Notas iniciais
Oii meninas!
Nos falamos lá embaixo! :)
Boa leitura!

Capítulo 23 – Feelings

Bella

Meu despertador tocou e, sonolentamente, levantei-me e fui para o chuveiro. Era sábado e eu deveria estar no hospital para cobrir o turno de Carlisle... Pelo menos até às oito horas da noite, quando as enfermeiras noturnas chegassem. Saí do chuveiro e me troquei, peguei uma xícara de cappuccino na cozinha, tomei rapidamente e saí do apartamento.

Fiquei cerca de trinta minutos esperando um ônibus passar. E cheguei ao hospital em cima da hora.

- Bom dia, Bella! – Ângela falou quando eu a vi no vestiário.

- Olá, Ang! Não sabia que faria plantão hoje.

- Ah sim, o Dr. Roger precisa tirar o dia de folga, sabe como é. – Ela sorriu. – Você vai demorar para subir?

- Não. Cinco minutos. – Respondi.

Coloquei minhas coisas no armário, mudei de roupa rapidamente colocando uma calça de algodão branca, uma baby look e o meu jaleco.

- Então... O filho do Dr. Cullen não desgruda mais, hein? – Ela sorriu com o canto dos lábios.

- Oh. – Eu senti minhas bochechas arderem. – Nós meio que nos entendemos.

Então, lembrei-me que Ângela tinha uma pequena queda por Eric Yorkie, o geniozinho que ajudara Carlisle com a apreensão da executiva Tanya Denali.

- Acho que posso te ajudar com uma coisa. – Eu sorri.

- Com o quê?

- Eric fez um serviço para Carlisle e nós conversamos um pouco.

- Seria... Legal... Sair com Eric às vezes. – Ela riu. – Preciso ir, este é meu andar.

- Okay, Ang. Até mais.

Continuei no elevador e cheguei ao vigésimo andar. Coloquei meu crachá direito e fui direto para o escritório. Meu dia seria cheio e eu tinha que manter tudo sob controle até o final do turno, e torcer para que algum dos pacientes não tivesse algum tipo de recaída e precisasse do médico oficial e não da estagiária secretária.

Durante toda a manhã, eu não deixava de pensar no que eu havia dito a Edward. Era certo que eu processasse meus próprios pais? Era certo fazer reviver todo o drama de cinco anos atrás, reviver constantemente a memória de minha irmã e de dias fatídicos que mudaram o curso de nossa vida? Constantemente eu me perguntava se Emma iria aprovar esse tipo de situação; eu tinha certeza que ela não deixaria que meus pais me expulsassem de casa, mas se ela estivesse em meu lugar, ela faria isso?

Eu nunca saberia qual seria a resposta de Emma para uma questão como essa. Mas eu tenho certeza que se eu não estivesse aqui hoje e não tivesse passado por aquilo, eu não teria conhecido Edward... e nem Alice.

- Bella, está tudo bem? – Jane perguntou-me.

- Sim, Jane. – Eu sorri e voltei a fazer as checagens diárias. Hoje ela estaria sozinha, porque Heidi não estava muito bem e Aro precisara voltar urgentemente à Itália. – E como Heidi está?

- Alec disse que ela está melhorando. Apenas uma intoxicação. Acho que ela não pode com frutos do mar. – A loura deu de ombros. – E o Ed?

- Está bem. – Eu sorri automaticamente ao pensar nele. – Estamos nos dando bem agora. Se não fosse por você e seu caso, não teríamos nos entendido.

- Pelo menos isso veio com coisas boas, certo? – Ela riu. – E como eu estou hoje?

Jane Volturi estava de cabelos curtos, estilo Joãozinho, porém, eu conseguia perceber que seu corpo já estava se fortalecendo e em breve, quem sabe antes do final do ano, ela pudesse sair dali e passar o natal com uma família que realmente a amava.

- Ao que parece, estamos começando a pisar em terreno firme. – Peguei o estetoscópio e fiz algumas outras medições em Jane.

- Bom, seria legal poder passar o natal com eles, não é?

- Sim, seria ótimo. Você precisa de novos ares. – Eu sentei-me à beirada da cama e encarei-a. – Ouvi dizer que a Itália é bem quente.

- Oh, Alec estava me falando que a maior parte do ano é assim! – Ela vibrou. – Eu gosto de lugares quentes.

- Jane, preciso ir. Tenho que ver outros pacientes ainda hoje. – Levantei-me e caminhei para a porta. – Até mais tarde.

- Até, B. Obrigada.

Durante a manhã e até o horário de almoço, eu deveria fazer a checagem diária em todos os pacientes, para que a parte da tarde fosse tranqüila e eu pudesse finalizar dois relatórios e revisar as dietas. Assim que deixei Jane em seu quarto, fiz o percurso até o quarto de Allan Fitzgerald, Mandy Pembrose, o Sr. Smith e outros dois pacientes que haviam dado entrada durante a madrugada.

Eu estava voltando ao corredor principal do vigésimo andar, quando encontrei umas das enfermeiras.

- Bella, você tem uma visita no escritório. – Ela avisou.

- Obrigada.

Quando cheguei ao escritório, encontrei a porta entreaberta. Edward estava sentado de costas para a porta, em uma das cadeiras de Carlisle. Por alguns instantes, me peguei pensando nele. Seria possível tirá-lo da cabeça pelo menos por um dia? Justamente quando eu achava que não ia vê-lo, ele aparecia. Eu estava ficando obsessiva, ou realmente não queria admitir a mim mesma que Edward tinha um significado muito maior para mim do que eu imaginava.

- Edward, aconteceu alguma coisa? — Perguntei.

- Eu... – Ele hesitou. – Queria te ver. – Logo em seguida exibiu um sorriso desconcertante.

- Oh... – Suspirei.

- Vamos sair para almoçar?

- Hum... Não posso. – Respondi. – Estou sozinha hoje. – Ele pareceu decepcionado. – Mas você pode almoçar comigo aqui. Se você não se importar.

- Seria ótimo. – Edward sorriu novamente e eu me perdi em algum lugar entre seus olhos e seu sorriso.

Edward levantou-se e andou vagarosamente até estar em frente a mim. Meus olhos percorreram cada milímetro de seu rosto angulado e perfeito, parando em seus olhos que me encaravam com intensidade. Seus dedos acariciaram a lateral de meu rosto e logo seus lábios acariciaram os meus.

Meu coração inflou, feliz, aquecido. E eu correspondi ao beijo dele. Não tive outra resposta senão um sorriso, quando nos separamos.

- O que você está fazendo comigo, Edward Cullen? – Perguntei rindo, quando saímos do escritório.

- Eu, sinceramente, pergunto o mesmo. – Ele também riu. – Eu estava tão perdido...

- Nós éramos dois perdidos. – Respondi.

Edward estava ao meu lado no elevador, discretamente senti meus dedos entrelaçarem junto aos seus, enquanto não chegávamos ao andar do restaurante.

- Eu gostaria de te fazer um convite para jantar hoje. – Ele falou quando passávamos pelo Buffet.

- Jantar? Eu não...

- A reserva é somente para as nove e meia, então podemos sair da sua casa às nove, sem problema algum. – Ele dissera.

- Tudo bem. – Cedi.

- Eu vou ficar com você um pouco e depois vou para casa, me arrumo e volto aqui. Levo você para sua casa e te espero. Tudo bem?

- Ok. – Sorri.

Edward

“Compreender é perdoar.” (Madame de Stael)

Saí do hospital após falar com Bella sobre o processo, avisei ao meu pai que eu estava indo embora e desci para a garagem. Segui com o Volvo para fora da área comercial de Londres, passando por entre alguns condomínios, até chegar à mansão branca.

- Boa tarde, senhor Edward. – George cumprimentou-me ao abrir a porta da frente.

- Olá, George.

Subi as escadas e fui para meu quarto. Afrouxei o nó da gravata e deitei na cama, com os pés ainda no chão. Senti minha respiração acelerada e meu coração palpitando.

Deitei-me de costas na cama, fiquei esparramado por cerca de quinze ou vinte minutos, apenas pensando no que eu deveria fazer. George entrou em meu quarto, deixou uma bandeja sobre a mesa redonda que havia no canto, ao lado da poltrona.

- Está tudo bem, Edward?

- Sim, estou apenas pensando no que eu deveria fazer... — Dei de ombros. — O que Lena fez?

- Alguns bolinhos. Trouxe com uma caneca de chocolate quente. — Ele sibilou. — Ela ainda insiste em mimá-lo.

- Eu gosto. — Sorri torto, levantando-me logo em seguida e mordendo um bolinho.

Lena e George, assim como o resto dos empregados estavam em nossa família desde que meus pais se casaram. Assim, Lena sabia perfeitamente o que eu gostava. George insistia que ela nos mimara demais; e eu não discordava.

No restante da noite, optei apenas por jantar agradavelmente ao lado de Esme e Carlisle, e assistir um programa qualquer na TV. Não havia qualquer outro assunto que não fosse aquele momento. E por um lado, me senti bem, como a muito não me sentia. E eu sabia que devia isso à Isabella, era quase que uma obrigação, um dever, que tivesse que ser feito por mim. Assim como Bella me devolvera à vida e à minha família, eu deveria fazer o mesmo por ela.

Na manhã seguinte, ainda de pijamas, peguei minha maleta e desci ao escritório. Abri o notebook Apple e comecei uma pesquisa básica, que qualquer pessoa faria, no Google. Digitei "Charlie Swan" na busca.

As primeiras páginas apenas faziam uma listagem de alguns homens com o mesmo nome, Charlie. Porém, os resultados das páginas seguintes me forneciam as informações que eu necessitava. Fiz algumas anotações num bloco de notas e voltei a pagina inicial do Google. Na caixa de busca, digitei Renée Swan.

Após a pesquisa, fechei o navegador e reli tudo o que eu havia escrito. Sorri internamente por ter acesso a determinados arquivos, que a carta do órgão de advocacia inglês podia me fornecer.

Assim que as ligações foram feitas, peguei alguns pertences da mesa e subi. Minutos depois, eu já estava descendo a sala de estar trajando uma calca social preta e camisa branca. Eram nove horas da manhã.

Eu guiava o Volvo acima da velocidade permitida nas estradas que rodeavam a cidade de Londres. A rodovia plana e ampla deu lugar a uma estrada de apenas duas vias, que circundava pequenas montanhas. Eu não sabia exatamente em qual, mas sabia que em algum lugar por ali, Josh falecera.

Afastei os pensamentos ruins e continuei meu caminho. Quando cheguei a Oxford, fui diretamente ao local que me interessava: o hospital.

O centro médico St. Jenkins de Oxford ficava próximo a uma área residencial da cidade. Não era difícil de localizar-se ali, já que eu estava acostumado a ir a Oxford com freqüência; a cidade era parecida, em alguns aspectos, com Londres, porém, havia um número menor de habitantes.

- Bom dia — Eu dissera a recepcionista do hospital. – Estou aqui para ver os arquivos gerais do hospital em nome do Sr. Charles Figgins.

- É o Sr. Charles? – Ela fez uma careta de mau humor.

- Sou Edward Cullen, vim em nome dele; foi informado a administração que eu viria. – Respondi o mais educadamente que eu pude.

A recepcionista fez outra careta e pediu meu documento de identificação. Após alguns minutos de espera, fui instruído a seguir o corredor, pegar o elevador e descer um andar. Percorri os corredores do andar térreo e do primeiro subsolo até encontrar um auxiliar geral, que me levaria até os arquivos e a pessoa responsável por eles.

O arquivo era imenso. Cercado por grades, fechaduras digitais e eletrônicas, câmeras de segurança e um guarda presente quase que constantemente naquele local. Fiz um aceno de cabeça ao guarda e agradeci ao auxiliar geral.

- Edward? – O homem falou. – Desculpe pela recepcionista. Ela nunca está de bom humor. – Ele riu.

- Eu entendo perfeitamente, não se preocupe. – Sorri. – Então, até que ponto posso ter acesso aos arquivos?

- De acordo com nossa conversa pela manhã, creio que não haja problema em lhe dar um acesso total. Quando há uma ação judicial envolvida, nós realmente queremos fazer o possível para ajudar. – Ele guiou-me a uma sala, também cercada por grades, onde havia uma mesa de seis lugares, uma caixa com canetas, papéis, lápis, lupa e uma lamparina móvel.

- É um bom argumento. – Acrescentei. – E diga-me uma coisa. Os arquivos são mantidos por quanto tempo, até que sejam descartados?

- Como temos muitos casos em que temos que consultar o histórico do paciente, então alguns casos são exceção. Mas geralmente, em torno de dez anos. – Ele girou a chave pela fechadura da grade. – Tomei a liberdade de separá-los aqui.

- Fico agradecido. Algum desses médicos ainda está presente aqui? – Perguntei folheando rapidamente o prontuário.

- Creio que sim. Este é um caso recente. – Ele coçou a cabeça. – Vou ver quem posso arranjar-lhe. Se isso ajudar.

- Ótimo, obrigado.

O homem saiu, encostou a grade e deixou-me com as seis caixas de documentos. O primeiro arquivo da primeira caixa tratava-se dos aspectos gerais de Emma Swan e de todo seu histórico. Havia informações sobre Charlie Swan e Renée, sobre o nascimento de Emma, documentos assinados por médicos e outros prontuários. Eu não teria tempo suficiente para vasculhar todas as caixas, mas esperava contar com um pouco de sorte e achar algum arquivo que dissesse a respeito do nascimento de Isabella.

Folheei rapidamente várias pastas e vislumbrei apenas o essencial de algumas caixas, até conseguir encontrar os primeiros arquivos com o nome “Isabella Swan” presentes.

Sentei-me novamente a mesa e comecei a fazer anotações relativas ao nascimento e toda e qualquer ocorrência grave, ou não, que fora dada entrada naquele hospital. Cada vez mais, eu tinha certeza que estava fazendo o certo. E a cada palavra lida nos relatórios, eu percebia o quão insano um ser humano podia ser.

-Conseguiu achar o que queria? – O homem do arquivo perguntou-me novamente.

- Sim, consegui. Será que eu poderia levar uma cópia destes arquivos?

- Isso será possível somente entrando em contato com a direção.

- Farei o possível, obrigado.

Peguei a caixa menor, que continua os arquivos de Isabella Swan e saí do cubículo. O escritório do diretor do hospital ficava no andar superior. Levei cerca de meia hora para conseguir falar pessoalmente com o diretor. Apenas o que consegui foi ter acesso total aos arquivos que eu precisasse e aos médicos que fosse necessário, entretanto, nenhum arquivo poderia deixar o hospital.

Resolvi prevenir-me e mandei um e-mail para Charles, falando sobre minha visita e sobre o que eu havia visto de material. Cinco minutos depois, meu celular vibrava com as ligações insistentes do meu chefe. Inferno.

“Edward, isso foi irresponsável!” Ele dizia, exasperado. “Eu esperava, sinceramente, que você não fizesse nenhuma asneira, mas você simplesmente o faz! Porém, fico, ao menos, contente em saber que você foi cauteloso e não mencionou nada sobre o processo.”

- Eu preciso que você emita um mandado para termos acesso livre a todos os arquivos. Só o que eu posso fazer no momento é lê-los. – Expliquei. – E claro, — Apoiei o celular no ombro para abrir a porta do carro. – Tenho algumas fotos que tirei de alguns arquivos e algumas anotações num papel, mas é só.

“Que, afinal, raios você foi fazer aí, Edward?” Ele perguntou, um pouco nervoso.

- Procurar mais sobre Isabella.

“É exatamente por isso que você não pode estar dentro deste caso! É envolvimento emocional.” Charles suspirou. Pausou por um tempo, mas depois voltou a falar. “Tudo bem, deixarei você fazer toda a pesquisa, mas faça tudo em meu nome. Depoimentos e contatos direto com médicos, estão fora de cogitação. Eu farei quando ler os arquivos.” Ele dissera por fim. “O que vai fazer agora?”

- Pretendo ir até a empresa onde o pai dela trabalha. Quero saber o que ele faz e como está vivendo, o que afetou sua vida ou não. – Respondi. – Não falarei sobre o caso e nem sobre Isabella. Apenas uma sondagem.

“Certo. E não use seu nome. Falamo-nos na segunda. Mande-me tudo por e-mail no final do dia.”

Charles Figgins era exigente, não era a toa que ele tinha o status de um dos melhores advogados da cidade e a fama de ter conseguido desestruturar uma facção criminosa poderosa no início de sua carreira. Embora sua exigência fosse realmente irritante na maioria das vezes, Charles era uma boa pessoa e sabia o que estava fazendo.

Encerrei a ligação e coloquei o celular no suporte para viva-voz e sai do estacionamento do hospital. O próximo destino era o comércio/empresa de Charlie Swan. De acordo com o que eu havia visto na internet, o pai de Bella era dono de uma empresa responsável por vendas de produtos importados.

- Boa tarde, eu gostaria de falar com Charlie Swan. Sou Edward Masen, faço comércio exterior na London College. – Menti para recepcionista loura.

- O senhor tem horário?

- Não, sinto muito. Não sabia que eu deveria ter horário. – Fiz uma careta.

- Vou ver o que posso fazer.

A vida era uma fila de espera, e a minha estava se tornando cada dia mais literal. Eu estava sentado numa cadeira almofadada na antessala de Charlie Swan. Todo o lugar lembrava-me, um pouco, a recepção do prédio onde minha mãe trabalhava. Todavia, no lugar de pinturas abstratas e esculturas modernas, como no local onde minha mãe trabalhava, aqui havia apenas alguns retratos e o ambiente era mais clean.

- Sr. Masen, pode entrar. – A recepcionista levantou-se e guiou-me até a porta.

Quando entrei, encontrei um homem de meia idade, de cabelos castanhos curtos, olhos de mesma cor e um bigode escuro sob as narinas. Charlie Swan tinha a pele branca e trajava uma camisa pólo e calça social. Os sinais da idade estavam estampados em suas rugas, presentes em seus cinqüenta anos. Sobre a mesa, havia dois porta retratos; em um havia sua foto junto a uma mulher de cabelos cor de caramelo (provavelmente Renée Swan); e noutro havia uma menina de cabelos longos, ondulados e num tom caramelo escuro. Isabella ou Emma?

- Boa tarde, Sr. Swan. – Apertei sua mão.

- Boa tarde, em que posso ajudá-lo? – Ele perguntou numa voz monótona.

- Sou Edward Masen e estou no último ano de comércio exterior. Minha turma está fazendo um trabalho sobre o tema e eu fiquei encarregado de procurar um profissional da área. Então, estive pesquisando e achei interessante entrevistar alguém que conhece todo o processo e, inclusive, como observei no site da empresa, o senhor está presente desde que ela era apenas um trabalho informal.

Discorri habilmente sobre o assunto. Ele pareceu impressionado, mas mantinha o cenho franzido durante a maior parte do tempo. Após alguns minutos, ele suavizou sua expressão.

- Bem, o que posso dizer, a empresa cresce com o trabalho árduo de muitas pessoas. – Ele iniciou sua conversa.

Charlie Swan realmente era um homem que trabalhava duro por aquele lugar. Ele contou-me absolutamente tudo o que o tempo, e minhas perguntas, o permitiam sobre a empresa. Porém, numa pausa, passei os olhos sobre a folha com as anotações sobre Isabella Swan e sua irmã mais velha falecida.

- Senhor Swan, se me permite, eu tenho algumas perguntas de caráter mais pessoal. — Eu disse sério.

- O que isso quer disser? Não é sobre a empresa?

- Sim, senhor. Apenas perguntas relacionadas a isso. – Respondi. – Por exemplo... O que a sua família pensa sobre o tempo que o senhor gasta, lidando com a empresa?

- Eu sou um pai presente e um marido presente, se é o que está perguntando.

- Entendo. Mas nós sabemos que às vezes precisamos fazer alguns sacrifícios e, em alguns casos, a família acaba sendo a vítima. O senhor passou por isso? O que o senhor sacrificou quando foi preciso? – Perguntei, de forma cética, sem tentar mencionar “uma filha doente”.

- Acho que já sacrifiquei ambos. Houve um tempo em que eu tive que escolher entre a família e o trabalho, mas por questões pessoais, precisei dar um tempo no trabalho.

- Entendo. O senhor é realmente um pai dedicado e um gerente de vendas exímio, senhor Swan. – Sorri. – E tem uma família muito bonita. – Eu dissera observando as fotos.

Ele sorriu e pareceu perder-se em suas memórias. Peguei o porta-retrato onde havia a foto da menina e observei melhor. Aquela era Emma Swan, antes de todo e qualquer problema.

- Esta é minha filha, Emma. – Ele sorriu. – Faleceu há alguns anos. E esta é minha esposa, Renée.

- Sinto muito pela sua filha, ela era realmente muito bonita. Bem parecida com sua esposa, se me permite o comentário. – Eu disse.

- Emma faleceu a alguns anos de leucemia e foi durante este período que tive que dar um tempo em minha função na empresa. – Ele falou. Havia algum sentimento que eu não podia identificar em sua voz.

- É realmente triste. Desculpe por fazer o senhor reviver uma lembrança tão ruim. – Murmurei sentindo, realmente, um pouco de culpa. Porém o sentimento esvaiu-se quando percebi que em momento algum, ele mencionou sua filha mais nova. – Bem, obrigado pelo seu tempo. Meus professores vão gostar muito do seu depoimento.

- Não há de quê. Não se preocupe quanto a isso. Já faz tempo, ela faz falta, mas está melhor agora. – Ele sorriu. – Prazer, Sr. Masen.

Eu sai da empresa, fui ao estacionamento e entrei no carro. Liguei novamente a Charles e pedi que ele me fizesse um favor e assim que conseguisse fazê-lo, me ligasse em retorno. Já passava do horário de almoço quando eu estava saindo de Oxford.

(...)

Ás oito horas da noite eu estava com o volvo parado na vaga do meu pai no hospital. Subi até o vigésimo andar e encontrei Isabella terminando seus afazeres. Dei boa noite a ela e fui até o quarto de Jane Volturi. Troquei algumas palavras com ela, até que Bella estivesse pronta.

- Então, aonde vamos? – Ela perguntou.

- Eu quero que você veja uma coisa. – Disse a ela. – Na verdade, quero te mostrar algo.

- Vai subir? – Ela perguntou, meio receosa, quando parei em frente ao prédio de pintura descascada.

- Claro.

O apartamento de Isabella e Alice era pequeno, uma cozinha e sala juntas, apenas dividas por um corredor minúsculo e um balcão, provavelmente a única mesa do local. Havia um sofá de dois lugares num tecido de estampa de linhas, com textura. Era marrom, em frente a ele havia uma mesinha de centro, baixa, com um vaso. Havia dois porta-retratos, ambos tinham Bella, mas um havia Alice e outro Emma.

- Eu vou... – Ela deixou-me na sala, sem terminar a frase.

Andei por trás do balcão e passei pela cozinha, nos fundos havia uma máquina de lavar e um varal pequeno. Voltei para a cozinha e olhei para a pia. Somente alguns pratos. Voltei para a sala e sentei-me no sofá. Algum tempo depois, Isabella estava de volta. Eram oito horas e quarenta e cinco.

- Espero que... Não esteja muito simples. – Ela sibilou. Claramente, seu jeans estava surrado, assim como o tailleur. Ela usava uma sapatilha preta, simples, sem desenho algum.

- Não está... Perfeito. – Comentei sorrindo. Seus cabelos estavam soltos e ondulados.

- Eu não saio muito e...

- Vamos.

Bella estava sentada apreensiva no banco do carro. O vento estava muito fresco, talvez um pouco mais frio naquele dia. Apertei o botão e subi um pouco os vidros. Ela me fitou por alguns segundos e sorriu.

- O quer me mostrar, Edward? Por que estamos indo a Oxford? — Ela perguntou, ao ver a placa com o nome da cidade e a direção que deveríamos seguir.

- Apenas um restaurante com uma vista agradável. — Sorri e pousei meus dedos sobre os seus.

Eu estava apreensivo. Eu era conhecido por agir sem pensar e estava me questionando se eu iria fazer o certo. Com os pensamentos longe e uma parte da mente ocupada com a direção do volvo, acelerei quando já havíamos ultrapassado os trechos com curvas perigosas e fechadas.

- Jasper foi ontem ao hospital. — Eu disse de repente.

- Ah, sim. Ângela me avisou e eu fui vê-lo. — Bella fitou a estrada. — Apenas cumprimentei-o, e o Dr. Roger disse-me que ele está bem.

- Não sei o que eu faria se ele... — Murmurei, afugentando o pensamento ruim.

- Ele não vai. — Ela falou. — Jasper é muito importante para você

- Muitas pessoas são importantes para mim. — Declarei, enquanto guiava o volvo pela avenida principal. — Inclusive você.

Bella corou.

- Mesmo? — Ela duvidou.

- Sim. Realmente muito importante. Achei que já soubesse disso. — Respondi. — Vamos.

Saí do carro e rapidamente abri a porta do lado dela, antes que ela o fizesse. O manobrista sorriu e pegou minhas chaves. O restaurante era de comida italiana. O ambiente era rústico, lembra-me uma cantina italiana, com todos aqueles ornamentos, quadros, vinhos e suas toalhas xadrez. Quando entramos, eu disse ao maitre meu nome e ele nos guiou até a mesa.

Estávamos no canto mais reservado do lugar. A mesa ficava sob um arco de gesso com arabescos que lembravam folhas de videira. Havia duas cortinhas nas janelas. O restaurante ficava na parte mais alta da avenida e aquela mesa, especificamente, era a que tinha a melhor vista da paisagem urbana. Mas eu não havia escolhido aquela mesa somente por conta da vista.

- Tem certeza que quer comer aqui? — Ela perguntou, com certo receio na voz. — Eu não sei se...

- Eu convidei e eu vou pagar. — Respondi.

- Não estou acostumada a ter alguém pagando as coisas para mim, Edward.

- Pois então se acostume. — Eu sorri torto.

- Meu pai nos trazia aqui. — Ela disse, de repente. – Nós quatro. Sentávamos lá. – Ela apontou a mesa vazia do outro lado do lugar. – Porque lá nós ficávamos perto do piano.

- Eu apenas gosto da comida daqui. – Dei de ombros.

Isabella ponderou. Seu olhar chocolate encarou-me profundamente, era como se ela soubesse exatamente porque estávamos ali. Eu me sentia culpado e ela pareceu perceber isso. Sua expressão era séria.

Instintivamente, como se soubesse o que iria acontecer, ela olhou em direção a porta e arregalou os olhos. Eu estava ferrado. Bella abaixou a cabeça e logo em seguida, levantou-a novamente, depois se arrumou na cadeira e ficou de costas para a porta. Seu olhar me fuzilou.

- O que você pretendia? – Ela perguntou lentamente, num tom de voz baixo. – Me trazer para jantar no mesmo local que os meus pais? O que é isso, Edward?

- Eu queria que você os visse. Não sei. – Murmurei. – Queria que eles a vissem. Vissem como você está bem.

- Para fazer o quê? Me magoar?! – Ela rosnou. – Eu passei anos tentando esquecer alguns momentos. Eu mal pisava em Oxford por causa disso, por causa deles!

- Eu vim até aqui hoje cedo. Vim fazer uma pesquisa, coletar dados para o caso. – Disse num tom quase cético. – Eu precisava trazê-la até aqui para que você saiba se quer fazer isso ou não.

Bella

Ver meus pais entrando naquele restaurante despertou sentimentos em mim que eu havia enterrado há muito tempo. Meu coração começou a palpitar e, por um instante, meus olhos encheram-se de lágrimas.

- Eu li todo o seu arquivo. – Ele declarou.

Gelei.

- Eu tenho acesso a cada operação, cirurgia, intervenção médica de qualquer grau. Tenho acesso aos arquivos desde que você estava apenas sendo planejada e combinada, até o dia em que Emma faleceu.

Eu não sabia se meu sangue fervia ou se gelava cada vez mais. Inspirei o ar profundamente e fiquei em silêncio, pensando sobre o que era certo a se fazer.

- Seu arquivo é enorme. E Charles vai conseguir um mandado na segunda-feira, assim vamos tê-lo por inteiro no gabinete. – Ele dizia. – Não vai ser um processo demorado.

- E qual seu objetivo com isso, Edward? – Perguntei incerta. – Você quer que eles me vejam, você quer o quê?

- Quero que você saiba que estive no escritório de seu pai. – Ele tomou um gole do vinho tinto que o garçom acabara de deixar em nossa mesa. – E que enquanto conversávamos, perguntei sobre o trabalho e como isso afetava sua família, ele apenas disse que teve um período que ele ausentou-se do trabalho por conta da doença da filha, da única filha Emma.

Não era de se esperar que Charlie dissesse este tipo de coisa. Quando Emma faleceu, eu apenas me lembro dele abraçar Renée e então começarem a chorar. Minha mãe precisou ser sedada e ele teve que cuidar dos preparativos para o funeral. Sendo assim, eu não sentia ressentimento algum por ele estar fazendo isso.

- Não me vanglorio por isso. Mas eu gostaria de saber o que eles sentem sobre mim. – Falei baixo. – Se ao menos... Sentem a minha falta.

- Não se preocupe. Eles saberão quando for necessário. – Edward sorriu lindamente e pelo resto do jantar, perdi-me em suas conversas agradáveis, seus olhos verdes, seu sorriso lindo.

Quando saímos do restaurante, eu andei altiva ao seu lado. Não me preocupei se eles iriam me ver ou não, porque na verdade eu gostaria de surpreendê-los quando recebessem a intimação de ir ao tribunal. Eu não sabia qual seria minha reação, mas também sabia que eles me deviam isso... Deviam a mim e deviam a Emma.

Em Londres, Edward deixou-me em frente ao edifício que eu morava. Ele saiu do carro e abriu a porta do meu lado. Sem dizer nada, Edward enlaçou-me pela cintura e colou seus lábios aos meus. Seu beijo era quente e morno, seu abraço era aconchegante, como eu nunca tinha sentido antes.

Eu estava apaixonada por Edward Cullen.

Notas finais
Olá, olá! :P
Primeiro, peço desculpas. Dessa vez a culpa é meio minha e meio da Jéh. EU demorei horrores para escrever este capítulo; ele ficou imenso, acho que o maior que eu já escrevi entre todas as fanfics (quase 13 páginas, ou 13 páginas realmente no word). Eu não sabia, exatamente, como dividi-lo, então optei por deixá-lo inteiro. Acho que ficou melhor. Também demorei á postar porque que a Jéh não está tendo muito tempo para betar, devido a faculdade e suas aulas.
Well, em relação á fanfic...
Eu não pretendo me prolongar muito ao escrevê-la. Não quero fazer de "UPA" uma história com 40 ou 50 capítulos; creio que ela não chegará aos 40... De agora em diante, vai se seguir o processo da Bella, a doença de Jane, o relacionamento de Jasper e Alice, Rosalie e Emmett, e as consequencias que esse "processo da Bella" vão acarretar. Isso é só para que vocês se mantenham informadas.
E, por fim, quanto ás postagens...
Elas vão ser mais demoradas, entretanto, gostei muito dessa idéia de escrever capítulos mais longos, acho que eles ficam mais completos... Bem, eu e a Jéh andamos hiper ocupadas com a faculdade, então não estranhem se sumirmos...
Se quiserem entrar em contato:
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Well, por enquanto é só.
Comentem e recomendem.
Beijinhos,
N.