Uma Pintura Da Minha Vida
5 Capítulo 4
- Moça e os meus waffles?
- Já vai sair!
A porta se abre.
- Hey!
- Vini, oi! Agora não dá que eu to ocupada! – disse levando dois pratos para duas mesas diferentes.
- Ok, então eu vou sentar aqui em frente ao balcão.
Acabou que Vini é o meu único amigo e na escola pelo menos temos um outro pra aguentar o bullying (ele ser gay e eu adotada) juntos.
Depois de 15 minutos (contando com os pedidos dele também) pude me juntar a ele.
Joguei-me na cadeira.
— Dia cheio?
— Nem me fala.
Hoje é sexta feira, são 18:43 e estou trabalhando desde as 16:00 como garçonete na lanchonete Yummy! Yummy! Estou assim faz três meses. Agora além da escola também tenho um trabalho de meio-período. Por quê? Faz três meses que Izabella morreu, ou seja, três meses que Gonzalo está em depressão. Tanto que nem trabalha. Nos mudamos para uma casa menor para se adequar ao meu salário mínimo+gorjetas. Vini e eu somos bons amigos desde aquele dia, e ele sempre vem na lanchonete pra me ajudar.
— Você está atrasado.
— Me desculpe se eu quis passar um pouco mais tempo com o meu namorado.
Suspirei.
— Você é tão sortudo por ter um namorado, Vini.
— Ah me desculpe! Eu esqueci que você acabou de terminar com ele.
— Tá tudo bem.
Vini tentou me animar.
— Aquela pintura é nova?
— É. Você gostou?
— Está magnífica, como sempre.
— Obrigada.
Eu não tinha desistido do meu sonho de ser artista plástica. Mesmo no orfanato eu continuei a desenhar, pintar e fazer esculturas. Eu fiz um acordo especial com o dono da lanchonete, que é amigo do primo de 1° grau do Gonzalo. Pra cada pintura/escultura boa que eu fizesse ele pagaria cem e exporia na lanchonete. Todo mundo sairia lucrando. Ele atrairia mais clientes eu ganharia mais cem pratas e ainda poderia expor minhas obras.
— Ah, Amanda, o que você vai querer de aniversário? – perguntou Vini.
— Hum? Aniversário?
— Terra chamando Amanda! Você faz 17 semana que vem.
— É verdade! Fiquei tão focada na escola e no trabalho que nem percebi!
Vinícius começou a rir.
— Ai Amanda! Como sempre no mundo da lua!
— Ah para! – cutuquei ele – eu não fico viajando tanto assim.
— Ok, ok... – disse ele começando a para de rir – Mas enfim, o que vai querer?
Pensei um pouco.
— Que tal brincos?
— Ah! Aquele que você viu naquela loja lá naquele lugar, que você tanto adorou?
Tradução: O brinco preto e dourado que você viu na loja onde você geralmente compra seus acessórios.
— Esse mesmo.
— Amanda! Quem deixou você ter um intervalo?
— Iii é o gerente. Hora de voltar ao trabalho. – me levantei.
— Bom então eu vou indo. Aqui, vou te dar uma gorjeta especial por causa do seu aniversário. Quinze pratas.
— Brigada. – eu sei que ele não faz isso por mal. Ele não tem pena de mim, nem nada não. Pelo contrário, ele apóia que eu seja independente. Por isso aceito as gorjetas dele.
— Tchau, Vini!
— Bye baby!
Argh. Odeio quando ele me chama de baby.
***
No dia seguinte...
— Um sanduíche de peru defumado e um refrigerante.
— Já está saindo – disse anotando o pedido.
Era o loiro de olhos pretos de novo. Ele virou um freguês frequente. Ele aparentava ter uns 20 anos, e sempre pedia um sanduíche com refrigerante. Ele é bonito, tenho que acrescentar. Apesar de não conhecer o cara, vendo como ele agia na mesa acabei me simpatizando com ele.
— Um 19! – gritei pro cozinheiro.
Enquanto esperava o pedido aproveitei pra conversar um pouco com o Vini.
— Amanda, é impressão minha ou você não para de olhar pro cara da mesa sete?
Ele estava se referindo ao loiro de olhos pretos.
— Ah, Vini você tem que admitir que ele é bonito.
— Você tem mesmo bom olho Amanda – concordou o Vinícius – Porque não fala com ele?
— Cê tá maluco? Ele dever ter uns 20 e tantos.
— E qual o problema? Você já tem 17 praticamente Amanda, peloamordedeus!
— E o que eu falaria pra ele?
— Que tal oi?
— Você. Pirou. De vez. – me levantei pra entregar o pedido.
— Aqui está o seu sanduíche de peru defumado com refrigerante.
— Ah, obrigado. Ei. Hum...
— Pois não?
— Eu soube que você que faz as pinturas e esculturas desta lanchonete, eu perguntei pro gerente, elas são muito boas.
-Ah, hum, obrigada – era a primeira vez que recebia o elogio de um estranho. Comecei a corar.
— Você por acaso gostaria de ser artista?
— Bem, sim...
— Muito prazer. Meu nome é Léo e sou empresário. Eu veio aqui todos os dias e sempre me deparo apreciando uma de suas obras. Você tem talento, garota. Por isso eu gostaria de contratá-la.
Eu estava em choque. Nada saiu da minha boca.
— Você não precisa responder agora. Aqui meu cartão. – ele me entregou seu cartão – Até mais.
Voltei até onde o Vinícius estava.
— Eu vi você dois conversando! Me conta tudo, e aí ele te chamou pra sair?
Ainda incapaz de falar simplesmente entreguei o cartão dado por Léo à ele.
— O que é isso? Léo Cabret empresário, telefone 2584... Pera aí! Ele te ofereceu um emprego?
Balancei a cabeça.
— To tão feliz por você Amanda! Finalmente vai sair dessa espelunca! Amanda? Porque não está falando nada?
Encontrei forças pra falar.
— É porque durante toda a minha vida, eu sempre lutei muito e achei que ninguém iria reconhecer meu trabalho. Mas agora... – eu comecei a chorar de felicidade.
Vinícius me abraçou.
— Agora tudo vai ficar bem. Ei, não chore mais. Seu sonho virou realidade, não?
Balancei a cabeça de novo.
— Isso, agora me mostra um sorriso.
Eu consegui sorri pro Vini. Ele sempre conseguia me fazer parar de chorar.
— Viu? Agora vai se demitir, ligar pra esse tal de Léo e dizer a ele que aceita a proposta!
— Está bem! – agora eu não conseguia parar de sorrir. Fui lá pra dentro e voltei cinco minutos depois.
— Me demiti.
— Muito bem! Agora vamos comemorar!
Vinícius me arrastou pra vários lugares só pra comemorar minha futura carreira.
De noite, no mesmo dia eu liguei pro Léo.
— Alô?
— Léo? Sou eu, Amanda.
— Ah, Amanda! Então pensou na proposta que eu te fiz?
— Sim.
— E?
— Eu aceito.
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