Notas iniciais
Hey gente..aproveitando que minha net está de bom humor pra postar, pq esse final de semana será um pouco corrido pra mim. Sinto que esse capítulo vai deixar muitas interrogações na cabeça de vocês, talvez esclareça algumas coisas, mas sei que perguntas surgirão. kkkk Eu realmente fiz a Emma estar malvada nessa história, mas tem mais coisas por trás disso tudo. Espero que gostem, boa leitura!

Emma chegou bufando ao antigo castelo que, um dia, pertencera a Phillip e Aurora, agora seu mais novo lar. Estava furiosa. Ela caminhava a passos rápidos através dos corredores, quebrando uma ou outra coisa que encontrava pelo caminho, e entrou no cômodo que era seu quarto. Dirigiu-se ao imenso closet que possuía e o adentrou. Viu inúmeros vestidos lindos e sensuais, em diversos tons escuros, muitos eram negros. Viu também inúmeras roupas de quando ainda morava em StoryBrooke: alguns casacos, calças jeans, regatas e camisas, botas. Mas não era de nada daquilo que a loira estava atrás. Bem ao final, encontrou o que queria. A jaqueta vermelha estava pendurada em um cabide, escondida atrás de todas as outras peças.

A loira deixou que suas mãos sentissem o tecido, esfregando o couro vermelho entre os dedos. Ela soltou um suspiro, por um segundo permitiu-se pensar nas palavras que Regina lhe dissera. “Você é uma sombra da Emma Swan que eu conheci. Você não é nada.” Lágrimas ameaçaram se formar em seus olhos mas, de repente, sua expressão mudou, de tristeza, para fúria novamente. Uma voz pareceu ecoar na sua mente e ela abriu um sorriso perverso de satisfação. “Para ter o que você quer, finja dar a eles o que eles querem.”

– Isso mesmo. Se eles querem aquela patética Emma Swan de volta, então eles a terão. Até que eu tenha o meu menino e acabe com o resto que não me interessa.

Seu coração doeu fundo ao pronunciar as últimas palavras. Tinha algo importante naquela vila além de sua família. “E ela? Como ela fica?” Uma voz no fundo da consciência de Emma lhe sussurrou, mas foi calada por outra mais alta, mais presente: “Ela não é importante.” O coração de Emma palpitou, acelerado. Sim, ela era importante e a loira nada poderia fazer sobre isso. “Ela pode vir, se aceitar voltar a ser o que era.” A voz soou alta em sua mente e, dessa vez, os lábios da loira, voltados em um sorriso, soltaram em voz alta aquilo que pensava.

– Ela pode vir, se voltar a ser a Evil Queen.

xXx

Henry chorava quando Regina o levou para dentro junto com Merlin. O pré-adolescente correu para o quarto e se atirou na cama, virando o rosto para a parede de madeira para esconder as lágrimas que escorriam pela face. A morena não podia negar que ele havia crescido durante o último ano que passaram em StoryBrooke, assim que chegaram de Neverland e antes do tempo parar outra vez, ao voltarem para a Floresta Encantada. Porém, vê-lo daquela forma fazia com que ela voltasse a enxergar o bebê que, um dia, teve nos braços. Ela faria qualquer coisa para protegê-lo. Ela o amava mais do que a si mesma.

Merlin, com toda a sua inocência de criança, foi atrás do irmão mais velho e deitou-se na cama ao seu lado. Sabiamente, não disse nada. Apenas o abraçou e ficou ali, como uma companhia. Henry não mostrou resistência e Regina não sabia se dizia algo. Resolveu por se calar e deixar que aquele momento durasse o tempo necessário.

A morena foi para a cozinha precária e pegou algumas panelas. Acendeu o fogão de lenha e deixou a água esquentar, olhando nos armários o que inventaria hoje para o jantar. Seria tão mais fácil se pudesse usar sua magia. Mas, embora não tivessem mais os privilégios que tinham ao morar em uma cidade, após o que aconteceu com Emma, não foi preciso que Henry a pedisse para evitar a magia, ela mesma tomou a iniciativa.

A única opção que havia eram grãos e carne de servo, cedida gentilmente por Neal, que ajudava Hook e David na caça diária que alimentava a vila. O rapaz não era um dos preferidos de Regina, mas ela tinha que admitir que ele estava sendo responsável e se mostrou muito disposto a esquecer as desavenças que haviam no passado, para o bem do Henry. Mal sabia Neal que não era apenas Henry que causava diferenças entre eles, mas o interesse por um alguém em comum.

Ela suspirou. Terminou de fazer o jantar em silêncio e, então, voltou ao quarto para chamar os garotos. A cena que viu fez o seu coração se apertar e seus olhos lacrimejarem. Henry mantinha Merlin aninhado junto a si num abraço. O pequeno chorava e dizia algo sobre Henry ainda ter uma mãe, um pai e toda uma família, coisas que ele não tinha.

– Você tem uma família. Nós somos sua família.

– Se não fosse por Regina, eu não teria ninguém. Nem você. – O pequeno se encolheu. Foi estranho para a morena ouvi-lo voltar a dizer seu nome depois de tanto tempo. Ele sempre a chamava de mamãe.

– Agradeça ao Neal por ter Henry em sua vida. – Ela disse encostada no batente da porta com um sorriso triste.

– E à Emma. – O loirinho completou, fazendo o coração de Regina se apertar outra vez.

– Um dia poderá agradecer à Emma também, eu prometo. – Aquela frase era dirigida ao filho mais velho. Ele sorriu, sabia que Regina cumpriria com sua palavra, ela sempre tentou ajudar a loira quando tudo parecia perdido. E estava. – Quanto a mim... – Ela se aproximou dos dois e sentou-se na cama, segurando o rostinho do menino pelo queixo. – Não precisa agradecer. Se não fosse eu, teria sido qualquer um deles. Você é um menino adorável.

– Eu queria que fosse você. Eu amo você, mamãe. – Regina não conteve as lágrimas e se abraçou aos dois.


xXx

A loira entrou em uma ala nova do castelo. Um quarto espelhado que, embora fosse iluminado apenas pela luz natural, causava alguns reflexos para que fosse possível enxergar seu interior e deixava o ambiente com um ar sombrio e assustador. Ela encarou os espelhos à frente e viu uma silhueta negra e esguia, com dois grandes olhos brilhantes encarando-a.

– Continue, Emma. Logo esta terra será o meu lar. – A voz grave ecoou dentro do ambiente.

– Você não merece um lar. – Ela cuspiu as palavras. – Não à custa de todos os outros.

– Eu os deixaria livres para seguirem. Você poderia guia-los de volta para casa. Afinal, não poderão mesmo ficar mais aqui. É um acordo melhor do que servir a mim pelo resto de sua vida, não acha salvadora?

– Eu não estou salvando ninguém agora. – Emma fechou a cara. – Está sendo gentil, mas se esquece que, a maior parte do tempo, você está aqui. – Ela apontou para a própria cabeça. – Eu sei exatamente como você pensa e não dá a mínima para mim ou quem quer que seja.

– Tem razão. É uma pena estar ligada a mim, não é mesmo? Você é forte, Swan. Muito forte. Mas não pode fazer nada enquanto eu estiver no comando. – Emma abaixou a cabeça e suspirou. – Manteremos a maldição até que este reino seja seguro para eu me libertar. Quando isso acontecer, meu lar estará reestabelecido e vocês serão dispensáveis.

– Eu sei que Regina irá quebrar essa maldição. – Ela esbravejou. – Eu sei, você sabe! – Os gritos ecoavam dentro do cômodo. – Se ela quebrar a maldição, você pode esquecer o seu lar. – Ela disse em tom de deboche, acompanhando com os olhos a sombra que girava, flutuando em torno dela, dentro dos espelhos, e parando outra vez diante de si.

– Ela não quebrará nenhuma maldição se a Evil Queen se juntar a nós. – A sombra saiu do espelho e se aproximou da loira.

– Se a Evil Queen se juntar a nós. – Emma repetia, quase hipnotizada.

– Cabe a você fazer com que isso aconteça. – A sombra negra de olhos brilhantes fundia-se ao corpo de Emma.

– Cabe a mim. Eu farei. – Ela deixou o lugar a passos largos, os olhos vidrados, sem brilho ou foco.

Notas finais
Muito obrigada pelos reviews gente, continuem dando a opinião de vocês. Essa fic é nossa! ^-^