Uma Prova de Amor
26 Capítulo 24 - Os Pais de Rosalie
Capítulo 24 – Os Pais de Rosalie
Bella
Edward deixou-me em casa, deu-me um beijo de despedida e seguiu seu caminho para a mansao Branca. Eu subi os degraus vagarosamente, porque não havia elevador no edifício de quitinetes em que eu morava. Mas, fazer o que.
Eu estava um turbilhão. Parecia mais um furacão que devastava planícies e cidades com a força da natureza; neste momento, a força que me movia era uma há muito tempo conhecida e, diga-se de passagem, uma força que eu demorara muito para enterrar. Ver meus pais outra vez tinha sido um gatilho para liberar essa força. Era uma emoção, um sentimento crescente que eu estava deixando vazar e correr novamente. Quer dizer, eu ganhei uma nova certidão de nascimento que dizia que eu era órfã, de pai e de mãe. Por anos, eu cresci acreditando naquela mentira, uma mentira que eu mesma criei e que, por quase cinco anos, acreditei piamente.
Sentei-me no sofá de dois lugares, depois de bater a porta da sala. Minhas lágrimas começaram a rolar, contra minha vontade, claro. Eu estava de cabeça baixa, apoiada nos joelhos e quase entrando em estado de choque, quando senti um par de braços finos me envolverem.
Alice não disse nada, apenas me abraçou e ficou brincando com seus dedos no meu cabelo.
- Quer me contar? — Ela perguntou baixo.
- Ele... Levou-me para jantar... E eu os vi.
- Quem você viu?
- Renée e Charlie.
- Como ele pode?! — Ela perguntou com raiva.
- O que me deixou pior, foi saber que Charlie diz que teve apenas UMA filha, Allie. UMA! — exclamei.
- E você vai continuar com o processo? — Ela perguntou. — Bem, você não sabe a reação deles caso eles lhe vissem Bellinha. — Ela fez um biquinho.
Alice também não estava bem. Seu rosto estava pálido e com olheiras. Percorri meu dedo por elas e percebi que ela também estivera chorando.
- Vamos dormir Allie. Vamos apenas ser eu e você amanha. — Eu disse a ela.
Minha noite fora inquieta, eu revivia várias vezes o momento em que meus pais haviam me deixado. Eu revivia as brigas, as risadas e Emma. Eu estava sonhando, estava num lugar em que eu chorava e Emma aparecia, sempre sorrindo, com seus cabelos longos e ondulados balançando num vento que eu não sentia. Os olhos dela brilhavam e ela sorria. Não sabia em quê acreditar, mas sabia que aquele sorriso era um presente para mim; Emma sempre soubera que eu ficava feliz ao vê-la sorrindo.
Depois daquele momento, eu não tivera sonhos e nem pesadelos. Eu apenas dormira.
- Dormiu bem? — Alice perguntou.
- Não. — Eu ri. — E você também não. — Constatei.
- Vamos ate o orfanato. — Ela sorriu. — Eu, você e as crianças.
Antes de ir ao orfanato, Alice e eu passamos numa padaria para comprarmos alguns quitutes. Aqueles jovens eram mantidos com algum conforto, mas nós sabíamos que não havia muito a ser feito. Quando chegamos, o portão principal estava aberto e uma van levava algumas crianças para a escola. Nós acenamos e elas gritaram em excitação.
- Bella, Alice! — A senhora Monfort disse sorrindo. — E seus amigos do hospital? Alguns aqui estão querendo saber da mocinha loirinha, italianinha.
- Ela não está bem para sair. Mas vou trazê-la aqui quando ela puder sair. – Eu respondi sorrindo.
- Por que eu acho que as senhoritas estão com carinha de tristes?
Nós seguimos Clarita até a cozinha, onde ela nos serviu uma grande fatia de pão caseiro e chocolate quente. Ela perguntou-nos o que havia acontecido e ficamos conversando durante muito tempo. Eu precisava ouvir os conselhos dela, de alguém mais velho e mais experiente.
Alice ajudou a arrumar a sala de jogos para algumas brincadeiras durante a tarde, enquanto eu auxiliava no preparo do almoço. Dentro pouco tempo, uma van amarela trouxe as crianças maiores da escola. Elas almoçavam e algumas eram levadas de volta para suas aulas da tarde, enquanto outras ficavam no orfanato. Já as crianças menores, voltavam apenas no final da tarde, assim, haveria um lanche para quando elas chegassem.
As tardes no orfanato eram sempre tranqüilas. Eu não precisava pensar muito, eu não sentia muito... Eu conseguia manter a cabeça livre e leve, eu podia pensar com mais clareza.
- Com certeza, você merece isso. — Alice disse, entre uma mordida e outra numa torta.
- Mas e você, o que acha Bella?! Se você achar que vai se sentir culpada e que não deve fazê-lo, não o faça. — A senhora Monfort acrescentou.
- Eu não me sinto culpada. Edward foi ate o escritório de Charlie e disse-me que ele falou que tinha apenas uma filha... E esta era Emma. — Dei de ombros. Sim, realmente era uma vingança, mas eu não me importava.
- Você tem ciúmes de Emma?! — A mais velha, Gwen, uma adolescente que eu ajudei a cuidar desde que eu entrara no orfanato, perguntou.
- Não! Por deus, não! — Exclamei. — Emma sempre fora meu mundo! Emma era nosso sol, nossa vida girava em torno dela.
- É horrível que uma família tenha se desmanchado assim. E parece cruel, se for pensar... Saiba que seus pais vão acusá-la novamente.
- Sim, infelizmente eu sei. — Dei de ombros novamente. Não importava. — De qualquer maneira, eu quero que eles paguem, que se arrependam do que fizeram.
- Nós vamos te apoiar. Eles não têm chance! — Alice fechou a mão em punho e a bateu, levemente, sobre a mesa.
Os dias se passaram, rápidos, por conta da faculdade e do trabalho; estressantes e agonizantes, devido ao processo; felizes, ao lado de Alice e da família Cullen. Porém, eu tinha certeza que, independente de qualquer um que fosse o resultado do processo, eu não estaria sozinha em hipótese alguma; eu ainda teria Alice, Jasper, Emmett, Rosalie e a Família Cullen. Era só o que importava.
Eu podia viver com aquilo.
Os dias corridos tornaram-se semanas e as semanas passaram, tornando-se um mês inteiro. A London College rumava para o final do semestre; eu estava atolada de trabalhos e provas; porém, felizmente Carlisle não era um chefe neurótico e me dava algum tempo livre, quando eu não tinha mais pacientes para averiguar. A faculdade estava corrida, o que era de se esperar quando se estava no terceiro ano; porém eu estava cada vez mais gostando do rumo que eu estava tomando.
- Gostei muito do seu trabalho, senhorita Swan. – O professor da matéria de diagnóstico anunciou, quando eu ia deixando a sala de aula. – O modo como você acompanha o caso, realmente está muito bem feito.
- Obrigada. – Agradeci, recebendo dele o trabalho encadernado.
- Espero vê-la ano que vem na minha próxima matéria.
- Ah, com certeza. Eu acho que psicopatologia vai ser ótima. – Eu sorri.
Gregory era um excelente professor. O trabalho de diagnóstico, a qual demorei duas semanas para fazer, era uma descrição detalhada de algum caso que pudesse ser considerado, no mínimo, interessante. Aproveitando-se da situação, eu havia pedido a Carlisle se poderia usar Jane como exemplo. O resultado foi um trabalho extremamente descritivo, porém que me rendera uma excelente nota.
- Bella? – Então eu o vi.
- Preciso ir, professor. – Anunciei, ao ver meu Edward parado a porta da sala.
- Até mais, Bella. Espero vê-la no ano que vem.
- Sim, você verá. Obrigado pelas dicas. – Acenei, coloquei minha bolsa num ombro e sai.
- Você demorou, então vim te procurar. – Ele sorriu e me deu um selinho.
- Desculpe, hoje foi a entrega dos trabalhos e das notas. Faltam só três ou quatro matérias para fechar o ano. – Eu suspirei satisfeita com todo o meu trabalho.
- Eu vou te dar uma carona para o hospital. Preciso resolver algumas coisas. – Edward disse baixo.
Edward estava tão ocupado quanto eu. Seu chefe, Charles, se não me falhe a memória lhe entregava os pequenos casos, enquanto ele trabalhava no meu. Era impossível que ficasse a par de tudo, porém, na medida do possível, eu pedia para Edward me manter atualizada. Eu sabia que Charlie e Renée já haviam recebido a carta de intimação, que dizia que deveriam comparecer no tribunal em alguns dias, para prestarem seu depoimento frente ao corpo do júri.
Minha principal preocupação, ao invés de ser se iríamos ganhar a causa ou não, era o encontro com meus pais. Charlie e Renée podem ter feito o que for, porém, ainda eram meus progenitores e eu não poderia mudar isso. A cada dia que passava, a ansiedade tomava conta e eu já não podia controlá-la.
- Pelo menos hoje você pode se dedicar a outra coisa. – Ângela dissera, quando estávamos no vestiário.
- Oh sim. Vai ser ótimo. Acho que Jane e Mandy terão alta amanhã pela manhã. Hoje preciso reavaliar o caso das duas para saber da evolução. – Pensei sobre meu dia.
- Assim que você chegar mande-as para mim, vou garantir os exames cardiológicos para o final do dia. – Ela disse sorrindo.
- Seria perfeito. – Concordei. – Todas as médicas podiam ser atenciosas como você.
- Se você fala da Lauren. – Ela riu baixo. – Desista. Nem o Dr. Roger consegue fazer com que ela seja mais legal. Ela é a típica enfermeira marrenta.
- Bom, quem sou eu para contestar. – Eu ri, lembrando-me da enfermeira chefe do pronto socorro, uma garota loura, de cabelos cacheados e que sempre estava de mal humor. – Preciso ir, Ang. Obrigada. Assim que possível falo com você.
- Até mais, B.
A porta do elevador se abriu e eu respirei fundo. Fui diretamente para o escritório, percorrendo o longo corredor e dando boa tarde para algumas enfermeiras e outras funcionárias que andavam pelo lugar. Naquela tarde, tudo parecia estar em perfeita ordem, até onde eu podia perceber. Sequer havia alguma maca sendo empurrada às pressas até alguma outra ala do hospital ou então algum parente estressado ou aos prantos.
Entrei no escritório e suspirei, ao ver a pilha de livros da faculdade e de papéis do hospital, que já se acumulavam sobre minha mesa. Carlisle ergueu uma sobrancelha e encarou-me por alguns instantes.
- Você está bem, Bella?
- Estou apenas surpresa com todos os meus afazeres. – Eu ri nervosa. – Eu odeio deixar as coisas acumularem, mas ultimamente é impossível.
- Como está a faculdade? Falta muito para terminar o semestre? – Ele perguntou, enquanto rabiscava alguma coisa em sua agenda.
- Preciso só terminar dois trabalhos e então esperar a nota. Pretendo terminá-los essa semana, assim consigo me adiantar em dez dias. – Suspirei ao lembrar que eu tinha muito trabalho a ser feito e, pela primeira vez, eu estava me sentindo cansada e como se não fosse dar conta.
Eu passara cinco anos da minha vida tentando construir algo, para que um dia, quando eu já não tivesse mais que viver sozinha, eu pudesse dizer: “consegui”. Quer dizer, não era difícil, chegava a ser fácil, porém era complicado. Pela primeira vez eu abri os olhos e olhei realmente no que minha vida havia se tornado, tudo era claro e límpido, como água, como cristal. Percebi que eu já tinha as pessoas que ficariam ao meu lado pelo resto da vida e que Renée e Charlie, meus pais, eram apenas um fio solto, que logo entraria em seu devido lugar, que seria dentro ou fora da minha vida.
- Está tudo bem. Eu consigo. – Disse para mim mesma, porém em voz alta. – Vou buscar a papelada de Jane, ok?
- Tudo bem. Assim que você terminar com ela, eu assino. – Carlisle dissera, enquanto digitava alguma coisa em seu notebook.
(...)
Alice despediu-se da professora de História da Moda e saiu da sala de aula, acompanhada de Rosalie. A diferença entre as duas era gritante, Rosalie era alta e Alice não.
- Então, como está o trabalho? – Alice perguntara, quando elas caminhavam pela calçada.
Rosalie King fora contratada por Esme, para o cargo de secretária. Fora Bella quem havia indicado a jovem para a designer, já que certa vez chegara aos seus ouvidos que Rosalie estava sem emprego. Fazia cerca de dois meses que ela estava trabalhando para Esme Cullen, e estava amando o emprego.
- É ótimo. Esme é um amor. – Rosalie riu. – Eu desconfiava mesmo de onde vinham todos aqueles resmungos do Edward. Os pais dele são pessoas maravilhosas.
- Eu pensei o mesmo quando o conheci. – Elas riram juntas.
- A senhora Cullen é como... Miranda Priestly¹. Ela é doce e tem um lado sensível, mas é a Dama de Ferro daquele lugar. – A loura dizia. – Ela não exige que eu chame a guarda costeira, mas sua opinião conta muito e em muitos lugares.
- Isso é realmente legal! Esme aparenta ser um doce mesmo e sensível, embora eu tenha estado com ela por alguns poucos minutos. – Alice deu de ombros.
- O motorista dela vem me buscar todos os dias. Eu disse que não precisava, mas não adianta. – Ela contou.
- Rose, preciso ir. – Alice levantou-se do banco em que estavam sentadas. – Hoje vou fazer um levantamento daquela loja.
- Boa sorte.
Rosalie ficou sozinha por pouco tempo. Logo mais, o motorista de Esme Cullen chegou e ela sentou no banco do carona. Ele dirigiu-se para o escritório, onde deixou a jovem.
- Bom dia, senhora Cullen. – Rosalie cumprimentou-a.
- Bom dia, Rosalie. – Esme sorriu e continuou fazendo anotações em alguns projetos. – Preciso que peça para o Pierre marcar uma reunião com os investidores. Precisamos expor os novos projetos para aprovação. – Ela sibilou.
- Sim, senhora. – Rosalie anotou na agenda e saiu da sala.
- Rosalie, que bom que você chegou! Ela estava um inferno hoje cedo. – Emily comentou com um ar de desespero. – Eu não sei como você conseguiu, mas preciso organizar uma recepção e...
Se tinha uma coisa que Rosalie gostava, era de recepções. Sempre havia pessoas bem vestidas, negócios e no final, todos sempre saiam contentes, ou pelo menos, bem humorados. Emily era a recepcionista e, ocasionalmente, informava a Esme sobre seus compromissos quando Rosalie não estava presente. O problema era que Emily não era tão eficiente quanto a menina loura.
- Esme? – Rosalie entrou no escritório.
- Sim?
- Emily me informou sobre a recepção. O que é preciso fazer? – Ela perguntara.
- Graças a deus, você me lembrou, Rose! – Esme exclamou. – Eu não sei como ela ainda está aqui. – Ela disse baixo. – Eu preciso que você organize uma recepção para este final de semana. Vamos, feche a porta.
Rosalie fechou a porta dupla e sentou-se na cadeira em frente a mesa de vidro e aço de Esme Cullen. Esme puxou uma caderneta que havia no canto de sua mesa e abriu numa determinada página; havia vários números de telefones anotados e algumas datas e nomes. A jovem loura tomou posse da caderneta e leu atentamente aos nomes e números.
- Há alguns anos, quando meu filho Josh ainda era vivo, tanto Carlisle, quanto eu ajudávamos uma instituição de apoio a jovens com epilepsia. – Ela contou, enquanto levantava-se e ficava de frente para uma parede repleta de fotos em porta retratos prateados ou de inox. Rosalie aproximou-se.
- Vocês pararam de ajudá-los depois que ele faleceu certo? – Ela perguntou receosa.
- Sim. Mas a instituição recebe ajuda de outras empresas, então eu gostaria de voltar a ajudar alguma instituição que precise. – Ela sorriu.
Rosalie ponderou. Uma idéia surgiu. Sua boca se abriu ao mesmo tempo em que a de sua chefe. Ela fechou-a novamente e deixou que a mais velha falasse.
- Isabella veio de um orfanato. – Ela voltou para sua mesa e rabiscou um novo endereço na caderneta que Rosálie havia deixado sobre a mesa. – Este é o endereço.
- Alice também. Acho que é o mesmo orfanato. – Rosalie estreitou os olhos. – Seria legal poder ajudá-los.
- Então faça o seu melhor. – Esme sorriu. – Confio em você.
- Eu o farei. Para quando quer o jantar beneficente?
- Vou deixar em suas mãos. Mas eu gostaria que fosse ainda neste mês.
- Verei o que posso fazer. – Rosalie assentiu. – Talvez depois da audiência de Bella. A data seria ótima e teríamos também um pretexto para fazer uma surpresa à ela e ao orfanato.
- Excelente!
Rosalie voltou para sua mesa, na antessala de Esme Cullen. Fez algumas ligações e um pouco mais tarde saiu com o motorista para ver alguns lugares que poderiam receber o jantar beneficente. Quando seu expediente acabou, ela decidira ir a pé para casa, deixando o motorista livre, como na maioria das vezes. O fim da tarde estava fresco e andar sob o pôr-do-sol e o início de um céu estrelado lhe fazia sentir-se bem.
Quando chegou ao seu pequeno apartamento, um prédio de pintura nova e arquitetura moderna, com cômodos de tamanho médio e aluguel barato, ela jogou uma bolsa sobre a cama e deitou-se. Com os próprios pés, retirou os scarpins e movimentou seus dedos, massageando-os; soltou um suspiro de alívio ao sentir seus pés livres.
Alguns minutos depois em que saíra do banho, por volta das oito e meia da noite, seu celular tocou. Ela vislumbrou uma mensagem que havia sido deixada anteriormente a ligação. Era de seu tio, Richard King. Em sua mensagem ele a convidava para jantar.
“Estarei aí em meia hora. –R.” Ela respondeu rapidamente.
“Traga seu namorado. –R.K” Seu tio respondeu logo em seguida.
“Tudo bem. Verei com ele. Até. –R” Ela digitou rapidamente.
Rose apertou a letra “e” do teclado de seu celular smartphone e em seguida o número de Emmett estava sendo discado. Segundos depois, ele atendera:
- Emm?
“Ursinha!” Ele exclamou suavemente. Não esperava que ela ligasse. “Aconteceu algo?”
- Nada de importante. Meu tio nos chamou para jantar na casa dele. E te convidou. Quer ir? – Ela perguntou.
“Se vou ficar com você. Sim, é claro. Esteja pronta em vinte minutos. Estou saindo do banho.” Ela sorriu debilmente.
- Ok. Até mais.
Rosalie secou rapidamente os cabelos, que adquiriram ondas perfeitas naturalmente, vestiu uma calça jeans skinning, sapatilha azul marinho, uma blusinha preta e um casaquinho azul marinho informal por cima. Rapidamente fez uma maquiagem simples, porém escura e deixou os lábios com apenas um brilho labial. Ela gostava daquele visual.
Emmett buzinou em frente ao prédio e minutos depois ela já estava entrando no carro. Ela suspirava toda vez que o via vestindo aquelas camisas pólo que apertavam seus músculos de uma forma incrivelmente sensual.
- Oi, babe. – Ele deu um beijo rápido em seus lábios. – Eu realmente estava pensando em chamá-la para ir a algum lugar.
- Meu tio é imprevisível. Não sei por que ele quer jantar hoje. – Ela murmurou. – Mas estou feliz que você esteja indo comigo.
- Qualquer coisa pela minha ursinha. – Ele sorriu.
Emmett McCarty tinha uma devoção especial por Rosalie. Seus olhos brilhavam e suas mãos quase chegavam a transpirar de nervosismo toda vez que ele a via. Ela era como uma relíquia que ele preservaria para o resto de sua vida; como uma deusa da beleza ou uma vampira sedutora e atraente. Era impossível não se apaixonar e se encantar. Ele queria casar com aquela loura e não pretendia demorar a fazer o pedido.
Richard King era tio pelo lado paterno de Rosalie. A família King era composta por empresários e a maioria dos homens da família acabava seguindo por esse ramo. O pai de Rose e seu irmão, Richard, seguiram o mesmo caminho. Como a sobrinha, ele também era louro e alto, porém tinha olhos castanhos escuros, mas os mesmos traços.
- Que bom que veio, Rosie bebê! – Ele abraçou-a quando abriu a porta.
- Tio, não me chame assim! – Ela resmungou rindo ao abraçá-lo.
- Eu gosto de Rosie bebê, ursinha. – Emmett falou propositalmente.
- Ursinha? Vocês estão ficando um casal meloso demais. – Richard riu.
- Querida! – Meredith, a tia de Rosálie, abraçou-a. – Você está linda. Olá, Emmett!
Richard e Meredith eram os pais que Rosalie gostaria de ter tido, atenciosos, carinhosos, brincalhões e educados, não eram neuróticos e nem tão ciumentos. Meredith entregou uma taça de espumante a Emmett e outra a Rosalie. Emmett considerava Rick – Richard – e Meredith seus sogros.
- E o que estamos comemorando, tia?
- Rick foi promovido. Agora é vice-diretor da K&G Enterprises. – Ela disse sorrindo, logo em seguida abraçou o marido e o beijou.
- Isso é ótimo, tio! – Rosalie abraçou-o. – Fazia algum tempo que o senhor estava tentando conseguir essa promoção.
- Realmente, vamos comemorar!
Emmett e Rosalie, junto ao casal fizeram um brinde, posaram para uma foto e iniciaram uma conversa animada sobre o novo cargo de Rick na K&R. Meredith estava na cozinha retirando um assado do forno, enquanto Rosalie colocava um lindo arranjo de flores sobre a mesa na sala de jantar, quando a campainha tocou novamente.
- Está esperando mais alguém querido? – Meredith perguntou quando ele parou próximo a porta da cozinha.
- Não que eu saiba.
- Eu atendo.
Rosalie arrumou as flores e foi em direção à porta de madeira escura e entalhada. Ela girou a chave uma vez e em seguida a maçaneta, quando abriu, seus olhos se arregalaram.
- Quem é Rosie? – Emmett apareceu ao lado dela e encarou a pessoa parada a soleira da porta. Havia um casal louro, de olhos castanhos. Ambos eram altos e Emmett constatou que a mulher tinha muitas semelhanças com sua namorada.
- O que fazem aqui? – A loura perguntou rudemente.
- Esta é a casa do meu irmão. Eu vim parabenizá-lo pela promoção.
Richard e Meredith não esperavam receber a visita dos pais de Rosalie. Na verdade Richard pretendia apenas comemorar com sua esposa e sobrinha, e o namorado dela, obviamente. Ele não tinha muito contato e nem recebia muitas visitas do irmão desde que...
- Quem é este? – Melissa King perguntou a filha.
- Vocês não têm direito sobre mim. – Rose disse brava. – Importa a mim, quem é ele. Não a vocês.
- Parece que você está bem. – Peter perguntou.
- Sim. Estou. Não sabe o quanto fico emocionada com a sua pergunta! – Ela exclamou ironicamente.
- Sou Emmett McCarty, namorado dela. – Emmett encarou profundamente Peter e Melissa. Não houve aperto de mãos.
- Pelo menos fez direito. – Melissa sibilou.
- Chega! – Meredith se interpôs. – Emmett, leve Rosalie lá para cima. Fiquem na varanda. Vocês dois, precisamos ter uma conversa.
Emmett guiou Rosalie pela sala de estar, até a escada e então subiram. Nos fundos, havia uma porta dupla com uma varanda logo em seguida. Ele abriu a porta, Rosalie saiu e então fechou-a.
- Quer me contar alguma coisa? – Ele perguntou suavemente, abraçando-a por trás.
- Meu pai é irmão de Richard. Todos os homens da família entram no ramo dos negócios, é algo familiar, sempre deu certo. Só que dentre os irmãos, meu avô escolheu Rick para assessorá-lo, isso queria dizer que ele sucederia os negócios da família e não meu pai.
Ela pausou.
- Para evitar ficar nas mãos do meu tio, meu pai fez negócio com o dono de uma empresa que gostaria de associar-se a nossa. Eles iriam dividir a empresa e dar 20% das ações a este novo dono, os Rochefords. Seríamos KG & R Enterprises. – Ela contou.
- Pelo que percebi nada deu certo. – Emmett falou.
- Meu tio até achou uma boa idéia, expandir os negócios da família sempre parecia promissor, então eles organizaram um jantar de negócios. E eu fui, é claro. O presidente da Rocheford foi apresentado a nossa família, incluindo seu filho Royce. – Ela fechou os olhos e sentiu um arrepio percorrer sua espinha. – Minha mãe me contara que eu iria ter uma surpresa.
Ela aninhou-se no colo de Emmett, quando ele a puxou para junto de si na cadeira de balanço.
- Ela me contou que o senhor Rocheford nos deixaria ficar com 15% das ações e eles apenas com 5%, se concordassem em casar “sua linda filha loura” com Royce. – Ela disse baixo. – É claro que ele era bonito, todas suspiravam por ele e, por alguns meses, nós ficamos juntos. Eu gostava porque todos nos olhavam, nós éramos importantes, sabe... Mas uma noite em que saímos Royce tentou algo a mais comigo e eu não quis. Lhe dei um tapa e sai correndo. Vim para a casa do meu tio e eles me ouviram.
“Richard sempre me tratara como uma filha. Então, quando ouviu minha história ficou possesso, não somente por tentarem me usar como um meio de negociações, mas porque nada foi dito a ele, porque ele poderia impedir de acontecer. E Meredith achou um absurdo um casamento arranjado, não estávamos mais no século dezoito. Então, um dia quando eu estava saindo da escola, eu já estava freqüentando o terceiro colegial, minha tia veio me buscar e me trouxe para cá.
“Eles me tiraram daquela escola e eu passei a estudar numa escola particular, onde não permitiam a entrada de outras pessoas que não fossem parentes próximos. Assim não teria perigo do Royce ou qualquer um deles se aproximarem de mim. Foi dito a escola que eu era filha deles e que Peter e Melissa, meus pais, eram tios que queriam se aproximar de mim por conta do meu dinheiro.
“Por um tempo eu morei com eles, mas quando eu já estava no terceiro ano da faculdade, no começo desse ano, eu quis mudar para um lugar só meu. Rick e Meredith disseram que me ajudariam com as despesas e que eu poderia ficar tranqüila que nada aconteceria.”
Emmett estava sem palavras.
- E porque ela disse: “pelo menos você fez direito”? – Ele perguntou baixo.
- Porque sua família é conhecida na cidade, então ela acha que estou com você por dinheiro, que é só por isso que me aproximo das pessoas. – Rosalie contou. – Mas eu juro que não é verdade... – Ela disse num silvo. – Eu amo você, Emmett. Só isso.
Ele sorriu. Ele sempre soubera dos seus sentimentos por Rosalie e, dos dela por ele; jamais imaginara que ela poderia interessar-se pelos benefícios que ele viria a trazer. Emmett não via Rosalie com estes olhos. Ele sorriu, disse a ela que sabia que ela somente o amava e então beijou-a. Logo mais, Richard parou próximo á porta:
- Eles já foram?! – Rosalie perguntou.
- Ainda não. – Ele respondeu baixo. – Eu gostaria que vocês conversassem. Se o Emmett achar prudente acompanhá-la...
- O que acha Ursinha? – Emmett perguntou suavemente. – Eu jamais os deixaria levantarem um dedo a você ou falarem algo que te magoe.
Rosalie assentiu suavemente. Seguiu Richard escada abaixo, com Emmett seguindo-a. Havia um silêncio pairando na sala de estar e Rosalie tremia por dentro, não sabia o que esperar de seus pais, eles nunca foram pessoas previsíveis. E Emmett, percebendo sua insegurança, segurou sua mão e caminhou ao lado dela até a sala onde estavam seus sogros, de fato.
Os pais de Rosalie estavam sentados lado a lado no sofá de dois lugares. Seu pai, Peter, ficara estático, com uma expressão séria no rosto, irredutível. Entretanto, Melissa, sua mãe, uma mulher altiva, de cabelos louros, a qual Rosalie lembrava muito, mantinha uma expressão neutra. Não era possível dizer o que ela realmente sentia em relação a tudo aquilo. Porém, sua filha vislumbrou algo em seu semblante, quando ela entrou na sala ao lado de Emmett e Richard.
- Muito prazer, Emmett McCarty. – Peter levantou-se e estendeu sua mão para ele.
- Igualmente, senhor. – Emmett respondera cordialmente.
- Receio que eu não esteja na posição de perguntar quais as suas pretensões para com minha filha. – Ele disse com um pouco de humor.
- Temo que não, senhor. Mas se isso lhe serve de alguma coisa, Richard já foi devidamente avisado.
- Você está bem? – Melissa perguntou a filha.
Rosalie parecia um gatinho que não tinha para onde fugir e estava encurralado no canto de uma saleta. Ela queria saltar e correr, fugir dali, mas não parecia o certo. O certo era levantar a cabeça e enfrentar tudo como um leão faria.
- Sim, estou bem. – Ela aconchegou-se a Emmett.
- Nós agimos errado, querida. – Melissa sibilou.
- É meio tarde para perceber isso. – Rose sibilou. – Eu não voltarei para casa, se agora acham que será assim.
- Além do mais, em breve Rosalie será a Senhora McCarty, não tem porquê mesmo. – Emmett disse sorrindo.
Sua namorada, que ficara estática, não sabia se tinha ouvido certo ou se estava sonhando. Ela sempre soubera que passaria a vida com Emmett, mas não sabia que ele a pediria em casamento tão cedo.
- Ursinha, eu não comprei um anel ainda, ou fiz todas essas coisas românticas que casais assim fazem, mas o farei se você quiser. – Ele sorriu. – Mas eu te amo tanto que jamais poderia me ver sem você.
- Eu não me importo com anéis e essas formalidades, Ursinho. – Ela sorriu exibindo seus dentes brancos e o beijou.
Melissa estava arrependida. Percebera que submeter a filha a um casamento arranjado, jamais seria a melhor escolha para sua felicidade, algo que devia ser a prioridade de uma mãe para com um filho. Peter, apenas sorria; estava demasiado feliz, porque passara três, quase quatro, anos de sua vida, perguntando-se de sua filha e tentando amenizar o clima que colocara entre ele e seu irmão, Richard, que ficara ao lado de Rosalie.
Já Rosalie esquecera todo o resto de seu passado. Chegara a conclusão que se não tivesse passado por aquilo, jamais teria encontrado Emmett e jamais estaria ao lado dele gozando de uma felicidade tão plena. “Tem que haver sofrimento para haver amor, Rosie.” Meredith havia lhe dito há três anos, quando ela chegara a sua casa.
- Eu te amo, Emmett.
- Eu te amo, babe. – Ele sorriu. – Te amo como nunca amei a ninguém.
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