Capítulo 35 – Epílogo

Provando do Amor

“Conheci o bem e o mal, o pecado e a virtude. O certo e o errado, julguei e fui julgado. Passei pelo nascimento e pela morte, pela alegria e pelo sofrimento.

Pelo céu e pelo inferno.

E no final eu reconheci que estou em tudo e que tudo vive em mim.”

(Autor desconhecido)

Os anos haviam se passado, como um sopro; os dias eram, em sua maioria, quase os mesmos, havia uma rotina imposta que, em alguns momentos, se tornava exaustiva. Entretanto, em alguns aspectos, as horas pareciam voar e assim, consumir os dias de forma rápida.

Passaram-se cinco anos. Era um dia qualquer de julho, estava calor. As pessoas usavam roupas abertas e carregavam garrafas d’água, não havia nem sinal da chuva naquele dia.

Alice estava com pressa naquele dia. Ela tinha um celular em suas mãos, uma pilha de tecidos e uma fita métrica pendurada em seu pescoço. Ela estava em seu próprio atelier, que era localizado dentro de um edifício de quatro andares, onde também se localizava a loja.

Quando Alice terminou a faculdade de moda e design – junto com Rosalie -, ela havia se tornado gerente-administrativa da loja de Makenna, ou seja, cuidava de praticamente todo o dinheiro que entrava e saia da loja. Porém, cerca de um ano e meio antes, a senhora Makenna havia sofrido um derrame, por conta do estresse e, após concluir que não poderia trabalhar mais, promovera Alice. E foi nesse período que Esme tivera uma excelente idéia. A matriarca comprara o prédio em que funcionava a loja de Makenna – e a própria loja.

E, assim, Alice lançou sua própria linha de roupas. Ela decidira que iria criar uma linha que fosse refinada e elegante, mas sem ser tão ostensiva e cara, pois ela mesma nem sempre pôde ter do bom e do melhor.

- Alice! – Uma das costureiras a chamou. – Quer exatamente assim?

- O caimento está perfeito. Só cuide para que não fique pregueado demais. – Ela retirou alguns alfinetes de um vestido num manequim. – Ótimo! Agora eu preciso ir.

- Se tiver algum problema, eu vou avisá-la. Rosalie está com o nome de todas as modelos?

- Sim, Tanya. Obrigada. Eu vou pedir para ela te passar a lista completa, com os tamanhos. – Alice agradeceu. – Qualquer coisa me ligue.

As irmãs Denali, quando terminaram a faculdade, foram trabalhar numa agência de modelos, mas quando a agência teve problemas com dinheiro, elas tiveram que sair e, algum tempo depois, Rosalie, que administrava uma agência pequena, localizada no penúltimo andar do prédio de Alice, convidou-as para desfilarem junto com ela. E Alice acabou deixando que Tanya fosse seu braço direito.

- Estou saindo! – Alice exclamou, descendo até o piso térreo e saindo da loja. Ela entrou num mini couper vermelho e branco e seguiu para seu destino.

No hospital de Londres, Isabella deixava o escritório de Carlisle, que agora também possuía o nome dela na porta. Bella terminou a faculdade de medicina com honras e já havia iniciado uma pós graduação em Diagnósticos. Ela e Carlisle agora resolviam os casos mais complicados, e não somente os da área de oncologia.

- Dra. Swan, Aqui estão os relatórios. E... – A enfermeira retirou alguns envelopes da prancheta. – Os prontuários que me pediu. Já anexei os resultados do laboratório.

- Está ótimo. Vou deixar na minha mesa. – Ela respondeu. – A propósito, meu pai e eu vamos sair, temos alguns assuntos a serem resolvidos.

- Sem problemas. Manterei tudo sob controle e, os avisarei caso haja alguma emergência.

- Obrigada.

Bella dirigiu-se ao escritório e encontrou Carlisle retirando seu jaleco e colocando algumas coisas dentro de uma pasta executiva. Ele parou o que fazia e encarou-a.

- Espero que tenha tudo sob controle, não pretendo almoçar em apenas meia hora. – Ele riu.

- Não se preocupe papai. – Ela sorriu. – Há alguns anos eu nunca diria isso, mas acredito que temos credibilidade o suficiente para levarmos o tempo que precisarmos.

- Creio que tenha razão. Sabe que daqui há alguns não poderei mais trabalhar, então conto com você para levar nosso nome. Não é como se eu fosse imortal. – Ele riu.

- Eu sei disso. Vou fazer o meu melhor. – Ela respondeu. – Agora chega de pensar sobre o futuro, eu só preciso almoçar!

Paralelamente, em um escritório de advocacia novo no centro de Londres, Edward digitava incessantemente em seu notebook e fazia anotações na agenda de um celular. Ele estava de calça social negra e uma blusa branca, gravata e sapatos sociais. E aquela era a Companhia Cullen de advocacia, a antiga empresa de Josh, que Edward reabrira após concluir a faculdade de direito.

Ele parou de digitar por alguns instantes quando seu celular tocou. Emmett o chamava.

- Fala, Emm. – Ele respondeu. Fez silêncio por mais alguns instantes, até que ele olhou no relógio. – Droga, estou atrasado! Não, encontro com vocês lá! Até!

Edward fechou o notebook, pegou o celular, chaves do carro, seu paletó e saiu apressado. Murmurou alguma coisa para a secretária e entrou no elevador, indo direto para o subsolo.

- Senhora Cullen, devemos ir direto ao restaurante? – O motorista perguntou.

- Sim, por favor. – Ela assentiu.

O motorista dirigiu-se para o restaurante. Aquele não era nenhum dia em especial, pelo menos até onde se sabia; ocorreu que todos combinaram de encontrar-se para almoçar, sendo que no início, apenas seria a família Cullen, e agora eram cerca de catorze pessoas, incluindo os pais de Emmett, Jasper e os tios de Rosalie. Nenhum deles conseguia fazer um simples almoço sem muita formalidade.

O motorista parou a Mercedes em frente à entrada do local. Um funcionário do restaurante abriu a porta do carro e cumprimentou a senhora.

- Esme! – Alguém a chamou.

- Margareth, Jared. Que bom vê-los. Não sabia que viriam. – Ela franziu o cenho.

- Alice disse que poderíamos vir.

- Oh, sem nenhum problema. – Esme riu. – Vamos entrar?

O maître, sabendo-se quem eram as pessoas que acabavam de entrar no restaurante, cumprimentou-as e levou-as até um espaço com uma mesa longa. Quando o trio aproximou-se, seis pessoas se levantaram.

- Olá! – Rosalie abraçou Esme.

- Está linda, Rose. Como vai, Meredith?

- Muito bem, Esme. Muito bem. – Meredith respondeu sorrindo. – Margareth, não nos vemos desde o último jantar. Precisamos sair mais.

- Eu acho uma excelente idéia. Agora que todos temos mais tempo, ou tentamos ter. – Richard, tio de Rosalie acrescentou. – Jared, sente-se aqui, deixemos as damas conversar.

- Aí estão vocês! – Emmett gargalhou. – Finalmente os vejo num ambiente em que eu não esteja perseguindo uma bola.

- Tem razão Emmett! É muito bom vê-lo. – Esme abraçou-o. – Por Deus, homem, você parece cada vez mais alto.

- São os exercícios, Senhora Esme. – Ele riu. – Eu já mandei que preparassem um drink excelente.

Emmett sentou-se próximo a Rosalie. Esme, Margareth e Meredith conversavam animadamente sobre suas vidas, sobre seus filhos e sobre o fato de que tudo ia extremamente bem, muito melhor do que podiam imaginar.

- Vamos pedir. – Meredith sorriu misteriosamente.

- Com toda certeza. – Esme concordou.

- Posso saber o que as senhoras pretendem pedir? – A voz de Carlisle ecoou pelo salão reservado.

Esme levantou-se e deu-lhe um beijo nos lábios, e cumprimentou Bella com um abraço. Carlisle sentou-se próximo aos homens e Bella juntou-se a Rosalie.

- Três cosmopolitans. – Esme ergueu a mão e pediu ao garçom.

- Desde quando bebem cosmopolitan? – Bella perguntou a uma das três.

- Desde que temos muitas coisas boas acontecendo. – Meredith sorriu e bebericou o drink que o garçom colocara a sua frente. – É como Carrie Bradshaw¹ diria.

- Rose, onde está Alice? – Bella perguntou-lhe.

- Enlouquecendo as costureiras com todos aqueles tecidos.

- Alice sabe o que faz. A Primeira coleção foi linda, tenho certeza que esta será também. – Esme sorriu e bebericou o cosmopolitan.

- E a agência, querida? – Richard digitou alguma coisa no celular depois guardou-o.

- Fechamos um contrato para um evento. Não é nada muito grande, apenas um desfile de vinte peças, para um programa.

- Mas mesmo assim, ainda é alguma coisa. Vocês estão indo muito bem! – Emmett piscou e mandou-lhe um beijo.

Poucos minutos depois, Edward, Alice e Jasper entravam no restaurante e dirigiam-se para a mesa reservada. Bella levantou-se e deu um beijo em Edward, que apressou-se em cumprimentar todas as damas presentes. Jasper fez o mesmo e Alice cumprimentara os homens.

- Você quase se esqueceu, eu imagino. – Bella riu.

- Não consigo esconder nada, não é mesmo? – Edward riu.

- Então, fadinha, pode nos dizer o que estamos fazendo aqui? – Jasper inclinou levemente a cabeça para ver Alice.

- Ora, todos trabalhamos demais e eu achei que seria uma boa idéia se almoçássemos todos juntos. – Ela sorriu sinicamente.

Esme estreitou os olhos para Alice. Sabia que ela planejava alguma coisa. A pequena percebeu o olhar da mãe, mas nada disse, apenas sorriu em resposta.

- A propósito, mamãe, eu preciso que a senhora passe na loja mais tarde. – Alice disse.

- Allie, eu te conheço.

- Não estou fazendo nada. Apenas faça o que eu digo.

- Estamos perdidos!

- Emmett! – Alice mostrou-lhe a língua.

- Alice está planejando alguma coisa maquiavélica e, provavelmente nos envolve. Estamos perdidos! É o fim do mundo! – Ele gargalhava.

Bella respirou fundo. Não existia uma resposta negativa quando se tratava de Alice. A baixinha sabia o que fazer e fazia o serviço completo, nunca deixava pontas soltas. Sua única alternativa foi dar de ombros e esperar pelo grande plano dela.

- Eu vou passar no hospital e deixar algumas coisas para você, Bella. – Alice anotou alguma coisa no celular e voltou-se para Meredith e Margareth. – Quanto às senhoras, eu preciso que vocês se encontrem com Esme, mandei para ela algumas coisas.

- Não discuta, Edward. É impossível pará-la. – Jasper deu de ombros. – Além disso, fadinha, deixe-me fazer o que eu tenho que fazer.

- Oh, claro! – Ela exclamou, abrindo um sorriso brilhante.

Jasper levantou-se, respirou fundo e preparou-se para falar.

- Hoje é um dia mais que especial. – Ele sorriu de um jeito que alguns ali não entenderam. – Como sabem, depois do transplante, eu fiquei quase um ano tomando medicamentos que me deixavam doentes com certa constância, mas que evitavam a rejeição do coração.

“Porém, ontem fiz meu último exame e peguei os resultados hoje cedo. O Dr. Rogers me liberou dos imunossupressores, porque meu corpo não corre mais risco de rejeição. Tenho apenas que manter minha alimentação balanceada, praticar exercícios regularmente, fazer os exames a cada seis meses e, tentar não contrair nenhum tipo de infecção.”

Jasper sentia-se nas nuvens. O primeiro ano após a cirurgia, deixou-lhe extremamente frágil; os medicamentos imunossupressores tinham a função de abaixar as defesas do organismo para que os anticorpos não identificassem o coração transplantado, como um agente maligno. E por conta desses medicamentos, ele acabou adquirindo algumas infecções e gripes, e teve dificuldade de voltar à ativa em seus exercícios na academia de polícia.

E agora, quatro anos após o transplante, ele estava liberado de todos os medicamentos.

Jared acenou para o garçom e pediu uma garrafa do melhor champagne da casa. O garçom, que ouvira parte do anúncio do jovem, apressou-se em atender o pedido. Jared abriu a garrafa e foi servindo a todos. Quando chegou próximo ao filho, abraçou-o.

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

(Clarice Lispector)

Era em torno de sete horas e quinze minutos. Alice havia deixado um pacote para Isabella no escritório e estava esperando-a a algum tempo, mas Bella não aparecia e ela não via Carlisle em nenhum lugar.

Bella e Carlisle estavam no andar superior, onde havia uma cirurgia para a retirada de alguns nódulos de um paciente. Era Carlisle quem dirigia a cirurgia, que fora marcada para as seis horas da tarde, por tratar-se apenas de retirada de pequenos aglomerados de células.

- Dra Swan, suture. – Carlisle falou por dentro da máscara.

Bella pediu ao instrumentista os devidos apetrechos e começou a sutura. Passado em torno de meia hora, o paciente já estava sendo liberado para a ala de recuperação e ela e Carlisle já estavam fora da sala de cirurgia. Carlisle e Bella retiraram as toucas, luvas, máscara e proteção para os sapatos e seguiram para o elevador.

- Isabella Swan! – Alice exclamou ao vê-la. – O que houve? – Ela refreou-se ao vê-la vestindo um conjunto azul, de mangas longas, mas que estavam arregaçadas e calças de mesma cor. Bella tinha os cabelos meio presos num rabo de cavalo que agora se desfazia.

- Desculpe, Alice. Mas não podia cancelar uma cirurgia.

- Não, eu sei. – Ela desculpou-se. – Vocês tem algo mais a fazer hoje?

- Creio que não. – Carlisle respondeu. – Bella, vá se arrumar. Alice, está de carro?

- Não, Rosalie me deixou aqui antes de ir embora. Vou descer e esperar a Bella.

- Então iremos todos juntos. – Carlisle acrescentou. – Vamos.

Eles saíram do escritório e entraram no elevador, descendo até os vestiários. Carlisle desviou para a esquerda e elas foram para a direita.

A mansão branca jazia imponente no alto da colina. O portão negro se abriu logo após Carlisle buzinar. Alice tamborilava as pontas dos dedos nas pernas, em sinal de impaciência. Carlisle parou o carro sob a abóbada de entrada da casa, quando se deu conta de que todo o jardim estava decorado com mesas, frésias, jasmins, arcos floridos.

Bella saiu do carro e olhou ao seu redor, observando os postes iluminando o caminho por entre as mesas e pequenas lamparinas iluminando um caminho central, que parava sob um arco, onde algumas mesas estavam postas.

- O que significa tudo isso?

- Estamos comemorando muitas coisas hoje. — Alice sorriu presunçosa.

Bella identificou alguns convidados e percebeu que havia outros que ela não conhecia, provavelmente amigos da família Cullen. Mas em especial, numa mesa próxima a um arranjo florido, havia algumas crianças e um casal. Ela andou cegamente até a mesa e sorriu ao ver os donos do orfanato. Mas ao olhar novamente, observou que haviam duas mesas ocupadas por crianças e constatou que todas estavam ali.

- Vocês vieram! – Ela abraçou a senhora Monforte e seu marido.

- Claro que viríamos, Bella. – Clarita sorriu.

- Eu ainda não sei do que se trata, mas em creio que vocês saibam.

- Na verdade, — o senhor Monforte interrompeu-a. – Nós também não sabemos.

- Vou ver se encontro Esme ou Edward. Eles devem saber de alguma coisa.

“Estão todos arrumados demais.” Bella pensou consigo mesma ao ver alguns vestidos mais longos e elegantes. Os homens usavam ternos e alguns apenas uma camisa social e calça. Em meio aos engravatados, ela vislumbrou Edward, sorrindo e maneando a cabeça, enquanto segura uma taça em suas mãos.

- O que é tudo isso? – Ela perguntou a ele.

- Acho que já podemos fazer o que temos que fazer. – Esme sorriu.

A matriarca subiu num pequeno palco, que fora montado de frente a um espaço vazio, onde deveria ser alguma pista de dança. Ela deu duas batidinhas leves no microfone, respirou fundo e preparou-se para seu pronunciamento.

- Bem vindos! Esta é uma noite extremamente especial, pois esta noite a família Cullen e amigos têm muito a comemorar. – Ela sorriu. – Primeiramente, queremos fazer um anúncio. Rose?

Rosalie subiu os dois degraus e posicionou-se atrás do microfone para falar.

- Há alguns anos, o Orfanato Castelo das Nuvens² vêm recebendo doações de uma empresa anônima. E, por motivos burocráticos e por outros que não deveriam ser revelados para manter o sigilo dos negócios, era a empresa Evenson Decor & Design que fazia tais doações. E hoje nossa empresa tem o prazer de anunciar a senhora e o senhor Monforte, que o orfanato agora passa a ser mantido inteiramente pela Evenson Decor & Design, não precisando mais ficar em listas de espera do governo e não correndo risco de qualquer situação desconfortável que possa prejudicar as crianças.

Bella estava em choque e, ao olhar para Alice, percebera que ela também estava surpresa.

- Você não sabia?

- Não fazia idéia. – Ela disse baixo e sem conseguir conter a emoção, deixou uma lágrima escorrer.

- Senhor e Senhora Monforte, os senhores deram a mim e minha família os melhores presentes que eu podia ter. Isso é o mínimo que eu posso fazer em troca.

- Agora, pedimos a todos que dentro de meia hora, sigam para seus lugares onde as cadeiras foram postas. – Rosalie pediu. – Nos vemos em alguns minutos.

Rosalie desceu do palco, acompanhada de Esme. Ambas foram em direção a Isabella, que ainda sorria e tinha lágrimas nos olhos. Esme, sem dizer nada, abraçou ela e Alice.

- Isso foi lindo. Eu não sabia que o orfanato estava recebendo doações e ainda... Oh, Deus, é muito bom para ser verdade. – Bella disse num fio de voz.

- Eu não acredito que... – Alice disse perdida. – Eu pretendia... Eu... Eu pretendia doar uma parte da renda das minhas coleções...

- Você pode fazer isso. – Bella teve uma idéia. – Quer dizer, se quiser doar para outra instituição.

- Ótimo! Para qual?

- O hospital ainda precisa de doações para as crianças da ala de oncologia. E para algumas outras também. – Bella sorriu.

-Perfeito. Agora, se bem me lembro, temos coisas a fazer. – Alice abriu um sorriso que fez Bella temer. – Vamos.

Esme e Rosalie entraram no casarão. Alice guiava Isabella para seu quarto. Sobre a cama da baixinha havia diversas caixas, grandes e pequenas, e, ela não pode deixar de notar, que dentro do closet compartilhado, havia um manequim coberto por um grande tecido escuro. “Não pode ser...”, Bella pensou. “Alice não poderia... Sim, sim, poderia.”, ela corrigiu-se.

- Bella querida, isto é algo emprestado. – Esme retirou o tecido escuro, mostrando um lindo vestido de noiva rendado. – Não é um vestido tradicional e rodado, como os de baile, mas tenho certeza que combina com você.

- Este... O vestido é seu? – Bella arregalou os olhos. – Eu vou... me casar?

- Não só você. – A voz de Margareth ecoou no closet. – Alice, faça as honras.

Se tinha uma coisa que deixava Alice tremendamente perturbada, eram surpresas. Ela adorava surpreender as pessoas com festas, presentes, ocasiões, mas ela detestava quando era surpreendida. Talvez porque não se sentisse totalmente no controle da situação, porém, naquele momento, ela perdeu a linha de raciocínio. Pensava – planejava – que iria casar-se somente em um ano ou dois, não naquele momento.

Ela desatou o laço da caixa branca que estava em cima da cama e visualizou um lindo vestido branco, também rendado e um par de brincos com pedras brilhantes e azuis. “Não seja estúpida, Alice. É claro que isso é um brinco de safira e diamantes.”, ela dizia olhando para as pedrinhas reluzentes.

A próxima a ser surpreendida fora Rosalie. Sua tia Meredith, que a considerava uma filha, tinha feito exatamente a mesma coisa. Mandara ajustar seu vestido de casamento e acrescentar contas e mais alguma renda. Era um vestido simples, mas que ficaria perfeito em sua sobrinha.

Quando Alice entrara em contato com Esme para que elas pudessem fazer uma festa em comemoração ao orfanato, Esme, Meredith e Margareth tiveram a brilhante idéia de casar seus filhos e de fazer uma linda surpresa.

- Eu não tenho o que dizer. – Alice disse baixo, ainda observando o vestido reluzir dentro da caixa. – Tem certeza que quer que eu o use?

- Mas é claro! Além do mais, Esme casou-se uma vez, ela não tem outro vestido e, nada mais justo, e bonito, que vocês usarem os nossos. – Margareth abraçou-a. — Se não se importarem, é claro. – Meredith acrescentou.

- Tia M, é lindo. – Rosalie ergueu o vestido e contemplou-o.

- Agora, acho uma boa idéia as senhoritas dirigirem-se aos banheiros. Vocês têm quarenta minutos.

- Só isso?

- Alice, quem deu a idéia de uma festa surpresa foi você. Não reclama do tempo. – Bella alfinetou e foi para seu banheiro.

No andar debaixo havia certa movimentação. Os convidados encaminhavam-se para as cadeiras, sem saber o porquê. Jasper, Edward e Emmett vestiam ternos e bebiam uma dose de whyski, a fim de espantar o nervosismo.

Richard King entrou na biblioteca, encontrando os três em silêncio, apenas observando seus copos. Ele riu.

- Eu espero que não estejam cogitando desistir.

- Alice não gosta de surpresa. E se ela...

- Não sejam ridículos. – Richard pegou os três copos e afastou-os dos jovens. – E parem de beber. Não quero que tropecem no caminho do altar.

(...)

A Thousand Years (Christina Perry), Piano/Cello Version (The Piano Guys)

Uma melodia instrumental começara a soar pelo jardim da mansão branca, logo após o aviso dado por um reverendo. Após a entrada dele, Michelle McCarty, Margareth Withlock e em seguida Esme Cullen, entraram pela pequena nave no jardim. Em seus braços estavam Emmett, Jasper e Edward, respectivamente.

Com os convidados ainda de pé, Rosalie passou o braço pelo de seu tio e seguiu para o caminho enfeitado de flores. Quando a linda noiva loura, de cabelos semi-presos, cacheados, apareceu na ponta da nave, Emmett sorriu. Não podia estar acontecendo num momento mais perfeito que aquele. Rosalie correu seus olhos pelos convidados e notou um casal em pé, discretos, sentados nas últimas cadeiras. Seus pais sorriram e ela esqueceu-se de toda mágoa que havia acumulado durante sua vida.

Atrás dela, no final da nave, aparecera Carlisle, que tinha em seus braços Isabella e Alice, uma de cada lado. E Bella, mesmo observando rapidamente, notou um casal, também discreto, apenas observando as noivas andarem rumo ao seu destino.

O reverendo começara a dizer algumas palavras e, só o que qualquer um deles ali conseguia pensar era na pessoa ao seu lado. Em dado momento, uma criança entrou segurando uma almofadinha de veludo azul marinho, que destacava três pares de aliança. O reverendo virou primeiro para Emmett e Rosalie.

- Rosalie, com seu jeito doce, você me conquistou. Eu não consigo imaginar uma vida sem você e, não consigo imaginar dizer palavras mais bonitas, mas eu te amo. – Emmett deu uma gargalhada contida, mas mesmo assim colocou uma aliança de ouro branco e pequenos diamantes no dedo de sua amada.

- Emmett, você sempre me ouviu, me ajudou e esteve do meu lado mesmo nos momentos ruins. A vida nunca poderia ser tão doce quanto é agora. Eu te amo, Ursinho. – Ela abriu um sorriso delicado.

Quando colocaram as alianças, o casal deu as mãos e virou-se em direção a Alice e Jasper, que estavam no meio. O reverendo deu um passo para a direita e abriu a bíblia num outro trecho. Após ter lido o versículo e abençoado as alianças, Jasper pegou uma delas para fazer seus votos.

- Alice Brandon Cullen, durante toda minha vida eu senti que estava parado no tempo, sem conseguir fazer algo que realmente importasse, sem conseguir encontrar alguém que realmente importasse. Eu te amo e obrigada por passar por todas as coisas junto comigo.

- Eu estava te esperando. – Ela disse ao colocar a aliança no dedo dele. – Eu te amo.

O último casal fora Edward e Bella.

“- Se os seus sentimentos são ainda os mesmos que manifestou em Abril passado, diga-mo imediatamente.” – Edward citara uma frase de orgulho e preconceito.

“-O meu amor e os meus desejos permanecem inalterados.” – Ela replicou, e sorriu, recebendo a aliança em seu dedo.

- Sendo assim, com o poder investido em mim, os declaro casados. – O reverendo anunciou e os três casais selaram a união com um beijo, sob uma salva de palmas.

Os convidados se dispersaram, restando apenas dois casais, separados por alguns metros de distância. Eles observavam a cerimônia de longe e, embora não soubessem, pensavam a mesma coisa: No sorriso estampado no rosto daquelas pessoas, das noivas, dos noivos, até mesmo os garçons estavam sorrindo. Eles se perguntavam como aquilo era possível.

Quando desceram do altar montado, Isabella tinha seus pensamentos longe. Por alguns momentos imaginou ver Emma sorrindo, de longe e lhe dizendo que agora tudo estaria bem. Seus devaneios foram interrompidos por outro pensamento, por uma visão que tivera quando estava caminhando rumo ao matrimônio. Lembrando-se do fato, ela olhou ao seu redor, procurando o objeto que lhe chamara atenção.

- Quer que eu vá com você? – Edward lhe chamou atenção com um beijo na mão.

- Quem os chamou? – Ela franziu o cenho.

- Eu não sei. Você quer mesmo saber, ou prefere ir falar com eles?

- Eu devo? – Ela retorquiu.

- Por quanto tempo mais ficará guardando essa mágoa?

Ela suspirou. Ele tinha razão, não tinha sentido em guardar rancor por algo que ela selara há tanto tempo atrás. Era preciso encarar o passado, fechá-lo com uma chave especial e então seguir em frente, com a mente tranqüila, sem fantasmas e demônios internos. Isabella ergueu o vestido levemente com uma mão, com a outra foi guiada por Edward até onde o casal estava.

Renée Swan correu os olhos de cima a baixo, observando como Isabella estava linda, radiante; por alguns instantes comparou-a com a menina de quinze anos que enfrentara os próprios pais, para dar voz a irmã. Era uma diferença grotesca, não pela idade e pelos atributos que ela conferiu a sua filha – talvez, sim, ela ainda era sua filha, veio de seu ventre e Isabella não podia negar -, a diferença dava-se no sorriso e nos olhos brilhantes que aquela linda mulher exibia.

- Eu não pretendia vir. – Renée sibilou com a face rubra. – Desculpe-me, é que alguém nos disse para vir, meio em cima da hora, mas eu... Precisava ao menos vê-la.

Isabella sorriu.

- Não tem problema. Fico feliz que tenham vindo. Já conhecem Edward.

- É um prazer conhecê-los, de fato. Mas vou deixá-los a sós. – Edward acrescentou com educação. – Estarei com Esme e Carlisle. – Ele lhe deu um beijo rápido nos lábios e deixou-a.

- Eu vim apenas porque ela quis vir. – Charlie dissera com rispidez.

- Não pense que vou retrucar, Charlie. – Bella respondeu. – A Bella rancorosa e magoada se foi há muito tempo.

- Como está sendo viver como filha dos tão famosos Cullen? – Charlie alfinetou.

- Esme e Carlisle me deram tudo o que eu mais precisava, e não pense que isto é sobre dinheiro ou algo do gênero. Eles me deram o apoio que eu sempre precisei e nunca tive. – Ela rolou os olhos e respondeu num tom baixo e calmo. Por algum motivo aquilo deixou Charlie muito perturbado.

- Fico feliz que esteja bem. – Renée interrompeu. – Consegue me perdoar?

- Por Emma sim. Por mim, não sei. Não guardo rancor algum por terem me usado como um vaso de reposição, pois isso manteve Emma viva. Mas dormir no banco de uma igreja, quando eu sabia que tinha uma cama quente em casa, foi demais. Eu não tenho o que perdoar, eu estou bem, viva, muito feliz. Tenho uma mãe e um pai maravilhosos, uma família linda e, por meus méritos, sou bem sucedida na minha profissão. Se alguém tem que perdoá-los, são vocês mesmos. – Bella soltou um suspiro. Sim, era exatamente isso que sentia naquele momento. Não havia raiva, só uma lembrança nula. – Fiquem para a festa, eu preciso ir cumprimentar todos. Boa noite.

Bella virou-se e andou de cabeça erguida e um sorriso no rosto. Foi cumprimentando a todos pelo caminho, recebendo elogios e trocando palavras rápidas com alguns convidados. Próximos aos seus pais estavam Clarita e as crianças. Ela foi imediatamente rodeada por todas e não teve escapatória, senão ser coberta por bracinhos e beijos.

Rosalie deixou a companhia de seus tios e foi até o casal que se mantinha afastado. Emmett estava ao seu lado, segurando sua mão e lhe dizendo que ficaria tudo bem. E ela não precisou de mais nada para saber que era verdade.

- Senhor e Senhora King. – Emmett disse cortesmente. – Boa noite.

- Olá, Rosalie. – Melissa King dissera.

- Nós fomos convidados. – Peter desculpou-se. – Nós...

- Está tudo bem, eu desculpo-os. Vocês erraram, estavam pensando nas cifras e não na vida de sua filha, essas coisas tendem a acontecer quando se pensa assim. – Rosalie antecipou-se. – Antes que perguntem, sim, estou muito feliz, não é pelos bens materiais de Emmett, é porque eu o amo e porque ele não se importou com minha história. Na verdade ele apenas se importou comigo. – Ela sorriu docemente.

- Posso ver em seus olhos como está feliz, Rosie. – Melissa sibilou. – Eu poderia, ao menos, te dar um abraço e ir embora sabendo que não temos desavenças?

- Claro. – Rosalie abraçou sua mãe. Não por um período curto, foi um abraço longo o qual sua mãe derramou algumas lágrimas, sentindo o arrependimento arder em sua pele, como um ferro quente.

Melissa sabia, naquele momento e, talvez há alguns anos, que poderia ter sido ela a emprestar o vestido ou outra coisa. Sabia também que Rosalie era boa demais para deixar que as coisas ficassem estranhas entre elas, e que sua filha era altruísta demais. E o pior de tudo, era que sua consciência estaria pesada pelo resto de sua vida.

- Não precisam ir embora, aproveitem a festa. – Rosalie acrescentou. – Vamos, querido?

- Só um detalhe. – Emmett disse sorrindo. – Não quero confusão na minha festa.

Rosalie riu alto. Agora tudo estava perfeito. Ela seguiu com Emmett onde todos estavam reunidos. Era estranho sentir que não havia mais nada com que se incomodar ou, simplesmente, que não havia nada que poderia martelar qualquer sentimento perturbador.

Alice estava rindo alto. Ela estava envolvida nos braços de Jasper e sentia-se nas nuvens.

- E nem estou brava! – Ela exclamou.

- Como poderia ficar brava, tampinha? – Edward riu.

- É claro que ela amou a surpresa. – Rosalie juntou-se a eles.

- Eu nunca imaginei que casaríamos três filhos de uma vez, querido. – Esme sorriu.

- Quem diria! – Carlisle exclamou.

- Quem diria que as coisas podiam ser assim. – Bella disse num suspiro.

- Eu nem acredito, sabia? – Alice encarou a irmã, que também sorria. – Vamos jogar os buquês?

Rosalie tomou a frente. Já havia uma pequena aglomeração de mulheres solteiras próximas ao palco, e certo alvoroço, porque seriam três buquês. Seria uma tremenda confusão.

Meredith King começou a contagem e as três noivas viraram de costas e começaram a balançar os braços. No três, os buquês voaram rumo às solteiras e algumas delas caíram no chão, reclamando por não conseguirem pegar. Quando Isabella, Alice e Rosalie se viraram, viram três mulheres sorrindo, olhando para as flores em suas mãos. Angêla Weber, Tanya Denali e Christine Lyon pegaram os buquês.

Cello Song – The Piano Guys

Os cellistas posicionaram-se junto a alguns outros musicistas e começaram a tocar uma linda canção. Edward guiou Bella para o centro da pista de dança e sussurrou apenas um “me siga” em seu ouvido; Emmett e Jasper levaram Rosalie e Alice, respectivamente, para o centro do lugar e iniciaram uma linda dança.

Havia fumaça de gelo seco subindo pelo chão, cobrindo o piso branco e misturando-se a iluminação azulada e roxa. Os vestidos brancos e suas contas ganhavam um brilho diferente, os casais girando e girando e girando, seguindo o compasso da linda canção.

Era como um baile num grande palácio, onde as damas e os cavalheiros podiam ser habilidosos dançarinos, onde eles percorriam o salão, rodopiando sem nem titubear.

- Uma noite para comemorações, — Edward disse por fim, ao estacar após a sua primeira dança. – Você está feliz?

- Como nunca imaginei ser possível. – Bella respondeu-lhe e lhe deu um beijo.

- Nada vai nos atrapalhar agora. – Jasper juntou-se a eles e Alice estava envolta em seus braços. – E se isso acontecer... Estaremos todos juntos.

- Nada vai acontecer. – Rosalie dissera confiante.

- Eu tenho a impressão de que... – Alice sorriu torto. – Seremos muito felizes.

- Vamos fazer um brinde! – Emmett fez sinal para que todos se juntassem a eles. Os garçons distribuíram taças com o melhor champagne e os convidados formaram um semicírculo em volta dos recém-casados. – Vamos brindar a nossa família, que está mais unida do que nunca.

- Vamos brindar a nossa saúde e aos nossos dias, para que eles sejam felizes e para que possamos aproveitá-los, nunca se sabe quando passaremos dessa para melhor. – Jasper acrescentou.

- Um brinde ao amor, porque ele supera todas as coisas e nos mantém vivos, inteiros e nos reconstrói. – Bella ergueu uma taça.

- Um brinde meus queridos, — Carlisle e os outros se aproximaram. – às lições da vida e a todas as provas que enfrentamos. Emmett e Rosalie superaram qualquer diferença, Jasper e Alice enfrentaram a dor de uma possível perda, Edward e Bella enfrentaram-se... – O médico riu. – Todas essas coisas, sejam boas e ruins, nos constrói, nos fortalece e nos faz viver. E a maior prova que todos nós enfrentamos nos últimos anos, certamente são as provas de amor.

- Saúde!

“O amor não começa e termina do modo que pensamos. O amor é uma batalha, o amor é uma guerra; o amor é o crescimento contínuo.”

(James Baldwin)

.F i m.

Notas finais
Oláa amoras! :)
É com orgulho que declaro finalizada esta fanfic.
Espero que tenham gostado da história e se ficaram satisfeitas com o rumo que ela tomou, por favor, recomendem ;P
A p´roxima fanfic já está em andamento, é Opera Paris. Quero ver todas vocês lá comentando! :D
Se alguém ainda não está no grupo: https://www.facebook.com/groups/119864531506798/
Beijinhos,
N.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!