Uma Pestinha Em Minha Vida
34 O presente de Mavis
Notas iniciais
Com o término de um ano letivo com sucesso e uma formatura maravilhosa, meu feriado anual favorito não tardou a chegar. Magnólia estava bela, com neve cobrindo as ruas e telhados e luzes coloridas a piscar por todos os lados. Era tempo de alegria e esperança e ninguém ousava fazer algo contra este momento tão lindo. A neve branca e delicada caia suavemente pela cidade, deixando o ar um pouco mais frio, mas mais adequado à ocasião. Pessoas caminhavam pelas ruas e praças mais movimentadas, onde a decoração de natal se superava neste ano, era realmente fantástico! Mas meio a esta multidão, ninguém estava mais feliz do que Mavis, que se pendurava em mim e Natsu e ria e comemorava o tempo todo sua vitória, mesmo se passando um mês desde o ocorrido no parque, este parecia ter sido seu principal objetivo ao longo do ano, e uma vitória assim não é algo que seja comemorado em apenas um dia, de acordo com ela, ainda mais no natal, é tempo de comemorar tudo!
– Eu sou mesmo demais! Este ano eu realmente deveria ganhar um prêmio por ter conseguido tal proeza! – a pequena se gabava, se entrelaçando entre os meus braços e os de Natsu. – Mavis, a rainha das fadas e cupido oficial da tia Lucy!
– Ok baixinha, você venceu. – Natsu bagunçou levemente seus cabelos. – Você merece mesmo um prêmio, mas só vai ganhar mais tarde, ok?
– Agora temos que nos apressar. – falei. – Já estamos atrasados para a festa de natal da Grandine!
– Ah, mas isto é culpa do tio Natsu! – Mavis afirmou. – Nunca vi um homem demorar tanto pra arrumar o cabelo, parece até uma mulher.
– COMO É?! – Natsu se enfezou com o comentário de Mavis, arrancando risos meus e dela.
[...]
A festa de natal estava realmente maravilhosa. Grandine caprichou muito na decoração, com enfeites e pisca-piscas para todos os lados e uma linda árvore de natal gigante na sala, e embaixo da mesma, uma pilha de presentes se formava. O presépio em cima da lareira com meias penduradas completava a decoração, dando um ar festivo e aconchegante.
A casa estava lotada de amigos, vizinhos, conhecidos e pessoas que nunca vi em minha vida, mas que deviam ser amigos das Marvel. Neste meio tempo, Grandine ficou familiarizada com meus amigos graças às visitas frequentes deles agora enquanto eu cuidava de Mavis. Por um tempo achei que ela fosse se incomodar com isto, mas pelo contrário, ela pegou até uma amizade com todos. Levy estava uma graça com uma jardinheira vermelha acompanhada de uma blusa branca e meias longas combinando. No momento ela lia um livro de contos natalinos para algumas crianças que estavam sentadas em uma roda próxima à lareira. Loki, Mira e Cana conversavam em um canto mais afastado. Não conseguia ver a expressão de Loki, mas via claramente que Cana estava se divertindo e que Mira estava com seu olhar de conselheira. Erza, Jellal, Gray e Juvia conversavam no sofá com uma taça de espumante nas mãos de cada, parecia até um encontro de casais, só não tomava isto por oficial porque Gray ainda estava sendo boboca o suficiente para não tomar nenhuma atitude em relação à Juvia, apesar de agora estar prestando mais atenção nela. Gajeel estava meio isolado, estava evitando ficar no mesmo cômodo que Levy, mas não se recusava a conversar com ninguém que puxasse assunto. Era difícil vê-los assim, mas infelizmente não havia nada que eu pudesse fazer no momento, os dois eram cabeça dura demais para deixar o orgulho de lado e finalmente conversar.
Também se encontravam na festa Igneel, meu pai e os pais de Levy. Estava realmente me dando bem com Igneel, ele vivia dizendo que mataria Natsu caso ele me deixasse porque eu fui um grande achado e que nunca encontraria ninguém melhor, e ele tornava a afirmar isso a cada vez que via as notas de Natsu, que melhoraram muito desde que eu comecei a ajuda-lo com os estudos.
Meu pai, Grandine e Igneel conversavam alegremente e às vezes mandavam uns olhares engraçados para mim e Natsu, chegue até a ouvir Grandine dizendo que sempre soube que ficaríamos juntos no final, o que claro, me fez corar absurdamente.
Por falar em Grandine, ela estava maravilhosa naquele vestido longo rubro! Seus cabelos lisos azuis claros, somados a seus olhos cor de safira ressaltaram ainda mais a beleza que o terno feminino costumava esconder no dia a dia.
Neste momento eu e Natsu estávamos conversando com uns convidados da festa e vi ao longe Mavis abraçada com Charlie correndo pelo 1° andar com sua amiga Zeira. Fiquei tão alheia ao que acontecia à minha volta tentando imaginar o que aquelas duas estariam tramando que Natsu precisou me sacudir um pouco para me trazer de volta à realidade.
– Hã? O que? O que eu perdi?
– Com a cabeça no mundo da lua de novo, Luce?
– Não enche. – corei com sua pergunta e fiz um pequeno bico, desviando o olhar.
Natsu riu um pouco e apontou para cima com um sorriso sacana. Segui com os olhos para onde ele apontava e reparei em um pequeno visgo pendurado acima de nós.
– Você conhece a tradição. – arqueou as sobrancelhas repetidamente com um sorriso ainda mais sacana.
– Idiota.
Mas o idiota que eu amo. Ignorando novamente tudo o que ocorria a minha volta, só me concentrei no momento e no beijo que ele me deu. Foi como nosso primeiro beijo, simples e mágico, fazendo com que me esquecesse de tudo e fizesse parecer que tudo estava tão certo. Então o barulho de uma colher se chocando delicadamente contra uma taça chamou a atenção de todos os presentes e nos trouxe de volta à realidade. Era Grandine.
– Boa noite a todos. Primeiramente quero desejar um feliz natal a todos e agora, o momento que todos estavam esperando! Quem quer começar o amigo secreto?
Vários “eu” foram ouvidos pela casa, mas um em especial se destacava entre todos, não apenas por estar berrando, mas por também estar pulando loucamente perto de Grandine e quase se pendurando no lustre novamente. Era Mavis. E esta começou com a tradicional brincadeira.
– A minha amiga secreta é uma pessoa muuuuuuuuito especial para mim, não apenas porque ela cuidou de mim e me aturou este ano inteiro, mas por ser atrapalhada, um pouco maluca e muito estranha! – a esta altura, todos já sabiam de quem se tratava e tudo o que eu conseguia pensar era se havia algum buraco por perto para eu esconder meu rosto de tamanha vergonha. – é você, tia Lucy!
O tempo passa e esta criatura não deixa de ser uma peste! Como ousa me chamar de estranha de maneira tão feliz na frente de tantas pessoas?!
– O-Obrigada Mavis. – respondi completamente rubra com fumaça saindo pelas orelhas.
Mavis me entregou um pequeno embrulho vermelho, que foi claramente embrulhado por ela por estar todo torto, mas o que valia era a intensão. Me acomodei no sofá e desfiz o laço com cuidado e removi a tampa.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – num reflexo, joguei a caixa longe e pulei para cima do encosto do sofá. – MAVIS, O QUE É ISSO?!
Mavis, ao ver a barata morta que caiu da caixa, levou as mãos ao rosto com uma expressão de surpresa, e com uma risadinha nervosa, simplesmente disse:
– Ops, presente errado. Acho que enviei o seu presente pra Rússia por engano... Este era pra ser o da Wendy.
Todos olhavam pasmos para ela, principalmente eu e Grandine.
– Por que mandaria uma barata morta pra Wendy?! – perguntei com muito medo da resposta.
– Pra ela lembrar que tem uma irmã esperando ela e pra ela voltar pra casa logo. – falou batendo a ponta dos dedos com a carinha mais fofa do mundo. Muitos “own” foram ouvidos, mas eu não caio nessa.
– E como uma barata morta passaria essa mensagem?!
– “Ou volta pra casa logo, ou os presentes vão deste para pior” É meio obvio não?
Aquela conversa já estava tomando um rumo assustador demais para mim, então decidi simplesmente deixar pra lá como se Mavis tivesse dito algo normal e continuei o amigo secreto tentando disfarçar o ocorrido de poucos momentos atrás.
Vários minutos depois, encerrado o amigo secreto, a festa tomava agora seu rumo normal, com grupos se dispersando e formando novos grupos e menores. As crianças brincavam com seus brinquedos novos e os adultos conversavam entre si, bebendo e contando piadas.
Rogue chegou pouco depois do término do amigo secreto, mas ele não veio para isto, queria apenas cumprimentar Levy e lhe desejar um feliz ano novo. Desde que Sting foi preso, ele e Levy tornaram-se bastante próximos, o que complicou mais ainda a relação já complicada com Gajeel. Por um momento achei mesmo que ele iria deixar o orgulho de lado e ir falar com ela, mas ver Levy sentada em um poof ao lado de Rogue enquanto conversavam alegremente acabou com tudo e Gajeel foi embora da festa sem que muitos dessem falta, sem dizer um adeus. Me cortou o coração ver isto, mas realmente fiquei dividida entre o que deveria fazer, afinal, querendo ou não, Rogue era um cara legal e ele realmente deixava Levy feliz. Não estavam juntos, mas do jeito que as coisas estavam indo, não duvidava que isto acontecesse logo. Devo prezar pela felicidade de minha amiga, mas ainda tenho uma mínima esperança de Levy e Gajeel se acertarem sem que ninguém saia machucado.
Não tardou muito para a festa acabar e aos poucos os convidados iam se retirando, até que ficaram na casa somente eu, Mavis, Grandine, Natsu, Igneel, meu pai e Levy, e eu e meu pai já estávamos nos despedindo deles quando Mavis puxou a barra de minha blusa.
– Mavis?
– Tia Lucy, me desculpa. – a pequena falava com um semblante arrependido e com indícios de lágrimas se formando em seus olhos. – Eu não queria te dar o presente errado, me desculpa!
– Está tudo bem, Mavis, não se preocupe com isso. – me abaixei um pouco diante dela, ficando praticamente da mesma altura dela. – É natal, mas os presentes não são o que realmente importa, sabe disso, não é?
Mavis pulou em meu pescoço em um abraço apertado e disse ainda agarrada e mim:
– Mesmo assim, eu insisto. Amanhã eu vou fazer algo pra te recompensar, eu prometo!
– Se você insiste... Boa noite baixinha.
– Não me chame de baixinha. – ela abriu um pequeno bico e cruzou os braços, virando o rosto e murmurou. – Boa noite tia Lucy.
[...]
Não estranhei Natsu estar em minha cama na manhã seguinte. Não, realmente não aconteceu nada com a gente, como vocês devem ter imaginado, mas estou me acostumando com essa mania estranha dele de invadir minha casa. De acordo com ele, minha cama é muito mais confortável do que a dele. Sei.
Enfim, Virgo havia tirado o dia de folga e meu pai havia ido ao mercado para repor uns mantimentos, então estávamos apenas eu na casa e um Natsu desmaiado em minha cama. Também de tratei de empurrar ele de minha cama para que ele me ajudasse com o almoço, a contra gosto e resmungando muito, até que ele é um bom ajudante.
Estava lavando a louça quando a campainha tocou e pedi para Natsu atender. Pouco depois uma Mavis completamente saltitante adentrou em meu apartamento com uma caixa maior que ontem e mais bem decorada em mãos.
– Tia Lucy, aqui está, o presente que eu prometi que traria para recomensar! Espero que goste! Eu e Charlie fizemos com muito carinho!
Seu sorriso estava tão largo e alegre, era muito bom vê-la assim.
– Obrigada Mavis, mas não precisava se preocupar.
– Precisava sim, e agora vou indo, minha mãe está esperando lá embaixo e temos que ir logo, vim apenas pra entregar mesmo.
– Tudo bem então, obrigada baixinha. – desalinhei um pouco seus cabelos e acompanhei até o elevador uma baixinha levemente emburrada.
– Essa menina é mesmo uma figura. – Natsu apareceu de surpresa e me abraçou por trás. – O que será que tem naquela caixa?!
– É uma boa pergunta.
Nos dirigimos até a caixa vermelha com um belo laço dourado que estavam em cima da mesa. Com cuidado, retirei a tampa e nos deparamos com um lindo bolo redondo branco decorado com morangos e chantilly. Mas não sei porque, algo me dizia que havia alguma coisa errada com aquele bolo.
– Wow, esse bolo está com uma cara ótima! – Natsu exclamou com os olhos brilhando.
– Está mesmo! Natsu, você pega os talheres e eu pego os pratos!
Ao cortar o pedaço do bolo, não consegui identificar o recheio, por isso, estrategicamente, deixei que Natsu provasse o primeiro pedaço. Ele sem hesitar levou um pedaço enorme à sua boca, mas arregalou os olhos no mesmo instante e engoliu com dificuldade.
– Nee Luce, ela disse que a Charlie ajudou a preparar?
– Isso mesmo, por que a pergunta? – provei um pequeno pedaço com receio, mas imediatamente entendi o que ele quis dizer com a pergunta. – Droga, eu devia ter imaginado...
– ... Sabor peixe.
– MAVIIIIIIIIIIIS!!!!!!!!!!!!!!
Fale com o autor