Notas iniciais
Oii povo lindo de my heart!!
Mais um capítulo.. é que eu desisti de vez de fazer chantagem e pedir não sei quantos reviews para postar... Eu posto porque eu gosto, e não pra ganhar dinheiro. Verdade que eu queria ter mais leitores, mas fazer o que?
Pois é, chega de drama e boa leitura!

Eu estava num aeroporto. Cheiro de maresia, bips irritantes, gringos passeando pra lá e pra cá com suas malas coloridas... Considerei a idéia de pelo menos um deles ser fã do Restart. Fiquei observando o movimento monótono das pessoas e pensei com meu zíper que, definitivamente, aquilo não era Crepúsculo! Mas não pude pensar muito; minha lógica atrapalhada foi muito bem interrompida por um grito materno:

- JOANA!

Olhei para trás e vi minha mãe correndo na minha direção. Atrás dela, estavam o meu pai e o Xandi e a vó Nina e o Henrique e a Bia e o Samir e a Salete e o Apolo e o João. Até o Frederico estava lá, babando pelo assoalho do aeroporto.

Tudo bem que o Frederico devia estar morto há muito tempo, mas é que eu o ressuscitei várias vezes. Para os vizinhos fofoqueiros e/ou olhudos não começarem a estranhar a validade longa-vida do cachorro, fiz Frederico voltar no tempo e ser outra vez um filhotinho pequeno e fofo.

Dona Sônia me deu um abraço esmagador de ossos e eu a perguntei a onde estávamos indo e ela me corrigiu, afinal, não estávamos indo. Eu estava. Por acaso eu havia sofrido uma lavagem cerebral e esquecido do intercâmbio? Hã? Dessa vez foi o Dr. Nélson que respondeu. Por acaso a Dalvinha havia realmente se esquecido do intercâmbio que faria nos Estados Unidos?

- Intercâmbio? – perguntei, unindo as sobrancelhas.

João respondeu que eu iria passar dois anos no hemisfério norte, com uma família que se oferecera para abrigar jovens estrangeiros do intercâmbio. Ah, sim! E eu prometera escrever todo mês e voltar ao Brasil para visitas no período de férias.

Salete me informou que eu já devia ir para a sala de embarque, minha mala a essa altura já estava bem guardada e faltava pouco para os passageiros do meu vôo começarem a entrar no avião. Ganhei abraços melosos de todos; um mais forte da Bia, um beliscão do Xandi, uma lambida do Frederico e um beijo de despedida do João. Mesmo não entendendo nada, senti um aperto no peito ao entrar na sala de embarque carregando nas costas uma mochila mega pesada que deveria conter somente o estritamente necessário.

Aquilo estava confuso demais. O que intercâmbio pode ter a ver com Crepúsculo? Cadê o Edward, a Bella, o Jake? Pelo menos um, nem que seja o Emmett! Teria meu poder... falhado?

Eu olhava em volta e tentava adivinhar quantas daquelas pessoas fariam intercâmbio e quantas delas eram fãs de Crepúsculo. Logo eu me cansei do passatempo e abri um livro para ler (claro que era para ler, sua besta quadrada! Só eu mesma!). Uma mulher fantasiada de aeromoça interrompeu minha concentração.

- Ei, você é a Joana Dalva?

Respondi que sim, eu mesma, e ela me disse que iria me acompanhar porque eu sou menor de idade. Descreveu a minha futura segunda família: um homem com uma filha de dezessete anos que morava com a mãe e do nada resolveu morar com o pai numa cidade perto de Seattle.

- Legal! – Lamento, foi só o que eu consegui dizer.

Ela me disse que eu já podia embarcar e fez questão de me levar até a minha poltrona e avisou que me encontrava em Seattle. Só tive tempo de perguntar seu nome – Cibele. Joguei minha mochila num compartimento que serve pra isso mesmo e sentei na minha poltrona ao lado da janela.

A aeromoça falou todas aquelas coisas de segurança que eu já sei de cor e eu pude finalmente enfiar um par de fones no ouvido e me concentrar num livro. Mas a concentração não me impediu de perceber um atrasadinho chegando afobado.

A pessoinha jogou a mochila no mesmo compartimento que eu havia jogado a minha e se sentou na poltrona vaga ao meu lado. O garoto estranho ficou me olhando, e eu pude disfarçar meu estresse com o livro e o mp4. Logo o meu disfarce foi acabado; alguém avisou aos passageiros que eles precisavam afivelar seus cintos para a decolagem. O garoto chamou a aeromoça para ajudar a fechar o cinto, e juro que tive de morder a língua para não rir quando ele soltou a pior cantada do mundo para cima da pobre trabalhadora.

O avião começou a subir, e eu fui obrigada a me recostar na poltrona. Senti um frio na barriga e um formigamento nos pés. Uma sensação boa. Em cima das nuvens, o avião planou no ar. E eu pude ligar meu mp4 novamente.

Eu balançava a cabeça no ritmo da música (La La Land, da Demi Lovato), mas não deixei de perceber um par de olhos sobre mim. Olhei para o lado, achando que ele fosse olhar pra frente, falar oi ou suspirar de tédio. Mas ele continuou com a mesma expressão, me encarando com suas olheiras fundas.

- Eu te conheço? – perguntei, arrancando um dos fones do ouvido.

A criatura maligna não respondeu. Ele apenas tirou o casaco – e suspirou de tédio. Mas aí que eu me dei conta com quem eu estava falando. O minotauro-bomba tatuado em seu braço me fez dividir a cabeça em milhões de pedacinhos e procurar aquele rosto no fundo da minha mente. Fiz uma curva entre as sobrancelhas e palpitei:

- Ivan?

Ele arregalou os olhos, voltou a colocar o casaco e me respondeu com outra pergunta:

- Joana Dalva?

- Eu não acredito; é você mesmo?

- Claro que sou eu. Quanto tempo faz?

- Dois anos e meio – respondi depois de alguns cálculos mentais. Eu não era muito boa com isso, o gênio da matemática era a Bia, então eu soltei outro palpite.

- Muito tempo.

- Muito – concordei.

- E aí, como estão as coisas? O que você está fazendo aqui? E o João e a Bia e a Leninha e o Marcelo e o Samir? E os professores? A Clarisse, o Paulo, Ozônio?

- Espere um pouco; uma pergunta de cada vez. Eu estou bem, ótima. Eu estou fazendo intercâmbio em algum lugar. Mas não sei ainda nem o nome do cara que vai me emprestar sua família por dois anos. O João está bem, fizemos ontem três anos de namoro. A Bia continua sendo um gênio da matemática, a Leninha continua sendo a primeira-dama da sala, já que o Marcelo ganha todas as eleições. O Samir vai bem, muito bem. Ainda está namorando a Bia. A Clarisse continua solteira, o Ozeas, vulgo Ozônio foi para Pernambuco e o Apolo, quer dizer, o Paulo, casou com a Salete.

Ele não demorou a fazer a pergunta que eu esperava:

- E a Danyelle?

- Danyelle? – Ele assentiu ao ver minha cara debochada. Continuo não indo muito com a cara da Dany. – Ela está bem. Encheu a cara de piercings outra vez, se arrependeu, tirou tudo, virou modelo, saiu num cartaz na rua, o Guto pediu pra namorar ela, ela aceitou e três meses depois descobriu o que toda a escola já sabia, mas tinha dó de contar: ele estava tendo um rolo com a Patrícia do nono ano. Normal! – bufei. – Ela terminou, desistiu de ser modelo, e enfiou os piercings na cara tudo de novo. Gostou?

- Sim, claro – ele murmurou. – Mas... Espere aí! Como você não sabe o nome do cara que vai te emprestar uma família por dois anos?

- Não sabendo, ué!

- Você devia saber.

- Como?

- A agência que vai te levar não te deu um papel especificando com quem você vai ficar? Era pra você ter esse papel.

- Não sei... Vou ver.

Levantei e tirei a mochila do compartimento. No bolso menor, havia um papel. Tirei-o de lá e joguei a mochila novamente no compartimento que serve pra isso mesmo. Voltei à minha poltrona e fiquei olhando o papel por um momento. Talvez seja esse mesmo. Ergui a folha para Ivan.

- Seria esse? – Uni as sobrancelhas. E tinha razão pra isso.

Ele desdobrou a folha branca e começou a ler. Fiquei olhando, na espera de uma resposta. Ele também tinha uma ruga entre as sobrancelhas. Ivan mudara muito; e se não fosse pela tatuagem do minotauro eu nunca o reconheceria.

Ele parou de ler e me olhou.

- Joana, e o seu poder? – ele perguntou no tom mais baixo que pôde.

- Está bem. Continua comigo. Acho que virou um vício.

- Você pode consertar tudo...

- É. A maioria das coisas.

- Todas as coisas – ele corrigiu. – Joana, você, por acaso, é fã de Crepúsculo?

Hesitei um pouco, pensando no que ele queria com aquilo. Afinal, o que ele tinha a ver com meu fanatismo por Bella Swan e Cia? Fiquei observando, e, por um segundo, esqueci de sua pergunta. Até que ele balançou a cabeça, pedindo uma explicação.

- Sou sim – respondi de uma vez. – Por quê?

- Ora, Joana. Por quê? Justamente porque o nome do cara que vai “emprestar” – ele fez aspas no ar – a você a casa e a família é Charlie Swan. E, a propósito, ele tem uma filha. De dezessete anos. Adivinha o nome dela? Ah, claro: Isabella Swan.

[...]

Saí do desembarque com a minha mala super pesada sendo arrastada na mão e a mochila mega pesada quase caindo das minhas costas. Morrendo de frio, me enrosquei num casaco felpudo. Na saída do aeroporto, fui pensando como eu ia fazer para chegar até a casa do Charlie. Mas eu cartaz enorme me fez mudar os planos.

BEM VINDA, JOANA DALVA!

Corei ao ver aquele cartaz. Mas Charlie e Bella não fariam isso, fariam? Eles não teriam coragem... Pelo que conheço deles nos livros, acho que não teriam mesmo! Para tirar essa dúvida, fui empurrando as pessoas que estavam na minha frente e seguindo o cartaz enorme. Qual foi a minha surpresa ao não encontrar nem Bella nem Charlie, mas...

- Oi, garota. Eu sou a Cibele, lembra de mim?

E como não lembrar?

- Claro que me lembro, Cibele. E então, onde está minha futura segunda família?

- Estão vindo pra cá agora. Charlie ligou antes de sair de casa. Ele mora em Forks, uma cidade perto daqui. Acho que você vai gostar, ele tem uma filha quase da sua idade...

- Isabella Swan. – Como se eu não soubesse!

- Essa mesma.

Escutei um toque de telefone e vi Cibele tirar do bolso um tijolo e atender com uma voz de secretária eletrônica. Depois de alguns segundos de papo, Cibele desligou seu tijolo ambulante e avisou que Charlie já estava no aeroporto e que a filha dele estava ansiosa pra me conhecer. Bom, claro que Bella não estava nem um pouco ansiosa pra me conhecer. Eu a conhecia, eu li todos os livros, caramba! Eu teria de me esforçar muito se quisesse mesmo ficar amiga de Isabella Swan. Primeiro eu começaria a chamando de Isabella, até que ela me desse a liberdade para usar o apelido.

Fiquei olhando para Cibele e concluí que ela me lembrava muito a Xirlei com x. Brincos de fadas coloridas, saia até o joelho, salto alto amarelo e meias listradas. Ela tinha um sorriso de fotografia, um nariz pontudo demais e olhos puxados.

Logo parei de reparar na Cibele, ela me assustou se virando para trás, e cumprimentando o Sr. Charlie Swan. Virei e o vi com um sorriso forçado. Me apresentei e só aí notei uma pessoinha que não falara até agora.

- Isabella?

- Sim... – ela respondeu, saindo detrás de alguma coisa. Não é coisa da Stephenie não; Bella é mesmo tímida demais.

- Oi... Eu sou a Joana... – Estendi a mão. Ela pegou na minha mão e finalizou o cumprimento. Bella Swan é mesmo uma pessoa difícil.

- Pode me chamar de Bella.

Pronto! Esqueci que ela não gosta do nome todo. Prefere Bella. Olha a burra aqui, lutando para sair do seu livro preferido sem virar amiga da protagonista! Mentira; eu queria muito ficar amiga da Bella, mas ela fez todo o trajeto até a casa desfrutando do completo silêncio. Seria mesmo difícil fazer aquela cabeça dura ser minha amiga.

Chegando na casa, Charlie me apresentou o meu quarto. Sim, eu tinha um quarto só pra mim. Uma cama de solteiro, uma televisão pequena em cima de uma cômoda com gavetas. Parecia tudo bem confortável. Prometi a Charlie que logo arrumaria um emprego para ajudar nas despesas, ele disse que não precisava e que eu podia arrumar minhas coisas na gaveta. Eu sorri em agradecimento.

Charlie era mesmo como Bella descrevia no livro. Um cara legal.

Liguei a tevê, abri a mala e sentei no chão. Separei tudo direitinho, calças jeans numa gaveta, blusas em outra, e assim por diante. Eu não estava prestando muita atenção na tevê, então eu desliguei. Com uma blusa nas mãos, fiquei pensando no que eu faria dali em diante, já que estava comprovado que eu havia entrado na saga Crepúsculo. Pensei na família que eu deixei no aeroporto. Sentiria saudades até do Xandi. E de puxar a orelha dele.

Onde eu estudaria? Na mesma escola que Bella? Conheceria Edward e família? Eu sempre sonhei em passar um dia com Alice Cullen... Mas, e aí, eu iria participar da história como uma personagem comum?

Tirei mais uma calça da mala e levei um susto quando vi, no fundo da bolsa, uma coisa que eu não esperava: todos os livros da saga; Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer. Fiquei um pouco aflita, o que eu faria se Bella por acaso achasse aqueles livros e os lesse e descobrisse que é uma mera personagem? Do jeito que ela é maluquinha por livros, é bem capaz de nem hesitar ler...

Temendo o pior, enfiei toda a saga na gaveta das calcinhas, onde eu tinha certeza de que ela não mexeria. (XD)

Notas finais
Oii de novo!!
Gente, só pra constar, o Ivan só aparece no livro 5 da coleção Poderosa, então pode ser que vocês ainda não o conheçam. Mas eu não sei se ele vai aparecer de novo, então, era só pra avisar.
Cibele eu inventei ** sorriso orgulho

Reviews, por favor! Será que a Gabi merece?

Bom... É hora de dizer tchau.
Então... Tchau!