Agora que Finn e Rachel eram oficialmente namorados e toda a escola já sabia disso, não somente as idas para a escola haviam mudado. Eles também podiam aproveitar o tempo juntos em qualquer lugar que escolhessem, então eles continuaram indo aos parques da cidade, de vez em quando, por gostarem muito daquele tipo de ambiente, mas também passaram a ir ao cinema, ao shopping, a lanchonetes e restaurantes, a festas de colegas do McKinley.

Finn já tinha ido à casa dos Corcoran algumas tardes, tendo inclusive conhecido Shelby e Clay, quando em uma dessas visitas ele e Rachel tinham perdido a noção da hora, assistindo a episódios de Supernatural abraçadinhos no sofá da sala. O casal tinha convidado o rapaz para jantar com eles, naquela noite, e ele ficara extremamente aliviado ao perceber que, mesmo tendo três sogros e uma sogra, nenhum dos parentes de Rachel parecia querer criar nenhum atrito com ele ou obstáculo ao relacionamento dos dois. Não houve, durante a refeição, nenhum interrogatório ou coisa do tipo, e os quatro apenas conversaram sobre amenidades, como se o novo namorado da menina já tivesse estado com eles antes, várias vezes.

Chegara, então, a vez de Rachel conhecer a casa de Finn. Ele não a havia levado até lá, ainda, porque sabia que, quando o fizesse, teria que dividi-la com o irmão, que quase sempre passava as tardes em casa. Na casa dela, eles ficavam sozinhos quase o tempo todo, namorando de fato, e sendo acompanhados por Lyd no máximo durante a hora do lanche. Já na casa dos Hummel ele tinha certeza de que passaria metade das horas que eles tinham para o lazer escutando sobre roupas e produtos de beleza.

O adiamento, no entanto, havia chegado ao fim, pois Carole e Burt tinham praticamente exigido que Finn levasse a garota à casa deles para um almoço de domingo. Precisavam conhecer a garota de quem os dois meninos da casa não paravam de falar, e que era, ainda, filha de Hiram e LeRoy Berry, por quem nutriam grande admiração.

Rachel chegou um pouco tímida e apreensiva ao almoço, e foi ficando ainda mais nervosa na medida em que foi sendo bombardeada de perguntas por Carole. A mãe de Finn parecia querer saber absolutamente tudo sobre os quase dezoito anos de vida da morena, e não parava de contar também coisas sobre os próprios filhos. A mulher era simpática e carinhosa em seus comentários, e sorria o tempo todo para ela, mas mesmo assim Rachel não parava de suar frio, não conseguia relaxar, uma vez que, quando acabava de responder uma pergunta, a Sra. Hummel já tinha outra preparada na ponta da língua.

Foi Burt quem salvou a pequena nora, por quem já estava encantado, assim como seus filhos. Ele lembrou à mulher de que eles tinham um almoço para terminar de preparar e, na cozinha, enquanto os adolescentes papeavam na sala, pediu que ela deixasse a garota conversar mais livremente, sem fazer tantas perguntas. Carole se envergonhou de seu comportamento e até pediu desculpas, e ainda fez algumas perguntas, ao longo do almoço, mas de forma bem mais contida do que antes, o que fez Berry ficar finalmente mais calma e à vontade entre os membros daquela família.

Depois do almoço, os meninos lavaram a louça, como faziam todos os domingos, enquanto a namorada e amiga apenas conversava com eles, que não aceitaram a ajuda que ela lhes ofereceu. O casal mais velho se acomodou no sofá da sala, para assistir a algum filme antigo, como costumavam fazer quando não tinham nenhum compromisso, então, depois de cumprir com sua tarefa, Finn pediu licença aos pais e ao irmão, e levou sua garota para conhecer o quarto dele, ansioso por ter, finalmente, um momento a sós com ela.

"Eu tava louco pra fazer isso." Disse Finn encostando sua testa na de Rachel, depois de lhe dar um longo beijo apaixonado, imediatamente após terem entrado no quarto e ele ter fechado a porta.

"Eu também." Ela afirmou, com a voz doce, acariciando o rosto dele e lhe dando um beijo rápido nos lábios. "Mas agora quero ver bem seu quarto. Ver o que ele diz sobre você."

"Não há nada que você não saiba sobre mim, Rach." Ele riu.

"Pode ser." Respondeu ela, mas não tão convencida, começando a observar tudo a sua volta, com curiosidade. "Você gosta de astrologia, Finny?" Questionou, ao ver que ele tinha, além dos vários pôsteres de bandas de rock na parede, um grande quadro onde estava representado o sistema solar.

"Você quer dizer astronomia?"

"É... pode ser... astronomia. Você curte?"

"Não. Isso é uma metáfora. Os astros são uma metáfora para o astro do rock que eu vou ser, um dia. Minha mãe diz que metáforas são importantes... então ela comprou esse quadro e um monte de outras coisas desse tema... colchas, lençóis, brinquedos. Eu tenho essa obsessão por cantar, desde bem pequeno... e ela tem essa mania de representar meu sonho assim." Ele riu, meio sem jeito.

"Eu achei bem legal." Ela assegurou, sorrindo.

Observou, então, que ele tinha vários troféus e medalhas, distribuídos pelas prateleiras do quarto e pela escrivaninha, junto com os livros, o laptop, e alguns carrinhos e outras miniaturas, como a de uma vitrola, a de John Lennon e a de Gene Simmons, com a característica maquiagem que usava no Kiss. Ela sabia que ele tinha ganho vários prêmios pelo Vocal Adrenaline, mas ali havia mais símbolos de premiações do que ele poderia ter conseguido com o coral da antiga escola.

"Como eu falei, é uma obsessão antiga." Falou, rindo, parecendo ter lido os pensamentos dela. "Eu participei de muitas competições individuais, antes de entrar pro coral... e mesmo depois. Eu sempre gostei de me exibir, de receber os aplausos... é quase um vício." Murmurou o finalzinho, como se fosse um segredo.

"É um bom vício." Ela se aproximou dele e segurou suas mãos, levando-o com ela até a cama do rapaz, onde ambos se sentaram. "Você é bom, Finn. Bom, não... você... você tem um dom, tem um talento nato. E, além disso, você estuda, você pratica, se empenha. Você não só sonha grande, você se prepara pra ser tudo isso que você quer ser." Ela sorriu amplamente e ele também. "Eu amo isso em você, Finn! Além de tantas outras coisas, é claro." Brincou.

Ele não respondeu com palavras, apenas a beijou com toda paixão, novamente. Eles passaram o resto da tarde juntos no quarto dele, trocando beijos e carinhos, e o clima esquentou algumas vezes, mas sempre um deles parava e começava a conversar sobre alguma coisa boba, quando percebia que queria tocar o outro ou sentir o corpo do outro junto do seu de forma mais ousada, afinal os pais dele estavam no andar de baixo e eles podiam ser interrompidos, por um dos dois ou por Kurt, a qualquer momento.

Foi mais um dia ótimo dos incontáveis dias incríveis que Rachel estava tendo naquele ano. E, como quando a gente está ocupada com boas coisas o tempo parece passar mais depressa, depois daquele dia vieram outros igualmente bons, até que chegou, enfim, a semana das Seccionais e, na sexta-feira, o último dia de ensaios.

Rachel estava no auditório com Quinn e Santana, esperando os meninos, que tinham ido buscar o figurino, chegarem, mas estava perdida em seus próprios devaneios. Pensava em como a entrada de Finn no McKinley tinha mudado tanto vários padrões anteriores, em tão pouco tempo. Não somente o coral tinha crescido bastante em número de integrantes, como eles também estavam muito mais disciplinados, confiantes e bem preparados. Ela agora convivia com pessoas que ela nunca teria descoberto serem tão legais quanto eram, como Artie, Mercedes, Lauren, Brittany e, principalmente, Kurt. As meninas Q e S continuavam sendo as melhores amigas dela, mas elas agora não faziam mais cena para entrar no colégio e encontrar seus namorados, para uma exibição de popularidade. Quinn e Sam buscavam Puck em casa, ela vinha com Finn e Kurt, e Santana dava carona a Mercedes, quase todos os dias. Sem combinar nada, eles eventualmente se encontravam nos corredores, brincavam uns com os outros e seguiam para suas aulas.

O problema é que nada na vida é perfeito e tudo tem um preço, e junto com tantas coisas boas vinha também uma certa pressão. Rachel sabia que Finn não queria só se divertir nas competições, e que ganhar era algo extremamente importante para ele. Principalmente porque ele precisava preencher um currículo que lhe desse vantagens na hora que ele fizesse sua inscrição para a LAAVA. E ele merecia mais do que qualquer pessoa uma vaga naquela escola, ela tinha certeza disso!

Ela sentiu um forte frio na espinha, ao pensar que talvez eles não estivessem, ainda, suficientemente preparados, mas foi tirada de suas elucubrações quando os garotos chegaram, mostrando as roupas que Kurt idealizara e uma costureira conhecida de Shelby fizera para eles, e animou-se ao ver que todos estavam muito empolgados com todos os aspectos da apresentação do dia seguinte.

Decidiu, então, afastar qualquer pensamento negativo e viver uma coisa de cada vez. Ela não poderia garantir que eles fossem campeões nas Nacionais, ou mesmo das Seccionais, mas o que ela podia fazer, e iria, era dar o melhor de si naquele sábado, além de encorajar o grupo, como sempre fazia.

Faria isso por ele, mas também pelos amigos e por algo novo que crescia dentro dela, mesmo que ela ainda não tivesse se dado conta. Que viessem com tudo as Seccionais!