Uma Nova Vida
10 Capítulo 10
No dia seguinte eu demorei pra acordar. Quando me levantei minha mãe já começava a preparar o almoço. Logo depois de despertar corretamente eu liguei pra July.
— Ei, July. Aqui é o Caius.
— Ah, oi Caius. Diga.
— Eu só queria saber se você vai precisar de carona.
— Ah que bom que você perguntou, eu ia mesmo te ligar pra falar isso. Meu pai vai precisar resolver uns problemas do serviço mais a tarde e eu fiquei sem quem me desse uma carona.
— Sem problemas, minha mãe leva a gente. Quando eu tiver saindo de casa eu te ligo.
— Tem mais uma coisa. A Milla vai vir aqui em casa pra gente se arrumar juntas, algum problema se ela for junto?
— Não, nenhum. Só me explica como que eu chego ai. — Eu falei meio triste, a imagem do dia anterior voltando a minha mente.
Eu precisava esquecer aquilo por enquanto, não queria todo mundo preocupado comigo de novo.
A noite já caíra, eu estava ali me olhando no espelho com o Smoking. Até que eu era um cara bonito. Eu tinha crescido um pouco nos últimos meses, estava um pouco mais musculoso graças ao futebol. Meu cabelo estava enorme, as pontas batiam em meus ombros, ele caia reto. Eu precisava de um corte de cabelo legal, aquele já estragava a minha imagem. Não que eu não gostasse do cabelo grande, mas ele precisava de um corte novo, aquele reto me deixava com cara de nerd.
— Caius, filho, para de ficar se olhando no espelho e anda. Você vai acabar chegando tarde lá nesse ritmo.
— Ta, to indo. Mãe, você por um acaso tem algo que eu possa usar pra prender o cabelo? Eu não tinha percebido o quão grande ele tava.
— Tenho sim, espera só um minutinho.
Ela sumiu na direção do banheiro e voltou com uma xuxinha preta.
— Aqui, deixa eu te ajudar. — Ela disse passando pra trás de mim e prendendo meu cabelo de forma a deixar alguns fios avulsos soltos na frente do meu rosto. Me olhei novamente no espelho gostando da imagem formada. Agora estava bem melhor, mas assim que eu tivesse tempo iria cortar o cabelo, daquele jeito que estava eu ficava muito feminino.
— Agora sim, vamos. — Eu disse sorrindo.
Não demorou mais do que quinze minutos pra chegarmos na casa de July. Eu saltei do carro e fui apertar a campainha da casa. Quando a porta se abriu meu queixo deve ter ido para no chão. A minha frente estava Milla. Ela estava dentro de um vestido rosa claro, cheio de abas na saia, parecia com aquelas princesas que a gente vê nos desenhos animados. Seu cabelo estava preso em um coque no topo de sua cabeça, seu pescoço e ombros a mostra. Eu podia ficar ali o dia inteiro admirando aquela imagem. Pena que a vida não é tão feliz assim.
— Para de babar e anda japa, a gente já esta atrasado por sua causa. — July passou me puxando na direção do carro, Milla rindo enquanto nos seguia. — Gostei do seu cabelo preso, tava mesmo muito grande.
— É, eu vou cortar ele segunda. — Falei enquanto entrava no carro. — Mãe, essa é a July. July essa é a minha mãe.
— Meu nome é Yume, prazer July. — Mamãe falou se virando pra cumprimentar a garota. July também estava muito bonita no vestido azul que ela usava. — Ah, oi Milla, que saudades de almoçar com você menina! — Mamãe falou quando Milla entrou no carro. — Você ta parecendo uma princesa nesse vestido, que linda!
— Obrigada Yume! — Ela disse sem graça.
Depois disso nós fomos direto pro baile, que seria realizado dentro do ginásio da escola. Todos os professores da escola estavam ali, alunos também. O lugar tinha tanta gente que quando eu entrei no local achei que fosse me perder.
— Eu vou procurar o Mike, vejo vocês depois. — Milla disse indo em direção a multidão. Eu fiquei ali babando, vendo ela sair de perto.
— Se continuar babando tanto assim eu não vou ser a única a saber que você gosta dela. — July cutucou minhas costelas, me despertando do transe. — Eu vou com você quando for cortar o cabelo.
— Vai? — Perguntei confuso.
— Vou, esta claro que você precisa de uma ajuda com essa juba ai. Vamos procurar nossos amigos, que tal? Melhor do que você ficar ai com essa cara emburrada. — Ela disse me puxando pelo meio da multidão.
Logo depois nós encontramos Pete conversando com Jess em um canto do salão.
— Ei, ai estão você! — Pete veio todo alegre me abraçando. O cheiro de álcool em seu hálito já bem perceptível.
— Você já ta bêbado? Onde arrumou álcool aqui? Achei que eles só fossem servir coisas não alcoólicas hoje por causa dos alunos. — Eu perguntei me afastando de meu amigo bêbado.
— Ah, eu trouxe isso pra dar pro Mike mais tarde. — Ele disse puxando uma garrafa de Vodka meio vazia de dentro do smoking.
— Cruzes Pete, você ta fedendo igual a um gambá! — July disse afastando Pete que tentara abraçar a garota naquele momento.
— Ele ta assim desde que a gente foi falar com o Matt e viu a Claire se agarrando com o Sanders. — Jess esclareceu.
— Com o sanders? Eu pensei que ela fosse vir ao baile com o nerd do Jason Atwood. — Pergunte confuso.
— E ela veio. Mas assim que chegou aqui ela deixou o Jason plantado na mesa deles e foi dançar com o Sanders. O Matt ta na mesma mesa que eles por causa da Nina.
— Ah, isso explica. Vamos lá falar com ele? — July disse me puxando pra longe de Pete. — Como ele conseguiu ficar tão ruim? A festa mal começou!
— O Pete ta chateado, dá um desconto. Não é legal ver a pessoa que você gosta aos beijos com outro.
— Eu sei disso, relaxa. Mas ele devia se controlar um pouco.
Nós chegamos a mesa de Matt encontrando ele conversando com Mike, que aparentemente estava na mesma mesa que ele. Milla estava sentada ao lado deles. Do lado de Matt estava a garota oriental que eu vira com Claire algumas vezes, a tal de Nina. Ela era alta, cabelos caindo na altura dos ombros. Seus olhos eram negros como o céu a noite. Era uma garota muito bonita, bem o estilo de Matt arrumar alguém desse jeito.
— Ei! — July disse interrompendo a conversa dos dois. Nina tinha uma cara extremamente entediada, assim como Jason do outro lado da mesa. Matt se levantou e foi nos cumprimentar. Eu olhei pra Mike, ele sorriu pra mim e eu forcei o maior e mais falso sorriso que eu dera em toda a minha vida. Acho que nunca odiei tanto alguém assim. A simples presença dele ali me irritava.
— Ei japa! Tu ta elegante nessa beca hein? — Matt disse me dando tapinhas no ombro. — Essa festa ta um porre, num tem nada pra fazer, só ta tocando musica de velho! — Ele disse exasperado.
— Ei, Mike, o Pete tava te procurando. — Eu disse apontando pra direção de onde eu tinha vindo.
— Você sabe o que ele queria? — Ele perguntou confuso.
— Não, mas ele me falou que queria te dar alguma coisa. Se eu fosse você ia lá falar com ele logo. — Eu vi Milla me lançar um olhar mortífero.
— Depois você fala com ele Mike. — Ela disse passando a mão no ante-braço dele. — Que tal a gente ir dançar um pouco? — Ela perguntou sorrindo pra ele.
— Vamos então, depois eu falo com ele. — Eles levantaram e foram pro meio da confusão de pessoas. Eu e July tomamos seus lugares ali na mesa.
— Eu não gosto dessas musicas que tão tocando, não dá pra dançar sem álcool e musica boa! — Matt reclamou.
— É porque você não ta dançando com a pessoa certa. — July disse se levantando. — Você se importa se eu tirar o seu par pra uma dança? — July perguntou para Nina enquanto puxava Matt pelo braço.
— Não. Pode levar é todo seu. A gente não tava fazendo nada mesmo. — Ela disse mal humorada. Logo em seguida July e Matt sumiram no meio da multidão de corpos também. Eu fiquei ali na mesa com Nina, ignorando totalmente a presença de Atwood.
— Então, ta gostando do baile? — Eu falei tentando puxar assunto com a garota.
— Eu pareço com alguém que esta gostando desse baile estúpido? — Ela disse me lançando um olhar frio.
— Erhh... Mas porque? — Eu perguntei, como medo da garota me bater se eu falasse mais alguma coisa.
— Porque o idiota do Matt me chamou pro baile, mas quando chegou aqui ele só quis ficar sentado nessa mesa estúpida conversando sobre futebol com o tapado do Mike. Assim que aquela loira chegou ele se levanta pra dançar de boa vontade com ela. Por isso que eu odeio os homens! — Ela disse descruzando os braços e gesticulando em minha direção. — O que custava ele se dar ao trabalho de me chamar pra uma dança? Idiota!
— Erhh... Se acalma, o Matt é tapado mesmo. Que você acha de dançar comigo? Não acho que meu par vai ligar pra isso. — Eu disse me levantando e estendendo a mão pra garota. Primeiro ela me olhou desconfiada, depois de alguns segundos ela deu uma olhada ao redor, reparando que eu era sua melhor opção no momento. Nós seguimos pro meio da multidão.
Uma musica animada tocava. Ela era antiga, mas ainda assim era muito dançante. Eu não era nenhum grande dançarino, mas a música animada me contagiou. Quando eu percebi eu dançava animado junto a Nina. Nós ficamos ali dançando junto por cerca de meia hora antes da garota se dar por cansada, me puxando do meio da multidão em direção ao que eu imaginei ser a nossa mesa.
Pra minha surpresa nós acabamos nas arquibancadas.
— Até que você dança bem japinha. — Nina disse ofegante, me mostrando seu belo sorriso.
— Obrigado. Já cansou? — Eu perguntei sorrindo pra garota.
— Não, só preciso pegar um ar , lá dentro tava muito quente, eu já tava ficando sufocada.
— Concordo, realmente tava quente lá. Mas é só porque a gente tava dançando.
— Sabe, o baile melhorou bastante agora. — Ela disse se aproximando de mim, olhando fixo pro meu rosto. Será que eu tinha me sujado sem perceber?
—Viu, eu disse. É sempre legal dançar, e olha que eu não sou nem um dançarino descente. — Eu disse sorrindo pra ela.
— Concordo. Mas você dá pro gasto. — Ela falou rindo da minha cara indignada. — Seu cabelo ficou melhor preso, sabia? — Ela continuava com aquele olhar fixo em mim, eu tava começando a me assustar.
— É, concordo com você, segunda eu vou cortar ele, ai nem vou precisar prender. — Ela se aproximava cada vez mais de mim. — Erh.. que tal a gente voltar lá pra dentro?
— Claro. Mas eu preciso beber alguma coisa antes. — Ela disse parando imediatamente de se aproximar.
Nós fomos pra dentro do salão de festas, nos dirigindo pra onde ficava nossa mesa. Nos sentamos e ficamos ali bebendo uma batida doce que o garçom passou servindo. Nós conversamos animadamente por alguns minutos, até Matt chegar com July em seu encalço.
— Tudo bem July, eu admito que você tava certa! — Matt disse se sentando.
— Eu sempre estou certa meu caro amigo.
— Mas se alguém contar pro meu amiguinho gigante que eu andei dançando com você eu nego até a morte.
— Aff, você também? Eu já falei que eu não tenho nada com o Jake. E enquanto ele não se mexer pra ficar comigo eu não vou parar a minha vida por causa disso. Ei japa, eu não sabia que você dançava. Ta melhor do que eu imaginava hein? — Ela disse rindo da minha cara. — Posso falar com você um instantinho? — Ela disse se levantando e me puxando pra longe da mesa.
— Que foi July?— Perguntei confuso.
— Assim, por que você não dá uma chance pra Nina? Ela ta praticamente babando em cima de você, caso não tenha percebido.
— É? — Eu disse surpreso com a afirmação dela.
— É, seu tapado. Ela não para de olhar pra você um segundo se quer. Alem de ficar jogando aqueles sorrisinhos sem graça. Seja lá o que você tenha feito, deu certo.
— Mas eu não fiz nada, só tirei ela pra dançar e conversei um pouco!
— O que você achou dela?
— Bom, ela é bonita. E legal também.
— Que seja, vai lá e tira ela pra dançar de novo. E não me volte sem ter dados uns amassos com ela! — Ela disse em tom severo.
— Sei não... da ultima vez que eu fiz isso foi com a Claire, ele ficou no meu pé que nem carrapato depois disso.
— Porque a Claire é meio psicopata e só você não tinha percebido isso. A Nina é muito mais tranqüila, ela não vai ficar no seu pé. Deixa de ser puritano e aproveita o momento. Quem em sã consciência desperdiça uma chance dessas com uma garota tão linda? Vai lá japa.
— Mas e a Milla? Eu não queria que ela me visse com outra garota. — Eu falei preocupado.
— Deixa de ser tapado, é até melhor assim. É bom que ela veja que você tem outras opções no mundo alem dela. Ajuda a garota a se tocar um pouco. O bom é que se ela gostar pelo menos um pouquinho de você ela vai ficar com ciúmes, assim como você ficou do Mike.
— Sei não July...
— Eu estive certa até agora, não estive?
— Esteve.
— Então porque você insiste em duvidar dos meus conselhos? Vai lá logo! — Ela falou em empurrando em direção a mesa.
Andei de volta até a mesa, parando de frente pra Nina.
— Vamos dançar mais um pouco? — Eu disse entendendo minha mão na direção de Nina, lhe lançando meu melhor sorriso. O rosto da garota se iluminou quando olhou pra mim. Ela levantou imediatamente me puxando pela mão em direção a pista de dança. Eu vi Matt me olhar chocado enquanto eu era puxado por Nina.
A música que tocava naquele momento era muito mais calma. Eu me aproximei de Nina, pondo minhas mãos em sua cintura, as dela indo automaticamente pros meus ombros. Nós ficamos ali dançando muito próximos um do outro. Nossos olhos não se desgrudaram um segundo se quer. Meu transe foi cortado quando Mike passou dançando muito colado a Milla, a garota olhando pra mim com uma expressão indecifrável. Eu senti raiva dela por estar ali com ele.
No momento seguinte eu só me lembro de estar com os lábios colados aos de Nina. O beijo era reconfortante, sincero. O que era aquilo afinal? Nós dois nos perguntamos a mesma coisa, e a resposta foi a mesma... Quem se importa?
Eu descobri cada pedacinho de sua boca naquele instante, minha língua ávida explorando o máximo que conseguia. Sua língua travava uma batalha com a minha pelo pequeno espaço que ambos comportavam. Nós ficamos alguns segundos assim, nos separando apenas quando o oxigênio foi necessário.
Eu mordi seu lábio inferior com delicadeza, ainda dançando no ritmo calmo da musica. Nós ficamos ali nos encarando, sorrisos enormes em nossos rostos. Assim que o ar foi recuperado nós voltamos a nos beijar como antes. Eu fechei os olhos e aproveitei o momento, assim como July tinha mandado. Eu podia dizer que a garota estava certa novamente.
Nós paramos de nos beijar novamente quando o ar faltou. Logo em seguida começou a tocar uma musica muito mais animada que a anterior, Nina me conduzindo pelo salão em uma dança frenética e animada. Alguns minutos depois ela me puxou na direção das arquibancadas novamente.
— Até que você beija bem, Dashwood. — Ela disse me lançando um sorriso travesso.
— Pois é, concordo plenamente. Eu beijo bem pra caramba mesmo! — Eu falei fazendo graça, Nina me dando falsos tapinhas nos braços. Eu a segurei pelo braço e puxei pra mais um beijo. Lábios, pele, dentes, cabelos, línguas, beijos, abraços, olhares... nada de palavras, nada de grandes planos. Uma noite em preto e branco, de sorrisos sinceros e beijos instantaneamente apaixonados. Minhas mãos passeavam gentis pelas costas e pelos cabelos dela, ela fechava os olhos, entregue àquele toque sutil. Ela me beijava os dentes enquanto eu sorria. Meus dedos contornavam as linhas do rosto dela, fazendo-a rir. Nó ficamos ali nos beijando sem ninguém pra nos interromper. Não faço idéia de quanto tempo passou, eu só sei que uma hora ela me interrompeu.
— Que horas são Caius? — Ela perguntou.
— Não faço idéia. — Falei sincero.
— Aqui ta ótimo, — Ela disse com um sorriso sapeca. — mas é melhor a gente ir lá pra dentro, eu tenho que ficar de olho na hora porque eu to de carona com o Matt.
— Ta bom, vamos sim. — Eu falei dando um selinho na garota e indo em direção ao salão.
Nós encontramos uma pequena confusão quando entramos no salão.
— Você ta bêbado Jarvis! Eu me recuso a bater em um cara nesse estado! — Era a voz de Sanders que soava alta.
— Eu arrebento a sua cara com uma mão nas costas seu panaca! — Dessa vez eram os berros de Pete que eu ouvia.
Eu corri em direção a confusão, encontrando Matt segurando Pete pelas costas e um Mike cambaleante parado na frente de Sanders, aparentemente ambos estavam bêbados, Mike visivelmente muito pior que Sanders. O forte jogador de futebol praticamente livre pra atacar Pete, já que Mike ali parecia mais atrapalhar do que ajudar.
Eu fui em direção a confusão, segurando Sanders pelos braços.
— Me solta Dashwood, eu vo quebrar a cara do seu amiguinho aqui!
— O que ele fez? — Perguntei confuso, fazendo força pra segurar o QB nervoso.
— Esse retardado me empurrou do nada. Maluco! — Ele gritou na direção de Pete. Eu não entendi nada. No momento seguinte eu vi nosso treinador aparecer no meio da confusão.
— Parem, imediatamente! — Ele gritou, parecendo muito nervoso. — Soltem os brigões, anda. O primeiro que bater no outro vai passar o resto do ano na detenção! — Ele gritou com autoridade. Eu fiz como ele tinha mandado, soltando Sanders imediatamente.
No momento seguinte todos os presentes pensaram que os dois fossem acatar a decisão de Baissem. E eles fizeram exatamente o contrario. Quando nós percebemos os dois já estavam se engalfinhando no chão, socos e pontapés voando descontrolados em todas as direções. Todos ao redor dos dois gritavam por briga, eu e Matt tentando a todo custo separar os dois. Foi Baissem quem apartou a briga dessa vez, ele levantou os dois pela gola dos smokings.
— Segunda feira eu quero os dois na minha sala antes da primeira aula. E nem pensem em não aparecer, ou eu ligo pros pais de vocês. Agora vão embora antes que eu me irrite mais ainda.
Ele falou isso soltando os dois brigões e empurrando eles em direção a saída. Logo depois a multidão se dispersou, eu puxei Matt.
— Que aconteceu aqui?
— Onde você tava cara? É difícil segurar dois jogadores de futebol sozinho! — Ele disse afoito, se sentando na mesa. Logo em seguida Nina, July, Jess, Claire e Jason se sentaram em seus lugares.
— Alguém pode explicar o que aconteceu ali? — Nina perguntou, tão confusa quanto eu.
— O imbecil do Peter empurrou o Jerry do nada! — Claire esbravejou nervosa. — Qual o problema desse amigo de vocês hein? — Ela perguntou olhando pra mim e Matt.
— Não foi bem assim. — July entrou na conversa. — O Sanders tava se agarrando com a Claire, o Pete estava bebendo com o Mike lá no canto. Quando ele viu a cena do Sanders passando a mão na sua bunda, — Ela disse apontando pra garota do outro lado da mesa. — ele virou uma fera e foi pra cima dele.
— Eu espero que os dois sejam expulsos da escola! Alem de estarem bebendo dentro das dependências da escola, ainda resolveram brigar! — Jason falou parecendo indignado.
— Realmente, ele devia ter feito que nem você. Ficado de braços cruzados fazendo cara de bunda enquanto outro cara pegava a menina que você queria ta pegando né? — Matt disse nervoso. — Cala a boca vai Atwood!
Eu coloquei minha mão no ombro de Matt. Tudo que a gente menos precisava nesse momento era outra briga. Alem de eu não tenho certeza se conseguiria segurar Matt nervoso.
— Acho melhor a gente ir embora, não é japa? — July disse prevendo a catástrofe eminente.
— Concordo, eu vo ligar pra minha mãe vir buscar a gente. Vai chamar a Milla logo.
— Eu to indo! — Matt disse se levantando e saindo disparado sem falar com a gente.
— Ótimo! Agora a minha carona se foi. — Nina disse frustrada. — Você pode me levar também Caius? — Ela perguntou olhando pra mim.
— Claro, posso sim. Eu disse me afastando, tirando o celular do bolso procurando um lugar calmo onde pudesse telefonar.
Voltei encontrando apenas July, Nina e Milla na mesa. Os outros provavelmente já deviam ter ide embora. Milla tinha uma expressão triste no rosto.
— Cadê o resto do pessoal? — Perguntei me juntando as garotas na mesa.
— Eles foram embora. Sua mãe vai demorar muito ainda? — Milla perguntou, visivelmente preocupada com alguma coisa.
— Não, ela já ta vindo. Aconteceu alguma coisa Milla? — Vi ela olhando com certa raiva na minha direção e a de Nina.
— Nada, — Ela disse balançando a cabeça. — o Mike é um babaca, só isso.
— Eu avisei! — July afirmou cruzando os braços como uma criança fazendo birra.
— O que ele fez? — Perguntei confuso.
— Ele tentou avançar o sinal com a sua amiga. Você devia ter se afastado dele, o Mike não é um cara legal pra se ter por perto quando esta bêbado. — Nina disse, sua mão tocando a minha em cima da mesa. Eu correspondi, apertando sua mão entre as minhas. Eu tentei controlar minha raiva naquele momento. Eu queria mais do que nunca espancar Mike Newler. Como ele tinha ousado tocar em um fio de cabelo de Milla? Eu ia matar ele um dia!
— Babaca! — Falei ríspido. — Você deu o fora nele não é?
— Dei, ele já foi pra casa. — Ela disse se abraçando. O semblante triste de Milla me fez querer levantar e ir abraçar ela. Mas eu não podia fazer isso, seria falta de consideração com Nina. Nós podíamos não ter nada sério, mas é o mínimo que eu poderia fazer depois de ela ter ficado a noite inteira comigo ali.
— Vamos lá pra fora, mamãe já deve estar nos esperando.
Nós fomos pra casa, minha mãe deixando Milla e July na casa da loira e Nina em sua própria casa, que ficava no bairro vizinho ao nosso. Milla ficou cabisbaixa durante toda a viajem, enquanto July conversava coisas banais com Nina e minha mãe. Eu passei o caminho inteiro pensando em varias formas diferentes de acabar com a vida de Mike.
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