.
− Abby, você me enrolou durante 10 anos, mas hoje finalmente estamos nos casando. – começou e logo fez todos da igreja rirem − É difícil colocar em palavras tudo que eu sinto por você, mas eu vou tentar. Muitas pessoas dizem que o amor diminui conforme o tempo vai passando, porém eu descordo dessa teoria. Passamos 10 longos anos, e põe longo nisso, – novamente todos riram – juntos e a cada dia desse tempo eu aprendia a te amar cada vez mais.
“Você me proporcionou uma vida que eu nunca sonhei em viver, um amor que nunca pensei em sentir. Você para mim é a calmaria depois de uma tempestade, é um sonho depois um pesadelo, é a alegria que levou embora a minha tristeza. Cada minuto ao seu lado é um presente divino na minha vida. Não costume me declarar para você com palavras bonitas, mas saiba que por você eu viro poeta. Eu sei, sem dúvida alguma, que eu nasci para te amar e me sinto o cara mais sortudo do mundo por ser amado por você. ”
“Prometo que vou procurar te fazer feliz por todos os dias da minha vida. Prometo ficar do seu lado em todas as suas decisões. Prometo ser o cara que você merece. E por fim te entrego de vez o meu coração. Faça dele o que quiser, só te peço para que, se um dia enjoar de mim, não o jogue fora, pois sem você não tenho razões para viver. ”
“Eu te amei ontem. Eu te amo hoje. E eu vou te amar para o resto da minha existência. Você é tudo que faltava na minha vida e espero do fundo do meu coração poder ser o mesmo para você. Obrigado por me fazer feliz e por me mostrar como a vida é bela quando se ama alguém.”
Foi muito difícil lutar para que as lágrimas não caíssem pelo meu rosto e devastassem a minha maquiagem. O Danny sempre foi carinhoso, porem nunca foi de fazer muitas declarações, como ele mesmo disse em seu voto. Mas para um cara sem muita experiência da área ele se saiu muito bem, todos ficaram emocionados com o seu discurso.
Tive que me controlar para não correr para os braços dele e beija-lo.
Ele me passou o microfone e então chegou a minha vez de me declarar e fazer meus votos para o nosso futuro.
− Danny, ou melhor, Dan. – sorri para ele – Quando eu era pequena, sonhava com um príncipe encantado. Pensava que um dia uma bruxa ia me dar uma maçã envenenada e um príncipe me salvaria com um beijo. Felizmente no meu conto de fadas não existiu nenhuma bruxa, apenas o príncipe que eu tanto sonhei em encontrar.
“Você mudou a minha vida de uma maneira inexplicável, como comecei falando de contos de fadas, posso dizer que você trouxe magia para os meus dias. Esses dez anos ao seu lado foram os melhores dez anos da minha vida.”
“Sei que por você o nosso casamento já teria acontecido alguns anos mais cedo e por isso te agradeço a paciência que teve comigo. Eu nunca tive dúvidas sobre os meus sentimentos por você. Eu apenas queria ter certeza que você também não teria dúvidas dos seus por mim.”
“Eu prometo que vou ser mais que a mulher que você merece, eu vou ser a mulher que te completa e que te ama incondicionalmente. Vou ser a mulher que vai ser mãe dos seus filhos e a mulher que todo homem vai querer, mas só você vai ter. Vou ser a mulher que levará paz ao seu coração em momentos de crises e luz para os momentos de escuridão.”
“Muito obrigada pela felicidade que trouxe para minha vida. Obrigada pelos momentos bons e até pelos ruins também. Obrigada pelas risadas durantes as madrugadas e por nunca me apressar quando estou me arrumando para sair. Obrigada por hoje e pela vida que vamos ter de agora em diante.”
Passei o microfone para o padre que pediu que a nossa dama de honra trouxesse as alianças.
Danny pegou a minha aliança e colocou no meu dedo, e eu fiz o mesmo com a dele.
− Pelo poder depositado em mim pela igreja e pelo estado de Nova York, eu os declaro marido e mulher. – falou o padre.
− Já posso beijar a noiva? – perguntou Danny sem tirar os olhos dos meus antes que o padre chegasse a essa parte.
− Pode. – respondeu o padre sorrindo.
E foi assim que finalmente nossa vida de casados começou. Com uma salva de palmas e um beijo no altar de uma igreja.
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