Uma Prova de Amor
13 Capítulo 11 - Sorria, Jane
Capítulo 11 – Sorria, Jane.
No mesmo dia em que conseguiu o mandado de busca para a casa do avô paterno de Jane Volturi, a unidade de crimes especiais da polícia, junto com Edward e Isabella, foram ao local determinado, em busca das tais provas. A casa onde o avô da menina vivia, e onde ela morava não eram o mesmo lugar, a diferença dos lugares era totalmente contrastante. Isabella ficara chocada com o ambiente em que a menina era obrigada a viver. Chegaram à conclusão que era tudo por causa de uma herança.
Fotógrafos da polícia andavam ao lado de Isabella, examinando cada cômodo minuciosamente. A cozinha estava em péssimas condições, havia alimentos não consumidos e em estado de decomposição; nos quartos, as roupas de cama cheiravam a mofo; o banheiro era tomado por crostas de sujeira; e a dispensa, continha somente o essencial para a sobrevivência, água e pouquíssimos mantimentos.
No escritório da casa, único lugar que estava em condições de receber um ser humano, foram encontrados e-mails impressos, com endereços italianos, números de telefone e extratos bancários, com valores que eram depositados semanalmente numa conta bancária.
- Vai tudo para o laudo. – Isabella declarou. – Esta casa é inabitável, ainda mais para uma criança como Jane.
- Não se preocupe Dra. Swan, estamos a par de tudo. – Um dos policiais forenses afirmou, enquanto fotografava cada documento que encontrava no escritório.
No dia seguinte, os resultados da perícia chegaram a mesa do juiz, no gabinete do fórum. O meritíssimo ficara extremamente consternado com os resultados do laudo e, contra suas regras, prometera a si mesmo que iria ao hospital visitar a menina. Porém, ainda era impossível, porque Jane estava debilitada e não tinha condições de receber visitas.
Bella
- Quanto tempo faz que ela está no hospital, Bell? – Alice perguntara, quando nós duas estávamos num barzinho de esquina, aproveitando meus dois dias de folga que Carlisle me dera.
- Um mês e duas semanas. – Pensei sobre o tempo em que Jane ainda ficaria no hospital. – E eu ainda fico preocupada com o estado em que a doença dela regride, está muito lento.
- E quando será a audiência, o Edward já sabe?
- Infelizmente não, Allie. Com o estado de Jane, é impossível ela sair do hospital. – Respondi, temendo que ela nunca mais saísse daquela cama e não pudesse chegar a ver sua casa na Itália.
- Hey, ela vai sair dessa. É só uma questão de tempo, agora que ela está bem cuidada. – Alice ponderou vendo minha expressão de preocupação.
- E eu ainda me apego. Mas não tem problema, vale a pena por cada um deles.
- Sim, vale. Você é corajosa por tentar fazer o impossível, e é corajosa por ser forte por eles. – Ela disse suavemente, com um brilho nos olhos. E desde que eu conhecera Alice, há cinco, agora quase seis, anos atrás, era esse brilho e as palavras suaves que me confortavam. Alice, por mais alheia que fosse, sabia o que dizer e sabia como agir.
- Obrigada, Allie. – Sorri, confortada, com as palavras delas.
- Vamos embora. Amanhã vou ao hospital visitar a Jane. Podemos levar alguma coisa para ela?
Ponderei. Jane provavelmente estaria de cama, mas isso não nos impediria de levar algum jogo para distraí-la ou quem sabe, algo diferente que ela pudesse comer. Talvez, fazer isso por Jane a ajudasse, assim como quase ajudou Emma, se não fosse pelo seu estado.
- Já sei o que podemos fazer.
Logo em seguida, pagamos a conta, meros cinqüenta reais, entre comes e bebes. Caminhamos cerca de cinco quadras pela avenida principal da cidade, até chegar a uma rua de mão única, que era a do nosso apartamento. O ar fresco da noite londrina era refrescante, as luzes da cidade em contraste com o céu negro e o verde, que agora se tornava mais escuro e dava a cidade uma aura antiga.
E no dia seguinte, pontualmente às oito horas nós já estávamos de pé. Alice levantara antes e preparara o café, enquanto eu cuidava de arrumar a casa, já que não tínhamos muito tempo durante a semana. Em torno de nove horas eu estava terminando de organizar a sala e a cozinha, deixando apenas o leite, chá, torradas e geléia no balcão, ao passo que Alice tomava seu banho e se arrumava... Quando eu me arrumei e já estávamos de saída, eram onze horas. Teríamos tempo o suficiente para passar no hotel e ver como os Volturi estavam.
- Bom dia. – Sorri para a recepcionista, as onze e meia. – Viemos ver a família Volturi. Eu sou a secretária do Dr. Cullen.
- Bom dia, senhorita Swan. Aro Volturi já está a sua espera.
Guiei Alice até o saguão do hotel, seguindo pelo amplo salão, até o restaurante, onde Aro e sua família nos esperava.
- Boun giorno, signorita Bella. – Aro sorriu.
- Bom dia, senhor Aro. Esta é minha Alice Brandon. Nós estamos indo para o hospital agora. – Disse-lhe.
- Eu já cuidei para que minha irmã tenha diversão, na medida certa. – Alec falou.
- Isso é bom. Vamos, Jane almoçará em breve.
Como era de se esperar, já havia uma minivan, estilo SUV a nossa espera. Era o motorista que Carlisle indicara para o senhor Aro, enquanto este ficasse na Inglaterra. Cumprimentei o motorista e ele fez todo o percurso até o hospital. E embora eu estivesse de folga, tirei meu crachá de dentro da bolsa e avisei que estávamos subindo. Meu chefe já nos esperava em sua sala.
Quando encontrei Carlisle, tive a impressão de que ele dormira pouco na noite anterior; seus olhos tinham olheiras arroxeadas e ele estava mais pálido que o normal. Perguntei-me se ele tinha passado a noite em claro trabalhando, pensando em problemas, ou simplesmente não dormindo. Quando lhe perguntei se ele estava bem, ele respondera que fora apenas mais um dos problemas que Edward causara.
- E como mia neta está hoje?
- Muito bem. Tratou de dormir a noite toda, depois que eu lhe disse que vocês viriam aqui. – Carlisle sorriu. – E parece que temos um pequeno resultado. Houve uma regressão de quase vinte por cento das células cancerígenas.
- Alegrou nosso dia, Dr. Cullen. – Heidi exibiu um sorriso estonteante.
-Então, vou até o quarto dela ver como ela está. Assim que vocês terminarem de acertar seus assuntos, vão até o quarto.
Em seguida saí do escritório e fui com Alice para o quarto onde Jane se encontrava. Diferente da noite anterior, a aparência dela era ligeiramente melhor, não que uma redução pequena das células cancerígenas fosse uma mudança que mostrasse uma clara diferença, pelo contrário, não mostrava; porém, uma noite bem dormida e uma alimentação adequada, fazia toda a diferença, física e psicologicamente.
- Bella! – Jane exclamou.
- Oi, vejo que você está bem hoje. Está mais corada. – Assinalei.
- É, eu dormi muito, sabe. – Ela comentou. – Quem é sua amiga?
- Essa é Alice.
- Oi Alice, sou Jane. Pena que você me conheça neste estado.
- Não, você está ótima. Não se preocupe. Eu e a Bella, e o seu avô, seu irmão e a..
- Heidi é o nome dela. – Jane completou.
- Sim, todos nós ficaremos com você hoje. – Alice sentou-se na beirada da cama. Seus pés não tocavam o chão.
- Você é baixinha. Parece uma fadinha. – Jane encarava-a sorrindo.
- E você faz os anjos de Botticelli parecer gárgulas.
- Sou tão bonita assim?
- Sim, e você não se vê com tanta clareza, não é? – Perguntei, sabendo que ela não iria responder, continuei. – Alice, fique aqui com Jane, preciso conversar com Carlisle por alguns instantes.
O almoço de Jane havia chegado e Alice fez companhia a ela, enquanto eu me dirigia ao escritório de Carlisle, pensando que talvez, fosse legal dar a Jane, algo que ela nunca tinha tido.
- Com licença?
- Bella!
Eu sorri. Alec estava entretendo-se com algum dos livros de Carlisle, enquanto Heidi e Aro discutiam com Carlisle sobre o tempo em que Jane ainda ficaria no hospital e as despesas que meu chefe tinha tido com ela. E Aro Volturi parecia não se importar em gastar, visando que ele continuaria naquele hotel cinco estrelas com Heidi e Alec, pelo tempo que fosse preciso.
- O que houve, Bella, algum problema com minha irmã?
- Não, Alec. Nenhum. Na verdade gostaria de fazer uma pergunta, Dr. Cullen. – Pedi. Ele nada disse, apenas assentiu e eu continuei. – Vendo que Jane está bem melhor hoje, pergunto-me se ela poderia sair para um passeio.
- Sair? – Heidi engasgou. – Onde mais ela iria. A senhorita mesma disse que o organismo dela está com baixa imunidade...
- Sim, eu disse. Porém, se ela fazer uso de máscara e for ao lugar certo, tenho certeza que não teria problema algum... Assim ela não ficaria tanto tempo aqui.
Carlisle ponderou.
- E onde a levaria?
- Acontece que eu e Alice, aos sábados, a cada um ou dois meses, visitamos um orfanato e passamos a tarde com as crianças e os jovens de lá. – Expliquei.
- Ela poderia passar a tarde com outros jovens.
- Sim, Sr. Volturi. E ela iria gostar, imagino. Eles são pessoas boas, apenas não tem família. – Sentenciei, querendo que todos eles concordassem com a minha idéia. E Carlisle, acima de todos, pareceu perceber que eu sabia que passar uma tarde fora, poderia ajudar.
- Nós todos vamos. – Alec sorriu. – E ajudaremos no que for preciso.
- Deixe-me ver... Minha secretária deixou-me no encargo de visitar apenas mais dois pacientes nesta tarde, para uma verificação matinal. Depois estou livre. – Carlisle acrescentou.
- Deixe que eu faço isso, Dr. Cullen. – Andei até onde minha mesa se encontrava e peguei uma prancheta. – Faça nossos preparativos.
- A senhorita que manda. – Ele disse.
- Ajudarei Jane a se vestir.
Tomei a prancheta em mãos e saí apressada para fora do escritório. Voltei ao quarto de Jane e disse que ela teria uma surpresa em alguns instantes. Chamei Alice e a levei para conhecer Alan e Mandy, os dois pacientes do dia, no total de sete que estavam internados.
Em torno de uma hora da tarde saímos do hospital rumo ao orfanato. Em vinte e cinco minutos chegaríamos ao lugar, já que ele era uma mansão antiga, branca, cercada por muros altos e numa propriedade grande, mantida pelo governo inglês. A mansão, apesar de não ter móveis luxuosos, como se espera de uma mansão, era bem arrumada, tinha móveis simples e inúmeros quartos, localizados no terceiro andar, que era divido em duas partes – meninos e meninas. Havia um grande salão com várias mesas espalhadas e uma comprida no centro, onde ficavam os refratários com as comidas. Também, havia grandes luminárias, duas salas com televisão e alguns jogos. Havia muitos aposentos trancados, pois não eram usados.
Na frente, havia um grande portão negro, com um emblema no centro. Os jardins eram repletos de árvores de copas floridas e arbustos pequenos, não havia fontes e nada do gênero. Eram dois administradores, o Senhor e a Senhora Monforte, juntamente com o padre, que vinha todos os domingos para passar o dia no local.
Olhei para Alice, que sorriu como se estivesse pensando a mesma coisa que eu: em como nossa vida tinha sido boa lá, apesar de triste, de certa forma.
- Olhem, crianças! – A Senhora Monforte gritou quando me viu na soleira da porta.
- Clarita! – Eu corri a abracei, junto com Alice.
Comecei a ouvir burburinhos e passos rápidos ecoando pelo piso de madeira. Logo, a entrada estava rodeada de pessoas, não muitas, não passavam de 30, entre crianças e adolescentes, meninos e meninas. Alice e eu cumprimentamos a todos e abraçamos a maioria.
- Bem, Clarita, viemos passar o dia aqui. – Eu disse sorrindo. – Esta é Jane, seu avô Aro, a madrasta dela, Heidi e Alec, seu irmão. Este é Carlisle, meu chefe.
- Muito prazer, vamos entrar. Mandarei que as meninas preparem um lanche. – Clarita sibilou. – Vamos crianças, entrem que a Bella e a Fadinha passarão o dia aqui e jantarão conosco!
Ouve um estrondo de “ebas” e “que legal”, logo depois todos eles correram para dentro.
- Jane, certo? – Alguém perguntou.
- Sim. – Jane respondeu baixo, tímida.
- Sou Gianna e este é Demetri, meu irmão. – Disse Gianna, uma jovem da mesma idade que Jane. – Venha, nós estamos jogando na sala de TV.
- Gianna. – Chamei-a. – Sem correrias e brincadeiras pesadas, ok? Jane não pode se esforçar muito.
- Tudo bem! – Ela sorriu e caminhou de braços dados com Jane, que já começava a se soltar.
Todos nós entramos e caminhamos pelos amplos corredores até a cozinha, onde havia uma grande mesa redonda, onde um café já era servido. Todos se sentaram e os Volturi não fizeram cerimônia. Pelo visto, eles não eram esnobes, sorri internamente com o pensamento.
- Clarita, pegue. – Alice entregou a ela um envelope, com uma quantia em libras*.
- Oh, obrigada meninas. – Ela sorriu e guardou-o dentro de uma caixa de madeira na cozinha.
- O que é isso? – Carlisle perguntou.
- Alice, Bella, bem como outros ex-órfãos daqui nos ajudam com alguma coisinha por mês. O governo cedeu a propriedade, arcou com as reformas, nos dá uma boa quantia por mês, mas não existe somente este orfanato em toda a Inglaterra não é verdade?
- E, além disso, esse dinheiro junto com o dos outros, ajuda a dar algumas regalias às crianças, como os jogos, presentes no natal, algum aniversário... – Alice completou.
Aro, que até então estava em silêncio, falou:
- Imagino que as signoritas são órfãs.
- Sim, Sr. Volturi. – Alice respondeu. – Pelo menos eu.
- Eu vim para cá há cinco anos, quando meus pais me largaram num cemitério, depois que minha irmã morreu. Se não fosse o padre, eu estaria perdida. – Sibilei vagamente, pedindo para ele não perguntar mais.
- Entendo, por isso interessou-se por minha neta. – Ela hesitava em algumas palavras, tentando fazer seu inglês soar melhor.
- Em parte. – Concordei.
- Falando em sua neta. – Clarita falou, enquanto colocava os pães na mesa. – O que ela tem?
Olhei para Carlisle, que assentiu para que eu falasse.
- Desde o começo do ano estou trabalhando no hospital, Clarita e Carlisle é meu chefe. – Sorri. – Ele é oncologista e eu sou secretária dele, mas ele me deu a oportunidade de acompanhar um caso mais a fundo. E o meu caso é Jane, que chegou ao hospital com um caso grave de anemia, porém, a anemia não regredia e percebemos que ela tinha algo mais. Jane tem leucemia, Clarita. E ela estava abandonada pelo tutor e, digamos, em posse ilegal, por parte do avô paterno. – Ao passo que eu contava, a senhora de meia idade sentava-se na cadeira. Pude perceber que Alberto Monforte, seu marido, escutara toda a conversa. – Desde então estamos tratando-a, enquanto um advogado tenta ganhar um processo judicial, e, enquanto Aro cuida da neta.
- Entendo. Não se preocupe, se precisarem de ajuda, nós estamos aqui. – Ela sorriu, depois de apresentar seu marido aos outros.
Eu estava sentada na área da frente, numa das cadeiras estofadas, olhando todos jogarem bola, quando Jane sentou-se ao meu lado. Ela usava um longo casaco azul marinho e luvas, para evitar a friagem.
- Então você morava aqui.
- Sim. – Sibilei. – Gostou de passar o dia aqui?
- Claro. Todos são muito legais. Eu teria vivido melhor aqui. – Ela observava todos eles correndo.
- É um paraíso quando se tem companhia. – Observei-a por um instante. – Vai dar tudo certo. – Confortei-a.
- Estou mais preocupada com o processo do que com a minha doença. – Ela gemeu.
- Vai dar tudo certo. – Reafirmei. – Temos tudo para ganhar, Jane. E se for preciso, você pode vir para cá, ou seu avô compra a sua emancipação. – Eu ri.
- Ele parece mafioso, não é? – Ela gargalhou.
- Ei, Jane! – Demetri chamou-a. – Vamos, jogar?! Nós vamos jogar alguma coisa mais lenta.
- Vai lá, Jane. – Encorajei-a. – Cuide dela, Demetri.
- Pode deixar, Dra. – Ele debochou.
E seguindo mais ou menos aquilo, todos nós passamos o dia no orfanato. Jane divertiu-se bastante, até chegar ao final da tarde, quando quase desmaiou na cozinha. Carlisle sentou-a na cadeira e fez com que ela comesse alguma coisa; minutos depois, ela estava mais corada, embora ainda estivesse cansada. Quando a noite chegou, eu, Alice e Heidi ajudamos Clarita e as duas cozinheiras com o jantar, enquanto Aro conversava com Alberto e Carlisle.
Em torno das dez horas da noite, voltamos para o hospital onde deixamos Jane e Alec, que passaria a noite com a irmã no hospital. O motorista de um dos carros deixou Aro e Heidi no hotel, enquanto o outro deixou a mim e Alice em casa, e por último Carlisle.
Notas finais
Desculpem pela demora.. minha vida anda bem conturbada ultimamente. Bem, gostaram do capítulo?
Comentem.
Beijinhos
@ninaxaubet
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