Uma Nova Vida

9 The mother


O jogo de hoje estava valendo uma vaga nas semi-finais do campeonato estadual. Nós tínhamos pela frente um antigo rival, considerado um dos melhores times do pais, invicto até agora no campeonato. Assim que entramos em campo, a massa azul e prata fazendo um enorme volume nas arquibancadas, eu vi os jogadores de preto do Mercy West Panthers. Eles eram todos enormes, fiquei imaginando se Matt seria capaz de passar pelos enormes Line Backers. Ele era duro na queda, mas ainda era um jogador com uma altura muito desfavorecida. Nosso uniforme hoje era prateado, pra que não houvesse confusão com as cores do time adversário. — Ei, Matt. — Eu cutuquei ele quando passou por mim. Você acha que consegue passar por aqueles caras? Eles tem a maior secundaria de todo o pais cara! — Eu sei disse japa, não precisa ficar me lembrando. — Ele disse meio inseguro. Isso era uma novidade pra mim, Matt era o tipo de cara que estava sempre 100% seguro de tudo que fazia. — Aguenta firme então, porque eles vão tentar arrancar a sua cabeça. — Não sei do que você ta falando, esqueceu que você ta na mesma situação que eu? Esses caras vão querer a sua cabeça tanto quanto a minha japinha. — Ele disse me dando tapinhas no capacete. — O coach ta chamando, para de pensar nisso e vamos logo. Nós ouvimos o discurso do coach Baissem como era costume sempre antes dos jogos. Ele falou sobre a diferença de tamanho do nosso ataque pra defesa monstro dos panthers, nos fez crer piamente de que agüentávamos o tranco. Eu não tinha tanta segurança disso, afinal eles não eram considerados bons a toa. Quando o chute inicial foi dado e o adversário conseguiu retornar a bola quase o campo inteiro, minha apreenção dobrou. Os corredores deles eram muito bons, tendo deixados nossa defesa no chão com uma facilidade que me assustou. Eu vi Jake ser bloqueado jogada atrás de jogada, nosso coach entrando em desespero. Quando eles fizeram o primeiro TD com uma facilidade assustadora, eu vi a moral do time inteiro cair facilmente. O ataque ia entrar em campo, nosso QB já tendo passado as jogadas que usaríamos e todas as possíveis alterações. Esperávamos apenas a devolução da bola pelo time adversário através do chute. O desespero se abateu quando o flumble foi dorçado em nosso retornador, o time adversário recuperando a posse de bola. Quando a defesa entrou novamente nós estávamos em pânico, era horrível ver o jogo correr na frente de meus olhos e não poder fazer nada. Eles fizeram outro TD, mas dessa vez nós conseguimos colocar nosso ataque em campo. A defesa deles era tão barra pesada como eu tinha imaginado. Matt foi totalmente bloqueado em todas as jogadas, até Mike ter sido interceptado do outro lado do campo, nossa defesa exausta já tendo que entrar em campo novamente. Outro TD e eles já estavam 21 pontos na nossa frente quando nosso ataque entrou novamente em campo. Eu não recebi uma única bola a noite inteira, aparentemente eu era a ultima escolha quando estávamos sob pressão. A diferença esmagadora de pontos tendo um efeito esmagador em nosso ataque. O QB errava todas as bolas que lançava, nossos RB eram parados antes da scrimage em todas as jogadas. Quando o segundo quarto do jogo acabou o jogo estava 35 à 10 pra eles. — Vocês tem que levantar a cabeça rapazes! — Nosso coach gritava dentro do vestiário pra nós. — Eles são maiores? SIM, mas e daí? Nós podemos ser melhores do que estamos mostrando em campo essa noite. Você não chegaram aqui pra levar uma sacolada desse time! Vamos reagir, pensem em todos os seus amigos e familiares que estão vendo vocês jogarem essa noite! Vocês vão realmente querer desapontá-los? É isso que vocês querem? Porque se for eu vou embora agora mesmo, porque isso significa que todo o trabalhos duro que vocês vem fazendo, dia após dia, não está valendo nada! Agora vocês vão lá fora e vão mostrar pra todo mundo quem são os Falcons de Meridiam! Assim que ele terminou o discurso alguns jogadores puxaram gritos de apoio. Quando percebi todos dentro daquele vestiário estavam pulando e gritando animados, efeito das palavras encorajadoras. Nós voltamos pro campo muito mais animados do que no inicio do jogo. Nós só tínhamos mais dois quartos do jogo pra virar o placar. Quando o jogo recomeçou nós entramos atacando. Nosso QB tinha voltado inspirado de dentro do vestiário, tendo acertado um passe de 40 jardas nas mãos de Mike logo na primeira jogada. Eu fiquei um pouco frustrado por continuar sendo deixado de lado por ele, mas a alegria de ver que nós estávamos de volta ao jogo me fez relevar a situação. Na jogada seguinte Matt correu com a proteção marcando o TD. O jogo foi avançando, nossa defesa fazendo o possível e o impossível pra impedir os panthers de marcarem mais pontos em cima de nós. Nosso ataque avançava, Matt arrastando varias muralhas em suas costas, a força dele me assustava a cada instante que se passava. — Ei, Sanders! — Eu chamei nosso quarter back enquanto a defesa estava em campo lutando bravamente. — Porque você não tenta passar algumas bolas pra mim? Eu to ficando desmarcado direto ali no canto. — Olha Dashwood, eu não sei. Você fica muito inconstante quando ta nervoso, é um jogo importante e nós ainda estamos atrás no placar. — O jogo estava 42 à 36 pra eles agora. — Eu sei, por isso acho que você devia tentar fazer algo diferente de deixar Matt correr ou passar a bola pro Mike. Isso vai surpreender eles cara! Nós entramos em campo novamente, Sanders ainda relutante em lançar a bola pra mim. Ele cantou uma jogada pra mim quando foi anunciada a terceira descida e nós ainda estávamos a 9 jardas do first down. Eu corri como louco, a marcação tendo ficado pra trás, ninguém ali acreditava que ele fosse passar a bola pra mim agora no final do jogo. Eu recebi um passe longo de 35 jardas, quando eu olhei pra frente, me preparando pra ser derrubado, me surpreendi ao notar que eu estava a pouco menos de 15 jardas da End Zone, nenhum marcador a vista. Eu corri como nunca tinha feito na minha vida, desviando de um único jogador que aparecerá na minha frente. O jogo agora estava 42 à 42. O fild gol foi convertido pelo nosso Punter, nos fazendo ultrapassar os panthers faltando apenas 40 segundos de jogo. Agora era com a nossa defesa, nós estávamos um ponto a frente do adversário, cabia a defesa segurar o placar assim nas próximas jogadas. E foi exatamente isso que ela fez no 40 segundos restantes. O Jogo terminou, 43 à 42 pra nós. A euforia foi geral quando o apito do juiz soou anuciando o final da partida. Eu senti Matt se amontoando em minhas costas, gritos de felicidade explodindo em meus ouvidos por todos os lados. Eu sai correndo na direção do nosso jogador meio gigante, Jake ainda estava no meio do campo parado. Eu pulei em cima dele, Matt ainda em minhas costas. — Nós ganhamos grandão! — Matt disse saindo de cima de nós. — È, ganhamos. — Ele disse esboçando um sorriso feliz, puxando eu e Matt pra um único grande abraço de urso. A euforia foi geral dentro do vestiário quando entramos, nosso coach tendo muito trabalho pra nos fazer ouvir suas palavras de agradecimento pelo jogo. Todos nos trocamos e saímos dali. Assim que pisei do lado de fora novamente eu procurei avidamente com meus olhos por Milla. Eu vi July correr na nossa direção, se jogando nos braços de um Jake extremamente sorridente. Eu poderia simplesmente ter apagado o momento que se seguiu, mas ele ficou gravado em minha mente. Eu vi ali poucos metros a minha frente Mike erguer Milla no alto com um abraço e no momento seguinte beijar-lhe a boca e ser correspondido imediatamente pela garota. Desapontamento e frustração eram palavras que poderiam descrever muito bem o que eu sentia naquele momento, além de uma dorzinha incômoda no fundo do coração. Foi pensando em tais coisas e trabalhando para conseguir lidar com os sentimentos que me atacavam no momento que eu virei pro lado contrario ao dos dois e caminhei querendo me ver livre de tudo e todos ao meu redor. — Aonde você vai japa? — Eu ouvi Matt me chamar. — Eu vou procurar meus pais, a gente se vê depois. — Eu falei me virando pra eles e forçando um sorriso. Era impossível pra mim controlar aquela sensação de perda, mesmo que parecesse absurdo perder algo que jamais foi meu. Meu coração estava apertado, tudo doía em mim, a cena assistida tendo me magoado de uma forma que eu pensei não ser possível. Eu só queria sumir daquele lugar e me livrar daquela multidão. Eu queria gritar pra espantar minha frustração, eu queria socar alguma coisa pra descontar minha raiva. Eu andava no meio de todos sem um rumo certo, apenas andando. — Ei, onde vai pequena mala? — Meu irmão me parou, eu não tendo notado sua presença até ele por as mãos em meus ombros. — Ta tudo bem carinha? Você não ta com uma cara muito boa. — Ta tudo ótimo, eu só quero ir pra casa Marcus. Cadê o pai e a mãe? — Eu perguntei tentando melhorar minha cara de frustração. Tudo o que eu precisava nesse momento era que meu irmão começasse um questionário. — Eles tão esperando a gente la no carro, vem. — Ele disse andando, eu apenas o segui. Nós encontramos nossos pais nos esperando já dentro do carro. — Grande jogo filho! — Meu me parabenizou no momento em que eu entrei no banco de trás do carro. — Valeu. — Eu disse sem animo. — Esta tudo bem filinho? — Minha mãe perguntou preocupada. — Você não ta com uma cara muito boa, ta se sentindo bem? — Mais ou menos, só um pouquinho enjoado. — Eu menti descaradamente. — Só preciso descansar um pouco. — Falei forçando um sorriso. — Tudo bem então, vamos pra casa, lá você descansa. — Papai falou ligando o carro e saindo dali. — Eu vi a Milla lá hoje. Como foi na casa dela hoje a tarde garanhão? — Mamãe disse rindo. — Foi legal, nós assistimos filme com a mãe dela. — Eu disse desanimado olhando pela janela, sem ver realmente a paisagem, a cena de Milla e Mike se beijando ainda passando na frente de meus olhos. — Oh, quer dizer que meu irmãozinho pegador aqui passou a tarde na casa de uma garota hoje hein? E eu sempre achei que você fosse Gay. — Marcus disse debochado, eu simplesmente ignorei ele, não estava com cabeça pra discussões no momento. — Não vai falar nada? Nem um misero “ cala boca seu mala”? To começando a achar que você tem alguma doença grave. Eu fiz questão de não falar nada durante o resto da viagem. Logo depois de mais uma tentativa inútil de Marcus me fazer falar, eles desistiram de tentar me animar e me excluíram da conversa como eu desejava. Eu cheguei em casa e fui direto pro meu quarto. Passei o resto da noite ali trancado dedilhando pedaços de musicas aleatórios no violão. Pouco antes de ir dormir minha mãe veio bater em minha porta. — Caius, meu filho, ta tudo bem com você? Tem certeza que não quer comer nada antes de ir dormir? — Ela perguntou preocupada quando eu abri a porta. — Tenho mãe. Obrigado pela preocupação, mas eu não to com fome. — Aconteceu alguma coisa lá essa noite? Você ta estranho desde que saiu do vestiário. Eu te vi animado comemorando com seus amigos lá no estádio, você não estava desanimado assim antes. — Era notável a preocupação constante na voz de minha mãe. — Eu sou sua mãe meu querido, você pode contar o que quiser pra mim, certo? — Eu sei disso mãe. — Eu disse lhe mostrando um sorriso verdadeiro. Era bom saber que minha mãe estava ali pra mim. — Mas não é algo com que você tenha que se preocupar. Amanha eu prometo que vou ta melhor, ta bom? — Tudo bem então. Falando em amanha, eu separei o seu Smoking. Ele chegou da lavanderia agora a tarde. Você vai precisar de carona ou já arrumou quem leve você e seu par até o baile? — Ah, sim. Tinha até me esquecido do baile. Eu acho que alguém vai ter que me levar aqui de casa. Amanha eu ligo pra July e pergunto se ela tem como ir ou se vou ter que ir buscar ela. — July? Eu jurava que você convidaria a Milla pra ir no baile. — Erh... a Milla já tinha um par mãe. Eu to com sono, boa noite. — Eu disse me despedindo e fechando a porta antes que ela pudesse fazer outras perguntas. Eu apaguei as luzes e fui me deitar, o cansaço do jogo me abatendo rapidamente.