Uma Pestinha Em Minha Vida
30 Encurralada
Notas iniciais
Não foi fácil esconder os machucados provocados por Lisanna. Os do braço até que não foram problema, pois a jaqueta por cima já resolveu, mas os do rosto não tinha jeito, cobri com o cabelo o que dava, mas aquele olho inchado e que em breve estaria roxo e as escoriações do rosto, somente uma boa maquiagem esconderia, por sorte havia trazido um pouco comigo e com o auxílio de um pequeno espelho, disfarcei um pouco a prova do crime. Mas sinceramente? Isso não estava importando muito agora, estava me sentindo incrivelmente bem! Tão bem que mal estava sentindo a dor dos machucados. A reação de Juvia à minha proposta compensou todos os pontos baixos do dia! Realmente não conhecia nada sobre aquela garota, e jamais imaginaria que a menina marrenta que estudava na mesma sala que eu fosse agir como uma criança que recebe a promessa de ganhar um brinquedo que almeja muito. Seus olhos brilhavam muito, seu sorriso bobo e a maneira atrapalhada que ficou a deixaram realmente fofa a meu ver.
Juvia era uma menina romântica e muito sonhadora, agora eu via isso. Mas também uma menina que teve o carinho de uma amizade e o afeto de um amor privados por muito tempo, por suas reações. Lisanna era sua amiga, ou ao menos parecia ser, e enfrenta-la daquela maneira com certeza não foi fácil para ela. Juvia se mostrou uma pessoa completamente meiga e com uma imaginação muito fértil, sem falar em desengonçada, completamente diferente daquela garota que usava uma armadura de frieza que a afastava de todos. Ela deve ter sofrido muito até momentos atrás, sempre sozinha no colégio, com “amigas” que só lembravam-se dela quando estavam com o sentimento de vingança borbulhando e um amor não correspondido, realmente não é nada legal se sentir solitária. Juvia precisava de uma amiga, e eu não a pessoa que a privaria disso!
Com o pensamento nesta nova pessoa em minha vida, nem percebi quando cheguei à casa das Marvell. Havia me esquecido completamente de que havia uma pequena criatura por trás daquelas portas, acompanhada de meu amor platônico, prontos para me deixar com os cabelos brancos mais cedo hoje. Bom, mas isso também não importava, preciso encontrar uma maneira de cumprir minha proposta!
– Tia Lucy, você demorou! – Mavis pulou no meu colo assim que abri a porta.
O impacto do pequeno corpo contra o meu certamente me pegou de surpresa, e meus machucados também, e minha nossa, vocês não tem noção do quanto doeram! O grito ficou entalado em minha garganta e apenas esbocei uma pequena careta.
– Desculpe, houve uns imprevistos, mas aqui estou eu! – coloquei a pestinha no chão.
– Achei que não fosse mais aparecer, Lucy. – Natsu saiu da cozinha devorando uma maçã. – Grandine até já saiu.
– Há há, sabe que não falto em meus compromissos por qualquer coisa.
– Certo, menina responsável, agora prepare alguma coisa que meu estômago está colado nas costas!
– O meu também!
– Folgados. – bufei. – Certo, Mavis, vá fazer sua lição de casa e Natsu, certifique-se de que ela vai fazer a lição de casa e não quebrar nada!
– Mas a babá aqui é você! – Natsu disse indignado com a tarefa imposta.
– Sou babá da Mavis, não sua, portanto, trate de fazer alguma coisa de útil ou fica sem carne pra janta!
– Você é má, Lucy. – Natsu fez um bico e se retirou para a sala, mandando Mavis subir para o quarto de má vontade.
Certo, sem os dois por perto fica mais fácil de pensar. Enquanto selecionava os ingredientes para o jantar, comecei a arquitetar um plano para unir meu mais novo ship. Isso não vai ser nada fácil, visto que Gray não parece nem um pouco interessado na Juvia. Engraçado. O mais interessante é que eu vivo me metendo nestas operações cupido, mas minha vida amorosa está mesmo é uma droga! Irônico, não?
Comecei a picar alguns legumes e cantarolar uma música qualquer pensando em alguma maneira de juntar um cabeça dura a uma stalker apaixonada, mas nenhuma das ideias parecia boa. Juntar Erza e Jellal foi mais fácil, eles podiam se matar, mas estava claro que gostavam um do outro, já Gray será realmente um problema. Havia me esquecido completamente de qualquer coisa acontecendo à minha volta, mas fui trazida de volta à realidade quando ouvi um barulho de vidro se estilhaçando seguido de um grito. Mavis!
No susto, larguei tudo o que estava fazendo deixando a faca cair e corri imediatamente para o segundo andar. Mavis estava ajoelhada em meio a cacos de vidro e chorava segurando sua mão que sangrava muito. Natsu encarava tudo atônito.
– E-Eu me descuidei por um segundo... Não vi que... – Natsu se atrapalhava nas próprias palavras.
– Isso não importa agora, vá buscar um kit de primeiro socorros! – corri para ajudar Mavis. Natsu assentiu e correu para o banheiro.
Mavis chorava muito segurando sua mão que sangrava cada vez mais. Tirei-a com cuidado dos cacos de vidro e a levei até o sofá. Por sorte, eu fui uma criança travessa e vivia me machucando, mamãe e Virgo sempre cuidavam de meus machucados e acabei aprendendo alguma coisa com elas. Natsu logo estava do meu lado com a pequena caixinha e comecei a limpar seu ferimento. Suspirei aliviada quando vi que o corte não era profundo. Com o auxílio de uma pinça, tirei um pequeno caco de vidro com cuidado que estava fincado em sua carne.
– M-Me d-desculpa tia Lu-lucy! – Mavis choramingou em meio a soluços. – E-Eu só queria alcançar o p-porta retrato! – fungou. – Está doendo.
– Shh. – a interrompi colocando o indicador em seus lábios. – Está tudo bem.
Ver aquela criança chorando tão indefesa ativou meus instintos maternais e tudo o que eu queria no momento é que ela ficasse bem e voltasse a sorrir logo. Apesar de sapeca, Mavis tinha um coração muito puro, lágrimas definitivamente não combinavam com ela.
Delicadamente, limpei o ferimento e passei uma pomada cicatrizante. Mavis fez uma careta nesta hora, com os olhos brilhando segurando as lágrimas. Lancei meu melhor olhar calmante a ela.
– Já vai passar, vai ficar boa logo.
Finalizei o curativo e fiz um afago em seu cabelo. Tanto Mavis quanto Natsu me encaravam surpresos. Não sei bem se “surpresos” é a palavra certa, mas me senti sem graça com estas reações. Num salto, Mavis me abraçou com força, tomando cuidado com a mão machucada e voltou a chorar em meu ombro murmurando um “obrigada”. Confesso que não esperava por esta atitude da pequena, e meu coração se aqueceu bastante com isso. Retribuí seu abraço com um leve sorriso e fiz um cafuné em seus cabelos dourados.
Natsu observava tudo com um sorriso abobalhado no rosto. Aquele sorriso estava me deixando muito sem graça, de modo que desviei o olhar completamente envergonhada. Quando desviei o olhar, olhei para o chão e vi uma poça de sangue que não veio de Mavis.
– Mas que diabos...?
– Lucy, sua perna! – Natsu gritou assustado.
Filetes grossos de sangue escorriam de um corte em minha perna. Até que eu visse a poça, não tinha sentido nada, com toda a afobação do momento. A dor começou a ficar aguda e uma careta se formou em meu rosto. Quando foi que me cortei?
Foi então que me lembrei da faca. Quando ouvi o grito de Mavis, a deixei cair, ela deve ter cortado minha perna neste momento.
– Tia Lucy, o que aconteceu com a sua perna?! – Mavis se assustou, mas eu a abracei novamente e pedi para que se acalmasse.
– Lucy, você precisa ir ao hospital agora! – Natsu correu desesperado para o telefone e começou a chamar uma ambulância, mas o impedi antes que a ligação completasse, abaixando o telefone.
– E deixar você aqui sozinho com a Mavis? Nem pensar! É sempre mais divertido quando estamos juntos. – dei um sorriso torto devido à dor.
Ele me encarou como se eu tivesse dito que comeria vidro, mas e daí? Nunca fui a pessoa mais sensata do mundo e tenho plena consciência disso. Na verdade, não me sinto nem um pouco confortável em hospitais, evito esses lugares sempre que posso.
– Você é louca, Lucy. – Natsu balançou a cabeça negativamente. – Então, deixe-me pelo menos ajuda-la com isso.
Enquanto limpava meu ferimento, Natsu estava corado. E eu também, presumo. Ninguém trocava uma única palavra, a não ser aquelas frases típicas “está doendo?”. Mavis estava adormecida na poltrona da mãe, coitada, se passar a noite aí, vai acordar com uma bela dor nas costas amanhã.
Natsu finalizou o curativo e desviou o olhar ainda corado.
– Descanse um pouco, você perdeu bastante sangue, eu vou limpar essa bagunça e os cacos lá em cima, tudo bem?
– Ok.
Com a ajuda de Natsu, me ajeitei no sofá e acabei adormecendo, esquecendo-me completamente do jantar e de todo o resto.
[...]
Acordei no dia seguinte com um balde de água sendo virado sobre minha cabeça. Isso mesmo, um balde de água!!
– O QUE É ISSO?! – gritei me levantando num pulo e me esquecendo completamente do machucado e de tudo, mas quando pisei no chão, a dor se fez presente, assim como as lembranças da noite de ontem. Acabei dormindo no sofá da casa de Mavis!
– Bom dia tia Lucy! Você dorme um bucado, hein? Nada te acordava. – disse a pequena com a maior cara de inocente segurando o balde vazio.
Estava tão chocada com a maneira que fui acordada que nem consegui raciocinar direito.
– MAVIS!!
Natsu deu um pulo no sofá ao lado e caindo no chão, provavelmente acordando com meu grito. É, pelo visto ele também dormiu aqui na noite passada. Ainda sem pensar, e completamente encharcada, comecei a arrastar o sofá em direção à porta.
– Mas que ótimo! Preciso colocar essa geringonça no sol e ela é pesada pra caramba! – bufei abrindo a porta e puxando o sofá em direção ao quintal. – Ótimo mesmo! Minha vida está uma desgraça, estou com um rombo na perna, com uma operação cupido que nem sei como vou fazer, com uma pestinha me acordando com um balde de água, o que mais me falta?!
– Lucy?
– O QUE É?!
Imediatamente me arrependi de ter gritado. Grandine me encarava do portão completamente assustada com sacolas de compras de uma padaria próxima daqui na mão. Ai minha santa, gritei com a senhora Marvell!
– AAAAH, senhora Marvell, me desculpe! Não queria ter gritado com a senhora!
– Por que está colocando meu sofá no quintal? – perguntou atônita. – E por que está toda molhada?
– He he he, sabe o que é, senhora Marvell, é que...
– A tia Lucy pirou na batatinha. – Mavis apareceu com a maior cara de inocente de novo. Que pestinha!!
– Mavis! – eu e Grandine gritamos chocadas.
– Mas que gritaria é essa aqui fora? – Natsu saiu da casa com os cabelos mais bagunçados que o normal, coçando um dos olhos.
– Olha, nem quero mais saber. – Grandine passou reto por nós meio sem graça, murmurando para si mesma que era uma boa mãe. Não entendi muito bem isso, mas ok. Corri atrás dela imediatamente.
– Desculpe por isso, a Mavis me acordou com um balde d’água, aí fui colocar o sofá no sol, e bom, o resto a senhora já sabe...
– T-Tudo bem, não se preocupe com isso, querida. – soltou as sacolas em cima da mesa da cozinha e suspirou aliviada. – Nossa, essas sacolas estavam me matando!
– Está mesmo tudo bem? – perguntei desconfiada.
– Oh sim, minha vida no escritório está me deixando louca, tanto que nem estou ligando para o fato de meu sofá estar no quintal agora! — disse, acredite se quiser, sem ironia nenhuma! — Enquanto a casa não pegar fogo, está de bom tamanho. Desculpe pela Mavis ter te acordado desta maneira, ela vai comer amanhã verduras no café da manhã de novo. Mas e você, dormiu bem?
Quer saber? Acho que a senhora Marvell precisa de uns remédios...
– Creio que sim. Por que não me acordou ontem?
– Ah, vocês três estavam num sono tão pesado que não quis atrapalhar. Não se preocupe, liguei pro seu pai avisando que dormiria aqui. Ah, obrigada pelo que fez pela Mavis ontem, fiquei muito preocupada quando ela me contou a história!
– Não foi nada. Será que eu poderia tomar um banho? – perguntei completamente sem graça e olhando para meu estado deplorável. – Ainda tenho aula hoje...
– Claro! Se apresse antes que você e Natsu se atrasem!
[...]
Para começar bem meu dia, o caminho inteiro tive que aturar Natsu fazendo piadas sobre o fato de eu ter sido acordada por um balde d'água e da cara de Grandine quando fui flagrada colocando o sofá dela no quintal. Mas apesar disso, ele ficava atento o caminho inteiro sobre alguma irregularidade na calçada e me fazia andar com calma por conta do meu mais novo machucado, o que foi muito fofo de sua parte.
Nem havia percebido como estava cansada até que me jogasse em minha carteira. Minha rotina ultimamente estava me matando e eu precisava relaxar urgente! Mas eu infelizmente não podia. A manhã inteira no colégio foi sob um clima estranho em meu grupo. Levy e Gajeel não estavam nem se encarando, Erza e Jellal muito menos. Cana eu nem conto, pois seu problema obviamente era ressaca. A aula inteira passou se arrastando e eu já não aguentava mais ouvir o professor Macao falar. Olhando a minha volta, Natsu estava babando na carteira em um sono profundo. Nada de Lisanna. Gray encarava a janela completamente entediado e Juvia o observava do fundo da sala com um binóculo. Sim, um binóculo! Ela é tão atrapalhada... O que me lembra que eu ainda preciso pensar em alguma coisa para juntar esses dois, e já que eu não estava com a menor vontade de prestar atenção na aula, decidi aproveitar o tempo pensando em um plano útil.
Completamente em vão.
[...]
– Como aquela garota se atreve?! – Erza arrancou um pedaço de seu sanduíche como quem arranca a cabeça de um animal. – Que raiva!
– Mas o que é esse ódio todo no seu coração, Erza? – perguntei sentindo que me arrependeria da pergunta.
– Uma garota que Jellal conheceu no intercâmbio. Meredy. Acredita que ela quer vir para cá no ano que vem passar uns dias e ficar hospedada na casa dele?! Que absurdo!
Está explicado porque Jellal não ter passado o intervalo hoje conosco e sim com Natsu e Gray. Eles iriam sentar conosco hoje, mas devido ao clima pesado, preferiram ficar sob a cerejeira mesmo, amparando Jellal.
Ok. Erza está agindo como uma namorada paranoica. Jellal é mais do que louco por ela, posso não conhecer essa tal garota, mas confio em Jellal, mas também não serei idiota de dizer a Erza que ela está sendo paranoica!
– He he, é né...
Deixei que Erza massacrasse o sanduíche como bem entendesse e saí de fininho em direção à Levy. Esta estava bem tristonha e nem havia tocado em sua maçã. Estranhei isso e passei meu braço por seus ombros.
– Quer desabafar, Levy-chan?
Levy suspirou.
– As coisas estão estranhas com Gajeel. Nem sei mais o que temos, se é que temos algo ainda... – Os olhos de Levy ficaram aguados, imediatamente a trouxe para um abraço e lhe fiz um cafuné enquanto falava. – Ontem ele apareceu no parque, e me disse coisas muito cruéis na frente de Rogue, coisas sobre traição, sendo que ele nunca assumiu nosso namoro. Rogue se irritou com ele e eles brigaram, foi a maior confusão. Ah Lu-chan, eu não sei mais o que pensar...
– Gajeel idiota. – murmurei a abraçando com um pouco mais de força.
Ao longe, vi Natsu me lançando um olhar de pena, e retribuí com um olhar que expressava um pedido de desculpas, pela primeira vez, iriamos agir como um grupo, incluindo Natsu e Gray oficialmente, mas uma ocasião como essas impedia que o clima fosse favorável. O dia já não começou bem para nenhum de nós, certamente não iria melhorar muito até o final. Como eu queria estar errada sobre isso.
[...]
Saí do Kurt Café acompanhada de Juvia, como combinado. Estranhei o fato de Loki estar meio distante hoje, mas a correria foi tanta que nem tive tempo de me preocupar com isso. Foco Lucy!
– Certo Juvia. Precisamos mudar a opinião de Gray sobre você, está pronta para começar?
– Sim! Juvia faz de tudo pelo Gray-sama!
Sorri. Meu plano para hoje não era grande coisa. Primeiramente, ela precisaria ser notada, fazendo coisas que dessem a Gray uma impressão positiva. Andamos até o parque onde ele e Natsu costumavam jogar freesbee, e bingo! Lá estava ele, sentado, ou melhor, jogado em um banco da praça, olhando as folhas das árvore sendo levadas pelo vento.
– Ok, hoje apenas conheceremos ele melhor e ele vai conhece-la melhor, assim será mais fácil de juntar vocês dois, portanto, quero que vá até ele e converse. Nada de paranoia! Fale de coisas casuais e sem pânico! Você consegue!
– Sim! Juvia dará o seu melhor!
Me escondi atrás de uma moita perto do lago e me preparei para dar cobertura no caso de alguma coisa der errado. Juvia caminhou em direção a Gray visivelmente nervosa. Droga, ela precisa se acalmar! Ela se sentou ao lado dele e ele estranhou isso, mas não fez nada de mais, apenas a cumprimentou.
– Olá Gray-sama, como está? Está muito quente hoje, não? O dia não está lindo? Não acha que a aula de hoje foi tediosa demais? Como está sua família? O preço do suco de manga estava alto demais, não?
Droga, Juvia era atrapalhada demais! Fiz um sinal do meio da moita para que ela ir mais devagar. Vendo que Gray estava assustado com a enxurrada de perguntas, Juvia suspirou e pediu desculpas.
– Está tudo bem. – ele disse por educação. Estava na cara que ele estava achando ela completamente estranha.
Ficaram em silêncio por um momento, com Juvia encarando Gray com expectativa o tempo todo.
– Er... Você quer alguma coisa?
– Você por toda eternidade, querido. – disse sonhadora com vários corações dançando a sua volta.
Paft! Pati minha mão contra meu próprio rosto. Eu vou ter mesmo muuuuuito trabalho. Gray a encarou incrédulo e saiu de lá correndo imediatamente, largando Juvia sozinha.
– Gray-sama, espere! – Juvia gritou chorosa paralisada no mesmo lugar.
Isso vai ser bem complicado. Vendo que Gray já estava longe, decidi levantar e ir até Juvia para explicar o que houve de errado e como ela poderia concertar isso, mas tropecei em uma raiz e caí dentro do lago!
– Como posso ser tão azarada? – choraminguei ainda dentro do lago, completamente ensopada e com um pouco de lama nos cabelos e nas roupas.
– Lucy?! – Natsu perguntou paralisado na minha frente com cara de intrigado. E para ajudar, minha blusa era branca, e graças à água, ficou completamente transparente.
– KYAAAAAAAAAAAAAA!! Seu tarado! – gritei jogando meu tênis na sua cara.
[...]
Foi embaraçoso arrancar o casaco de Natsu depois de sair do lago, mas seria muito mais embaraçoso voltar para casa com uma blusa completamente transparente. Ele ficou bastante preocupado em relação a meu machucado na perna e só me deixou ir embora depois de me fazer prometer que ele mesmo cuidaria dele amanhã. Obviamente saí de perto dele com o rosto em combustão. Para me distrair daquele momento, marquei um encontro com Juvia amanhã durante meu expediente no Kurt Café para discutirmos as falhas do plano de hoje e bolarmos uma tática.
Já estava escuro e eu estava quase chegando em casa, mas uma ligação urgente de Levy fez com que eu desse meia volta e corresse até sua casa.
Assim que entrei, Erza me empurrou para o sofá e trancou a porta visivelmente irritada. Levy saiu do seu quarto e logo se juntou a Erza com uma expressão nada amigável e com os braços cruzados.
– Não tem nada para nos contar não, Lucy?! – Erza perguntou arqueando uma sobrancelha.
Sua pergunta fez com que meu sangue gelasse e uma bola se formasse em meu estômago. Eu estava assustada. Assustada não! Apavorada! O que será que descobriram? Elas não podem ter descoberto sobre Sting, eu não contei a ninguém, absolutamente ninguém! E duvido muito que ele tenha contado a elas.
– Do que está falando?
– Não se faça de boba, Lucy! – foi a vez de Levy se pronunciar, e me cortou o coração ela não ter usado seu sufixo carinhoso, ela estava realmente brava. – Pode nos dizer o que significa isso?!
Ela jogou um tablet em minhas mãos, com a página de um site de usados aberta, mostrando todas as roupas que eu havia anunciado. Droga!
– O que metade do seu guarda-roupa está fazendo em um site de usados?! – Erza perguntou com voz dura.
– O que está escondendo de nós?!
O pânico havia me tomado completamente. Isso não podia estar acontecendo!
– Vocês não entenderiam, meninas...
– Como é que vamos entender alguma coisa se você não nos conta?! – Erza exclamou furiosa. – Você está escondendo alguma coisa da gente, alguma coisa grande, Lucy! Se não nos contar, não tem mesmo a menor chance de entendermos alguma coisa!
– Desembucha logo Lucy! O que é que você está escondendo de nós?!
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