Uma Nova Injeção De Adrenalina
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Boa leitura! Bjs!
Jesse não tinha a menor intenção de voltar com Rachel. Estava se divertindo muito mais sem a garota. Depois da festa, tinha transado com Grace e, durante a mesma, já tinha deixado marcado um encontro com uma menina de outra escola, chamada Rebecca, para o final de semana seguinte.
Rachel era virgem e não deixava sequer ele tocar os seios dela. Só tinha cedido umas duas vezes e, mesmo assim, ele só a havia alisado por cima da roupa. Um cara de 18 anos tem suas necessidades e, em relação a isso, uma namorada como ela atrapalhava mais do que ajudava.
Além disso, o capitão do time de futebol nunca tinha sido apaixonado pela líder de torcida. Na verdade, se ele tivesse que escolher uma garota no McKinley, seria Cecily, por quem tinha se encantado logo na primeira semana de aula do primeiro ano. Eles chegaram a se beijar uma vez, naquela mesma semana, quando ele a levou em casa, depois de terem se encontrado no caminho de volta da escola. Contudo, ele tinha passado a ignorá-la, logo depois, ao descobrir que a menina tinha se tornado o alvo principal das raspadinhas, que eram a forma mais comum de bullying naquela escola.
Ele, muitas vezes, tinha se odiado por não defendê-la e por ter deixado de falar com ela, mas o fato é que, para ele, a popularidade era mais importante do que tudo, e ele jamais iria arriscá-la. O certo a fazer era escolher uma garota bem popular para ter a seu lado, então, um tempo depois, ele investiu em Rachel e eles começaram a namorar.
Mesmo antes de namorar, ele já tinha conseguido deixar de pensar em Cecily e passara a pensar no futebol, em encher a cara nos finais de semana, e em sexo. Depois que o namoro começou, o sexo tinha sido deixado de lado, mas agora seria diferente. Ele ficaria com todas as meninas dispostas a transar casualmente que pudesse encontrar.
Isso até o momento em que David Karofsky, o maior bajulador de Jesse, dentre seus companheiros no time de futebol, chegou à casa dele, no domingo, interrompendo seu merecido e necessário descanso, visto que ele estava com uma ressaca das piores.
"Dave, eu não quero ser mal educado com você, cara, mas o que você tá fazendo aqui, hoje? Eu não to na pilha de jogar vídeo game, muito menos de sair de casa, brother. Cerveja eu não posso nem ver!"
"Foi mal, Jesse. Eu imaginei que você ia estar de ressaca mesmo... mas é que a informação que eu tenho pra você, eu acho que você vai gostar de receber logo, em vez de só amanhã, na escola."
"Informação?" Perguntou, curioso.
"É. Eu ontem vi a sua ex com um cara."
"Como assim COM um cara?"
"Eles tavam dançando, aí de repente ele tirou ela da pista. Aí ele falou alguma coisa e beijou ela. Eu fiquei olhando pra ver se ela ia brigar com ele, se ela ia precisar de ajuda, mas ela mesma levou ele praquela cabine de tirar foto e eles ficaram lá em tempo."
"Quem era?" Se exaltou.
Podia não querer voltar com ela, mas também não queria que ela o superasse assim tão facilmente, bem à vista de todos. Além disso, se ela arrumasse um novo namorado, isso seria a única coisa que poderia colocar em risco seu posto de garoto mais popular do colégio, sua coroa de rei no final do ano letivo. Pior ainda, se o tal garoto fosse de algum time ou do coral que ele tanto odiava.
"O nome dele é Finn Hudson e ele é aluno novo. Você sabe que a Anisha sempre sabe de tudo, né? Então eu dei um papo nela, e ela me falou. Parece que ele e a família chegaram a Lima na sexta-feira mesmo."
Aquilo mudava os planos de Jesse. Se o cara mal tinha chegado e Rachel já se fechara com ele na cabine fotográfica, existia um risco grande de ela estar interessada em transformar o novato em um cara popular e em seu novo rei. Isso ele não ia permitir, de jeito nenhum! Nem que, para isso, ele tivesse que aturar mais um ano completo ao lado da campeã dos "não me toque". Afinal, não era também nada do outro mundo, porque, namorando ou não, ele ainda podia transar com garotas liberais que não estudassem no McKinley, ou até com algumas de suas colegas, que adorariam a sensação de estar passando a rainha dos últimos bailes, a princesinha da escola, para trás.
Rachel estava em casa, curtindo uma tarde preguiçosa de domingo, com Santanna e Quinn. A latina tinha ido dormir na casa da amiga e a loirinha tinha chegado lá naquela manhã, depois de passar a noite com Noah, tendo dito aos pais que estaria na casa dos Corcoran. Shelby sabia da mentira, mas havia concordado em não contar nada aos Evans, depois de ter conversado com a menina, que tinha visto crescer, e constatado que ela estava suficientemente preparada para dar esse passo. Os Evans estavam sendo hipócritas em querer fingir que a filha seria sempre uma celibatária, mas quem era ela para interferir?
"Ele disse que me ama e que, um dia nós vamos nos casar..." Suspirou Quinn, agarrada a uma almofada.
"Você já deve ter dito isso umas dez vezes." Retrucou Santanna, jogando uma outra almofada na direção dela.
"Vocês querem brigadeiro? Eu vou fazer." Disse Rachel, levantando da cama.
"Rachel, não tem nem uma hora que você comeu aquele pacote de nuggets praticamente inteiro!" Santie chamou atenção.
"E daí? Eu quero brigadeiro." Respondeu, indiferente. "Vocês querem ou não? Se vocês forem comer, eu vou fazer mais..."
"Eu não quero. Eu não posso engordar, ainda mais agora..."
"que o Puck te vê nua." Completou a prima do rapaz, levando uma almofadada da loira. "Eu também não quero, Ray. Você é magra de ruim... a gente engorda. E a Srta. Sue enche o saco por dias, se a gente aparece gramas mais pesada."
Alguns minutos depois, a morena estava na cozinha, terminando de fazer o brigadeiro que, aliás, era a única coisa que ela sabia cozinhar, e pensando nos beijos que tinha trocado com o gigante misterioso, na noite anterior.
Ela sempre comia muito, a ponto de alguns parentes a chamarem de Taz, o personagem da Looney Tunes que come tudo e qualquer coisa, com um apetite que parece não conhecer limites. No entanto, comia ainda mais se estivesse ansiosa, inquieta, agitada, como estava naquela tarde, por causa do que tinha acontecido na festa, e que ela não conseguia, de jeito nenhum, esquecer.
Ela lembrava daqueles olhos castanhos olhando para ela com desejo, das sardas no rosto dele, do arrepio que sentiu, quando ele a tocou, mesmo quando apenas dançavam juntos, de quando ele disse que ela era linda, das suas pernas bambas quando eles, finalmente, se beijaram, das mãos grandes dele apertando a cintura dela, com força, mas sem faltar ao respeito, do calor que ela sentiu tomar seu corpo todo.
Foi nesse momento que a campainha tocou e, tendo desligado o fogo e ido abrir a porta, porque a mãe e o padrasto não estavam e as amigas se encontravam no andar de cima, se deparou com alguém que só esperava ver no dia seguinte. Jesse St. James não só estava lá, depois de tê-la ignorado durante a festa e literalmente se esfregado com outra garota, como trazia um buque de rosas brancas, que devia ter duas dúzias delas, amarradas em um grande laço rosa.
Definitivamente, o ex namorado não a conhecia muito bem. Rosas brancas faziam a garota se lembrar de funerais e ela não gostava nada da cor rosa, como a maioria das meninas. Sua cor preferida era o vermelho e não era nada difícil reparar nisso, porque a maior parte das suas roupas tinha pelo menos algum detalhe em vermelho e, em seu quarto, com paredes e móveis todos brancos, os detalhes também eram dessa cor. A coisa de que ela mais gostava no fato de ser uma cheerio era o uniforme vermelho e branco.
"Eu posso entrar?" Ele perguntou.
"Claro." Ela respondeu, fingindo animação.
"São para você." Disse, entregando as flores. "Eu acho que te devo desculpas. Não deveria ter brigado com você, daquele jeito. Mas você sabe como eu tenho ciúmes desse coral de vocês." Jogou todo o seu charme, que ele julgava irresistível.
"Tudo bem." Ela assegurou.
Mal sabia ele que não precisava gastar lábia alguma, porque não era em razão de seu sex appeal que Rachel queria voltar com ele, mas apenas porque não queria entregar de bandeja para Grace, ou qualquer outra garotinha vulgar, o melhor partido do colégio. Ela não gostava realmente de Jesse, apesar de ter demorado para se dar conta. Gostava apenas do que ele representava. Além de não apreciar a possibilidade de ficar sozinha, enquanto as melhores amigas desfilavam com seus namorados lindos por aí.
"Vou colocar as flores num vaso. Vem!" Continuou, entrando na cozinha. "As meninas estão lá no quarto... e eu to fazendo brigadeiro. Você fica com a gente?"
Ele ficou. E foi assim, sem paixão, sem declarações, sem sobressaltos, nem nada, que Jesse e Rachel voltaram a ser um casal. Era só um jogo de interesses tratado como namoro e, apesar de pensar que sim, ninguém é feliz em um relacionamento como esse.
Eles teriam consciência disso, um dia. Mas esse dia, definitivamente, ainda não havia chegado.
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