Uma Prova de Amor
31 Capítulo 29 - O Conceito de Família
Capítulo 29 – O Conceito de Família
“Não se pode confortar o afligido, sem afligir os confortáveis.”
(Diana, Princesa de Gales)
Esme voltou-se para Isabella, que estava estática, tentando processar o que acabara de ouvir. Não houve tempo para sequer abrir os lábios e soltar uma única sílaba, pois o advogado de Charlie e Renée interviu novamente. “Será que isso nunca iria acabar?”, ela perguntou para si mesma.
— Meus clientes solicitam uma conversa particular com a senhorita Isabella Swan.
Charles e Edward se viraram para Isabella, que piscava, quase incompreendida, entretanto, ela respirou fundo e falou:
— Tudo bem. Achei que poderia adiar esse momento, mas pelo visto não será possível.
- Irei acompanhá-la.
- Não, Edward. – Charles prontificou-se. – Você está envolvido emocionalmente, não posso permitir.
- Não se preocupe.
Charles anunciou que Isabella aceitou a solicitação de seus pais, então encaminhou-se com ela para uma sala reservada. Na saleta, quadrada, não como as de interrogatório, mas uma outra, com móveis escuros, uma bandeja com água e copos no centro de uma mesa de carvalho e cadeiras estofadas. O advogado de Charlie e Renée estava sentado ao lado do casal, quando Charles e Isabella entraram.
Renée levantou-se, mas conteve-se e sentou novamente. Bella, ao contrário do que imaginava de si mesma antes, mantinha uma expressão contida no rosto, seus pais ainda estavam em dúvida sobre o que ela sentia naquele momento.
— Então... Resolveu nos processar? – Charlie irredutível, perguntara.
- Na verdade, meu namorado resolveu fazer isso. Eu só concordei. – Ela respondera no mesmo tom.
- Não está nem um pouco abalada? Você mudou muito, Bella. – Renée murmurou, suas olheiras demonstravam o cansaço e estresse que ela passava.
- Não pense que não sofri. – Ela suavizou seu tom de voz. – Desde que minha doce irmã Emma me pedira para criar o processo, eu sofri. Sofri com sua morte e sofri por muito, mas muito tempo, até entender que vocês não me procurariam nunca mais e que você estava falando a verdade, quando disse que sua única filha morreu.
Renée sentiu o peso de suas palavras naquele momento. Charlie, embora com raiva por conta de todo o desgaste que esse processo estava lhe tomando, percebera que seu erro, ou melhor, seu erro e o de Renée, havia levado embora sua filha, colocando outra pessoa no lugar.
— Bella, fi-
- Não ouse me chamar de filha! – Bella exclamou, sentindo a mão de Charles em seu ombro. – Por sua e somente sua culpa, eu mal sei o que é viver. Eu mal entendo o significado de ter um namorado. Eu vivi tanto tempo me preocupando em estudar e ser uma boa aluna, para conseguir um emprego e ter uma vida, ao menos, vivível, que não sei o que é relaxar, ficar tranqüila, não ter que me preocupar em guardar dez libras para o almoço.
“Carlisle tem sido tão bom, ofereceu-me um salário bom, onde eu não precisaria me preocupar em poupar algumas poucas libras num dia, para tê-las no outro. Não é pelo dinheiro, se estão pensando isso.
“Eu entendo que perder sua filha predileta foi difícil. Mas perder minha irmã também foi e, antes disso, saber que eu era só um depósito humanopara Emma, também era difícil, mas eu a amava tanto quanto vocês. Ainda amo Emma.”
Bella respirou profundamente e de olhos fechados. Não deixaria uma lágrima sequer cair ali, não demonstraria sua fraqueza, não naquele momento.
— E Edward tem sido paciente. Não pensem que nós nos damos bem só porque temos isso em comum. Nós brigamos demais no começo, até que nos entendemos. Ele sofreu e eu sofri, e agora estamos juntos. Realmente ele tem sido paciente, não cobra um afeto que eu ainda não sei retribuir.
“Sabem como é difícil, como é estranho, estar ao lado de uma pessoa e não saber como confortá-la? Não saber se um abraço, um beijo, ou se somente poucas palavras são necessárias?”
— Você teve uma vida muito boa, Bella. Nós te demos tudo. – Charlie interrompeu-a.
- Não diga que não teve carinho e atenção, porque teve. – Renée resmungou.
- Sim, não nego, eu tive isso. Mas vendo como Esme trata Edward, como a senhora Clarita tratava, e ainda trata, a mim e a Alice, não sei se o que eu tive chega aos pés desse sentimento. É por isso que vou aceitar o que Esme propôs.
- Você não pode renegar seus próprios pais! – Charlie exclamou, tendo que ser contido por Renée e seu advogado.
- Da mesma forma como minha cliente foi renegada há anos atrás, ela tem esse direito, uma vez que é maior de idade pelo estado e lei. – Charles interviu.
- Eu não deixarei que retirem o sobrenome Swan, vou mantê-lo, por Emma, não por vocês. Por favor, não tentem entrar em contato comigo.
A reunião foi breve, em menos de vinte minutos, todos estavam de volta na sala da audiência, onde quem teve a palavra foi a meritíssima. Ela voltou-se para Isabella, pediu que a jovem se aproximasse e falou:
— A senhorita tem certeza que quer isso?
- Tenho, absoluta. Não vejo porque não aceitar a proposta de Esme, já que ela foi quem, de alguma forma, cuidou de mim durante este tempo.
- Alice Brandom, aproxime-se.
Alice andou graciosamente pela tribuna, estacou ao lado de Isabella, sorrindo, entrelaçando suas mãos a dela. A juíza inclinou-se um pouco mais à frente, para ver a menina esguia e de cabelos repicados.
— O que a senhorita tem a declarar?
- Não muito, na verdade. – Ela disse sorrindo. – Bella é minha irmã por consideração, desde que chegou ao orfanato. Eu não poderia estar mais feliz em saber que seriamos irmãs pela lei e, que acima de tudo, alguém como Esme e Carlisle, estariam dispostos a ceder muito mais do que já cederam, por duas pessoas que eles quase não conhecem.
A meritíssima sorriu. Alice era um jovem magnífica.
— Esme e Carlisle Cullen, aproximem-se da tribuna.
Alice e Bella retiraram-se e sentaram nas duas cadeiras restantes, ao lado de Edward e Charles, para aguardar o tão esperado final. Esme sorria profundamente, quase exibindo uma aura com todas as coras do arco-íris, se fosse possível.
— Então, este tribunal declara Charlie e Renée Swan culpados de todas as acusações, sob pena – reduzida por intervenção da ré – de indenização por seis anos, sob valor que será definido pela defesa e acusação.
“Este tribunal declara que Isabella Swan e Alice Brandon, estão agora sob a custódia de Esme e Carlisle Cullen, pais adotivos declarados por este tribunal.
“Este tribunal declara caso encerrado. Senhoritas Cullen, boa sorte e sejam felizes.”
Um dos guardas da tribuna exclamou um “levantem-se” quando a meritíssima saiu do recinto, seguida pelos membros do júri, os promotores e os assessores. Renée e Charlie saíram logo após, sendo seguidos por seu advogado. Por último, saíram os Cullen, Isabella, Edward, Alice e Charles.
Quando estavam fora da sala, Alice abraçou Bella, que imediatamente deixou toda sua emoção fluir através de lágrimas. Era impossível conter tudo naquele momento e saber que as coisas finalmente haviam terminado, era como não ter o mundo nas costas e se livrar de um sentimento ruim, que vinha lhe afligindo há muitos anos. As pequenas mãos de Alice brincavam com uma mecha do cabelo de Bella, durante o longo abraço.
— Ficou tudo bem. Não tinha como não ficar. – A baixinha dizia. – E somos irmãs agora, de verdade. Vamos ficar juntas, Bella.
- Eu sei Allie. – Bella desvencilhou-se do abraço da baixinha e encarou Esme, que sorria com lágrimas nos olhos.
- Eu nem sei como agradecer. – Bella disse baixo.
- Não precisa. – Esme sorria enquanto segurava as mãos de Bella. – Vocês duas me trouxeram de volta, você trouxe Edward de volta e eu não vejo outra forma de agradecer, senão adotando-as e dando tudo aquilo que não tiveram.
- Mas vai ser muito estranho ver vocês dois juntos. – Emmett gargalhou. – Ele agora é seu irmão, sabia, Bella?
- Emmett, não começa. – Rosalie repreendeu-o.
- Estou apenas brincando, é claro.
- Que tal se fôssemos todos a um restaurante comemorar? Acho digno que depois de um dia tão cansativo, possamos relaxar um pouco. – Carlisle anunciou, sorrindo. – Por minha conta. – Charles, Makenna, estão convidados. – Ele disse ao advogado e amigo, e à esposa dele, quando a viu.
Alice e Bella andavam de mãos dadas e sorrindo imensamente. Apesar de ver que Renée e Charlie tinham expressões nulas em seus rostos, ela sabia bem como eles se sentiam. Não tê-la por perto, mas saber que ela estava em algum lugar por aí, era uma coisa; todavia, ter o conhecimento de que ela escolheu não vê-los, parecia ser muito pior do que perder uma filha por uma doença.
Renée sentou-se no banco do carona e deixou a cabeça encostar-se ao banco. De olhos fechados, sentiu o peso das palavras de Isabella. Elas ecoavam em sua mente e pareciam penetrar em todas as células e ecoar dentro delas também.
— Injusto.
- Não, Charlie. Nós fomos injustos.
- Ela não tinha esse direito. Provavelmente foi idéia daquele namoradinho Cullen dela. – Ele cuspiu as palavras. – Manipulou-a.
- Não, ela está bem crescida e sabe se virar. Não adianta chorar pelo leite derramado. – Renée murmurou.
Charlie deu a ignição e cantou os pneus. Sentia seus dedos queimando e queria espumar de raiva, se pudesse.
— Ah... – Rosalie soltou um suspiro longo, enquanto encaminhava-se para seu lugar, ao lado de Emmett, no restaurante.
- O que foi gatinha?
- É tão lindo.
- Ah, eu sei – Emmett sorriu.
- Querido, você também. Mas eu me referia a Bella e Edward. – Ela riu.
Emmett gargalhou chamando alguma atenção para si. Ele sorriu, concordando com Rosalie e puxou a cadeira para que ela se sentasse.
— Sim, é lindo e meloso como mel.
- Poderíamos fazer um brinde? – Carlisle perguntou, erguendo uma taça do melhor espumante da casa.
Ao ver que tinha a atenção de todos, o médico levantou-se, ergueu levemente o braço, posicionando-o mais a frente do corpo para fazer o brinde. Esme levantou-se e ficou ao seu lado, exibindo um sorriso cintilante e contagiante.
— Um brinde à Bella e Alice, que apesar de tudo, ficaram juntas e superaram todas as suas dificuldades, entrando em nossa vida e iluminando-as. Sejam bem vindas à família. Charles, muito obrigado.
- Eu... Não sou de dizer muitas palavras. – Bella disse timidamente, levantando-se, logo que o casal se sentou. – Mas... Eu agradeço por tudo, Carlisle, que aceitou uma estranha em seu hospital, dando confiança a ela e deixando-a fazer o seu melhor, na medida do possível, e dando suporte, em momentos difíceis.
“Edward, eu realmente te detestei e pensei jamais ser possível estar num relacionamento com você.” Ela sorriu brincalhona. “Mas sei que deve ter sido difícil lidar com uma estranha que tinha toda a atenção de seus pais; não deve ter sido fácil lidar com o fato de que seu irmão falecera e eu era a única que podia se considerar responsável. Mas eu entendo. E espero, um dia, conseguir ser a namorada despreocupada que você precisa, ser realmente eu.
“E Esme, não tenho muito mais que um obrigada a dizer. Se não fosse por você, tomando uma atitude tão inesperada, não sei o que seria de mim.”
Bella sentou-se, comovida, pois não conseguia emitir mais nenhuma palavra. Suas lágrimas rolavam pelo rosto e manchavam a camisa de Edward, enquanto era envolvida em seu abraço. Gentilmente, ele levantou-se e levou-a junto, para os jardins do restaurante.
Ele apenas sentou-se no banco, com ela ao seu lado, esperando-a desabafar, derramar todas as lágrimas entaladas em sua garganta.
“Amá-lo é como tentar mudar de idéia.
Uma vez que você já está voando em queda livre,
Como as cores do outono, tão brilhantes, antes de perdê-las.”
- Vai ficar tudo bem agora, você sabe não é?! – Ele disse suavemente.
- Como consegue gostar de mim, Edward? – Ela perguntou de repente e ele, chocou-se de imediato, porque não entendeu a pergunta.
- Você me completa, é o meteoro que ilumina minha noite. Minha lua ou meu sol, tanto faz. É a estrela do meu céu. E eu não só gosto de você, Isabella. Eu te amo.
Edward selou os lábios de Bella junto aos seus. Naquele momento, em meio ao abraço quente e o beijo calmo e romântico de Edward, Isabella sentiu, pela primeira vez, como era ser amada. Era como uma comporta, que vai agüentando toda a força da água, mas em um determinado momento, ela rui. As defesas de Bella ruíram naquele momento.
“Tocá-lo era como entender tudo o que você queria
Estava bem ali á sua frente”
- Eu também te amo, Edward.
“Perdê-lo foi um azul que eu nunca conheci
Sentir a falta dele é um cinza escuro, totalmente só
Esquecê-lo é como tentar conhecer alguém
Que você nunca encontrou
Mas amá-lo era vermelho.”
Notas finais
Primeiramente, quero agradecer a todos os reviews. parece que finalmente voltamos a ter mais algumas leitoras comentando. Gostei mesmo, e espero vê-las nesse capítulo novamente.
Em segundo lugar: Já que estamos em meados de dezembro, já que eu estou de férias e não tenho preocupação alguma ultimamente (só por enquanto, porque quem vai cozinhar a ceia de natal INTEIRA daqui de casa sou eu, então provavelmente vocês não me verão aqui com frequencia nos dias 23, 24, 25 e 26, provavelmente. Mas eu passo aqui para desejar um feliz natal e deixar um capítulo), resolvi postar o primeiro capítulo da minha "nova" fanfic. Na verdade é a 2ª fase de Opera Paris.
http://fanfiction.com.br/historia/112239/Opera_Paris/capitulo/38
Este é o link, leiam... Se não entenderem, sugiro que leiam a primeira parte, porque esta é cheia de mistérios. :) Quero ver TODAS VOCÊS por lá. Se não... Sem capitulos. haha~
Espero que tenham gostado do capitulo de hoje :)
beijinhos,
nina.
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