Uma Nova Injeção De Adrenalina
34 Capítulo 34
"SURPRESA!" Todos os presentes no porão da casa de Finn haviam gritado e, agora, Rachel observava as pessoas e o próprio lugar com olhos arregalados e lacrimejantes, e as duas mãos cobrindo a boca, entreaberta em razão de tamanha surpresa.
Entre seus três pais e sua mãe, Finn, Kurt e os pais deles, todos os integrantes do clube e alguns outros colegas de colégio, e os amigos do namorado, que ela tinha conhecido em Akron, havia no grande porão mais ou menos umas cinquenta pessoas, e o lugar tinha sido cuidadosamente decorado para recebê-la. Bolas vermelhas, brancas e douradas, todas em material metálico, estavam presas em vários lugares das paredes e uma faixa de pano branca pendurada no teto dizia Feliz Aniversário em letras vermelhas.
"Vai ficar quanto tempo aí olhando pra gente, como se fôssemos ETs, Hobbit?" Gritou Sam, do meio das pessoas, brincalhão. "Desce daí logo, pra essa festa começar de uma vez!" Pediu, fazendo um largo gesto com uma das mãos.
Rachel desceu os degraus finais da escada, sendo recebida por Shelby, que a abraçou forte. Ela abraçou e beijou também os três pais, e parou para conversar com eles um pouquinho, enquanto sua mãe lhe ajudava a se livrar do pesado casaco de frio que estava usando, por cima da roupa nova. Fazia muito frio do lado de fora e Rachel percebeu que isso não tinha sido desconsiderado por quem organizara a festa, uma vez que, ali mesmo perto da escada, havia cabides repletos de agasalhos.
"Eu não quero parecer mal agradecida porque está tudo lindo! Perfeito! Todas as pessoas que eu mais amo estão aqui e eu não poderia ter surpresa melhor!" Disse, sorrindo. "Mas eu não precisava de festa... eu não queria dar trabalho e nem despesa, afinal é dezembro e..."
"Da minha parte, eu posso garantir que não gastei nem um centavo, princesinha." Interrompeu Clay.
"Nós também não." Garantiu Hiram. "Finn ligou pedindo que viéssemos, mas, quando Leroy perguntou se ele precisava de alguma ajuda, ele disse que já estava tudo organizado."
"E eu só soube há dois dias, filha." Shelby completou. "Finn não me deixou pagar nada. O máximo que aceitou foi a ajuda de Eugene com o preparo de alguns doces... por isso ela estava de folga ontem."
Finn, de fato, não quisera sequer contar aos pais dela, antes que as coisas já estivessem esquematizadas. Se eles ficassem sabendo cedo, seria dificílimo evitar que eles participassem da organização e ele acabaria provocando exatamente o que a namorada tanto queria evitar, que era dar trabalho e gastos aos parentes. Ele queria dar uma festa surpresa para deixá-la feliz e não para contrariá-la, então ele mesmo organizou tudo, com a ajuda, inclusive financeira, de cada um dos convidados.
Com uma pequena quantia de cada um e uma utilização inteligente dos recursos, fora possível fazer uma comemoração que, no julgamento dele, tinha tudo que era necessário. Sobre uma pequena mesa redonda, colocada em um dos cantos do porão, havia o bolo e os doces, preparados por Carole, Eugene, Quinn e Mercedes. Nas paredes, perto da mesa, estavam dois desenhos que representavam Rachel, quase em tamanho real e bastante fies à sua aparência, que tinham sido obra do talentoso Kurt, o qual também pintara a faixa de congratulações. Havia uma outra mesa pequena, com sanduíches e salgados, preparados pela avó de Santana e Noah, com a ajuda da neta, e um cooler cheio de refrigerantes e cervejas, que Burt fizera o favor de comprar, já que o filho ainda não tinha vinte e um anos. Para divertir a galera, Corine tinha trazido de Akron sua aparelhagem de DJ e os meninos os instrumentos da banda.
"Quer dizer que a festa não só é na casa do Finn, como ele também organizou e pagou por tudo, sozinho?" Perguntou Rachel, lisonjeada com tanto carinho, mas também um tanto preocupada, já que nem o rapaz, nem os pais dele, eram pessoas ricas.
"Não, cunhadinha... não, senhora." Kurt se intrometeu na conversa, não aguentando mais a ansiedade em cumprimentar a aniversariante. "Todos ajudamos... e isso prova que realmente trabalhamos muito bem em equipe, hum?" Disse, cutucando-a, de um jeito brincalhão.
Rachel abraçou o amigo, bem como Mercedes e Sunshine, que estavam bem atrás dele. Depois percebeu que Burt e Carole haviam se aproximado e conversavam com os Berry, então foi até eles, abraçando-os e agradecendo por terem permitido que Finn utilizasse o porão da casa como local da festividade.
"Não precisa agraceder, querida." Carole sorriu, carinhosamente. "Você merece!" A essa altura, Rachel já tinha caído nas graças da sogra completamente.
"E não é como se usássemos esse porão para alguma coisa." Riu Burt. "Não tínhamos um na outra casa... e ela era bem menor, então nem temos nada aqui. É total e completamente vazio."
"Agradeço, mesmo assim." Rachel sorriu, olhando em volta e procurando pelo filho deles, mas ele não estava por perto. Percebeu que uma música tinha começado a tocar, enquanto todos os amigos vinham, um a um, abraçá-la, pegá-la no colo e desejar tudo de melhor, como se faz com os amigos nos aniversários, ainda que alguns tenham chamado a atenção para o fato de que ela só completaria mesmo dezoito anos após a meia noite.
Enquanto ainda recebia o carinho de alguns convidados, viu Finn conversando com Josh e Seth, mas somente depois de já ter falado com todo mundo, inclusive os dois garotos, conseguiu receber o abraço e o beijo pelos quais estava ansiando há tanto tempo.
"De quem foi essa ideia, hein?" Ela perguntou, quando pararam de se beijar, permanecendo abraçados.
"Bom... se você achou uma boa ideia e está feliz, eu digo que foi toda minha. Mas, se você preferia estar no restaurante, comendo cebola empanada e costeleta... eu sempre posso dizer que foi da Quinn... ou da Santana." Riu.
"Bobo." Bateu no braço dele, de leve. "Você sabe muito bem que eu amei. Eu nunca vi tantas pessoas que eu adoro juntas! E até o pessoal de Akron veio... eu nem sabia que a Corine era DJ." Observou, rindo. "Eu te amo, Finn Hudson. Esse já é o aniversário mais perfeito de todos!"
"Ainda tem muita coisa pra acontecer." Ele deu seu sorriso torto, acrescentando uma pitada de curiosidade à comemoração.
Algum tempo se passou, entre conversas, a despedida dos adultos (que foram para a casa dos Corcoran, porque aquela era uma festa muito barulhenta para eles, que optaram por um ter um jantar calmo e assistir DVDs), e todo mundo dançando ao som das músicas muito bem selecionadas pela DJ. Rachel nem sequer percebeu que a meia noite se aproximava.
De repente, a música parou e um barulho tomou conta do local. Os meninos tinham combinado que, à meia noite, algumas bolas que estavam separadas só para isso seriam estouradas, para que chamassem a atenção de todos, com a sonoplastia que conheciam que mais se assemelhava a de fogos de artifício. Se a festa fosse do lado de fora da casa, como Finn tinha pensado em fazer de início, eles poderiam ter os próprios fogos, mas o garoto havia optado pelo amplo porão, uma vez que a temperatura havia caído demais em Lima e não iria ser nada confortável permanecer por horas no jardim.
"Baixinha?" Finn chamou pela namorada, ao microfone, logo depois que a última bola estourou.
Ela andou até um local mais próximo, para que pudesse vê-lo e ser vista, e percebeu que não somente ele estava com o microfone, como também os meninos tinham ocupado seus lugares atrás dele, prontos a se utilizar cada um de um instrumento.
"Oi, babe!" Ele falou, quando a olhou, sorrindo só para ela, e ela retribui o sorriso e o cumprimento. "É meia noite! Agora, é oficialmente seu aniversário!" Afirmou, animado. "Vários de nós tem surpresas pra você... tá preparada?" Ela assentiu. "Ok. Então, galera... eu apresento a vocês a banda Jumpers. Guardem bem esse momento, porque vocês ainda vão ouvir falar muito de nós." Alguns convidados, como Kurt e Jordan, que escutavam isso dos irmãos há muito tempo, reviraram os olhos, mas a maioria achou graça do jeito de Finn, como sempre.
A banda começou a tocar uma melodia conhecida. Rachel amava aquela música, achava que ela combinava muito com a voz e o estilo de cantar de Finn e, exatamente como ele também tinha imaginado, pensava que era uma música que falava muito sobre eles, que tinha um certo romantismo mas, ao mesmo tempo, era animada, alegre, alto astral como a primeira música de uma banda, em uma festa, deve ser.
"So she said 'what's the problem, babe?'... what's the problem, I don't Know" Finn começou a cantar, e ele e a namorada não tiraram os olhos um do outro. Ela, mesmo sem microfone, também cantava a letra, que conhecia muito bem, para o rapaz. As outras pessoas dançavam e cantavam junto. "Well, maybe I'm in love... Think about it every time..."
Finn cantou a música toda duas vezes e, na segunda vez em que passou pela parte em que a letra dizia "Well baby, I surrender to the strawberry ice cream... never ever end of all this love" (Bem, baby, eu me rendo ao sorvete de morango... nunca termine todo esse amor), tornou o que já era uma letra um pouco louca em algo ainda mais insano, cantando "Well baby, I surrender to Rachel Berry ice cream", piscando para ela.
Insanidade ou não, se imaginar como um sorvete só dele causou coisas no corpo dela, como as que ela sentia quando ele a tocava, quando se beijavam, quando o via sem camisa ou quando sonhava com os dois sozinhos, nus, nos mais diversos lugares, o que se tornava cada vez mais frequente. Quando ele parou de cantar e entregou o microfone a Jordan, para que ele cantasse uma outra canção que os meninos já estavam tocando, e foi na direção dela, ela literalmente pulou no colo dele e os dois trocaram um beijo de tirar o fôlego.
"Eu te amo, Rachel Berry ice cream." Riu, brincando com a ponta do nariz dela.
"E eu amo você." Ela sentenciou, beijando-o outra vez.
Depois disso, eles curtiram a festa. Vários grupos de amigos dela do coral cantaram músicas sobre amizade em homenagem à morena, ou alguma canção que tinha feito parte de algum momento marcante compartilhado. Houve um momento em que a banda puxou o "Parabéns pra você" e todos cantaram. Puck acendeu a vela sobre o bolo, enquanto a namorada dele lembrava à amiga de fazer um pedido, depois Rachel a apagou em um só sopro, e Lauren e Tina cortaram e serviram o bolo.
Durante algumas horas, todo mundo dançou, riu, conversou, brincou, comeu bastante e alguns deles aproveitaram para beber muito também, já que não era sempre que eles tinham a oportunidade de fazer isso, por causa de suas idades.
Um bom tempo passou e, para se despedir e dar de novo lugar à DJ, a banda tocou umas três músicas mais lentas. A última delas a pedido de Finn, que tirou Rachel para dançar, agora cantando cada palavra da doce balada no ouvido de sua garota.
"I could stay awake just to hear you breathing... Watch your smile while you are sleeping... While you're far away and dreaming. I could spend my life in this sweet surrender . I could stay lost in this moment, forever. Every moment spent with you is a moment of treasure."
Rachel aproveitou esse momento, tentando gravar cada detalhe, retê-lo em sua memória para sempre. Guardá-lo naquele lugar da memória reservado para as coisas mais especiais. Como Finn podia ser tão perfeito era algo que ela não sabia. E por que razão ela era tão sortuda, a ponto de ter o amor dele só pra ela, era algo ainda mais enigmático.
Era um mistério também como, menos de uma hora depois, o garoto dava sinais claros de que o álcool que consumira estava começando a fazer efeito.
Rachel olhou em volta e se deu conta de que havia bem menos pessoas no porão. Porém, pelo jeito como Finn e os amigos mais próximos dos dois riam, cantavam e brincavam, ela seria capaz de apostar que, mesmo com pouca gente, a festa ainda tinha muito o que render.
Notas finais
A próxima parte é mais brincalhona e sexy.
Bjs!
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