Notas iniciais
Obrigada a todos os comentários e favoritos! Boa leitura!

— Regina, fala comigo…meu amor, fala comigo, por favor…

— Meu Deus! Ela foi baleada! Precisamos de uma ambulância agora mesmo! — exclamou Victor.

— Como é possível que ela tenha sido baleada? Não ouvimos nada! — disse Ingrid, o olhar percorrendo os quatro cantos do jardim em busca do atirador.

— Regina…por favor… — murmurava Emma, não contendo o choro.

— A ambulância já está a caminho! — Victor falou, após encerrar a ligação. — É melhor chamarem a polícia! — acrescentou, assustado com a quantidade de sangue que Regina perdia.

— Marco, avise aos seguranças que tem alguém armado na mansão! Rápido! Eu ligarei para a polícia! — Ingrid falou.

O que era pra ser uma festa, acabou se tornando um pesadelo. Os convidados assustados começavam a deixar a mansão, e o desespero sentido por Emma só aumentava a medida em que Victor tentava sem sucesso, controlar o sangramento da ferida de Regina. Minutos depois, o socorro chegou. Regina recebeu os primeiros socorros a caminho do hospital.

Enquanto Regina era submetida a uma cirurgia para a retirada do projétil, Anita, delegada da polícia, conversava com Ingrid Swan a respeito do que parecia ser uma tentativa de homicídio.

— Certamente o atirador usou um silenciador na hora do disparo. A senhora saberia dizer se Regina Mills tinha algum inimigo? — Anita perguntou.

— Não que eu saiba…

— David — disse Emma.

— Filha, eu não acho que…

— Quem mais poderia ser, mamãe? Delegada, temos câmeras de segurança em casa.

— Uma de vocês me acompanharia para que eu checasse o sistema de segurança?

— Não posso deixar Regina sozinha — Emma falou.

— A governanta está em casa e pode ajudá-la no que precisar. Eu vou ficar aqui com a minha filha — Ingrid falou.

— Está bem. Qualquer notícia, entrarei em contato — dito isso, Anita se retirou.

Algum tempo se passou e finalmente Victor acompanhado de outro médico apareceu trazendo notícias, e embora a expressão apresentada por eles parecesse tranquila, Emma sentiu uma angustia tremenda que nem ela mesma saberia explicar.

— Dr. Victor…diga, por favor, diga que ela está bem… — Emma murmurou.

— O projétil será extraído sem dificuldades, porém, Regina perdeu muito sangue e precisa urgentemente de uma transfusão — ele disse.

— Só que temos um problema…seu tipo sanguíneo é O negativo e não temos o suficiente no momento. Alguma de vocês tem o mesmo tipo que ela? — indagou o médico, direcionando o olhar à Cora e Zelena, parentes da vítima.

— Infelizmente…não — Cora falou.

— Mas que inferno! — exclamou Emma, angustiada pelo fato de ninguém de sua família possuir aquele tipo sanguíneo. — Ruby, pelo amor de Deus…

— Sinto muito, Emma… — ela murmurou.

— E você, Ariel?

— Eu…eu não sei qual é o meu tipo sanguíneo.

— Maldição! Como é possível que você não saiba de uma coisa dessas?! — Emma gritou, claramente desesperada.

— Acalme-se, Emma! Perder o controle não ajuda em nada! — exclamou Ingrid.

— Podemos fazer um teste se a senhorita se dispor… — disse Victor.

— Claro que sim… — Ariel falou, assustada com a atitude de Emma.

— Me acompanhe por favor…

A cada dois segundos, Emma checava seu relógio de pulso angustiada pela demora. Ainda que sua mãe tivesse razão, era impossível não se desesperar num momento como esse, principalmente por ver a tranquilidade de todos enquanto a razão da sua existência lutava entre a vida e a morte. Seus pensamentos foram interrompidos quando Anna se pronunciou.

— Me perdoe, Emma… — ela disse. — Eu me sinto culpada pelo que aconteceu a Regina.

— Por que está dizendo isso? Você não tem culpa de nada — disse Emma.

— Sim, eu tenho — ela falou. — Quando a delegada chegou à mansão procurando por David, eu o avisei para que ele ficasse em alerta.

— Como é que é? Como foi capaz de fazer uma coisa dessas?! — indagou Emma, num tom exaltado.

— Filha, por que fez isso? Você atrapalhou o trabalho da polícia… — disse Ingrid, perplexa com a aquela confissão.

— Eu fiquei com pena dele…é meu irmão e…

— Ele não teve pena do inocente que morreu carbonizado! — exclamou Emma. — Escute bem, Anna…se Regina sofrer algum dano ou…não resistir…você será a única culpada e eu juro que nunca te perdoarei.

— Emma, eu não queria que…

— Me solta!

— Calma, Emma! — Ingrid falou.

— Reze para que Regina saia bem dessa merda que você provocou! — ela disse, e antes que a discussão pudesse ser prolongada, Victor retornou informando que o sangue de Ariel era compatível com o sangue de Regina.

— Graças a Deus! — disse Cora, e por alguns instantes, Emma conseguiu respirar aliviada. Anna, por sua vez, continuava temerosa, principalmente por saber que sua irmã a odiaria se algo pior acontecesse a Regina.

Alguns minutos depois, Ariel retornou e a pedido de Ingrid, ela e Anna voltaram para casa. O médico que havia realizado a cirurgia informou que Regina estava fora de perigo, todavia, as visitas só poderiam acontecer no dia seguinte.

— Mamãe, vá para casa — disse Emma. — senhora Mills, eu vou ficar aqui, vá descansar — acrescentou, direcionando seu olhar a Cora.

— Ela é minha filha e eu devo ficar com ela.

— Eu sou mais jovem e tenho certeza que dormir sentada numa cadeira não me prejudicará tanto quanto…

— Está me chamando de velha, mocinha? — ela a interrompeu.

— Não…eu só quis dizer que…

— Mamãe, Emma tem razão. Eu fico aqui com ela e a senhora vai para casa — Zelena se pronunciou.

— Está bem…mas qualquer coisa, não hesitem em me avisar.

Após a saída de Ingrid e Cora, Zelena finalmente encontrara uma oportunidade para conversar a sós com Emma. Desde o incidente no qual ela disparou contra sua cunhada, um pedido de desculpas passou a ser ensaiado em sua cabeça, no entanto, os empecilhos que surgiram ao longo dos dias e até mesmo as circunstâncias, a impediram de realizar esta ação.

— Vendo a minha irmã desse jeito, eu percebo o quão inconsequente eu fui quando efetuei aquele disparo contra você. E me desculpe se nunca lhe pedi desculpas…

— Suas desculpas não me interessam. Quem me interessa é Regina.

— Você é sempre tão grosseira assim?

— Não. Mas você escolheu um péssimo dia para falar comigo.

— É, eu percebi. Desculpe-me por isso também.

— Está desculpada. Agora se me der licença… — Emma falou, levantando-se em seguida.

Para Emma, o dia nunca tinha demorado tanto a chegar como aquela manhã de sábado. Faltavam dez minutos para as seis horas e o horário de visitas se iniciava às oito em ponto. Ela deixou escapar profundos suspiros ocasionados pela impaciência e cansaço que sentia, para só então sorver um pouco do café forte que comprara segundos atrás.

— Você dormiu no hospital? — Victor perguntou.

— Sim…não queria deixá-la sozinha. A propósito, eu posso vê-la?

— O horário para as visitas começa as oito.

— Eu sei, mas você não poderia abrir uma exceção para mim? Mais tarde a mãe dela virá e ainda tem a irmã…quero ficar um tempinho sozinha com ela.

— Está bem. Venha comigo.

Emma não conteve a emoção ao mesmo tempo em que esboçava um largo sorriso. Regina não parecia em nada com aquela mulher forte e decidida que ela estava acostumada a ver.

— Ela está sob o efeito de alguns medicamentos, mas logo deve acordar — Victor falou.

— Posso ficar aqui com ela? Prometo não fazer barulho e nem mexer em nada — ela disse.

— Tudo bem. Avisarei a enfermeira que autorizei a sua entrada, com licença — dito isso, ele se retirou.

— Você parece uma criança astuciosa persuadindo seus pais para ficar sozinha numa loja de brinquedos… — Regina murmurou, num tom quase inaudível.

— E você é a criatura mais linda que os meus olhos tiveram o prazer e a sorte de enxergar um dia… — disse Emma, aproximando-se lentamente.

— E eu imaginando que seria você quem arrancaria o vestido do meu corpo… — disse Regina, recebendo um sorriso singelo.

— Meu amor, como se sente? — ela perguntou.

— Contrariada…imaginei que nossa lua de mel seria em Paris, não em um hospital.

— Esse universo vive conspirando contra nós.

— Acontece nas melhores histórias de amor.

— Não queria que acontecesse na nossa história.

— Estou com sede…

— Não sei se posso te dar água, mas posso te dar um beijo, o que acha?

— Boba. Eu não escovei os dentes…

— Depois a boba sou eu.

— Sim, você é. E idiota também. Agora me diz, como está?

— Um pouquinho tranquila agora que consegui te ver…você lembra do que aconteceu? — Emma perguntou.

— Mais ou menos…quando você se virou dizendo que buscaria uma bebida, tinha uma luz vermelha em seu ombro e eu só quis te puxar para junto de mim. Foi então que…

— Senhorita, o que faz aqui? — questionou uma das enfermeiras.

— Eu autorizei a entrada dela, Margaret — disse Victor. — Regina, como se sente? — ele perguntou, aproximando-se.

— Estou bem, mas tenho sede…

— Margaret, traga um pouco d’água, por favor…

— Quando sairei daqui? — ela perguntou.

— Em breve…você ficará em observação e amanhã mesmo será liberada. Ah, a delegada está aí…quer te fazer algumas perguntas.

— Regina precisa descansar. Ela não pode vir mais tarde? — indagou Emma.

— Está tudo bem, meu amor. Diga a ela que estou bem para dar o meu depoimento, Dr. Victor — Regina falou.

— Aqui está a água…

— Obrigado, Margaret. Avise a delegada que ela pode entrar.

Depois de relatar exatamente o que havia dito a Emma, Regina, assim como a delegada e todos que ali estavam presentes, compreenderam que aquele projétil não estava destinado a ela, uma vez que a mira laser da arma utilizada para efetuar o disparo foi direcionado ao corpo de Emma. Esse fato seria comprovado através das câmeras que já haviam sido encaminhadas para análise.

Minutos depois, a delegada deixou o hospital e o quarto foi preenchido pela presença dos familiares. Emma saiu para que Cora e Zelena pudessem conversar com Regina, e lá fora, ela comentou com Ingrid a respeito do verdadeiro alvo na sua cerimônia de casamento.

— Meu Deus…ele só pode estar louco — disse Ingrid. — Não ficarei tranquila enquanto não vê-lo preso.

— Parece que ódio dele cresce cada dia um pouco mais. Tem certeza que ele é filho do meu pai? Porque é difícil acreditar que alguém seja tão…monstruoso assim — Emma falou.

— Falarei com a delegada para que coloque dois policiais aqui.

— Não precisa disso, mamãe. Amanhã Regina receberá alta e ficará tudo bem…

Na manhã seguinte, conforme Victor havia informado, Regina receberia alta logo após a visita de um clínico geral.

— O médico vai demorar muito? — Regina perguntou.

— Não senhora. Sua mãe já está falando com ele e logo ele virá até aqui — disse a enfermeira. — Sua irmã é uma garota muito forte! Por ela, teríamos tirado todo o sangue de seu corpo — acrescentou, num tom brincalhão.

— Minha irmã? — questionou Regina.

— Sim, a que doou sangue para a senhora.

— Emma…você me disse que quem doou o sangue foi Ariel — murmurou Regina, claramente surpresa.

— E de fato, ela era a única pessoa com o mesmo tipo sanguíneo que o seu — disse Emma, tão surpresa quanto ela.

— Algum problema? A senhora não sabia que aquela mocinha era sua irmã? — indagou a enfermeira, claramente confusa.

Enquanto Emma e Regina se entreolhavam assustadas com aquela revelação, Victor acompanhado por Zelena adentrou o quarto. Ao ser questionado a respeito do parentesco de Regina e Zelena com Ariel, Victor confirmou o que até o momento não passava de uma suspeita.

— Não posso acreditar que Ariel é a filha que papai teve fora do casamento… — comentou Zelena.

— O que foi que você disse, Zelena? — Cora perguntou. — A neta do pescador é a filha bastarda de Henry? — ela indagou, incrédula.

— É sim, senhora Mills. Quando retiramos o sangue dela para…

— Eu já sei o que o senhor vai me dizer! Mas já adianto que não pretendo aceitar essa bastarda na minha casa!

— Mamãe, por favor…aqui não é o lugar, nem o melhor momento — disse Zelena.

— O clínico já te liberou! Vamos embora daqui agora mesmo!

— Regina irá para a minha casa, Cora — Emma falou.

— De jeito nenhum! Ela é minha filha e irá comigo!

— Ela vai comigo porque…

— Emma! Por favor…vamos parar com isso vocês duas — interrompeu Regina. — Acho melhor eu me recuperar em casa…você terá que retornar para o escritório e enquanto eu estiver de repouso, será melhor ficar com mamãe — acrescentou, segurando-lhe a mão suavemente.

— Tudo bem então.

Após acompanhar Regina até em casa, Emma retornou para a mansão surpreendendo Ingrid ao revelar a informação sobre o parentesco de Ariel com a família Mills. Embora Ariel merecesse saber a verdade, Emma preferiu deixar que Regina ou Zelena falasse com ela a respeito disso, afinal de contas, era um assunto de família e só cabia a elas contar ou não.

No final do dia, Anita apareceu com novas informações sobre a tentativa de homicídio, e como já imaginavam, David era o responsável por aquela quase tragédia.

— Ele estava usando roupas de garçom. Os cabelos estão mais compridos e a barba conseguiu fazer com que ele passasse despercebido entre os demais — Anita explicava. — Como eu já havia dito, ele usou um silenciador e uma mira a laser na hora de cometer o delito e se Regina não tivesse interferido, o projétil teria atingido você, não ela.

— Ele não vai descansar até conseguir o que quer — Ingrid falou.

— Não se preocupem…estamos bem perto de pegá-lo e, por precaução, dois policiais a paisana estão circulando nas proximidades da mansão e do escritório onde sua filha trabalha.

— Obrigada, delegada…

— Disponha, senhora Swan. Fique tranquila…e qualquer coisa, não hesite em me ligar — dito isso, ela se retirou.

[…]

— Mamãe, estou indo visitar Regina — disse Emma.

— Ariel vai com você? — indagou Ingrid.

— Sim…Regina me pediu para levá-la. Quer agradecer pelo que ela fez.

— Certo, só não venham muito tarde…fico preocupada.

— Não se preocupe, mamãe. Voltaremos logo.

Enquanto dirigia em direção a casa da família Mills, Emma se desculpava com Ariel pela forma grosseira com que havia lhe falado. Ainda que tentasse evitar, qualquer assunto relacionado a Regina mexia com seu estado de ânimo, principalmente se tratando da integridade dela.

— Chegamos — Emma disse.

— Por que vocês possuem casas tão grandes para tão poucas pessoas? — questionou Ariel.

— Vou ficar te devendo essa — ela respondeu, apertando a campainha.

— O que essa menina está fazendo aqui? — Cora perguntou, tão logo a porta fora aberta.

— Regina me pediu para trazê-la por que…

— Eu não quero essa bastarda aqui! Saia da minha casa, agora!