Capítulo 12 – Depressão

Edward

Saí de casa quase que às pressas. Larguei o notebook sobre a cama e a pasta no criado mudo. Coloquei uma jaqueta qualquer e entrei no volvo, dirigindo rumo ao centro da cidade. Eu estava cansado. Irritado. Estressado.

Meu pai chegara em casa falando sobre como sua secretariazinha havia sido eficiente e em como a família italiana estava adorando-a. Isabella Swan era perfeita: Era a secretária perfeita, era a médica perfeita, era a amiga perfeita. Tudo agora girava em torno de Isabella Swan.

“Edward, ajude Isabella com o caso.”

“Edward, filho, não se esqueça de ligar para Isabella.”

“Querido, chamei Bella para jantar.”

“Vocês não conversam na faculdade?”

Era isso e mais um pouco.

Talvez eu soubesse por que estava assim. Eu era o culpado, havia sido explosivo e petulante para com ela quando soubemos do pequeno traço em comum que tínhamos em nossa vida. Josh, o meu irmão.

Mas talvez, numa sexta-feira a noite eu poderia deixar de lado tudo e, quem sabe, esquecer que Isabella Swan existia, ou, nutrir um pouco mais de sentimentos não muito agradáveis pela garota. Eu podia estar trabalhando com Isabella Swan, mas era somente para ajudar Jane Volturi. E eu esperava conseguir isso o quanto antes.

Abri a janela do volvo e deixei o vento frio entrar. Eu dirigia acima do limite de velocidade permitido. E ao invés de seguir para os costumeiros barzinhos no centro, fui para um bairro mais afastado e entrei no primeiro lugar que vi pela frente. Eu precisava não pensar em nada.

Sentei próximo ao balcão e pedi a primeira dose, que descera queimando, mas logo, a vodka pôde fazer seu efeito e me deixar leve, com os sentidos alterados e uma falsa felicidade. Sentia aquele calor percorrendo minhas bochechas, o ambiente ficara mais turvo e o som mais abafado. Fechei os olhos e me concentrei só nos efeitos colaterais do álcool no meu organismo.

Uma música qualquer tocava e eu pouco sabia quem tocava ou qual era o cara que cantava, mas ele falava sobre dor, ele me entendia.

Pedi outra dose, mais outra, outra, mais, e mais.

- Ei, você não pode ficar assim, cara! – O balconista falou.

- Mauricinho que veio para periferia. Papai não deu a mesada? – Um idiota vestindo uma jaqueta de couro sintético perguntou em tom de deboche.

- Obrigada por me lembrar que eu tenho pai. Isso é esclarecedor. – Retruquei.

- Playboy. – Ouvi ele resmungar.

Não dei mais corda. Levei minha mão ao pescoço dele e prensei seu rosto contra o balcão. Ameacei-o, e cada palavra saia dura, cheia de ódio, petulância; eu me sentia corajoso e o cara mais forte daquele lugar.

- Ei, vocês! Não quero brigas no meu bar! – O balconista ralhou. – E você, agora sei quem você é. Um Cullen. Me dá teu telefone que vou ligar pro primeiro número que eu ver.

Resmunguei e caí, quando fui me levantar.

Fiquei no chão e não acordei.

(...)

- Obrigado por cuidar dele, Roger.

- Não há de quê. – A voz respondeu. – Eu sabia que era seu filho quando ouvi rumores de coma alcoólico no corredor. Felizmente as enfermeiras do turno da noite não o reconheceram.

- Não teria problemas. Todos sabem que eu tenho certos problemas com Edward.

- Receio que ele esteja acordando. Vou deixar com você agora.

Abri os olhos e minha vista demorou a se acostumar com a claridade. Ao passo que isso acontecia, eu ia me lembrando onde eu estava na noite anterior... Ou pelo menos onde eu estava, já que eu não tinha idéia de quanto tempo havia se passado. Droga, eu estava no hospital.

- Vamos, estava apenas esperando que você acordasse. – Meu pai disse ríspido.

Eu assenti, como uma criança faz quando sabe que aprontou alguma e está levando uma bronca. Vesti a jaqueta novamente e o segui pelos corredores. Notei, que diferentemente do usual, nós saímos por outro elevador, descendo até o segundo andar do subsolo, na garagem, onde um carro nos esperava um pouco a frente do elevador.

Aquele era um elevador de serviço. Amplo, estofado, e a garagem do segundo andar do subsolo era para funcionários e para carga e descarga de matérias, já que havia grades e alguns galpões de pequeno porte lá embaixo.

Não perguntei por que usamos aquela saída, era obvio, não era? Novamente, eu envergonhara meu pai. E só agora, lembrando-me da sala de onde saí, percebi que não era nenhum lugar no andar dele, era mais alto, mais privado.

O silêncio era esmagador e incômodo. Eu me mexia no banco e fechava os olhos ocasionalmente, tentando separar os sons e ouvir somente minha respiração o som do motor do carro. Carlisle estava sério e pouco se movimentava no banco. Não dera ordem alguma ao motorista, que seguia seu caminho pelas alamedas de Londres, até chegarmos ao bairro residencial em que nossa Mansão Branca estava.

- Vou tomar um banho e dormir. – resmunguei.

- Não. Sente-se. – Ele puxou a cadeira e indicou que eu sentasse.

- Tome o café. – Vislumbrei minha mãe saindo da cozinha com uma bandeja de prata. Ela trajava seu robe usual. – Agora.

Não questionei.

- Você foi encontrado em coma alcoólico Edward. Será que vou precisar interná-lo numa clínica de reabilitação? – Ele ergueu uma sobrancelha. – Achei que você já tivesse superado essa sua raiva irracional por tudo e todos. O que foi agora?

- Isabella foi agora. – Retruquei.

- Você está sendo infantil. – Minha mãe sibilou. – Não fale dessa menina, não fale o que você não sabe.

- Está defendendo-a?

- Sim, Edward, estamos. – Meu pai ralhou grosseiramente. – Você está sendo infantil, egoísta e hipócrita. Nós estávamos indo bem, por que isso agora? Acha que se enfiar em garrafas e mais garrafas de bebida vai te ajudar? Ajudou durante esses cinco anos?

- Eu não vou perder outro filho, Edward. – Minha mãe murmurou com os olhos cheios de lágrimas. – Eu não vou perder você, entretanto... Eu não agüento mais!

Esme Cullen, mulher forte, decidida, que refez sua vida a todo custo após sofrer pela morte de seu filho recém nascido, fruto de um casamento arranjado pelos pais. Tentou se suicidar e foi encontrada quase em coma, a beira de um penhasco. Quem a salvou? Quem cuidou dela com todo amor e carinho? Quem esteve com ela para que ela superasse a depressão? Meu pai. E depois que se casou com meu pai, começou a batalhar pela sua vida, mesmo tendo dinheiro, construiu seu pequeno império, a melhor firma de decoração e restauração da Inglaterra. Então veio Josh, trouxe alegria a família; em seguida eu, o queridinho da mamãe, por ser o mais parecido com ela; e então veio o acidente.

Quando Josh morreu eu vi minha mãe quase morrer, ela entrara em uma depressão tão profunda que nem meu pai conseguia fazer com que ela saísse daquele maremoto onde havia se enfiado. Ela ficou em coma por quase um mês e nossa família se afundou em tristeza. Quando ela finalmente acordou, voltou ao trabalho, a estar mais em casa e cuidar de suas coisas, de seu jardim... E assim ela se recuperou, quase que por completo, se não fosse por mim, é claro. A ovelha negra da família.

E hoje ela chorava novamente. Seus olhos estavam transbordando tanto, que eu tive pena dela, de mim e do meu pai, que novamente agüentaria por todos nós. Esme correu escada acima e eu ouvi uma porta se batendo.

Carlisle me fuzilou com o olhar.

- Espero que isso lhe sirva de lição. A próxima vez você vai para um hospital público e depois vai ter que esperar que alguém pague sua fiança. Espero que fique ciente. Vá tomar banho, dormir e voltar a estudar o caso de Jane. – Ele ralhou novamente. – São quatro horas da manhã e eu preciso estar no hospital às oito.

Era um sábado cedo quando ele foi pro hospital, atrasado, por ficar o resto da noite fazendo minha mãe parar de chorar. Ela parou, mas não saiu do quarto. Carlisle voltou só às dez da noite, e juntou-se a mim e minha mãe num lanche que fazíamos a noite. Porém, nem ele e nem ela falavam comigo.

- Como ela está querido?

- Bem. Demorei porque quis acompanhá-la num passeio. – Meu pai respondeu. – Eu conheci onde Isabella morou, querida.

- Onde vocês foram? – Perguntei.

Meu pai ficou em silêncio por um instante e minha mãe se calou.

- Num orfanato.

Depois daquele dia as coisas ficaram melhores e piores.

Melhores porque eu só tinha olhos pro meu caso, e estava disposto a estudá-lo até não conseguir mais e tentar um agendamento com o juiz, para uma visita. E piores, porque bem, minha mãe já não era mais a mesma. Embora ela saísse de seu quarto todas às vezes, fizesse refeições em nossa companhia, ela estava distante, não estava indo à empresa e seus designers ligavam em casa a procura dela. Eu sabia que era minha culpa, mas não tinha idéia de como trazê-la de volta.

Numa manhã, decidi que não iria ao escritório, trabalharia em casa. Levantei cedo e dispensei Lena. Fiz um café da manhã reforçado, coloquei numa bandeja grande e subi ao quarto dela. Meu pai já tinha saído.

- Bom dia. – Falei por um vão da porta.

- Entre Edward. – Ela sibilou.

- Trouxe seu café da manhã, vai ficar doente se não comer direito. – Coloquei a bandeja na mesinha da varanda. Ela levantou-se, vestiu um robe e sentou-se na cadeira.

- Vai comer comigo?

- Vou. – Sorri.

Entre diversas coisas que eu pensava naquele instante, uma me veio à cabeça. Decidi que talvez aquilo pudesse deixar as coisas mais claras e resolver uma boa parte dos problemas da minha mãe, e quem sabe, os meus.

- Me fale sobre meu irmão. – Pedi, vendo-a arregalar os olhos e, logo em seguida, sorrir. – Me fale sobre o Josh.

Notas finais
Oie :3
Gostaram desse capítulo?
Prometo que o próximo será bem esclarecedor. Vocês vão saber o que aconteceu com a Bella e com o Josh com mais detalhes e, acho eu, com um pouquinho de emoção.
Desculpem a demora em postar, como sempre, sabem que estudo e que a facul ocupa boa parte do meu tempo. E é justamente por isso que agradeço a todas vocês pelos reviews, porque na verdade, não é fácil ter que ficar tanto tempo esperando para ler.
Agora comentem, me façam feliz e comentem!
Beijinhos,
@ninaxaubet