Uma Prova de Amor
35 Capítulo 33 - Alice, Alice, Alice...
Capítulo 33 – Alice, Alice, Alice...
Eram seis e cinco, exatamente, quando o celular de Jared tocou. Ele atendeu rapidamente e constatou ser do hospital. A cirurgia havia acabado há quarenta minutos e Jasper já havia sido removido para uma unidade de tratamento intensivo. O Dr. Pierce pediu para que eles fossem ao hospital para receberem mais informações. E assim, Margareth discou o ramal do quarto de Alice e Rosalie – e depois o de Emmett – para avisá-los.
O hotel em que estavam hospedados ficava a apenas algumas quadras do hospital, o que significava menos de dez ou quinze minutos de carro.
- Bom dia, senhores. – O Dr. Pierce cumprimentou-os quando chegaram ao hospital. – Vamos para a minha sala.
Rosalie pegou a mão de Alice e andou com ela o tempo todo, e Emmett passara o braço sobre o ombro da baixinha. O médico olhou de relance para a menina e constatou que, provavelmente, não dormira durante toda a noite.
- Como ele está? – Margareth perguntou ao médico.
- A cirurgia terminou as 05h45, quase duas horas a mais que o esperado. – Ele contou-lhes. – Todo o procedimento ocorreu como o esperado, entretanto, no momento em que o suturávamos tivemos que lidar com uma hemorragia.
- Oh Deus. Como está meu filho? – Margareth tornou a perguntar.
- Ele está na unidade de tratamento intensivo, precisou de transfusão para repor todo o sangue perdido e vai ficar inconsciente pelas próximas horas. Em geral, ele está bem, acredito que ele não terá problemas com rejeição, mas quanto a isso, precisamos esperar ele acordar.
- Quanto tempo até podermos vê-lo? – Jared perguntou ao médico.
- Seu filho está inconsciente, nós vamos mantê-lo dessa forma durante 36 ou 48 horas, pois é preciso monitorá-lo durante todo o tempo. Posso permitir que o vejam, mas apenas um por vez entrará na sala. – Pierce explicava.
- Essa hemorragia, por que aconteceu? – Alice perguntou num tom baixo.
- O sangue dele afinou demais. Isso é comum em cirurgias desse tipo, entretanto, descobrimos uma disfunção na distribuição de plaquetas sanguíneas. Por acaso Jasper, quando era pequeno, tinha algum problema em estancar sangramentos?
Jared e Margareth se entreolharam.
- Sim, ele sempre teve este tipo de problema. Meu filho faz academia de polícia, e algumas vezes ele precisou de um tipo de injeção que fizesse parar o sangramento.
- Eu observei uma baixa nas plaquetas dele.
- O que isso quer dizer? – Rosalie piscou desnorteada com a conversa. Era mais fácil recitar em ordem alfabética a lista de estilistas europeus, do que entender sobre medicina.
- De início pensei que fosse alguma síndrome ou doença rara, mas logo percebi que era apenas uma disfunção devido à cardiomiopatia. Embora seu filho sofresse de muitos riscos de não sobreviver à cirurgia, ele está bem e estável.
Margareth respirou aliviada. Ela sentia como se um peso fosse tirado de suas costas ou como se uma lâmina fosse retirada de seu peito. Agora era apenas esperar pela recuperação de Jasper e ajudá-lo quando ele fosse para casa. Jared sentia-se da mesma forma. Por mais incrível que parecesse, ele sabia como sua esposa estava se sentindo; e assim, encarou-a sorrindo, com os olhos brilhando e segurando uma de suas mãos. Ele riu e abraçou-a.
- Nosso filho vai para casa.
- Sim, meu amor, ele vai. Vai ficar tudo bem.
Alice ainda estava absorvendo a notícia. Embora uma parte de si – na verdade a maior parte – estivesse agradecida por Jasper estar bem, a outra parte se perguntava o porquê de não lhe contarem. Ela não percebera quando uma mão delicada pousou sobre seu ombro e a virou, mesmo contra sua vontade, em sua direção. Rosalie encarou Alice nos olhos. “Deus, como alguém podia ficar daquela forma?”, ela perguntou para si mesma.
- Está tudo bem. – Rosalie disse num sussurro, porém todos ali puderam ouvir. – Alice, ele vai ficar bem.
Nenhuma palavra saiu dos lábios de Alice, a não ser um silvo baixo e lágrimas dos olhos. Ela parecia não acreditar e todos ali, principalmente o médico e os pais de Jasper – que duvidavam do que ela sentia pelo rapaz – encaravam, surpresos, aquela cena. Margareth entendeu o verdadeiro significado do que aquela jovem significava para seu filho.
Enquanto Alice se acalmava, os primeiros a ver Jasper foram Jared, depois Margareth, então Emmett, Rosalie e por último Alice.
(...)
Bella levantou-se, pontualmente, às seis e meia da manhã. Apesar de toda a correria com o hospital e com sua mudança, e ainda com o caso de Jasper, ela tentava aproveitar o último mês de aula para recuperar a nota baixa que tinha adquirido em três matérias.
Quando tinha saído do banho, entrou sem eu closet, pegou um casaqueto, uma blusa de manga comprida, tênis e calça jeans. Vestiu-os, fez um coque bagunçado com o cabelo e pegou seus pertences.
Edward já havia levantado há algum tempo, infelizmente não dormira muito a noite e precisava distrair-se com o trabalho ou com as aulas finais, portanto levantou-se, se arrumou e foi esperar por Bella, para tomarem café da manhã. Ele vislumbrou-a descendo as escadas e sorriu ao vê-la.
- Bom dia.
- Bom dia. – Ela respondeu e deu-lhe um beijo. – Acordou muito cedo.
- Não dormi. Além do mais, eu preciso ao menos terminar o semestre sem alguma dependência. Esme e Carlisle não ficariam felizes com isso. – Ele deu de ombros.
- Nem me fale. Eu preciso aproveitar o tempo que Carlisle me deu esta é a chance que tenho de terminar alguns trabalhos. – Ela folheou algumas páginas de uma agenda e um caderno.
- Bella, ontem eu mal te vi. – Ele disse fazendo uma careta. – Você trabalha demais.
Ela deu de ombros e serviu-se de um pouco de suco de laranja e pegou algumas torradas com pasta de amendoim. Deuses, como aquilo era bom, fazia tempos que não comia uma pasta tão boa como aquela. Após mastigar, ela respondeu:
- Vou continuar trabalhando.
- Podemos pagar sua faculdade agora, você não precisa se preocupar com o estágio e a bolsa.
- Não, dispenso. Obrigada. – Ela deu de ombros cortesmente. – Continuarei trabalhando no hospital. Gosto de lá.
Bella foi interrompida pelo toque de seu celular.
- É Alice.
“Oi, B.”
- Allie! Você demorou a ligar, está tudo bem? – Edward ficou atento à conversa de Isabella, embora não pudesse ouvir Alice.
“A cirurgia começou ontem as 20h30 e terminou só hoje as 05h45. Eu já fui vê-lo, ele vai ficar por dois dias na UTI. Dr. Pierce disse algo sobre hemorragia e sobre deficiência de plaquetas. Bella, eu mal ouvi o que ele disse... Eu não dormi.” Alice contava ao telefone.
- Alice, calma. – Então, pacientemente, ela explicou, em termos simples, o que cada coisa significava. Edward, enquanto ouvia a conversa, ficava cada vez mais pálido, mas não expressou reação alguma. – Não se preocupe, é normal ele ficar esse tempo na UTI. Veja com o Sr. Withlock se eles vão removê-lo do hospital quando ele estiver em condições para viajar.
“Eu vou ver. Mande um beijo para todos e dê as notícias.”
- Darei Allie. Mande um beijo para Rosalie e Emmett.
“Mandarei. Eu te amo, B.”
- Eu também. Não surte, Alice.
“Não vou. Beijos.”
Quando Bella encerrou a chamada, percebeu que Edward encarava seu copo, sem piscar, ela sentou-se ao lado dele. Ela levantou o rosto dele suavemente e olhou dentro dos olhos verdes.
- O que foi tudo isso?
- Uma complicação. – Ela respondeu suavemente. – Confia em mim?
- Confio.
- Tudo o que você ouviu, foi o que Alice me falou. Ela acabou de vê-lo. Como você mesmo ouviu, ele está na UTI. Vamos, então? — Bella perguntou-lhe.
Edward assentiu, pegou as chaves do volvo e uma bolsa de couro lateral, que usava para levar um notebook e livros. Bella retirou os copos e talheres usados da mesa, enquanto ele descia para a garagem.
- Sabe que não precisa fazer isso, não é?! — Lena pôs a bandeja sobre a mesa e pegou as loucas.
- Eu sei, Lena. Mas é um costume.
- Então desapegue-se dele. Agora vá. Até a noite, senhorita. — Bella sorriu e deixou a governanta a sós, passou pelo hall de entrada e despediu-se de George.
Edward dirigia silencioso e devagar, exceto pelo fato de estar em silêncio, dirigir devagar não era um costume seu, entretanto, Bella não tinha muito que dizer, tudo o que pôde explicar, ela havia dito à Alice e a ele. Cabia a Edward processar toda a informação e ela sabia muito bem que ele precisava desse tempo. Quando o jovem contornou o prédio da faculdade para estacionar próximo ao seu campus e o de Bella, ele desligou o carro e virou-se para a jovem.
- Quando Alice te ligar, vai me avisar, não é?
- Claro que sim.
- Alice te falou tudo?
- Sim. — ela sibilou.
- E como sabe que ela não está escondendo o estado de Jasper? — Ele olhara desconfiado.
— Eu conheço minha irmã. — Bella exibiu um sorriso orgulhoso, mas logo o desmanchou. — Alice é esperta e inteligente, mas como todo mundo, ela se apavora. Essa é uma das poucas vezes em que eu a vi dessa maneira. E tudo o que eu disse a ela, é o que eu ouvi sobre Jasper.
- Se ele teve essa complicação e essa "coisa" com as plaquetas, significa que isso deveria estar na ficha dele, certo?!
Bella detestava o fato de que ela nunca conseguia mentir muito bem. Mas naquele momento, ela também detestava o fato de Edward ter uma mente perspicaz e ligar os pontos rapidamente. O fato era que ela não deveria dizer a ele que "sim, Edward, era isso que estava no arquivo dele.", pois depois que ele soubesse, não iria parar até saber tudo o que estava escrito naquele pedaço de papel. Bella não poderia dizer a ele que seu melhor amigo, poderia ter morrido naquela cirurgia e que o grau de sua doença estava avançado o suficiente para dificultar a oxigenação do sangue e diminuir a produção de hemácias e plaquetas.
- Bella, o que tinha no arquivo dele?
- Eu não quis ver. — Ela mentiu. — Eu sabia que você iria perguntar e eu não quis ver justamente para que você não fizesse essa expressão. Por favor, não insista. Eu preciso ir.
- Ok.
Bella saiu do carro, seguida por Edward. Ele deu-lhe um beijo rápido nos lábios e seguiu calado pelo seu caminho. Adiante de onde Isabella estava, ela seguiu reto e ultrapassou o arco, adentrando o prédio em que estudava.
Em sua sala de aula, encontrou um dos professores. O sr. Molina a chamou para falar dos últimos prazos dos três trabalhos.
- Senhorita Swan.
- Bem senhor Molina, vou trazer amanhã o resumo dos três trabalhos.
- Era exatamente sobre eles que eu gostaria de falar. — Ele comentou, abrindo um livro de biologia. — Acho que seria muito interessante se conseguíssemos juntar os três. Você faria um projeto maior, te dou uma semana a mais para a entrega.
- Se eu puder explorar a minha área, seria perfeito. — Ela pensou sobre o assunto.
- Muito bem, então vá falar com o Dr. Gregory, pois ele também achou interessante que você fizesse este trabalho desta forma.
- Perfeito. Falo com ele no terceiro período.
Bella dirigiu-se ao seu lugar de costume na sala de aula e retirou alguns livros e um caderno da bolsa. Algumas pessoas ali possuíam Ipad's, tablet's ou notebook's, mas ela ainda achava que a forma mais eficaz de gravar um assunto, era através da escrita manual. E não, ela não pensava assim só porque esses luxos tecnológicos eram extremamente caros para o seu orçamento.
O Sr. Molina falou detalhadamente sobre infecções e contaminações; Bella passou a maior parte do tempo tomando notas e mal viu que a aula havia acabado. Seguindo sua grade de aulas, ela encaminhou-se para uma das salas localizadas ao final do corredor. O Dr. Gregory já estava na sala, repassando algumas papeladas e riscando algumas coisas no quadro branco, quando ela e outros alunos adentraram a sala de estilo tradicional.
- Bom dia, Dr. Gregory.
- Bom dia, Swan. Molina falou com você?
- Sim, senhor. Eu gostaria de saber mais sobre como deverá ser feito este projeto. — ela abriu uma caderneta.
- Tenho percebido que você se interessa pela área de diagnóstico, certo? Você tem algum interesse em seguir carreira nela?!
- Bem, sim, em parte. Eu quero continuar na oncologia, mas quero estudar essa área de diagnóstico, porque sei que muitos tipos de cânceres, leucemias e linfomas ainda são confundidos e mal tratados. — Ela explicou.
- Será perfeito. Então trabalhe com este tema em seu projeto. Você tem três semanas e... — ele parou para pensar por alguns instantes. — ... um mínimo de dez paginas sobre "Diagnósticos de linfomas e leucemias".
- Okay... — Ela disse devagar. — Vou dar o meu melhor.
- Eu espero, Swan. Nós oferecemos esta oportunidade aos alunos que podem produzir bons frutos. Creio que você não terá problemas em escrever este artigo.
- Não senhor. — Ela disse ao professor e se dirigiu ao seu lugar.
(...)
Jasper Withlock estava inconsciente há quase 36 horas na UTI. E, como prometido, Alice não saíra do hospital nas últimas oito horas, com esperança de que ele acordasse, aliás, nem ela e nem Margareth saíram do hospital. E foi por volta das seis horas da tarde, um dia e meio após o transplante, que o jovem de cabelos louros começara a dar sinais de que ia despertar, pois sua medicação havia sido suspensa há algumas horas atrás. Margareth, quando percebeu que o filho esboçava sinais diferentes, chamou a enfermeira e acordou Alice, que cochilava numa poltrona.
Alice, imediatamente, levantou-se e prostrou-se ao lado da cama e, silenciosamente, esperou que ele acordasse.
- Imaginei que ainda estivessem aqui. — O Dr. Pierce comentou quando entrou no quarto. Enquanto o médico verificava os monitores, Jasper abriu os olhos.
- Jasper! – A mãe do rapaz exclamou ao vê-lo.
Os olhos do rapaz giraram pelas orbes, até encontrar Alice, ao lado de sua mãe, bem próxima a ele. Ele sequer teve noção do que se passava pela sua cabeça ou, se estava mesmo vivo, ele sabia que estava feliz.
- Jasper, você não pode falar ainda. – Dr. Pierce disse ao rapaz. – Consegue fazer algum movimento com seus dedos, para indicar que se lembra de quem sou eu?
Jasper Withlock mexeu vagarosamente os dedos e piscou algumas vezes. Ele sentia uma dor estranha vindo de sua garganta e uma sensação esquisita que tomava conta de seu peito.
- Você ainda está conectado aos aparelhos, nós precisávamos esperar que você acordasse. – O médico virou-se para Alice e Margareth. – Agora, senhoritas, gostaria que esperassem na outra sala. Vou chamar algumas enfermeiras para retirarmos Jasper desses aparelhos, enquanto isso, imagino que gostariam de chamar os outros.
- Será perfeito.
- Voltem em duas horas. – O médico olhava em seu relógio e em seu prontuário.
- Tudo bem, vamos, Alice.
Margareth sugeriu que ela e Alice voltassem ao hotel e voltassem com todos, para ver o parecer do médico e ver Jasper em melhores condições.
Jared ficou extasiado pela excelente notícia e Emmett gargalhou alto ao saber que o amigo estava bem, pelo menos aos olhos de Alice e Margareth naquele momento. Alice optara por não informar a Bella e Edward sobre Jasper naquele momento, e sim, após ter notícias definitivas do namorado.
Todos eles voltaram ao hospital no horário combinado com o médico, cerca de duas horas depois. O Dr. Pierce os encontrou na sala de espera e seguiu pelo corredor principal os guiando para um quarto arejado e bem iluminado. E sob aquela luz, Jared e Margareth viram um rapaz com os cabelos desgrenhados, olheiras leves e um sorriso torto no rosto; ele estava sentado na cama, tomando um caldo que a enfermeira acabara de lhe trazer.
- Jasper, nos deu um susto, garoto! – Jared abraçou-o. – Mas fico feliz que esteja bem.
- Obrigado, pai. – Ele respondeu baixo, ainda sentindo dores na garganta. – Mãe, não chore.
- Oh, querido... – Ela abraçou-o levemente. – Acho que seus amigos estão ansiosos por vê-lo.
- Brow, cara. – Emmett sorriu e seus olhos se encheram de lágrimas. – Só...
- Não precisa dizer, Emmett.
- Você está ótimo. – Rosalie abraçou o amigo, quando Emmett lhe deu espaço.
- O cabelo... Apenas parece que foi para a guerra. Mas do resto... – Emmett não pôde perder o momento.
Alice – Cocteau Twins
Alice foi a última a aproximar-se dele. Ela ainda sentia-se estranha, ao estar com Jasper sob os olhos de seus pais, entretanto, a última noite, em que tivera muito tempo para ficar ao lado de Margareth, ela percebeu que a sogra não era uma má pessoa. Naquele momento, ela só conseguia enxergar uma pessoa a sua frente, e aquela pessoa sorria lindamente e a fazia perder o fôlego.
“Quem deveria substituir o seu lugar?”
- Alice. – Jasper sibilou, encantado e entorpecido por alguma droga desconhecida, porque ele simplesmente sentia-se flutuando, somente de poder ver Alice ali. – Você estava lá.
- É claro que eu estava. – Ela segurou nas mãos dele. – Eu senti muito a sua falta. Você nem imagina o quanto.
- Acho que ainda estou sob efeitos dos remédios, fadinha. – Ele riu baixo. – Mas eu realmente estou feliz em vê-la. Eu tive medo.
“Alice, Alice, Alice, Alice...”
O Dr. Pierce, embora sempre com um semblante sério, não pôde conter o sorriso. Ele sempre se emocionava com esses momentos entre casais, ele amava poder curar uma pessoa, ajudá-la, e fazer com que esses momentos entre elas pudessem ser possíveis novamente. Entretanto, ele odiou a si mesmo por interromper aquele momento.
- Creio que eu deva lhes dar meu parecer, certo?
— Seria perfeito. – Margareth concordou.
- Dr. Pierce? – Rosalie chamou –o.
- Sim?
- Bem, eu não sei se seria adequado, ou se seria de acordo de todos aqui, mas... Temos algumas pessoas que estão afoitas por saber notícias do Jazz. Seria muito ruim se nós ligássemos para um deles e deixássemos no viva-voz?
- Não, se todos aqui concordarem.
- Bella me disse que Edward está praticamente vindo para cá... – Alice comentou. – Eu mandei uma mensagem para ela, avisando que Jazz já tinha acordado, mas que ligaria em breve com notícias.
- Então ligue. Este horário Carlisle já está em casa, se me lembro bem. – Jared comentou casualmente.
Alice sentou-se na beirada da cama com Jasper, enquanto o médico pegava sua prancheta. Ela discou um número e esperou.
Quando Bella atendeu, ela instruiu a irmã ao que deveria fazer. Para sua sorte, tanto Carlisle como Edward estavam em casa naquele instante. O médico escocês perguntou quem era o médico que estava do outro lado da linha, pois reconhecia a voz, então falou com Carlisle. O Dr. Pierce havia estudado em Oxford com Carlisle Cullen, e depois seguiram rumos separados, portanto ele tinha se esquecido que Carlisle era médico em Londres.
- Bem senhores, vamos primeiro atualizar seu filho sobre a cirurgia. – O médico iniciou. – Jasper, sua cirurgia demorou muito mais do que pretendíamos, você teve um problema com hemorragia e uma baixa no número de plaquetas, que impediu que continuássemos o procedimento por algumas horas, até que tudo fosse estabilizado. Entretanto, você é um jovem muito forte e está perfeitamente bem.
“Nós mantivemos você por 36 horas respirando com a ajuda de aparelhos e sob efeitos de medicamentos, apenas para controlar os efeitos pós-cirúrgicos, para saber se haveria alguma rejeição por parte do órgão. Felizmente, nas primeiras trinta horas, e ao que parece até agora, não tivemos problemas algum e você respira sem dificuldade e sem aparelho algum.
“Você será mantido aqui por dois dias, até que você possa ser transferido para uma unidade cardíaca em Londres. Eu preciso terminar de avaliar seu caso, observar reações, para que um prontuário completo seja enviado até lá.
“Em Londres, sinto lhe informar, mas você ficará mais algum tempo no hospital, pelo menos uma ou duas semanas, até que um cardiologista lhe dê alta.”
- Vou poder voltar para a Academia? – Jasper perguntou.
- Academia?
- Scotland Yard, senhor. – Jasper informou o médico. – Sou estudante de Química na London College e faço a Academia da Scotland Yard para treinamento policial.
- Oh, entendo. A prática de exercícios é recomendada. Vou escrever uma carta a Scotland Yard e a Universidade, informando sobre algumas restrições iniciais. – O médico acrescentou, logo após anotar o lembrete no prontuário. – E quando você sair do hospital, deverá voltar periodicamente, para exames.
“Mas tem um aspecto que preciso falar. Durante seis meses, ou um ano, você tomará medicamentos contra rejeição. O novo coração é considerado uma “doença” em seu corpo, e, naturalmente como acontece com qualquer doença, seus anticorpos irão rejeitá-lo. Esses medicamentos não deixarão que isso aconteça.
“Nos primeiros meses você deve tomar cuidado com ambientes muito fechados, com contaminações e coisas do gênero. Seu sistema imunológico vai estar baixo, então qualquer vírus ou bactéria que você adquirir, vai debilitá-lo muito mais que o normal, então, todo cuidado é pouco. Aos poucos, iremos diminuir esses medicamentos, até que seja reduzido por completo.
Mas por hora, vou deixá-lo a sós com seus amigos e pais. Não tenho mais nada a dizer. Qualquer dúvida, só me chamar.”
Notas finais
E aí, gostaram? :3~
O próximo capítulo, ainda estou decidindo se será o Epílogo ou O Final (antes do epílogo). Preciso pensar sobre como as coisas serão, então, talvez ele demore um pouquinho. o/
Quanto a música deste capítulo, uma observação: Eu sei que a letra não tem muito a ver com o capítulo, mas eu gosto da melodia dela... Apesar de que o nome da música realmente é Alice. Se alguem se interessar, "Alice", da banda Cocteau Twins, é da trilha sonora do filme Lovely Bones (Um Olhar do Paraíso). Super recomendo o filme, para quem curte drama *o*~~
Por enquanto é só!
Não deixem de passar em Opera Paris!!
Beijinhos,
Nina.
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