Uma Perfeita Idiota
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Após alguns minutos repousando sua mão direita em um balde com gelo, Emma a enfaixou para logo em seguida, subir em sua motocicleta rumo ao restaurante mais caro de Storybrooke onde segundo August, Regina comemorava seu aniversário ao lado dos amigos. Por um momento ela pensou em voltar do meio do caminho e esperar a visita de Regina para que pudessem conversar, todavia, uma mistura de sentimentos como raiva, ciúmes e decepção, a atormentavam desde sua última conversa com seu “amigo”, e por esse motivo, ela precisava ir adiante.
Ao estacionar do outro lado da rua, Emma sentiu seu coração disparar quando através da vidraça, seus olhos capturaram Regina acompanhada de outras pessoas que ela julgou ser os amigos dos quais August falou.
Sua respiração se tornou pesada e o ódio lhe subiu à cabeça a ponto de fazê-la pensar em invadir o ambiente e estragar aquela festa, no entanto, a razão falou mais alto e ela acelerou, desaparecendo pela avenida.
[…]
Na manhã seguinte, Emma não abriu a oficina, embora tenha despertado mais cedo do que costume. Depois de tomar um café forte na tentativa de curar a ressaca consequente de uma bebedeira desenfreada na noite anterior, Emma desceu para o cômodo ao lado da garagem onde frequentemente se exercitava, principalmente quando precisava descarregar toda a sua raiva nos sacos de pancada.
— Merda! — esbravejou, ao se dar conta de que sua mão ainda doía. Dessa forma, ela optou por correr alguns minutos nas proximidades do bosque.
Quando retornou para casa, seus olhos cruzaram com Regina que se encontrava a sua espera, sentada nos últimos degraus da escada.
— Exercitando-se logo cedo…formigas na cama? — indagou Regina, num tom brincalhão.
— Quem me dera fosse isso — ela falou, abrindo a porta rapidamente e entrando em seguida.
— Aconteceu alguma coisa? Você parece estar mal-humorada… — Regina perguntou, fechando a porta atrás de si.
— Feliz aniversário atrasado! E desculpe por não ter comprado um presente…garanto que se tivesse tomado conhecimento antes, teria comprado algo a sua altura — ela disse, recebendo um olhar surpreso por parte de Regina.
— Emma…eu quero esclarecer que…
— Porque, Regina? Porque não me contou a verdade? Porque me excluiu de tudo? Deixe-me adivinhar…já sei! Imaginou que eu te presentearia com alguma coisa inferior ao que você está acostumada!
— Emma…
— Não, não…melhor ainda, ficou com receio de me apresentar aos seus amigos e depois ser motivo de piada por namorar alguém como eu!
— De onde tirou tudo isso? Você está louca?
— Fala a verdade, Regina…você tem vergonha de mim, não é?
— Como é que é? Mas que ideia idiota é essa? — ela perguntou, incrédula.
— É a verdade! — Emma gritou. — Você tem vergonha de mim e por isso, escondeu que estava aniversariando!
— Cala essa maldita boca e me deixa explicar! — vociferou Regina, claramente ofegante. — Meu aniversário é hoje, sua idiota! — acrescentou num tom exaltado, desta vez, era Emma quem esboçava uma expressão de incredulidade.
— Hoje? Mas…teve um jantar em comemoração na sua casa e depois eu te vi no restaurante com…
— Emma, pelo amor de Deus…cala essa boca e senta aqui — disse Regina, acomodando-se ao seu lado no estofado, controlando-se ao máximo para não perder a pouca paciência que lhe restava. — Ontem eu estava sim no restaurante, mas não com uma turma de amigos como você está pensando…aquelas pessoas eram de um grupo de investidores dos quais eu estava tentando conseguir alguns novos contratos para a empresa.
— E o jantar em sua casa?
— Foi um jantar em comemoração a um aniversário, mas não era o meu…era o da minha irmã, Zelena.
— Mas…
— Aqui, veja a minha carteira de motorista. Está vendo a data de nascimento? — ela perguntou, exibindo o documento.
— Regina…eu…porque não me falou sobre seu aniversário? — ela perguntou, levantando-se de supetão.
— Eu vim te falar ontem a noite porque eu queria dormir com você e acordar com você… — fez uma pausa, aspirando o ar com força para logo em seguida, retomar sua fala. — Mas você não estava em casa. Esperei por quase meia hora e nada. Liguei e você não atendeu, então eu fui embora.
Emma ouvia cada palavra atentamente enquanto se repreendia mentalmente pela estupidez que por pouco não cometeu quando pensou em invadir o restaurante e acabar com aquele jantar. Regina a odiaria e talvez até terminasse o relacionamento se isso tivesse acontecido, e só de pensar na possibilidade de perdê-la, principalmente por tirar conclusões equivocadas, seu coração se enchia de angustia.
— Regina…me perdoa, amor…me perdoa…eu…eu fiquei louca, louca de ciúmes, de raiva…por favor… — ela murmurava, agarrada ao corpo da mulher amada.
— Está tudo bem, meu amor…olha pra mim — disse Regina, recuando alguns centímetros. — Olha pra mim, Emma… — pediu mais uma vez, comovendo-se com o desespero estampado nos olhos verdes cheios de lágrimas. — Já passou…foi tudo um mal-entendido, fica tranquila.
— Não está brava comigo?
— Deveria, mas não estou. Só não entendi de onde tirou que meu aniversário era ontem…
— Alguém comentou com August mas ele deve ter entendido errado e…
— Claro! Certamente ele entendeu errado propositalmente para provocar esse desentendimento entre nós!
— Porque acha que foi propositalmente?
— Porque não é segredo que ele não gosta de mim! Mas deixa pra lá…o que foi isso na sua mão?
— Nada demais…me machuquei ontem, só isso.
— Tome um banho, troque de roupa, coloque algumas peças numa mala e venha comigo.
— Vamos viajar? — Emma perguntou, esboçando um largo sorriso.
— Passaremos o final de semana na praia…o verão é curto e quero aproveitar a primeira semana de veraneio com você!
— Mas e seu aniversário? E seus pais?
— Meu aniversário comemoraremos hoje na cama…e quanto aos meus pais, já avisei que passarei o final de semana fora e minha irmã me prometeu que ficará em casa cuidando deles.
— Um final de semana inteiro juntas? Regina, o aniversário é seu mas quem ganhou o presente fui eu!
— Bobinha! Vai fazer o que pedi e não demora. Quero aproveitar essa sexta-feira maravilhosa com você.
Regina não conteve o sorriso mediante o entusiasmo de Emma. Apesar de querer se mostrar sempre “durona”, ela sabia de todo o sentimentalismo e sensibilidade que sua amada tentava esconder, tanto que se deixou levar por um mal-entendido que ela sabia perfeitamente ter sido provocado com o propósito de plantar a discórdia entre elas. O motivo para tal artimanha, Regina não sabia ao certo, mas tinha suas suspeitas.
— Estou pronta! — Emma disse, colocando uma mochila nas costas.
— Já? Coube alguma coisa nessa mochila? — Regina perguntou, enquanto caminhavam em direção ao carro.
— Tudo o que preciso.
— Sério?
— Sim. Por que o espanto? — Emma perguntou. — Não precisa responder — acrescentou, quando Regina abriu o porta-malas e seus olhos capturaram todas as bagagens.
— Melhor colocar sua mochila no banco traseiro…o porta-malas está cheio.
Depois de tudo pronto, Regina deu partida rumo ao litoral onde havia comprado uma casa aproximadamente há quatro anos. A construção era a mais afastada da pequena cidade há alguns quilômetros de Storybrooke, bem como dos casarões onde seus respectivos donos usavam apenas para passar a temporada de veraneio.
— Gostou? — Regina perguntou, assim que estacionou o veículo na garagem ao lado.
— Sim, é muito bonita e com uma vista maravilhosa. Mas o que realmente me agradou foi o fato de não termos vizinhos — disse Emma.
— É mesmo? Posso até imaginar a razão.
— O que foi que você trouxe nessas malas? Estão muito pesadas!
— As malas estão pesadas ou é você quem está fraca?
— As duas coisas.
— Não se alimentou hoje?
— Sim, mas não do que eu gosto.
— E o que gosta de comer pela manhã?
— Você!
— Cretina. Cuidado pra não arranhar o meu carro.
— Eu estou me matando aqui com essas malas e você está preocupada com o carro?
— Deixe as malas aí, o caseiro leva.
— Só agora você me diz?
— Bom dia, patroa. A casa está toda organizada como pediu, e se quiser, minha esposa pode vir todas as manhãs preparar o almoço — disse o caseiro, interrompendo a conversa.
— Bom dia, Leroy. Diga a Marian que não se preocupe, eu me viro por aqui. Leve as malas para o meu quarto e depois pode ir.
— Sim senhora, e se precisar de alguma coisa, é só ligar — ele falou, adentrando a casa.
— Droga! — exclamou Emma.
— O que foi? — Regina perguntou.
— Preciso avisar a mamãe que não passarei o final de semana com ela.
— Enquanto você liga para sua mãe, vou ver como estão as coisas.
Depois de constatar que a casa se encontrava bem organizada e em perfeitas condições, Regina seguiu ao encontro de Emma.
— Enfim, sós! — ela disse, abraçando-a por trás. — Aconteceu alguma coisa?
— Mamãe ficou brava porque não passarei o final de semana em família.
— Porque não a convida para se juntar a nós?
— Nem pensar! Quero você esse fim de semana só para mim… — Emma falou, virando-se para que assim pudesse beijá-la.
Ao longo daquela manhã, elas desfrutaram do conforto de uma das espreguiçadeiras que decoravam a varanda. Emma se acomodou em uma delas trazendo Regina consigo para que sentasse em seu colo.
— Feliz aniversário, meu amor — ela disse, distribuindo beijos por toda a extensão de seu pescoço.
— Obrigada, querida… — Regina falou, capturando os lábios de Emma com os seus.
Enquanto se beijavam, Emma percorria o corpo de Regina com suas mãos bem abertas, porém, sem exercer nenhuma pressão. Encerrado o beijo, Regina se acomodou melhor entre as pernas de sua amada, apoiando as costas em seu peito para que juntas, pudessem contemplar a imensidão azul do mar.
— Queria ficar assim com você todos os dias… — Emma comentou.
— Você enjoaria rápido de mim — disse Regina.
— Nunca…é impossível enjoar do seu cheiro, do seu beijo, do seu gosto… — ela sussurrava pausadamente, e a cada pausa que fazia, deixava a ponta da língua tocar a orelha de Regina.
— Emma…
— Estou com vontade de te tocar, Regina… — ela disse, interrompendo-lhe a fala. — Você está excitada, não está?
— Sim…estou… — ela respondeu, fechando os olhos instintivamente quando as mãos de Emma lhe apertaram os seios.
— Veja como o seu corpo está respondendo às minhas carícias… — Emma murmurou, ao sentir os mamilos se endurecendo sob a palma de suas mãos.
Regina gemeu sentindo a pressão daquele aperto contra seus seios, todavia, nenhuma palavra disse. Uma de suas mãos retirou a mão esquerda de Emma que repousava sobre seu seio, para logo em seguida, conduzi-la sinuosamente até o meio de suas pernas, fazendo-a tocá-la por cima do tecido leve do vestido.
Emma estremeceu quando Regina arqueou o quadril e puxou a própria calcinha, deixando-a no meio das coxas. Novamente, ela conduziu a mão de Emma, só que desta vez, em direção a sua boca, chupando os dedos de forma provocante, um por um, e só depois de deixá-los bem lubrificados com sua saliva, ela os guiou de volta para o meio de suas pernas.
— Agora que me livrei de todas as barreiras, masturbe-me e faça-me gozar como só você sabe… — Regina falou, auxiliando os primeiros movimentos dos dedos de Emma em seu sexo.
— Você está tão molhada que eu poderia jurar que já gozou mais de uma vez… — Emma comentou, mordiscando-lhe o lóbulo da orelha.
— Isso é o que você faz comigo… — murmurou Regina, segurando-se nos braços da espreguiçadeira.
— Você gosta do que eu faço com você, senhorita Mills? — ela perguntou, acelerando os movimentos dos seus dedos.
— Fico louca…adoro… — ela sussurrou, deixando escapar um longo gemido. — Quase, Emma…estou quase… — ela dizia, extremamente ofegante, e diferente do que ela imaginava, Emma não aumentou o ritmo e a pressão de seus dedos, pelo contrário, ela cessou as investidas. — Por que parou? Eu estava perto de…
— Eu sei! — Emma a interrompeu. — Não gosta da sensação enlouquecedora que surge quando estamos perto de gozar e interrompemos a “ação”?
— Você é uma cretina pervertida… — ela sussurrou, sentindo novamente os dedos de Emma retomarem as carícias em sua intimidade.
— Responde o que eu perguntei, ou então eu vou parar…
— Sim…eu gosto. Mas é torturante… — ela respondeu por entredentes, ao mesmo tempo em que tombava a cabeça para trás.
— É uma tortura gostosa, não? — indagou Emma, ameaçando penetrá-la.
— Sim…sim…faça isso, penetre-me…por favor… — disse ela, numa súplica desesperada, e movida pelo prazer daquele pedido, Emma a penetrou com seus dedos ágeis e compridos.
Enquanto seus dedos mergulhavam no sexo encharcado a sua mercê, Emma sussurrava obscenidades para posteriormente, chupar e morder o lóbulo da orelha a poucos centímetros de sua boca. Em resposta, Regina gemia, respondia as provocações, e algumas vezes, tentava fechar as pernas mas era impedida pelas mãos que a manipulavam. Dessa forma, Emma não demorou a presentear Regina com um orgasmo incrível.
[…]
— Dá pra se apressar um pouco? Estou faminta!
— Quem mandou ficar retardando meu orgasmo o tempo todo? Agora espere.
— Porque está se arrumando tanto? Vamos almoçar, não casar.
— Pronto! Satisfeita? — disse Regina, dando uma volta para que Emma pudesse observá-la de cima a baixo.
— Maravilhosa como sempre — ela disse.
— Está vendo? Valeu a pena esperar, não?
— Sim, agora vamos!
Embora a cidade que Regina costumava chamar de povoado fosse pequena, os restaurantes eram todos de boa qualidade, uma vez que o fluxo de turistas dobrava sempre no veraneio. Depois de escolher o restaurante, ambas se acomodaram numa mesa qualquer ditando os pedidos para o garçom. Minutos depois, enquanto conversavam, Emma foi surpreendida por alguém que sem se identificar, lhe tapou os olhos.
— Advinha quem é?
— Não faço a mínima ideia! — disse Emma, mais preocupada com o que pensaria Regina do que em descobrir de quem se tratava.
— Sou eu, sua boba!
— Ruby? — indagou Emma, levantando-se rapidamente para abraçá-la. — O que faz por esses lados?
— Passeando apenas!
— Ah, deixe-me apresentá-la…essa é Regina, uma amiga — disse Emma.
— Prazer, Regina! — ela falou, esboçando um largo sorriso.
— Olá — limitou-se a dizer.
— Bom, só passei para cumprimentá-la! Ah, você ainda tem a oficina?
— Sim, eu tenho.
— Qualquer dia te farei uma visita!
— Olha, aqui está meu cartão com endereço e telefone.
— Obrigada…nos falamos em breve! — dito isso, ela se retirou.
— Posso saber porque me apresentou como uma amiga e não como sua namorada? — Regina perguntou, claramente aborrecida.
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