Uma Nova Língua
1 O Manuscrito
Notas iniciais
Dum distante, ou não, passado
Caracteres, os quais não compreendo
Escritos num papiro, aparecem-me.
.
Segredos não revelados, presos num claustro
Cuja porta tranca não possui,
nem maçaneta, nem fechadura
Qual animal encluso em casca dura
Impossível d'ela ser extraído.
.
Apenas códigos...
.
Códigos como os de um ser genético
envolvidos em dupla camada obscura
gráfica e semanticamente.
.
Um manuscrito, e este, estranho.
Terá sido fruto d'alguma inteligença [1]
a espoliar-nos os nervos,
a sogracejar-nos com incomum blefe? [2]
.
Sejam eles extra ou intra
Terrenos ou lunares
Aldnoah ou Brave New World
cuja Novilíngua não podemos compreender.
.
«Pensocrépitos desventresentem o Socing»,
dir-se-ia n'algum jornal
n'algum novo e orwelliano mundo.
Compreensível e incompreensível,
neste duplipensar lingüístico
mergulhamos profundamente
neste Pacífico de incógnitas.
.
E isto tudo, sabe para que?
.
Num futuro, distante ou próximo,
mesmo os ditadores medo terão
d'alguma machina do tempo
co'algum de perspicaz mente
A, d'antemão, a ditadura abortar.
.
Assim, mistério não descoberto,
Tesouros se guardam sem notar
Neste intricado e invisível cofre.
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