— Se me dão licença, vou falar com a senhora Swan — disse Ruby, se retirando em seguida.

— Regina… — Emma tentou se pronunciar, todavia, sua voz foi silenciada quando o dedo indicador de Regina pousou sobre os seus lábios.

— Não se preocupe, meu amor. Sei perfeitamente qual foi a intenção da sua amiguinha — ela disse. — Mas eu tinha razão quando falei que a tal Ariel tinha sentimentos por você — acrescentou, substituindo seu dedo pelos seus lábios.

— A humanidade inteira pode ter sentimentos por mim, mas o meu coração só pertence a você — Emma disse, tão logo o beijo foi encerrado.

— Eu sei…e não sabe o quanto isso me alegra.

— O que me diz de uma escapadinha para o meu quarto?

— Por que você é tão pervertida?

— O que há de perversão nisso?

— Estamos na casa da sua mãe.

— Hoje eu dormirei na casa da sua mãe e nós vamos transar.

— Quem disse que vamos transar?

— Eu estou dizendo. Ou você acha que sou capaz de dividir uma cama com você sem te tocar?

— O quarto de mamãe é ao lado do meu.

— Prometo amordaçá-la para que seus gemidos não cheguem aos ouvidos dela — Emma falou, e antes que Regina pudesse rebater, Anna apareceu ao lado de Ariel.

Embora já tivessem jantado, Emma e Regina sentaram-se à mesa para dar a grande notícia sobre o casamento. A expressão apresentada por Ariel e Ruby deixou transparecer uma certa insatisfação, no entanto, nenhuma delas hesitaram em cumprimentar e felicitar aquela futura união.

Passava das vinte e duas horas quando Emma se despediu de todos na casa, uma vez que Regina pretendia contar a novidade a Cora, e a julgar pelo horário, Emma deixou de sobreaviso que dormiria por lá mesmo.

Cora, assim como Ingrid, aprovou a decisão de imediato, afinal de contas, Regina não poderia ter encontrado partido melhor.

— Com quem falava? — Regina perguntou, assim que saiu do banheiro.

— Era mamãe…quer que almocemos com ela amanhã. Tudo bem para você?

— Emma, sei que sua mãe é muito apegada a você, mas já aviso que não pretendo ir morar na mansão quando casarmos — disse Regina.

— Por que não?

— Gosto de privacidade.

— Teremos a privacidade do nosso quarto.

— Meu amor…seu irmão estará lá, aquela chatinha chamada Ariel também. Além disso, quero privacidade na casa inteira, não apenas no quarto — Regina falou. — Sabe quantas vezes poderemos fazer amor na cozinha ou no tapete da sala se morarmos na mansão? Nenhuma.

— Tem razão…eu não tinha pensado nisso.

— Então trate de começar a tirar essa ideia da cabeça da sua mãe porque já marquei com uma imobiliária amanhã.

— Para que imobiliária?

— Para escolhermos uma casa.

— Não podemos morar na casa da praia?

— Quero um lugar com jardim, piscina, espaço…entende?

— Entendo amor…mas vamos deixar para falar disso amanhã — Emma disse, abraçando-a por trás. — Pronta para usar a mordaça? — acrescentou, mordiscando-lhe o ombro.

— Não me dê ideias, Emma…

— Ideias? Que tipo de ideias?

— Vamos para cama…contarei todas ao pé do seu ouvido…

[…]

David caminhava de um lado para o outro enraivecido com a notícia do casamento de sua irmã e Regina. A presença de Ariel na casa não havia surtido o efeito esperado, os noticiários já não publicavam nada a respeito de Emma que pudesse desapontar a Ingrid, e mais uma vez, ele se viu sem nada e ela com tudo. O carinho e o orgulho de sua mãe, os negócios da família voltaram a ficar sob os cuidados dela e agora esse casamento. Tudo o que supostamente deveria ser dele, pertencia a ela e isso o irritava demasiadamente.

— Não pense que será tão fácil, irmãzinha…eu não vou permitir… — ele murmurou, consigo mesmo, enquanto discava o número de August.

— Filha, preciso falar com você e com sua irmã — Cora disse, ao encontrar Regina de saída ao lado de Emma.

— Tem que ser agora, mamãe?

— Sim…não levará muito tempo.

— Eu vou esperar no carro — Emma se pronunciou.

— Não precisa, Emma. Você já é da família…sentem-se, por favor.

— O que houve, mamãe? Está me assustando — Zelena falou.

— É sobre o pai de vocês e a razão pela qual ele mentiu sobre estar doente de Alzheimer.

— A senhora sabia o tempo todo? — questionou Regina, incrédula.

— Não, Regina…descobri poucos dias depois que ele morreu. Encontrei os falsos exames e procurei pelo médico que deu o diagnostico — disse Cora.

— E então? Por que ele mentiu?

— Porque ele tinha outra família.

— Como é que é? — indagou Regina, tão perplexa quanto Zelena.

— Seu pai tinha um caso com outra mulher e desse caso, nasceu uma bastarda. Alguns anos se passaram e ele teve a brilhante ideia de forjar essa doença para justificar sua ausência e fugir das responsabilidades com a amante. Foi então que uma das empregadas achou os exames e me mostrou…ele não tinha outra saída que não fosse mentir para nós também, nos fazendo acreditar que estava doente.

— Isso…não faz sentido — murmurou Regina.

— Foi a história que Archie Hopper, o médico que forjou os exames me contou.

— A senhora sabe alguma coisa sobre essa mulher e a filha?

— Não. Não sei e nem me interessa. Bom, era só isso…achei que vocês precisavam saber a verdade — Cora falou, levantando-se em seguida.

— Mamãe, a senhora está bem com tudo isso? — Regina perguntou.

— Estou, não se preocupem — dito isso, Cora se retirou.

Naquela manhã de sábado, Zelena se comprometeu em permanecer em casa, caso Cora necessitasse de algo. Regina, por sua vez, apesar da surpresa em tomar conhecimento daqueles fatos, não adiou seus planos com Emma, uma vez que de nada adiantaria mexer nos acontecimentos passados, até porque não havia garantias de que aquela informação era verdadeira.

— Está tudo bem, meu amor? — Emma perguntou.

— Sim…só estava pensando. Será que realmente tenho uma outra irmã por aí?

— Talvez sim, talvez não. Está preocupada com isso?

— Bom…um pouco. E se ela estiver passando necessidades?

— Acha que seu pai seria tão canalha a ponto de deixar a própria filha passar necessidades?

— Não duvidaria…afinal de contas, ele inventou a doença para fugir das responsabilidades, não? Além disso, ele está morto. E no testamento não tinha outros nomes além do meu, de Zelena e mamãe.

— Acho que a essa altura do campeonato, sua irmã já deve ser uma mulher e deve estar bem, esqueça isso.

— Tem razão…ah, entra na próxima à esquerda.

— Sim senhora!

Chegando à imobiliária, Regina deixou os problemas, as dúvidas e questionamentos de lado, uma vez que aquela manhã seria dedicada a escolher o seu “ninho” de amor. Cada imóvel parecia mais bonito que o outro, o que só contribuía para aumentar sua indecisão.

— Vai, Emma! Fala alguma coisa. Estou indecisa e você não ajuda!

— Ah, Regina…eu não sei. Você que tem frescura com essas coisas então escolhe a que mais gostar.

— Não é frescura.

— Então escolha a que mais te agradar e sem dúvida alguma, me agradará também.

— Eu gostei dessa… — ela disse.

— Não acha muito grande? Seremos só nós duas.

— A casa em si não é tão grande. Os espaços em torno é que são bem generosos — explicou a agente de imóveis.

— Tudo bem então…se gostou dessa, ficaremos com essa — disse Emma.

— Quando tudo estiver pronto, entrarei em contato para finalizarmos a compra.

Após deixarem a imobiliária, as duas seguiram direto para a mansão onde Ingrid já aguardava. Regina suspirou pesadamente quando seus olhos cruzaram com David e mais à frente, Ariel. Em seus pensamentos, só faltava Ruby para completar o trio intragável dentro daquela casa.

— Mamãe contou a novidade…desejo de todo o meu coração que sejam muito felizes — David falou.

— Obrigada, David — disse Emma, cumprimentando-o com um abraço.

Regina aproveitou para se dirigir ao encontro de Ingrid, já que a falsidade tão nítida nas palavras de David causavam-lhe náuseas, e uma vontade absurda de lhe cuspir a cara.

O almoço transcorreu de forma tranquila e aproximadamente uma hora depois, Emma pediu licença para deixar Regina em casa. O trajeto foi feito entre conversas e sorrisos, e após incontáveis beijos de despedida, Emma retornou para casa, onde teria uma conversa não muito agradável com sua mãe.

— Filha, essa casa é enorme e eu fiz planos para que…

— Mamãe, por favor. Regina não quer morar aqui, entenda.

— Por que não? Eu a trato bem, alias, nos damos muito bem!

— Não é por sua causa…é por causa de David, Ariel e outras coisas mais. Olha, mãe…as pessoas quando se casam precisam de privacidade.

— Você não pode convencê-la? Você sempre faz o que ela quer, então por que ela não pode fazer o mesmo dessa vez?

— Mamãe, essa decisão nós tomamos juntas. Precisamos de privacidade, de um lugar só nosso.

— Tudo bem…não vou insistir mais — disse Ingrid.

— Obrigada e não se preocupe…estaremos aqui sempre que possível — Emma falou, beijando-lhe o rosto.

— Seria pedir muito se a cerimônia fosse realizada aqui?

— Claro que não, mamãe! E para compensar, a senhora pode organizar tudo a seu gosto, está bem?

— Está bem, meu amor…amanhã mesmo começarei os preparativos.

— Amanhã é domingo, mãe. E ainda nem marcamos a data.

— Pois tratem de marcar!

— Está bem, falarei com Regina depois.

Alguns dias depois…

— Eu te avisei, Emma! Eu te avisei que sua mãe convidaria praticamente a cidade inteira!

— Meu amor, ela ficou triste quando contei que não vamos morar na mansão…qual o problema dela convidar quem ela quiser?

— Eu deixei claro que queria algo pequeno e íntimo! — ela falou, observando a paisagem através do vidro da janela.

— Por que está tão irritada? Tudo isso porque não dormimos juntas ontem? — Emma perguntou

— Idiota — ela disse, mostrando o dedo do meio.

— A ideia de não fazer sexo até a realização da cerimônia foi sua — Emma falou.

— Eu estava brincando e você levou a sério!

— Você não me disse que era brincadeira.

— Acontece que as vezes eu esqueço que você é tão idiota a ponto de não entender certas coisas!

— Como é possível que esqueça isso? Você fala essa palavra todos os dias.

— Porque você é uma idiota todos os dias. Agora para esse carro no acostamento.

— Por quê?

— Porque eu quero transar com você.

— Negativo.

— Está fazendo isso para me provocar, não é? Você nunca rejeitou uma rapidinha que fosse!

— Mas você insistiu nessa história toda! A ideia foi sua, agora aguente.

— Nunca transamos dentro de um carro. Sexo quente e selvagem nessa estrada deserta…o que acha?

— Acho uma falta de respeito com os animais que estão circulando por aqui.

— Animais? Que animais?

— Oras…não está vendo os pássaros voando?

— Emma, vai se foder! — ela exclamou, cruzando os braços em seguida.

— Mas que boquinha suja é essa?

— Você ainda não viu nada… — Regina falou, encostando sua boca na orelha de Emma enquanto sussurrava obscenidades.

— Regina, você só pode estar louca — Emma murmurou. — Se eu perder o controle da direção, será sua culpa — acrescentou, apertando o volante com força.

— É, eu estou louca sim… — ela disse, esboçando um largo sorriso. — E se não quer perder o controle, para esse carro agora.

— Você não vai conseguir o que quer.

— Tem certeza? — Regina perguntou, destravando o cinto de segurança para logo em seguida, puxar o zíper do vestido.

— O que está fazendo?

— Tirando a roupa! — ela exclamou, atirando a peça no banco traseiro.

— Você está louca?! — indagou Emma, num misto de surpresa e incredulidade.

— Estou…louca de vontade de fazer sexo com você — ela disse, desabotoando o sutiã. — Pare esse carro e me faça sua… — acrescentou, ameaçando retirar a calcinha.

Embora tivesse prometido a si mesma que não cederia às chantagens de Regina, Emma estava ciente de que não conseguiria ir muito longe se ela continuasse tentando-a daquela forma. Ainda havia muito chão até Portland, e até lá, um grave acidente poderia acontecer se Regina continuasse insistindo naquela loucura, e pelo visto, ela não sossegaria até conseguir o que queria, uma vez que sua calcinha já se encontrava no meio das coxas. Sem outra opção, Emma estacionou no canteiro ao lado de uma árvore qualquer.

— Você perdeu o juízo, só pode… — Emma murmurou, e em resposta, Regina segurou suas mãos guiando-as até os seus seios.

— Passe as mãos em mim…me toque… — ela sussurrou, o tom de voz grave e sensual fizeram o corpo de Emma estremecer de tesão. Sem dizer uma só palavra, Emma ajustou o banco para proporcioná-las um espaço maior. Em seguida, suas mãos se infiltraram por entre os cabelos curtos, puxando-os para que o rosto dela viesse de encontro ao seu e as bocas se encontrassem e desfrutassem de um beijo urgente, carregado de desejo.

Enquanto se beijavam, Regina passou para o banco em que Emma estava, prendendo-lhe as coxas entre os joelhos. Suas mãos apressadas desabotoaram a calça com apenas um puxão, e seus dedos não hesitaram em ultrapassar os limites da calcinha para alcançar o ponto do prazer.

— Você está muito molhada para quem não queria sexo… — Regina sussurrou, interrompendo o beijo.

— Por que a surpresa? Você sempre consegue o que quer, não é? — disse Emma, apalpando-lhe a bunda para logo em seguida, golpeá-la com um tapa. — Você anda muito travessa, senhorita Mills — acrescentou, deslizando a língua ao longo do pescoço.

— Adoro quando você bate em minha bunda — ela confessou, enquanto seus dedos intensificavam o movimento entre as pernas de Emma.

— Oh, Regina…se continuar assim eu vou… — ela murmurou, mordendo-lhe o ombro como se tentasse conter os gemidos.

— Está gostando?

— Estou…sim…eu gosto… — Emma balbuciava, apertando-lhe as nádegas com mais força.

— Eu quero você gozando em minha boca — disse Regina, ajoelhando-se entre as pernas de Emma, no pequeno espaço entre o banco e o painel onde se encontrava o volante.

— Regina…

— Me ajuda a tirar essa calça… — ela disse, e rapidamente, Emma levantou o quadril para que a peça fosse puxada. Sem demoras, sua boca se apossou da intimidade à sua frente, ao seu alcance. Emma tombou a cabeça para trás, enlouquecida pela forma com que a língua de Regina deslizava sobre o seu sexo, seguido da sucção de seus lábios, ao mesmo tempo em que as unhas lhe marcavam as coxas.

— Regi…oh sim, sim… — Emma sussurrava, perdida na vibração provocada por aquelas carícias, nas palavras obscenas abafadas, nos movimentos da língua e na sucção cada vez mais desesperada dos lábios.

Emma sentiu o êxtase arder como chamas, descendo por suas costas até explodir em seu sexo tomado pela boca de Regina, que por sua vez, se masturbava enquanto ela gozava.

Regina se afastou alguns segundos para que Emma pudesse se recuperar. Seus joelhos estavam doloridos devido ao tempo em que permaneceu ajoelhada sobre o tapete do carro, mas a satisfação estampada no rosto de Emma compensava qualquer coisa.

— Sinta o seu gosto na minha boca… — ela disse, acomodando seus joelhos sobre o banco do veículo, ao mesmo tempo em que mergulhava seus lábios nos lábios de Emma.

— Você me deixa louca… — Emma disse, cobrindo-lhe os seios com ambas as mãos.

— Eu vou me masturbar enquanto você aperta a minha bunda e chupa meus seios…você fará isso por mim, não fará? — ela perguntou, enquanto seus dedos já se movimentavam entre suas pernas. Emma não conteve o riso ao se dar conta de que os poucos dias em que evitou o sexo com Regina, havia surtido um efeito mais do que esperado. Suas mãos se apressaram em fazer o que fora ordenado, e sua boca revesava entre um seio e outro, enquanto seus ouvidos eram presenteados pelo som excitante dos gemidos roucos liberados por Regina.

Enquanto as duas se aventuravam pelas estradas desertas a caminho de Portland, Ingrid se aproximava da verdade dolorosa em relação a David.

— Senhora Swan, quanto tempo! Como tem passado? — Robin perguntou, ao cruzar com Ingrid no estacionamento de um shopping center.

— Robin! Estou muito bem, obrigada. E você, como está?

— Vou bem, obrigado. Soube que sua filha Emma voltou para casa…fiquei muito feliz com a notícia.

— Graças a Deus ela recuperou a memória e retornou para nós…porque se dependesse da polícia e de vocês, até hoje acreditaríamos que ela estava morta.

— De vocês? Como assim? Do que a senhora está falando?

— Estou falando da agência de detetives do seu pai! Eu gastei uma fortuna com o serviço de vocês a troco de nada! E minha filha estava ali, numa vila de pescadores bem embaixo do nosso nariz!

— Deve haver algum engano, senhora Swan. Nossos serviços nunca foram contratados para procurar sua filha…