Eu estava muito nervosa. Esta ia ser minha primeira grande exposição. Por três anos eu batalhei duro e fiz pequenas exposições, mas de algum modo Léo conseguiu um lugar pra mim aqui. E não é só isso. Um artista muito famoso que eu admiro muito vai ser o crítico da exposição pra pequenos artistas, como eu. Quem atrair mais sua atenção vai ter a chance de fazer uma exposição junto com ele! Por isso dei meu melhor em cada obra de arte minha e fiz muito esforço pra concluir dentro do prazo. Sinceramente eu estava bem satisfeita com o meu trabalho, mas isso não fazia meu nervosismo ir embora.

— Vai dar tudo certo, Amanda – Léo sussurrou pra mim – você trabalhou duro nisso, não?

— Sim...

— Então não precisa temer nada. Se ele não te escolher, pelo menos você sabe que fez o seu melhor.

Olhei pra ele.

— Obrigada Léo.

A exposição tinha começado. Uma multidão entrou ávida por novidades. Junto delas o crítico. Eu era a décima quarta num total de vinte, então tive que esperar por um tempo até que chegou a minha vez. Ele observou todas as minhas pinturas e esculturas anotou algumas coisas, e foi embora, sem nenhum comentário. Não posso dizer que isso me ajudou muito.

— Ele detestou não foi? Eu sabia que não era boa o suficiente, eu deveria ter usado cores mais claras pra aquela pintura e... – comecei a me desesperar.

— Amanda! – Léo botou as mãos nos meus ombros – Controle-se. Olhe. Ela faz a mesma coisa com todos os artistas.

Ele tinha razão. Me preocupei à toa de novo.

— Ah, Léo ainda bem que você está aqui pra me acalmar.

— Pra isso que servem os empresários e amigos.

Eram 20:00 e a exposição tinha finalmente acabado. O crítico começou a falar.

— Primeiro quero dar os meus parabéns a todos que conseguiram chegar até aqui. Deve dizer que ser artista não é fácil, você tem que batalhar muito até que as pessoas passem a reconhecê-lo. Mas chega de enrolação. Os quadros e esculturas do artista que eu escolhi passavam fortes emoções pra mim. Eu pude sentir tudo o que este artista sentiu através de seus quadros. Não é só isso. Seus traços eram leves e ágeis, como um verdadeiro profissional. E seus quadros/esculturas mostravam um tempo cronológico. Por isso e muitas outras razões é que o artista que eu escolho é: Amanda Aelle Licardi.

Léo me levou pra jantar num restaurante super chique, pra comemorar meu sucesso. Nós estávamos já no meio da sobremesa quando achei que este era o momento certo para contar pra ele que eu gostava dele há anos. Suspirei e comecei:

— Léo...

— Quê?

Estava ficando nervosa. Quando fico nervosa falo tudo que vem à minha cabeça e saí tudo como se fosse um raio. Foi o que aconteceu. Que nem na exposição.

— Eugostodevocê, Léo. Desdequeagenteseconheceueumesentiatraídaporvocêeagoraqueeufinalmenteestoufazendoumpoucodesucessodecidiqueeraomomentocertoprafalarissoe...

Mas que droga. Não queria falar assim pra ele. Pude sentir minhas bochechas começarem a ficar vermelhas, quando ele disse:

— Também gosto de você.

— Quê?!

Ele começou a rir.

— Hahaha! Porque você acha que eu ia tantas vezes na lanchonete pra início de conversa? Só depois de eu ter ido umas três vezes é que passei a reparar nas suas esculturas. Não falei nada até agora, porque queria manter uma relação profissional, mas agora que você tocou no assunto... Sim, eu gosto de você também.

Sorri. E nós dois começamos a rir.

***

Dois meses se passaram e agora era hora da minha exposição com o artista que admiro. Inesperadamente eu não estava nervosa como da última vez. Eu apareci em várias revistas falando que fui a ganhadora, logo muita gente veio ver nossa exposição. Esse era o início da minha fama. Eu mal acreditava.

- Boa sorte – Léo disse e meu deu um beijo.

- Eu sabia que vocês foram feitos um pro outro desde o início. – se vangloriou Vini.

- Você chegou! Que bom que desta vez você não tinha nenhuma viagem à trabalho e pôde vir!

- Eu não perderia isso por nada.

- Você perdeu minha primeira grande exposição, da qual ganhei o concurso que me fez ter esta exposição.

- É, mas eu não perdi sua primeira exposição de todas.

Revirei os olhos.

- De qualquer maneira é bom você estar aqui, Vini – nos abraçamos.

- Vem, vamos ver as obras dela – falou Léo.

- Okay.

Tudo estava perfeito.

Notas finais
Amanhã eu posto o epílogo :)