Notas iniciais
Estou postando de novo, no mesmo dia, porque quero adiantar um pouco as coisas nessa fic, que ficou parada uma semana!
Espero que gostem e, por favor, comentem pelo menos em um dos capítulos... eu não sei ainda se vocês gostam ou não dessa história...

Na quarta-feira, Rachel chegou ao colégio de ótimo humor. No dia anterior, ela tinha feito uma espécie de mini-festa, com a mãe, a Sra. Doubtfire e Lydia.

Eugene Doubtfire trabalhava em sua casa, desde que Rachel tinha apenas um ano e meio. Tinha sido sua babá, no início, e agora era a governanta dos Corcoran, mas também uma grande amiga das mulheres da casa. Durante todos esses anos servindo à família de Shelby, ela tinha conhecido Roger, o motorista deles, e os dois haviam se casado, indo ocupar uma pequena casa nos fundos da propriedade. Há sete anos e alguns meses, Eugene tinha dado à luz Lydia, que era afilhada de Rachel.

Enquanto Roger e o padrasto de Rachel, Clay, haviam assistido a um jogo de futebol, na TV, as mulheres tinham se divertido, na cozinha, comendo hambúrgueres, pizza, cachorro-quente, nuggets, bolo de chocolate, sorvete, cookies, tudo preparado por Eugene, com a ajuda de Lydia, que já aprendia as tarefas domésticas, apesar dos protestos de Shelby, que fazia questão que a menina tivesse uma ótima educação, para ter uma boa carreira, no futuro.

Enquanto comiam, elas jogaram jogos de adivinhação, mímica, cantaram e relembraram histórias da infância de Rachel, que contaram à pequena Lydia, que ouvira tudo com a máxima atenção, por ter na madrinha o seu maior ídolo, a sua inspiração, seu modelo.

Rachel tinha um sorriso no rosto, se lembrando da noite anterior, de como era confortável estar na presença daquelas pessoas, de como tinha adormecido e acordado contente, quando entrou no banheiro do colégio, antes de se dirigir à sala de aula, depois de ter se despedido do namorado e dos amigos.

Ela tinha aula de História da Arte, novamente, e nenhum deles estava nessa classe. Na verdade, era Finn quem estava, mas nem isso iria tirar o seu humor, afinal de contas ele era apenas mais um colega de colégio. Ela tinha ficado incomodada, ao vê-lo com Hayden, mas era somente porque Hayden, Grace e Claire eram inimigas declaradas das garotas QRS, o que fazia com que ela repudiasse qualquer conquista de uma das loiras.

O dia de Rachel começou a mudar, todavia, quando as ditas inimigas adentraram o banheiro, enquanto ela estava em uma das cabines.

"E ele tem pegada?" Perguntou Claire, entrando no banheiro. Rachel podia ouvi-la de onde estava, e reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Claire tinha uma voz grave, quase masculina, apesar de sua aparência muito delicada e feminina.

"Se ele tem pegada? Ele tem A PEGADA... ele é MUITO gostoso!" Apesar de a voz de Hayden não ser tão característica quanto à de Claire, Rachel também podia identificá-la com facilidade. Tinham sido anos tendo discussões intermináveis com aquela garota.

"Do tipo que você dá casa, comida e roupa lavada?" Questionou Grace.

"Eu não só levaria ele pra casa... eu cortaria frutas em cubos sempre que ele quisesse!" Suspirou Hayden. "Finn não é só gostoso, meninas. Ele é um fofo! Nós estávamos ali, sozinhos, no carro dele, e ele nem tentou nada... nem o que eu teria deixado ele fazer, já no primeiro encontro."

"Ai... um cavalheiro." Murmurou Claire, em um tom romântico que não combinava com sua voz. Rachel teria rido, se isso não fosse atrapalhar seus planos de continuar ouvindo.

"Eu prefiro o Jesse. Não estou procurando cavalheirismo, e sim diversão." Disse Grace.

"Ele voltou com a tampinha."

"Como se isso fosse impedi-lo de me dar a diversão que eu mereço." Falou e as três riram. Rachel ficou incomodada. Era o namorado dela afinal. Porém, na realidade, era sobre Finn que ela queria ouvir mais. Não deveria ser assim, mas era. "E por que você e ele não foram a lugar nenhum... só ficaram aqui, menos de meia hora? Claire me disse que te deu carona, porque ele foi embora!"

"Ele lembrou que tinha prometido levar a mãe a algum lugar. Tão fofo! Ele é perfeito pra minha nova fase quietinha. Vou poder melhorar minha reputação, sem deixar as coisas boas de lado." Constatou, cantando a última parte.

"Como você tem tanta certeza disso? Talvez ele já saiba da sua reputação."

"É verdade, Hay. A Grace tem razão. Por acaso ele te chamou pra sair de novo, ou vocês só ficaram mesmo no amasso, no carro dele?"

"Claro que a gente combinou de sair!" Mentiu. As amigas não precisavam saber que ele tinha sido bem indiferente, na verdade. "Sábado, a gente vai ao cinema... depois fazer um lanche. E só não vai rolar mais nada além disso, porque eu quero ele caidinho, então a boa moça vai dar o ar da graça..."

Rachel pode ouvir, ainda, as risadinhas delas, que saiam do banheiro.

Então tinha sido isso? Ele tinha um compromisso com a mãe, apenas, mas não tinha desistido da loirinha peituda. Já havia até um encontro agendado entre eles. A mesma raiva do dia anterior tomou conta de Rachel. Esse garoto era um idiota, um imbecil, um asno, um... argh! Um garoto que leva a sério uma menina que fica com ele, aos amassos, no carro, sem nem conhecê-lo direito, não pode ser boa coisa! Claro que ele não era boa coisa! Ele a tinha beijado na festa, sem mais nem mesmo, sem sequer pedir licença, se aproveitando da carência dela.

A morena praticamente marchou para fora do banheiro e em direção à sala de aula, onde, chegando atrasada, encontrou apenas uma cadeira vazia. O destino não era um filho da mãe, era mesmo um grande filho da PUTA, porque ela teve que se sentar ao lado DELE, do idiota, presunçoso, arrogante, ridículo, que achava que podia ficar com ela e depois ficar com uma garota como Hayden, e levá-la ao cinema, no final de semana, como uma namoradinha!

Finn, por outro lado, pensou que o destino era algo abençoado, quando viu Rachel entrar na sala e percebeu que não havia outra cadeira para ela ocupar, senão a que ficava ao lado da dele. Depois de ter ido para casa super triste, e passado uma noite horrível, com insônia e depois pesadelos, envolvendo a morena nos braços de Jesse, ele tinha acordado e se arrastado para a escola.

No entanto, a visão que havia tido do sorriso dela, enquanto a garota conversava com as amigas no corredor, alguns minutos antes do horário marcado para a aula, tinha trazido um sorriso automaticamente para a face dele também, e ele tinha decidido que queria ver aquela expressão alegre dela, ouvir sua risada e sua voz doce, ainda que não pudesse tocá-la, beijar seus lábios, segurar sua mão. Era melhor ser um colega de turma, educado e prestativo e, quem sabe um dia, um amigo, do que não ser nada.

"Oi, Rach. Tudo bem?"

"Por que você tá falando comigo? E ainda me dando um apelido?" Ela questionou, superior.

"Eu acho que eu já demonstrei que eu não vou contar... aquilo... que você não quer que eu conte. Nós somos colegas de colégio... de classe... então eu acho que não precisamos ser inimigos, só isso." Ele respondeu, tentando parecer indiferente, mas sofria com o tom dela.

"Eu não tenho interesse em ser sua amiga." Ela falou, abrindo o caderno e começando a copiar a matéria, deixando claro que estava encerrando o assunto ali. Finn respirou fundo. De novo, desejou estar mais irritado e menos chateado.

E foi entre irritado, algumas vezes, e triste, outras vezes, que ele passou o resto da semana. Todas as vezes em que ele cruzava com Rachel e o namoradinho estúpido dela (que não tirava aquela jaqueta ridícula, como se sua masculinidade estivesse nela, dependesse dela), mesmo se ele estivesse com o irmão ou com os novos amigos que estava fazendo, conversando animado e sorridente, seu sorriso morria, dando lugar à ira ou à tristeza.

O garoto não entendia porque ficava triste por causa de uma menina que ele não conhecia nem há uma semana. A única explicação era que ele estava apaixonado por ela, o que o fazia se considerar um grande azarado, afinal ele nunca tinha se apaixonado antes, sempre tinha ficado com as garotas por elas serem bonitas, gostosas, ou as duas coisas. Então, quando o coração dele resolve bater em outro ritmo, o faz por causa de uma garota que não quer nem que ele dirija a palavra a ela.

Que. Grande. Merda!

Ao invés de se lamentar, ele tentava alimentar a raiva e, ao mesmo tempo, esperava que alguma coisa boa acontecesse, procurava alguma outra coisa pela qual se apaixonar, a qual se dedicar.

Era sexta-feira e Rachel estava aliviada pela chegada do final de semana. Sábado e domingo eram dias de ficar em casa, curtindo a família, e de sair com os amigos, o que sempre era bom. No entanto, dessa vez, ela pretendia usá-lo, integralmente, para passar um tempo com Shelby e Clay, porque sair com os amigos significava estar também na presença de Jesse e ela precisava, desesperadamente, de um tempo sem ver a cara dele.

Sua semana, como a de Finn, não tinha sido nada boa. Jesse tinha tentado tocá-la de um modo que a deixara desconfortável, provavelmente incentivado pelos beijos que ela tinha dado nele, para que Finn visse. Maldido garoto idiota que até nisso a tinha prejudicado! Além disso, o namorado estava passando cada vez menos tempo com Noah e Sam, para ficar cada vez mais na companhia de Azimio e Karofsky.

Os dois brutamontes não eram boa companhia, boa influência. Viviam jogando raspadinhas nos colegas não populares, chamando-os de perdedores, trancando-os em banheiros químicos, colocando-os em latões de lixo. Talvez por isso o namorado reclamasse, cada vez mais, do coral, fazendo chacota do "Novas Direções", junto com os dois gorilas, procurando os pontos fracos de cada integrante para fazer piada deles, porque, apesar de ser um clube formado pelos populares, os três não aceitavam, como sendo legal, nada de que não tivessem capacidade para participar.

Pensando em como conseguiria seguir com seu namoro, diante desse tipo de comportamento do capitão do futebol, Rachel caminhou até a sala do coral, para o terceiro e último encontro deles naquela semana. Mais do que a possibilidade de ter um sábado e um domingo de paz, ela tinha na música, e no fato de compartilhá-la com seus amigos, sua segunda família, a esperança de esquecer os problemas, por algumas horas.

O problema foi que, ao entrar na sala do coral, não encontrou apenas seus queridos e seu professor, esperando por ela. Havia também uma pessoa que ela jamais esperaria (ou desejaria) encontrar ali.