Notas iniciais
Como eu já havia dito, a história está chegando ao fim e esse é o penúltimo capítulo! Obrigada por todos os comentários e favoritos. Boa leitura.

— O que está acontecendo aqui? Mamãe, o que é isso, por Deus! — exclamou Zelena.

— Já disse que não quero essa bastarda na minha casa! — vociferou Cora.

— Zelena, diga a Regina que falo com ela por telefone. Boa noite — dito isso, Emma se retirou acompanhada de Ariel.

Desde que havia descoberto sobre o parentesco de Ariel com suas filhas, Cora se mostrou irredutível em sua decisão de manter a neta do falecido pescador longe de sua casa, e se possível, longe de suas filhas.

— O que a senhora fez não está certo — disse Zelena.

— Esta casa é minha e aqui entra quem eu quiser! — Cora respondeu.

— Que gritaria é essa? — Regina perguntou, de pé ao topo da escada.

— O que está fazendo fora da cama? O médico foi muito claro quando falou de repouso! — Cora a repreendeu.

— Repousar não significa permanecer na cama o tempo todo. Onde está Emma? Vi o carro dela estacionado lá fora.

— Emma foi embora, Gina…mamãe não permitiu a entrada de Ariel, então…

— Já tínhamos falado sobre isso, Cora — esbravejou Regina.

— Na minha casa aquela bastarda não entra.

— Ela é nossa irmã e salvou a minha vida!

— Salvou nada! Quem salvou sua vida foram os médicos, mas se você está tão agradecida, vá se encontrar com ela em outro lugar, não aqui!

— Certo…será como a senhora deseja — dito isso, Regina retornou para o quarto.

Na manhã seguinte, Cora foi surpreendida por Regina que descia as escadas acompanhada de um dos empregados carregando uma mala. Ainda que soubesse exatamente o que significava aquela cena, a matriarca da família Mills não poupou as palavras para questioná-la.

— Para onde está indo com isso? Enlouqueceu de vez?

— Vou terminar minha recuperação na casa da minha sogra — limitou-se a dizer.

— Está colocando em risco sua recuperação por causa de…

— Eu pensei que a senhora tivesse mudado…quer dizer, depois que ficou sabendo da verdadeira situação financeira de Emma, até que houve algumas mudanças…

— O fato de não receber aquela bastarda aqui, não significa que…

— Por Deus, mamãe! A garota nem sabe que somos irmãs! Além disso, ela não tem culpa da traição de papai! Ela não pediu para vir ao mundo, entende?

— Regina, você tem toda razão…mas não acho que seja necessário se mudar para a casa da sua sogra por causa disso — Zelena falou.

— Emma não se sentirá à vontade aqui. Na verdade, ela nunca se sentiu e depois de ontem, menos ainda!

— Eu te levo então…você não está em condições de dirigir.

— Está bem…até breve, mamãe — disse Regina, todavia, Cora permaneceu em silêncio.

[…]

— Regina! Por que não me avisou? Eu teria ido te buscar — dizia Emma, conduzindo-a até o sofá da sala.

— Queria fazer uma surpresa — ela disse.

— Meu amor, você não pode se esforçar assim! Os pontos podem arrebentar e…

— Querida, está tudo bem — ela falou, beijando-lhe o rosto. — Onde está sua mãe?

— Saiu bem cedo e não me disse para onde.

— E Ariel?

— Está na cozinha ajudando Granny com o almoço.

— Está fazendo a minha irmã de empregada? — Zelena perguntou.

— É claro que não. Ela gosta de ajudar nisso, o que posso fazer?

— Poderia chamá-la? Acho que está na hora de falarmos sobre isso… — disse Regina.

— Claro, meu amor. Eu já volto.

Alguns minutos depois, Emma retornou com Ariel e por insistência de Regina, ela permaneceu na sala. Antes de tudo, Regina agradeceu pela ajuda e com o apoio de sua irmã Zelena, a verdade sobre o parentesco entre elas foi revelada.

— Foi por isso que a sua mãe me chamou de bastarda? — questionou Ariel, ainda confusa com aquela informação.

— Sim, mas não ligue para o que ela diz. Você é nossa irmã e vamos considerá-la como tal — Regina falou.

— Nossa…eu perdi meu avô, mas ganhei duas famílias…isso é reconfortante — ela falou, esboçando um largo sorriso.

— Uma família, você quer dizer. Porque Emma é apenas sua cunhada, nada além disso — Zelena falou.

— Posso saber porque você anda implicando comigo? — Emma perguntou.

— Não estou implicando. Estou sendo realista!

— Vamos parar vocês duas? Parecem crianças malcriadas — se pronunciou Regina.

— Você não gostava muito de mim… — murmurou Ariel, direcionando seu olhar a Regina.

— Ah, bom…não é que eu não gostasse. Acontece que eu…eu sentia ciúmes, só isso. Você e Emma passaram um ano juntas e…

— Emma é como uma irmã para mim.

— Eu sei. Por isso eu a amo tanto!

— Só por isso, Regina? — Emma perguntou.

— Por isso e muito mais…você sabe…

— Não há momento mais prazeroso do que ver a família reunida! — Ingrid falou, aproximando-se rapidamente. — Regina, pensei que fosse se recuperar na casa da sua mãe.

— Longa história…depois eu conto. Me acompanha até o quarto, Emma? Sinto um pouco de dor…

— Claro que sim…vamos…

O dia transcorreu de forma tranquila, principalmente pelo fato de Ariel ter recebido a notícia sobre seu parentesco com a família Mills da melhor forma possível. No final da tarde, todos se dirigiram ao jardim, inclusive Regina, já que as dores no local atingido pelo projétil havia diminuído.

— Sua mãe é uma mulher muito difícil e um tanto preconceituosa em relação às classes sociais. No entanto, o lado dela é compreensível…afinal de contas, é a filha da amante do falecido marido dela — dizia Ingrid, sentada ao lado de Regina.

— É, eu sei. Mas ela deveria compreender que Ariel não tem culpa de nada.

— Sim, mas é difícil para ela. O que eu quero dizer é que não brigue com sua mãe por isso. A família precisa estar unida, e quanto a Ariel, ela pode ficar aqui pelo resto da vida, não precisará se mudar para a casa de Cora.

— Ingrid, ela é nossa responsabilidade e…

— Regina, mamãe tem razão. Ariel fica aqui, Zelena pode vir visitá-la quando quiser e você também.

— Tudo isso é medo que eu a leve para morar conosco? — questionou Regina, num tom zombeteiro.

— Nem se atreva a pensar nisso. Quem foi que exigiu privacidade total, hein? — Emma falou.

— Boba…

Uma hora antes do jantar, Ingrid resolveu fazer uma visita a Cora com o intuito de esclarecer a situação de Ariel. Para ela, esse fato não deveria ser um obstáculo entre as famílias, principalmente depois de todos os problemas que enfrentaram e que seguiam enfrentando. Afinal de contas, enquanto David não fosse encontrado e detido, a tranquilidade não poderia ser completa. Por volta das dezenove e trinta, Ingrid retornou para a mansão ao lado de Cora e Zelena, o que acabou surpreendendo a todos que já aguardavam na sala de jantar.

— Acho que a vida é um pouco curta para desperdiçarmos os bons momentos com decepções passadas ou qualquer outro tipo de empecilho — disse Ingrid. — Vamos esquecer nossas desavenças, os problemas, e vamos nos unir. Vamos honrar a palavra família — acrescentou, antes que o jantar fosse servido.

[…]

— Acho muito bonito esse zelo que sua mãe tem com a família — Regina comentou, acomodando-se lentamente sobre a cama.

— É, ela só fala em família — disse Emma, sem muito interesse.

— O que você tem? Está quieta…

— Não era essa a lua de mel que planejei para nós duas.

— Eu sei, meu amor. Mas já está tudo bem e em breve, poderemos viajar e comemorar nosso casamento.

— Você está feliz? — Emma perguntou, acomodando-se ao seu lado.

— Muito. E se eu tivesse morrido, morreria a mulher mais feliz desse mundo.

— Não diga isso! Se eu te perdesse, eu me perderia também.

— Me dá um beijo…

— Não quero te machucar.

— O tiro foi no abdômen, não na boca.

— HA, HA, HA, engraçadinha!

— Hum senti saudade desse gosto… — Regina murmurou, afastando-se por alguns segundos e logo em seguida, voltou a mergulhar sua boca na boca de Emma.

Regina não conteve o gemido quando a língua de Emma deslizou sobre a sua. Cada beijo trocado por elas, era como se fosse o primeiro, sempre carregado de paixão, malícia e desejo.

— Eu quero fazer amor com você… — disse Regina, excitada e ofegante.

— Você não pode…

— Realmente…você não pode me possuir como costuma fazer. Mas pode me tocar, e eu também posso…

— Regina…

— Masturbe-me…e eu farei o mesmo com você.

— Você me deixa louca quando me pede essas coisas…

— E você me excita quando resiste…

— Está excitada?

— Muito. Sinta…toque-me… — ela disse, e sem mais questionamentos, Emma deslizou a ponta dos dedos pela parte interna de sua coxa, chegando ao tecido frágil da calcinha. Seus dedos se infiltraram por baixo da renda sentindo a pele já molhada ansiando por aquele toque.

— Oh, Emma… — ela gemeu em resposta à carícia, agarrando-lhe a mão e pressionando-a com mais força contra seu sexo.

— Não me faça perder o controle… — disse Emma. Sua respiração saía em rápidas rajadas de ar, denotando o quão ofegante ela estava.

— Faça mais rápido… — Regina pediu, e mesmo relutante, ela obedeceu, voltando a beijá-la na boca, encostando ambas as línguas de um jeito dominador e exigente.

Em questão de segundos Regina atingiu o clímax. Seu corpo se contraiu devido aos espasmos provocados pelo orgasmo, provocando uma pequena dor em seu recente ferimento. Seu gemido misturado ao som de sua respiração descompassada fizeram Emma recuar.

— Te machuquei? — ela perguntou.

— Não… — ela respondeu, suspirando em seguida. — Foi perfeito — acrescentou, esboçando um largo sorriso. — Agora é a minha vez de te dar prazer…

— Não. Não quero que se esforce.

— Emma, para de me tratar como se eu estivesse aleijada.

— E você para de ser inconsequente!

— Por que está gritando?

— Você gritou primeiro! — Emma exclamou, assustando-se quando a porta do seu quarto foi aberta.

— Problemas no paraíso, irmãzinha?

— David? — elas disseram, em uníssono.

— Como você não me convidou para o seu casamento, resolvi passar aqui para felicitá-las!

— Desgraçado! — disse Emma, e ao fazer menção de avançar contra ele, David lhe apontou uma arma.

— Mais um passo e eu atiro! — ele avisou. — E dessa vez eu não pretendo errar…

— Como você entrou aqui? — Regina perguntou.

— Com a ajuda da única pessoa que me amou de verdade nessa casa…minha querida irmãzinha Anna — ele disse, esboçando um meio sorriso. — Estou impressionado. Você realmente tem sete vidas, Emma…mas eu tenho sete balas, ou melhor, oito. Sete serão na sua cabeça, e a outra, darei de presente a essa puta interesseira que você chama de esposa.

— Limpe a sua boca imunda quando falar de Regina! — Emma gritou, recebendo uma coronhada na cabeça.

— Emma! — Regina gritou, e ao fazer menção de se levantar, David a impediu.

— Quietinha, sua piranha! Porque o show só está começando…

— Está errado, David! Seu show acabou! — disse Anita, pressionando o cano da pistola contra a nuca dele. — Fique de joelhos e coloque as mãos na cabeça! Qualquer movimento, eu atiro.

Depois de rendido, David foi algemado e levado para prisão. Victor Whale foi chamado para tratar do ferimento que Emma havia recebido na cabeça. Ingrid, ainda em estado de choque, chorava imaginando o que teria acontecido se Anita não tivesse chegado a tempo.

Algumas horas depois…

— O que você fez foi muito arriscado. O tempo que ele passou com Emma e Regina no quarto seria o suficiente para matá-las — dizia Anita.

— O que você fez, Anna? — Ingrid perguntou.

— Eu fiz ele acreditar que o apoiaria, e o ajudaria a entrar na casa para encontrar Regina e minha irmã. Antes dele chegar, eu avisei a delegada e graças a Deus ela chegou a tempo — ela explicou.

— Nunca mais faça uma coisa dessas! Você colocou a vida de todos nós em risco, não percebe? — Ingrid a repreendeu.

— Desculpe, mamãe. Eu só queria consertar a burrada que eu fiz quando o avisei sobre o mandado de prisão — Anna se justificou.

— Não é assim que se consertam as coisas, mas felizmente, deu tudo certo. Saiba que você atrapalhou o trabalho da polícia e pela sua mãe, não levarei essa falta adiante — Anita falou.

— Obrigada, delegada…e desculpe a atitude de minha filha — disse Ingrid.

— Bom, eu tenho que ir. Está tarde…quase amanhecendo já…

— Não quer tomar um café?

— Obrigada, senhora Swan…mas fica para a próxima. Com licença.

— Eu a acompanho até a porta.

Enquanto Ingrid se despedia de Anita, Victor tratava do ferimento que Emma havia recebido devido a uma coronhada na cabeça. Segundo ele, o atrito não tinha sido tão forte, mas como toda pancada na cabeça requer bastante atenção, ele a orientou a procurá-lo no hospital na manhã seguinte se possível.

— Você tem recebido muitas pancadas na cabeça e isso não é nada bom. Vá ao hospital amanhã, tudo bem? — ele falou.

— Não se preocupe, Dr. Victor…eu mesma me encarregarei de que ela vá sem falta — Regina falou.

— Até parece que você está em condições de se encarregar de alguma coisa, Regina — disse Emma.

— Querida, tenho outros meios para persuadi-la — ela disse, e sem razão aparente, Emma sentiu seu rosto queimar.

— Bom, eu vou indo. Qualquer coisa, não hesitem em me ligar — dito isso, Victor se retirou.

— Você quer me matar de vergonha? — Emma perguntou.

— Não, por quê?

— Por nada.

— Por que está brava?

— Porque está tudo dando errado! Nossos planos, nossa viagem, tudo!

— Há males que vem para o bem, meu amor. Todas as pessoas precisam passar por algumas dificuldades, não sei. Além disso, aquele louco já foi preso e agora quando nos recuperarmos, poderemos concretizar os nossos planos — dizia Regina, afagando-lhe os cabelos.

— Assim espero porque não aguento mais tantos problemas…

— Fique tranquila porque amanhã será um novo dia!