Notas iniciais
Oie galera, como estão? Preparados emocionalmente para aguentarem até março? .-. Bem, eu sei que eu demorei a voltar pra cá..talvez não tanto, mas um pouco mais que o de costume. Teve dois motivos: Minha net que ficou horrível e não colaborava com nada. E uns momentos tensos, de minha parte. Mas, como prometido, aqui estou eu continuando e postando o capítulo tenso de hoje que, espero que gostem, é o primeiro inteiro de SQ. ^-^ O capítulo foi baseado na música Devil's Tears - Angus & Julia Stone (segue o link abaixo, para quem quiser ler ouvindo. Eu recomendo ^-^) http://www.vagalume.com.br/angus-amp-julia-stone/the-devils-tears.html É isso..chega de enrolação. Beijos galera e até a próxima!! Espero que gostem.

Regina ainda digeria toda a sua conversa com Rumple naquela manhã. A noite estava limpa, mas algumas nuvens demonstravam que não seria por muito tempo, havia lua cheia e ela podia ouvir o uivo de Red a uma determinada distância, na floresta. Os meninos não estavam em casa, aquilo a fazia sentir-se muito sozinha, mas eles mereciam algum tempo de diversão longe dali.

A conversa sobre velhos hábitos a fez se recordar de sua macieira. A tão estimada árvore havia ficado para trás. Talvez estivesse destruída, como a própria Regina sentia-se naquele momento. Saiu da pequena casa e foi andando sem uma direção certa. Não se importava muito com o fato de estar sozinha e ser quase madrugada. Pensou em ir até o estábulo e sair cavalgando, mas isso seria fazer barulho demais. Chamar atenção demais.

Então ela apenas caminhou. Embrenhou-se na mata, não se importava para onde estava indo, mas seus pés pareciam ter um destino certo a seguir. Chegou, após quase uma hora de caminhada e parou, olhando o lugar. O descampado exibia uma caverna e uma cachoeira, que caia impiedosa sobre um lago calmo e límpido. Ela respirou fundo o ar puro do lugar, os olhos fechados e o queixo levemente erguido. Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto e ela suspirou.

Uma gota de chuva caiu sobre a sua bochecha direita, logo uma segunda pingou em sua testa, seguidas de outras mais. Regina olhou o céu e viu que a claridade da lua estava apagada pelas pesadas nuvens que se aglomeravam. Os pingos ficaram mais grossos e frequentes, fazendo Regina correr para dentro da caverna em busca de abrigo. E quase ter uma parada cardíaca.

Regina pensou que estava alucinando quando entrou no lugar. Uma fogueira se acendeu entre ela e uma loira de calça jeans azul escura, colada em suas coxas torneadas, uma camisa regata branca, botas marrons de cano alto, o cabelo solto e um pouco desgrenhado. E de jaqueta vermelha. Emma parecia uma alucinação do dia em que Regina a viu pela primeira vez. A morena pensou que estava enlouquecendo, não fossem os olhos verdes e brilhantes que a encaravam. Era real, Emma estava mesmo ali com ela.

– Não sabia que tinha costume de passar a noite em cavernas, Miss Swan. – Regina tentou usar seu tom mais frio e distante, assim que o susto passou.

– E não tenho mesmo. – Emma a encarou, se desencostou da parede de pedra e se aproximou da morena. – Vim para te encontrar.

– E como sabia que eu estaria aqui? – A morena ergueu uma das sobrancelhas perfeitas em sinal de desafio.

– Esse lance de ver pelos espelhos é interessante. – Ela sorriu e se aproximou ainda mais da morena.

– Anda me espionando, Miss Swan? – O coração de Regina batia descompassado, mas ela era uma excelente atriz.

– Não o tempo todo.

– Ah, é claro, agora você tem um namoradinho para ocupar o tempo. – Regina disse com voz desdenhosa, arrancando uma gargalhada de Emma.

– Quem, o Hook? – Ela encarou a morena e abriu seu sorriso maroto. – Isso te incomoda, Madam Mayor? – Usou o título de Regina em StoryBrooke, que não tinha mais valor nenhum naquele lugar, para provocá-la, com uma voz encantadoramente sexy, que a morena nunca tinha ouvido vindo da loira.

– Por que me incomodaria? – Regina conseguiu rebater. – Mas o Neal está possesso com o pirata. Se eles se encontrarem, vai ser uma briga feia. Seu pirata pode se dar mal. – A morena deu de ombros, como se nada daquilo importasse a ela. E não importava.

– Eu não estou nem aí para o Hook. – Emma também deu de ombros.

– Então ainda ama o Neal. – Regina a encarou e viu as íris verdes se fixarem de volta em seus olhos castanhos.

– Veja bem. – Ela começou, calmamente, como se fosse dar uma longa explicação. – O Hook fez uma escolha e foi atrás de mim. E eu, vim atrás de você. Agora me diga, quem eu escolhi? Eu te dou uma dica, se achou difícil de entender. – Se aproximou mais, se é que isso ainda era possível, e sussurrou, seus lábios quase tocando os de Regina. – Posso te garantir que não foi o Neal.

Regina ficou tensa, paralisada. A proximidade entre seus corpos, as suas respirações se misturando, nada daquilo colaborava para que ela pensasse com clareza. Emma estava dizendo que a escolhia, era isso mesmo?

– Venha comigo, Regina. – A loira sussurrou no ouvido da morena, causando arrepios imediatos.

Nem mesmo Regina tinha noção do quanto aquilo seria importante para ela. Não até agora. E embora parecesse bom demais, aquilo não poderia ser verdade. Algo em seu peito gritava que não deveria ser assim. Emma não estava normal, bem longe disso, ela estava completamente alterada. E a morena reconhecia uma manipulação quando via uma, e era aquilo que a loira fazia com ela naquele momento. Era justamente o que a loira tentava.

– Emma... Não... – Ela tentou ser coerente, mas os lábios de Emma já estavam caindo para seu pescoço, ela podia sentir os beijos delicados. – Emma... – Com uma força de vontade sobre-humana, Regina a afastou de si e a encarou. – O que está fazendo?

– Estou demonstrando o quanto quero que venha comigo. – A voz da loira era suave e delicada, um estranho brilho prata irradiando por trás de seus olhos, enquanto tornava a se aproximar. Dessa vez, Regina foi mais rápida.

– Não. Não sente nada por mim, Emma. Nunca sentiu. Você não está agindo... normalmente. Eu sei que está só querendo me manipular e eu não vou cair nessa. – A morena estampou um sorriso debochado no canto dos lábios, embora seus olhos fossem tristes.

– Deixe de bobeira, Regina. Eu não estaria aqui se não te quisesse realmente ao meu lado. – Os olhos verdes a encaravam com uma intensidade difícil de suportar. – Pense em tudo o que podemos fazer juntas. Nós podemos causar tempestades, podemos ter o que quisermos!

Regina desviou seus olhos do olhar de Emma, olhando a fogueira que crepitava. Ela respirou fundo e sentiu as lágrimas acumularem, ardendo, pedindo passagem.

– Eu não quero nada disso. – Ela esboçou um sorriso triste. – Sabe, eu ainda me lembro de quando nos conhecemos. Você estava exatamente assim, como está hoje. – Regina deixou seus olhos percorrerem o corpo de Emma, reparando cada pequeno detalhe na loira. – Mas hoje, você não é mais a mesma mulher com ar de menina que bateu em minha porta, no meio da madrugada.

– Regina... – Emma sentiu o espaço vazio em seu peito doer. É como se o seu coração ainda estivesse ali e se manifestasse pelas palavras da morena.

– Não. – Regina a interrompeu. – Aquela mulher faz parte do meu coração partido. Aquela mulher enxergou a pessoa quebrada que eu sou por dentro. E você não é ela, Emma. Por mais que queira vestir-se da mesma forma. Você não é ela. – A morena suspirou, cansada. – Eu não te conheço.

Regina deu às costas para a loira e se dirigiu à entrada da caverna, saindo dela, mesmo que a chuva do lado de fora estivesse cortante de tão forte. A loira a observou sair. Queria desesperadamente ir atrás dela, mas seus pés não se moviam e, por um momento, sentiu como se estivesse sendo rasgada por dentro. Ela gritou com a dor que sentia, tentava expulsar Shadow de seu corpo de todas as formas possíveis.

A morena ouviu o grito de Emma e parou onde estava. Pensou ter ouvido um grito de fúria, talvez pela derrota. Porém, ao prestar atenção, notou que era um grito de dor. Seu lado racional dizia para ir embora, que talvez aquilo não passasse de uma armadilha. Mas seu coração ferido dizia para ir até a loira. Pedia desesperadamente para que ajudasse aquela que amava. Ela estava com um pressentimento sobre aquilo, não sabia ainda o que.

Voltou correndo para dentro da caverna, completamente ensopada. A cena que viu a deixou atordoada. Emma estava de joelhos ao lado da fogueira e, na parede de pedra, duas sombras estavam travando uma batalha para assumir o controle. Pan’s Shadow. Regina logo se lembrou do nome, muito conveniente, daquela sombra que havia se apoderado da sua querida loira.

Emma parecia estar sendo rasgada ao meio, sua cabeça pendia e seus braços se apertavam em volta do próprio corpo. De seus olhos escorriam grossas lágrimas, que pingavam sobre o chão de terra da caverna como uma goteira. Regina tocou seus ombros, fazendo com que a loira a encarasse assim que sentiu o toque.

– Eu nunca... Nunca... Não me toque!... Vou desistir... – Ela falava cada sílaba como se fosse extremamente difícil. – Regina soltou todas as lágrimas que segurava naquele momento.

– Emma... – ela acariciou os cabelos da loira, que voltou a se dobrar ao meio. – O que eu faço para te ajudar?

– Saia daqui! – Ela grunhiu, com raiva, nem mesmo parecia a loira falando. – Desistir... De... – Emma a encarou, a voz agora era suave, chorosa, e parecia sair com um enorme esforço, causando uma dor tremenda. – Vá embora! – Outro grunhido. – Você! Regina, eu...

A morena estava confusa, mas não teve mais tempo para raciocinar, uma fumaça roxa envolveu Emma e ela sumiu diante de seus olhos, levando consigo as duas sombras na parede.

Notas finais
E aí gente, o que acharam? Sei que ainda devo respostas nos coments de vcs, podem deixar que colocarei em dia. Mas gostaria que deixassem reviews de novo com a opinião. Pode ser, galera? Valeu!