Uma Prova de Amor
30 Capítulo 28 - Um Ato de Coragem
Capítulo 28 – Um Ato de Coragem
“Devemos construir diques de coragem, para conter a correnteza do medo.”
Martin Luther King
Exatamente às sete horas e trinta minutos da manhã do dia sete de novembro, dois carros negros, com uma película escura cobrindo seus vidros, deixaram o orfanato. Num deles estavam Edward e Isabella, acompanhados pelo motorista. No outro, havia Alice e Jasper, junto a Esme e Carlisle. Aquela era uma manhã nublada, com nuvens fofas e cinzentas, junto a uma ligeira garoa.
Isabella estava sentada no banco de trás do carro, com a cabeça recostada sobre o encosto. Ela mantinha os olhos fechados e uma expressão que beirava ao vazio, se não fosse pelo nervosismo que tilintava em cada músculo presente em seu corpo. Seus pensamentos eram confusos e seu coração estava disparado. Suas mãos tremiam de ansiedade.
A entrada principal do fórum de Londres estava parcialmente ocupada por alguns repórteres e seguranças. À frente da escadaria, estava Charles, que esperava o carro em que Isabella estava. Alguns flashes já eram disparados e alguns repórteres começavam a dar as primeiras manchetes.
Logo que o primeiro carro negro foi visto dobrando a esquina, os âncoras entraram em êxtase. Alguns avançaram sobre a grade que havia sido montada e outros esperavam conseguir alguma palavra da “jovem Swan”. Quando o carro parou, Edward saiu e abriu a porta para Isabella.
— Bom dia, senhorita Swan. – Charles estendeu a mão.
Bella nada respondeu, apenas esboçou um sorriso fraco e segurou a mão de Charles. Ao sair do carro, Edward passou o braço por trás de sua cintura e guiou-a escada acima.
Poucos minutos depois, fora a vez de Alice, Jasper, Esme e Carlisle. Que subiram a escada principal e foram de encontro a Edward e Bella numa sala separada de todos.
Novamente, outro carro, dessa vez um sedan comum, havia parado no mesmo ponto em que os carros de Edward e Carlisle tinham estacionado. De dentro dele, saiu um homem de cabelos curtos, de cor castanho escuro, bigode e pele clara. Ele estendeu a mão para a mulher de estatura mediana, pele clara e cabelos também castanhos. Ela estava de óculos escuros, portanto, não deu atenção e nem respondeu a qualquer pergunta feita por algum repórter. Apenas segurou a mão de seu marido e ambos subiram as escadas.
Renée e Charlie seguiram seu advogado para uma sala em particular, onde discutiriam os últimos aspectos necessários ao processo, ou apenas onde ficariam longe da mídia.
— Eles já chegaram? – Renée perguntara ao advogado.
- Sim, senhora. Já estão numa sala como esta.
Renée respirou fundo e encarou Charlie, que mantinha uma expressão distante, que chegava a ser quase dolorosa, em seu rosto. Ela sabia que passar por tudo aquilo novamente, só os fariam sofrer... De novo e de novo. A matriarca não conseguia deixar de pensar em Isabella, em como ela estava, em quem havia se tornado, o que fazia, onde vivia, com quem vivia. Por anos, ela nunca pensara neste assunto, “talvez fosse por causa da raiva”, ela cogitava. Mas hoje era diferente, aliás, nos últimos dias têm sido diferente.
— Eu não sei por que ela está fazendo isso. – Charlie declarou.
- Não sabemos, Charlie. Nenhum de nós sabe. – Renée concordou.
- Creio que saberemos quando estivermos na audiência. Como bem sabem, quem vos enviou a intimação foi o senhor Charles. – O advogado falou. – Temos cerca de trinta minutos até o início da audiência.
Passados os trinta minutos que antecediam a audiência, fora instruído aos pais de Isabella que esperassem o chamado do guarda, antes de adentrar o recinto. Os primeiros a entrarem, fora o público que já estava lá, entre eles amigos próximos dos Cullen, de Isabella, Alice e, dos próprios Swan, foram os advogados. Em seguida, Isabella Swan entrara acompanhada de Edward e de um guarda; ambos sentaram-se ao lado do Dr. Charles. As testemunhas de Isabella Swan ficariam fora do local da audiência, uma vez que uma testemunha não podia ouvir o depoimento da outra.
Logo em seguida, Charlie e Renée Swan entraram acompanhados do guarda e sentaram-se ao lado de seu advogado. O casal olhou para o lado direito e procurou enxergar Isabella, que mantinha seu olhar apenas nas mãos de Edward.
A última a entrar fora a juíza, com todos os membros em pé. Ela fez sinal para que se sentassem e deu início a audiência.
A primeira parte consistiria em ouvir ambas as partes, ou seja, a acusação (parte de Isabella) e a defesa (parte de Renée e Charlie). Neste momento o Dr. Charles leu a acusação em voz alta e explicou sobre ela. Em seguida, como segundo ato da audiência, a juíza deveria tentar a conciliação entre ambas as partes, porém, Isabella fez um sinal para Charles, indicando que não estaria disposta a uma conciliação e a nenhum tipo de negociação. E como não foi feito nenhum tipo de acordo inicial – que evitasse todo esse processo -, a juíza chamou a primeira testemunha.
— Que entre a primeira testemunha.
Isabella Swan levantou-se e caminhou para a cadeira onde deveria sentar-se. O guarda segurou a mão dela, ajudando-a a subir e a fez fazer o juramento, com uma mão sobre a bíblia sagrada.
— Você jura dizer toda a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade?
- Sim, eu juro. – Neste momento, Isabella ergueu o olhar e encarou Edward. Ela não tinha coragem para olhar Renée e Charlie depois de tantos anos, tinha medo de falhar e não conseguir dizer o que devia ser dito. Os olhos esmeraldinos de Edward Cullen sustentaram o olhar de Isabella por alguns breves segundos, mas por tempo suficiente para que ela entendesse que ele estaria o tempo todo ali.
- Senhorita Isabella, você se lembra de ter uma vida boa quando morava com seus pais, em sua infância? – Charles levantou-se e perguntou.
- Sim, eu tinha uma vida ótima, que toda criança gostaria de ter. – A voz de Isabella ecoou como um pio de passarinho nos ouvidos de Renée.
- Quando foi que os problemas começaram?
- Quando a leucemia de Emma piorou. – Ela respondeu, apertando uma mão a outra.
- Pode nos contar o que aconteceu em detalhes? – Charles perguntara e Isabella assentiu silenciosamente.
Ela respirou fundo e deixou de encarar Edward, olhou apenas para Charles. Não queria perder sua linha de raciocínio.
— A saúde de Emma piorou naquele dia. Ela teve de ser levada às pressas para o hospital, onde ficaria em observação. – Bella contava. – Eu ouvi os médicos dizerem à Renée e Charlie que Emma estava com um dos rins totalmente comprometido e que o outro estava parcialmente. Então eles disseram que iriam operá-la e que eu doaria o outro rim.
“Emma acenou e eu saí de perto da porta do quarto, porque eles conversavam do lado de fora. Fui até a sua cama e me sentei na ponta. Então ela pediu que eu fizesse um favor a ela.” Bella respirava profundamente e hesitava em algumas palavras, suas mãos suavam e tremiam levemente. Nunca havia sentido tamanha descarga de adrenalina no corpo.
— O que ela lhe pediu? – Charles perguntou suavemente.
- Pediu-me que eu entrasse com um processo para que eu conseguisse minha Emancipação Médica, assim eu não precisaria operar. – Ela pausou. – Mas eu disse à Emma que iria operar, eu não poderia fazer aquilo, pois ela iria morrer. Emma respondeu sorrindo que eu deveria fazer aquilo, porque senão ela sofreria ao me ver sofrer e depender de remédios a vida inteira e que...
Isabella hesitou e derrubou algumas lágrimas. Charles entregou-lhe um lenço, quando o advogado de Charlie Swan interviu:
— Protesto meritíssima. A testemunha está hesitando demais.
- Negado. – A juíza respondeu firmemente. – Continue senhorita Swan.
- Emma disse-me que preferia morrer, que não tinha mais sentido ficar vivendo daquele jeito, sem Taylor, me vendo passar por cirurgias e mais cirurgias somente para que ela pudesse ter alguns meses a mais de vida, enquanto eu viveria anos dependendo de medicamentos.
- Pode continuar nos contando, em detalhes, a história?
Bella assentiu novamente, ainda, sem coragem de encarar seus pais nos olhos.
— Então eu fiz o que Emma pediu. Peguei suas economias, algumas notas das minhas e disse a Renée que iria passear com Bob, nosso cão. Nós morávamos em Oxford nessa época e Emma havia me dito que tinha um advogado jovem, mas que era muito bom, trabalhando na cidade. Eu fui até ele. Seu nome era Josh Cullen.
“De início ele não aceitou, mas quando eu contei toda a história, ele disse-me que eu iria causar muitos problemas, mas mesmo assim eu quis prosseguir. Então ele começou com os processos iniciais. Ele e seu cachorro. Eu não sabia porque Josh levava seu cachorro para todos os cantos, mas sabia que ele estava fazendo um bom trabalho, pois Renée teve que contratar um advogado.
“Houve inúmeras discussões, mas Emma sempre me apoiava. Mas nós nunca contamos para ninguém o verdadeiro motivo, para todos os efeitos, eu apenas queria poder cuidar do meu próprio corpo.
“Então, numa noite em que Emma havia piorado muito, ela faleceu, dormindo nos braços de Renée. Nós fizemos todos os processos para o enterro e, após o velório, fomos para o cemitério de Oxford. Quando o caixão dela, branco e dourado, começara a ser enterrado, Charlie e Renée disseram que eu não precisava voltar para casa, que eu podia voltar para meu advogadozinho.
“Eu estava chorando, mas os deixei ir embora. Eu sabia que eles não voltariam. Andei pelo cemitério e, mais a frente do tumulo de Emma, havia um menino, que também perdera alguém. Ele disse-me que havia perdido seu irmão e eu respondera que havia perdido minha irmã. Fiquei observando ele ir embora com a família, logo depois vi escrito em sua lápide: Josh Cullen.”
— Obrigada, senhorita Swan. – Charles sorriu. – Sem mais perguntas.
O advogado de Renée e Charlie levantou-se e caminhou calmamente para onde Isabella estava. Ele observou a face entristecida da menina e respirou fundo. Não havia o que perguntar e ele sabia que, talvez, aquela fosse uma causa perdida.
— Nunca lhe cogitou procurar os seus pais novamente?
- Não. Renée havia dito que sua única filha havia morrido.
- E como conseguiu chegar a cursar medicina na Oxford University, senhorita Swan? Que eu saiba, é um curso caro. – Ele tornou a perguntar. – Quem te acolheu?
- Eu dormi na igreja naquela tarde, mas à noite, o reverendo me acordou e perguntou o que estava acontecendo, eu apenas disse que não tinha para onde ir. Então ele me deixou dormir num quartinho nos fundos da capelinha e disse que me levaria para um orfanato, pois eu não poderia ficar ali.
“Eu terminei a escola aos dezesseis anos e sempre fui boa aluna. Comecei a estudar com os livros que eu conseguia na biblioteca e passei um ano tentando os exames da Oxford University, entrei aos dezenove anos na faculdade, com bolsa integral.”
— E não teve gasto algum? Ninguém te ajudava com alguma coisa, com algum gasto financeiro?
- A senhora Monforte me ajudava um pouco. Fazia alguns lanches para que eu levasse, assim não precisava gastar com almoço por lá. Eu apenas tinha o dinheiro para pegar um ônibus se fosse preciso. Mas na maioria das vezes, eu ia a pé até a escola das crianças, onde eu voltava com o ônibus escolar que voltava para o orfanato.
- E como chegou a Londres?
- Lá no orfanato eu fiquei amiga de Alice, então, ela saiu da escola e começou a faculdade em Londres. Como eu, Alice era estudiosa e sempre se esforçava, então conseguiu uma bolsa parcial e começou a trabalhar numa loja. E este ano eu tomei coragem e vim para Londres. No final do ano passado eu havia prestado os exames para transferência e passei. A faculdade iria me dar uma bolsa integral, contudo, eu deveria estar trabalhando na área. Então eu comecei a procurar empregos, mas nunca os achava.
- E quando veio para Londres, já tinha um emprego?
- Ainda não, mas consegui após algum tempo. Havia um médico que precisava de uma secretária e assistente, e de acordo com ele eu tinha os pré-requisitos.
- Sem mais perguntas.
O advogado deixou Isabella retirar-se. Ela saiu pela porta lateral e sentou-se no banco. Suas mãos tremiam e sua cabeça parecia que iria explodir. Alice sentou-se ao lado dela e a abraçou. “Vai dar tudo certo”, ela sussurrou no ouvido de Isabella.
Eram onze e meia da manhã e a juíza havia proclamado recesso de uma hora e meia, para que ambas as partes fossem almoçar e, caso quisessem, entrassem num acordo.
Quando voltaram do recesso, sem acordo algum, a meritíssima chamara Carlisle Cullen para testemunhar. Ele subiu no pequeno púlpito, fizera seu juramento e sentara na cadeira.
— Quando soube que Josh aceitou um caso por tão pouca quantia, o que o senhor fez? – Charles perguntara.
- Perguntei a ele o porquê, ouvi sua história atentamente e apenas disse que se ele sentisse que era o certo, deveria fazê-lo.
- Chegou a conhecer Emma?
- Não. Josh chegava todas as noites e nos contava sobre Emma e sobre sua irmã.
- Porque Josh tinha um cachorro?
- Josh sofria de epilepsia e com o cachorro, AJ, era possível que ele se mantivesse seguro antes de uma crise. – Carlisle dizia com uma expressão neutra no rosto e uma voz suave.
- Chegou ao seu conhecimento o resultado do processo de Josh?
- Ele havia nos ligado do escritório em Oxford, para contar sobre os resultados. Os papéis deveriam chegar a suas mãos no dia seguinte, segundo ele nos contara na época.
- Sobre o falecimento de Emma Swan, quando chegou ao seu conhecimento?
- Eu havia ido ao escritório dele dois dias depois ao seu falecimento, para fazer o que devia ser feito, quando sua secretária entregou-me um envelope. Eu abri e vi o processo e um anexo, que constava a emancipação médica de Isabella Swan. Eu pedi que entregassem a ela. A secretária enviou o envelope para a casa dos Swan, depois disso, eu nunca mais soube, até o início deste ano.
- Sem mais perguntas. – Charles dirigiu-se novamente ao seu lugar, que agora era ao lado de Edward e não mais Isabella.
O advogado da defesa levantou-se e caminhou calmamente até a cadeira onde Carlisle encontrava-se. Ele observou o médico por alguns segundos, virou-se de costas, com as mãos cruzadas atrás e respirou fundo, para em seguida, perguntar:
— O que é a Epilepsia, Dr. Cullen?
- A epilepsia é um conjunto de desordens crônicas e neurológicas caracterizadas pela convulsão. – Ele respondera em termos médicos.
- Quando Josh foi diagnosticado com epilepsia?
- Quando ainda era um bebê. Josh tinha em torno de três anos de idade quando teve sua primeira crise. Até os seis anos, suas crises não passavam de três ao dia, porém até os quinze anos, ele passou a ter de cinco a sete convulsões ao dia.
- E o tratamento com cães?
- Josh começou seu tratamento com cães aos dezesseis anos. Suas crises passaram a apenas duas ao dia.
- Alguns estudos nos dizem que o resultado que os cães proporcionam às pessoas portadoras de epilepsia, não são totalmente confirmados. – Ele declarou. – Sendo assim, podemos confiar no trabalho de um advogado epiléptico, cujo distúrbio neurológico poderia afetar seu desenvolvimento?
Nesse momento, Charles levantou-se:
— Protesto, meritíssima! Já consta nos autos que a doença não afetava Josh Cullen em seu trabalho.
- Mantido. – Disse a Meritíssima. – Cuidado, senhor Johnson.
- O fato de se saber, quando se é um epiléptico, que você será avisado com antecedência que terá uma crise, torna a vida mais segura, tanto física quanto emocionalmente. Para Josh, ter um cão alerta significava ficar menos tempo preocupado com suas crises, onde as teria e se poderia se machucar ou não.
- Como foi o falecimento de Josh?
- Ele estava voltando para Londres, quando ouviu AJ latir. Ele não tinha onde parar e apenas diminuiu a velocidade do carro, até achar um acostamento. Ele encontrou, mas era do outro lado da pista, mesmo assim, ele precisava parar ali, só que quando estacionou, ele começou a convulsionar e o carro acabou não freando a tempo e caiu na ribanceira. Houve uma lesão na medula, ele ainda estava vivo quando o carro finalmente parou de cair, mas faleceu rapidamente devido aos ferimentos internos.
- Sem mais perguntas.
Esme suspirou aliviada por não precisar depor. Ela sabia que Carlisle chegaria em casa no final do dia e ela precisaria fazer massagens em seus ombros e lhe dar uma fumegante caneca de chá quente, para acalmar os nervos; todavia, ele sabia que se sua doce esposa precisasse depor, ela não iria aguentar e, provavelmente, voltaria ao abismo em que havia caído tempos atrás.
Quando ele saiu, a juíza chamara outra testemunha, dessa vez, Renée Swan iria depor e Isabella não estava interessada em ver o depoimento dela.
Renée entrou altiva na tribuna. Sentou-se após fazer seu juramento e encarou todos ao seu redor. Seus olhos circularam o ambiente a procura daquela que era o motivo pela qual estaria ali naquele momento. E no lugar dos olhos de Isabella, ela encontrou um par de orbes esverdeados, que a encaravam com raiva e algum sentimento que ela não sabia definir.
Eram quatro horas da tarde, quando Renée Swan subira a tribuna para dar seu depoimento.
— Senhora Swan, nega ter dito a Isabella Swan que sua “única filha havia morrido”? – Charles perguntara.
- Não nego.
- Senhores júris aqui presentes, de acordo com o estatuto do menor, cabe à família fornecer educação e moradia de boa qualidade, bem como apoio de qualquer espécie ao menor. – Charles dizia olhando para os doze membros do júri. – Senhora Renée Swan, quando disse tal fato à, até então, sua filha Isabella Swan, o que a senhora e o senhor Charlie Swan fizeram?
- Protesto! – o advogado da defesa exclamou.
- Mantido. Dr. Charles, seja claro. – A meritíssima sibilou.
- O que quero dizer, meus senhores e senhoras aqui presentes neste júri e nesta tribuna, é que, obviamente, movidos por um sentimento negativo, seja raiva, tristeza, perda, dor, mágoa... Este casal em pauta, Renée e Charlie Swan, abandonaram uma menina de apenas quinze anos! Não lhe deixaram qualquer apoio e não lhe ofereceram qualquer tipo de amparo, quando ela, por motivos que já foram citados e que ficaram claros na época, mas que mesmo assim volto a citar, fez o que qualquer irmã faria.
“Um sentimento de perda, raiva ou qualquer outro que seja, não justifica o fato de que este casal abandonou a própria filha conscientemente! Isabella Swan passou por poucas e boas em todos estes cinco anos. O que é para uma adolescente, que já tinha em sua cabeça o conceito de família, educação e respeito formados, ser abandonada pelos próprios pais?
“Tivemos sorte de Isabella Swan não ter se tornado alguma delinquente, graças à educação e aos valores que seus pais em questão ensinaram, entretanto, pouco sabemos de sua cabeça, do que ela pensa, do que ela sente. Isabella Swan nunca mais entrou em contato com os pais, obviamente encontrou num lar com várias crianças, um apoio que necessitava na época.” Charles terminou seu discurso com êxito. Sentia-se a rainha da Inglaterra falando aos súditos, soube no mesmo instante que havia cativado o júri, quando seu adversário dissera que não tinha mais perguntas.
Charles concluiu que o depoimento do pai de Isabella seria irrelevante, considerando a forma como a situação estava, porém, com uma carta na manga que seria usada mesmo não precisando, ele chamou uma última testemunha:
— Que entre Alice Brandon.
A menina miúda sorriu para o júri, fez o juramento com a mão sobre a bíblia e sentou-se na cadeira. A juíza encarou a menina pequena com curiosidade; de início, pensou ser alguma criança que Isabella cuidara, mas depois concluiu ser uma jovem adulta de pequena estatura.
— Senhorita Brandon, quero apenas que diga como foi quando Isabella chegou ao orfanato.
- Era um dos dias em que a senhora Clarita não nos deixou sair, porque chovia, mas mesmo assim eu fui correr pela propriedade. Cheguei ensopada e entrei pela porta da cozinha, nunca vou me esquecer, de quando vi Bella sentada tomando um chá que Clarita fez. Eu a cumprimentei, mas tive que me conter, porque o senhor Monforte havia dito que ela tinha perdido um ente querido, eu tinha quinze anos também. Mas eu era mais criança do que adolescente.
“Naquela noite, Isabella tinha ido para meu quarto. Eu lhe emprestei um pijama e disse que ela poderia usar minhas roupas, até que Clarita conseguisse algumas que seriam só dela.
“-Meu nome é Alice. – Eu disse a ela.
“-Sou Bella. Há quanto tempo está aqui, Alice?
“-Desde sempre. – Respondi. – Vou ficar com você, Bella. Não vou deixar que aconteça o que quer que tenha acontecido.
“Naquela noite ela me abraçou e chorou por muito tempo, ela me contou o que havia acontecido e eu fiquei imaginando que, no meu caso, eu não sentia falta de uma família porque não havia tido uma. Eu conheci apenas médicos e todos do orfanato; eu também sempre soube que eu nunca seria adotada e que se eu quisesse ter uma família, teria que formar a minha própria. Então, disse a Bella que todos nós ali seríamos a nova família dela, que seria difícil, mas que eu seria a irmã dela, não como Emma, mas do meu jeito.
“E tem sido assim, até hoje.”
Alice fizera um discurso esplêndido! Ela tinha uma maneira de falar que cativava as pessoas e, com todos ali, não fora diferente. A defesa não tinha perguntas e isso só facilitou, pois a meritíssima havia dado um recesso de duas horas, até que eles voltassem com os resultados. Quando Alice já se encontrava fora da sala, ela correu para Isabella e a abraçou.
— Vai dar tudo certo, Bella. – Charles sorriu. – Não existem argumentos.
- Bella. – Edward sorriu.
- Oi. Obrigada por estar aqui. – Ela o abraçou. Bella ainda não estava acostumada a estar numa relação, em “ser”/”fazer” parte de um casal.
- Vou sempre estar. – Ele apertou-a num abraço mais próximo a si.
- Como foi o depoimento dela?
- Como esperava que fosse, Bella? – Charles perguntou-lhe.
- Frio. Sem qualquer remorso.
- Ela contou exatamente o que aconteceu. Sem tirar e nem pôr. Em duas horas saberemos os resultados. Nós conversamos com a meritíssima antes do início da sessão e combinamos que não prolongaríamos muito mais que hoje.
Bela suspirou e tremeu os dedos levemente entre as mãos de Edward.
— Eu não sei como vai ser... Sei que uma hora ou outra, terei que encontrá-los. Renée e Charlie vão querer conversar comigo, vou ouvir — nem sei o que irei ouvir!
- Algum de nós estará com você. – Esme sorriu. — Querido, gostaria de conversar com você a sós, se for possível.
- Venha.
Todos estranharam Esme e Carlisle, porém ninguém procurou saber do que se tratava. Para todos ali e, principalmente, Isabella, as duas horas se passaram lenta e dolorosamente. Ela chegou à conclusão que expor seus pais àquela situação, não faria com que sua situação mudasse e nem que o tempo voltasse, mas faria com que o sentimento de culpa caísse sobre suas mentes.
Quando a meritíssima entrou na tribuna novamente, todos estavam em pé e permaneceram assim, para que um dos membros do júri lesse em voz alta os resultados daquele processo. Eram sete horas e quinze minutos quando eles voltaram:
— Como o júri declara os réus Renée e Charlie Swan?
- Das acusações: Maus tratos psicológicos, que tem por característica interferência negativa dos responsáveis da criança ou adolescente, que não deixa lesão evidente, mas sim de caráter psicológico, influenciando sentimentos negativos e autodestrutivos, culpados.
“Negligência, que consiste no ato de omissão do responsável pela criança ou adolescente, que deixa de prover ao menor adequadamente as necessidades básicas para um perfeito desenvolvimento, culpados.
“Fica estabelecido pelos membros deste júri que o casal deve indenizar Isabella Marie Swan por um período que seja considerado o dobro relacionado ao tempo em que a vítima esteve à mercê da sociedade. Os réus devem indenizar a vítima por um período de dez anos.”
Neste instante o advogado e promotor Charles, levantou a mão, pedindo permissão para falar. A juíza assentiu e ele deu um passo à frente.
— Minha cliente pede que a pena de indenização seja diminuída para um período de apenas seis anos, livrando-os de cumprir a pena em sua totalidade. Ficou estabelecido, também, que minha cliente não gostaria de ter contato com os réus, retirando de sua certidão de nascimento a paternidade.
A notícia havia chocado a todos. Renée e Charlie esperavam fazer as pazes com a filha e não esperava tal atitude.
— Gostaria que Isabella Swan se declarasse. – A juíza pediu.
- Sim, esta foi minha decisão. – Bella disse altiva. – Receber dez anos de uma indenização não fará com que eu me sinta melhor, apenas fará com que eles achem que terão uma filha novamente. Fazer todo este teatro não me fará sentir melhor, menos magoada, ou menos perdida, mas os fará perceberem o seu erro. E a decisão de retirar a paternidade de Charlie e Renée é minha.
- Protesto meritíssima. Se Isabella Swan ainda tem seus pais, eles têm que participar da decisão.
- Objeção. Já não ficou claro que os réus não participam mais da vida de Isabella Swan?
- Objeção mantida. A decisão é de Isabella Swan, se assim ela deseja, assim será.
Charles voltou à meritíssima e ergueu a mão novamente. Ela deu espaço para que ele falasse novamente:
— Meritíssima, gostaria de abordar uma última questão. Para isso, dou a palavra a Esme Cullen. – Charles abriu o pequeno portãozinho, por onde Esme passou e parou em frente à meritíssima.
- Quando meu marido veio nos contar que sua secretária era Isabella Swan, eu sabia que algo em nossa vida mudaria. E hoje, ao ver tudo isso, não posso negar. Considero Bella uma filha, a filha que eu não tive e que agora eu tenho, que trouxe luz para minha vida. Da mesma forma, considero Alice.
“Eu pedi ao Dr. Charles que providenciasse algumas papeladas para esta tarde. Gostaria de adotar legalmente Isabella e Alice.” Esme sorriu e voltou-se para Isabella.
Continua...
Notas finais
Gostaram do capítulo?
O que acharam da atitude da Esme e do Carlisle? :3~
Desculpem a demora, eu iria postar ontem, mas não foi possível porque acabei indo trabalhar num evento e voltei muito tarde. Mas aqui está o capítulo, espero que gostem.
Como eu havia dito, resolvi criar um grupo no facebook... Assim eu posto algumas prévias, atualizações, capas e a gente pode conversar melhor também. Se puderem, entrem lá:
https://www.facebook.com/groups/119864531506798/
Gostaria de ver todas comentando e, se gostarem muito da fanfic, recomendem também.
Beijinhos,
@ninaxaubet
Fale com o autor