Notas iniciais
Obrigada a todos os comentários e favoritos! Boa leitura!

— Atrapalho alguma coisa? — Regina perguntou. Seus braços cruzados e a expressão dura denotava claramente o seu desagrado mediante aquela cena. Seu olhar caiu sobre a figura de Ariel parcialmente despida, para só então se fixar em Emma.

— Isso não pode estar acontecendo… — Emma murmurou, acomodando o laptop ao seu lado na cama, levantando-se em seguida.

— Eu estava mostrando as peças que compramos essa manhã no shopping — disse Ariel.

— Não me diga! Você não tem nada mais útil para fazer, queridinha? — indagou Regina, claramente aborrecida.

— Ariel…você poderia nos dar licença, por favor? Depois eu vejo o restante… — disse Emma, recebendo um olhar fuzilante em sua direção.

— Está bem, Allison…com licença — ela falou, se retirando em seguida.

— Allison? Eu mereço! — exclamou Regina.

— Regina…

— Não me toque.

— Calma!

— Calma o escambau! Você pode me explicar o que significa tudo isso?

— Ela estava mostrando as roupas que tinha escolhido e de repente entrou assim! O que eu poderia fazer?

— Claro…Ingrid não podia, Anna estava ocupada e você teve que se sacrificar em vê-la desfilando praticamente nua no seu quarto.

— Regina, você não entende que ela é como uma irmã para mim?

— Algo me diz que ela não pensa assim.

— Mas eu penso e é isso que importa! Você não confia em mim?

— Claro que eu confio. Mas não posso evitar ficar aborrecida.

— Aborrecida ou enciumada?

— Os dois!

— Eu já disse que você fica irresistível assim?

— Vejo que brincar com fogo excita você…

— Ora…

— Só tenha cuidado para não se queimar.

— Para onde está indo?

— Para minha casa.

— Regina, espera! Vamos sair para jantar ou…

— Não vou a lugar nenhum com você! — Regina exclamou, descendo as escadas apressadamente. — E não se atreva a me procurar na empresa amanhã porque a sua entrada não será permitida!

— Mas…

— Regina? Acabou de chegar e já está indo embora? — Ingrid perguntou.

— Pois é, Ingrid…sua querida filha está muito ocupada assistindo a um desfile! Tenha uma boa noite — dito isso, ela se retirou.

— Desfile? O que ela quis dizer com isso?

— Nada, mamãe! Vou para o meu quarto, com licença.

[…]

— Quarenta chamadas não atendidas e vinte mensagens de texto? Regina, isso não se faz! — exclamou Zelena, não contendo o riso.

— Eu sei que exagerei em não respondê-la…mas ela mereceu.

— Entenda o lado dela…a menina perdeu o avô e…

— E isso não a impede de tentar seduzir o que me pertence!

— Você pode estar interpretando errado.

— Não estou. Sei perfeitamente que Emma seria incapaz de se envolver com outra pessoa, mas ela dá muita liberdade às amiguinhas…como se não bastasse a tal Ruby, ainda tem essa!

Depois de iniciar a jornada de trabalho, Regina deixou sua secretária avisada sobre as possíveis ligações que de maneira nenhuma, deveriam ser transferidas para ela. Seu telefone celular foi colocado no silencioso e dessa forma, o dia transcorreu tranquilamente sem qualquer interferência.

— Já vai, senhora? — indagou a secretária.

— Sim. Avise a Zelena que precisei sair mais cedo, por favor.

— Sim senhora.

Regina retornava para casa tranquilamente quando, ao olhar pelo retrovisor, seus olhos castanhos se depararam com o verde perfeito dos olhos de Emma, muito bem acomodada no banco traseiro. Devido ao susto, ela soltou um grito e o carro estancou bruscamente no meio do caminho.

— Você enlouqueceu? Quer me matar de susto? — ela gritou, levando a mão direita ao peito.

— Quero que você pare de me ignorar, isso sim.

— Como entrou no meu carro?

— Esqueceu minha antiga profissão, meu amor?

— Idiota. Você poderia ter provocado um acidente!

— Seria sua culpa. Quem mandou ficar me ignorando?

— Emma, eu vou te matar!

— Só se for de prazer. Agora vai pro banco do carona que eu dirijo…você está muito nervosa — ela falou, e mesmo a contragosto, Regina obedeceu.

Enquanto dirigia, Emma mencionava as dezenas de ligações e todas mensagens de texto ignoradas ao longo do dia. Regina permanecia em silêncio, atenta à paisagem lá fora, dando-se conta de que aquele não era o percurso que ela costumava fazer.

— Esse não é o caminho da minha casa.

— Eu sei.

— Para onde está me levando?

— Adivinha?

— Não tenho bola de cristal.

— Vou dar uma pista…é quentinha.

— Minha mão na sua cara.

— Errou! Sua mão na minha cara é ardente, não quente.

— Ardente e quente é a mesma coisa, idiota.

— Está enganada, meu amor. Ardente é aquilo que arde. Quente é aquilo que queima.

— Você não vai conseguir me tirar do sério…

— Chegamos.

— Quero ir para minha casa.

— Essa casa também é sua.

— Emma…

— Meu amor, por favor…eu só preciso falar com você a sós, sem ninguém para nos interromper. E se depois você quiser ficar me ignorando até se cansar, eu vou respeitar sua decisão — disse Emma, abrindo a porta do carro para que ela descesse.

— O que quer me dizer não poderia ser dito em qualquer outro lugar?

— Não…tinha que ser aqui, no nosso refúgio — Emma falou, e ao abrir a porta da casa, os olhos de Regina se arregalaram.

Os móveis que decoravam a sala haviam desaparecido, restando apenas uma mesa redonda ao centro, coberta com uma toalha branca com detalhes dourados. Sobre ela se encontravam pratos e talheres, taças e um balde com gelo onde uma garrafa de champanhe repousava dentro. As velas acopladas ao candelabro de vários braços já se encontravam acesas, proporcionando uma iluminação agradável ao ambiente.

O vento soprava forte lá fora e os fracos raios solares daquele final de tarde, batiam contra as janelas de vidros e quase refletiam sobre os talheres bem-arrumados na mesa, e em consequência disso, a claridade dentro da casa se mostrava diferente do que Regina geralmente encontrava.

— Emma…você é uma idiota…uma perfeita idiota — Regina falou, esboçando um largo sorriso.

— Graças a Deus nasci uma idiota — ela disse, puxando uma cadeira para que Regina sentasse, e em seguida, abriu a garrafa de champanhe. — Quero fazer um brinde ao nosso amor — acrescentou, enquanto servia as taças.

— Você não existe, sua cara de pau!

— Seus xingamentos estão me excitando, e se continuar assim, terei que comer a sobremesa antes mesmo do jantar.

— Sabe que não é uma má ideia? Afinal de contas, está cedo para o jantar, não acha? — Regina falou, ao mesmo tempo em que molhava o dedo indicador na bebida para levá-lo à boca em seguida.

— Feito! — Emma disse. — Vem aqui… — acrescentou, estendendo-lhe a mão. — Ontem eu não dormi direito pensando em você… — ela falou, acomodando-a entre seus braços. — Acho que você não faz ideia do quanto eu te amo — completou, roçando seus lábios sobre os lábios de Regina.

— Não diga mais nada, apenas me beije!

— Calma lá, sua bravinha! — Emma disse, iniciando um beijo carregado de desejo, paixão, amor, ternura. Quando o ar se fez necessário, Emma se abaixou para percorrer a ponta do nariz ao longo do queixo e pescoço de Regina, ao mesmo tempo em que distribuía beijos onde seus lábios podiam alcançar.

— Vamos para o quarto… — murmurou a morena, e sem qualquer questionamento, Emma lhe pegou no colo carregando-a até a cama.

Quando Emma a colocou no colchão, Regina se apoiou nos joelhos e retirou o vestido sem qualquer dificuldade, jogando-o em um canto qualquer do quarto. Em seguida, deu o mesmo destino ao sutiã e a calcinha, se exibindo totalmente despida sobre o leito.

— Tire a roupa…o que está esperando? — ela falou, esboçando um largo sorriso ao notar a expressão boba na face de Emma. — Está pensando em fazer um show particular para mim? — acrescentou, referindo-se a lentidão com que Emma desabotoava a camisa.

— Eu faria qualquer coisa que você me pedisse — ela murmurou, atirando a camisa no chão, enquanto seus dedos se posicionavam sobre o zíper da calça.

— Vem…vem pra cima de mim. Quero sentir o seu peso sobre o meu corpo — Regina falou, e após quase cair enquanto retirava a calça, Emma se atirou em seus braços.

Regina se aproveitou da posição em que se encontravam para deixar suas marcas por todos os lados onde suas unhas podiam alcançar. Na nuca, nas costas, ombros, pescoço…cada centímetro de pele recebiam suas carícias selvagens e intensas. Emma gemia em resposta, beijava-lhe a boca, apertava-lhe os seios, enquanto seu corpo se esfregava sinuosamente sobre o corpo dela.

— Quero você dentro de mim… — Regina sussurrou.

— Ainda não… — disse Emma, silenciando sua voz com outro beijo.

A princípio, os beijos começaram lentos e provocantes, mas alguns segundos depois, aumentaram de intensidade para uma fome voraz, retornando novamente ao modo inicial quando o ar se fazia necessário. Encerrado o beijo, Regina teve seus braços presos acima de sua cabeça, enquanto a boca de Emma explorava seus seios, chupando-os, ao mesmo tempo em que mordiscava os mamilos até fazê-la gemer de dor.

— Mais forte…me morde e me chupa com mais força… — ela pediu, surpreendendo a mulher sobre o seu corpo. Emma esboçou um sorriso malicioso dando-se conta do quão maldosa e doce, safada e inocente Regina poderia ser. E ela queria ser o mesmo, da mesma forma, em todos os sentidos. Seus pensamentos foram interrompidos quando Regina a puxou para um beijo, e enquanto se beijavam, ambas se tocavam.

— Goza comigo… — Emma sussurrou, sua voz estava abafada pelo beijo.

— Sim…sim… — balbuciou Regina, agarrando-se ao corpo de Emma quando os primeiros sinais do orgasmo se fizeram presentes à medida em que os movimentos se tornavam mais selvagens e frenéticos. Os gemidos compartilhados por elas se fizeram mais altos, as respirações tão ofegantes que por um momento, ficou difícil respirar.

Com um grito agudo, Regina chegou ao seu limite e Emma a acompanhou nessa explosão de prazer, deixando todo o seu peso descansar sobre o corpo dela. Alguns minutos se passaram sem que nenhuma delas pronunciasse uma só palavra, todavia, Emma sentiu uma absurda necessidade de quebrar aquele silêncio.

— Regina…

— Sim, amor…

— Sei que nos reconciliamos a pouco tempo e entendo quando você fala que é cedo demais. Talvez até seja cedo mesmo, mas…eu não consigo pensar em outra coisa que não seja você, seu corpo, seus beijos… — Emma disse, fixando seus olhos verdes nos olhos castanhos. — Amo a forma como fazemos amor, amo seu jeito irritante e esnobe de ser, amo até quando você me chama de idiota. Bom…o que eu estou querendo dizer é que eu te amo mais do que tudo nesse mundo e quero me casar com você. Você quer se casar comigo? — acrescentou, e antes que Regina pudesse responder, ela tornou a falar. — Não responda nada agora. São exatamente dezoito horas em ponto. Vamos tomar um banho, se vestir e jantar…e então você me responde, certo?

— Certo… — Regina murmurou, claramente desconsertada depois de ouvir aquela enxurrada de palavras.

— Vamos para o banho então.

Embaixo do chuveiro, predominava o mesmo silêncio de alguns minutos atrás. Não houve troca de beijos, provocações ou carícias. Quem as visse naquele momento, diria que se tratava de duas desconhecidas, cada qual perdida em seus pensamentos.

Já devidamente vestidas, Regina foi conduzida até a sala onde seria servido o jantar, deparando-se com dois garçons e o que parecia ser um chefe de cozinha, prontos para servi-las.

— Boa noite, senhoras — eles as cumprimentaram em uníssono, puxando a cadeira para que as duas se acomodassem.

— Emma…como conseguiu fazer tudo isso? — indagou Regina, num misto de surpresa e felicidade.

— Digamos que não é sempre que o meu lado idiota me domina — ela respondeu, arrancando o mais belo dos sorrisos da mulher que amava.

— Com licença… — disse o garçom, servindo em seguida.

Depois que o jantar foi servido, Emma liberou a pequena equipe contratada por Anna para desfrutar da única companhia que ela desejava noite e dia. Poucas palavras foram ditas, uma vez que a troca de olhares e sorrisos era o suficiente para uma revelar a outra, seus respectivos sentimentos.

— Para você! — Emma exclamou, entregando-lhe uma rosa vermelha.

— De onde você tirou essa rosa? — Regina perguntou, surpresa e sorridente ao mesmo tempo.

— Da minha cartola!

— Palhaça! — ela disse, segurando o caule comprido entre os dedos, ao aproximá-la de seu rosto para aspirar o perfume, seus olhos se depararam com uma maravilhosa aliança maleável de ouro branco com diamantes.

— Emma… — ela murmurou. Sua boca entreaberta e os olhos parcialmente arregalados denotavam a surpresa mediante aquele presente. — Essa aliança é…perfeita!

— E então vem a pergunta que não quer calar: Você aceita se casar comigo?

Naturalmente, os olhos de Regina se encheram de lágrimas e sua mão direita tapou a própria boca como se tentasse abafar qualquer som que insistisse em escapar da sua garganta.

— Você…é…uma…idiota — ela falou, pausadamente.

— Meu sexto sentido me diz que resumidamente, isso significa um sim!

— Sim! Claro que sim! Mil vezes sim! — ela exclamou, levantando-se rapidamente para se sentar em seu colo.

— Você está falando sério? Regina, eu juro que você nunca se arrependerá! — disse Emma, cobrindo-lhe o rosto com seus beijos.

— Eu me arrependeria se dissesse não, bobinha! — ela respondeu, envolvendo-a num abraço apertado. — É linda essa aliança…

— Fico feliz que tenha gostado… Agora vem, deixa eu colocá-la no seu dedo…

— Onde está a sua?

— Aqui…quero que todos saibam o quanto eu te amo e que a você pertenço.

— Eu te amo tanto, sabia? Adorei a surpresa, tudo! Acha que é cedo para contarmos a novidade a Ingrid?

— Ela saberá quando olhar para minha mão…por isso, acho melhor contarmos hoje mesmo — disse Emma, e sem argumentos, Regina assentiu.

Passados alguns minutos entre beijos e carícias, Emma retornou para mansão ao lado da sua futura esposa. Embora o divórcio com David tivesse acontecido recentemente, Ingrid se mostrou muito contente com a notícia, e só não começou a organizar uma enorme festa naquela mesma noite, porque tanto Emma quanto Regina optaram por algo simples e bem íntimo. Felizmente, David não estava em casa, e Ariel havia saído com Anna, mas como nem tudo é perfeito, Ruby apareceu para esquentar a noite.

— Emma…fiquei sabendo da tragédia envolvendo o avô da Ariel. Que bom que a sua mãe e você acolheram a garota — ela disse, ignorando por completo a presença de Regina.

— Era o mínimo que podíamos fazer — Emma respondeu.

— E como estão as coisas? Como ela está? Imagino que ela esteja cada vez mais apaixonada por você, não? Se naquele tempo ela já te queria, imagina agora te vendo todos os dias assim, linda, elegante e cheia de charme! — ela exclamou, sorrindo de forma maliciosa ao notar a expressão de puro enfado nas feições de Regina.